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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

*Evangelho Redivivo*MUNDOS INFERIORES E MUNDOS SUPERIORES

*Evangelho Redivivo*


MUNDOS INFERIORES E MUNDOS SUPERIORES


Mundo – do lat. mundu – significa a Terra e os astros considerados como um todo organizado; qualquer corpo celeste. Inferior – do lat. inferiore –, que está abaixo de outro(s) em igualdade, condição, importância, mérito, valor; que ocupa lugar mais baixo em uma classificação. Superior – do lat. superiore –, que está mais acima; que atingiu um grau muito elevado; de qualidade excelente.

Allan Kardec, no cap. III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, divide os mundos em cinco categorias, a saber: os mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; os mundos de expiações e de provas, onde o mal domina; os mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; os mundos felizes, onde o bem se sobrepuja ao mal; os mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos depurados, onde o bem reina inteiramente.

Nos mundos inferiores a existência é toda material. Esses mundos servem de guarida aos Espíritos em que os instintos predominam, a inteligência é rudimentar e a vida moral quase nula. Mesmo assim, Deus não desampara nenhum desses seres, ao incutir-lhes na mente a idéia de um Ser Supremo, a quem venerar e amar. Além disso, o Criador envia, também, Espíritos missionários, a fim de despertar-lhes o senso moral e fazê-los progredir mais rapidamente.

Nos mundos superiores a existência é toda espiritual. Depois de desenvolvidos a inteligência e o senso moral, nos mundos inferiores e intermediários, o Espírito está preparado para ingressar nos mundos ditosos e felizes. Nos mundos superiores não há doenças, nem as deteriorações que engendram a predominância da matéria; pelo contrário, há leveza específica do corpo físico, que torna sua locomoção rápida e fácil. O corpo físico guarda a forma humana, pois esta é a forma em todos os mundos, porém embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada.

O planeta Terra é classificado como sendo um mundo de expiações e de provas, portanto, situado numa posição intermediária. Aqui, ainda o mal predomina sobre o bem. Contudo, estamos aproximando-nos de uma nova fase, o mundo de regeneração. Neste, as almas que ainda têm de expiar haurem novas forças para, depois, darem continuidade ao progresso espiritual até atingirem a condição de serem promovidos aos mundos felizes.

Aproveitemos a oportunidade de estarmos encarnados neste planeta. Façamos todo o bem possível, e seremos merecedores de reencarnarmos em mundos mais ditosos.


*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*









segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

*Evangelho Redivivo* *MORTE EM FAMÍLIA*

 *Evangelho Redivivo*


*MORTE EM FAMÍLIA*


“O instante da morte é fatal”. “Da morte ninguém escapa”. “O fim da vida é a morte”. “A morte revela a verdade”. Essas são algumas dentre as muitas frases que se expressam num velório. Sendo a destruição do corpo físico uma Lei Natural, deveríamos aceitá-la com mais tranqüilidade. Porém, nem sempre estamos preparados para o desenlace. De qualquer modo, os Espíritos amigos estão sempre nos auxiliando com suas vibrações amorosas, no sentido de reconfortar o nosso ânimo, abalado pelo choque.

A dificuldade da morte em família é o refazimento do caminho sem o ente que se foi. Tudo o que fazíamos, antes dele partir para o mundo espiritual, tinha um objetivo: dar-lhe o alimento no horário certo, ministrar-lhe as doses do remédio, cortar-lhe a barba, dar-lhe banho, levá-lo ao médico, ver se lhe faltava alguma coisa etc. De repente não existe mais a presença deste ser. Isso provoca uma certa apatia, um embaraço, um não saber o que fazer, em fim, uma desorganização em nossa vida doméstica.

A pessoa se foi: pai, mãe, filho etc. De acordo com a proximidade do parentesco fica a reflexão: fiz-lhe todo o bem que eu poderia ter feito? Deixei de atender-lhe algo que estava ao meu alcance? Até que ponto contribui para sua tristeza ou sua alegria? Qual o grau de minha responsabilidade na sua ida ao mundo espiritual? Quer dizer, será que fizemos ao outro aquilo que gostaríamos que nos tivessem feito a nós mesmos. Eis aí a questão central de nossas mais íntimas reflexões.

Suponha que tivéssemos praticado ações que o desgostaram. A reflexão nesses casos também é útil, mas não nos deve chafurdar no pranto e na inutilidade. Se erramos, peçamos perdão, mas continuemos a trabalhar na certeza de que os mentores espirituais saberão confortá-lo e encaminhá-lo para a verdadeira compreensão. Ninguém está isento do erro, do pecado. Por isso, se santos não somos, os nossos erros devem ser refletidos para que estes sirvam de anteparo ao cometimento de novos erros.

O desapego ao ente que se foi é de extrema importância. De que vale segurá-lo, em pensamento, se ele tem que prestar contas do que ele fez de certo ou de errado? Se os despojos do corpo físico e os seus pertences materiais aqui ficaram, por que querer prendê-lo nós outros, simples mortais? Deixemo-lo ir e seguir o seu caminho tanto quanto nós temos de seguir os nossos. De qualquer forma, as preces sinceras, saídas do nosso coração, serão sempre bem recebidas.

Guardemo-lhe as boas lembranças e enderecemo-lhe pensamentos de paz, de reconforto, de harmonia, a fim de que isto possa auxiliá-lo em sua volta ao mundo dos espíritos, o verdadeiro mundo.




*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*


*Evangelho Redivivo* *MISSÃO DO HOMEM INTELIGENTE NA TERRA*

*Evangelho Redivivo*


                                                            *MISSÃO DO HOMEM INTELIGENTE NA TERRA*



Missão – do lat. missione – significa função ou  poder  que  se confere  a alguém para fazer algo; encargo; incumbência. Homem – do lat. homine -, qualquer indivíduo pertencente à espécie  animal que  apresenta maior grau de complexidade na escala evolutiva;  o ser humano. Inteligência – do lat. Intelligentia –, faculdade  de aprender, apreender ou compreender.

            Todo  o  homem possui uma missão, grande ou pequena,  no  planeta Terra.  A  diversidade  de aptidões  direciona-nos  ao  campo  de atividade  que  se coaduna com nossa vocação. A  escolha  de  uma profissão,  quando bem refletida, revela os anseios  divinos  com relação ao nosso desenvolvimento intelectual e moral. Embora  não exista  a  fatalidade,  há um determinismo  que  guia  os  nossos passos, fruto de nossa escolha, quando desencarnados.

A   inteligência,   como  faculdade  de  elaborar   conexões,   é extremamente  valiosa. Através dela,  conceituamos,  relacionamos causa  e efeito, resolvemos problemas de matemática,  construímos máquinas etc. À medida que o homem exercita sua inteligência,  ela   amplia-se.   Do   simples   chegamos   ao   complexo;  do    conhecido   ao desconhecido.  Porém, surgem, também, os desmandos  intelectuais, ou  seja,  o  homem  começa  a  se  colocar  acima  do   Criador, enveredando-se pela trilha do orgulho.

O  ser humano jamais deveria orgulhar-se da sua inteligência.  Se Deus,  na  sua infinita bondade, concedeu-nos a  oportunidade  de renascermos  num  meio  em  que  possamos  desenvolver  a   nossa inteligência,  é para que a utilizemos em nosso benefício  e  dos nossos semelhantes. A inteligência desenvolvida é um talento  com finalidade  útil  nas mãos das criaturas, para que  estas  ajudem àqueles que têm uma inteligência menos desenvolvida,  objetivando fazer com que se aproximem, cada vez mais, do Criador.

O  Espírito Ferdinando, em mensagem transcrita no cap. VII  de  O Evangelho  Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, diz-nos que  a inteligência é rica de méritos para o futuro, mas com a  condição de  ser  bem empregada; se todos os homens dotados  se  servissem dela  segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos  seria fácil  no sentido de a humanidade avançar.  Infelizmente, muitos abusam desta e de outras faculdades, sendo causa de orgulho e de perdição para si mesmos.

Valorizemos a nossa existência.  Apliquemos todos os nossos recursos pessoais no engrandecimento de nossa inteligência, a fim de melhor servir àqueles que nos rodeiam.



*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

*Evangelho Redivivo* MELANCOLIA

*Evangelho Redivivo*


                                                              MELANCOLIA


Melancolia é um estado mórbido de tristeza, languidez e depressão. Há certas ocasiões em que o pavor e o desespero invadem de tal maneira a nossa alma, que nos sentimos vencidos, enfraquecidos e derrotados. A melancolia arrebata a nossa força vital, induz-nos ao choro e arremessa os nossos pensamentos ao mais sombrio dos mundos. As lágrimas deslizam pela nossa face. Sentimo-nos impotentes frente aos desígnios divinos. Buscar orientações espirituais nos livros sagrados parece ser o único consolo prático.

A melancolia é uma característica dos grandes homens ou da humanidade? Aristóteles, filósofo grego da Antiguidade, adverte que ela seria uma condição apenas dos grandes homens. A orientação dos Espíritos superiores, contudo, diz o contrário. Eles alegam que o Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade e que, preso ao corpo que lhe serve de prisão, se extenua em vãos esforços para dele sair. Mas, vendo que são inúteis tais esforços, cai na languidez e no abatimento. 

A melancolia faz-nos voltar para dentro de nós mesmos. É uma forma de fazer uma reflexão sobre o nosso nada, a nossa impotência, a nossa fraqueza. Quando nos voltamos para o nosso interior, vemos o quanto somos dependentes uns dos outros, o quanto precisamos do auxílio dos guias espirituais que nos acompanham. Há, porém, no meio dessa sofreguidão, um consolo: o de que o mundo material é apenas uma escola, um meio de passarmos pelas nossas provas e expiações. Nu viemos, nu voltaremos. Eis o grande ensinamento que nos remete à tomada de consciência de nossa pequenez.

Evocar o mistério é uma atitude constante dos melancólicos. O desejo reprimido, a esperança torturada – que nossa razão julga difícil de acontecer – parece já estar realizada no íntimo de nossa alma. Há, no meio das maiores dificuldades, uma luz interna que nos dá calma, tranqüilidade, paz e harmonia, apesar de todo o exterior conspirar contra nós. É que a fé está acima da razão humana. É ela que nos dá a direção correta de nossos passos e orienta o nosso caminho, a fim de que o percorramos segundo os desígnios divinos e não os nossos.

Diante de qualquer dificuldade, lembremo-nos das orientações espirituais: “Resisti com energia a essas impressões que enfraquecem vossa vontade. Essas aspirações para uma vida melhor são inatas no espírito de todos os homens, mas não as procureis neste mundo. Lembrai-vos de que tendes a cumprir uma missão, durante vossa prova na Terra, uma missão de que nem suspeitais. Seja em vos devotando à vossa família, seja cumprindo os deveres que Deus vos confiou. E se, no curso dessa prova, e desempenhando a vossa tarefa, vede os cuidados, as inquietações, os desgostos se precipitarem sobre vós, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os francamente; eles são de curta duração”.

“As dificuldades aumentam quando caminhamos para o fim”. Não nos enganemos com os fogos fátuos do divertimento barato e da imaginação fértil. A vida foi feita para ser vivida e não para ser conhecida. Estejamos sempre atentos, pois nada acontece por acaso.

Fonte de Consulta


KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984, capítulo V, item 25.


*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*


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*Evangelho Redivivo* A LUZ E O DISCÍPULO

*Evangelho Redivivo*


                                                              A LUZ E O DISCÍPULO



A luz é o símbolo multimilenar do desenvolvimento espiritual. É a herança de Deus para as trevas. É a substância divina gerada nas fontes superiores da esfera espiritual. É a mais elevada, potente e veloz das expressões do movimento, suscetível de acrisolar-se ao infinito. Discípulo é todo aquele que segue o seu mestre. Discípulos do Senhor são todos aqueles que seguem a Doutrina do Cristo: primeiro, os doze: depois, os setenta e dois; hoje, a humanidade dita cristã.

A luz, vista como símbolo, teve várias ocorrências ao longo do tempo. Na Antigüidade, Platão, no seu famoso Mito da Caverna, compara, metaforicamente, a luz ao brilho do Sol. Deus, no livro Gênesis do Velho Testamento, separa a luz das trevas. Jesus, no Novo Testamento, é a luz do mundo. Santo Agostinho, na Idade Média, compara o conhecimento à luz e dedica a Deus a fonte que ilumina a tudo. Descartes associa luz à razão. Locke chama luz de lamparina ao débil conhecimento do ser humano.

Jesus Cristo, quando esteve encarnado, há 2000 anos, trouxe-nos a Boa  Nova, o Evangelho, a Luz da espiritualidade superior. Escolheu os seus discípulos, alertando-os que seriam o sal da terra, a luz do mundo. Posteriormente, em suas instruções, disse-lhes para procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, repelir os demônios; lembrou-lhes de serem  prudentes como as serpentes e simples como as pombas; estimulou-lhes a nada temer, pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser reconhecido; advertiu-os que não veio trazer paz à terra, mas espada; por fim, recomendou-lhes dar de beber aos pequeninos, pois o reino dos céus a estes se assemelha. 

Os ensinamentos de Jesus Cristo e dos seus discípulos eram simples e objetivos: enaltecer a vida espiritual. Com o tempo, o poder das trevas amplia as suas asas de águia e deturpa a essência destes conhecimentos. Assistimos ao advento de diversas guerras, denominadas santas, as perseguições de todos os matizes, a inquisição etc. No âmbito da ortodoxia, criaram-se os dogmas, os rituais, o comércio das indulgências e a confissão auricular, de modo que o  Cristianismo do Cristo foi quase que totalmente desfigurado, restando apenas o que o Padre Alta denomina de Cristianismo dos vigários.

Quando Jesus propôs aos seus discípulos serem a luz do mundo, chamou-lhes, também, a atenção para a grande responsabilidade na propagação do conhecimento. O Espírito Emmanuel adverte-nos que a luz gasta o pavio. Nesse sentido, o cristão, sem espírito de sacrifício, é letra morta no santuário do Evangelho. É por isso que todo o propagador da luz deve clarear sem ofuscar, ou seja, antes de semear a boa semente, precisa arrotear o terreno espiritual do seu interlocutor, a fim de que as palavras encontrem eco em seus ouvidos.

Agradeçamos a dádiva da luz celestial e não nos detenhamos ante o poder das trevas. Lembremo-nos de que a luz de uma pequena vela é capaz de iluminar a escuridão da noite.    

Fonte de Consulta

DOMINGUES, I. O Fio e a Trama: Reflexões sobre o Tempo e a História. Belo Horizonte, UFMG, 1996.

XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, s.d.p.



*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*



*Evangelho Redivivo* *JUGO LEVE*

*Evangelho Redivivo*


                                                                *JUGO LEVE*



*Jugo* – do lat. jugu, pelo hebr. môt, ôl -  significa peça de madeira que serve para emparelhar dois animais para o mesmo trabalho. É símbolo de servidão, de opressão, de constrangimento. A passagem dos vencidos sob o jugo romano (trave em asna) é suficientemente explícita. Leve - do lat. leve, de pouco peso, que se movimenta com desembaraço, agilmente, à solta. O jugo de Jesus é suave, isto é, não machuca.

São Mateus, no cap. XI, vv. 28 a 30 do seu Evangelho, narra o "jugo leve” da seguinte forma: "Vinde a mim, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei.  Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou brando e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas, porque meu jugo é suave e meu fardo é leve".

A reação aos acontecimentos varia para cada um de nós.  Duas pessoas colocadas numa mesma circunstância terão   sensações opostas: uma sentir-se-á feliz, enquanto a outra se prostrará em desespero.  Isso decorre de uma série de fatores, principalmente aqueles que dizem respeito aos nossos objetivos de vida.  De qualquer forma, essa passagem evangélica anunciada por Jesus serve de lenitivo para os nossos sofrimentos. Como interpretá-la?

Allan Kardec, no cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, elucida-nos  o texto com muita propriedade. Diz-nos que todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perda de entes queridos encontram sua consolação na fé no futuro, na  confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Naquele que não crê na vida futura as aflições se abatem com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem suavizar-lhe a amargura.

O jugo será leve desde que obedeçamos à lei. Mas, que lei? A  lei áurea deixada por Jesus: "Fazer aos outros o que gostaríamos  que nos  fosse  feito".  Praticando-a, vamos  atualizando  as  nossas potencialidades  de justiça, amor e caridade,  primeiramente  com relação a Deus e, secundariamente, com relação a nós mesmos e  ao nosso próximo.

Sigamos   os ditames  de  nossa  consciência.  Não  importa   os sofrimentos  que tal atitude acarreta. Os Bons Espíritos estarão nos secundando, a fim de que possamos carregar o nosso fardo com galhardia.





*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*



domingo, 8 de janeiro de 2017

*Evangelho Redivivo* FÉ E INCERTEZA

*Evangelho Redivivo*


FÉ E INCERTEZA


Nosso pensamento fica conturbado em virtude das muitas desilusões e tribulações do caminho: é a demora pela vinda de um emprego, são os projetos que não se concretizam, é a falta de dinheiro para a compra do essencial etc. Diante de tantas pressões externas, nosso espírito prostra-se, como que sem forças para perseverar pelo caminho escolhido. Paramos, pensamos e pedimos ardorosamente algumas recompensas de ordem material.

Nessa agonia interior há uma ponderação entre a escolha espiritual e a escolha material. A dificuldade está em conciliar tanto uma escolha quanto a outra. A falta de dinheiro faz com que haja menos alimento, menos conforto e, além de tudo, ocasiona o  sentimento de culpa por usufruir dos bens da sociedade sem a ela contribuir com o seu trabalho. Contudo, se a situação é essa devemos a ela nos conformar. Quem sabe não estamos sendo preparados para outros campos de interesse?

Não queiramos que as coisas sejam como as desejamos. Desejamo-la como são. Se a situação apresenta-se desse e não de outro modo é porque assim tem de ser. Tomemos consciência do fato e não reclamemos. A reclamação não encurta a estrada a percorrer; quando muito dificulta a ajuda que está vindo. É preciso fazer o melhor no dia de hoje. Se a divindade assim determinou não seremos nós, simples mortais, que iremos modificar o teor da prova. 

A dificuldade maior na questão da fé é esperar algo que é incerto. Temos a intuição de que este é o caminho, mas a demora na obtenção do necessário incrusta-nos o desespero. A intuição afirma que devemos perseverar, contudo a espera é difícil. De qualquer forma, temos de continuar pois, desistir no meio do combate, é ficar sem ponto de apoio e sem perspectiva de um futuro mais promissor.

A fé é o nosso grande sustentáculo. Que seria de nossa incerteza, de nossas  tribulações sem esse ponto de apoio para sermos reconfortados? Aquele que tem fé vigorosa aceita de bom grado qualquer extremo, pois, embora esteja no meio da incerteza momentânea, espera que o tempo, o grande arquiteto do universo, possa oferecer as oportunidades para que  os seus ideais sejam concretizados.

Não nos esmoreçamos ante a dor do caminho. Se Deus é por nós quem será contra nós? Perseveremos um pouco mais. Quem sabe se naquele momento em que nos achamos abatidos e desiludidos não seria o momento oportuno em que a divindade escolheu para a mudança de nossa rota na vida?



*SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*