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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

SEDE PERFEITOS - ITEM 3: PARÁGRAFOS 10 AO 19: O HOMEM DE BEM

O Evangelho Segundo o Espiritismo    
CAPÍTULO XVII: 


Obs.: Este estudo deveria ter sido publicado no mês anterior pois é continuação do item 3
O homem de bem não sente ódio, nem rancor, nem desejos de vingança, porque o amor, sempre crescente na sua essência espiritual, está eliminando esses sentimentos negativos que o impedem de ser bom e de agir, corretamente, com a inteligência. Assim, prossegue sua caminhada, perdoando e esquecendo as ofensas, não se lembrando dos benefícios que faz, nem das ofensas recebidas, confiante sempre no amor e na justiça de Deus, a quem cabe julgar seus filhos.
            É indulgente para com as fraquezas dos homens, porque sabe que ele também precisa de indulgência, tendo em sua mente e em seu coração a mensagem sublime de Jesus: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra.” Sentindo, em si, a fragilidade das boas intenções do Espírito em desenvolvimento, reconhece-as nos outros, e, então, não tem por eles, outro sentimento que não seja o da indulgência.
            Quando percebe os defeitos alheios, não se compraz, sente compaixão, porque sabe quanta dificuldade eles trazem para seus possuidores, quantos erros e enganos eles poderão proporcionar. Procura, então, não evidenciá-los, e, se for possível, esforça-se por atenua-los, na busca de compreender os seus possuidores nas difíceis situações em que criaram e alimentaram esses defeitos. Pensa na sua própria imperfeição e age para com eles como gostaria que agissem para consigo.
            Procura conhecer-se a si próprio, nas qualidades em desenvolvimento e nas imperfeições que dificultam sua progressão, esforçando-se por combater as últimas, a fim de poder agir sempre no bem, pelo bem e para o bem. Sabe que essa autoeducação, que lhe é exigida por Deus, é a que o fará, um dia, perfeito e feliz. Trabalha, pois, em direção a essa meta, procurando ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, com perseverança, com paciência e com confiança em Deus e em si mesmo, vigiando e orando como ensinou Jesus.
            Não tenta valorizar-se, à custa dos outros, com suas conquistas intelectuais e morais, em comparações desestimulantes. Faz, exatamente, o contrário, procurando sempre ressaltar as vantagens e os progressos dos demais. Desse modo, estimula-os a continuarem seu desenvolvimento no bem, assim como faz em relação ao seu, sem considerar-se mais evoluído, porque sabe que, se no presente está na frente de uns, em alguns aspectos, pode, e, provavelmente está atrás dos mesmos em outros, se eles melhorarem mais.
            O progresso espiritual acontece em fases desiguais, em ritmos e aprofundamentos diferentes, não só entre pessoas, como também numa mesma pessoa, em cada existência.
            Não se envaidece com suas facilidades, nem com os seus predicados pessoais, porque sabe que tudo vem de Deus, que dá e permite conquistar, segundo as necessidades espirituais de cada um, podendo, pois, retirá-los quando assim for melhor para quem os tem.
            Procura compreender os objetivos divinos em relação à sua pessoa, nos talentos que lhe proporciona, esforçando-se para bem empregá-los, não havendo, pois, razão para envaidecer-se, mas sim, razão para agir com responsabilidade no uso de tudo que possui.
            Usa, mas não abusa dos bens materiais que possui, porque compreende a sua responsabilidade nesse empréstimo divino, do qual terá de prestar contas. Busca assim, usá-lo espargindo benefícios a quantos puder, principalmente, através do trabalho digno, porque sabe que, todos os bens da Terra devem ser usados em favor de todos, porque pertencem a Deus e não aos homens, que nela ficam apenas um tempo, o necessário para usá-los no bem de si e dos demais, deixando-os com a morte do corpo físico.
Sabe sempre manter relações sociais com os demais, qualquer que seja a situação, tratando a todos com consideração e respeito, porque os vê, a todos, como filhos de Deus iguais a ele.                         
            Quando em posição de comando, trata todos com bondade e benevolência, usando da sua autoridade, para estimulá-los no crescimento espiritual, na valorização do trabalho que fazem, e das suas próprias pessoas. Não se coloca, orgulhosamente, numa posição elevada, evitando humilhar os subalternos no trabalho, demonstrando que todos são importantes para o trabalho ali realizado.
            Quando subordinado, compreendendo os deveres de sua posição, esforça-se por cumpri-los, tratando a todos, seus superiores e os inferiores na hierarquia profissional, com o mesmo respeito e consideração. Sente-se valorizado como pessoa e profissional, pela dedicação ao seu trabalho.
            “O homem de bem enfim respeita nos seus semelhantes, todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados.”  
            Como vemos, a regra básica do viver de um homem de bem é fazer aos outros, exatamente, o que deseja para si, o que exige a abolição do orgulho e do egoísmo, que impedem os homens de se sentirem iguais a todos, como filhos de Deus.
            O espiritismo esclarecendo que a vida é eterna, que todos os Espíritos são criados da mesma forma, que todos têm as mesmas potencialidades e as mesmas oportunidades de desenvolverem-se em sucessivas reencarnações e que todos têm o mesmo destino, na dependência do livre-arbítrio e da vontade de cada um, demonstra que somos todos iguais, com os mesmos direitos e deveres, não havendo, portanto, motivos para egoísmo e orgulho, os dois maiores obstáculos da paz e da felicidade dos homens na Terra.
            Esforcemo-nos, pois, para sermos todos, pessoas de bem, que buscam o melhor para nós e para os demais, considerando sempre a imortalidade do Espírito.



              Leda de Almeida Rezende Ebner

9 Instrumentos ferramentas de desenvolvimento 4D


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8 Os bons espíritas 3



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7 O homem de bem 4


7 O homem de bem 3


7 O homem de bem 2


7 O homem de bem 1


6. ANOTAÇÕES DE OBRAS ESPÍRITAS 4B


6. ANOTAÇÕES DE OBRAS ESPÍRITAS 4A


6. ANOTAÇÕES DE OBRAS ESPÍRITAS 3


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

5.2. A CARIDADE COMO AMOR AO PRÓXIMO.jpg


5.1. SEDE PERFEITOS COMO VOSSO PAI CELESTIAL É PERFEITO.jpg


4 O IMPERATIVO DA PERFEIÇÃO


3 Desenvolvimento


1 Sede perfeitos 2 Referência bibliográfica


sede perfeitos


sede perfeitos 6


sede perfeitos 5


sede perfeitos 3




sede perfeitos 2


sede perfeitos 1


da perfeição moral 4


da perfeição moral 3


da perfeição moral 2


da perfeição moral 1


1 SEDE PERFEITOS COMO VOSSO PAI CELESTIAL É PERFEITO curso 4


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1 SEDE PERFEITOS COMO VOSSO PAI CELESTIAL É PERFEITO curso 2


1 SEDE PERFEITOS COMO VOSSO PAI CELESTIAL É PERFEITO 1 curso


sábado, 7 de fevereiro de 2015

O Bem e o Mal

Sérgio Biagi Gregório


SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Origem do Bem e do Mal: 4.1. O Mal não Pode Ter Origem em Deus; 4.2. A Causa do Mal; 4.3. O Princípio do Bem e do Mal. 5. Necessidades Humanas: 5.1. O Que é uma Necessidade?; 5.2. Vícios; 5.3. Dor. 6. Bem versus Mal: 6.1. Estender o Bem; 6.2. Desertor do Bem; 6.3. Resistir ao Mal. 7. Conclusão.
1. INTRODUÇÃO
O que é o bem? E o mal? O mal é ausência do bem? Onde está a origem do mal? Em Deus? Nos Homens? Utilizamos essas perguntas para a introdução deste tema, que se subdividirá em: a origem do mal, as necessidades humanas e o bem versus o mal.
2. CONCEITO
Bem – Designa, em geral, o acordo entre o que uma coisa é com o que ela deve ser. É a atualização das virtualidades inscritas na natureza do ser. Relaciona-se com perfeito e com perfectibilidade. Segundo o Espiritismo, tudo o que está de acordo com a lei de Deus.
Mal – Para a moral, é o contrário de bem. Aceita-se, também, como mal, tudo o que constitui obstáculo ou contradição à perfeição que o homem é capaz de conceber, e, muitas vezes, de desejar. Divide-se em: mal metafísico (imperfeição); mal físico (sofrimento); mal moral ("pecado"). Segundo o Espiritismo, tudo o que não está de acordo com a lei de Deus.
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A questão das mudanças de nossas avaliações é um dos pontos centrais para o entendimento do bem e do mal. Malinovsky, etnólogo polonês, estudando a moral sexual dos selvagens australianos, chegou à conclusão de que tudo o que entre nós é considerado válido e até santo, lá é considerado mal. Embora haja uma moral objetiva, traçada pelas leis divinas, só captamos o que nossa visão interior consegue abarcar. O valor das coisas está constantemente alterando-se, principalmente devido à educação cultural dos diversos povos. O valor, por sua vez, pode ser entendido como: valor moral (refere-se à ação); valor estético (refere-se ao dever-ser); valor religioso (refere-se ao sentimento de temor ou de confiança na divindade). Sendo assim, um fato pode ser analisado, respectivamente, como proveniente de uma ação má, feia ou "pecaminosa".
De acordo com a Doutrina Espírita, o problema do bem e do mal está relacionado com as leis de Deus e o progresso alcançado pelo Espírito ao longo de suas várias encarnações. É o que veremos a seguir.
4. ORIGEM DO BEM E DO MAL
4.1. O MAL NÃO PODE TER ORIGEM EM DEUS
Muitos pensam que Deus, que é o criador do mundo e de tudo o que existe, também é o criador do mal. Para tanto, as religiões dogmáticas elaboraram uma série de raciocínios sobre a demonologia, ou seja, o tratado sobre o diabo. Baseando-nos nessas imagens, seríamos forçados a crer que existem dois deuses, digladiando-se reciprocamente. A lógica e os ensinamentos espíritas apontam-nos, porém, para a existência de um único Deus, que é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Como um de seus atributos é ser infinitamente bom, Ele não poderia conter a mais insignificante parcela do mal. Assim, Dele não pode provir a origem do mal. Mas o mal existe e deve ter uma origem. Onde estaria? (Kardec, 1975, cap. III)
4.2. A CAUSA DO MAL
O mal existe e tem uma causa. Há, porém, males físicos e morais. Há os que não se pode evitar (flagelos) e os que se podem evitar (vícios.) Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de seus excessos em tudo. No que tange aos flagelos naturais, o homem recebeu a inteligência e com ela consegue amenizar muito desses problemas.
No sentido moral, o mal só pode estar assentado numa determinação humana, que se fundamenta no livre-arbítrio. Enquanto o livre-arbítrio não existia, o homem não cometia o mal, porque não tinha responsabilidades pelas suas ações. Conforme os amigos espirituais foram nos facultando tal liberdade, tivemos que fazer escolhas e com isso errar e conseqüentemente praticar o mal.
4.3. O PRINCÍPIO DO BEM E DO MAL
O bem e o mal como princípios podem ser encontrados no livro da natureza. O conhecimento deles requer experiência. Tomemos as figuras de Adão e Eva. Eles comeram o fruto proibido, instigados pela serpente. Para conhecerem o bem e o mal, tiveram de prová-los. Mas Adão pode ter pensado: não vou ligar para isso, pois foram a serpente e a Eva que me tentaram. Porém, nesse momento, Deus passa-lhe a noção de responsabilidade. A "consciência moral" começa com a responsabilidade.
Quando começarmos a dar valor à moral, nosso progresso começa a se fundamentar. O Espírito André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, traça-nos a trajetória do princípio inteligente através dos vários reinos da natureza. O princípio inteligente é conduzido pelos "Operários Espirituais". A repetição dos atos cria a herança e o automatismo. Ao adentrar na fase hominal, ele adquire o pensamento contínuo, o livre-arbítrio e a razão. Aos poucos esses operários espirituais vão entregando o aprendizado ao livre-arbítrio, sob a própria responsabilidade.
5. NECESSIDADES HUMANAS
5.1. O QUE É UMA NECESSIDADE?
Necessidade é a consciência de que nos falta algo. Por que nos falta algo? Porque a necessidade, sendo um estado de espírito e um atributo do homem subjetivo, impõe ao homem este ou aquele desejo. As necessidades podem ser: a) prioritárias: comer, beber, dormir etc.; b) secundárias: vestir-se bem, passear, cinema etc.
Em termos espirituais, as necessidades vão se depurando conforme vamos galgando novos degraus de evolução espiritual. Há, assim, muita sabedoria no provérbio: "Deus, livra-me das minhas necessidades". Deveríamos deixar de lado os apetites da carne e nos direcionarmos para os anseios do Espírito.
5.2. VÍCIOS
Os vícios são as ações que tendem para mal. Allan Kardec diz: "Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra". O animal, por exemplo, só come para preservar a sua vida; o homem, dotado de inteligência, come mais com os olhos do que com a boca. O vício surge não pelo fato de atender a necessidades, mas no excesso que com que se atende a necessidades. Há um ditado que diz: "devemos comer para viver e não viver para comer". Nesse sentido, a pessoa que se alimenta em demasia acaba se tornando glutão, o que lhe impede de estar bem com o seu físico. O mesmo se diz daquele que se excede nas bebidas alcoólicas, na sexualidade etc. É preciso, pois, relembrar que todos sofreremos as conseqüências de nossas ações, quer sejam boas ou más. (Kardec, 1975, cap. III)
5.3. DOR
A dor é teleológica e leva consigo um destino. É um alerta da natureza, que anuncia algum mal que está nos atingindo e que precisamos enfrentar. Se não fosse a dor, sucumbiríamos a muitas doenças sem sequer nos dar conta do perigo. Por ela podemos saber o que fomos e, também, o que tencionamos ser. Ela é sempre positiva; no sofrimento, estamos purgando algo ou preparando-nos para o futuro. De acordo com Allan Kardec, "A dor é o aguilhão que impele o Espírito para frente, na senda do progresso". Se o Espírito nada tivesse a temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; ficaria inativo, como entorpecido. Reportando-nos à alimentação, poder-se-ia dizer que ao ingerirmos alimentos em excesso, teríamos um mal-estar físico, uma espécie de sentinela do equilíbrio.
6. BEM VERSUS MAL
6.1. ESTENDER O BEM
"Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem".
— Paulo. (Romanos, 12, 21)
O Espírito Emmanuel lembra-nos de que a natureza é pródiga em nos oferecer exemplos vivos para a nossa mudança comportamental. Depois de um temporal (mal), em que parece ter destruído a paisagem, novas forças congregam-se para a obra de refazimento: "O sol envia luz sobre o lamaçal, curando as chagas do chão, o vento acaricia o arvoredo e enxuga-lhe os ramos, o cântico das aves substitui a voz do trovão... A árvore de frondes quebradas ou feridas regenera-se, em silêncio, a fim de produzir novas flores e novos frutos". Incita-nos, com isso, a aprender com a natureza, ou seja, mesmo sofrendo os maiores dos males, deveríamos nos concentrar no bem, estendendo-o ao infinito, porque o mal é passageiro e fruto da ignorância humana. (Xavier, sdp, cap. 35)
6.2. DESERTOR DO BEM
Se soubéssemos, de antemão, o tributo de dor que a vida nos cobrará, evitaríamos o homicídio, a calúnia, a ingratidão e o egoísmo. O mesmo sucede com aquele que se esquiva do bem. O Espírito Emmanuel diz: "Se o desertor do bem conseguisse enxergar as perigosas ciladas com que as trevas lhe furtarão o contentamento de viver, deter-se-ia feliz, sob as algemas santificantes dos mais pesados deveres". Lembremo-nos de que viemos a este mundo para cumprir uma missão, um dever. Nesse sentido, a esposa de Heidegger dizia que Deus tinha condenado o seu marido a ser filósofo. Para nós outros, que nos compenetramos da necessidade de praticar o bem, poderíamos dizer que Deus nos condenou a ser benevolente. (Xavier, sdp, cap. 38)
6.3. RESISTIR AO MAL
Jesus dizia que o joio deveria crescer junto com o trigo. Contudo, no momento aprazado separaria um do outro. O trigo representa o bem; o joio, o mal. Os dois devem crescer juntos, ou seja, não há dualismo entre um e outro, pois o mal é sempre visualizado como a ausência do bem. Ele só surge quando o bem não se fez presente. É como o ladrão que rouba. Ele só rouba porque não houve antes uma prevenção.
Resistir ao mal significa suportar pacientemente a sua presença, mas sem perder de vista o bem. Haverá tentações, desânimo, mal-entendidos e incompreensões alheias. Nada disso deve tirar o ensejo de continuarmos firmes em nossa jornada evolutiva, pois "a seu tempo ceifaremos se não houvermos desfalecidos".
7. CONCLUSÃO
Não nos detenhamos apenas em praticar atos de caridade; sejamos também caridosos. Auxiliemos o próximo, não por uma espécie de convenção social, mas como um arroubo que parte do íntimo de nosso coração.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, [s.d.p.]


São Paulo, maio de 2005

MILAGRES

Danilo Carvalho Villela


O registro da vida de Jesus apresentado pelos evangelistas contém, além de seus exemplos e ensinamentos, a descrição de inúmeros feitos incomuns realizados pelo Mestre, tais como curas numerosas, afastamento de interferências espirituais negativas e intervenções diretas nos elementos materiais (transformação da água em vinho, aplacar a tempestade). É interessante observar que é muito menor naquelas narrativas a menção a ocorrências verificadas no campo íntimo, sob a inspiração e orientação do Mestre (perdão de ofensas, liberação de vícios, descoberta de sentido para a vida) de que são exemplos luminosos Zaqueu, vencendo a avareza, e Maria de Magdala, superando obsessão e desregramento moral, as quais, contudo, foram por certo muitíssimo mais numerosas e constituíam o objetivo mesmo da Boa Nova. É compreensível no entanto que não tenham sido tão mencionadas pois se passavam no terreno espiritual, sendo conhecidas apenas pelos que as vivenciavam e pelas pessoas que lhes eram mais próximas, não produzindo o impacto da cura de um doente conhecido em sua comunidade, como o caso do cego de nascença.
Ao estudar, em “A Gênese”, os milagres atribuídos a Jesus, o Codificador mostra o seu caráter de fatos normais, embora incomuns, por se processarem segundo leis que o Espiritismo veio divulgar mas que o Mestre conhecia e utilizava com absoluto domínio na produção daqueles fatos. Na mesma ocasião, recorda Allan Kardec o sentido etimológico daquele termo (milagre significa digno de admiração, admirável), lembrando então que vivemos cercados deles na criação: “Se tomarmos a palavra milagre em sua acepção etimológica, no sentido de coisa admirável, teremos incessantemente milagres debaixo de nossos olhos. Nós os aspiramos no ar e os calcamos aos pés, pois tudo é milagre na Natureza”. A Doutrina Espírita não admite, assim, qualquer rutura na ordem natural, a semelhança de uma emenda feita pelo Criador em sua obra, idéia inconciliável com a sabedoria e a perfeição divinas.
É oportuno destacar ainda a importância dada pelo Codificador à influência moral da Doutrina Espírita, como se observa nas palavras que dirigiu aos espíritas de Lyon, quando de sua visita àquela cidade, em 1862: “Homens da mais alta posição honram-me com sua visita, porém nunca, por causa deles, um proletário ficou na antecâmara. Muitas vezes, em meu salão, o príncipe se assenta ao lado do operário. Se se sentir humilhado, dir-lhe-ei simplesmente que não é digno de ser espírita. Mas, sinto-me feliz em dizer, eu os vi, muitas vezes, apertarem-se as mãos fraternalmente, e, então, um pensamento me ocorria: Espiritismo, eis um dos teus milagres; este é o prenúncio de muitos outros prodígios” (“Viagem Espírita em 1862” – Discurso).
E os milagres continuam realmente a ocorrer pois ao toque da Boa Nova, revivida pelo Espiritismo, más inclinações são vencidas, antagonismos superados e esforços se unem na promoção social de indivíduos e famílias, sendo esta, sem dúvida, o grande prodígio do Evangelho: a nossa renovação para o bem.
“A Gênese” (capítulo 15).

SEI
SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim Semanal editado pelo
Lar Fabiano de Cristo
Rio de Janeiro - RJ

Sábado, 23/8/2008 no 2108

Milagres

Os espíritos informam que não existem milagres, mas mecanismos naturais, com manipulação de energias, quando as condições são favoráveis.
Na maioria dos “milagres” em que ocorrem curas, estas são momentâneas, com efeitos de curta duração. São produzidas pela dinamização das energias profundas de alguém, que é levado a um estado de superexcitação através de vigorosa atuação, altamente indutora, do “milagreiro”. É fácil observar como essas pretensas curas ocorrem num verdadeiro palco onde a fé é o ingrediente para a dramatização. Passados aqueles momentos, tudo volta ao que era antes.
É claro que há casos de curas definitivas, quando a fé é profunda e verdadeira e quando há merecimento.
Os “fazedores de milagres” são pessoas que possuem grande poder de indução, uma vontade firme e pensamento dominador. Com esses recursos, em alguns casos, eles conseguem levar os que neles crêem a dinamizar de tal forma seus próprios potenciais, a sua fé, a ponto de gerar transformações orgânicas e outras ocorrências que são vistas como milagres.
Nos cultos ou missas de cura e pedidos de ajuda divina a própria vibração do ambiente, poderosamente voltada para esse fim, é um veículo que favorece essa potencialização das energias de que falamos, podendo produzir acontecimentos incomuns.
Nos casos de “expulsão de demônios” pode realmente acontecer de algum espírito obsessor achar mais prudente afastar-se daquela confusão.
Também há casos em que as pessoas obsidiadas são tão maltratadas pelos que as exorcizam, com tais repercussões em seus obsessores, que estes acabam perdendo momentaneamente a sintonia com elas.
Igualmente há situações em que os espíritos obsessores ficam tão impressionados com toda aquela teatralidade, aquelas ordens imperiosas que lhes são dadas em nome de Deus, que acabam realmente afastando-se de suas vítimas. Mas esse tipo de atuação não é saudável porque o obsidiado volta à sua vidinha de antes, sem ter aproveitado o episódio como alavanca para sua evolução e o espírito obsessor vai continuar à espreita, aguardando nova oportunidade para recomeçar a perseguição com mais segurança.
A melhor receita para esse tipo de problemas é aquela que o Mestre ensinou: a reforma moral, a mudança nas atitudes e nas ações, orientada pelo Evangelho.
Milagres, nem Jesus os fez. Ele usou seus próprios potenciais, sua energia, sua vibração de altíssima freqüência e seus conhecimentos para realizar as curas e demais atos incomuns.
Outras ocorrências tidas como sobrenaturais são apenas inusitadas, nas quais são utilizados recursos da própria natureza, das leis naturais, manipulados por espíritos.
A fraternidade e o contentamento refletem o esplendor das leis de Deus.
Imprimir continuamente esses valores em nosso ser é caminhar nessa luz.
O sentimento fraterno  tem o poder de relaxar, eliminar estresse e possibilitar melhor circulação de energias no organismo.
Equivale a saúde e bem-estar.
No âmbito espiritual atua como antídoto para o orgulho, o egoísmo, a ambição, a vaidade, a ganância, a agressividade e inúmeros outros valores negativos.
Predispõe à paz, brandura, justiça, bom relacionamento, compreensão, tolerância, equilíbrio e diversos outros valores positivos, abrindo caminho para a sabedoria.


Saara Nousiainen
A.V.E

 Acervo Virtual Espírita