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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CEIFA DE LUZ - Capítulo 22


CEIFA DE LUZ

Estudo de: João Batista da Costa

Capítulo 22 - Renovação em Amor

"E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem". Paulo (II Tessalonicenses, 3:13)

Um lembrete do Apóstolo Paulo naquela época onde era muito difícil falar da boa nova, as perseguições, as lapidações, o martírio no circo romano, as fogueiras. Conquanto, o lembrete amigo no prosseguimento da realização do bem.

A cada momento surgem convites diversos frente às dificuldades de relacionamentos, onde o desânimo impera em face às mudanças de comportamento.

A Lei age, em todas as situações, convidando-nos a profundas modificações necessárias para todos nós.

Emmanuel, em Renovação do Amor, começa a lição.

"Quando as crises te visitem, ante os problemas humanos, é justo medites nos princípios de causa e efeito, tanto quanto é natural reflitas no impositivo de burilamento espiritual, com que somos defrontados, entretanto, pensa igualmente na lei de renovação, capaz de trazer-nos prodígios de paz e vitória sobre nós mesmos, se nos decidimos a aceitar, construtivamente, as experiências que nos façam precisas".

Cada um de nós se encontra no lugar certo, nos momentos certos, com as oportunidades certas. Portanto:

"Se atingiste a integração profunda com as bençãos da vida, considera a tarefa que a Divina Providência te confiou.

Deus não nos envia problemas de que não estejamos necessitados.

Aceitação e paciência, sem fuga ao trabalho, são quase sempre a metade do êxito em qualquer teste a que estejamos submetidos, em nosso proveito próprio".

Necessitamos acima de tudo valorizar o tempo, se erramos tantas vezes, esqueçamos o ontem e visualizemos o amanhã promissor e façamos do nosso hoje oportunidade de acertos constantes.

Todo momento é oportunidade sublime de recomeçar.

"Se qualquer tempo é suscetível de ser ocasião para resgate e reajuste, todo dia é também oportunidade de recomeçar, reaprender, instruir ou reerguer".

Em qualquer momento de nossa vida, só existe um ingrediente que dará sabor a nossa vida que é o Amor. Sem o Amor diário não há caminho para a nossa felicidade.

"O Amor que estejamos acrescentando à obrigação que nos cabe cumprir é sempre plantação de felicidade para nós mesmos".

E Emmanuel termina a lição nos dizendo:

"Onde estiveres e como estiveres, nas áreas da dificuldade, dá-te à serenidade e ao espírito de serviço e entenderás, com facilidade, que o amor cobre realmente a multidão de nossas faltas, apressando, em nosso favor, a desejada conquista de paz e libertação".

No livro Antologia da Espiritualidade - Maria Dolores:

Lembrando-te, Senhor,

A Glória ao desabrigo,

Aspiramos a ser

Migalha do Natal permanente contigo!...

Faze-nos esquecer

As fraquezas e os erros que trazemos

E acolhe-nos na Luz, -

Na Luz eterna dos teus dons supremos...

Deixa que nós sejamos,

Na exaltação do bem que a tua vinda encerra,

Inda que seja um traço pequenino

Do Amor com que iluminas toda a terra!...

Concede-nos a benção de espalhar,

Junto daqueles que a penúria alcança,

O pão que supre a mesa

E o verbo da esperança!...

Onde a tristeza surja e a revolta se expanda

Em tormenta sombria,

Queremos ser contigo

A semente da paz e o toque da alegria...

Onde o infortúnio chore

Um sonho semimorto,

Anelamos doar, na força de teu nome,

A palavra de vida e reconforto!...

Ante o Natal de volta às províncias do Mundo,

Na doce canção que nos invade,

Transforma-nos, por fim, em parcela bendita

Da Celeste Bondade!...

Ampara-nos, Senhor, até que um dia,

Além de nossas trilhas inseguras,

Possamos nós também cantar, na harmonia dos anjos:

- Glória a Deus nas Alturas!...

Livro: Ceifa de Luz

Pelo espírito de Emmanuel

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

Caro Amigo

Se você gostou deste livro e tem oportunidade de adquiri-lo, faça-o, pois estará colaborando com instituições de caridade.


"Mestre querido, ajude-me a buscá-Lo na alegria e na dor. Como Irmão mais velho, não me deixe cair pelas estradas da vida, por fraqueza ou preguiça. Segure minhas mãos e me conduza pelos prados verdejantes do jardim do Pai.

Querido Mestre, tire dos meus olhos a venda da imperfeição e faça de mim um instrumento do Senhor. Assim seja."

Pelo Espírito: Luiz Sérgio
Do livro: Rios de Oração
Psicografia: Irene Pacheco Machado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

94 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO XI: AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO
ITENS 1, 2 e 4: O MAIOR MANDAMENTO
“Mas, os fariseus, quando ouviram que Jesus tinha feito calar a boca aos saduceus, juntaram-se em conselho. E um deles, que era doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe: Mestre, qual é o maior mandamento da lei?
Jesus lhe disse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento; este é o maior e o primeiro mandamento.
E o segundo semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Estes dois mandamentos contem toda a lei e os profetas.” (Mateus, XXII: 34 a 40)
“E assim, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. Porque esta é a lei e os profetas”. (Mateus, 7:12)
“Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”. (Lucas, VI: 31)
Quem eram os saduceus?
Seita fundada por Sadoc, por volta do ano 248 A.C.
“Não acreditavam na imortalidade da alma, nem na ressurreição, ou na existência dos anjos bons e maus. Apesar disso, acreditavam em Deus e, embora nada esperassem após a morte, serviam-No com interesse de recompensas temporais, ao que segundo acreditavam, se limitava a sua providência. A satisfação dos sentidos era, para eles, o fim principal da vida.”
Apegavam-se ao texto da antiga lei das Escrituras, não admitindo a tradição, nem qualquer outra interpretação.
“Colocavam as boas obras e a execução pura e simples da lei acima das práticas exteriores do culto.
Eram, como se vê, os materialistas, os deístas e os sensualistas da época.
Essa seita era pouco numerosa, mas contava com personagens importantes, e tornou-se um partido político sempre oposto aos fariseus”, que era, então, a seita mais influente, com praticantes servis das práticas exteriores e das cerimônias, aparentando uma religiosidade que não possuíam. *
Nesses dois mandamentos, Jesus resumiu toda a lei divina, a meta a que todo Espírito tem de chegar um dia: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo.
Para muitos, isso é uma utopia, algo que não irá nunca acontecer na Terra.
Mas, se tudo tende a um crescimento, se tudo evolui, se todos os homens trazem, dentro de si, uma tendência, um impulso ao progresso; se este tem acontecido desde o homem primitivo, pelo trabalho dos próprios homens, porque a humanidade e a Terra não podem alcançar, um dia, um grau de evolução que permita a todos viver em paz, em harmonia e feliz?
Os obstáculos de hoje serão vencidos, como muitos já o foram, tornando a vida mais prazerosa.
Para isso, devem os homens cuidar mais e melhor do seu progresso espiritual, satisfazer as necessidades do Espírito de paz e de felicidade, tanto quanto é o seu empenho para a obtenção dos valores materiais, que devem sim, ser buscados e usufruídos, mas sem causar males a si e aos outros, no respeito aos direitos alheios, não se sentindo à vontade em tanto possuir, quando muitos ainda não conseguem o mínimo necessário.
Usar do que possuem para auxiliar o crescimento dos mais frágeis, dos mais ignorantes, oferecendo-lhes oportunidades de estudo, de trabalho, de lazer sadio, para que eles também possam tornar-se cidadãos úteis a si próprios, às suas famílias, à pátria e à humanidade.
Não podemos nos esquecer que todos os Espíritos, todos os homens são perfectíveis, todos têm o mesmo potencial a ser desenvolvido no decorrer do longo processo evolutivo.
Os meios de comunicação de hoje, que não param de se desenvolver e de se popularizar, vieram, na época certa, trazer a transparência dos atos dos que estão no poder, seja em que grau for, privado ou público, numa gama de informações que, se podem causar certas dificuldades na sua filtração para beneficiar, despertam os homens para a análise dos mesmos e das suas conseqüências, desenvolvendo sua capacidade de raciocinar e de escolher o melhor.
Combater o egoísmo e o orgulho é a tarefa premente do homem atual, de todos os homens, porque já estamos vivendo os primórdios da Era do Espírito, determinismo divino, que ninguém, nem coisa alguma, vão poder impedir.
Amar o próximo como a si mesmo é a meta determinada por Deus para a humanidade da Terra, encarnada e desencarnada, embora possa demorar mil ou mais anos.
Enquanto existir o egoísmo e o orgulho nos corações e nas mentes dos homens, as dores, os sofrimentos, as guerras, continuarão presentes, até que essa humanidade, na sua maioria, talvez, se decida querer para os outros o que deseja para si.
Por isso, Allan Kardec escreveu que “amar ao próximo como a si mesmo e fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem” se constituem na “expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo.” e “Não se pode ter , neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que deseja para si mesmo.”
Fazer aos outros somente o que queremos para nós é uma idéia das mais simples e mais fáceis de serem entendidas por qualquer pessoa, mesmo a que não tenha nenhum estudo.
Das mais difíceis, talvez, de ser vivenciada, simplesmente, devido ao orgulho e ao egoísmo, que residem nos homens.
Todavia, constitui-se a única direção, o único caminho a percorrer, para o homem alcançar a paz interna, e as nações viverem em paz, na solidariedade, na fraternidade.
Tão simples de ser entendida... Tão difícil de ser vivida pelos homens da Terra...Até quando vamos permanecer em um mundo de expiações e de provas?
* - O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, Introdução: Notícias Históricas, item III
Bibliografia:
KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”
Leda de Almeida Rezende Ebner
Abril / 2009

O Livro dos Espíritos Estudo 29

CONCLUSÃO DOS ITENS X - XI - XII - XIII E XIV

Dos estudos realizados concluímos que, se a identidade absoluta dos Espíritos é, na grande maioria dos casos, questão sem importância, o mesmo não acontece com a importância que tem, em identificá-los bons ou maus.
A atenção de cada um tem que buscar a instrução contida, tendo por ponto de aferição a "Escala Espírita", contida em "O Livro dos Espíritos - cap I - VI", que fornece elementos para que se perceba a forma de agir, os objetivos de cada classe dos desencarnados.
O julgamento ou melhor, a apreciação que se fará aos Espíritos em nada diferem dos critérios usados para se conhecer um homem, onde a linguagem, as expressões que usa, refletirão ou serão indicativas da faixa mental e evolutiva na qual intimamente se detém ou compraz. Uma carta que se receba de alguém desconhecido, pelo estilo, pelas idéias, por vários indícios, verifica-se se a pessoa é instruída, polida, superficial, frívola, sentimental, etc. Da mesma forma, o desconhecido que fala, por exemplo, ao telefone. O mesmo se dará em relação aos Espíritos. São correspondentes que nunca vimos e analisá-los sob os critérios acima, indicariam o caráter de quem diz ou escreve - Estabelece-se aqui, como regra invariável e sem exceção que:
... "a linguagem dos Espíritos está sempre em relação com o grau de elevação a que já tenham chegado"...
Os bons Espíritos não só dizem coisas unicamente boas como os termos usados são isentos - de modo absoluto - de toda trivialidade. Bondade e afabilidade são lhes atributos. Lamentam fraquezas, erros, mas sem animosidade, com moderação, sem detalhes deles, aprofundando-se no valor e conseqüências das virtudes.
1.1 A inteligência de um raciocínio referencia superioridade?
Não, uma vez que inteligência e moral nem sempre marcham lado a lado. Um Espírito pode ser bom, afável e conhecimentos limitados. Expressar-se-á de forma simples. Outro, inteligente e instruído, mas inferior em moralidade, não se atém ao respeito que deve ao outro ou à Verdade. Usando da facilidade que seus atributos mentais lhe facultam, apresenta sua verdade pessoal como fato indiscutível.
1.2 Interrogando-se o Espírito de alguém que foi um sábio a seu tempo, em certa especialidade, obter-se-á sempre a Verdade?
Nem sempre. Se desencarnados há pouco tempo, acham-se ainda sob os preconceitos da vida material, sob a influência, portanto, do Espírito de sistema, das idéias que defendiam em vida. Isso não é regra, mas a Ciência humana que possuem não lhes caracteriza infalibilidade.


1.3 Dentro desse exame rigoroso a que se é exortado a proceder, como agir frente à uma comunicação ou obra literária?
Sem hesitação, rejeitar tudo quanto vá contra a lógica, o bom senso, que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser... "repetimos: este meio é único e infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa "...
Os bons Espíritos não se ofendem com esta. Eles próprios a aconselham porque nada têm a temer com esse exame.
Mesmo que os Espíritos nos mereçam confiança plena: pensar, meditar, analisar, submeter à razão severa tudo quanto for recebido; pedir explicações necessárias, formar opinião segura onde em nenhum ponto fique dúvida, suspeita, dubiedade ou falta de clareza e precisão.
Pode-se resumir, os meios de se reconhecer a qualidade dos Espíritos em:
1. Bom senso, no sentido de perceber que, qualquer forma ou fórmula absurda não pode vir de Espíritos superiores, bons.
2. Apreciar os Espíritos pela linguagem, pelas expressões que traduzem os sentimentos que inspiram nos conselhos que dão.
3. Admitindo que um bom Espírito só diz e busca o Bem - tudo o que tenda ao mal não pode dele provir.
4. A linguagem nobre, digna sem trivialidade, simples, modesta, sem auto-elogios, vanglórias, que escoltam o saber ou a importância pessoal serão características de um bom Espírito. O que se afastar disso, refletindo as paixões humanas será característica da inferioridade e embuste dos Espíritos maus.
5. A forma material na correção do estilo não avalia qualidade moral. Necessário sondar-lhe o íntimo, analisar palavras friamente, sem prevenção. Qualquer senão, por menor que seja em relação à lógica, à razão e ponderação, não deixam dúvida quanto à procedência, seja qual for o nome que assine.
6. Os Espíritos superiores têm um linguajar idêntico, não na forma, mas no fundo, no conteúdo, na idéia. Mais ou menos desenvolvidos, conforme a necessidade, as circunstâncias ou as faculdades do médium que encontram para se comunicar, o pensamento será o mesmo, sem contradições.
7. Os bons Espíritos não improvisam: só falam o que tem utilidade e o que sabem.
8. Não predizem futuro ou fatos materiais, não determinam datas ou indicam modo de se fazer isto ou aquilo... "a previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação"...
9. Simplicidade sem prolixidade, estilo conciso, expressões claras, inteligíveis a todos sem exigir esforço para ser compreendido. Não usam termos ambíguos que poderiam gerar interpretações diferentes, mas cada palavra quer dizer exatamente o que significa.
10. Nunca ordenam não se impõem, não estabelecem compromissos, não exigem crença cega apelando sempre em suas mensagens para a razão, onde cada qual identificará a proposta condizente com seus ideais de crescimento.
11. Os bons Espíritos não lisonjeiam, aplaudem, exaltam, parabenizam trabalhos, enaltecendo ou destacando a importância pessoal. Aprovam sim, o bem feito, com circunspeção e reserva.
12. Não dão importância ao rigor da forma.
13. Desconfiar dos nomes singulares, diferentes, ridículos que certos Espíritos adotam quando querem impor-se.
14. Igual proceder aos que se apresentam sob identidade de nomes venerados. Nesse caso além de todos os cuidados já vistos, faz-se indispensável verificação severa quanto à forma, o modo de pensar, de ser, desse Espírito, cujo nome usam. Outro cuidado é em relação ao médium, que se sente lisonjeado por tal contato.
15. Toda comunicação vinda de um bom Espírito atende sempre a um fim sério e eminentemente útil. Qualquer indicação que não atenda a esse requisito exige reflexão madura, antes de tomar qualquer decisão.
16. São prudentes em relação a qualquer assunto que possa fazer ou despertar comprometimento. Não desvendam o mal, não acusam; ao contrário, pregam a indulgência.
17. Só prescrevem o Bem. Tudo quanto não seja expressão da mais estrita caridade evangélica, não provém dos bons Espíritos.
18. Só inspiram, ditam, discorrem, o que seja perfeitamente racional. O que se afastar do bom senso e das leis imutáveis da Natureza, não provém deles.
19. A ação sobre o médium é calma, tranqüila, movimentos tranqüilos, sem convulsões, ou agitação febril que destoariam da calma e doçura dos bons Espíritos.
20. Não comunicam idéias pessoais; despertam o médium para que trabalhe em grupo, examinando-se abertamente possíveis imposturas, não usam sarcasmos; sofismas ou demonstrações materiais do poder oculto que dispõem.
21. O Espírito que de todo ainda não se desprendeu da influência da matéria, exterioriza nas comunicações, preconceitos, predileções, manias que tinham quando encarnados.
22. O conhecimento que alguns dizem ter, sobre este ou aquele ponto, constituem-se como ostentação e não sinal de superioridade.
23. Não basta interrogar um Espírito para conhecer a verdade. Os Espíritos inferiores tratam frivolamente de todas as questões propostas. Ainda, ter sido um grande homem na Terra, não dá posse, no mundo dos Espíritos, do conhecimento real. Só a virtude, sutilizando-o, dilatar-lhe-á, pouco a pouco a possibilidade de saber mais.
24. Essas reflexões frisam que toda seriedade e circunspeção que lhes é característica e que faz com que se expressem de forma séria, jamais entendê-los tristes, pesados. O gracejo será leve, fino, vivo, nunca porém trivial, grosseiro ou mordaz.
25. O caráter moral indicará sempre o grau e a natureza da confiança que devem merecer, onde o uso do bom senso não deixará que aquele que recebe ou lide com a mensagem, se engane.
26. Imprescindível, ao receber qualquer forma de mensagem - a retidão de juízo de quem as analisa: conhecer-se - no sentido de sondar quais os objetivos porque busca a mensagem, que uso e que utilidade persegue - aferindo os Espíritos como e com o cuidado que se usa nas seleções da companhia dos encarnados.
Após tal estudo... "na dúvida, abstém-te”... "não admitais, portanto, senão o que seja aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazê-la passar pelo crivo da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom sendo reprovarem. Melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea”...
Bibliografia
Síntese da bibliografia usada nos estudos dos itens de X a XIV mais
Kardec, Allan - "O Livro dos Médiuns" - cap XXIV e XX.

Leda Marques Bighetti
Novembro 2003

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 42


LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

NO SERVIÇO MEDIÚNICO

"Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo." - Paulo. (I Coríntios, 12:4.)
No texto em estudo, Emmanuel trata de modo específico da aplicação da faculdade mediúnica, refletindo sobre trechos da primeira epístola de Paulo aos Coríntios.
Convém lembrar que os fenômenos mediúnicos não são exclusivos da Doutrina Espírita e estiveram presentes em todos os tempos no seio de todos os povos.
A Doutrina Espírita, surgida em meados do século XIX, pesquisou, identificou e organizou as leis que regem o intercâmbio entre Espíritos encarnados e desencarnados, tirando-o do terreno do maravilhoso, do sobrenatural, desmistificando o fenômeno, e estabelecendo a necessidade de sua aplicação no exercício responsável e consciente.
Conforme esclarece Divaldo Pereira Franco "Até Allan Kardec, a mediunidade estava envolta em vários mitos desde a condição divinatória até as excrescências psicopatológicas da Idade Média, quando os médiuns eram colocados diante das Cortes para servir de instrumento ao ridículo e a posteriori, nas Universidades para análise das psicopatologias que atormentavam a criatura humana e cuja gênese era desconhecida"2.
No entanto, já na época apostólica, explicações muito claras ao redor da mediunidade nos foram oferecidas pelo apóstolo Paulo quando se dirige aos Coríntios dizendo: "Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo, há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A manifestação do Espírito, porém, é concedida a cada um para o que for útil, pois que a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria, e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da Ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé, e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro, a operação de fenômenos e a outro a profecia; a outro, o dom de discernir os espíritos e a outro a variedade de línguas e, ainda a outro, a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como lhe apraz"3.
Mediunidade é faculdade humana que se desenvolve naturalmente, ampliando-se naqueles mais sensíveis, e não por imposição ou determinação de palavras de ordem ou rituais. "A Mediunidade, segundo Allan Kardec, é uma certa predisposição orgânica"2, faculdade espiritual que permite o intercâmbio entre o mundo físico e o extrafísico.
A faculdade mediúnica é uma só mas pode expressar-se de formas variadas isto é, pela psicofonia, pela psicografia, pela vidência, pelos fenômenos de cura e outros.
Seja qual for a condição medianímica, a mediunidade é "concedida a cada um para o que for útil"3, isto é, para o que for proveitoso, para o bem, com finalidades superiores. A mediunidade educada e disciplinada no padrão evangélico torna-nos mensageiros do esclarecimento, da informação, do reconforto, do socorro a enfermos, e tantas outras providências bem como através dela podemos recolher o influxo dos benfeitores amigos, auxiliando-nos na caminhada evolutiva. Na mediunidade com Jesus somos sempre os maiores beneficiados, no aprendizado contínuo através das lições de que somos os intermediários, nos dramas, nas dificuldades, nos sofrimentos que testemunhamos na figura de nosso próximo que são lições vivas, convites à reflexão uma vez que retratam as nossas próprias dores e dificuldades.
Estamos em intercâmbio permanente. Influenciamos e somos influenciados mesmo que não tenhamos consciência disso. Por isso Emmanuel insiste na necessidade de evangelização do Espírito, de vigilância constante dos sentimentos, pensamentos e ações e exortando-nos conclui: "Abstenhamo-nos, assim, do contato com as forças que operam a perturbação e a desordem, visíveis ou invisíveis, na certeza de que daremos conta dos dotes mediúnicos com que fomos temporariamente felicitados, porque o Espírito do Senhor, por seus Mensageiros, nos aquinhoa com esse ou aquele empréstimo de energia medianímicas, a título precário, para a nossa própria edificação e segundo as nossas necessidades"3.
Bibliografia:
1. Bighetti, Leda Marques. "Sessão Mediúnica: Mediunidade - Conceito e Função". BELE - Batuíra Editora e Livraria Espírita. Ribeirão Preto, SP. 2004.
2. Franco, Divaldo P. "Mediunidade: A Mediunidade Através da História". Mundo Maior Editora. São Paulo, SP. 1999.
3. Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: No Serviço Mediúnico". Ditado pelo Espírito Emmanuel. CEC. 17a ed. Uberaba, MG. 1992.

Iracema Linhares Giorgini
Dezembro / 2004

I CORINTIOS 12
4 Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PALAVRAS DE VIDA ETERNA – ESTUDO 41


LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel
"Se andarmos na luz"
"Se andarmos na luz, como Ele está temos comunhão uns com os
outros..." - João
(I JOÃO, 1:7)

É vazio, sem valor qualquer conhecimento que não é colocado em prática.
Não é possível a criatura dizer que ama a Deus, sem amar o próximo, conseqüentemente, sem fazer-lhe o bem.
Jesus, como enviado de Deus, veio ensinar o Amor à Humanidade, afirmando ser possível o amor entre os homens e sendo o exemplo maior dessa vivência afirmou: "Eu sou a luz do mundo" (Jô, 8:12).
O tema central da I Carta de João é o amor, convidando todos ao exercício desse amor a exteriorizar-se em atos fraternais que levam luz, consolo, esperança àqueles que se detém em trevas.
Andar na luz significa estar ligado a Deus e aos irmãos em Humanidade, ser indulgente, tolerante, caridoso, humilde. Não pertencer ao mundo, mas estar no mundo conduzindo seu caminhar com base nas Leis Divinas.
Quantas vezes perdemos tempo precioso com as incompreensões, intolerância, divergências.
Em outras ocasiões, abandonamos tarefas que havíamos começado, por prejulgarmos pessoas e fatos, sem refletir que o prejuízo maior é de quem abandona, deserta. Precisamos da compreensão alheia quando erramos, muitas vezes sem a intenção de o fazer, sem o propósito de magoar ou ofender, o mesmo acontece com os outros, pois, todos estamos na mesma estrada da evolução, lidando em meio a enganos, erros e acertos.
Se andássemos sempre na luz, na claridade dos ensinamentos de Jesus, compreenderíamos que temos as mesmas necessidades. Seríamos tolerantes, compreensivos, principalmente quando entendemos que a maioria, ainda, não teve oportunidade de aprendizado e de entendimento das coisas espirituais.
Não erramos muitas vezes em determinado setor da vida, não porque somos melhores, mas, porque não vivenciamos a mesma situação daqueles que a primeira vista condenamos a conduta. Refletir que frente aquelas situações poderíamos agir de forma igual ou mesmo pior.
Jesus se apresentando como a luz do mundo, conclama ao despertar para que haja essa mesma luz nos relacionamentos entre pessoas, o que possibilitaria que a Humanidade conquistasse o crescimento desejado em intercâmbios de harmonia e paz.
O tema exorta a que não percamos a coragem mediante essa certeza de ser Jesus Cristo nossa intensa luz, acenando que para se desfazer as trevas que permanecem no seio da humanidade é necessário primeiro trabalhar as que estão dentro de cada um de nós.
Que a luz do Senhor não fique com cada um apenas no campo da razão, e sim que seja claridade em todos os sentimentos, pensamentos, atos.
Se cada qual pautar seu viver dessa forma, nos exemplos e ensinamentos do Mestre Jesus, estarão vivos e todos estaremos unidos, comungando uns com os outros as expressões elevadas no trato do Amor.

Bibliografia:
Quem é o Cristo? F. P. Vítor/J. R. Teixeira

Maria Aparecida Ferreira Lovo
Novembro / 2004


I JOÃO 1
7 mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.

93 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO


CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: “É PERMITIDO REPREENDER OS OUTROS?

NOTAR SUAS IMPERFEIÇÕES E DIVULGAR O MAL ALHEIO? ITENS 19 A 21
Este capítulo não estaria completo sem essas perguntas e respostas, visto que o homem em geral, estando mais próximo da animalidade do que da angelitude, como disse Emmanuel, não pode deixar de ver o mal, para que, observando e analisando as conseqüências, sinta a vontade de eliminá-lo, de si próprio e de toda a humanidade.
No item 13 deste capítulo, Allan Kardec escrevendo sobre a frase de Jesus “Não julgueis para não serdes julgados”, disse que essa não deve ser tomada no seu sentido absoluto, visto que “a letra mata e o espírito vivifica”.
Jesus não podia proibir de se reprovar o mal, pois, ele mesmo nos deu o exemplo disso, e o fez em termos enérgicos. Mas quis dizer que “a autoridade da censura está na razão da autoridade moral daquele que a pronuncia”, e que “A única autoridade legítima, aos olhos de Deus, é a que se apóia no bom exemplo”.
Ao Espírito São Luís, Kardec fez três perguntas.
1ª - Ninguém sendo perfeito, não se segue que ninguém tem o direito de repreender o próximo?
“Certamente que não, pois cada um de vós deve trabalhar para o progresso de todos e, sobretudo, dos que estão sob a vossa tutela”.
Por tudo que vimos nesses estudos, parece-me bem claro que o mal tem de ser visto, comentado, combatido, a fim de ser eliminado da mente e dos corações humanos, bem como da Terra.
O que Jesus demonstra, com suas palavras e em todo o seu viver neste mundo, é que antes de tentar corrigir os erros dos outros, deve o homem corrigir, ou pelo menos, esforçar-se por corrigir os seus.
Quem assim o faz, pode tentar esclarecer seus irmãos, com a intenção de auxiliá-los no seu desenvolvimento espiritual, com discrição, sem alarde, sem gerar escândalos, sem imposições, de forma a mostrar-lhe sua verdadeira intenção de ajudar.
Em assim fazendo, o outro não vai ter motivo para sentir-se humilhado, principalmente, porque percebe a boa intenção de seu crítico, que demonstra ser seu amigo.
Jesus combate, sim, esse hábito desastroso de querer denegrir o outro, da exigência em relação ao comportamento alheio, querendo quem assim o faz, mostrar-se melhor do que é, sem falhas, superior aos demais, o que demonstra a maldade, o orgulho que existem ainda nos homens.
Esclarece Jesus, que mesmo quando percebemos no outro uma falha, da qual ele pode libertar-se com nossa ajuda, devemos também incluirmo-nos na censura e no esforço de corrigi-la em nós.
Desse modo, estaremos melhorando a nós e aos que nos rodeiam, contribuindo para o progresso geral.
2ª - Será repreensível observar as imperfeições dos outros quando disso não possa resultar nenhum benefício para eles, e mesmo que não as divulguemos?
S. Luís responde que depende da intenção. Se essa observação das falhas alheias for o aprendizado pessoal, para evitá-las em si, corrigindo-as se as tiver, só pode ser benéfica essa atitude.
Aprende-se muito nas análises dos próprios erros, das suas conseqüências, tanto quanto fazendo o mesmo com os alheios.
Jesus ensinou-nos a combater o mal fazendo o bem. Para isso, é preciso ver o mal onde ele existir, em nós e ao redor de nós. Não se pode combater o que não se vê ou não se percebe.
“O erro está em fazer essa observação em prejuízo do próximo, desacreditando-o, sem necessidade, na opinião pública. Seria ainda repreensível fazê-la com um sentimento de malevolência e de satisfação por encontrar os outros em falta.”
3ª - Há casos em que seja útil descobrir o mal alheio?
A caridade bem compreendida deve sempre falar mais alto, na análise das conseqüências desse mal.
Se as imperfeições de uma pessoa trouxerem prejuízos somente a ela, não existe nenhum motivo para divulgá-las.
Pode-se tentar conversar com ela, sem imposição, com raciocínios claros, inspirados pelo amor, pela amizade, se ela o permitir.
Mas comentar com outros, divulgar a quem quer que seja, é agir contra a caridade. O seu próprio viver vai lhe mostrando essas imperfeições e dando-lhe oportunidades de corrigir-se, quando ela quiser.
Todavia, quando esse mal pode trazer prejuízos a outras pessoas, o interesse do maior número de prejudicados deve sobrepor-se ao interesse de um. Torna-se, então um dever a sua divulgação.
“Conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois, é melhor que um homem caia, do que muitos serem enganados e se tornarem suas vítimas. Em semelhante caso, é necessário balancear as vantagens e os inconvenientes”.
Essas perguntas e suas respostas mostram a importância do raciocínio e do conhecimento das leis morais para poder escolher as melhores soluções para as diversas situações.
Para saber optar por essa ou aquela conduta, com acerto, sem provocar novos problemas, muitas vezes mais sérios, o conhecimento da moral divina, trazida por Jesus é, a meu ver, condição sine qua nom para fazer-se a escolha mais correta, a que possa resolver, sem causar danos maiores a ninguém.
Sempre em dúvida, apelar para a caridade bem compreendida, pesando as vantagens e os inconvenientes para os envolvidos.


Bibliografia:
KARDEC, Allan - “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Março / 2009

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 31


SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS
CAPITULO V
MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS
Estudo 31 - Itens 92 a 95 - Lançamento de Objetos
No capítulo que estamos estudando, Allan Kardec explica que tais fenômenos, cuja manifestação se poderia considerar como de prática espírita natural, são muito importantes, porque excluem as suspeitas de conivência. Afirma ainda, que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao do homem. Também disse que os Espíritos elevados não se ocupam com esta ordem de manifestações; que se servem dos Espíritos mais imperfeitos para produzi-las. Atingida a finalidade acima indicada, cessa a manifestação. Na sequência estudaremos a causa do lançamento de objetos.
Causa do lançamento de objetos
Podemos considerar que os fenômenos de movimentação dos corpos inertes, os ruídos, as pancadas, o deslocamento de objetos tem uma mesma causa; são produzidos pela mesma força que levanta objetos. São produzidos em ambientes onde há a presença de médiuns, os quais muitas vezes ignoram suas faculdades e que por isso são chamados de médiuns naturais.
A intervenção voluntária ou involuntária de pessoa dotada de aptidão especial parece necessária, na maioria dos casos, para a produção desses fenômenos, embora haja aqueles em que o Espírito parece agir sozinho, mas, ainda nesse caso, ele poderia tirar o fluido animalizado de uma pessoa distante. São necessárias algumas condições para que o fenômeno se dê: primeiro, que o Espírito queira fazê-lo, a seguir que encontre uma pessoa apta a ajudá-lo, coincidência que só raramente ocorre. Se essa pessoa aparece inesperadamente, ele a aproveita.
Mas apesar das circunstâncias favoráveis, ele poderia ainda ser impedido por uma vontade superior que não lhe permitisse agir como quer, ou, permitir que aja dentro de certos limites, desde que as manifestações sejam consideradas úteis, para os que a vivenciam.
O Espírito São Luis, questionado por Allan Kardec sobre fenômeno ocorrido em junho de 1860 na rua Des Noyers, em Paris, em que um Espírito se divertia brincando com os moradores do local, esclarece que os fatos foram verdadeiros apesar dos exageros de imaginação do povo. Os detalhes se encontram na Revista Espírita de agosto de 1860.
Esclarece que esses fenômenos são sempre provocados pela presença, entre os moradores, de alguém com mediunidade espontânea e involuntária. Um Espírito mora num lugar de sua predileção e, enquanto ali não aparece uma pessoa de que se possa servir, fica sem ação. Quando essa pessoa aparece, ele se diverte quanto pode.
A presença desse médium no local é o mais comum, porque o Espírito pode buscar os recursos necessários em outro local. Allan Kardec pergunta se há afinidade moral entre o médium e o Espírito, e São Luis afirma que não, precisamente, e sim, há uma aptidão que decorre de afinidade fluídica, mas há que se considerar uma tendência material que seria preferível não possuir, pois quanto mais elevada moralmente, mais a pessoa atrai os Bons Espíritos, que necessariamente afastam os maus.
Os objetos atirados são quase sempre encontrados no próprio lugar ou na vizinhança, e uma força que sai do Espírito os lança no espaço e os faz cair onde ele quer.
Considerando que a finalidade dessas manifestações é chamar a atenção para a existência do Espírito, sobre a realidade do mundo espiritual, como entender, pergunta Kardec, que alguns incrédulos que vivenciaram essas experiências, não as consideraram concludentes? Não dependeria dos Espíritos dar-lhes alguma prova sensível?
Novamente o Espírito São Luis afirma que, "os ateus e os materialistas não testemunham a cada instante os efeitos do poder de Deus e do pensamento? Mas isso não os impede de negar a Deus e a alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos? Os fariseus que lhe diziam: "Mestre, fazei-nos ver algum prodígio", não se pareciam com esses que hoje pedem para ver as manifestações? Se não se deixam convencer pelas maravilhas da Criação, não seriam mais tocados pelo aparecimento de um Espírito, mesmo da maneira mais evidente, pois o seu orgulho os transforma em animais empacados. Não lhes faltariam ocasiões de ver, se eles a procurassem de boa fé. É por isso que Deus não julga conveniente fazer por eles mais do que não faz nem mesmo para aqueles que sinceramente buscam instruir-se. Essa incredulidade não impedirá que se cumpra a vontade de Deus, assim como não impediu a expansão da Doutrina. Felizes os que crêem sem ter visto, disse Jesus, porque eles não duvidam do poder de Deus”.
Concluindo nosso estudo com essas reflexões do Espírito São Luis, convidamos o leitor a buscar em O Livro dos Médiuns, a descrição da evocação do Espírito perturbador de rua Des Noyers feita por Allan Kardec, e que contém as razões do Espírito para a provocação dos fenômenos. Ver cap V, item 95.

Em continuidade ao estudo desse capítulo, veremos Fenômeno de Transporte.
BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap. V - 2ª Parte
Tereza Cristina D'Alessandro
Fevereiro / 2004

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Livro dos Espíritos Estudo 28

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA


XIV - AS QUESTÕES DE ORTOGRAFIA
Entre tantas acusações e controvérsias, habituais e normais nesse início, a objeção - ortografia isto é - a escrita correta das palavras - não se constitui com tantos fundamentos ou gravidade.
Estabelecido que:
• Os Espíritos são as almas daqueles que um dia estiveram encarnados
• Constituem população imensa, incalculável, em meios físicos e hiper-físico que se interpenetram
• cada qual conserva sua individualidade e se exteriora segundo a bagagem que lhe é própria, há que se entender, ser impossível, que todos se expressem através da escrita, da palavra ou qualquer outro meio, com a correção e perfeição desejadas.
Necessariamente, nem todos possuem a elegância da frase, o purismo no encadear das palavras para que se expresse a idéia. A grande maioria, não só dos Espíritos, como médiuns também não têm noção ou freqüentaram cursos de gramática que lhes ensinou escrever corretamente ou expressar o pensamento de forma mais clara, simples e correta.
Sob esses raciocínios percebe-se, que os adversários, detêm-se a detalhes primários, insignificâncias não convincentes, onde a grande causa do engano está em crer que o Espiritismo emana de uma só fonte ou da opinião de um só homem. Não percebe que está ele por toda parte, uma vez que não há lugar onde os Espíritos não possam se manifestar.
A causa, portanto, está na própria natureza do Espiritismo, cuja força não provindo de uma só fonte, permite a cada qual receber diretamente comunicações dos Espíritos e certificar-se através delas, na comprovação dos fatos, a veracidade ou não da proposta.
Essa universalidade das manifestações confere os princípios da Doutrina... "segundo o ensinamento dos Espíritos Superiores, através de diversos médiuns”...
É uma força que não podem explicar aqueles que desconhecem o mundo invisível, assim como os que desconhecem as leis da eletricidade não compreendem a rapidez com que se transmite por exemplo um telegrama, um e-mail.
Entende-se portanto, ser normal nem sempre se receber uma mensagem com grafia e estilo impecáveis.
Funciona aqui, o mesmo critério da linguagem, onde o que se deve buscar é o conteúdo, a proposta moral contida na instrução, no trecho, na mensagem, no livro etc. Se procedem de Espíritos elevados, a idéia será a mesma em qualquer tempo e lugar, independendo-se da forma, da grafia certa ou errada, da construção da frase, da caligrafia fluente, fina ou grosseira e tosca.
Não julgar portanto, a qualidade do Espírito pela forma material na incorreção do estilo. Sondar-lhe o íntimo, analisar, pesar friamente sem prevenção.
Qualquer divergência, distanciamento, inovação, ofensa à lógica, à razão, à ponderação ao bom senso, não deixarão dúvida quanto à procedência, sejam quais forem as palavras bonitas ditadas, a grafia perfeita ou o nome sob o qual se apresente o Espírito.
O teor de uma mensagem inferior aborda e discorre sobre tudo com desassombro, uma vez que não há preocupação com a verdade. Predizem o futuro, explicam o passado, fixam acontecimentos em datas e circunstâncias. Ao escrever e falar, são pomposos, ostensivos, bombásticos, justamente meio que, empolgando, oculta o vazio das suas idéias. Essa linguagem pretensiosa, ridícula ou obscura tem o objetivo de querer parecer profunda, filosófica, séria. Mescla-se em meio a palavras bonitas onde a imposição é velada nas ordens que dão e que querem ser obedecidas. Elogiam, estimulam o orgulho, a vaidade, exaltam a importância pessoal, fazem promessas e tratos, pactos e acordos em meio às suas pregações de humildade, desapego, fraternidade...
Os bons, os comprometidos com a Verdade nas propostas de renovação moral, ao contrário, só dizem o que sabe; calam-se ou confessam ignorância sobre o que desconhecem. Não determinam datas em previsões. Não direcionam a mensagem, especificando que é para este ou aquele. Abordam o assunto de tal forma generalizando-o, que cada ouvinte ou leitor, sente-se como destinatário único.
Exprimem-se com simplicidade, em estilo sucinto, resumido, breve, exato, sem exigir muito esforço para sua compreensão. Dizem muito em poucas palavras, porque exatamente cada uma delas é empregada com exatidão e com o sentido que têm e não a que o homem queira dar-lhe. Não ordenam, não impõem, mostram utilidade, objetivos, ideal a ser alcançado, benefícios que de modo geral atraem esta ou aquela atitude, deixam o ser em liberdade. Se não são aceitos, entendidos, escutados, retiram-se. Não lisonjeiam, aprovam o bem feito, com reservas, sem estardalhaço, sem elogios. Objetivam sempre fim sério e eminentemente útil - em todas as circunstâncias - só prescrevem o Bem e tudo o que passarem estará estritamente conforme com a pura caridade evangélica.
Esse conhecimento é essencial para se aferir, para se ter presente quando do recebimento de uma mensagem, da leitura de um livro que se qualifica como espírita, como de mensagens psicofônicas, tanto em relação à sua procedência, como em relação à pureza da Doutrina.

Bibliografia

Kardec, Allan - "O Livro dos Espíritos" - Introdução XIV

Kardec, Allan - "O que é o Espiritismo" - 1o dialogo

Kardec, Allan - "O Livro dos Médiuns" - cap. XXIV

Leda Marques Bighetti
Outubro / 2003

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 40

LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

ENQUANTO PODES


"Tu, porém, por que julgas teu irmão? e tu, por que desprezas o teu? pois todos compareceremos perante o Tribunal de Cristo." - Paulo. (Romanos, 14:10.)
O questionamento apostólico tem como objetivo fazer com que cada um reflita nas próprias condições.
Da mesma forma que outrora, é comum ao homem moderno deter-se destacando as imperfeições alheias. Estamos sempre prontos a apontar, a ressaltar, a divulgar as mazelas, os aspectos ruins de todos e de tudo. "Sempre encontramos motivos para a ofensa, a recriminação, a transferência de culpas, para depreciar a movimentação alheia, para rebaixar o outro".
Destacando este aspecto, não estamos criticando ou desconsiderando a capacidade do ser humano de analisar, perquirir, identificar o erro quando e onde ele exista, uma vez que essa habilidade, desenvolvida ao longo das oportunidades reencarnatórias, não é um mal, pelo contrário, é uma ferramenta e como tal precisa ser bem utilizada para que traga proveito, benefício.
Como pode ser isso?
Toda vez que uso o discernimento e analiso as atitudes do outro, seus desacertos, desequilíbrios e tiro disso experiências para as recomposições pessoais, saio do simples julgar, para os aprendizados em que cresço analisando as repercussões das variadas respostas que o outro colha. Tal atitude representa a ação de Espíritos amadurecidos. Na juventude, não acontece tal ação. Imaturo, a duras penas paga-se o preço da inexperiência que ensinará na dor, a que se aprenda mais tarde analisando a semeadura e a colheita do próximo, lendo ali lições, convites para que o mesmo engano não nos surpreenda em vigilante. Desse modo aplica-se o engano alheio como instrumento de correção pessoal a fim de não estimular a negligência, a conivência com o erro, e não unicamente para ressaltar o lado sombrio e difícil de pessoas e coisas.
Emmanuel reflete que cada um deve perceber-se como criatura que também caminha de mãos dadas com erros e dificuldades pois "almas imaculadas não povoam ainda a Terra"; faz-nos ver a necessidade e urgência do trabalho pessoal em desenvolver qualidades essenciais à convivência em sociedade, à própria paz e ao progresso geral. Quais são essas qualidades? A indulgência, o entendimento, a paciência e a bondade para com todos "que se enganaram sob a neblina do erro, para que te não faltem a paciência e a bondade (...) a que te arrimarás no dia em que a sombra te ameace o campo das horas." Dentro desse programa educativo, mesmo percebendo os enganos nos quais o outro se detém e usando-os para crescimento pessoal o grande desafio (segundo Ermance Dufaux) consiste em "estarmos afetivamente focados no "lado" bom, nas qualidades, nos instantes bem sucedidos de alguém, conquanto tenhamos (...) possibilidades de perceber-lhe as imperfeições e mazela. Continua dizendo que "Compreender, estimular, perdoar, reconhecer valores alheios, dividir responsabilidades, apoiar, ser afetuoso (...) é muito mais trabalhoso". Conquanto seja trabalhoso é preciso investir nas qualidades necessárias ao progresso e elevação, que em síntese representarão a libertação de cada um.
Jesus é o padrão. Onde O vemos em destaque ao mal?
Conclui Emmanuel:
"Auxilia, enquanto podes.
Ampara, quanto possas.
Socorre, quanto possível.
Alivia, quanto puderes.
Procure o bem, seja onde for.
E, sobretudo, desculpa sempre, porque ninguém fugirá ao exato julgamento na Eterna Lei."
Bibliografia:
 Oliveira,Wanderley S. "Laços de Afeto: Caminhos do Amor na Convivência". Ditado pelo Espírito Ermance Dufaux. 3a ed. Belo Horizonte - MG - Editora INEDE. 2002.
 Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Enquanto Podes". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC . 1992.

Iracema Linhares Giorgini
Outubro / 2004
ROMANOS 14
10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus

sexta-feira, 23 de julho de 2010

92 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC


CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A INDULGÊNCIA- ITEM 18

Dufétre, bispo de Nevers, do qual não encontramos referências, traz a terceira e última mensagem deste capítulo, sobre a indulgência, iniciando-a com a mesma recomendação das duas anteriores: “sede severos para vós mesmos e indulgentes para as fraquezas alheias.”
A insistência do conselho nos mostra a importância da prática dessa ação em nossas vidas, neste planeta de expiações e de provas, como condição sine-qua-non de nossa evolução espiritual, de nossa paz interna e externa.
Para que possamos conseguir vivenciar no cotidiano essa recomendação, parece-me, indispensável, a aceitação de que somos todos iguais em potencialidades, desde a nossa criação, e que estamos todos fazendo nossa caminhada evolutiva para atingir a perfeição e a felicidade. Para isso há necessidade da aceitação da continuidade da vida do Espírito.
Essa certeza acaba com o orgulho e o egoísmo, desenvolve a humildade, que leva o homem a sentir-se igual ao outro, nem superior, nem inferior, tornando-o indulgente para as fraquezas alheias, e exigente consigo, porque compreende o que pode exigir de si mesmo.
Enquanto os homens viverem com a idéia de uma vida única, vivendo-a guiados pelo orgulho e egoísmo, não vendo senão seus próprios interesses, julgando-se mais merecedores do que os outros, as lutas entre pessoas e entre nações continuarão trazendo dores e sofrimentos, além de atrasar o progresso geral.
O autor dessa mensagem escreve que seguir a recomendação acima é fazer “a santa caridade”, visto que todos nós, os habitantes da Terra, encarnados e desencarnados, temos “más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar”. Temos um fardo mais ou menos pesado para alijar, ou seja, para livrarmo-nos, para retirar de nós, a fim de que possamos atingir o “cume da montanha do progresso”.
Por que, então, enxergarmos com tanta clareza as falhas alheias, sendo tão cegos com as nossas? Por que faltar com essa caridade?
“O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se verem superficialmente os defeitos alheios, mas em procurar destacar o que há de bom e virtuoso no próximo. Porque, se o coração humano é um abismo de corrupção, existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos, centelhas ardentes da essência espiritual”.
Escreve sobre o espiritismo, considerando felizes os que o conhecem e põem em prática seus claros ensinos, que lhes ensinam que a caridade em relação ao próximo tem de ser praticada como para si mesmo.
“Caridade para com todos e amor a Deus sobre todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele fez uma lei para todas as criaturas”.
Enquanto não nos libertarmos do hábito de destacar as imperfeições alheias, por muito que façamos em atividades de beneficência, não estamos sendo caridosos, estamos amparando necessitados, mas não estamos aproveitando essas atividades para nossa transformação moral, visto que estamos sendo malévolos para com nossos irmãos e orgulhosos em não vermos ou camuflarmos as nossas próprias mazelas.

Bibliografia:
“KARDEC, Allan - ”O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Fevereiro / 2009

O Livro dos Espíritos Estudo 27


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

XIII - AS DIVERGÊNCIAS DE LINGUAGEM

Recorde-se que o mundo espiritual é constituído por individualidades onde, cada qual mantém suas características, sua personalidade, modo de ser e pensar diferentes umas das outras em tudo: conhecimento, moralidade, sábios, brincalhões, ignorantes etc. etc.... Entende-se, por conseguinte, que emitam sobre os variados assuntos opiniões diferentes, pois sentem, pensam, buscam a Verdade sob objetivos diferentes, pessoais.
1 — Como entender, porém, o desacordo, a discordância que leva Espíritos a se expressar, sobre um mesmo assunto, de forma diferente?
Esse é mais um dos pontos que enfatiza a necessidade do estudo contínuo, pois só através da observação profunda é que se conseguirá perceber que a discordância nem sempre é tão real quanto possa parecer num primeiro momento - a idéia fundamental permanece - as definições divergem, na forma da construção da frase, no estilo mais rebuscado ou sintético. Muitas vezes, a diferença se estabelece, decorrente do modo como a pergunta é feita onde, sobre um mesmo assunto, poderá ser enfocado outro ângulo de uma mesma questão. Observados estes pontos, quase sempre onde, num primeiro momento se observa contradição, o que realmente existe são as diferenças de palavras, nas quais os Espíritos superiores não se detêm - a forma em si não lhes importa e sim - a essência do pensamento no estímulo ao Bem.
Livres da matéria, o pensamento rápido constrói frases que levam muito mais que um simples encadear de palavras formando a oração ou o texto.
Ao se comunicar com os encarnados, o processo deve-lhes ser altamente embaraçoso, limitativo, pois não conseguem exprimir a realidade, a amplitude de suas idéias. Somem-se, os limites e incapacidades do médium, as formas ou termos disponíveis na escrita, na linguagem humana, na lentidão no passar e no captar da idéia, da mensagem. Daí, por compreenderem, saberem de tudo isso, não se atêm as divergências ortográficas.
Ao tratar dos profundos e sérios ensinamentos dos quais se ocupam, detêm-se na idéia, no objetivo, na proposta, exprimindo-a em todas as línguas e a todas compreendendo.
Conhecem a correção da linguagem, a forma correta das construções, mas não se agastam, se o médium não a percebe, tanto que, ao ditar, por exemplo, uma poesia - o estilo, a métrica é perfeita, apesar da ignorância ou desconhecimento do médium.
O mesmo acontece em relação ao significado das palavras: - o texto em estudo, exemplifica com a palavra alma, que, não tendo uma definição única, poderá, para quem lê, entender haver divergência.
Exemplo:
— um Espírito poderá usar o termo, afirmando que ela é o princípio da vida;
— outro refere-se a ela, como centelha anímica;
— um terceiro dirá que é interna;
— um quarto, que é externa etc. etc. etc.
Na realidade, todos falam de um mesmo assunto, sob objetivos, propostas e enfoques diferentes.
O mesmo acontecerá, se a idéia a ser trabalhada referir-se a Deus:
— alguns falarão Dele, como princípio de todas as coisas
— outros o apresentarão sob a face da misericórdia, justiça, inteligência, previdência, providência etc. etc.
Em relação aos Espíritos, a mesma situação:
— sabemos de sua existência em incontáveis graus de perfeição ou imperfeição - estabelecer uma escala em classes que sintetizem as qualidades boas ou não, classificá-las, dividi-las em três, cinco ou vinte sub classes, é arbítrio de quem está voltado a esse trabalho, sem que por isso, se coloque em erro, tanto frente a realidade, como em relação aos outros ou fale de algo diferente que colide, contraria, infringe ou diverge do todo.
Na Ciência humana, encontramos vários sistemas sobre um mesmo objeto em estudo. Normalmente, levam o nome do pesquisador que apresentou, descobriu ou defende aquela idéia ou aquela faceta da verdade. Linneu, Jussieu, Tournefort etc., são sistemas em teses defendidas por esses cientistas e que em Botânica conserva-lhes o nome, que referencia a idéia, a pesquisa por eles feita ou defendida.
A ênfase, entretanto insiste, no sentido, de que é possível que tenha havido sobre um mesmo ponto, discordâncias.
Alertam os Espíritos, a que não se faça dessa aparência motivo de inquietação que podem levar a que se duvide da unidade da crença. Nesse momento, Espiritismo, como que, desabrocha, ajusta-se seu estudo em método, isto é, a ordem lógica a ser seguida na investigação; a precisão das leis que regem, ainda não está completa, o que faz com que esses desvios sejam normais.
A princípio, a Ciência espírita pareceu muito simples, pois, muitos se detiveram no mover das mesas. A observação atenta porém, veio mais tarde revelar ramificações e conseqüências muito mais complexas do que se pudera imaginar
... "as mesas girantes são como a maçã de Newton: na sua queda encerra o sistema do mundo"...
Na realidade, aconteceu o que normalmente se passa com o que é novo: por não se ver o todo, cada um se detém, percebe um lado e comunica ou se atém ao que vê sob seu ponto de vista, suas idéias e preconceitos.
Em relação aos Espíritos são eles julgados, descritos, segundo a natureza das relações com eles estabelecidas, onde alguns são transformados em demônios; outros em anjos - afirmações estas decorrentes da apreciação daqueles que se detém na parte. Sem a visão, sem a busca do todo, cada qual estaciona naquilo que se consiste em objeto de suas preocupações.
Nesse caso, as divergências são decorrentes dos diferentes ângulos, sob os quais o pesquisador se fixa, sem interagir com as demais faces, também em estudos e pesquisas, afastando-se assim, do todo.
Esse estado de discordância ou parcialidade é comum nos sistemas prematuros fechados ou que se fixam em observações pessoais. A tendência é que, pesquisadores idôneos, cada um com suas observações, se unam na busca de uma origem comum.
As várias teorias espíritas, portanto, têm duas fontes:
— uma nascida do cérebro humano, onde o homem, crendo possuir todo o conhecimento daquilo que procura, se compromete, afastando-se do ponto central.
— a segunda, Espíritos ensinando coisas diferentes sob uma mesma idéia que se inter-relacionando, agindo umas sobre outras, abre-se na descoberta, digamos assim, da causa.
Conhecer a "Escala Espírita" favorece entender melhor essa aparente anomalia de linguagem dos Espíritos.
Conforme a classe em que se situe, tal será a qualidade e abrangência de suas apreciações.
Perceberemos que alguns são incapazes de informações exatas sobre o mundo que habitam ou o lugar em que estão. Considere-se ainda, que essas apreciações poderão provir de um leviano, inconseqüente, zombeteiro, mau, vicioso, mentiroso etc., que oferecerá detalhes segundo seus preconceitos e objetivos, sob os quais acobertam seus verdadeiros fins. Divertir-se, induzir ao erro, afirmar o que não sabem, dar conselhos indicando o que se deve ou não fazer, enganar a boa fé etc. etc., sempre segundo o ponto de vista pessoal descompromissado com os objetivos maiores da Verdade.
Destaque-se que hoje, este estudo e conhecimento de detalhes, tem especial importância. Pelo fato de já termos a Doutrina firma em seus princípios e leis, dispomos de pontos seguros para aferição, que responsabiliza a cada um, no sentido de que a idéia seja buscada, mantida, preservada na sua pureza para que possa ser vivida sem desvirtuamentos, onde a grande fonte de controvérsias passa a ser o desenvolvimento intelectual e moral dos Espíritos encarnados e desencarnados.
Bibliografia
Kardec, Allan — "O Livro dos Espíritos" - Introdução XIII
Kardec, Allan — "Revista Espírita" - Agosto 1858

Leda Marques Bighetti
Setembro / 2003

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 39

LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

"No auxílio a todos"

"Pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida justa e sossegada em toda a piedade e honestidade”
Paulo (I Timóteo, 2:2)
É comum, vermos boa parte de pessoas preocupar-se, segundo seu entendimento, com os que considera menos afortunados, menos felizes. Oram a Deus, pedindo por eles e procuram mobilizar recursos para ajudar de alguma forma objetivando que a sua situação possa melhorar.
Nas catástrofes, vemos o sentimento de solidariedade abrindo-se, até mesmo com povos de outras nações. O êxito das campanhas para arrecadar recursos que são enviados, confirmam que não temos dificuldade em apiedarmo-nos dos que estão em desespero ou vitimados por flagelos.
É uma preocupação legítima, mas, essas não são as únicas pessoas que precisam das nossas orações, do nosso apoio moral ou material. Equivocadamente, achamos que aqueles que estão em posição de destaque, não precisam que nos preocupemos com eles, pois, devem ter uma vida sem problemas.
O Apóstolo Paulo, na 1a. carta que escreveu a Timóteo, em suas recomendações lembra o auxílio espiritual que devemos a todos que ocupam cargos de autoridade, de comando, seja dirigindo, orientando, esclarecendo e instruindo.
São Espíritos que reencarnam com a difícil tarefa do poder, da riqueza, da administração, que carregam tentações e provas de toda espécie e que quase sempre desconhecemos.
Essas pessoas são formadoras de opinião e nem sempre sob formas desejáveis influenciam coletividades negativamente, quando não se compenetram dos deveres que lhe são próprios, quando não têm noção da extensão da sua responsabilidade sobre pessoas ou povos.
Esses companheiros, que deveriam com a sua atuação levar o progresso material e moral para as populações, criam calamidades morais e moléstias coletivas de longa duração, que atrasam a evolução.
O estudo, portanto, desperta-nos para que nas nossas preces e vibrações lembremo-nos de dirigentes, responsáveis em pequena ou grande escala, por percebermos que temos para com esses companheiros responsabilidades, não ao que se refere aos seus atos em si, mas, em relação à sustentação espiritual que podemos e devemos oferecer a eles, pois, não desconhecemos o poder do pensamento, das vibrações que emitimos.
"Não nos esqueçamos, pois, da oração pelos que dirigem, auxiliando-os com a benção da simpatia e da compaixão, não só para que se desincumbam zelosamente dos compromissos que lhes selam a rota, mas, também, para que vivamos com o sadio exemplo deles, na verdadeira caridade uns para com os outros, sob a inspiração da honestidade, que é base de segurança em nosso caminho".

Maria Aparecida Ferreira Lovo
Setembro / 2004

I TIMÓTEO 2
2 pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade.

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 30


SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS
CAPITULO V
MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS

Estudo 30 - Itens 87 a 91 - Lançamento de Objetos

No capítulo que estamos estudando, Allan Kardec explica que tais fenômenos, cuja manifestação se poderia considerar como de prática espírita natural, são muito importantes, porque excluem as suspeitas de conivência. Afirma ainda, que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao do homem. Também disse que os Espíritos elevados não se ocupam com esta ordem de manifestações; que se servem dos Espíritos mais imperfeitos para produzi-las. Atingida a finalidade acima indicada, cessa a manifestação. A seguir estudaremos o lançamento de objetos.
Lançamento de objetos
As manifestações espontâneas nem sempre se limitam a ruídos e batidas. Degeneram, às vezes, em verdadeira barulheira e em perturbações. Móveis e objetos diversos são revirados, projéteis são atirados de fora para dentro, portas e janelas são abertas e fechadas por mãos invisíveis, vidraças são quebradas, o que não se pode levar à conta da ilusão.
Toda essa desordem é muitas vezes real, mas algumas vezes é apenas aparente. Ouve-se gritarias num cômodo ao lado, barulho de louça que cai e se quebra. Corre-se para ver e encontra-se tudo calmo e em ordem. Mal sai do local, recomeça o tumulto.
Essas manifestações não são raras nem novas. É comum se ouvir histórias desta natureza. O medo tem exagerado muitos fatos que, passando de boca em boca, assumiram proporções gigantescamente ridículas. Com o auxílio da superstição, as casas onde eles ocorrem foram tidas como assombradas pelo diabo e daí todos os maravilhosos ou terríveis contos de fantasmas. Compreende-se ainda a impressão que fatos desta espécie, mesmo reduzidos à realidade, podem produzir em pessoas de caracteres fracos e predispostas, pela educação, a alimentar idéias supersticiosas. O meio mais seguro de prevenir os inconvenientes que possam acarretar, pois não se pode impedi-los, consiste em tornar conhecida a verdade. As coisas mais simples se tornam assustadoras quando ignoramos as causas. Ninguém mais terá medo dos Espíritos, quando todos estiverem familiarizados com eles.
Na Revista Espírita se encontram narrados muitos fatos autênticos deste gênero, entre outros a história do Espírito batedor de Bergzabern, cuja ação durou oito anos (números de maio, junho e julho de 1858); o de Dibbelsdorf (agosto de 1858); o do Padeiro das Grandes Vendas, perto de Dieppe (março de 1860); o da Rua Des Noyers, em Paris (agosto de 1860); o do Espírito de Castelnaudary, sob o título de História de um Danado (fevereiro de 1860); o do fabricante de São Petersburgo (abril de 1860) e muitas outras.
Essas manifestações frequentemente assumem o caráter de verdadeira perseguição. Muitas pessoas têm suas roupas esparramadas e às vezes rasgadas, apesar da precaução que tomam , guardando-as à chave; outras vezes, pessoas estão deitadas, mas perfeitamente acordadas, e vêem sacudir as cortinas, arrancarem-lhes violentamente as cobertas e os travesseiros, que são erguidos no ar e até mesmo atiradas fora do leito. Esses fatos são mais freqüentes do que se pensa, mas a maioria das vítimas não os contam por medo do ridículo. Muitos que vivem essas experiências,consideradas alucinações, são submetidos ao tratamento dos alienados,o que pode leva-las realmente à loucura. Os casos de obsessão, de possessão e de simples perturbação por Espíritos, quando tratados como loucura, geralmente se agravam, porém, quando recebem tratamento espírita, são passíveis de cura.
É possível também que alguns casos sejam obra da malícia ou da malvadez. Porém, se tudo bem averiguado, ficar provado que não resultam da ação do homem, temos de convir que são, para uns, obra do diabo, e para nós, dos Espíritos. Mas de que Espíritos?
Os Espíritos superiores, como os homens sérios entre nós, não gostam de fazer travessura. Quando interpelados sobre o motivo de perturbarem assim a tranqüilidade dos outros, a maioria quer apenas se divertir. São antes levianos do que maus. Riem dos sustos que causam e do trabalho que dão para se descobrir a causa do tumulto. Muitas vezes apegam-se a uma pessoa e se divertem a incomodá-la por toda parte. De outras vezes se apegam a um lugar por simples capricho. Algumas vezes, também, se trata de uma vingança. Em alguns casos, a intenção é mais louvável: procuram chamar a atenção e estabelecer comunicação, seja para transmitir um aviso útil, seja para fazer um pedido. Muitos pedem preces; outros que solicitam o cumprimento, em nome deles, de votos que não puderam realizar, e outros quererem, para o seu próprio sossego, reparar uma maldade praticada em vida. Em geral, pode ser um erro amedrontar-se com sua presença, que pode ser importuna, mas não perigosa.
É natural querer livrar-se deles, mas é necessário faze-lo da maneira mais eficaz, que é não se intimidar perante suas ações, até que desistam. Caso estejam agindo por motivo menos frívolo, será necessário identificar suas necessidades, e aqui novamente recomendamos o auxílio de uma casa espírita bem estrutura , onde poderão ser atendidos e esclarecidos em suas necessidades. Através das preces podemos ajuda-los sempre, porém, as solenidades das fórmulas de exorcismo não os intimida, e sim os divertem. Se for possível entrar em comunicação com eles, recomenda-se prudência e bom senso para avaliar a essência de suas mensagens, pois muitas vezes querem se divertir com a credulidade dos ouvintes.
Nos capítulos IX e XXIII, referentes aos lugares assombrados e às obsessões, Allan Kardec trata com pormenores este assunto e as causas da ineficácia das preces em muitos casos.
Embora produzidos por Espíritos bastante imperfeitos, esses fenômenos são freqüentemente provocados por Espíritos de ordem mais elevada, com o objetivo de demonstrar a existência dos seres incorpóreos, dotados de poderes superiores aos dos encarnados. A repercussão que alcançam e o medo que provocam, despertam a atenção para esse assunto e acabam por abrir os olhos dos mais incrédulos.
O desconhecimento do assunto e a negação sistemática da existência dos espíritos, são responsáveis por gerar superstições, criar neuroses e perturbações mentais, agravando o preconceito cultural contra a realidade do Espírito. A divulgação da Doutrina Espírita, através da prática que decorre dos estudos vivenciados, é a única maneira possível de evitar todos esses inconvenientes, familiarizando os homens com esse aspecto inegável das leis divinas: o mundo espiritual existe e os Espíritos estão entre nós.
No próximo estudo trataremos das causas desses fenômenos.

BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap. V - 2ª Parte

Tereza Cristina D'Alessandro
Janeiro / 2004

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 38


LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

SALVAR-SE

"Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)
Esta epístola a Timóteo foi escrita na Macedônia; é a primeira das chamadas Pastorais - duas a Timóteo e uma a Tito - porque se destinam a pastores de almas. Nela o apóstolo orienta Timóteo sobre suas obrigações.
Falando da própria conversão e da eficácia do Evangelho em sua vida, lembra do objetivo da vinda de Jesus ao Planeta: "Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores... ¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)
A afirmativa apostólica merece cuidadosa ponderação uma vez que, a inferioridade humana, de modo geral, só interpreta a palavra “salvação” por benefício, por vantagem imediata.
Assim como no versículo em estudo, outros trechos do Velho e do Novo Testamento afirmam que Jesus veio ao mundo a fim de imolar-se pelos nossos pecados.
 Porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaias, 53:11)
 Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras. (I Cor. 15:3)
 O qual se deu a si mesmo por nossos pecados para nos livrar do presente século mau. (Gálatas, 1:4)
 Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados. (Hebreus, 1:3)
 Assim também Cristo oferecendo-se uma vez para tirar o pecado de muitos (Hebreus, 9:28
 Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (João, 1:29)
A interpretação apressada e superficial dessas assertivas tem conduzido a muitos equívocos, o que levou P. A. Godoy refletir que: “Caso tivesse Jesus sido investido da prerrogativa de salvar os homens de seus pecados, duas situações teriam ocorrido: a humanidade teria ficado livre de todos os males, uma vez que a maior parte deles é herança do pecado e as religiões não poderiam falar mais em pecado original, uma vez que o Cristo teria removido dos ombros dos homens esse tremendo fardo (...)”.
Corroborando com esses raciocínios, Hermínio C. Miranda questiona, referindo-se em especial aos textos do apóstolo Paulo, que se assim fosse porque ele insiste na prática das boas obras, no procedimento correto, na caridade, no amor ao próximo? “Se Cristo nos salvou para sempre com sua dor, nada disso faz sentido e o que seria simplesmente inaceitável, primeiro porque o inocente não é destinado a assumir a responsabilidade pela falta alheia, lavando-lhe a mancha do erro. Onde ficaria o preceito de que a cada um (é dado) segundo suas obras? Que mérito ou necessidade teriam as obras ou a fé se estivéssemos já resgatado pelo sofrimento do Cristo? E que sentido teria o próprio pecado, como falta pessoal, se alguém acaba resgatando-o por nós?¨.
Pondera Emmanuel que “após a passagem do Mestre no mundo, a fisionomia íntima dos homens, (...) era a mesma do tempo que lhe antecedera (...)”:
• Os romanos mantinham-se na conquista do poder;
• Os judeus permaneciam algemados a racismo infeliz;
• Os egípcios desciam à decadência;
• Os gregos demoravam-se sorridentes e impassíveis, em sua filosofia recamada de dúvidas e prazeres;
• Os senhores continuavam senhores, os escravos prosseguiam escravos...
“Todavia o espírito humano sofrera profundas alterações”.
As palavras e os exemplos do Mestre “acordavam para a verdadeira fraternidade, e a redenção, (...) começava a clarear os obscuros caminhos da Terra, renovando o semblante moral dos povos...”
“Jesus Cristo não veio como Salvador”, para tomar sobre si os pecados da Humanidade. Ele veio na condição de Redentor da Humanidade. Veio ensinar o caminho da libertação espiritual, pelo conhecimento da verdade, no esforço pessoal de melhoria íntima, na vivência dos preceitos evangélicos.
Isto não se realiza de forma miraculosa mas gradativamente no curso eterno da vida, ou seja, “Deus nos concede todos os recursos para realizarmos em nós o trabalho da redenção espiritual que acabou ficando com o rótulo inadequado de salvação; não, porém, realizando-a por nós e sim conosco. Possibilidades e potencialidades são colocadas a nossa disposição, mas o trabalho é pessoal, intransferível”.
Jesus trouxe-nos a Verdade, ensinamentos que cabe a cada um dinamizar, “fazer a sua parte, entrar na posse dessa verdade, dessa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos”. Cada um há que agir, lutar, realizar, sem o que a redenção não acontece. “Ninguém tem poder para salvar pecadores de forma indiscriminada”. Estes devem resgatar suas infrações às leis divinas através do conhecimento da verdade, da iluminação íntima, vivendo os ensinamentos evangélicos.
Eis porque Emmanuel, no texto em estudo, usa o termo salvar-se reconhecendo que “salvar não significa arrebatar os filhos de Deus à lama da Terra para que fulgure, de imediato, entre os anjos do Céu”.
Salvar-se é educar-se. Não é o batismo, a filiação a qualquer escola religiosa, a observância de rituais e práticas exteriores que redimem o Espírito mas, “o trabalho, longo e porfiado, de auto-educação” nas vidas físicas e fora delas.
“A sentença de Jesus: a cada um será dado segundo suas obras, (...), reflete a extensão do amor que Deus dispensa a todos (...), anulando qualquer idéia de que um Espírito possa elevar-se aos paramos sublimados da Espiritualidade, por caminhos dúbios, sem o esforço em favor do aprimoramento próprio”.
Bibliografia:
Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Salvar-se". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC. 1992.
Godoy, Paulo Alves. "Casos Controvertidos do Evangelho: Redenção ou Salvação - Pela Graça ou Pelas Obras?” SP - FEESP. 1993.
Godoy, Paulo Alves. "Crônicas Evangélicas: Salvador ou Redentor?". 3a ed. São Paulo - SP - FEESP. 1990.
Miranda, Hermínio Correa. “Cristianismo: A Mensagem Esquecida: Salvação”. Matão - SP - Casa Editora O Clarim. 1988.

Iracema Linhares Giorgini
Agosto / 2005

Citações bíblicas

I TIMÓTEO 1
15 Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal;

ISAÍAS 53
11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.

I Corintios
3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;

GÁLATAS 1
4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,

HEBREUS 1
3 sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,

HEBREUS 9
28 assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.

JOÃO 1
29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

O Livro dos Espíritos Estudo 26


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA


XII - DA IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS

As reflexões iniciadas nos estudos anteriores, (X e XI) prosseguem neste item. Enfatizam, reforçam os cuidados e precauções necessárias, para que com mais segurança, se conheça a espécie ou categoria dos Espíritos com que se está tratando. Vimos que assim como os bons Espíritos podem se apresentar sob o nome de personalidades conhecidas, querendo com isso fixar uma idéia comum ao todo coletivo, deixando belas exortações, os inferiores também se apresentam sob nomes respeitáveis. Daí a ênfase dada a que se analise, como meio identificador, a linguagem e o conteúdo, isto é, a qualidade da proposta.
Ainda assim, adeptos leais da Doutrina, sentem-se confusos e insistem em meios mais precisos visando identificá-los. Afirmam que, muitas vezes, a inferioridade se insere tão veladamente que o controle fica muito difícil.
Realmente, a sutileza, a forma em belas palavras, dificulta descobrir dubiedade no engodo da proposta. Pode-se entretanto, acrescentar outros cuidados que certamente facilitarão:
1. Quando se manifesta o Espírito de alguém conhecido, parente ou amigo, sobretudo se desencarnado há pouco tempo - geralmente sua linguagem é característica, idêntica à que lhe era comum quando encarnado, e isso é indício identificador. A dúvida diminui à medida que esse Espírito, fala de situações particulares, casos, detalhes familiares que somente o interlocutor conhece.
2. Mais ou menos o mesmo se passa em relação a Espíritos contemporâneos, cujas características e hábitos são conhecidos e que, por não terem ainda se despojado deles, mais facilmente se fazem reconhecidos.
3. Semelhança da caligrafia ou da assinatura. Esse indício pode ser dificultado, uma vez que nem todos os médiuns obtém esse resultado com perfeição em reproduções exatas. Há casos porém, em que são perfeitamente idênticas. Como há o perigo dessa variável ela consta mais como registro ao conhecimento e não como regra segura de identificação, permanecendo a linguagem, o conteúdo e as circunstâncias pessoais identificadoras.

Há casos portanto, em que a identidade do Espírito evocado pode até certo ponto, ser estabelecida e em outros, não; os elementos fornecidos não conferem. Será sempre critério saber em certeza que o Espírito de um homem bom, jamais falará ou se expressará como o faria um perverso, irresponsável ou imoral.
1:1 - Causa ainda, entre as dúvidas, alguma estranheza, que Espíritos bons usem ou assinem o nome de outro. Como entender?
Possuem esses bons Espíritos, mais ou menos, o mesmo caráter, o mesmo grau; são animados dos mesmos sentimentos, reunidos em grupos e em famílias. O número deles é incalculável; a maioria deles não tem nome para nós... ... "um Espírito da categoria de um Fénelon, pode, portanto, vir em seu lugar, às vezes mesmo com o seu nome, porque é idêntico a ele e pode substituí-lo e porque necessitamos de um nome para fixar as nossas idéias. Mas que importa, na verdade, que um Espíritos seja realmente o de Fénelon? Desde que só diga coisas boas e não fale senão como o faria o próprio Fénelon, é um bom Espírito; o nome sob o qual se apresenta é indiferente e nada mais é, freqüentemente, do que um meio para fixação de nossas idéias ...".
Conclui-se que:
 A identidade dos Espíritos, se em alguns casos é facilmente estabelecida, haverá aqueles em que essa facilidade inexiste, principalmente dificultada naqueles em cuja morte remota não oferece meios seguros de controle. Ater-se à linguagem, à forma, ao caráter.
 A identidade absoluta, a certeza plena não tem importância. O grande destaque é a distinção a ser feita entre os bons e os maus Espíritos - a individualidade pode ser diferente - a qualidade nunca.
Ao relacionar-se com desencarnados, portanto, qualquer que seja a confiança que nos inspirem, parar, pesar, meditar, usar razão severa, pedir explicações necessárias e só aceitar depois de formar opinião segura, sem que nenhum ponto pareça suspeito, duvidoso ou obscuro.

Bibliografia
Kardec, Allan - "O Livro dos Espíritos" - Introdução XII
Kardec, Allan - "O Livro dos Médiuns" - Cap XXIV

Leda Marques Bighetti
Agosto / 2003

91 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO


CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A INDULGÊNCIA – ITEM 17

“Sede indulgentes para as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações, e o Senhor usará de indulgência para convosco, como usastes para com os outros.”
Assim inicia sua mensagem João, bispo de Bordeaux.
Novamente, a mesma recomendação da mensagem anterior, levando-nos à importância do entendimento de que, perante Deus e suas leis, somos todos iguais e nossa conduta em relação aos outros determina a maneira como essas leis serão aplicadas a nós.
Na prece do Pai Nosso que milhões e milhões de pessoas dizem, diariamente, na frase: “Perdoai-nos, Senhor, assim como perdoamos aos nossos devedores”, está-se assumindo, com Deus, o compromisso do esforço de perdoar aos que ofendem, mas, poucos se dão conta de que esse compromisso, não é o do pensamento ou da palavra, mas sim o da ação.
No exercício de sermos severos para com nossas falhas, estamos exigindo de nós o que devemos e podemos fazer, pois se já somos capazes de perceber nossos erros, já temos evolução suficiente para evitá-los.
O contrário se dá, quando julgamos o outro, do qual nada sabemos, por mais que o conheçamos. Não sabemos das suas experiências anteriores, dos seus sonhos, das suas angústias, frustrações e sofrimentos, das suas necessidades, dos motivos que o levam a agir dessa ou de outra forma.
Para julgar alguém precisaríamos conhecê-lo como nos conhecemos.
Daí a necessidade de sermos severos para conosco e indulgentes para com os outros, se queremos ter paz interior, evitando maiores sofrimentos para nós mesmos.
Perdoar não é só o esquecimento das faltas, pois se as leis divinas se esquecerem das faltas, esquecerão também das conseqüências das ações boas, dos méritos. Sendo as leis divinas sábias e justas, nada pode ser simplesmente apagado, esquecido.
O perdão de Deus não pode suspender as conseqüências de suas leis, visto que Ele, AMOR e SABEDORIA, não iria infringi-las.
Quando pedimos perdão a Deus por nossas faltas, estamos ou deveríamos estar pedindo que Ele nos faculte os meios de repará-las da melhor maneira possível. Que Ele nos dê forças para não recairmos nos mesmos erros, proteção para libertarmo-nos das imperfeições que lhes dão origem e auxílio para entrarmos nesse novo caminho de arrependimento, de reparação, de submissão e de amor.
Assim, devemos perdoar aos que nos ofendem. Esquecer as ações ofensivas, mas ir além, procurar ter para com ele pensamentos e sentimentos bons, fazendo por ele o que faríamos para com um amigo, assim como queremos que Deus faça conosco.
Esse é o perdão que vem do coração esclarecido pela razão. É o amor em ação, é a caridade ativa e infatigável!
“Substituí a cólera que mancha, pelo amor que purifica. Pregai pelo exemplo essa caridade ativa, infatigável, que Jesus ensinou. Pregai-a como ele mesmo o fez por todo o tempo em que viveu na Terra, visível para os olhos de corpo, e como ainda prega sem cessar, depois que se fez visível apenas para os olhos do Espírito. Segui esse divino modelo, marchai sobre as suas pegadas: elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o descanso após a luta. Como ele, tomai a vossa cruz e subi, penosamente, mas corajosamente, o vosso calvário: no seu cume está a glorificação.”

Bibliografia:
KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Janeiro / 2009