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terça-feira, 24 de maio de 2016

ESTUDO EVANGÉLICO 50 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - TEMA: "No Solo do Espírito"


Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

ESTUDO 50



"No Solo do Espírito"


"E outra caiu em boa terra e deu fruto; um a cem, outro a
sessenta e outro a trinta."
 - Jesus
(MATEUS, 13:8)

Emmanuel se baseia na "Parábola do Semeador" para desenvolver o tema desta lição e transfere a imagem para o solo do Espírito, que representa a condição moral e intelectual de cada um, no qual encontramos todos os tipos de terrenos espirituais, ou seja, homens - espinheiros, homens - parasitas, homens - calhaus, homens – superficiais, homens - venenos, etc., mas, também, homens - searas, que trazem consigo o solo produtivo do caráter reto, que sabem acolher as sementes do conhecimento superior, produzindo as colheitas do bem para o próximo.

A Parábola do Semeador resume o caráter, o feitio moral de cada Espírito, ao mesmo tempo em que ensina como distingui-los pela maneira como recebem os ensinamentos espirituais.

Pelo modo de agir vemos aqueles que, diante dos ensinamentos de Jesus, são "beiras de caminho" os quais passam todas as idéias grandiosas sem gravar nenhuma delas, são "pedras" impenetráveis às novas idéias; são espinhos que sufocam o crescimento de todas as verdades, como plantas espinhosas que matam os vegetais que tentam crescer a sua volta.

A "semente" representa os ensinamentos de Jesus, que são sempre os mesmos ensinados em toda parte, desde que o homem se achou em condições de recebê-los.

Se as propostas de aperfeiçoamento não agem com a mesma eficácia em todos, é por causa da variedade e da desigualdade de Espíritos que existem na Terra, uns adiantados, outros atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos.

Na parábola, o semeador não semeou apenas em terra propícia, mas, em diversos tipos de terreno. Simboliza a misericórdia de Deus oferecendo oportunidade a todos os seus filhos, pois, os ensinos de Jesus não foram dirigidos para um grupo específico, mas, para todos sem distinção, porque são universais.

Como temos liberdade para escolher, a frutificação ou não da semente não depende do Semeador, e sim de cada um de nós.

Emmanuel convida a que façamos um exame, através da meditação, e será fácil reconhecermos que espécie de terreno estamos sendo.


Maria Aparecida Ferreira Lovo
Setembro / 2005

MATEUS 13
8 Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.

Centro Espírita Batuira

cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)

#16 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO II: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO ITEM 5: O PONTO DE VISTA

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – XVI

CAPÍTULO II: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

ITEM 5: O PONTO DE VISTA


Os raciocínios apresentados por Allan Kardec, neste estudo, são importantíssimos para o entendimento da importância da certeza da vida futura no viver do homem na Terra. Todo o ensino de Jesus, centrado no reino de Deus a ser desenvolvido no interior de cada um, só pode ser entendido com a existência da vida futura, além da morte, comprovada por Jesus nas suas aparições após a crucificação.

Esta realidade espiritual, a que Hermínio C. Miranda chamou de mensagem esquecida, “com tudo o que nela está implícito e explícito”, no seu livro “Cristianismo, A Mensagem Esquecida” precisa ser refletida, analisada para ser entendida e aceita, porque sem ela a vida na Terra seria sempre um vale de lágrimas e o homem um ser angustiado e sem rumo, por viver percebendo sempre apenas o presente, o que o leva a pensar somente em si, no que lhe traz prazer e felicidade. Os outros são os outros...

Todo aquele que vê somente a vida presente ou aquele que duvida da vida futura só pode colocar seus pensamentos, seus sonhos, seus objetivos nas coisas terrenas, nos seus valores, nos seus prazeres. Então, ser feliz se constitui no ter, no conquistar coisas que o valorizem a seu olhos e, quase sempre, aos olhos dos outros. Trabalha então com toda sua inteligência, todo seu potencial intelectual na obtenção desses valores. Coloca enfim sua felicidade em coisas exteriores a ele, permanecendo sempre insatisfeito, porque sempre há algo que não possui ou não usufrui.

Da mesma forma, qualquer perda, por menor que seja, lhe traz contrariedades e sofrimentos. Vive então, sempre ansioso, em estado de defesa, sempre alerta e desconfiado.

Não é feliz, tem apenas momentos fugazes de felicidade. Analisa todos os acontecimentos, as situações, as ações e reações dos outros, segundo sua visão de vida única e findável e assim, tudo fica muito grande, tudo adquire uma importância exagerada.

O médico não atendeu, prontamente, seu filho:” - Vou processá-lo.” A comida estava um tanto fria, xingamentos ou agressão silenciosa, saindo da mesa.

Geralmente são exigentes consigo e com os outros, não admitindo erros, enganos. Embora se considerem pessoas fortes, são frágeis nas adversidades, nas doenças, nas mortes de entes queridos... 

Como tudo muda com a aceitação consciente e racional da vida futura! Entende-se estar na Terra apenas por determinado tempo, procura-se perceber as coisas boas, belas e úteis que nela existem, que fazem bem, a si próprio e a todos. As contrariedades e as dificuldades são todas passageiras, devendo ser solucionadas ou aceitas, dando-lhes a importância que têm, valorizando sempre e mais as boas e úteis.

Vive-se na Terra por tão pouco tempo! A vida terrena passa tão depressa que não vale a pena perder tempo com coisas que exigem apenas entendimento para solucioná-las.

Precisa-se apenas do necessário para a sobrevivência, para o conforto, para o laser... Precisa-se muito da convivência com os outros, do prazer de amar e ser amado, do trabalho em conjunto, da amizade, da tolerância e da paciência alheia e quem exagera a importância das coisas materiais, não tem tempo para perceber e satisfazer as necessidades espirituais suas e dos outros. 

Com a vida futura, a morte desaparece, perde-se por algum tempo a presença material do ser amado, mas a vida continuando, sempre haverá o reencontro amoroso e feliz!

Os problemas, as dificuldades, os equívocos são vistos como conseqüências naturais do processo evolutivo de um mundo também em evolução, devendo, portanto, ser analisados e resolvidos sem criar novos e mais sérios problemas. São vistos e percebidos nas suas reais dimensões, sem exageros de importância, o que propicia condições de serem resolvidos com soluções adequadas e definitivas.
Há, pois, duas maneiras de se analisar o viver na terra, dois pontos de vista iniciais: o material e o espiritual e da escolha de um deles, depende a nossa paz interior.

Partindo-se do primeiro, a análise será sob a visão de algo muito pobre e pequeno, baseado na percepção de um mundo difícil, caótico, violento, injusto, desigual, no qual se nasce sem pedir e sem querer, sonha-se, luta-se para sobreviver, para conseguir determinadas coisas consideradas importantes para a felicidade, casa-se, têm-se filhos, aprende-se muito, envelhece-se e, se angustia sabendo que a morte vai chegar e tudo se findará.

Partindo-se do ponto de vista da vida futura, além da morte, tudo ganha um sentido diferente. Aqui estamos para desenvolver nosso potencial intelectual e moral, e devemos usar os recursos que a Terra nos oferece para sermos o mais feliz possível, respeitando também o direito dos demais de também serem felizes. Ainda mesmo quando não se tem certeza de como essa continuidade de vida se processa, ainda assim a vida na Terra demonstra ter um sentido, uma finalidade e, tudo passa a ter causas e efeitos, nada sendo aleatório. 

O aceitar-se a vida futura torna a pessoa mais responsável pelos seus atos, tanto em relação a si mesmo como em relação aos outros; estimula o homem a procurar viver melhor com seus semelhantes, a desempenhar suas funções de forma a contribuir para o bem estar de todos, pois percebe melhor a dependência que temos uns dos outros, para sentirmo-nos mais felizes. 


Leda de Almeida Rezende Ebner 
Setembro / 2002


Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

ESTUDO 66 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XVI - MÉDIUNS ESPECIAIS - Item 189 Variedades especiais para os efeitos físicos – Médiuns motores, para translação e suspensão.

O LIVRO DOS MÉDIUNS

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

Por
ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO XVI

MÉDIUNS ESPECIAIS 


Estudo 66 - Item 189 Variedades especiais para os efeitos físicos – Médiuns motores, para translação e suspensão.

Relembramos que a mediunidade apresenta infinitas variedades de expressão e que a divisão dos médiuns em médium de efeitos físicos e de efeitos inteligentes é aplicada para facilitar o nosso entendimento. Recordamos ainda, que a mediunidade de efeitos físicos se expressa através de médiuns considerados especiais, que são aptos a produzirem fenômenos que se traduzem por efeitos sensíveis aos órgãos dos sentidos, tais como, ruídos, movimentos, deslocamentos de corpos sólidos. Para que tais efeitos se processem, é necessária a intervenção de um ou mais médiuns especiais que por efeito de sua constituição, possibilitam maior emanação de fluido animalizado, mais ou menos fácil de combinar-se com o fluido universal, com os fluidos próprios do plano dos Espíritos, com os quais, por ação da vontade dão vida factícia ou momentânea a determinados objetos, produzindo os fenômenos citados anteriormente.

Mediunidade motora: a que produz movimentos dos corpos inertes. Sob sua ação os objetos se movem, se erguem, reviram dão saltos, giram com violência, oscilam e continuam a mover-se em todos os sentidos, sem contato. Às vezes o objeto retorna suavemente à posição inicial, outras vezes mantêm-se equilibrado no espaço sem nenhum ponto de apoio, eleva-se até o teto ou despenca violentamente e quebra-se, provando aos que presenciam a cena que não há ilusão. Recordemos o exemplo do sr Home que, para provar que não havia ilusão, enquanto suspenso fez marca de lápis no teto e pediu que pessoas passassem por baixo dele.

Mediunidade para translação e suspensão: os efeitos são exteriorizados por translação aérea, isto mudar de um lugar para outro, e a elevação de corpos inertes no espaço, sem ponto de apoio. Entre eles há os que podem elevar-se a si mesmos, Os primeiros são raros e os últimos raríssimos. Os livros Levitação e Levitação do corpo humano de Abert de Rochas aprofundam o assunto e o sr Home, acima citado, enquadra-se também nessa modalidade. Ver os itens de 75 s 80 de O Livro dos Médiuns.

Mediunidade para efeitos musicais: provoca a execução de composições em certos instrumentos de música sem contato com estes. Muito raros. As teclas se abaixam e tangem as cordas do piano, por exemplo, obedecendo-lhes a vontade. Transcrevemos texto de O Livro dos Médiuns, item 74 – 24: “(...) quando o Espírito movimenta as teclas com os dedos ele o faz realmente. Mas não é pela força muscular que ele faz a pressão. Ele anima a tecla, como faz com a mesa, e a tecla obedece à sua vontade e vibra a corda. Neste caso também ocorre um fato de difícil compreensão para vós. É que certos espíritos são ainda tão atrasados e de tal forma materiais, em comparação com os Espíritos elevados, que conservam as ilusões da vida terrena e julgam agir como quando estavam no corpo. Não percebem a verdadeira causa dos efeitos que produzem, como um pobre homem não compreende a teoria dos sons que pronuncia. Se perguntares como tocam piano, dirão que com os dedos, pois assim creem fazer. Produzem de maneira instintiva, sem o saberem, e não obstante pela sua vontade. Quando falam e se fazem ouvir é a mesma coisa.

Continuaremos estudando variedades especiais de médiuns para os efeitos físicos no próximo estudo.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI - 2ª Parte

BIGHETTI, Leda Marques – Educação Mediúnica “Teoria e Prática” 1º volume: 1.ed Ribeirão Preto: BELE, 2005 – pág 160 e 161
             

Tereza Cristina D'Alessandro
Março / 2007


Centro Espírita Batuíra
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto - SP



domingo, 22 de maio de 2016

Céu inferno_061_2ª parte cap. V - Suicidas - Mae e filho

Céu inferno_061_2ª parte cap. V - Suicidas - Mae e filho

RESUMO PARA ESTUDO

Em março de 1865, o Sr. M. C., negociante em pequena cidade dos arredores de Paris, tinha em sua casa, gravemente enfermo, o mais velho dos seus filhos, que contava 21 anos de idade. Este moço, prevendo o desenlace, chamou sua mãe e teve forças ainda para abraçá-la. Esta, vertendo copiosas lágrimas, disse-lhe: "Vai, meu filho, precede-me, que não tardarei a seguir-te." Dito isto, retirou-se, escondendo o rosto entre as mãos. (...) Morto o doente, procuraram-na por toda a casa e foram encontrá-la enforcada num celeiro. O enterro da suicida foi juntamente feito com o do filho.

Evocação deste, muitos dias depois do fato:

P. Sabeis do suicídio de vossa mãe, em consequência do desespero que lhe causou a vossa perda? R. Sim, e, sem o pesar causado por essa fatal resolução da parte dela, julgar-me-ia completamente feliz. (...)

Evocação da mãe. - R. Quero ver meu filho. Tendes o poder de dar-mo?

(...) Deus não é justo; não é o Deus das mães, não lhes compreende as dores e desesperos... E quando me dava a morte para me não separar de meu filho, eis que novamente mo roubam! ... Meu filho! meu filho, onde estás?

Evocador. - Pobre mãe, compartilhamos da vossa dor. Buscastes, no entanto, um triste recurso para vos reunirdes ao vosso filho: - O suicídio é um crime aos olhos de Deus, e deveis saber que Deus pune toda infração das suas leis. A ausência do vosso filho é a vossa punição.

Ela. - Não; eu julgava Deus melhor que os homens; não acreditava no seu inferno, porém cria na reunião das almas que se amaram como nós nos amávamos... (...)

Evocador. - Vamos, acalmai o vosso desespero; considerai que, se há um meio de rever vosso filho, não é blasfemando de Deus, como ora o fazeis. Com isso, em vez de atrairdes a sua misericórdia, fazeis jus a maior severidade. (...)

Evocador. - Vosso filho não está perdido para sempre; certo tomareis a vê-lo, mas é preciso merecê-lo pela submissão à vontade de Deus, ao passo que a revolta poderá retardar indefinidamente esse momento. Ouvi-me: Deus é infinitamente bom, mas é também infinitamente justo. Assim, ninguém é punido sem causa, e se sobre a Terra Ele vos infligiu grandes dores, é porque as merecestes. A morte de vosso filho era uma prova à vossa resignação; infelizmente, a ela sucumbistes quando em vida, e eis que após a morte de novo sucumbis; como pretendeis que Deus recompense os filhos rebeldes? A sentença não é, porém, inexorável, e o arrependimento do culpado é sempre acolhido.
(...)

Nota - A morte, mesmo pelo suicídio, não produziu neste Espírito a ilusão de se julgar ainda vivo. Ele apresenta-se consciente do seu estado: - é que para outros o castigo consiste naquela ilusão, pelos laços que os prendem ao corpo. Esta mulher quis deixar a Terra para seguir o filho na outra vida: era, pois, necessário que soubesse aí estar realmente, na certeza da desencarnação, no conhecimento exato da sua situação. Assim é que cada falta é punida de acordo com as circunstâncias que a determinam, e que não há punições uniformes para as faltas do mesmo gênero.


QUESTÕES PARA ESTUDO

1. No que consistiu o grande engano desta mãe?

2. Por que ela, ao contrário de outros suicidas teve consciência imediata de seu desencarne?

3. O que precisará fazer esse espírito, em relação a si mesmo, para reverter seu ato negativo?

4. qual sua interpretação para a seguinte afirmação: "Assim é que cada falta é punida de acordo com as circunstâncias que a determinam, e que não há punições uniformes para as faltas do mesmo gênero"?

Conclusão:

No que consistiu o grande engano desta mãe?

Este espírito acreditou que provocando seu desencarne poderia ficar junto ao filho e, assim, continuar no seu cuidado. Por ignorância não sabia que, cometendo essa falta, estaria se distanciando do filho.

  
2. Por que ela, ao contrário de outros suicidas, teve consciência imediata de seu desencarne?

Para que pudesse ter consciência do equívoco que cometera, sendo que esta circunstância passa, então, a fazer parte de seu aprendizado.

 3. O que precisará fazer esse espírito, em relação a si mesmo, para reverter seu ato negativo?

Elevar-se pelo arrependimento sincero e pelo desejo de reformar-se através do conhecimento das Leis Divinas e a submissão a essas leis.

 4. qual sua interpretação para a seguinte afirmação: "Assim é que cada falta é punida de acordo com as circunstâncias que a determinam, e que não há punições uniformes para as faltas do mesmo gênero"?


Toda falta é punida pelo motivo que levou o espírito a executá-la, ou seja, a cada ação nossa advém uma reação ou consequência da qual não podemos fugir, mas que terá a proporção da motivação e/ou da intenção do espírito.

Aos que se vão

Aos que se vão

Pai, escolhestes esta hora para levar este 
espírito novamente para junto de Vós.

Pedimos Senhor, que lhe dê um despertar 
sereno, que esta alma aceite a Vossa 
Santíssima vontade sem revolta, 
compreendendo que retornar ao verdadeiro 
lar é Ter cumprido na Terra a missão que 
lhe havia sido confiada.

Daí o Vosso perdão e Vosso amor a 
esse que nos deixa;
Recebei-o em Vosso regaço como se ainda 
fosse uma criança, para que ele não se sinta 
só. Permiti, Pai, que Vossos mensageiros 
possam prestar o auxilio tão precioso, dando 
a compreensão necessária, a fé e a luz 
para que este espírito encontre o seu 
verdadeiro caminho. Que, ao despertar, 
saiba confiar a Vós a guarda daqueles que 
amou e deixou na Terra.
Pai, envolvei este espírito com todo nosso 
amor e daí a ele a Vossa paz.

Que assim seja.


Marina C. Cruz

sábado, 21 de maio de 2016

A PRECE PARA OS CRIMINOSOS

A Prece para os Criminosos

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier - 148 Ramiro Gama

Nossa Irmã Maria José acercou-se do Chico na ocasião em que lhe contávamos os benefícios usufruídos pelos penitenciários do Distrito Federal com as visitas que lhes vêm fazendo, aos domingos, pela manhã alguns diretores da Federação Espírita Brasileira.

A conversão de muitos Irmãos detentos à nossa Doutrina tem sido permanente, segura e confortadora. No final, quase sempre, cabe a um dos presos, em meio do pranto e do arrependimento, orar, agradecendo a Deus as graças recebidas. E nossa irmã atenta aos nossos comentários, indaga do querido médium:

- Se a prece representa um estado de alma pura, como poderá tê-lo o criminoso? Vale alguma coisa, aos olhos de Deus, a oração dos delinqüentes?

E o prestativo servidor, em dia com os assuntos santos do Senhor, ajudado pelos seus esclarecidos mentores espirituais justifica:

- A prece de um criminoso, por ser a de um irmão faltoso, vale muito quando feita com arrependimento sincero. Numa prisão acham-se encarnados e desencarnados, algozes e vítimas, ligados pelos laços do Amor de Deus. E, quando, dentre eles, um se mostra arrependido do mal que fez e, ajoelhando a alma, ora ao Pai, na linguagem do coração, na sinceridade e na humildade, com vontade de ressarcir suas faltas, uma surpresa aponta no íntimo dos outros colegas e todos acabam envolvidos na Resposta do Criador, que é sempre algo de incentivo de Seu Amor e de Suas Bênçãos! Via de regra, depois de uma Prece assim feita entre almas dormidas, fechadas, endurecidas no crime, algumas acordam para a realidade do Roteiro cristão, sentindo os remorsos primeiros, dando os primeiros passos em prol de sua redenção.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A PRIMEIRA SESSÃO

A PRIMEIRA SESSÃO 

De princípios de 1920 a 1927, Chico não mais conseguiu avistarse pessoalmente com o  Espírito de Dona Maria João de Deus. 

Integrado na comunidade católica, obedecia às obrigações que lhe eram indicadas pela  Igreja.  Confessava-se,  comungava,  comparecia  pontualmente  à  missa  e  acompanhava  as  procissões.
Terminara o curso primário no Grupo Escolar São José, de Pedro Leopoldo em 1923,  levantandose às seis da manhã para começar às sete as tarefas escolares e entrando para o serviço  da fábrica às três da tarde para sair às onze da noite.  O trabalho, porém, era exaustivo e, em 1925 deixou a fábrica, empregando-se na venda  do Sr. José Felizardo Sobrinho, onde o trabalho ia das seis e meia da manhã às oito da noite, com o  salário de treze cruzeiros por mês. Entretanto, continuavam as perturbações noturnas.  Depois de dormir, caía em transes surpreendentes. Perambulava pela casa, falava em voz  alta, dava notícias de pessoas que sofriam no Além, mantinha longas conversações, cujo fio era  impenetrável aos familiares aflitos. 

Em 1927, porém, eis que a sua irmã D. Maria da Conceição Xavier, hoje mãe de família,  cai doente.
Era um doloroso processo de obsessão. 
Tratada carinhosamente pelo confrade Sr. José Hermínio Perácio, que atualmente reside  em Belo Horizonte, a jovem curou-se. 
Foi assim que se realizou a primeira sessão espírita no lar da família Xavier, em Pedro  Leopoldo. Perácio, na direção, pronunciava vibrante prece.

 Na mesa, dois livros. Eram eles O  EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO e O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec. 
O Espírito de Dona Maria João de Deus comparece e grafa longa mensagem aos filhos  presentes, através da médium D. Carmem Pena Perácio, devotada esposa do companheiro a que  nos referimos. Reportase a cada filho, de maneira particular. E, dirigindose ao Chico, comove-o,  escrevendo:   Chico, meu filho, eis que nos achamos mais juntos, novamente. Os livros à nossa  frente são dois tesouros de luz. Estudeos, cumpra os seus deveres e, em breve, a Bondade Divina  nos permitirá mostrar a você os seus novos caminhos. 

E assim realmente aconteceu.

Do livro Lindos Casos de Chico Xavier  Ramiro Gama

A ORIENTAÇÃO CRISTÃ

A ORIENTAÇÃO CRISTÃ

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos). Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Luz Acima. Lição nº 14. Página 67.
 
Na sessão de conforto educativo, o consulente percebeu que o benemérito orientador espiritual se incorporara à médium em transe, e, logo que o abnegado mentor terminou a preleção sobre tema evangélico, pediu licença para rogar-lhe conselhos:

- Pois não, meu filho!  exclamou o Espírito Amigo, generosamente - estou aqui para ouvi-lo; abra seu coração...

O cavalheiro, que principiou tímido, inclinou-se para o benfeitor, exibindo gesto filial, e começou:

- Meu santo protetor, estou exausto!
Sinto-me tão necessitado de orientação como o sedento precisa de um gole de água.

Perdi os bens que me eram caros!...

Trago a saúde arruinada e, embalde, perambulo através de clínicas custosas. O fígado não funciona normalmente, os rins ameaçam-me a cada hora, o coração, como louco, bate desregulado...

De organismo semimorto, minha família relegou-me ao abandono.

Minha parentela desapareceu.
Tenho irmãos consanguíneos que poderiam, decerto, amparar-me; contudo, fogem de mim, qual se eu fora criminoso impenitente.

Acontece, porém, que minha esposa fugiu de mim, após dezesseis anos de convivência, deixando-me irremediavelmente desconsolado...

Ai! meu benfeitor - acentuou lacrimoso -, como atender a problema tão aflitivo?

Sou um fantasma errando, em vão, em busca de paz?

O lar vazio é meu tormento infernal de cada minuto.

Meu azar não parou aí.

Antipatizando-se comigo, meu chefe de trabalho expulsou-me sem caridade, faz duas semanas.

Chamou-me, áspero, despejou sobre mim um montão de palavras agressivas e cerrou-me as portas da casa que servi por mais de sete anos consecutivos...

Sou o mais infeliz dos homens...

Já intentei contra a vida.

No entanto, parece que ainda nisso me persegue a má sorte, porque todas as minhas tentativas falharam...

Todas as oportunidades de melhoria são vedadas a mim...

Que fiz, meu santo benfeitor, para merecer tantas desgraças?

Estarei, porventura, esquecido de Deus?...  

Forte crise de soluços embargou-lhe a voz.

O instrutor desencarnado afagou-lhe os cabelos prematuramente encanecidos e considerou:

- Tenha paciência, filho! não há efeito sem causa.

O pedinte cobrou novo ânimo e implorou:

- Inspira-me, devotado protetor! orienta-me. Não me abandones!...

- Que deseja que eu faça?  indagou o mensageiro espiritual.

- Traça-me roteiro certo... meu destino é um novelo embaraçado... Aconselha-me, em nome de Jesus!

- Do Mestre que desceu das alturas, a fim de nos servir e salvar?

- Sim  gemeu o interpelado.

- Então, meu filho, volte ao princípio e retifique a própria senda.

O Pai concedeu a você uma saúde harmoniosa. No entanto, por que asfixiou os rins com os drinques irritantes? Em que se baseou para consumir largas forças em noitadas de prazer sem significação?

Ainda é tempo de reconstruir. Esqueça os venenos diários que lhe desgastam as energias, lentamente, através de um copinho aparentemente sem importância, e imprima ritmo regular à sua experiência de homem na Terra.

Procure, outrossim, as boas graças da família, assinando um armistício de boa vontade.

Você alude ao abandono dos parentes, mas não se refere ao escárnio que votou a todos eles, quando a sua posição melhorou no banco em que trabalhava.

Esqueceu facilmente os deveres de solidariedade fraternal e chega ao ponto de acusar os outros?

Regresse, qual filho pródigo, e revele sincera humildade diante de todos. Peça desculpas para as suas faltas; seja carinhoso e bom.

Quanto à esposa, que dizer? Você olvidou a tirania doméstica de que seu coração voluntarioso abusou vastamente? A mulher, sentinela de seu lar e mãe de seus filhos, não é um animal que deva ser tratado a dinheiro e palavrões. Decorridos mais de três lustros de sacrifício incessante, a pobrezinha não resistiu e afastou-se... Procure-a, nutrindo verdadeiro arrependimento pelos seus erros voluntários e involuntários!

Penitencie-se. Peça perdão pelo passado de sombras e guarde suas lágrimas a fim de selar junto dela seus novos compromissos de redenção.

Quanto ao seu campo de serviço, se você deseja orientar-se em Jesus, torne ao seu chefe e rogue-lhe desculpe o seu procedimento impensado. Busque agir na pauta dos homens corretos, sem trair as obrigações de gentileza e reconhecimento para com quem se fez credor de seu respeito, carinho e gratidão.     

O consulente sofredor enxugou o pranto, talvez ferido no amor próprio, e, depois da palavra do orientador encerrando a reunião em sentida prece, dispersou-se o grupo, notando, eu, porém, que o cavalheiro, declaradamente tão infeliz, não pronunciou nem mais uma frase.

Jamais me esqueci da orientação nobre e bela, doce e franca, que lhe foi ministrada pelo Sábio da Espiritualidade Superior, mas não sei se foi aproveitada.

Voltando, entretanto ao templo de oração em que vi cair semelhante benção, debalde procurei o irmão desditoso, que ali não voltou, nunca mais...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A PRIMEIRA SESSÃO

A PRIMEIRA SESSÃO 

De princípios de 1920 a 1927, Chico não mais conseguiu avistarse pessoalmente com o  Espírito de Dona Maria João de Deus. 

Integrado na comunidade católica, obedecia às obrigações que lhe eram indicadas pela  Igreja.  Confessava-se,  comungava,  comparecia  pontualmente  à  missa  e  acompanhava  as  procissões.
Terminara o curso primário no Grupo Escolar São José, de Pedro Leopoldo em 1923,  levantandose às seis da manhã para começar às sete as tarefas escolares e entrando para o serviço  da fábrica às três da tarde para sair às onze da noite.  O trabalho, porém, era exaustivo e, em 1925 deixou a fábrica, empregando-se na venda  do Sr. José Felizardo Sobrinho, onde o trabalho ia das seis e meia da manhã às oito da noite, com o  salário de treze cruzeiros por mês. Entretanto, continuavam as perturbações noturnas.  Depois de dormir, caía em transes surpreendentes. Perambulava pela casa, falava em voz  alta, dava notícias de pessoas que sofriam no Além, mantinha longas conversações, cujo fio era  impenetrável aos familiares aflitos. 

Em 1927, porém, eis que a sua irmã D. Maria da Conceição Xavier, hoje mãe de família,  cai doente.
Era um doloroso processo de obsessão. 
Tratada carinhosamente pelo confrade Sr. José Hermínio Perácio, que atualmente reside  em Belo Horizonte, a jovem curou-se. 
Foi assim que se realizou a primeira sessão espírita no lar da família Xavier, em Pedro  Leopoldo. Perácio, na direção, pronunciava vibrante prece.

 Na mesa, dois livros. Eram eles O  EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO e O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec. 
O Espírito de Dona Maria João de Deus comparece e grafa longa mensagem aos filhos  presentes, através da médium D. Carmem Pena Perácio, devotada esposa do companheiro a que  nos referimos. Reportase a cada filho, de maneira particular. E, dirigindose ao Chico, comove-o,  escrevendo:   Chico, meu filho, eis que nos achamos mais juntos, novamente. Os livros à nossa  frente são dois tesouros de luz. Estudeos, cumpra os seus deveres e, em breve, a Bondade Divina  nos permitirá mostrar a você os seus novos caminhos. 

E assim realmente aconteceu.

Do livro Lindos Casos de Chico Xavier  Ramiro Gama

Céu inferno_062_2ª parte cap. V - Suicidas - Duplo Suicídio, por amor e por dever

Céu inferno_062_2ª parte cap. V - Suicidas - Duplo Suicídio, por amor e por dever

TEXTO PARA ESTUDO

É de um jornal de 13 de junho de 1862 a seguinte narrativa:

"A jovem Palmyre, modista, residindo com seus pais, era dotada de aparência encantadora e de caráter afável. Por isso, era, também, muito requestada a sua mão. Entre todos os pretendentes ela escolheu o Sr. B ..., que lhe retribuía essa preferência com a mais viva das paixões. Não obstante essa afeição, por deferência aos pais, Palmyre consentiu em desposar o Sr. D..., cuja posição social se afigurava mais vantajosa àqueles, do que a do seu rival. Os Srs. B... e D... eram amigos íntimos, e posto não houvesse entre eles quaisquer relações de interesse, jamais deixaram de se avistar. O amor recíproco de B... e Palmyre, que passou a ser a Sra. D..., de modo algum se atenuara, e como se esforçassem ambos por contê-lo, aumentava-se ele de intensidade na razão direta daquele esforço. Visando extingui-lo, B... tomou o partido de se casar, e desposou, de fato, uma jovem possuidora de eminentes predicados, fazendo o possível por amá-la.

"Cedo, contudo, percebeu que esse meio heroico lhe fora inútil à cura. Decorreram quatro anos sem que B... ou a Senhora D... faltassem aos seus deveres.

"O que padeceram, só eles o sabem, pois D. .., que estimava deveras o seu amigo, atraía-o sempre ao seu lar, insistindo para que nele ficasse quando tentava retirar-se.

"Aproximados um dia por circunstâncias fortuitas e independentes da própria vontade, os dois amantes deram-se ciência do mal que os torturava e acharam que a morte era, no caso, o único remédio que se lhes deparava. Assentaram que se suicidariam juntamente, no dia seguinte, em que o Sr. D... estaria ausente de casa mais prolongadamente. Feitos os últimos aprestos, escreveram longa e tocante missiva, explicando a causa da sua resolução: para não prevaricarem. Essa carta terminava pedindo que lhes perdoassem e, mais, para serem enterrados na mesma sepultura.

"De regresso a casa, o Sr. D... encontrou-os asfixiados. Respeitou-lhes os últimos desejos, e, assim, não consentiu fossem os corpos separados no cemitério."

Sendo esta ocorrência submetida à Sociedade de Paris, como assunto de estudo, um Espírito respondeu:

"Os dois amantes suicidas não vos podem responder ainda. Vejo-os imersos na perturbação e aterrorizados pela perspectiva da eternidade. As consequências morais da falta cometida lhes pesarão por migrações sucessivas, durante as quais suas almas separadas se buscarão incessantemente, sujeitas ao duplo suplício de se pressentirem e desejarem em vão.

"Completa a expiação, ficarão reunidos para sempre, no seio do amor eterno. Dentro de oito dias, na próxima sessão, podereis evocá-los. Eles aqui virão sem se avistarem, porque profundas trevas os separarão por muito tempo."

1. - Evocação da suicida. - Vedes o vosso amante, com o qual vos suicidastes? - R. Nada vejo, nem mesmo os Espíritos que comigo erram neste mundo. Que noite! Que noite! E que véu espesso me circunda a fronte!

2. - Que sensação experimentastes ao despertar no outro mundo? - R. Singular! Tinha frio e escaldava. Tinha gelo nas veias e fogo na fronte! Coisa estranha, conjunto inaudito! Fogo e gelo pareciam consumir-me! E eu julgava que ia sucumbir uma segunda vez!...

3. - Experimentais qualquer dor física? - R. Todo o meu sofrimento reside aqui, aqui ...

- Que quereis dizer por aqui, aqui? - R. Aqui, no meu cérebro; aqui, no meu coração...

É provável que, visível, o Espírito levasse a mão à cabeça e ao coração.

4. - Acreditais na perenidade dessa situação? - R. Oh! sempre! sempre! Ouço às vezes risos infernais, vozes horrendas que bradam: sempre assim!

5. Pois bem: podemos com segurança dizer-vos que nem sempre assim será. Pelo arrependimento obtereis o perdão. - R. Que dizeis? Não ouço.

6. - Repetimos que os vossos sofrimentos terão um termo, que os podereis abreviar pelo arrependimento, sendo-nos possível auxiliar-vos com a prece. - R. Não ouvi além de sons confusos, mais que uma palavra. Essa palavra é: - graça! Seria efetivamente graça o que pronunciastes? Falastes em graça, mas sem dúvida o fizestes à alma que por aqui passou junto de mim, pobre criança que chora e espera.

Nota - Uma senhora, presente à reunião, declarou que fizera fervorosa prece pela infeliz, o que sem dúvida a comoveu, e que de fato, mentalmente, havia implorado em seu favor a graça de Deus.

7. - Dissestes estar em trevas e nada ouvir? - R. É-me permitido ouvir algumas das vossas palavras, mas o que vejo é apenas um crepe negro, no qual de vez em quando se desenha um semblante que chora.

8. - Mas uma vez que ele aqui está sem o avistardes, nem sequer vos apercebeis da presença do vosso amante? - R. Ah! não me faleis dele. Devo esquecê-lo presentemente para que do crepe se extinga a imagem retratada.

9. - Que imagem é essa? - R. A de um homem que sofre, e cuja existência moral sobre a Terra aniquilei por muito tempo.

Nota - Da leitura dessa narrativa logo se depreende haver neste suicídio circunstâncias atenuantes, encarado como ato heroico provocado pelo cumprimento do dever. Mas reconhece-se, também, que, contrariamente ao julgado, longa e terrível deve ser a pena dos culpados por se terem voluntariamente refugiado na morte para evitar a luta. A intenção de não faltar aos deveres era, efetivamente, honrosa, e lhes será contada mais tarde, mas o verdadeiro mérito consistiria na resistência, tendo eles procedido como o desertor que se esquiva no momento do perigo.

A pena consistirá, como se vê, em se procurarem debalde e por muito tempo, quer no mundo espiritual, quer noutras encarnações terrestres; pena que ora é agravada pela perspectiva da sua eterna duração. Essa perspectiva, aliada ao castigo, faz que lhes seja defeso ouvirem palavras de esperança que porventura lhes dirijam. Aos que acharem esta pena longa e terrível, tanto mais quanto não deverá cessar senão depois de várias encarnações, diremos que tal duração não é absoluta, mas dependente da maneira pela qual suportarem as futuras provações. Além do que, eles podem ser auxiliados pela prece. E serão assim, como todos, os árbitros do seu destino. Não será isso, ainda assim, preferível à eterna condenação, sem esperança, a que ficam irrevogavelmente submetidos segundo a doutrina da Igreja, que os considera votados ao inferno e para sempre, a ponto de lhes recusar, com certeza por inúteis, as últimas preces?

QUESTÕES PARA ESTUDO

1. Por que eles não podem se ver no plano espiritual? Qual a consequência do suicídio para os dois?

2. Quais sensações (incluindo físicas) a mulher sentiu no seu despertar após o desencarne?

3. Os sofrimentos do casal terão um fim?

4. Por que, neste caso, o suicídio terá atenuantes em favor dos dois?

5. Qual será a pena deles?

6. E a duração da mesma?


CONCLUSÃO

1. Porque estão mergulhados na perturbação. As consequências do suicídio os punirão durante migrações sucessivas, onde suas almas separadas procurar-se-ão sem cessar, e sofrerão o duplo suplício, do pressentimento e do desejo. Cumprida a expiação, estarão reunidos para sempre no seio do eterno amor. Por enquanto, ainda não se verão: é como se uma noite profunda, por muito tempo, os esconderá um ao outro.

2. Ela sentia frio e queimava; o gelo corria em suas veias e o fogo estava em sua fronte. Uma mistura estranha. O gelo e o fogo pareciam constrangê-la. Pensou que iria sucumbir ainda uma segunda vez. Todo o seu sofrimento se encontrava no cérebro e no coração.

3. Sim, os sofrimentos dos dois terão um fim, que poderão apressar com o arrependimento e, nisso, os encarnados podem ajudar através da prece.

4. Neste caso, se está disposto a encontrar atenuantes a favor dos dois, considerando-o mesmo como um ato heroico, uma vez que foi provocado pelo sentimento do dever. Vê-se que foi julgado de outro modo, e que a pena dos culpados é longa e terrível por se refugiarem voluntariamente na morte, a fim de fugirem da luta; a intenção de não faltarem aos seus deveres, sem dúvida, é digna e isso lhes será levado em conta mais tarde, mas o verdadeiro mérito seria vencer o arrastamento, ao passo que fizeram como o desertor que se esquiva no momento do perigo.

5. A pena dos dois, como se vê, consistirá em se procurarem por muito tempo sem se reencontrarem, seja no mundo dos Espíritos, seja em outras reencarnações terrestres; ela está momentaneamente agravada pela ideia de que seu estado presente deverá durar para sempre; fazendo essa ideia parte do castigo, não lhes foi permitido ouvirem as palavras de esperança que lhes foram dirigidas.

6. Sua duração não é absoluta, e dependerá da maneira como suportarão as suas provas futuras, no que se pode ajudá-los pela prece; eles serão, como todos os Espíritos culpados, ao árbitros do seu próprio destino.

A LUZ DO MESTRE

A luz do Mestre continua a iluminar o caminho
 
            E quantas vezes se encontra desanimado diante dos fatos que a vida lhe apresenta? E acaba se questionando se vale mesmo a pena prosseguir.

            Ei, não pode alterar as circunstâncias externas, mas pode sim, modificar o seu estado emocional!

            Compreende que toda dificuldade só se aproxima porque você, mesmo que não perceba, já se encontra em condições de enfrenta-la. Além do que, cada prova vivenciada com determinação é passaporte para a evolução espiritual.

            Não desanima! Nem fica a repetir lamúrias, aumentando mais sua aflição.

            Nos instantes de sofrimento, pede sim o auxílio do Alto e esse jamais lhe será negado. Mas não se esqueça de também fazer a sua parte.

            Sem perseverança, dedicação e comprometimento como alcançar as mudanças necessárias a sua vida?

            Nem sempre o caminho será fácil, mas é preciso sim manter a fé e a coragem!

            É preciso confiar em seu potencial! Quanta coisa traz no seu íntimo e desconhece? Sempre ocupado com suas preocupações que nem nota a imensa luz que habita o seu ser.

            A escuridão ao seu redor persistirá sim, se você continuar a investir nas dúvidas e medos.

Muda o foco!

            Investe em você! Descubra-se! Faz da prece sua conselheira diária.

            Permita que as inspirações celestiais cheguem até você, afinal, com tanto pessimismo sendo cultivado por sua mente, fica complicado o socorro espiritual.

            Por que acreditar que nada se resolverá? Que você não consegue? Que a situação só tende a se agravar? E o pior, que Deus lhe esqueceu?

            Ei, a vida se renova! Mas para quem abre a janela da alma e deixa a luz adentrar.

            Não tenha medo! Tenha fé! Busca por Jesus em todos os instantes.

            Aconselha-se com Ele, sente o seu amor e proteção.

            Caminha com o Mestre! Confiante e ciente de que pode sim reescrever uma nova história.

            Ainda dá tempo! Mas primeiro, precisa erguer a cabeça, firmar-se na fé, e corajosamente, passo a passo, seguir adiante.

            A sua descrença, o seu recebo , a sua melancolia e o seu cansaço são as entraves do seu progresso espiritual.

            Deixa a fé iluminar o caminho. Deixa a coragem marcar os seus passos.

            Decerto, nem sempre vencerá! Conhecerá sim a dor, as incertezas, terá quedas e perdas, enfrentará irritações e dias cinzentos. Mas a sua luz íntima continua a existir!

            É preciso investir nela! É preciso acordar a cada manhã e ir ao encontro da fé! Reencontrar a alegria de viver, porque independente do que ocorra a vida vale e sempre valerá a pena.

            Ei, é hora de despertar!

            É hora de deixar a esperança lhe sorrir!

            Por mais difícil que seja uma situação, não deixe que ela lhe desequilibre a ponto de achar que nada mais tem valor.

            Pense em Jesus! Busque Nele a força que necessita! Sinta o amor do Mestre lhe invadir sua alma e colori-la de esperança!

            Ainda há sim motivos para  acreditar! A vida se renova... E a maior prova disso, é cada amanhecer que nos chega! Cada amanhecer que nos traz novas oportunidades e a certeza de que a renovação é possível.

            Não desiste! Pensa no Mestre e que sua luz guie seus passos! Sinta-se seguro, aconchegado e amparado.

            Jamais estará desamparado!
          
  A tempestade que por ora enfrenta, também passará! Mantém a firmeza e vai adiante.

            Nada tema!

            A luz do Mestre continua a iluminar o caminho!
            Que assim seja...
 
            Sônia Carvalho
                15/02/16

terça-feira, 17 de maio de 2016

#21A Fé Ativa construindo uma Nova Era - Profissão de Fé Semi-Espírita

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 21

Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

Profissão de Fé Semi-Espírita

(Allan Kardec, in “Revista Espírita” – out/1868)

Em apoio às reflexões contidas no artigo precedente, reproduziremos com prazer a carta seguinte, publicada pela PetitPresse, de 20 de setembro de 1868.

"Lês Charmettes, setembro de 1868. "Meu caro Barlatier, "Sabeis a canção:

Quando se é Basco e bom cristão...

"Sem ser Basco, sou bom cristão, e o cura de minha aldeia, que comeu ontem minha sopa de couves, permitiu-me vos contar a nossa conversa.

"-Ides, pois, disse-me ele, retomar o Re/ Henri? - Jânio com maior boa vontade, respondi, quanto vivi naquele tempo.

- Meu digno cura deu um pulo.

"Então lhe dei parte de minha convicção de que tínhamos já vivido e de que viveremos ainda. Nova exclamação do bravo homem. Mas, enfim, ele me concede que as crenças cristãs não excluem esta opinião, e me deixa seguir o meu rumo.

"Ora, meu caro amigo, crede bem que não quis me divertir com a candura de meu cura, e de que esta convicção da qual falo está fortemente enraizada em mim. Já vivi sobe a Ligue, sob Henri III e Henri IV. Quando eu era criança, minhas avós me falavam de Henri IV e me narravam de um bom homem que eu não reconhecia totalmente, um monarca grisalho, escondido numa gola pregueada, devotado ao excesso e não tendo jamais ouvido falar da Belle Gabrieíle. Era o do pai Péréfixe. O do Henri IV que conheci, batalhador, amável, leviano, um pouco descuidado, é o verdadeiro; é o que já contei, o que vos contarei ainda.

"Não riais. Quando vim a Paris pela primeira vez, reconheci-me por toda a parte nos velhos quarteirões e tenho uma vaga lembrança de me ter achado na rua da Ferronnerie, no dia em que o povo perdeu seu bom rei, o que tinha querido que cada Francês colocasse a galinha na panela no domingo. O que eu era naquele tempo? Pouca coisa, sem dúvida, um cadete de Provence ou de Gascogne; mas se eu tivesse estado nas guardas de meu herói, isto não me espantaria.

"Com desejo de revê-lo logo, pois, meu primeiro folhetim da Seconde Jeunese duro Henri, e crede-me "À disposição, "PONSON DU TERRAIL"

Quando o Sr. Ponom Du Terra Il lançava o ridículo ao Espiritismo, ele não desconfiava, e talvez não desconfie ainda hoje, que uma das bases fundamentais desta Doutrina é precisamente a crença da qual faz uma profissão de fé tão explícita. A ideia da pluralidade das existências e da reencarnação, evidentemente, ganha a literatura, e não nos surpreenderíamos que Méry, que se lembrava tão bem do que havia sido, não tenha despertado, em mais de um de seus confrades, lembranças retrospectivas, e não seja, entre eles, o primeiro iniciador do Espiritismo, porque o leem, ao passo que não leem os livros espíritas. Ali encontram uma ideia racional, fecunda, e a aceitam.


A Petite-Presse publica neste momento, sob o título de Sr. Médard, cujo dado é todo espírita; é a revelação de um crime pelo aparecimento da vítima em condições muito naturais.

ESTUDO 65 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XVI - MÉDIUNS ESPECIAIS - Item 189 Variedades especiais para os efeitos físicos - Médiuns tiptólogos

O LIVRO DOS MÉDIUNS

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

Por
ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.


SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO XVI

MÉDIUNS ESPECIAIS 

Estudo 65 - Item 189 Variedades especiais para os efeitos físicos - Médiuns tiptólogos


Relembramos que a mediunidade apresenta infinitas variedades de expressão e que a divisão dos médiuns em médium de efeitos físicos e de efeitos inteligentes é aplicada para facilitar o nosso entendimento. Recordamos ainda, que a mediunidade de efeitos físicos se expressa através de médiuns considerados especiais, que são aptos a produzirem fenômenos que se traduzem por efeitos sensíveis aos órgãos dos sentidos, tais como, ruídos, movimentos, deslocamentos de corpos sólidos.


Para que tais efeitos se processem, é necessária a intervenção de uma ou mais pessoas dotadas da especial aptidão (médiuns especiais) que por efeito de sua constituição, possibilitam maior emanação de fluido animalizado, mais ou menos fácil de combinar-se com o fluido universal, com os fluidos próprios do plano dos Espíritos, com os quais, por ação da vontade dão vida factícia ou momentânea a determinados objetos, produzindo os fenômenos citados anteriormente.

Considerando esses aspectos, relembramos que as primeiras comunicações inteligentes foram obtidas por meio de pancadas ou tiptologia. Os recursos eram limitados e as comunicações se restringiam ao "sim" ou "não", mediante convencionado número de pancadas. O inconveniente está na brevidade das respostas e na dificuldade de formular perguntas de modo que a resposta seja sempre afirmativa ou não. Através do movimento de um objeto, o Espírito comunicante deve expressar suas emoções e se fazer entender. O método foi se aperfeiçoando, sendo enriquecido com o uso de um alfabeto que permitia a formação de palavras, para, posteriormente ser substituído pela escrita (psicografia).

Assim, são Médiuns tiptólogos, aqueles pela influência dos quais se produzem os ruídos, as pancadas.

Variedade muito comum, com ou sem intervenção da vontade do próprio médium.

Destacamos dois processos diferentes: - o primeiro é chamado de tiptologia por movimento e consiste em pancadas vibradas pela própria mesa (ou objeto utilizado) que responde sim ou não conforme o número de batidas combinadas; - o segundo, chamado tiptologia íntima, a mesa (ou objeto utilizado) permanece imóvel, mas as pancadas ressoam na própria substância do objeto. Aplicado o ouvido ou a mão, sente-se que vibra. Reconhecem-se nessas pancadas (raps) a intervenção de uma inteligência, por obedecerem a um pensamento.

Os médiuns tiptólogos podem ainda propiciar a tiptologia alfabética, na qual designam-se as letras do alfabeto por número de pancadas correspondentes e assim se formam palavras e frases, porém, é um meio lento e não se presta a assuntos extensos. 

Destacamos também a tiptologia especular, que se caracteriza por rápidos movimentos da mesa ou objeto em direção as palavras do alfabeto, porém escrevendo e formando palavras em sentido contrário, devendo ser lidas através de uso de um espelho, daí a palavra especular. O que é singular é que o Espírito dita a mensagem ao avesso começando pela última letra.

Há registros de mensagens psicografas por Francisco Candido Xavier e Divaldo Pereira Franco em que os Espíritos comunicantes usam a psicografia especular, e a mais recente é uma mensagem em francês, de Leon Denis, em 02 de outubro de 2004, quando da abertura das comemorações do bicentenário do nascimento de Allan Kardec (médium Divaldo P. Franco). 

Em nosso próximo estudo continuaremos estudando variedades especiais de médiuns para os efeitos físicos.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI - 2ª Parte

BIGHETTI, Leda Marques - Educação Mediúnica "Teoria e Prática" 1º volume: 1.ed Ribeirão Preto: BELE, 2005 - pág 151 a 159


Tereza Cristina D'Alessandro 
Janeiro / 2007

Centro Espírita Batuíra
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto - SP