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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

2 – Tipos de Mediunidade

Módulo XI
Mediunidade
2 – Tipos de Mediunidade

Quanto aos tipos, a mediunidade pode ser classificada em:

Mediunidade de efeitos físicos e mediunidade de efeitos inteligentes.

Mediunidade de Efeitos Físicos

É aquela em que a ação dos Espíritos produz efeitos na matéria. Estes fenômenos sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Por isto, esses fenômenos são também chamados de materiais ou objetivos.

Podemos classificá-los desta maneira:

Sonoros: Vão desde os simples “raps”(pancadas secas) até os estrondos, passando pelos fenômenos em que é produzida música, sem haver instrumentos no local.

Quando podemos formar com estes efeitos sonoros uma linguagem através de códigos, temos a tiptologia que, por sua vez, pode ser:

Interior: Pancadas produzidas no interior do objeto, sem movimento externo.

Bascular: Com movimento de objeto para dar as pancadas, por exemplo, mesa que bate com um dos pés.

Alfabética: Quando as pancadas produzidas mostram a letra desejada do alfabeto.

Sematologia: Quando as luzes, os sons ou o movimento dos objetos deixam transparecer uma vontade ou intenção ou um determinado sentimento.

Luminosos: Produção de centelhas, clarões e luzes.

Motores: Movimentação de corpos inertes, sem qualquer contato físico ou outro meio material. Nesta categoria de fenômenos, destacam-se:

Levitação: Um ser ou objeto é suspenso no ar, aparentemente contrariando a lei da gravidade.

Transporte: Quando um ser ou objeto é levado de um local para outro.

Materialização: Formação(parcial ou total) de coisas ou corpos. Normalmente são temporárias.

Transfiguração: É a modificação dos traços fisionômicos do médium ou do seu aspecto geral.

Voz Direta: Produção de sons correspondentes à voz humana, articulada e audível por todos os presentes.

Escrita Direta: Trata-se da produção de escrita sem o concurso de mãos humanas.

Mediunidade de Efeitos Inteligentes

Estes efeitos são também chamados intelectuais ou subjetivos, porque os fenômenos ocorrem na esfera subjetiva do médium. Desta forma, não ferindo os cinco sentidos do médium, não são todos que os percebem.

Podemos dividi-la em:

Intuitiva: Quando o médium percebe a realidade do plano espiritual ou pensamentos dos Espíritos, mas somente pela intuição.

Vidência: Permite aos médiuns ver os Espíritos. Uns gozam desta faculdade em estado normal, ou seja, de vigília, outros só a possuem em estado de sonambulismo.

Audiência: É a faculdade de ouvir a “voz” dos Espíritos.

Psicometria: Através deste tipo de mediunidade, o médium consegue, pela captação da energia impregnada nos objetos, informações históricas dos seres ligados a este objeto ou dos próprios objetos.

Psicofonia: O Espírito fala, usando o aparelho físico do médium. Este, por sua vez, transmite as comunicações de forma mais ou menos consciente, de acordo com a categoria de sua mediunidade. Queremos sempre lembrar que não há incorporação do Espírito, mas que esse age sobre a corrente nervosa do médium.

Psicografia: É a mediunidade que permite ao médium escrever sob a influência do Espírito. Através deste método, os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau de aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade.

Podemos classificá-la desta forma:

Mecânica: O médium age em um certo grau de inconsciência, que é como se o Espírito dirigisse a sua mão, independente da sua vontade. No entanto, o médium permanece vigilante em Espírito durante a comunicação, podendo retomar o controle de suas faculdades no momento que lhe aprouver.

Semi-Mecânica: O médium sente que a sua mão é impulsionada pelo Espírito, mas tem consciência do que escreve, à medida que as palavras são formadas, e o controle é maior de sua parte.
Intuitiva: Como o próprio nome diz, é uma comunicação intuitiva. O Espírito não atua sobre a mão do médium, mas sobre a sua alma. Esta dirige a sua mão, que por sua vez dirige o lápis.

Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade
Goiânia – GO
Trabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de
Cláudio Fajardo
Divulgação


terça-feira, 12 de agosto de 2014

4 – As Penas Futuras segundo o Espiritismo

Módulo X

Imortalidade da Alma e Vida Futura

4 – As Penas Futuras segundo o Espiritismo


A questão das penas futuras, sempre foi motivo de muitas dissensões entre os religiosos e aqueles que não possuem fé alguma. E se analisarmos com tranqüilidade, em muitas vezes, temos de dar razão aos não religiosos, devido à falta de lógica da teoria professada pelos ditos cristãos.
Também sobre este assunto, a Codificação Espírita trouxe muito esclarecimento.
Transcrevemos abaixo, parte do texto escrito por Kardec em sua importante obra “O Céu e o Inferno”.
A doutrina Espírita, no que respeita às penas futuras, não se baseia numa teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema (…). Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto (…).
O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia; a sua lei no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do fato, pode resumir-se nos seguintes pontos:
1. A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.
2. A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda a perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.
3. Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de gozo (…).
4. Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem a necessidade de lugar circunscrito. O inferno está em toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver almas felizes.
5. Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha conseqüências fatais, como não há uma única ação meritória, um só bom movimento da alma que se perca (…).
6. Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez (…).
7. Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo: - a única lei geral é que toda falta terá punição e terá recompensa todo ato meritório, segundo seu valor.8. A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita (…).
9. Dependendo da melhoria do Espírito a duração do castigo, o culpado que jamais melhorasse sofreria sempre, e, para ele, a pena seria eterna (…).
10. O arrependimento conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação, e reparação, constituem as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências (…). A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos.
11. Os Espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes, cuja harmonia perturbariam (…).
12. Como o Espírito tem sempre o livre-arbítrio, o progresso por vezes se lhe torna lento, e tenaz a sua obstinação no mal. Nesse estado pode persistir anos e séculos (…).
13. Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo de guarda (…). A influência do anjo de guarda, contudo, faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição (…).
14. Conquanto infinita a diversidade de punições, algumas há inerentes à inferioridade dos Espíritos (…). A punição mais imediata, sobretudo entre os que se acham ligados à vida material em detrimento do progresso espiritual, faz-se sentir pela lentidão do desprendimento da alma; nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na conseqüente perturbação que pode dilatar-se por meses e anos (…).
15. Um fenômeno mui freqüente entre os Espíritos de certa inferioridade moral, é o acreditarem-se ainda vivos (…).
16. Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das conseqüências do crime é um suplício cruel.
17. Espíritos há mergulhados em densa treva; outros se encontram em absoluto insulamento no Espaço, atormentados pela ignorância da própria posição, como da sorte que os aguarda (…). Alguns são privados de ver os seres queridos e todos, geralmente, passam com intensidade relativa pelos males, pelas dores e privações que a outrem ocasionaram (…).
18. O hipócrita vê desvendados, penetrados e lidos por todo o mundo os seus mais secretos pensamentos (…). O egoísta, desamparado de todos, sofre as conseqüências da sua atitude terrena; nem amigas mãos se lhe estenderão às suas mãos súplices; e pois que em vida só de si cuidara, ninguém dele se compadecerá na morte.
19. O único meio de evitar ou atenuar as conseqüências futuras de uma falta, está no repará-la desfazendo-a no presente (…).
20. A situação do Espírito, no mundo espiritual, não é outra senão a por si mesmo preparada na vida corpórea (…).
21. Certo, a misericórdia de Deus é infinita, mas não é cega. O culpado que ela atinge não fica exonerado, e enquanto não houver satisfeito à justiça, sofre a conseqüência dos seus erros (…).
22. Às penas que o Espírito experimenta na vida espiritual ajuntam-se as da vida corpórea, que são conseqüentes às imperfeições do homem, às suas paixões, ao mau uso das suas faculdades e à expiação de presentes e passadas faltas. É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências (…).23. Todos somos livres no trabalho do próprio progresso, e o que muito, e depressa trabalha, mais cedo recebe a recompensa (…). O bem e o mal são voluntários e facultativos: livre, o homem não é fatalmente impelido para um nem para outro.
24. Em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:
1. O sofrimento é inerente à imperfeição.
2. Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3. Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.85
85 “O Céu e o Inferno”, I Parte, cap. VII.

Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
 Centro Espírita Amor e Caridade
Goiânia - GOTrabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de Cláudio FajardoDivulgação

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

3 – Preparação do Espírito para o Desencarne

Módulo X
Imortalidade da Alma e Vida Futura


3 – Preparação do Espírito para o Desencarne

Os Espíritos têm afirmado a todo instante que a maior dificuldade encontrada pelo desencarnante no outro plano da vida, e a maior dificuldade encontrada pelos guias encarregados de auxiliar neste processo, é a falta de preparo do recém liberto.

E é fácil de entender o porquê. Imagine se qualquer um de nós fôssemos travar conversação com um elemento que desconhecesse o nosso idioma, e nós desconhecêssemos o dele.. Já pensaram que dificuldade? E olha que, quanto ao desencarne, a situação é bem mais complexa.

Voltando às comparações, notamos que é comum a qualquer um de nós, quando da realização de uma viagem a um país estranho, realizarmos determinada programação.

Que língua é falada neste país? Como vou fazer para me comunicar com seus habitantes? Qual a temperatura que está por lá? Será que a minha vestimenta está adequada?

Qual a moeda que tem valor nesta região? Como realizar o câmbio?

Estas e outras questões são levantadas por nós, antes de empreendermos viagem.

E quanto ao desencarne, viagem que todos nós sabemos que mais cedo ou mais tarde vamos realizar, temos nos preparado adequadamente? Como fazer?

O Espírito Irmão X, no livro “Cartas e Crônicas”, traz valiosas anotações a respeito deste tema. Por isto, achamos melhor transcrever sua narrativa.

Segundo ele, devemos modificar em primeiro lugar, nossos antigos maus hábitos.

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.

Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão.

Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.

Tanto quanto lhe seja possível, evite os abusos do fumo. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina.

Não se renda à tentação dos narcóticos. Por mais aflitivas lhe pareçam as crises do estágio no corpo, agüente firme os golpes da luta. As vítimas da cocaína, da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia.

E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo.

Temos aqui muita gente boa carregando consigo inferno rotulado de “amor”.

Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós, em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.

Em família, observe cautela com os testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios.

Sobretudo, não se apegue demasiado aos laços consangüíneos. Ame a sua esposa, seus filhos e seus parentes com moderação, na certeza de que, um dia, você estará ausente deles e de que, por isso mesmo, agirão quase sempre em desacordo com a sua vontade, embora lhe respeitem a memória. Não se esqueça de que, no estado presente da educação terrestre, se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena, depois dos funerais, na certa intimá-lo-ão a descer aos infernos, receando-lhe a volta inoportuna.

Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.

Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço.

Por essa razão, em qualquer circunstância, conserve o seu nobre sorriso.

Trabalhe sempre, trabalhe sem cessar.

O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas.
Ajude-se através do leal cumprimento de seus deveres.

Quanto ao mais, não se canse nem indague em excesso, porque, com mais tempo ou menos tempo, a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita, impondolhe ao conhecimento tudo aquilo que, por agora, não lhe posso dizer.84

84 “Cartas e Crônicas”, cap. 4.


Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade
Goiânia – GO
Trabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de Cláudio Fajardo


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sexta-feira, 25 de julho de 2014

o que é reencarnação compulsória?

JUVENTUDE
O JOVEM E SEUS PROBLEMAS



Eu gostaria de saber o que é reencarnação compulsória?
Por que existe para alguns espíritos e para outros, não?

(José Davi Vieira- Duartina-SP)

- Alguns espíritos são como crianças; não têm discernimento para escolher ou para defender seus próprios interesses.
Às vezes são agressivas e rebeldes; de outras, tímidas e inoperantes. Na literatura jurídica, as pessoas que não têm capacidade de tomar decisão na vida civil são chamadas de incapazes, como é o caso das crianças. Por isso, as crianças são representadas pelos seus pais perante a lei.
Quando elas já têm algum discernimento, porém não o suficiente para tomar toda e qualquer decisão, são parcialmente incapazes, e não precisam ser mais representadas: agora passam a ser assistidas pelos pais.
- O mesmo acontece com relação aos Espíritos. Há Espíritos total ou parcialmente imaturos, agressivos ou tímidos, que vão precisar de representação ou assistência para algumas decisões em relação às suas vidas. No caso de não terem condição de escolher, são outros Espíritos que escolhem por eles - seus protetores ou seus tutores. A reencarnação é indispensável para o progresso dos Espíritos. Neste caso, em que não são os próprios interessados que escolhem, a reencarnação é chamada compulsória, e mesmo que eles não estejam satisfeitos com a escolha, devem a ela se submeter, simplesmente porque necessitam daquela experiência.
Poderíamos comparar essa situação com a escola na Terra.
A criança vai para a escola por decisão dos pais e não propriamente por decisão delas próprias.
Muitos alunos frequentam a escola, contrariados.
- Por outro lado, existem Espíritos que já reúnem condições de fazer a própria escolha.
Já desenvolveram um certo grau de discernimento para tanto, embora isso não queira dizer que eles acertem sempre.
Podem acertar e podem errar.
Mas é tomando decisões que eles vão aprendendo a exercitar a sua liberdade. Quanto mais responsáveis forem, mais se esforçarão por decidir com acerto. Temos, assim, os planos de vida, em que são traçadas as diretrizes gerais da existência.
Esses planos podem ser mais ou menos cumpridos, dependendo de cada caso e, principalmente, do esforço de cada um. Mas quando o Espírito já está em condição de escolher, geralmente ele aceita melhor a vida, mesmo os contratempos e as dificuldades.
Mostra-se mais paciente e resignado, pois, no fundo, sabe de suas reais necessidades.
63


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº 352
Fevereiro 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

sábado, 26 de outubro de 2013

VIDAS SUCESSIVAS

SERVIÇO

Américo Fernandes de Oliveira


Somente a reencarnação ou vidas sucessivas, provam plenamente a Grandeza Divina. Considerando-se a vida humana, tão-somente do berço ao túmulo, chegaremos à óbvia conclusão de que Deus é tão falível como o Ser humano, tendo em vista as diferenças gritantes existentes no seio da coletividade, onde se pode facilmente constatar pobres e ricos, obtusos e inteligentes, doentios e saudáveis, vivendo ombro a ombro, partilhando situações existenciais discrepantes entre si.
A unicidade de vida é incompatível com a Justiça Divina, o que não podemos sequer admitir, face à Inteligência Suprema que governa o Universo. Sobre o tema reencarnação, vamos ouvir o diálogo entre dois jovens.
- Lucas, você que é espírita pode me dar informações a respeito da reencarnação? - solicitou Diogo.
- Sem dúvida!
- Outro dia você abordou, de passagem, esse tema, hoje eu quero saber o porque de tantas reencarnações destinadas ao nosso progresso.
- Caro Diogo, Deus criou os Espíritos simples e ignorantes. Simples, porque não eram complexos como somos atualmente; ignorantes, porque desconheciam todas as coisas, até as mais rudimentares. A partir daí cada um foi usando o seu livre-arbítrio que Deus lhe concedeu para evoluir. Alguns souberam aproveitar as oportunidades concedidas e progrediram mais rapidamente; outros não tiveram a mesma iniciativa, partiram para as conquistas mais fáceis e enganosas, perderam tempo, retardaram a própria evolução. Não podemos olvidar que cada um de nós é autor do próprio destino.
Fenômeno semelhante ocorre nas escolas, onde existem alunos aplicados e ociosos; os primeiros aprendem rapidamente as matérias lecionadas; os segundos, marcam passo - esclareceu Lucas.
- Então, não existe um número fixo de reencarnações? - perguntou Diogo, ávido de novos conhecimentos.
- A quantidade de encarnações será proporcional ao que o Espírito necessitar. Assim, depende unicamente de cada Ser retornar mais vezes ou menos vezes, até conquistar a própria evolução aqui na Terra. O tempo e a dor são valiosos instrumentos de progresso na recuperação dos ensejos perdidos. A boa vontade e a determinação são fatores indispensáveis no bom aproveitamento do aprendizado.
- Então, todos os Espíritos estão progredindo?
- Na pior das hipóteses, Diogo - disse Lucas - o Espírito pode estagnar por algum tempo.
Contudo, ninguém ficará à margem da Lei do Progresso. O tempo e a dor são os grandes mestres da Humanidade. Há inclusive uma máxima que diz: “Quem não vai pelo amor, irá pela dor".
- O Espírito somente evolui aqui na Terra ou ele pode ingressar em outros planetas?
- Os Espíritos evoluem através das inumeráveis reencarnações, até atingirem o progresso que o Planeta enseja; depois, são promovidos a outros mundos, até atingirem a perfeição, embora esta seja sempre relativa,jamais absoluta.
- O Espírito, depois de lograr a perfeição, pode reencarnar em mundos inferiores?
- Perfeitamente! Foi o que ocorreu com Jesus, reencarnou-se na Terra para dar cumprimento à sua sublime missão, qual seja, orientar a Humanidade através de lições de luz e exemplos elevados, incentivando os homens a triunfarem sobre as imperfeições morais e obter conquistas enobrecidas. Quando isso ocorrer a criatura será livre e feliz, capacitada a realizar grandes cometimentos do agrado do Cristo.
Diogo acompanhava o raciocínio do amigo, com muita atenção; depois, reiniciou o diálogo, perguntando:
- Face ao que você está dizendo, as reencarnações são numerosas, pois o progresso do Espírito é muito lento. Estou certo?

- Realmente! Enquanto o Espírito não se conscientiza da Verdade, o progresso é bastante lento, porque as circunstâncias que o envolvem aqui na Terra, falam mais alto aos sentidos físicos. Os obstáculos são difíceis, mas não impossíveis de serem superados, proporcionando preciosas experiências de vida. Quando o Espírito entende o verdadeiro significado da existência humana, fatalmente ele chegará à óbvia conclusão de que poderá ser feliz, dependendo unicamente dos seus esforços e perseverança no sentido do Bem e da Verdade. Saberá, igualmente, que cada um é responsável pelo seu progresso espiritual. Caro amigo, até chegarmos ao conhecimento de tais verdades, teremos que viver incontáveis jornadas terrenas. Contudo, nada de desespero; afinal, somos imortais - argumentou Lucas.
- Então, é certo que a vida presente é resultado de vivências anteriores...
- Certíssimo!... Assim, como estamos respondendo por situações criadas no pretérito, estamos, ao mesmo tempo, edificando o nosso futuro com base no nosso comportamento atual.
- Com base no que você está me dizendo? O Espírito pode renascer homem ou mulher? - indagou Diogo, interessado no assunto.
- Primeiramente, quero esclarecer, que os Espíritos não têm sexo, como nós entendemos e podem animar corpos masculinos e femininos (Questões de nº 200 e 201, de O LIVRO DOS ESPÍRITOS). No retorno ao vaso físico, após bem examinada a situação espiritual de cada Ser, os especialistas em reencarnação avaliam em qual sexo ele deverá regressar à paisagem terrestre, no sentido de obter melhores resultados, face às metas evolutivas almejadas. Além do mais, os Espíritos para conquistarem pleno amadurecimento em todos os aspectos, têm necessidade de estagiar nos dois sexos. O homem é mais cérebro; a mulher, mais coração.
- Como explicar o caso das mulheres que mantêm atitudes masculinas e homens agindo de maneira feminina?
- Quando um Espírito estagia muitas vezes seguidas num sexo, acaba ganhando uma linha de conduta relativa ao sexo vivido reiteradas vezes, isto é, homem com jeitinho feminino ou vice-versa. Não estamos incluindo aqui os Espíritos sexualmente desajustados.
Isso é outra coisa! - respondeu Lucas.
- Isso é outra coisa?!... Explique-se melhor!
- Os seres sexualmente desajustados, obtiveram, mercê da Misericórdia Divina, nova reencarnação, a fim de se reabilitarem dos mesmos vícios e desequilíbrios de outras vidas. Contudo, estão, lamentavelmente, incidindo nas mesmas fraquezas morais, devido não serem suficientemente fortes para vencê-las - esclareceu Lucas, com convicção.
- Lucas, a ciência já reconhece a veracidade da reencarnação?
- Ainda não, apesar das reiteradas pesquisas e experiências efetuadas a respeito. Através da regressão da memória os cientistas obtiveram excelentes resultados, porém ainda  não se curvaram a tais evidências. As crianças prodígios, por exemplo, comprovam cabalmente a lei das vidas sucessivas, pelo extraordinário conhecimento que revelam, não obstante a tenra idade que têm, solucionando questões a que são submetidas, sem qualquer aprendizado específico. São fatos que ratificam a reencarnação para quem tem "olhos de ver".
- Gostaria de saber, também, se há informações sobre o tema enfocado por nós, na Bíblia.
- Antes de mais nada, devemos ressaltar que Jesus não citou a reencarnação, abertamente, porque os discípulos e o povo, não estavam ainda suficientemente amadurecidos para entender e aceitar essa verdade. No Velho Testamento (Malaquias 4:5 e 6), há uma profecia que indica como precursor do Cristo, Elias. Nós sabemos que o precursor foi João Batista (Marcos 1:7 e 8).
Apesar das informações serem divergentes, ninguém cometeu erro, ou seja, João Batista era Elias reencarnado. Há um diálogo entre Jesus e os seus discípulos, que nos oferece preciosa revelação, qual seja, o Divino Messias falava sobre Elias e os discípulos entenderam que Ele se referia a João Batista (Mateus 17:10 a 13). Jesus que tinha pleno conhecimento das coisas, não contestou a opinião deles.
Após pequena pausa, como Diogo aguardava novos esclarecimentos sobre o tema, Lucas, retomando a palavra, prosseguiu: - Nicodemos era doutor da lei. Certa vez ele procurou Jesus para um esclarecimento, ou seja, o que ele deveria fazer para herdar a Vida Eterna. O Messias foi claro: “Ninguém pode ver o reino dos céus se não nascer de novo. Se um homem não nascer da água e do Espírito, não pode ver o reino de Deus". (João 3:3 e 5). A Doutrina Espírita, abordando o tema à luz da Verdade, esclarece que nascer da água é nascer materialmente. Até a ciência materialista já concluiu que toda forma de vida procede da água. Além do mais, não podemos descartar que o feto durante o período de gestação fica imerso no líquido amniótico (água). Nascer do Espírito significa progredir espiritualmente na esteira infinita do tempo, acrescentou Lucas.
- Realmente, você está bem informado. Posso retornar outras vezes, para novos esclarecimentos?
- Sem dúvida. Lembre-se sempre: “Só a verdade nos tornará livres" (João 8:32).
A seguir, despediram-se com um fraternal aperto de mão. Diogo e Lucas tinham prazer em conversar, sobretudo enfocando temas transcendentais.

FONTE
Armando Fernandes de Oliveira; “DIÁLOGOS DO COTIDIANO”; ed. EME



“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº351
janeiro de 2003.
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
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Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
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