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domingo, 3 de agosto de 2014

5 – Final dos Tempos - Visão Espírita

Módulo IX
Há muitas moradas na Casa do Pai

5 – Final dos Tempos - Visão Espírita

Há por parte de grande parcela da Humanidade, incluindo a classe dos espíritas, a preocupação com as previsões catastróficas baseadas nos textos bíblicos e em próprias comunicações espíritas, sob o fim do mundo.

O que diz a Doutrina Espírita sobre isto? A Humanidade corre o risco de desaparecer da Terra?

O mundo em que vivemos desaparecerá? E o juízo final? E a volta de Jesus, como se dará?

Os Espíritos são claros: Antes dizíamos: aproximam-se os tempos, agora dizemos:

Os tempos são chegados.

Kardec, no livro “Obras Póstumas”, transcreve algumas comunicações dos Espíritos, em que eles falam deste assunto, e eles são claros em dizer que tudo o que está nos Evangelhos terá de cumprir-se, e já está se cumprindo. O que temos de ter é discernimento para tirarmos o espírito da letra na interpretação dos textos sagrados.

Como já dissemos anteriormente, toda a Criação Divina segue um programa préestabelecido, e as Leis de Deus conseqüentemente não serão subvertidas.

Não haverá fim do mundo material como muitos têm anunciado, o que acontecerá é o fim de uma era, de uma etapa do processo evolutivo. O que se prepara é o fim do mundo amoral, aquele em que os interesses mundanos vêm à frente dos interesses definitivos do Espírito.

Essa mudança não será brusca, e nem acontecerá no ano dois mil, ela já está acontecendo e continuará ainda por muitos anos. O processo é gradual como toda transformação da Natureza, não haverá cataclismos nem revoluções capazes de exterminar a Criação Divina. Haverá uma transformação que conduzirá a Terra, de mundo de provas e expiações, a mundo de regeneração, mas estas não serão transformações externas, mas sim no interior dos próprios homens. A luta no campo das idéias, nos conflitos do relacionamento interpessoal, criará uma nova ética baseada na Verdadeira Moral, e esta será a tônica do novo mundo. O que fará haver mais ou menos dor, é a própria conduta do homem diante das mudanças que se fazem necessárias, ou seja, será diretamente proporcional à sua aceitação ou à sua rebeldia.

Mas podemos perguntar, como se fará a substituição desta geração por outra mais cristã?

Para que haja felicidade na Terra, é preciso que os Espíritos que a habitam sejam afinados com o bem, portanto, é preciso que aconteça uma limpeza em nosso orbe, ou seja, os Espíritos recalcitrantes no mal serão levados para outros mundos que acham-se mais atrasados em relação ao nosso, onde expiarão seus erros e aprenderão com o “suor do seu rosto”, a não mais transgredir às Leis Divinas.

Entretanto, esse transporte não será via discos voadores ou planeta chupão, como muitos apregoam, eles serão transportados por meios espirituais e de forma natural.

Só para ilustrar, lembremos de que isto já aconteceu com relação à Terra, no entanto, ela, no momento, estava em condição de receptora destes espíritos, conforme narra Emmanuel:

Há muitos milênios um dos orbes da Capela, que guarda afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. (…)

(…) Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade (…)
As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberaram, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração (…) 79

Desta forma, podemos afirmar que o tempo é de tranqüilidade e de construção de um novo ser baseado nos ensinamentos evangélicos. O juízo final não é acontecimento de um dia, mas de todos os instantes em que se faz necessário o autoconhecimento, e a elaboração por nós mesmos do caminho a seguir.

Não nos inquietemos, devemos sempre lembrar de que neste planeta há governo, e que este condutor não é ninguém mais nem menos que Jesus, o Cristo de Deus.

79 “A Caminho da Luz”, cap. III.


Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade
Goiânia - GO
Trabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de Cláudio Fajardo
Divulgação

terça-feira, 11 de setembro de 2012

ESTAÇÕES NECESSÁRIAS


“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para
que sejam apagados os vossos pecados e
venham assim os tempos de refrigério pela
presença do Senhor.”    ATOS, 3:19.

Os crentes inquietos quase sempre admitem que o trabalho de redenção se processa em algumas providências convencionais e que apenas com certa atividade externa já se encontram de posse dos títulos mais elevados, junto aos Mensageiros Divinos.
A maioria dos católicos romanos pretende a isenção das dificuldades com as cerimônias exteriores; muitos protestantes acreditam na plena identificação com o céu tão só pela enunciação de alguns hinos, enquanto enorme percentagem de espiritistas se crê na intimidade de supremas revelações apenas pelo fato de haver frequentado algumas sessões.
Tudo isto constitui preparação valiosa, mas não é tudo.
Há um esforço iluminativo para o interior, sem o qual homem algum penetrará o santuário de Verdade Divina.
A palavra de Pedro à massa popular contém a síntese do vasto programa de transformação essencial a que toda criatura se submeterá para a felicidade da união com o Cristo. Há estações indispensáveis para a realização, porquanto ninguém atingirá de vez a eterna claridade da culminância. 
Antes de tudo, é imprescindível que o culpado se arrependa, reconhecendo a extensão e o volume das próprias faltas e que se converta, a fim de alcançar a época de refrigério pela presença do Senhor nele próprio. Aí chegado, habilitar-se-á para a construção do Reino Divino em si mesmo.
Se, realmente, já compreendes a missão do Evangelho, identificarás a estação em que te encontras e estarás informado quanto aos serviços que deves levar a efeito para demandar a seguinte.

Pão Nosso – Emmanuel, psic. Francisco C. Xavier – lição 13 – ed FEB

 (Compilado por Delcio)

Correio da Fraternidade
ANO 21 – nº 250- Abril de 2010 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Apego e Renúncia



Manoel Portásio Filho

  Alguns milhares de anos nos separam do momento do despertar da consciência e do livre-arbítrio, quando passamos a ter uma noção mais clara acerca de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Daí para a frente, as conquistas se revelaram mais rápidas e dirigidas para as necessidades básicas do homem no mundo. No entanto, somos ainda muito imperfeitos e ignorantes. Disso resultam os nossos comportamentos mais caracteristicamente humanos e entre eles, o apego, fruto da insegurança e do medo.
    Devido ao desconhecimento do mundo espiritual e da vida que o aguarda além da morte, o homem apega-se facilmente às coisas do mundo material e às pessoas que o rodeiam. “O apego às coisas materiais é um indício notório de inferioridade, pois quanto mais o homem se apega aos bens deste mundo, menos compreende o seu destino.” (L. E., perg. 895). Apegamo-nos a todas as coisas, tenham elas valor material ou afetivo.  
Juntamos, em nossa casa, coisas que dificilmente vamos utilizar algum dia; juntamos papéis, revistas e livros que jamais vamos ler. Por serem acessíveis aos nossos sentidos, as coisas deste mundo nos fascinam pela sua forma, cor ou simbolismo.
    Mas, a espécie mais dolorosa de apego ainda é aquela que nos liga a certas pessoas.  É verdade que há geralmente uma base afetiva nesses relacionamentos, mas invariavelmente levamo-los às últimas consequências. Pensamos que determinadas pessoas é que nos fazem felizes e, por isso, nos sentimos incapazes de viver sem tê-las ao nosso lado. Então, imantamo-nos uns aos outros, mental e sentimentalmente, chegando os casos extremos a serem identificados como verdadeiras obsessões.  A partida da nossa “outra metade”, pela separação ou pela morte, costuma se revelar insuportável.  Daí para a loucura, depressão ou suicídio medeia apenas um passo.
    Em muitas culturas é comum o culto do corpo.  Achamo-nos, em muitos casos, extremamente belos, verdadeiros clones de Narciso, e fazemos de tudo para manter essa beleza ou aprimorá-la.  Quando não sejam suficientes os exercícios físicos, a malhação, recorremos ao bronzeamento.  
Quando alguma coisa não seja corrigida pelas vias regulares, recorremos à lipoaspiração, à lipo-sucção ou mesmo à cirurgia plástica, na busca da fonte da eterna juventude.  E os apelos da mídia ainda concorrem para reforçar a nossa idéia de que o corpo é mais importante do que a alma, o que nos faz gastar rios de dinheiro para torná-lo “sarado”.
     A idéia não é nova e vem acompanhando o homem desde pelo menos a Grécia Antiga, onde se criaram os ginásios para essa finalidade. E na Roma dos Césares era natural dizer-se: mens sana in corpore sano.  Kardec nos ensina, n'O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVIII, n. 5, como é fácil transpor a porta larga que nos leva ao cultivo das más Paixões. Jesus, na verdade, ensinou-nos a cuidar da alma mais do que do corpo.  Sua vida foi um exemplo disso.  E muitos dos seus ensinamentos estavam voltados para a renúncia às coisas do mundo. Foi o caso da recomendação ao jovem rico (Mt 19:16-24);  da necessidade de juntar tesouros no céu (Mt 6:19-21);  e de um olhar para dentro de si mesmo, como no caso de se prestar mais atenção ao que sai da boca, por exemplo.
   Entretanto, renunciar não é uma coisa fácil para o homem, no atual estágio evolutivo da humanidade terrestre. Renunciar implica, muitas vezes, em lutar contra o nosso próprio orgulho, em declinar do nosso grande egoísmo, em abrir mão da nossa evidente vaidade, para beneficiar outrem. 
Renunciar é sair de si mesmo e caminhar na direção do outro.  
Renunciar é deixar o outro ser ele mesmo. Renunciar é encarar sofrimentos, dificuldades, sacrifícios, e “todo sacrifício feito à custa da própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de caridade”, conforme ensina o Espírito da Verdade (L. E., perg. 951).  E ele também nos diz que “o mérito do bem está na dificuldade” (perg. 646). “Renúncia, quão poucos são capazes de entendê-la em sua sublimidade”, na abençoada lição de Jerônimo Mendonça, em Nas Pegadas de um Anjo, pág. 38.


Manuel Portásio Filho é Advogado, residente em Londres. É membro do The  Solidarity  Spiritist  Group, Londres-UK.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II N° 5 Julho e Agosto 2009
The Spiritist Psychological Society