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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Doação de órgãos e o Espírito

MARCUS DE MARIO
do Rio de Janeiro, RJ
marcusdemario@ig.com.br

Quando os transplantes de órgãos tiveram início e principalmente quando se conseguiu transplantar o coração, muitas dúvidas surgiram com relação ao estado do Espírito, se ele, já no mundo espiritual, não sofreria alguma conseqüência com a retirada do órgão de seu corpo físico. Duas justificativas pareciam reforçar a dúvida: primeiro, a questão da ligação do corpo físico com o perispírito através dos cordões fluídicos, que dependem do grau de desprendimento material do Espírito para se desfazer; segundo, a questão do Espírito não estar preparado para aceitar a retirada dos órgãos do seu corpo físico, embora este já não mais lhe pertença.

A Doutrina Espírita, na análise desse tema, não desconsidera a realidade espiritual, bem pelo contrário, entretanto sua visão é científica e não mística ou de crença dogmática. Assim, perante o Espiritismo as duas justificativas acima apresentadas são analisadas da seguinte forma:

A Ligação Corpo-Espírito

Sabemos que o Espírito ao iniciar o processo de reencarnação, a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, liga seu perispírito ou corpo espiritual, ao corpo físico em formação, modelando-o, já que o perispírito é o modelo organizador biológico. Essa ligação, molécula a molécula, é feita pelos cordões fluídicos, dos quais destacam-se os chakras, ou plexos: coronário, cerebral, laríngeo, solar, cardíaco, esplênico e genésico.

Segundo Divaldo Franco "quando ocorre a desencarnação e o coração deixa de bombear o sangue, ficando o cérebro sem oxigenação, esses pontos afrouxam, como plugs e tomadas: o plug libera, mas a tomada continua, porque é o perispírito; o plug material, por falta de energia, desliga-se e vai libertando o corpo espiritual dos pés até à cabeça, onde se situa o chahra Coronário. Essa última ligação é conhecida como o Cordão de Prata, sendo a derradeira a desimantar-se do corpo" (1).

A desencarnação e o desligamento completo dos laços fluídicos dependem do estilo de vida do indivíduo e dos valores humanos que elege como orientadores da sua existência. Se o indivíduo fuma, bebe, usa drogas, transvia-se no sexo, é egoísta, etc., comete suicídio indireto e terá dificuldades em se libertar do corpo físico, recebendo do mesmo as sensações provocadas pela morte. Se, pelo contrário, mantém vida saudável, controla as paixões, alimenta-se com equilíbrio, cultiva bons pensamentos, seu desenlace será suave e mais rápido.

Como podemos perceber, a questão está em saber se o Espírito continua recebendo as sensações do corpo físico ou não, se continua ligado emocionalmente ao corpo físico. Mas isso não impede que a doação de órgãos seja feita, mesmo porque as repercussões espirituais são de ordem moral e não físicas, e o conhecimento que seu ex-corpo serviu para beneficiar outro indivíduo será lenitivo para seu possível sofrimento.

No livro O Céu e o Inferno (2), de Allan Kardec, mesmo os Espíritos infelizes, cessada a perturbação do pós-morte, consideram o corpo físico como um instrumento de que se serviram e do qual não retém maiores recordações, pois toda sua atenção está nas questões morais de sua conduta quando encarnado e o que devem realizar para seu progresso.

A Preparação do Espírito

Pelas considerações acima já podemos apreender os benefícios que uma educação espiritualizada pode fazer aos indivíduos, que deixarão de temer a morte e melhor preparados estarão para deixar o veículo físico que agora não mais lhe serve.

Com essa preparação, ainda em vida irão destinar seus órgãos para doação, visto que colaborar espontaneamente para salvar uma ou mais vidas é extremamente meritório perante a lei divina, principalmente se o ato é revestido da mais pura caridade, sem ostentação e sem a preocupação da recompensa divina no mundo espiritual.

Conclusão

Doar os órgãos de alguém falecido – melhor seria dizer de alguém desencarnado – não constrange o Espírito nem o danifica, pois o perispírito não ficará lesionado, já que ele está desligado do corpo físico pela morte.

É recomendável o uso da prece endereçada a esse Espírito, comunicando-lhe o fato, que está sendo feito em nome da salvação de outra vida, solicitando-se ao mesmo compreender que a vida é dom de Deus e que tudo se encadeia na natureza. Que o ato seja feito em nome do desencarnado, para que o mesmo seja contado a seu favor, mesmo que indiretamente.

Lembramos que não estamos nestas linhas procedendo a um exame minucioso e detalhado das condições do Espírito após a morte e das repercussões que o corpo físico ainda possa lhe acarretar, o que varia ao infinito dada a infinita gradação da condição moral e intelectual dos Espíritos, mas analisando o tema de forma geral, indicando diretrizes que o bom senso e a observação atestam como sendo ideais.

O Espiritismo não é contra a doação de órgãos e acredita que o progresso da ciência medica faz parte do plano divino para benefício do próprio homem. Doar sem olhar a quem faz parte da bandeira da caridade, e o desprendimento dos bens materiais, inclusive do corpo, atesta a maior espiritualização e moralização do Espírito.

Bibliografia 
(1) FRANCO, Divaldo P.; CARVALHO, Délcio C. 1. ed.: 2002, Salvador, BA, LEAL.
(2) KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Allan Kardec. 6. ed. 1991, São Paulo, SP. LAKE.

Agosto de 2005, edição n°. 235

Jornal Eletrônico Verdade e Luz

USE de Ribeirão Preto

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ALENTO E FORÇA

Somos filhos de Deus
Obra de sua criação
Estamos encarnados nesse planeta
Para continuar nossa evolução

Cada situação difícil
É uma nova oportunidade
De aprender, crescer
E exercitar o amor e a caridade

Não é nada fácil
A bondade praticar
Mas temos que ser fortes
Pois cada um recebe o fardo que suporta carregar

E mesmo quando sofremos
Ou estamos em situação de dor
Nunca esqueçamos que não estamos sozinhos
Nos acompanha sempre Deus, nosso Pai e Criador!!!

Aline Patrícia de Oliveira 

Março de 2006, edição n°. 242

Jornal Eletrônico Verdade e Luz

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SOL NAS ALMAS


ANDRÉ LUIZ - Pompas religiosas herdadas de avoengos da Humanidade ainda hoje suscitam tristeza em múltiplos ambientes da fé.

Procura-se comumente o contato com as Forças Superiores da Vida, que operam em nome da Providência, com o verbo reprimido em posturas e maneiras previamente estudas, qual se as relações com Deus devessem obedecer às rígidas etiquetas das cortes antigas, em que os corações dos vassalos batiam muito longe dos reis.

Se os costumes sociais alcançaram atualmente feição nitidamente mais liberal nas civilizações de liderança, não acontece o mesmo em matéria de cultos.

Tomamos o serviço religioso como sendo clima exótico para se engavetar a alma no preparo da morte, como se mergulha carne em salmoura.

Decerto que não será lícito dispensar a dignidade e a decência das atividades do sentimento e do estudo, em torno da Espiritualidade Maior, mas é necessário exonerar a máscara em nosso intercâmbio com os planos sublimes.

Nesse sentido, é mais que justo recorrer ao exemplo do Mestre, em cujo tempo, cerimônias e rituais já haviam atingido culminâncias.

Jesus lê e ora nos cenáculos consagrados à prece, mas isso não o impede de tratar dos assuntos da alma sob o céu a pleno campo.

Em nenhum texto evangélico aparece notícia de artifícios ou meneios que houvesse ele usado para impressionar.

Prefere sempre mais o templo da natureza para os transbordamentos da alma que os santuários de pedra.

As orações que nos deixou são modelos de concisão e simplicidade sem a mínima idéia de solenidade ou dramatização.

E se hoje na Terra fala a ciência da possibilidade de chamar os recém-desencarnados à existência, atenuando-se o império da morte, Jesus foi o pioneiro de semelhante movimento, conferindo a vários mortos o retorno à vida, por mais tempo, demonstrando que nem sempre a desencarnação é fulminativa e que, por isso mesmo, na maioria dos casos, será possível reajustar o recém-desencarnado na casa orgânica, ainda usufruível, ponto essencial para compreendermos a necessidade de abolição dos ofícios fúnebres perfeitamente incompatíveis com o senso da perenidade da alma.

E ele mesmo, o Mestre, institui a base do cristianismo em sua própria sobrevivência, materializando-se à frente dos seguidores, para que a certeza da imortalidade dissipe para sempre a neblina da angústia ante a separação transitória.

A Doutrina Espírita entra no cenário do mundo, precisamente quando a investigação científica arreda para longe todos os resíduos das superstições humanas, a fim de mostrar que religião é sinônimo de vida eterna.

Holofote da verdade espanejando no horizonte avelhantadas teias de treva, para que o homem contemple adiante os objetivos dos próprios destinos, o Espiritismo vem quebrar as limitações menos dignas e romper os condicionamentos inferiores, à maneira de processo natural de evolução, destinado a libertar o espírito na Terra para estágios mais altos de ascensão e progresso, tais como aqueles que desfazem a casca do ovo e desintegram o envoltório da semente, para que a ave e a planta ganhem atividade e altura.

Reverenciamos nele o caminho da renovação pavimentado de esperança e alegria.

Doutrina Espírita é mensagem de Cristo, anunciando-nos que a felicidade de crer não está unicamente conjugada à responsabilidade de agir, mas também ao júbilo de criar, sentir, continuar e viver.

ANDRÉ LUIZ
Do livro "Sol Nas Almas", cap. 22, Editora CEC

3 - RESUMO DO CAPÍTULO 2: A PRELEÇÃO DE EUSÉBIO

1 – DIRIGIMO-NOS A VÓS, IRMÃOS, QUE TENDES, POR ENQUANTO, ENSEJO DE APRENDER NA BENDITA ESCOLA CARNAL.

            ENQUANTO VOSSA ORGANIZAÇÃO FISIOLÓGICA REPOUSA A DISTÂNCIA, EXERCITANDO-SE PARA A MORTE, VOSSAS ALMAS QUASE LIBERTAS PARTILHAM CONOSCO A FRATERNIDADE E A ESPERANÇA, ADESTRANDO FACULDADES E SENTIMENTOS PARA A VERDADEIRA VIDA. (24)

 

2 – NÃO PODEREIS GUARDAR PLENA RECORDAÇÃO DESTA HORA, EM RETOMANDO O ENVOLTÓRIO CARNAL, EM VIRTUDE DA DEFICIÊNCIA DO CÉREBRO, INCAPAZ DE SUPORTAR A CARGA DE DUAS VIDAS SIMULTÂNEAS.

            A LEMBRANÇA DE NOSSO ENTENDIMENTO PERSISTIRÁ, CONTUDO, NO FUNDO DO VOSSO SER, ORIENTANDO-VOS AS TENDÊNCIAS SUPERIORES PARA O TERRENO DA ELEVAÇÃO E ABRINDO-VOS A PORTA INTUITIVA PARA QUE VOS ASSISTA NOSSO PENSAMENTO FRATERNAL. (24)

 

3 -... NÃO OLVIDEIS QUE A CHAMA DO PRÓPRIO CORAÇÃO, CONVERTIDO EM SANTUÁRIO DE CLARIDADE DIVINA, É A ÚNICA LÂMPADA CAPAZ DE ILUMINAR O MISTÉRIO ESPIRITUAL, EM NOSSA MARCHA PELA SENDA REDENTORA E EVOLUTIVA. (25)

 

4 – CADA QUAL TEM À SUA FRENTE O SERVIÇO QUE LHE COMPETE,... O UNIVERSO ENQUADRA-SE NA ORDEM ABSOLUTA. INSTA, POIS, NOS ADAPTEMOS AO EQUILÍBRIO DIVINO, ATENDENDO À FUNÇÃO INSULADA QUE NOS CABE, EM PLENA COLMÉIA DA VIDA. (25)

 

5 - SOMOS, NO PALCO DA CROSTA PLANETÁRIA, OS MESMOS ATORES DO DRAMA EVOLUTIVO. CADA MILÊNIO É ATO BREVE, CADA SÉCULO UM CENÁRIO VELOZ.

...PERDEMOS, ENTRETANTO, QUAIS DESPREOCUPADAS CRIANÇAS, ENTRETIDAS APENAS EM JOGOS INFANTIS, O ENSEJO SANTIFICANTE DA EXISTÊNCIA.

            ENQUANTO MILHÕES DE ALMAS DESFRUTAM BONS ENSEJOS DE EMENDA E REAJUSTAMENTO, DE NOVO ENTREGUES AO ESFORÇO REGENERATIVO NAS CIDADES TERRESTRES, MILHÕES DE OUTRAS DEPLORAM A PRÓPRIA DERROTA, PERDIDAS NO ATRO RECESSO DA DESILUSÃO E DO PADECIMENTO.

REFERIMO-NOS ÀS BASTAS MULTIDÕES DE ALMAS INDECISAS, PRESAS DA INGRATIDÃO E DA DÚVIDA, DA FRAQUEZA E DA DISSIPAÇÃO, ALMAS FORMADAS À LUZ DA RAZÃO, MAS ESCRAVIZADAS À TIRANIA DO INSTINTO. (25/26)

 

6 – FALAMOS DE TODOS NÓS... QUE AINDA NOS DEBATEMOS NO CHAVASCAL DOS PRAZERES DE ÍNFIMA ESTOFA.

            SEMPRE O TERRÍVEL DUALISMO DA LUZ E DAS TREVAS, DA COMPAIXÃO E DA PERVERSIDADE, DA INTELIGÊNCIA E DO IMPULSO BESTIAL.

·                    ESTUDAMOS A CIÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE, TODAVIA CONSAGRAMO-NOS AO AVILTAMENTO E AO MORTICÍNIO.

·                    CANTAMOS HINOS DE LOUVOR COM KRISHNA, E DESCÍAMOS AO VALE DO GHANGES, MATANDO E DESTRUINDO PARA GOZAR E POSSUIR.

·                    SOLETRÀVAMOS O AMOR UNIVERSAL COM SIDARTA GAUTAMA E PERSEGUÍAMOS OS SEMELHANTES.

·                    FOMOS HERDEIROS DA SABEDORIA, NOS TEMPOS DISTANTES DA ESFINGE E, NO ENTANTO, PASSÁVAMOS À HOSTILIDADE SANGUISSEDENTA NAS MARGENS DO NILO.

·                    LÍAMOS OS MANDAMENTOS DE JEOVÁ E OS ESQUECÍAMOS, AO PRIMEIRO CLANGOR DE GUERRA AOS FILISTEUS.

·                    CHORÁVAMOS DE COMOÇÃO RELIGIOSA EM ATENAS E ASSASSINÁVAMOS NOSSOS IRMÃOS EM ESPARTA.

·                    ADMIRÁVAMOS PITÁGORAS E SEGUÍAMOS ALEXANDRE, O CONQUISTADOR.

·                    EM ROMA, CONDUZÍAMOS OFERENDAS VALIOSAS AOS DEUSES, PARA DESEMBAINHAR AS ARMAS, MINUTOS DEPOIS, NO ÀTRIO DOS TEMPLOS. (26/27)

·                    ESCREVÍAMOS FORMOSAS SENTENÇAS DE RESPEITO À VIDA E ORDENÁVAMOS A MATANÇA DE PESSOAS LIMPAS DE CULPA E ÙTEIS À SOCIEDADE.

·                    SOBRE OS DESPOJOS DOS MÁRTIRES IMOLADOS NOS CIRCOS, VERTEMOS RIOS DE SANGUE EM VINDITA CRUEL, ARMANDO FOGUEIRAS DO SECTARISMO RELIGIOSO.

·                    SUPORTAMOS ADMINISTRADORES ARBITRÁRIOS E IGNOMINIOSOS, DE NERO A DIOCLECIANO, PORQUE TÍNHAMOS FOME DE PODER.

·                    POUCO A POUCO ESQUECEMOS OS CEGOS DE JERICÓ, OS PARALÍTICOS DE JERUSALÉM, AS CRIANÇAS DO TIBERÍADES, OS PESCADORES DE CAFARNAUM, PARA AFAGAR AS TESTAS COROADAS DOS TRIUNFADORES.

·                    AINDA HOJE, DECORRIDOS QUASE VINTE SÉCULOS SOBRE A CRUZ DO SALVADOR, BENZEMOS BAIONETAS E CANHÕES, METRALHADORAS E TANQUES DE ASSALTO, EM NOME DO PAI. (26/27)

 

7 – ATÉ QUANDO SEREMOS GÊNIOS DEMOLIDORES E PERVERSOS? AO INVÉS DE SERVOS LEAIS DO SENHOR DA VIDA, TEMOS SIDO SOLDADOS DOS EXÉRCITOS DA ILUSÃO, DEIXANDO À RETARGUARDA MILHÕES DE TÚMULOS, ABERTOS SOB ALUVIÕES DE CINZA E FUMO. (28)

 

8 – FOI ASSIM QUE ATINGIMOS A ÉPOCA MODERNA, EM QUE A LOUCURA SE GENERALIZA E A HARMONIA MENTAL DO HOMEM ESTÁ A PIQUE DE SOÇOBRO.

            DE CÉREBRO EVOLVIDO E CORAÇÃO IMATURO, REQUINTAMO-NOS NA ARTE DE ESFACELAR O PROGRESSO ESPIRITUAL. (28)

 

9 – NOS SÉCULOS PRETÉRITOS, AS CIDADES FLORESCENTES DO MUNDO DESAPARECIAM PELO MASSACRE, AO GLÁUDIO DOS CONQUISTADORES SEM ENTRANHAS, OU ESTACIONAVAM SOB A ONDA MORTÍFERA DA PESTE DESCONHECIDA E NÃO ATACADA. (28)

 

10 – HOJE, AS COLETIVIDADES HUMANAS AINDA SOFREM O ASSÉDIO DA ESPADA HOMICIDA, E CHUVAS DE BOMBAS ARREMETEM CONTRA POPULAÇÕES INDEFESAS. (28/29)

 

11 – APESAR DISSO, A FEBRE AMARELA, A CÓLERA E A VARÍOLA FORAM DOMINADAS; A LEPRA, A TUBERCULOSE E O CÂNCER EXPERIMENTAM COMBATE SEM TRÉGUAS.

            EXISTE, PORÉM, NOVA AMEAÇA AO DOMICÍLIO TERRESTRE: O PROFUNDO DESEQUILÍBRIO, A DESARMONIA GENERALIZADA, AS MOLÉSTIAS DA ALMA QUE SE INGEREM, SUTIS, SOLAPANDO-VOS A ESTABILIDADE. (29)

 

12 – COMO FRUTO DE ERAS SOMBRIAS, CARACTERIZADAS PELA OPRESSÃO E MALDADE RECÍPROCAS, EM QUE TEMOS VIVIDO, ODIANDO-NOS UNS AOS OUTROS, VEMOS A TERRA CONVERTIDA EM CAMPO DE QUASE INTÉRMINAS HOSTILIDADES.

              OS FILHOS DA TERRA ABEIRAM-SE DE NOVO ABISMO: O DA ALIENAÇÃO MENTAL, QUE NÃO DESINTEGRA SÓ OS PASTRIMÔNIOS CELULARES DA VIDA FÍSICA, SENÃO TAMBÉM NOS ATINGE O TECIDO SUTIL DA ALMA, INVADINDO-NOS O CERNE DO CORPO ESPIRITUAL. (29)

 

13 – O TRABALHO SALVACIONISTA CONSTITUI MINISTÉRIO COMUM A TODOS, PORQUE DIA VIRÁ EM QUE O HOMEM HÁ DE RECONHECER A DIVINA PRESENÇA EM TODA A PARTE.

·                    NÃO VOS ESQUEÇA VOSSA LUZ PRÓPRIA. NÃO CONTEIS COM ARCHOTES ALHEIOS PARA A JORNADA.

·                    INDISPENSÁVEL CONSIDEREIS A VOSSA NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO NO DEVER DE CADA DIA.

            IMPOSSÍVEL É PROGREDIR NO SÉCULO, SEM ATENDER AS OBRIGAÇÕES DA HORA.

·                    NÃO BASTA CRER NA IMORTALIDADE DA ALMA.

·                    INADIÁVEL É A ILUMINAÇÃO DE NÓS MESMOS, A FIM DE QUE SEJAMOS CLARIDADE SUBLIME.

·                    ANTES DE QUALQUER COISA IMPORTA ELEVAR O CORAÇÃO, ROMPER AS MURALHAS QUE NOS ENCERRAM NA SOMBRA, ESQUECER AS ILUSÕES DA POSSE, DILACERAR OS VÉUS ESPESSOS DA VAIDADE, ABSTER-SE DO LETAL LICOR DO PERSONALISMO AVILTANTE.

·                    EXIGE-SE DE VÓS A CABAL DEMONSTRAÇÃO DE ESTARDES CERTOS DA ESPIRITUALIDADE DIVINA. (29/30/31)

 

14 – ADMITIRÍEIS, PORVENTURA, VOSSA PERMANÊNCIA NA CROSTA PLANETÁRIA, SEM FINALIDADES ESPECÍFICAS?

            A PORTA DIVINA NÃO SE ABRE A ESPÍRITOS QUE SE NÃO DIVINIZARAM PELO TRABALHO INCESSANTE DE COOPERAÇÃO COM O PAI ALTÍSSIMO.

            NÃO OLVIDEIS O CAMPO DE LUTAS PRESENTES.

            A NOSSA MISSÃO ESSENCIAL É A DE CONVERTER TODA A TERRA NO TEMPLO AUGUSTO DE DEUS. (31/32)

 

15 – FALAMOS A VÓS OUTROS, QUE SENTIS A SEDE DE UNIVERSALISMO, ANÔNIMOS COMPANHEIROS DA HUMANIDADE QUE SE ESFORÇA POR EMERGIR DAS TREVAS PARA A LUZ.

            ALIMENTEMOS A ESPERANÇA RENOVADORA.

            NÃO RECLAMEMOS INGRESSO EM MUNDOS FELIZES, ANTES DE MELHORAR O NOSSO PRÓPRIO MUNDO.

            ESQUECEI O VELHO ERRO DE QUE A MORTE DO CORPO CONSTITUI MILAGROSA IMERSÃO DA ALMA NO RIO DO ENCANTAMENTO.

            NOSSO MINISTÉRIO È DE ILUMINAÇÃO E DE ETERNIDADE.

            O GOVERNO UNIVERSAL NÃO NOS CIRCUNSCREVEU AS ATIVIDADES À GUARDA DE ALTARES PERECÍVEIS, MAS A COOPOERAR NA LIBERTAÇÃO DE ESPÍRITO ENCARNADO, ABRINDO HORIZONTES MAIS CLAROS À RAZÃO HUMANA.

            COMO ATENDER A ESSES MILHÕES DE NECESSITADOS ESPIRITUAIS, SE NÃO RECEBERDES A RESPONSABILIDADE DO SOCORRO FRATERNO? (32/33)

 

16 – A HARMONIA INTERIOR NÃO É ARTIGO DE OFERTA E PROCURA NOS MERCADOS TERRESTRES, MAS AQUISIÇÃO ESPIRITUAL SÓ ACESSÍVEL NO TEMPLO DO ESPÍRITO.

            ACENDAMOS O CORAÇÃO EM AMOR FRATERNAL À FRENTE DO SERVIÇO.

            SEJAMOS INSTRUMENTOS DO BEM. A TAREFA DEMANDA CORAGEM E SUPREMA DEVOÇÃO A DEUS. (33)

 

17 – A EVANGELIZAÇÃO DAS RELAÇÕES ENTRE AS ESFERAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS É DEVER TÃO NATURAL E TÃO INADIÁVEL DA TAREFA QUANTO A EVANGELIZAÇÃO DAS PESSOAS.

            AS ORDENAÇÕES QUE VOS PRENDEM NA PAISAGEM TERRENA, POR MAIS ÁSPERAS OU DESAGRADÁVEIS, REPRESENTAM A VONTADE SUPREMA.

            NÃO GALGUEIS OS OBSTÁCULOS, NEM TENTEIS CONTORNÁ-LOS PELA FUGA DELIBERADA: VENCEI-OS, UTILIZANDO A VONTADE E A PERSEVERANÇA, ENSEJANDO CRESCIMENTO AOS VOSSOS PRÓPRIOS VALORES.

            CUIDAI EM NÃO TRANSITAR SEM A DEVIDA PRUDÊNCIA NOS CAMINHOS DA CARNE.

            NÃO INDAGUEIS DE DIREITOS PROVÁVEIS QUE VOS CABERIAM NO BANQUETE DIVINO, ANTES DE LIQUIDAR OS COMPROMISSOS HUMANOS.

            SOBERANAS E INDEFECTÍVEIS LEIS NOS PRESIDEM AOS DESTINOS. SOMOS CONHECIDOS E EXAMINADOS EM TODA PARTE.

            PROCURAI A PAZ INTERIOR NA SUPREMA TRANQUILIDADE DA CONSCIÊNCIA.

            DEIXAI PLANTADO O BEM NA ESTEIRA DE VOSSOS PASSOS.

            SOMENTE OS SERVOS QUE TRABALHAM GRAVAM NO TEMPO OS MARCOS DA EVOLUÇÃO. (34/35)

18 – O DESEQUILÍBRIO GENERALIZADO E CRESCENTE INVADE OS DEPARTAMENTOS DA MENTE HUMANA:

            SURGEM DEPLORÁVEIS GUERRAS CIVIS, ARMANDO IRMÃOS CONTRA IRMÃOS.

            ENCARNADOS E DESENCARNADOS DE TENDÊNCIAS INFERIORES COLIDEM FEROZMENTE AOS MILHÕES.

            INÚMEROS LARES TRANSFORMAM-SE EM AMBIENTES DE INCONFORMAÇÃO E DESARMONIA.

            DUELA O HOMEM CONSIGO MESMO NO ATUAL PROCESSO ACELERADO DE TRANSIÇÃO.

É IMPOSSÍVEL CONFUNDIR A LEI OU TRAIR-LHE OS DITAMES UNIVERSAIS. (35/36)

 

es.to.fa

(ô), s. f. 1. Estofo. 2. Qualidade, classe, condição.

 

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21 - A G Ê N E S E

OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO

ALLAN KARDEC

O INSTINTO E A INTELIGÊNCIA

Qual a diferença entre o instinto e a inteligência? Onde acaba um e o outro começa? Será o instinto uma inteligência rudimentar ou será uma faculdade distinta, um atributo exclusivo da matéria?

             O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo e vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessário; que as plantas trepadeiras se enroscam em torno daquilo que lhes serve de apoio, ou se lhe agarram com as gavinhas. É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios; que constroem, sem ensino prévio, com mais ou menos arte, segundo as espécies, leitos macios e abrigos para as suas progênies, armadilhas para apanhar a presa de que se nutrem; que manejam destramente as armas ofensivas e defensivas de que são providos; que os sexos se aproximam; que a mãe choca os filhos e que estes procuram o seio materno. No homem, só em começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. No próprio adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tais ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar, etc.

             A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é.

             O instinto é guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está, por vezes, sujeita a errar.

             Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente; revela, entretanto, uma causa inteligente, essencialmente apta a prever. Se se admitir que o instinto procede da matéria, ter-se-á que admitir que a matéria é inteligente, até mesmo bem mais inteligente e previdente do que a alma, pois que o instinto não se engana, ao passo que a inteligência se equivoca. 

             Se se considerar o instinto uma inteligência rudimentar, como se há de explicar que, em certos casos, seja superior à inteligência que raciocina? Como explicar que torne possível se executem atos que esta não pode realizar?

             Se ele é atributo de um princípio espiritual de especial natureza, qual vem a ser esse princípio? Pois que instinto se apaga, dar-se-á que esse princípio se destrua? Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus.

             Segundo outros sistemas, o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio. Chegado a certo grau de desenvolvimento, esse princípio, que primeiramente apenas tivera as qualidades do instinto, passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre.

             Se fosse assim, no homem inteligente que perde a razão e entra a ser guiado exclusivamente pelo instinto, a inteligência voltaria ao seu estado primitivo e, quando o homem recobrasse a razão, o instinto se tornaria inteligência e assim alternativamente, a cada acesso, o que não é admissível.

             Aliás, é freqüente o instinto e a inteligência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. No caminhar, por exemplo, o movimento das pernas é instintivo; o homem põe maquinalmente um pé á frente do outro, sem nisso pensar; quando, porém, ele quer acelerar ou demorar o passo, levantar o pé ou desviar-se de um tropeço, há cálculo, combinação; ele age com deliberado propósito.A impulsão involuntária do movimento é o ato instintivo; a calculada direção do movimento e o ato inteligente. O animal carnívoro é impelido pelo instinto a se alimentar de carne, mas as precauções que toma e que variam conforme as circunstância, para segurar a presa, a sua previdência das eventualidade são atos da inteligência.

             Outra hipótese que, em suma, se conjuga perfeitamente à idéia da unidade de princípio, ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto e concorda com o que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo.

             Sabe-se agora que muitos Espíritos desencarnados têm por missão velar pelos encarnados, dos quais se constituem protetores e guias; que os envolvem nos seus eflúvios fluídicos; que o homem age muitas vezes de modo inconsciente, sob a ação desses eflúvios.

             Sabe-se, ao demais, que o instinto, que por si mesmo produz atos inconscientes, predomina nas crianças e, em geral, nos seres cuja razão é fraca. Ora, segundo esta hipótese, o instinto não seria atributo nem da alma, nem da matéria; não pertenceria propriamente ao ser vivo, seria efeito da ação direta dos protetores invisíveis que supririam a imperfeição da inteligência, provocando os atos inconscientes necessários à conservação do ser. Seria qual a andadeira com que se amparam as crianças que ainda não sabem andar. Então, do mesmo modo que se deixa gradualmente de usar a andadeira, à medida que a criança se equilibra sozinha, os Espíritos protetores deixam entregues a si mesmos os seus protegidos, à medida que estes se tornam aptos a guiar-se pela própria inteligência.

             Assim, o instinto, longe de ser produto de uma inteligência rudimentar e incompleta, sê-lo-ia de uma inteligência estranha,na plenitude da sua força, inteligência protetora, supletiva da insuficiência, quer de uma inteligência mais jovem, que aquela compeliria a fazer, inconscientemente, para seu bem, o que ainda fosse incapaz de fazer por si mesma, quer de uma inteligência madura, porém momentaneamente tolhida no uso de suas faculdades, como se dá com o homem na infância e nos casos de idiotia e de afecções mentais.

             Diz-se proverbialmente que há um deus para as crianças, para os loucos e para os ébrios. É mais veraz do que se supõe esse ditado. Aquele deus, outro não é senão o Espírito protetor, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

             Nesta ordem de idéias, ainda mais longe se pode ir. Por muito racional que seja, essa teoria não resolve todas as dificuldades da questão.
             Se observarmos os efeitos do instinto, notaremos, em primeiro lugar, uma unidade de vistas e de conjunto, uma segurança de resultados, que cessam logo que a inteligência o substitui. Demais, reconheceremos profunda sabedoria na apropriação tão perfeita e tão constante das dificuldades instintivas às necessidades de cada espécie. Semelhante unidade de vistas não poderia existir sem a unidade de pensamento e esta é incompatível com a diversidade das aptidões individuais; só ela poderia produzir esse conjunto tão harmonioso que se realiza desde a origem dos tempos e em todos os climas, com uma regularidade, uma precisão matemáticas, cuja ausência jamais se nota. A uniformidade no que resulta das faculdades instintivas é um fato característico, que forçosamente implica a unidade da causa. Se a causa fosse inerente a cada individualidade, haveria tantas variedades de instintos quantos fossem os indivíduos, desde a planta até o homem. Um efeito geral, uniforme e constante, há de ter uma causa geral, uniforme e constante; um efeito que atesta sabedoria e previdência há de ter uma causa sábia e previdente. Ora, uma causa dessa natureza sendo por força inteligente, não pode ser exclusivamente material.

             Não se nos deparando nas criaturas, encarnadas ou descarnadas, as qualidade necessárias à produção de tal resultado, temos que subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos reportamos à explicação dada sobre a maneira por que se pode conceber a ação providencial; se figurarmos todos os seres penetrados do fluido divino, soberanamente inteligente, compreenderemos a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada indivíduo. Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos tem o indivíduo em si mesmo e na sua inteligência. Por isso é que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres inferiores, do que no homem.

             Segundo essa teoria, compreende-se que o instinto seja um guia seguro. O instinto materno, o mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atrativas da matéria, fica realçado e enobrecido. Em razão das suas conseqüências, não devia ele ser entregue às eventualidades caprichosas da inteligência e do livre-arbítrio. Por intermédio da mãe, o próprio Deus vela pelas suas criaturas que nascem.

             Esta teoria de nenhum modo anula o papel dos Espíritos protetores, cujo concurso é fato observado e comprovado pela experiência; mas, deve-se notar que a ação desses Espíritos é essencialmente individual; que se modifica segundo as qualidades próprias do protetor e do protegido e que em parte nenhuma apresenta a uniformidade e a generalidade do instinto. Deus, em sua sabedoria, conduz ele próprio os cegos, porém confia a inteligências livres o cuidado de guiar os clarividentes, para deixar a cada um a responsabilidade de seus atos. 

             A missão dos Espíritos protetores constitui um dever que eles aceitam voluntariamente e lhes é um meio de adiantarem, dependendo o adiantamento da forma por que o desempenhem.

             Todas essas maneiras de considerar o instinto são forçosamente hipotéticas e nenhum apresenta caráter seguro de autenticidade, para ser tida como solução definitiva. A questão, sem dúvida, será resolvida um dia, quando se houverem reunido os elementos de observação que ainda faltam. Até lá, temos que limitar-nos a submeter as diversas opiniões ao cadinho da razão e da lógica e esperar que a luz se faça. A solução que mais as aproxima da verdade será decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto é, com a bondade suprema e a suprema justiça.

             Sendo o instinto o guia e as paixões as molas da alma no período inicial do seu desenvolvimento, por vezes aquele e estas se confundem nos efeitos. Há, contudo, entre esses dois princípios, diferenças que muito importa se considerem.

             O instinto é guia seguro, sempre bom. Pode, ao cabo de certo tempo, tornar-se inútil, porém nunca prejudicial. Enfraquece-se pela predominância da inteligência.

             As paixões, nas primeiras idades da alma, têm de comum com o instinto o serem as criaturas solicitadas por força igualmente inconsciente. As paixões nascem principalmente das necessidades do corpo e dependem, mais do que o instinto, do organismo. O que, acima de tudo, as distingue do instinto é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; variam, ao contrário, de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. São úteis, como estimulante, até à eclosão do senso moral, que faz nasça, de um ser passivo, um ser racional. Nesse momento, tornam-se não só inúteis, como nocivas ao progresso do Espírito, cuja desmaterialização retardam. Abrandam-se com o desenvolvimento da razão.

             O homem que só pelo instinto agisse constantemente poderia ser muito bom, mas conservaria adormecida a sua inteligência. Seria qual criança que não deixasse as andadeiras e não soubesse utilizar-se de seus membros. Aquele que não domina as suas paixões pode ser muito inteligentes, porém, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se.

Denizart Castaldeli

Dezembro / 2003

56 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO V: BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS
PROVAS VOLUNTÁRIAS E VERDADEIRO CILÍCIO

 

30 - Um homem se expõe a um perigo iminente para salvar a vida de um semelhante, sabendo que ele sucumbirá; isso pode ser considerado como suicídio?

No suicídio existe sempre a intenção de acabar com a vida, porque, então, a pessoa não vê outra saída para resolver seus problemas. Sente-se só, não vê em ninguém, condições e possibilidades de auxiliá-lo ou não tem coragem de expor seus problemas a quem possa auxiliá-la, por temer o seu julgamento.

São muitos os motivos que podem levar uma pessoa ao suicídio, mas no fundo de todos, está o sentir-se só, não enxergando nenhuma saída para libertar-se dos problemas, além da morte.

Daí a importância da fé na vida futura, na vida no além-túmulo. Não da fé comum, que leva o homem a crer no que lhe ensinam, no que vê, no que lê, mas da fé, fruto do raciocínio, conseguida através da razão, da argumentação, da reflexão, da análise.

Evidentemente que não temos ainda respostas a todas as nossas indagações, mas, muitas respostas já possuímos, no contexto da nossa capacidade intelectual, que nos permite ter a certeza de que a vida é imortal, que não existe problema sem solução, e muito menos ainda, problema que possa ser resolvido, simplesmente, com a morte do corpo físico.

Retornamos ao plano espiritual, de onde viemos, como somos ou estamos no momento da morte do corpo. Levamos conosco, tudo o que se relacione com a alma, inclusive o sofrimento oriundos dos problemas, para os quais não encontramos solução.

Assim, o suicida, que pensa libertar-se com a morte, apenas agrava seus sofrimentos, pela lembrança, no plano espiritual, dos problemas que deram origem ao desejo da morte, mais os conseqüentes do ato em si.

Já disse alguém: "Suicídio não é porta de saída, mas sim porta de entrada." Entrada a maiores sofrimentos.

Como vemos, no ato citado na pergunta acima, não existem motivos para o suicídio, nem intenção de executá-lo, apenas existe a vontade de salvar alguém.

Existe a abnegação, virtude que leva ao esquecimento de si próprio, dos seus interesses pessoais, até da sua vontade de viver, em benefício de outrem.

Nesse momento, a pessoa que se arrisca para salvar alguém, faz um ato perfeito de altruísmo, de amor ao próximo, colocando-se em segundo lugar. Ao invés do "primeiro eu", demonstra "primeiro ele." É um ato de amor perfeito!

São Luís lembra também da ação da Providência Divina, que pode permitir que aquele que busca salvar a vida do outro, pondo a sua em perigo, também possa ser salvo, no último instante.

31-0s que aceitam com resignação os seus sofrimentos, por submissão à vontade de Deus e com vistas à sua felicidade futura, não trabalham apenas para eles mesmos, e podem tornar os seus sofrimentos proveitosos para outro?

Enquanto Espírito imperfeito, ao ir conhecendo as leis divinas, aceitando o que consegue perceber, tentando pôr em prática esse conhecimento, demonstra bom senso em querer aperfeiçoar-se, e uma submissão à vontade de Deus.

Penso que somente a vontade de ser feliz em um futuro distante, não seja suficiente para levar um habitante da Terra, apegado aos prazeres e valores materiais, como somos todos, uns mais outros menos, excluindo-se apenas os missionários, a resignar-se às vicissitudes terrenas.

Mas, considerando que haja pessoas que se resignam aos seus sofrimentos, por submissão a Deus e com vistas á sua felicidade, São Luís responde a pergunta, com clareza:

"Esses sofrimentos podem ser proveitosos para outros, material e moralmente. Materialmente, se, pelo trabalho, as privações e os sacrifícios que se impõem contribuem para o bem-estar matérias do próximo. Moralmente, pelo exemplo que dão, com sua submissão à vontade de Deus. Esse exemplo do poder da fé espírita pode incitar os infelizes à resignação, salvando-os do desespero e de suas funestas conseqüências para o futuro."

Enquanto não formos capazes de agir no bem pelo prazer de fazer o bem, façamo-lo, o quanto pudermos, por dever, por obrigação, pela felicidade futura, porque outros poderão se beneficiados pelas nossas ações, e em algum momento da nossa caminhada, algo nos tocará o coração e a mente, e, aí, teremos feito amigos que nos auxiliarão em nossa transformação íntima.

Leda de Almeida Rezende Ebner

Fevereiro / 2006