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segunda-feira, 19 de maio de 2014

A reencarnação não está na Bíblia! Como pode ela existir?

Esse é um argumento usado para justificar o quanto é “errônea” a idéia de existência da reencarnação. Há ao menos três fatos que tornam esse argumento inválido.

1) Analisemos essas duas passagens do evangelho:
Mateus, 16:13-14 Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou algum dos profetas.
João, 9:1-2
E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
A primeira passagem mostra que o povo achava ser possível a reencarnação, uma vez que Jesus não poderia ser Jeremias ou algum dos profetas se os mesmos não pudessem reencarnar. A segunda passagem mostra que os próprios discípulos acreditavam nessa possibilidade. Afinal, como alguém poderia pecar para nascer cego? Somente se esse alguém houvesse vivido antes para cometer um pecado, correto?
Nas duas passagens não constam quaisquer correções de Jesus sobre tais "idéias errôneas". Se um espírito não pudesse voltar a viver na Terra em um outro corpo, não seria natural, além de totalmente esperado, que Jesus corrigisse os seus discípulos? Afinal seriam eles os responsáveis pela divulgação de suas palavras e ensinamentos após o sacrifício na cruz. É inexplicável Jesus ter deixado uma idéia absurda (uma vez que, se não existe, é mesmo absurda) passar em branco dessa maneira.

2) Vejamos essas outras passagens:
Mateus, capítulo 11:12-15
12. E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto.
13. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João.
14. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.
15. Quem tem ouvidos, ouça.
Mateus, 17:10-13

Perguntaram-lhe os discípulos: Por que dizem então os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? Respondeu ele: Na verdade Elias havia de vir e restaurar todas as coisas; digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles. Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista.

Na segunda passagem, Jesus diz claramente que Elias já havia retornado, entendendo então os discípulos que ele se referia à João Batista.

Na primeira passagem, perceba como Jesus se refere a João nos versículos 12 e 13. Não é estranha a noção de tempo empregada por ele? Afinal, Jesus e João viveram na mesma época, tendo o segundo batizado o primeiro. A explicação para isso vem no versículo 14, onde Jesus fala claramente quem era ele, sem margens para segundas interpretações, e ainda completa dizendo: "quem tem ouvidos, ouça". Há formas de se expressar mais claramente sobre a reencarnação?
Sabe-se que João Batista nasceu de forma natural, como se vê nesses versículos:
Lucas, 1:13-14
Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; e terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento.
Lucas, 1:36
Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês
para aquela que era chamada estéril.
Se João Batista era Elias (e assim disse Jesus), aí está a reencarnação!
3) Terceiro argumento.

Será correto pensarmos que a Bíblia encerra toda uma doutrina onde nada mais possa ser acrescentado? Será que a mesma já explica todos os mistérios de Deus, da vida espiritual e da relação de Deus com os homens? Jesus mesmo disse aos seus discípulos em certo momento que certas coisas ainda não poderiam ser-lhes ditas, uma vez que não estavam preparados para ouvir. Mesmo se não houvesse na Bíblia tais passagens citadas acima, ainda não seria essa uma justificativa para a inexistência da reencarnação. A própria Igreja Católica admite a existência do purgatório sem que nada sobre isso conste em qualquer livro da Bíblia.
Jesus ensinou várias coisas, mas lembremos novamente o que ele disse aos seus discípulos: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora.” (João, 16:12)

Leia ainda: Reencarnação, por quê?
Por que não nos lembramos de outras vidas?

www.saberespirita.com.br – Conhecendo o Espiritismo sem preconceitos


domingo, 18 de maio de 2014

Reencarnação, por quê?


A reencarnação provém de dois atributos básicos de Deus, sem os quais, no nosso entendimento, Ele não seria Deus: justiça e misericórdia infinitas.
Acreditando-se que tais atributos são intrínsecos à Deus, torna-se sobremaneira impossível conceber-se a idéia de um inferno temporalmente infinito a um indivíduo, no qual estarão as almas que aqui viveram de forma errada, enganosa, materialista, etc, sem quaisquer chances de arrependimento. Tais almas, uma vez adentradas no inferno, não poderiam ser alcançadas pela misericórdia divina. Mesmo arrependendo-se, não mais seriam ouvidas por Deus por todo o sempre. É fácil perceber o grave conflito entre esse conceito de inferno e os dois atributos divinos citados acima, uma vez que sua existência estabelece, de forma óbvia, um termo à misericórdia de Deus.
A reencarnação é uma segunda chance que Deus nos concede para tentarmos evoluir moralmente como seres humanos, sendo esse o real objetivo dela: a evolução do espírito. "Receber um corpo, nas concessões do reencarnacionismo, não é ganhar um barco para nova aventura, ao acaso das circunstâncias, mas significa responsabilidade definida nos serviços de aprendizagem, elevação ou reparação, nos esforços evolutivos ou redentores". (1) Deus não quer que nenhum dos seus filhos se perca e sua infinita misericórdia estará sempre nos tocando com sua divina benção.
Ela vem ainda a corrigir possíveis injustiças. Quantas pessoas passam por sérias dificuldades em suas vidas? Miséria, vivendo ao lado do crime e tendo os filhos passando fome, enquanto outras possuem totais condições de desenvolvimento moral junto a suas famílias tão bem estabelecidas?
Um caso interessante: quantos povos viveram em níveis bárbaros e antropófagos na história da humanidade? Será que se nossa alma, assim que fosse criada, encarnasse em um corpo e vivesse junto a esse povo não seríamos também antropófagos?
Por isso deveríamos ir para o inferno, logicamente?
Ou iríamos para o paraíso eterno? (Mas como, se fomos canibais??)
Pode-se argumentar que Deus perdoar-nos-ia por não sabermos que tal prática era errada, afinal nascemos ali e convivemos desde cedo com aquilo. Mas então isso quer dizer que, por viver na ignorância, estaríamos livres para fazer o que quiséssemos e ainda assim sermos premiados com o paraíso eterno? Seria uma grande demonstração de misericórdia, realmente, por parte de Deus, mas ao mesmo tempo também de injustiça. Isso não seria justo para com aqueles que conheceram as leis do amor a Deus e ao próximo. Aos primeiros o paraíso, não importando o que fizeram, devido a sua ignorância; aos últimos, somente se conseguissem manter-se no caminho correto, passando pela porta estreita (Mateus 7:13)? Em qualquer hipótese, não há como haver justiça igualitária a todos nesse caso se não pensarmos na reencarnação. Nas duas possibilidades estaria havendo um tratamento preferencial de Deus para com um povo ou outro: seja dando a possibilidade do paraíso apenas àqueles que possuíssem o conhecimento das leis morais divinas e as praticassem, relegando os ignorantes e bárbaros ao inferno eterno; seja dando aos ignorantes e bárbaros de qualquer forma o paraíso, face à sua ignorância, devendo os outros, para chegarem à felicidade eterna, seguir todo um caráter moral de convivência com o próximo.
Outro caso interessante: o que ocorre com a criança que morre ainda em tenra idade? Imaginemos que tal criança deixe essa vida apenas alguns dias após seu nascimento. Deveria ela ir para o céu ou para o inferno?
Lógico é pensarmos que não irá para o inferno, pois sua alma, acabando de ser criada e vivendo encarnada por apenas alguns dias, não haverá cometido pecado algum. Então pensamos: deverá certamente ir para o paraíso eterno. Se assim o é, tal alma fora escolhida por Deus para ser salva. Não foi submetida a nenhum sofrimento que qualquer ser humano enfrenta em sua vida, tendo que ser forte para suportá-los sem desviar-se do bom caminho. Concebemos como justo e correto um pai que, a um filho, dá todas as condições de desenvolvimento: carinho, amor, suporte material, etc; e a outro despreza e humilha, sempre relegando-o a um plano inferior? Se um homem que assim agisse seria obviamente considerado injusto e sem caráter, como Deus poderia proceder desse modo? Deus não escolhe almas e as salva previamente. Deus não quer mais a você do que a alguém de um povo bárbaro que viveu há milhares de anos atrás, nem quer mais a uma criança que desencarna com alguns dias de vida do que você, que está aqui, suportando alguns sofrimentos dessa vida. Somos todos filhos Dele e Ele quer nosso bem igualmente.
O que dizer então nesses casos?
Devemos pensar que a real vida é a do espírito. O corpo morre e volta ao pó, a alma continua eternamente. Seria melhor ter vivido com o povo bárbaro em um tempo longínquo, tendo a salvação eterna garantida pela ignorância, ou viver agora, com todas as responsabilidades que o conhecimento que possuímos trás? Sabemos o quanto é difícil nos mantermos no caminho correto, com tantas dificuldades, tentações e violências do mundo atual...
A reencarnação é o produto da misericórdia infinita de Deus aliada a sua justiça suprema! Não se trata de um castigo, como muitos pensam, mas de uma segunda chance, como colocado no início. Uma chance que nos é concedida para que possamos sempre evoluir até atingirmos a perfeição que nossa natureza humana comporta. Aliado a isso, a reencarnação ainda corrige as injustiças, dando iguais possibilidades a todos.
É como em uma escola: se um aluno é reprovado, ele não é expulso, mas ganha uma nova chance no ano seguinte, sempre podendo contar com a assistência de seus professores.
Leia ainda: Por que não nos lembramos de outras vidas?
A reencarnação não está na Bíblia! Como pode ela existir?
(1) – Trecho do livro Missionários da Luz, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier

Versículo citado nesse texto
Mateus, 7:13
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Imortalidade da Alma e Reencarnação - Anariam Alves (+playlist)

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As Bodas de Caná - Jane Maiolo

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Amor A Grande Mensagem da Evolução Palestra Espírita com Simão Pedro F...

BRASIL CORAÇÃO DO MUNDO

VISÃO PRÁTICA DO PERDÃO

José Medrado - "A palavra tem peso" (13.08.13)

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Programa Visao Social (02_002) de 19.01.2014 - Apresentação José Medrado

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José Medrado: Palestra da "Noite dos Parceiros", na Cidade da Luz (17.12...

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José Medrado - Palestra: "Confiar e prosseguir" (05.11.2013)

José Medrado ´Palestra: "Há coisas em nossas vidas" (01.09.2013)

domingo, 4 de maio de 2014

José Medrado - Palestra: "Cultivo das aparências" (21.05.2013)

Programa Visão Social de 27.04.14 - TV Mundo Maior - apresentação José M...

José Medrado - Palestra de 15.10.13: "Hipervigilância" (em alta resolução)

José Medrado - Palestra: "Efeito Cascata" (28.05.2013)

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José Medrado - Pintura Mediúnica e Palestra: A força das energias... (15...

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Caridade, Assistencialismo e Promoção Social.

ESPIRITISMO COMENTADO
1

Jáder Sampaio
Saiu um homem ferido do meio da mata. Sem forças ele bateu no
casebre de Cristiano. Cristiano olhou ao redor. Ele morava na mata
fechada, não havia um serviço de saúde em um raio de vinte
quilômetros de distância. Cristiano havia feito um curso de técnico de
enfermagem e tinha uma caixa de primeiros socorros. Ele largou o que
fazia e, em nome da Caridade, socorreu aquele homem, limpou-o,
alimentou-o e ouviu sua história. No dia seguinte, revigorado, o homem
seguiu viagem e nunca mais voltou.
Cristiano mudou-se para um centro urbano chamado Cidadópolis. Ele
encontrou o homem que socorreu e foi um encontro muito feliz. O
homem morava na cidade e contou a seus amigos que havia sido
socorrido por Cristiano. Era um homem autônomo e vivia sua vida sem
passar por necessidades.
Cristiano ficou tão entusiasmado com o feito que resolveu convidar os
novos amigos para fundar um núcleo de caridade cristã. Neste núcleo
eles alimentariam e socorreriam a todos os que procurassem. Todos
ficaram entusiasmados com a idéia.
Cidadópolis era uma cidade com dezenas de milhares de habitantes e
com os problemas típicos de uma cidade deste porte. Muitas pessoas
não trabalhavam, algumas delas porque acreditavam que deviam ser
mantidas por outras, outras porque tinham uma profissão que aos
poucos vinha desaparecendo com as mudanças da modernidade,
algumas crianças passaram a viver na rua porque os pais batiam em
casa e elas não sabiam o que era pior: a violência da rua ou a violência
de casa.
A prefeitura de Cidadópolis, dentro dos recursos que tinha, mantinha
diversas ações para atender as necessidades dos cidadãos. Ela mantinha
alguns postos de saúde, um serviço de saúde da família, um restaurante
popular que vendia comida a baixo custo, escolas públicas, creches, um
albergue noturno no qual se podia jantar, dormir, banhar-se e tomar
café da manhã e muitos outros serviços.
Cristiano não conhecia os serviços da prefeitura de Cidadópolis nem as
deficiências deles. Ele e seus amigos começaram seu trabalho e
resolveram servir uma sopa diária e a fazer pequenos curativos em
pessoas que o procuravam. Eles se reuniam, faziam uma prece, eram
ESPIRITISMO COMENTADO
2
socorridos e iam embora. Aos poucos os atendidos foram comentando
de boca em boca e cada vez mais havia quem o procurasse. Cristiano e
seus amigos ora ficavam contentes com o que faziam, ora ficavam
cansados, ora faziam planos de crescimento e novas ofertas de serviços.
Um deles sugeriu ensinar Cristianismo aos atendidos.
Cidadópolis tinha um pequeno centro comercial e um núcleo industrial.
Os moradores de rua, os desempregados, a violência e o crime
preocupavam muito aos prósperos ou remediados comerciantes,
banqueiros e industriais. A fome, o crime e a violência incomodavam a
eles e aos seus empregados. Então resolveram fomentar programas de
responsabilidade social. Eles incentivaram ao voluntariado, lotaram
recursos para cursos de qualificação profissional, promoveram ações de
auxílio à criança e ao adolescente. Eles montaram uma biblioteca móvel
que ia de bairro em bairro emprestando livros. Alguns de seus
empregados ficaram sabendo do trabalho de Cristiano e se engajaram
nele. Uns poucos ficaram, muitos desistiram depois de algum tempo.
Cristiano tinha ouvido falar que uma indústria local fazia um programa
de responsabilidade social e ficou grato a Deus pela chegada de novos
voluntários ao trabalho, mas ele e seus amigos não sabiam o que os
banqueiros, comerciantes e industriais de Cidadópolis faziam pelos “seus
pobres” e resolveram construir algumas salas de aula para fazer cursos
rápidos de capacitação profissional.
Eram muitas as pessoas que procuravam o trabalho de Cristiano e ele
dava bom dia a todas elas, com um sorriso nos lábios, mas não as
conhecia. Pelo trabalho de Cristiano passavam muitas pessoas. Ele foi
ficando ocupado com o seu trabalho e não tinha tempo de conhecer o
que fazia a prefeitura, nem o que fazia os SESC e o SESI de sua cidade,
nem quais eram os programas de responsabilidade social. Ele também
não sabia o que acontecia com as pessoas que o procuravam, mas era
um homem de valores e continuava agindo em nome da Caridade, não
importava o custo pessoal.
Sucediam-se os verões e os prefeitos. Os órgãos de saúde pública,
educação, assistência e obras públicas passavam por dificuldades
diversas, mas os prefeitos e seus secretários não sabiam o que
acontecia ou não tinham recursos para melhorar. Um dos secretários
resolveu fazer um fórum permanente com os responsáveis pelos
serviços da prefeitura e os responsáveis pelos serviços voluntários
apoiados pela prefeitura. Cristiano não recebia verbas da Prefeitura,
então ninguém participou do fórum. Os que foram ao fórum pleitearam
trivialidades.
ESPIRITISMO COMENTADO
3
Os vereadores faziam projetos para colocar nomes em ruas, votavam o
que os prefeitos enviavam (alguns deles pensavam mais na reeleição e
no partido que na população) e usavam uma verba que tinham para
doar a instituições de caridade. Cristiano precisava reformar o seu
refeitório, mas não aceitou a verba de um vereador, porque ele queria
inaugurar aquela obra e fazer propaganda de sua imagem. Ele não sabia
quais eram as dificuldades dos órgãos públicos, nem como isto atingia
aos seus assistidos.
Cristiano contava com a ajuda de médicos voluntários, mas não tinha
assistentes sociais em sua obra. Os médicos atendiam, mas não tinham
como pedir exames. – Ah!!, pensavam eles, se estivessem em um
posto de saúde.... Eles tinham por retaguarda apenas uma farmácia
composta por doações e remédios de representantes de laboratórios,
que arrecadavam junto aos colegas. As pessoas que trabalhavam com
Cristiano o admiravam muito. Os empregados que ele veio a contratar
viviam a sua vidinha, com um salário pequeno, sem perspectivas de
futuro, mas, afinal, tinham um emprego.
A cidade ganhou uma universidade e ela criou um núcleo de estudo
sobre pobreza. Um pesquisador foi à obra de Cristiano e escreveu um
trabalho sobre ela, que Cristiano não leu. Ele passou a receber
questionários do governo e da Universidade que respondia, mas não
tinha acesso aos resultados. Os pesquisadores da Universidade recebiam
recursos de um órgão de fomento à pesquisa, eram independentes, mas
seus trabalhos falavam de teorias importantes que não eram bem
entendidas por Cristiano, nem pelo prefeito, muito menos pelos
empresários.
Como estava a vida dos que passavam pela obra de Cristiano? Elas
melhoravam de vida? Tornavam-se independentes? Os cursos que
faziam melhorava a renda da casa? As pessoas se emancipavam e
tornavam-se cidadãos solidários? Cristiano não sabia, a prefeitura não
sabia, os empresários não sabiam. Vez por outra ouviam alguma história
de sucesso e a contavam para todos.
Cristiano olhava satisfeito, certo de que cumpria a sua missão. Os
prefeitos olhavam satisfeitos, certos de que haviam feito uma grande
administração e que haviam realizado muitas obras. Os empresários
olhavam com orgulho, certos de que estavam fazendo algo pela
sociedade. E as pessoas atendidas? O que acontecia com elas? O que se
passava em sua cabeça? Ninguém sabia.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

CONSEQUÊNCIAS DO ESPIRITISMO

COMUNICAÇÃO

 Cleto Brutes

Allan Kardec, ao analisar os vários níveis de compreensão e vivência dos adeptos do Espiritismo, apresenta uma série de consequências para aqueles que, não se limitando apenas a observar os fenômenos, pelo estudo sério, faz da Doutrina Espírita um roteiro de vida.
A religiosidade. A primeira e mais importante consequência é no sentido de desenvolver um sentimento de religiosidade. A medida em que o homem entende que é um Espírito imortal, que está vivendo temporariamente uma experiência num corpo físico, temporal e perecível, passa a dar menos valor às questões transitórias, projetando seus interesses e seus esforços para o progresso espiritual. E, na proporção do progresso que realizar, mais se aproxima de Deus, objetivo principal de toda religião.
A resignação. Ao compreender que as provações da existência são experiências necessárias e impulsionadoras do progresso, o homem passa a se resignar diante das vicissitudes da vida. Ao entender de forma racional e lógica o motivo das dificuldades da vida terrena, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham.
Daí, mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos.
A aceitação das perdas. A crença na vida futura o leva a aceitar, sem queixa, nem pesar, uma morte inevitável, como coisa mais de alegrar do que temer, pela certeza do estado que lhe sobrevirá. A compreensão de que a vida não se extingue no túmulo e que os laços que o unem aos entes queridos que o antecederam no retorno ao mundo espiritual não se rompem com a morte, torna mais fácil aceitar as separações.
A certeza de um futuro, que temos a faculdade de tornar feliz, a possibilidade de estabelecermos relações com os entes que nos são caros, oferecem ao espírita suprema consolação.
A profilaxia contra o suicídio. Quando compreende que a encarnação é o remédio divino para amenizar as dores da alma, valorizará mais a vida e, por consequência, banirá a idéia de abreviar os dias da existência, porque a ciência espírita ensina que pelo suicídio sempre se perde o que se queria ganhar. O Espiritismo, ao apresentar os próprios suicidas informando a situação dolorosa em que se encontram no outro lado da vida, vem confirmar que pelo suicídio o homem chega a resultados opostos ao que esperava. Ao tentar fugir de um mal, incorrerá em outro muito pior, mais longo e penoso. Se esperava encontrar-se com os entes queridos, o suicídio é exatamente o obstáculo que o impedirá de revê-los.
A indulgência. Todos são iguais perante Deus e têm o mesmo
princípio e a mesma destinação, a felicidade. O erro é um estágio transitório e toda criatura, por mais perversa que possa parecer, na medida dos seus esforços, irá purificar-se.
Compreendendo assim, fica mais fácil para o homem sentir indulgência para com os defeitos alheios.
O esquecimento de si mesmo. Quando o homem passa a ver o seu semelhante como um companheiro de jornada, e não um concorrente, torna-se menos egoísta, passando a se ocupar mais com o seu semelhante. A abnegação em favor do outro, pelo esquecimento de si mesmo, constitucional de grande progresso.
É evidente que a adoção dos princípios espíritas não vai livrar o homem das experiências necessárias ao seu amadurecimento. Conviverá ainda um largo tempo com o fruto da semeadura equivocada e com suas imperfeições, pois vícios e equívocos, cultivados por muitos séculos, somente serão vencidos com o trabalho no bem, levado a efeito ao longo das encarnações. No entanto, a Doutrina Espírita, o Consolador Prometido por Jesus, torna o homem mais consciente, mais humano e, com a fé racional que desenvolve, transitará pelos caminhos da vida, com mais equilíbrio e com melhor proveito. Por isso, o convite ao estudo sério, regular e contínuo dos seus ensinamentos.



“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXII N° 389
FEVEREIRO 2009
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)


sábado, 16 de novembro de 2013

DEJÁ-VU: O REENCONTRO COM O PASSADO

CIÊNCIA



Dr. Ricardo Di Bernardi

O artigo apresentado pela revista Veja: “Quando o cérebro é o médico... e o monstro” na edição nº. 1962, nas páginas 66 até 76, é um tema que tem nos ocupado por demais nos últimos tempos. São pequenos transtornos da vida moderna que vão se acumulando e sem percebermos estamos à mercê de uma ‘pressa’, de um nervosismo, de uma irritação sem precedentes.
No texto extraído de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX, item 07(A Paciência), 3º §, página 127, encontramos os seguintes dizeres: “A vida é difícil, eu o sei; ela se compõe de mil nadas que são picadas de alfinetes que acabam por ferir... (UM ESPÍRITO AMIGO, Havre, 1862)”. No mundo conturbado em que vivemos, onde a lascívia, a tolerância ao errado e ao despudorado, assim como a indiferença com os nossos semelhantes, tornaram-se uma constância em nossa rotina, constatamos que para nos impormos temos que ter “atitude”, modificar nosso visual de forma agressiva, aparentar o tão sério e indiferentes que no íntimo não somos, tudo isso com o único propósito de sobrevivermos. Por outro lado, é importante ressaltar que esta mensagem foi recebida ainda no século XIX, todavia nunca se fez tão atual quanto agora, neste nosso mundo estressado.

Como se não bastassem estas referências, vejamos algumas situações do nosso cotidiano e então façamos uma rápida reflexão para ver se em algumas delas nós não estivemos envolvidos, tais como: nervosismo no trânsito, ansiedade com algum tipo de situação [o ente querido que ainda não retomou da rua; o salário que ainda não foi depositado; o preço ou a prestação daquele objeto cobiçado; aquele exame que não recebemos seu laudo ainda; a marginalidade que assola o mundo; dentre tantas outras situações].
Todas estas situações são fatores gerados por estresse. Desta forma, na conceituação do estresse, podemos afirmar que ele é um fator psicológico que se encontra por trás da maioria das doenças físicas. Um estressor é uma situação ou problema que requer um ajustamento que nos sobrecarrega. Uma vez que nos tornemos conscientes da situação ou problema tentamos lidar com ela por meio de resolução construtiva de problemas. Se o enfrentamento falha, a resposta de estresse é disparada.
A resposta de estresse tem tanto um componente psicológico (a ansiedade), como um componente fisiológico (a frequência cardíaca elevada). Podemos responder ao estresse com mecanismos de defesa que podem reduzi-lo, mas que não resolvem o problema subjacente (HOLMES, 1997, p. 357).
Nas últimas décadas, vários têm sido os processos no tratamento da redução do estresse. O conhecimento dos efeitos das cargas de trabalho, assim como dos períodos de descanso necessários para restaurar o equilíbrio biológico, o tratamento específico das formas de se viver e enfrentar estas situações estressantes, assim como a complexidade crescente das atividades contemporâneas fizeram que surgissem novas formas de organização estratégica, de planejamento e programação de métodos mais eficientes para se conviver com estas pressões.

É assim que vemos as mais variadas terapias, métodos de treinamento físico, políticas de empresas, dentre outras maneiras para que possam tentar viver dentro de uma relativa normalidade. (DANTAS, 1995, p. 20).
Todavia, quando não atentamos para aqueles fatores que podem gerar um excessivo e nocivo estresse, lá estaremos nós propensos ao desenvolvimento de: algumas moléstias cardiovasculares (AVe e hipertensão), as mais variadas formas de dores de cabeça, as úlceras, bem como àquelas indisposições relacionadas ao sistema imunológico, isto sem falar nos estados de espírito nocivos ao nosso campo mental, tais como irritações, ansiedades desnecessárias, depressões, estados de euforias, desesperanças, dentre outros, oferecendo oportunidades para a alteração de nosso campo vibratório e ficando à mercê de más influências que não se coadunem com o equilíbrio e a paz de espírito tão desejada.
DESENVOLVIMENTO
Durante o evangelho na casa de Pedro, quando este perguntou a Jesus quantas vezes deveríamos perdoar aos nossos adversários, Jesus lhe disse não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Esta recomendação, se apoiada na fisiologia do corpo e da mente, orienta-nos que não deveremos somatizar nenhum tipo de forma pensamento (ou seja, ficar ‘martelando por muito tempo na mesma tecla’), a fim de não produzirmos substâncias em excesso e desnecessários ao funcionamento do nosso organismo, tais como: a adrenalina, o colesterol, o cortisol, os radicais livres, glucocorticóides, dentre outros.
Nunca se fez tão atual as recomendações de Emmanuel, no livro “Palavras de Vida Eterna”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, nas páginas 157 até 164, quando ele aborda os seguintes temas: Pacifica Sempre; Olhos; Ouvidos, e Excesso, recomendando-nos sempre a busca do caminho da moderação, da tolerância, do equilíbrio e do bom senso moral, espiritual e consequentemente o físico.
Por outro lado, podemos constatar que Jesus é o exemplo vivo do dinamismo não se permitindo entrar na ociosidade ou no tempo perdido. No entendimento desta postura de Jesus, podemos constatar que Ele não se permitia ficar por muito tempo na contemplação do tempo perdido, ou na expectativa de que as situações se alterassem independentemente de sua atuação.
Na lida cristã encontramos o seguinte ditado:
“Ajuda-te que o Céu te ajudará”, que se formos operacionalizar esta mensagem, poderemos interpretá-la como a melhor forma de terapia para o espírito e a mente que se encontre com predisposições aos mais variados transtornos mentais, tais como: a depressão, o estresse, os transtornos obsessivos compulsivos, a ansiedade em excesso, o sentimento de ciúmes, a predisposição aos pensamentos de suicídio/homicídio, dentre outros.
Já desde a época que Jesus implantou o evangelho no lar, iniciado na casa de Pedro, Ele exemplificou que a melhor terapia para a mente e o espírito está no gasto energético de nossas forças físicas, desde que direcionadas para o bem, principalmente na ação de ajuda aos nossos semelhantes, conforme podemos atestar no item n.º 16, no livro “Jesus no Lar”, pelo espírito de Neio Lúcio, psicografado por Francisco Cândido Xavier, página 75 – “O Auxílio Mútuo”.
A ciência vem cada vez mais atestando que as situações de excessivo estresse, quando prolongadas poderão desenvolver, particularmente naquelas pessoas com baixa imunidade ou com tendências genéticas, o aparecimento de doenças tais como a “artrite reumatóide” e o próprio “câncer”.
Por outro lado, uma vida regrada tanto nos aspectos físicos, nos aspectos mentais, quanto nos aspectos morais são posturas que permitirão à pessoa ter adiado ou até mesmo anulado a ação do tempo no seu organismo físico, não permitindo o aparecimento destas doenças. Com isso não queremos afirmar que estaremos imunes à ação do tempo ou dos reajustes de vidas pretéritas.
Todavia poderemos amenizar a ação dos efeitos psicofisiológicos em nosso organismo, por meio de uma postura mental e espiritual equilibrada.
CONCLUSÃO
Quanto aos aspectos psicofisiólógicos, a ciência do mundo moderno tem cada vez mais ratificado o que Jesus no seu Evangelho veio nos oferecer há dois mil anos atrás, ou seja, as excessivas posturas mentais geradoras de estresse são nocivas primeiramente ao próprio espírito (ser Inteligente), à mente (órgão mediador entre o ser inteligente e o aparelho físico), assim como ao aparelho físico, resultando em diversas formas de desequilíbrio orgânico, alterando a produção hormonal, seja pelo aumento na produção de adrenalina, seja pela alteração do batimento cardíaco, da produção de cortisol, e de tantos outros hormônios que, em excesso, irão desestabilizar o organismo.
A ciência moderna recomenda as mais variadas terapias, todavia, num futuro não muito distante, com a reaproximação da ciência e da religião de Jesus Cristo, poderemos constatar, tanto no campo físico quanto no campo espiritual, que a postura do cristão vivenciada de acordo com o Evangelho de Jesus, será a melhor assepsia, e terapia preventiva como curativa para nossos corpos fisico-espirituais.


Bibliografia:
BACCELLI, Carlos A. O Evangelho de Chico Xavier. São Paulo: Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier”, 2000.
BISPO, Freimar Ferreira. A busca do estilo e da qualidade de vida no mundo atual. Dissertação de Mestrado em Psicologia, Saúde, Educação e Qualidade de Vida. Iowa, USA: American World University, 2002.
COOPER, Kenneth H. O Programa aeróbico para o bem-estar total exercícios, dietas, equilíbrio emocional. 3 ed. Rio de Janeiro: Editorial Nórdica, 1982.
DANTAS, Estélio H. M., Psicofisiologia. Rio de Janeiro: Shape, 2001.
HOLMES, David S. Psicologia dos transtornos mentais. 2 ed. Rio Grande do Sul: Artes Médicas, 2001.
KARDEC, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 160 ed. São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1993.
LÚCIO, Neio (Espírito). Jesus no Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15 ed. Distrito Federal: Federação Espírita Brasileira, 1987.
POLLOCK, Michael L., et al. Exercícios na saúde e na doença: avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação. Rio de Janeiro: Médica e Científica, 1986.
EMMANUEL (Espírito). Palavras de Vida Eterna. Psicografado por Francisco Cândido Xavier; 9 ed. Minas Gerais: Comunhão Espírita Cristã, 1986.


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 401
FEVEREIRO 2010
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)


domingo, 10 de novembro de 2013

Kardec Afirma

Em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”,
Questões 801 e 802.
Por que os Espíritos não ensinaram desde todos os tempos o que ensinam hoje?
— Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem o seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desfiguraram, mas que atualmente podem compreender.
Pelo seu ensinamento, mesmo incompleto, prepararam o terreno para receber a semente que vai agora frutificar.

Desde que o Espiritismo deve marcar um progresso da Humanidade, por que os Espíritos não apressam esse progresso através de manifestações tão gerais e patentes que pudessem levar a convicção aos mais incrédulos?
— Desejaríeis milagres, mas Deus os semeia a mancheias nos vossos passos e tendes ainda os homens que os negam.
O Cristo, ele próprio, convenceu os seus contemporâneos com os prodígios que realizou?
Não vedes ainda hoje os homens negarem os fatos mais patentes que se passam aos seus olhos? Não tendes os que não acreditariam, mesmo quando vissem?
Não, não é por meio de prodígios que Deus conduzirá os homens. Na sua bondade ele quer deixar-lhes o mérito de se convencerem através da razão.



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