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segunda-feira, 22 de abril de 2013

REENCARNAÇÃO E CONCEPÇÃO


Zancopé Simões


O nosso colaborador, Jesus Cervilha Campos, lendo sobre o momento em que o Espírito reencarna, deparou com um texto de Salvador Gentile, que menciona o fato de que, durante a reencarnação, o perispírito se descarta de sua matéria grosseira para iniciar a nova vida.
O ouvinte quer algum comentário a respeito dessa alteração que ocorre no perispírito no momento do reencarne.
Sabemos que, ao reencarnar, o Espírito assume outro corpo físico, ou seja, o corpo da nova encarnação não será o mesmo corpo da encarnação anterior, embora cada corpo sempre reflita as condições do Espírito. O indivíduo que, por exemplo, foi loiro e alto numa vida pode vir a ser baixo e moreno na vida seguinte. Portanto, aquela matriz perispiritual responsável pelas suas características físicas não será aproveitada na encarnação seguinte, mesmo porque seu novo corpo vai depender da carga genética dos futuros pais. Isso quer dizer que, no processo da reencarnação, a forma, que serviu a uma existência, não servirá à outra. Logo, alguma coisa deve mudar no perispírito de uma para outra vida, embora sua individualidade espiritual seja preservada.
O que muda é o que o autor chama de “matéria grosseira” – que é despojada, jogada fora – as características físicas fazem parte dessa “matéria grosseira”. O que fica é a matéria sutil ou corpo mental do perispírito, que carrega a individualidade do Espírito de uma para outra encarnação. O autor compara essa matéria grosseira com uma “casca”, para que possamos entender melhor: tira-se a casca, mas o conteúdo espiritual fica; retira-se a forma, mas conserva-se a substância. Na etapa seguinte do processo reencarnatório, temos o que autor chama de restringimento. O restringimento é a redução, a miniaturização do perispírito – já despojado da forma que serviu à vida anterior.
Esse processo de redução de tamanho ocorre para que o Espírito possa se acoplar à célula-ovo, produzida pela mãe, que é microscópica.
A essa altura, ele já se desvestiu de sua veste perispiritual. Assim, a forma reduzida do “corpo mental” se integra ao corpo da mãe, num processo semelhante à magnetização.
No exemplo dado por André Luiz, na obra “Missionários da Luz”, essa integração mental ocorreu quando Segismundo foi recebido e abraçado pela mãe. O abraço, no caso, foi o consentimento, a aceitação do filho, o ponto crítico dessa espécie de fusão espiritual mãe-filho.
O passo seguinte é a corrida dos mais de 200 milhões de espermatozóides do pai em direção a um único óvulo que será fecundado.
O corpo da mãe – particularmente no centro genésico – já está suficientemente envolvido pelo Espírito reencarnante, ou seja, impregnado por suas emanações magnéticas ou, na linguagem mais comum, por suas vibrações.
O corpo mental traz consigo toda a estrutura mental do reencarnante (pensamentos, idéias, ideais, tendências, etc), que caracteriza a sua individualidade, e que influenciará o processo de fertilização que está em andamento, para seleção do espermatozóide que vai fecundar o óvulo. Neste caso, esse processo pode ter ou não a participação da Espiritualidade, dependendo de cada caso, conforme explica André Luiz.

“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 400
JANEIRO 2010
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

FIDELIDADE A KARDEC


Walter de Moraes Fontes

“Quanto a mim, este é o meu concerto:
Diz o Senhor: o meu espírito está sobre ti e as minhas palavras, que pus na tua boca não se desviarão da tua boca, nem da boca da tua posteridade, desde agora e por todo o sempre.“ Isaias: 59:21

O concerto, a aliança, a que desde Moisés os Profetas se referiam, era o pacto de fidelidade e de respeito ao ensino que eles recebiam dos espíritos e transmitiam ao povo.

O profeta Isaias, médium psicofônico, vidente e clarividente, desde a sua puberdade, várias vezes citado por Jesus, recomendava ao povo cautela quanto à evocação dos mortos, não como proibição, mas para que aquilatassem se as revelações dos manifestantes não se desviavam dos princípios que Jeová lhes transmitiu, precatando-se assim contra a falsidade e a contradição.

Fazia tal advertência porque o povo passou a ser influenciado pelas crendices místicas e pelas superstições introduzidas no seu meio pelos invasores Assírios, afeitos à idolatria, à crendice e à magia.

Isaias era um austero defensor do Javismo, a Nova Revelação, nascida da extraordinária mediunidade de Moisés, que se opunha à herança das crendices mágicas do passado dos hebreus e das que os influenciaram no Egito onde se mantiveram como autênticos escravos reduzidos a condições humilhantes durante mais de quatro séculos. (Ex.12:40)

Emmanuel, pela psicografia do nosso saudoso Chico Xavier, referindo-se às formas primitivas da mediunidade que geraram as crendices populares acerca da origem dos males e das formas mágicas que supostamente poderiam afastá-los, as conceitua como “mediunismo”.

O “mediunismo”, forma rudimentar da manifestação mediúnica, misturava as estranhas e até então inexplicáveis manifestações espirituais, quase sempre provocadas por entidades de condição atrasada, às primitivas práticas religiosas, às simplórias crenças populares e às superstições milenares.

Afinal, como declaram os sociólogos, os antropólogos, os arqueólogos e pesquisadores: das experiências primitivas da magia e da mística é que surgiram as primeiras formulações religiosas.

Como ressalta Kardec, o Espiritismo não pode ser confundido, nem encarado, menos ainda misturado ou agregado às milenares superstições criadas pelas empíricas formulações religiosas, resultantes do “mediunismo”, segundo o conceito de Emmanuel.

Como adverte Kardec, ao abordar o tema dos Caracteres da Doutrina, no livro A GÊNESE:

“O Espiritismo fez derrocar o império do maravilhoso e do sobrenatural, fonte da maior parte das superstições”.

As práticas e crenças supersticiosas, aceitas pela crendice em supostos favores materiais que se pretendem obter dos espíritos (normalmente zombeteiros), representam um retrocesso evolutivo que, já ao tempo de Isaias, há mais de 2600 anos, eram condenadas.

O móvel de tais condutas é o apego do homem aos interesses mundanos e o seu desejo de vencer com maior facilidade e inexistente segurança, pela proteção espiritual oferecida por espíritos de condição inferior.

Inadvertido, o homem entrega-se ao atavismo da religiosidade mágica e por fanatismo serve-se do “mediunismo” irresponsável, obtendo, quase sempre o que quer ouvir, mas obtêm, somente, a palavra da mistificação de espíritos que zombam da sua credulidade, como adverte Kardec. (LM. -XXIIV- Nota).

Erasto, discípulo de Paulo, que o ajudou na escrita das Epístolas em Corinto, onde exercia o cargo de administrador da Cidade, participando da elaboração do Livro dos Médiuns, escreveu a seguinte instrução:

“Os médiuns levianos e pouco sérios atraem espíritos da mesma natureza, por isso suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, idéias truncadas, não raro muito heterodoxas,” - contrárias à Doutrina. (LM. 230).

Assevera Kardec: os que: “Buscam um espírito qualquer” – aventuram-se à obsessão - “diversos foram punidos da presunção de se julgarem bastante fortes –” com anos de obsessão de toda a espécie, pelas mais ridículas mistificações e por uma fascinação tenaz – e pelas mais cruéis decepções.”

Desconsiderando os ensinos de Kardec surpreendemos com tristeza alguns médiuns mal informados ensinando a través de suposta aula de espiritismo para jovens os “segredos do zodíaco”, sem ter lido o seu Livro sobre A Gênese.

No capítulo V de A Gênese (12) acentua Kardec – que foi professor de astronomia como Prof. Rivail -:

“Os agrupamentos – de estrelas e astros - aos quais foi dado o nome de constelações, não são senão aparentes amontoados, causados pelo seu afastamento; suas figuras são efeito de perspectiva... para se distinguirem têm recebido nomes como: Leão, Touro, Gêmeos, Capricórnio, etc. A crença na influência das constelações, sobretudo aquelas que constituem os doze signos do zodíaco provém da idéia associada aos nomes que elas receberam.”

Abdicando da sua natural seriedade no trato dos assuntos espíritas, arremata como a irônica observação de que, se em vez de “... Leão tivesse sido denominada ( constelação) jumento ou ovelha, certamente lhe teria sido atribuída uma influência totalmente diversa.”

Não foi a leviandade, a presunção, a fascinação que os espíritos nos ensinaram pela psicografia dos missionários médiuns que ajudaram o Prof. Rivail a registrar as leis da vida espiritual, mas o estudo sério da doutrina que puseram na nossa consciência.

Utilizando a linguagem de Isaias, anote-se que “o nosso concerto com os Abnegados Espíritos que nos legaram a Abençoada Doutrina Codificada por Kardec é o de que “o espírito de suas palavras não se desviarão , nem da tua boca, nem da tua posteridade”.

Tratando da Perpetuidade do Espiritismo na Revista Espírita de fevereiro de 1865, declarou Kardec: “O Espiritismo é inamoldável – indeformável – e não se afastará da verdade.”

Fidelidade a Kardec é o nosso concerto.


“INFORMAÇÃO”:
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ANO XXXIV N° 400
JANEIRO 2010
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domingo, 21 de abril de 2013

Série: A HISTÓRIA DE UMA MENSAGEM


“A Certeza definitiva de que a vida continua”
(38.ª Parte)

A história de hoje nos faz recuar a 03 de fevereiro de 1974, na cidade de Americana, São Paulo. Naquele domingo, um fato mudaria para sempre a existência da até então feliz família Basso Presente. Isto porque, ao final daquela manhã, seria surpreendida pela notícia da morte por afogamento de Jair, que na véspera rumara para um pesqueiro em Paulínia, às margens do rio Atibaia, e, no domingo cedo, modificara o programa, partindo, sem que em sua casa ninguém soubesse, rumo a praia Azul, distante 30 quilômetros do pesqueiro.
Contando à época 25 anos, Jair cursava o 4.º ano de Engenharia Mecânica, na UNICAMP, demonstrando em sua jornada até aquele momento, uma pressa de viver, desenvolvendo múltiplas atividades, em meio ao trabalho para o sustento, lecionando em colégios de Campinas. Alegre, jovial, aluno destacado, realizara até ali inúmeros cursos de extensão universitária e também concursos, dos quais era pertinaz candidato. Querido por todos os que o conheciam pela sua comunicação fácil, dinamismo e plenitude de vida, mantinha correspondência epistolar com amigos do Exterior. Sua morte súbita impôs imensa dor e sofrimento aos pais e à irmã, o que começaria a mudar, a partir de um dos fregueses da conhecida banca de frutas de seu pai no Largo do Rosário em Campinas, que em lhe percebendo a tristeza e cientificando-se do motivo da mesma lhe ofertou o livro “PRESENÇA DE CHICO XAVIER”.
Motivado e esperançoso, seu pai ruma com a esposa e filha para Uberaba, MG, quarenta e dois dias após a morte do filho. E, na noite/madrugada daquele 15 de março, Jair escreve aos entes queridos sentida e esclarecedora mensagem confirmando que  estava vivo, só que em outra dimensão.
APENAS PASSAGEIRA.
“Não estou em situação infeliz, mas sofro muito com a atitude de casa. Auxiliem-me. É tudo, por agora, o que lhes posso dizer. Tenho a mente nublada. Consigo entender muito pouco aquilo que se passa em torno de mim. As lágrimas dos meus queridos me prendem.”
Jair naturalmente encontra-se sob o efeito da perturbação derivada da sua brusca transferência para o Plano Espiritual. Como se vê sua condição é agravada pela atitude de revolta, inconformação e desespero dos familiares mais próximos que não conseguiam aceitar a perda do filho e irmão.
Tal testemunho é o alerta para que nos compenetremos da importância da resignação diante das separações resultantes da morte por saber que são apenas circunstanciais e aparentes, por se tratarem de mudanças apenas vibratórias e momentâneas.
SÁBIAS PALAVRAS.
“É muita coisa para observar, entretanto não posso ainda. Creio apenas que perder o corpo mais pesado não é desvencilhar-se do peso de nossas emoções e pensamentos, quando nossos pensamentos e emoções jazem nas sombras da angústia.”
Acertada a colocação de Jair. O peso que deixamos é apenas o do corpo, pois o das emoções e pensamentos prossegue animando o espírito que, por sinal, se precipita para níveis ou dimensões espirituais compatíveis com seu estado mental por ocasião do desencarne. Como ponderou um Benfeitor através do espírito André Luiz na série NOSSO LAR, não basta desencarnar o corpo, é preciso desencarnar os pensamentos.
FORÇA IRRESISTÍVEL.
“As vozes de casa chegam ao meu coração e, como se continuássemos juntos, vejo-os no quarto, guardando-me as lembranças como se devesse chegar a qualquer instante. E o meu pensamento não sai de onde me prendem. Agradeço, sim, o amor em suas lágrimas. Agradeço o carinho em suas preces, mas venho pedir-lhes para viverem. Viverem! E viverem felizes, porque assim também serei feliz.”
Reação e comportamento normal o dos familiares de Jair. Normalmente, os que ficam na retaguarda do Plano Material iludem-se supondo que o culto aos pertences do desencarnado é capa de suprir-lhes as carências energéticas, naturalmente resolvidas na convivência diária. É o amor apego, o qual não conseguimos corrigir até porque geralmente não se tem a noção da relatividade da existência. Observe-se a força irresistível dos pensamentos que interliga mentes e corações. Diz Jair: “o meu pensamento não sai de onde me prendem” e “vejo-os no quarto, guardando-me as lembranças”.
PENSEMOS NISTO.
“O coração parou, ao modo de um motor de que não se descobre imediatamente o defeito. Sou eu quem deu tanto trabalho aos amigos. Notei quando me chamavam, quando me abraçavam, massageavam e me faziam quase respirar sem conseguir. Agradeço por tudo. Depois foi o sono, um sono profundo, do qual acordei para chorar com o pranto de meus pais e de meus afetos mais queridos. Sueli acalme-se e auxilie os pais queridos.”
Estranha deve ser a sensação ao sentirmos o coração interromper seu funcionamento subitamente.
Mesmo razoavelmente esclarecidos sobre a questão, não deve ser fácil admitirmos tal ocorrência. Assustador deve ser ver a movimentação ao redor do corpo imóvel, mantendo a lucidez, sem conseguir se expressar. Abençoado torpor ou sono profundo que desliga nossa consciência do momento, a fim de que não registremos detalhes que possam nos prejudicar no despertar no Plano Espiritual.
NADA É POR ACASO.
“Nada de lamentações e reclamações. Deixei o corpo num domingo sem extravagâncias quaisquer. Há quem pense em drogas, quando se deixa a vida física assim qual me sucedeu. Mas não havia drogas, nem abuso da véspera. Estávamos sóbrios e brincávamos à maneira de pássaros descuidados.”
Cogitação comum aquela dos que julgam pelas aparências, sem conhecer a totalidade dos fatores determinantes. A morte de um jovem por causas naturais, incrivelmente faz supor que o consumo de drogas possa ter sido fator desencadeante. Trata-se de avaliação equivocada. No caso de Jair, foi o coração que, provavelmente por causas anteriores, já trazia seu funcionamento comprometido, expondo-o ao colapso que o vitimou.
A íntegra desta e outras mensagens poderá ser lida na obra “JOVENS NO ALÉM”, publicada pelo GEEM, de São Bernardo do Campo.


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O SONO NAS REUNIÕES ESPÍRITAS


Francisco Rebouças
Todos nós sabemos da necessidade do sono para o refazimento do nosso organismo físico. No entanto, é preciso que se atente para o fato, de que nem sempre nos é adequado fazer uso dessa bênção para nos restabelecer o equilíbrio, havendo mesmo ocasiões em que ele pode até se tornar fatal para nossas vidas. Há momentos em que não se pode admitir que alguém possa estar dormindo como, por exemplo, na hora do trabalho remunerado, que pode lhe custar até mesmo a demissão por justa causa; ou quando estiver com a responsabilidade de cuidar de uma criança; ou ainda no trânsito ao volante de um veículo nas rodovias brasileiras, imagine um médico dormindo ou mesmo cochilando, durante uma cirurgia delicada, etc. etc. Assim, podemos afirmar que, “o sono exercido à hora em que se solicita a vigília, pode tornar-se inimigo cruel e implacável”.
Allan Kardec nos esclarece a respeito da utilidade do sono conforme segue:
À HORA DE DORMIR
“O sono tem por fim dar repouso ao corpo; o Espírito, porém, não precisa repousar. Enquanto os sentidos físicos se acham entorpecidos, a alma se desprende, em parte, da matéria e entra no gozo das faculdades do Espírito. O sono foi dado ao homem para reparação das forças orgânicas e também para a das forças morais. Enquanto o corpo recupera os elementos que perdeu por efeito da atividade da vigília, o Espírito vai retemperar-se entre os outros Espíritos. Haure, no que vê, no que ouve e nos conselhos que lhe dão, idéias que, ao despertar, lhe surgem em estado de intuição. É a volta temporária do exilado à sua verdadeira pátria. É o prisioneiro restituído por momentos à liberdade.
Mas, como se dá com o presidiário perverso, acontece que nem sempre o Espírito aproveita dessa hora de liberdade para seu adiantamento. Se conserva instintos maus, em vez de procurar a companhia de Espíritos bons, busca a de seus iguais e vai visitar os lugares onde possa dar livre curso aos seus pendores.
Eleve, pois, aquele que se ache compenetrado desta verdade, o seu pensamento a Deus, quando sinta aproximar-se o sono, e peça o conselho dos bons Espíritos e de todos cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham juntar-se-lhe, nos curtos instantes de liberdade que lhe são concedidos, e, ao despertar, sentir-se-á mais forte contra o mal, mais corajoso diante da adversidade.” ¹
Nas reuniões espíritas, sejam nas palestras, nos grupos de estudos, nas reuniões mediúnicas, ou outra qualquer, não se pode admitir que o trabalhador espírita dê menos importância aos labores da Seara do Mestre de Nazaré, que nos afazeres normais do seu dia a dia, visto que, em sendo ele admitido para essas tarefas na seara da mediunidade, acredita-se que esteja consciente de sua responsabilidade nas referidas atividades da casa espírita que freqüenta.
Temos visto muitos companheiros, alistados nas tarefas das Casas Espíritas, que são protagonistas de situações realmente desagradáveis, por se entregarem ao sono nas reuniões doutrinárias, que normalmente já chegam atrasados com a intenção única de dar passes no final das palestras, para que sejam observados por todos como tarefeiros passistas de suas instituições. Quando se vêem chamados a dar algumas explicações sobre o sono que lhes domina, saem com as maiores e mais absurdas desculpas tais como:
1- Estou sendo utilizado pelos espíritos para ceder fluidos para ajudar ao orador;
2- Estou trabalhando em parcial desdobramento;
3- Alguns chegam a afirmar, que aprendem muito mais desdobrados que em vigília, etc.
Claro que esse desculpismo infundado e sem lógica doutrinária é natural naqueles que se julgam mais sabidos que os outros, mas, que na verdade em nada condiz com alguém que conhece os preceitos de uma doutrina clara e lógica como a nossa. Sabemos, que o cansaço físico de um dia atribulado no trabalho profissional, aliado à falta de motivação e a monotonia de determinados oradores, muito pode contribuir para a sonolência de quem já tem o mau hábito de dormir nas atividades espirituais da Casa Espírita.
Mas, esses fatores predisponentes aqui citados, não representam a verdadeira causa do adormecimento nesse tipo de reunião, que na sua grande maioria se processa pela interferência de mentes viciosas do mundo espiritual inferior, que operam magneticamente à distância, com a finalidade de não permitirem que o indivíduo adormecido se beneficie do tema edificante da palestra.
“Sobre o assunto, vejamos o que diz o assistente “Aulus” para André Luiz:
“(...) Os expositores da boa palavra podem  ser comparados a técnicos eletricistas, desligando «tomadas mentais», através dos princípios libertadores que distribuem na esfera do pensamento.
Sorriu bem-humorado e prosseguiu:
— Em razão disso, as entidades vampirizantes operam contra eles, muitas vezes envolvendo-lhes os ouvintes em fluidos entorpecentes, conduzindo esses últimos ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação”.²
Irmã Zélia, também confirma a ação perniciosa dos desencarnados infelizes que se aproveitam da invigilância de certos tarefeiros, que imprevidentes e despreparados para os misteres da mediunidade se deixam envolver por essas influências negativas conforme narra a Otilia Gonçalves:
“Alguns – prosseguiu – penalizada –, embora libertados momentaneamente das expressões obsedantes, penetram o recinto, com desrespeito e indiferença, entregando-se, durante o trabalho, ao sono reprovável, resultante da intoxicação mental de que são portadores, ou se deixam conduzir pelos pensamentos habituais, refazendo as ligações mentais e ameaçando o serviço venerando, pela possibilidade de invasão intempestiva dos seus algozes revoltados, constrangidos, na retaguarda, e que, destarte, encontram brechas no conjunto que deve ser protegido e defendido por todos.” ³

Dessa forma, é de suma importância que nos preparemos adequadamente, para exercer as atividades no labor mediúnico, em nossas Casas Espíritas, observando alguns ensinos ministrados pelos amigos espirituais dentre os quais destacamos:
a- Quando possível, fazer um pequeno relaxamento físico e mental, antes de se dirigir ao trabalho espiritual da Casa Espírita;
b- Evitar alimentação exagerada e de difícil digestão;
c- Dedicar-se com alegria e empenho às atividades espirituais, por saber que estamos representando Jesus ante o necessitado que O busca;
d- Evitar conversas negativas, como críticas, comentários sobre doenças, queixas, etc., portando-se de forma mais digna exigida para um trabalhador da Seara do Mestre de Nazaré;
e- Manter-se em sintonia elevada, orando e vibrando positivamente, contribuindo para o êxito do trabalho.
Precisamos atentar para o fato de que, somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos e não podemos ficar acusando este ou aquele indivíduo, ou este ou aquele motivo para nos desculpar dos nossos insucessos perante as tarefas de cunho espiritual a nós confiadas pela Espiritualidade Maior. Sobre esse assunto, ouçamos o que nos diz André Luiz:
“Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Repare o ritmo da própria vida, examine a receita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exatamente o que semeia”. 4
Que Jesus nos guarde em sua paz, e que não sejamos nós os responsáveis pelo fracasso das atividades de intercâmbio nas tarefas a que nos candidatamos por livre e espontânea vontade.
Fontes:
1) E.S.E. – Cap. XVIII, item 38.
2) NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE , 23ª edição– Cap. 4, pag. 39.
3) ALÉM DA MORTE , 9ª edição – Cap. XVI, pag. 239.
4) AGENDA CRISTÃ – Cap. 18.
FONTE: MUNDO ESPÍRITA



INFORMAÇÃO
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 400 JANEIRO 2010
é registrada na D.C.D.P. Do D.P.F. sob n. 1702
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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Contracepção


Sobre esse tema, um tanto polêmico na sociedade atual, vejamos o que é dito no Livro dos Espíritos:


"693. São contrários à lei da Natureza as leis e os costumes humanos que têm por fim ou por efeito criar obstáculos à reprodução?

'Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral.'

a) - Entretanto, há espécies de seres vivos, animais e plantas, cuja reprodução indefinida seria nociva a outras espécies e das quais o próprio homem acabaria por ser vítima. Pratica ele ato repreensível, impedindo essa reprodução?

'Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades. A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza e é ainda isso o que o distingue dos animais, porque ele obra com conhecimento de causa. Mas, os mesmos animais também concorrem para a existência desse equilíbrio, porquanto o instinto de destruição que lhes foi dado faz com que, provendo à própria conservação, obstem ao desenvolvimento excessivo, quiçá perigoso, das espécies animais e vegetais de que se alimentam.'

694. Que se deve pensar dos usos, cujo efeito consiste em obstar à reprodução, para satisfação da sensualidade?
'Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material.'"
Claro que o sexo, no caso do ser humano, não se trata “apenas” de um ato reprodutivo. Ele envolve também todo um leque de questões afetivas e morais que o colocam acima disso. Mas claro também que, como qualquer outra coisa, não deve ser objeto de abuso por nossa parte. Em uma situação ideal de caráter moral-espiritual o homem não seria vítima (ou escravo) do prazer sensual e, por conseguinte, não precisaria lançar mão de quaisquer métodos contraceptivos, barrando assim o curso da vida. No entanto, considerando-se os níveis de materialidade do ser humano atual, a justificação de tais métodos acaba por encontrar ressonância em seu pensamento, mesmo que ainda ressaltando-se a questão moral de que sempre, ligado ao sexo, deve existir os sentimentos de amor e carinho entre o casal, não se tornando esses artifícios um meio para a obtenção desenfreada de prazer carnal sem aquisição de responsabilidades posteriores.

Quanto mais envolto em um maior nível de espiritualidade, menos o homem lançará mão de tais artifícios, mas leva-se um tempo para se conseguir isso. O correto ao ser humano é sempre buscar estender mais à frente os seus limites, adentrando em novos níveis na escala evolutiva do espírito. Fixando-se onde está, aprenderá pelo modo mais lento e mais sofrível, mas, com certeza, ascenderá a uma maior espiritualidade com o passar dos tempos, uma vez que tal é a lei da Natureza e achar possível conter o seu fluxo seria mera ilusão.

 - Conhecendo o Espiritismo sem preconceitos

domingo, 14 de abril de 2013

Anti-conceptivos e planejamento familiar


Joanna de Ângelis 


Alegações ponderosas que merecem consideração vêm sendo arroladas para justificar-se a planificação familiar através do uso dos anti-conceptivos de variados tipos. São argumentos de caráter sociológico, ecológico, econômico, demográfico, considerando-se com maior vigor os fatores decorrentes das possibilidades de alimentação numa Terra ti da como semi -exaurida de recursos para nutrir aqueles que se multiplicam geometricamente com espantosa celeridade...
Entusiastas sugerem processos definitivos de impedimento procriativo, pela esterilização dos casais com dois filhos, sem maior exame da questão, no futuro, transformando o indivíduo e a sua função genética em simples máquina que somente deve ser acionada para o prazer, nem sempre capaz de propiciar bem-estar e harmonia.
Sem dúvida, estamos diante de um problema de alta magnitude, que deve ser. Todavia, estudado à luz do Evangelho e não por meios dos complexos cálculos frios da precipitação materialista.
O homem pode e deve programar a família que deseja e lhe convém ter: número de filhos, período propício para a maternidade, nunca, porém, se eximirá aos imperiosos resgates a que faz jus, tendo em vista o seu próprio passado.
Melhor usar o anti-conceptivo do que abortar.
Os filhos, porém, não são realizações fortuitas, decorrentes de circunstancias secundárias, na vida. Procedem de compromissos aceitos antes da reencarnação pelos futuros progenitores, de modo a edificarem a família de que necessitam para a própria evolução.  lhes lícito adiar a recepção de Espíritos que lhes são vinculados, impossibilitando mesmo que se reencarnem por seu intermédio.
Irrisão, porém, porquanto as Soberanas Leis da Vida dispõem de meios para fazer que aqueles rejeitados venham por outros processos à porta dos seus devedores ou credores, em circunstancias quiçá mui dolorosas, complicadas pela irresponsabilidade desses cônjuges que ajam com leviandade, em flagrante desconsideração aos códigos divinos.
Assevera-se que procriar sem poder educar, ter filhos sem recursos para cuidá-los, aumentando, incessantemente, a população da Terra, representa condená-los à miséria e a sociedade do futuro a destino inditoso...
Ainda aí o argumento se reveste do sofisma materialista, que um dia inspirou Malthus na sua conceituação lamentável e no não menos infeliz néo-malthusianismo que adveio posteriormente...
Ninguém pode formular uma perfeita visão do porvir para a Humanidade, e os futurólogos que aí se encontram têm estado confundidos pelas próprias apreensões, nas surpresas decorrentes da sucessão dos acontecimentos ainda nos seus dias...
A cada instante recursos novos e novas soluções são encontrados para os problemas humanos.
Escasso, porém, é o amor nos corações, cuja ausência fomenta a fome de fraternidade, de afeição e de misericórdia, responsável pelas misérias que se multiplicam em toda parte.
Não desejamos aqui reportar-nos às guerras de extermínio, que o próprio homem tem engendrado e de que se utiliza a Divindade para manter o equilíbrio demográfico, nem tão pouco às calamidades sísmicas que irrompem cada dia voluptuosas, convidando a salutares reflexões.
Quando um filho enriquece um lar, traz com ele os valores indispensáveis à própria evolução, intrínseca e extrinsecamente.
A cautela de que se utilizam alguns pais, aguardando comodidade financeira para pensar na progenitura, nem sempre é válida, graças às próprias vicissitudes que conduzem uns à ruína econômica e outros à abastança por meios imprevisíveis.
A programação da família não pode ser resultado da opinião genérica dos demógrafos assustados, mas fruto do diálogo franco e ponderado dos próprios cônjuges, que assumem a responsabilidade pelas atitudes de que darão conta.
O uso dos anti-conceptivos como a implantação no útero de dispositivos anticoncepcionais, mesmo quando considerado legal, higiênico, necessita possuir caráter moral, a fim de se evitarem danos de variada conseqüência ética.
A chamada necessidade do "amor livre" vem impondo o uso desordenado dos anovulatórios, de certo modo favorecendo a libertinagem humana, a degenerescência dos costumes, a desorganização moral, e, conseqüentemente, social dos homens, que se tornam vulneráveis à delinquência  à violência e às múltiplas frustrações que ora infelicitam verdadeiras multidões que transitam inermes e hebetadas, arrojando-se aos abusos alucinógenos, à loucura, ao suicídio...
Experiências de laboratório com roedores, aos quais se permitem a procriação incessante, hão demonstrado que a superpopulação em espaços exíguos os alucina e os incapacita...Daí defluem, apressados, que o mesmo se vem dando com o homem, para justificarem a falência dos valores éticos, e utilizando-se da observação a fim de fomentarem a necessidade de impedir-se a natalidade espontânea... Em realidade, porém, os fatos demonstram que, com o homem, o fenômeno não é análogo.