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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FACULDADE MEDIÚNICA - DESENVOLVIMENTO OU EDUCAÇÃO

                                                                                                         Jefferson P. B. Tenorio

A mediunidade não deve ser fruto de precipitação nesse ou naquele setor da atividade doutrinária, porque em tal assunto a espontaneidade é indispensável, considerando-se que as tarefas mediúnicas são dirigidas pelos mentores do plano espiritual. (O Consolador, questão 384.)
Ensina Léon Denis que o homem tem de se submeter a uma complexa preparação e observar certas regras de conduta para desenvolver em si o precioso dom da mediunidade. É preciso para isso, simultaneamente, a cultura da inteligência, a meditação, o recolhimento e o desprendimento das coisas humanas.
Corre perigo quem se entrega sem reservas e cuidados às experimentações espíritas. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura pode daí recolher consolações inefáveis e preciosos ensinamentos; mas aquele que fosse inspirado tão somente pelo interesse material, ou que visse nesses fatos apenas uma ocasião de divertimento, tornar-se-ia objeto de uma infinidade de mistificações e joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando suas inclinações, captariam sua confiança para, mais tarde, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.
A faculdade mediúnica pode desenvolver-se com a prática da disciplina, do equilíbrio, da conduta reta e caridosa. (Moldando o Terceiro Milênio, pp. 37 e 38.)
A educação mediúnica exige, em primeiro plano, o conhecimento pelo estudo da mediunidade. A seguir, a educação moral e, como conseqüência, o exercício e a vivência da conduta cristã. Através dos hábitos salutares do estudo e do exercício do amor, o médium se libera de quaisquer atavismos para fazer-se ponte entre ele e o Criador, sob a inspiração dos Espíritos Superiores. (Diretrizes de Segurança, questão 102.)
Todos os dons mediúnicos são suscetíveis de desenvolvimento, mas nada se conseguirá se faltarem as principais condições, que são o trabalho e a perseverança, ao lado do estudo, do exercício, da calma e da boa vontade. (Médiuns e Mediunidade, p. 44.)
O melhor meio de desenvolver a mediunidade é não se preocupar com o seu desenvolvimento, mas preparar-se moral e mentalmente para poder assumir o compromisso de se tornar médium desenvolvido. E esse preparo não poderá ser rápido. Se a mediunidade não se apresentar assim, espontaneamente, naturalmente, é sinal de que ainda não está amadurecida o bastante para explodir. (Cânticos do Coração, Volume II, p. 105.)
A faculdade mediúnica precisa ser controlada, educada, e o seu possuidor reformado em seus defeitos, pois quanto mais moralizado, mais sensato e criterioso ele for, melhor instrumento do Além se fará, porque mais assistido pelas entidades esclarecidas e defendido das intromissões das trevas e liberado, portanto, de empeços. É, pois, de bom conselho repetir a todos os médiuns: reeduquem-se, combatam seus vícios, inclusive os mentais, aprendam a ser bons, evangelizem-se todos os dias, sejam amigos do bons livros educativos, procurem Deus através da prece. A evangelização do caráter de um médium é, pois, a sua salvação, o amparo celeste iluminando o seu carreiro na trilha da redenção. (Cânticos do Coração, Volume II, pp. 93 e 94.)
O médium deverá estudar a Doutrina Espírita e o Evangelho, diariamente, evitando o fanatismo pelas obras mediúnicas e meditando criteriosamente sobre as clássicas. (Cânticos, v. II, p. 109.)
O desenvolvimento da mediunidade, na essência, deve ser o burilamento da criatura em si, porque o aperfeiçoamento do instrumento naturalmente permitirá ao Espírito manifestar-se em melhores condições. (Chico Xavier em Goiânia, pergunta 23.)
Necessidades do Médium
O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo. Com freqüência, é o personalismo, a ambição, a ignorância ou a rebeldia no desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho, que, não raro, o conduzem à invigilância, à leviandade e à confusão dos campos improdutivos. (O Consolador, questão 410.)
O segundo inimigo poderoso do apostolado mediúnico situa-se no próprio seio das instituições espíritas, quando o indivíduo se convenceu quanto aos fenômenos, mas não se converteu ao Evangelho pelo coração e traz para as fileiras do Consolador os seus caprichos pessoais, as suas paixões inferiores, suas tendências nocivas. Falam da caridade, humilhando todos os princípios fraternos. Irônicos, acusadores, procedem quase sempre como crianças levianas e inquietas (O Consolador, questão 410.)
A primeira necessidade do médium é, em vista disso, evangelizar-se a si mesmo, antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois de outro modo poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão. (O Consolador, questão 387.)
O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação. Somente assim poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada. (O Consolador, questão 392.)
Antes de cogitar da doutrinação dos outros, encarnados ou desencarnados, o médium sincero necessita compreender que é preciso a iluminação de si próprio pelo conhecimento, pelo cumprimento dos deveres mais elevados e pelo seu esforço na assimilação perfeita dos princípios doutrinários, sem jamais descuidar-se da vigilância. O estudo da Doutrina e o cultivo da auto-evangelização devem ser para ele ininterruptos. (O Consolador, questão 409.)
Como sabemos, a alma exerce sobre os Espíritos uma espécie de atração, ou repulsão, conforme o grau de semelhança existente entre eles. Como os bons têm afinidade com os bons, e os maus com os maus, segue-se que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam.
A boa qualidade de um médium não está, pois, apenas na facilidade das comunicações. Um bom médium é o que simpatiza com os bons Espíritos e não recebe senão boas comunicações. (Revue 1859, p.3.)
Ensina o Espiritismo que as qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são:
I. a bondade
II. a benevolência
III. a simplicidade do coração
IV. o amor ao próximo
V. o desprendimento das coisas materiais.
Os defeitos que os afastam dos indivíduos são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria. E de todas as disposições morais, a que maior entrada oferece aos Espíritos imperfeitos é o orgulho, que muitas vezes se desenvolve no médium à medida que cresce a sua faculdade. Esta lhe dá importância. (Revue 1859, p. 36.)
Os médiuns necessitam ter muita persistência, muita paciência, muita perseverança nas reuniões e nos estudos, para melhor se relacionarem com o Mundo Invisível. (Médiuns e Mediunidade, p. 75.)
O médium eficiente será, pois, do ponto de vista espiritual, aquele trabalhador que melhor se harmonizar com a vontade do Pai Celestial, cultivando as qualidades citadas e destacando-se pelo cultivo sincero da humildade e da fé, do devotamento e da confiança, da boa vontade e da compreensão.
A faculdade mediúnica é neutra em si mesma. O uso que o homem faz dela é o que importa. Ao empregá-la, podemos nos harmonizar com os bons Espíritos ou relacionar-nos com os maus. A sintonia é, dessa maneira, fundamental na prática mediúnica.
Eis o que três vultos da Codificação revelaram (LM., cap. 31, itens XIII a XV):
“Quando quiserdes receber comunicações de bons Espíritos, importa vos prepareis para esse favor pelo reconhecimento, por intenções puras e pelo desejo de fazer o bem, tendo em vista o progresso geral.” (Pascal.)
“Falar-vos-ei hoje do desinteresse, que deve ser uma das qualidades essenciais dos médiuns, tanto quanto a modéstia e o devotamento. (...) Não é racional se suponha que Espíritos bons possam auxiliar quem vise satisfazer ao orgulho ou à ambição.” (Delfine de Girardin.)

“Todos os médiuns são, incontestavelmente, chamados a servir à causa do Espiritismo, na medida de suas faculdades, mas bem poucos há que não se deixam prender nas armadilhas do amor-próprio. (...) Lembrem-se sempre destas palavras: Aquele que se exalçar será humilhado e o que se humilhar será exalçado.” (O Espírito de Verdade.)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

FIDELIDADE A KARDEC


Walter de Moraes Fontes

“Quanto a mim, este é o meu concerto:
Diz o Senhor: o meu espírito está sobre ti e as minhas palavras, que pus na tua boca não se desviarão da tua boca, nem da boca da tua posteridade, desde agora e por todo o sempre.“ Isaias: 59:21

O concerto, a aliança, a que desde Moisés os Profetas se referiam, era o pacto de fidelidade e de respeito ao ensino que eles recebiam dos espíritos e transmitiam ao povo.

O profeta Isaias, médium psicofônico, vidente e clarividente, desde a sua puberdade, várias vezes citado por Jesus, recomendava ao povo cautela quanto à evocação dos mortos, não como proibição, mas para que aquilatassem se as revelações dos manifestantes não se desviavam dos princípios que Jeová lhes transmitiu, precatando-se assim contra a falsidade e a contradição.

Fazia tal advertência porque o povo passou a ser influenciado pelas crendices místicas e pelas superstições introduzidas no seu meio pelos invasores Assírios, afeitos à idolatria, à crendice e à magia.

Isaias era um austero defensor do Javismo, a Nova Revelação, nascida da extraordinária mediunidade de Moisés, que se opunha à herança das crendices mágicas do passado dos hebreus e das que os influenciaram no Egito onde se mantiveram como autênticos escravos reduzidos a condições humilhantes durante mais de quatro séculos. (Ex.12:40)

Emmanuel, pela psicografia do nosso saudoso Chico Xavier, referindo-se às formas primitivas da mediunidade que geraram as crendices populares acerca da origem dos males e das formas mágicas que supostamente poderiam afastá-los, as conceitua como “mediunismo”.

O “mediunismo”, forma rudimentar da manifestação mediúnica, misturava as estranhas e até então inexplicáveis manifestações espirituais, quase sempre provocadas por entidades de condição atrasada, às primitivas práticas religiosas, às simplórias crenças populares e às superstições milenares.

Afinal, como declaram os sociólogos, os antropólogos, os arqueólogos e pesquisadores: das experiências primitivas da magia e da mística é que surgiram as primeiras formulações religiosas.

Como ressalta Kardec, o Espiritismo não pode ser confundido, nem encarado, menos ainda misturado ou agregado às milenares superstições criadas pelas empíricas formulações religiosas, resultantes do “mediunismo”, segundo o conceito de Emmanuel.

Como adverte Kardec, ao abordar o tema dos Caracteres da Doutrina, no livro A GÊNESE:

“O Espiritismo fez derrocar o império do maravilhoso e do sobrenatural, fonte da maior parte das superstições”.

As práticas e crenças supersticiosas, aceitas pela crendice em supostos favores materiais que se pretendem obter dos espíritos (normalmente zombeteiros), representam um retrocesso evolutivo que, já ao tempo de Isaias, há mais de 2600 anos, eram condenadas.

O móvel de tais condutas é o apego do homem aos interesses mundanos e o seu desejo de vencer com maior facilidade e inexistente segurança, pela proteção espiritual oferecida por espíritos de condição inferior.

Inadvertido, o homem entrega-se ao atavismo da religiosidade mágica e por fanatismo serve-se do “mediunismo” irresponsável, obtendo, quase sempre o que quer ouvir, mas obtêm, somente, a palavra da mistificação de espíritos que zombam da sua credulidade, como adverte Kardec. (LM. -XXIIV- Nota).

Erasto, discípulo de Paulo, que o ajudou na escrita das Epístolas em Corinto, onde exercia o cargo de administrador da Cidade, participando da elaboração do Livro dos Médiuns, escreveu a seguinte instrução:

“Os médiuns levianos e pouco sérios atraem espíritos da mesma natureza, por isso suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, idéias truncadas, não raro muito heterodoxas,” - contrárias à Doutrina. (LM. 230).

Assevera Kardec: os que: “Buscam um espírito qualquer” – aventuram-se à obsessão - “diversos foram punidos da presunção de se julgarem bastante fortes –” com anos de obsessão de toda a espécie, pelas mais ridículas mistificações e por uma fascinação tenaz – e pelas mais cruéis decepções.”

Desconsiderando os ensinos de Kardec surpreendemos com tristeza alguns médiuns mal informados ensinando a través de suposta aula de espiritismo para jovens os “segredos do zodíaco”, sem ter lido o seu Livro sobre A Gênese.

No capítulo V de A Gênese (12) acentua Kardec – que foi professor de astronomia como Prof. Rivail -:

“Os agrupamentos – de estrelas e astros - aos quais foi dado o nome de constelações, não são senão aparentes amontoados, causados pelo seu afastamento; suas figuras são efeito de perspectiva... para se distinguirem têm recebido nomes como: Leão, Touro, Gêmeos, Capricórnio, etc. A crença na influência das constelações, sobretudo aquelas que constituem os doze signos do zodíaco provém da idéia associada aos nomes que elas receberam.”

Abdicando da sua natural seriedade no trato dos assuntos espíritas, arremata como a irônica observação de que, se em vez de “... Leão tivesse sido denominada ( constelação) jumento ou ovelha, certamente lhe teria sido atribuída uma influência totalmente diversa.”

Não foi a leviandade, a presunção, a fascinação que os espíritos nos ensinaram pela psicografia dos missionários médiuns que ajudaram o Prof. Rivail a registrar as leis da vida espiritual, mas o estudo sério da doutrina que puseram na nossa consciência.

Utilizando a linguagem de Isaias, anote-se que “o nosso concerto com os Abnegados Espíritos que nos legaram a Abençoada Doutrina Codificada por Kardec é o de que “o espírito de suas palavras não se desviarão , nem da tua boca, nem da tua posteridade”.

Tratando da Perpetuidade do Espiritismo na Revista Espírita de fevereiro de 1865, declarou Kardec: “O Espiritismo é inamoldável – indeformável – e não se afastará da verdade.”

Fidelidade a Kardec é o nosso concerto.


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 400
JANEIRO 2010
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)