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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

2 – Processo Desencarnatório

Módulo X
Imortalidade da Alma e Vida Futura
2 – Processo Desencarnatório

O desencarne sempre traz, com raríssimas exceções, alguma perturbação para o Espírito envolvido neste processo.

Os que pautaram sua conduta pelos princípios de renovação espiritual em bases evangélicas sofrem menos esta perturbação. Já nos que viveram uma vida materialista baseado no imediatismo mundano, mais forte é o desequilíbrio, visto que as impressões da vida corporal transferem-se para o plano da consciência desencarnada.

O fato a que denominamos morte, só se dá quando do rompimento do cordão fluídico que une a alma ao corpo, mas essa separação não acontece de uma forma brusca.

O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo.80

80 “O Céu e o Inferno”, II parte, cap. I

Quando estudava o processo desencarnatório de Dimas no livro Obreiros da Vida Eterna, André Luiz, em determinado ponto, faz a seguinte consideração:

Para os nossos amigos encarnados, Dimas morrera, inteiramente. Para nós outros, porém a operação era ainda incompleta. E continua: O assistente deliberou que o cordão fluídico deveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do “morto”, ainda imperfeitamente preparado para o desenlace mais rápido.81

81 “Obreiros da Vida Eterna”, cap. XIII

Aprendemos, desta forma, que o desencarne não termina no instante em que o ser é dado como morto pela ciência médica, mas que ele só se completa algumas horas depois com o desligamento do cordão fluídico.

Podemos afirmar que não existem dois processos de desencarne rigorosamente iguais, visto que não existem dois Espíritos em total identidade. A sensação de maior ou menor sofrimento enfrentada pelo Espírito, está na razão direta da soma de pontos de contato existentes entre o corpo e o perispírito, nos afirma Kardec82, e esta é a mesma razão da maior ou menor dificuldade que apresenta o rompimento do cordão de prata.

82 “O Céu e o Inferno”, II parte, cap. I

Assim, temos que o sofrimento gerado pela “morte” é tanto maior quanto maior for a aderência corpo-perispírito, que é sempre determinado pela maior ou menor importância dada pelo homem, enquanto encarnado, às questões materiais. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria.

Isto vem confirmar que o sofrimento das almas moralizadas, é quase nulo, porque nulo é o seu apego às questões materiais. Posto isto, afirmamos que só depende de nós mesmos o nosso sofrer ou não sofrer no instante da grande transição.

Outra questão a considerar, é o tipo de desencarne que sofre o Espírito.

Quando trata-se de morte natural, gerada pela cessação das forças vitais por velhice ou doença, o processo é menos agressivo, e o Espírito penetra a vida espiritual de forma mais tranqüila, se mais espiritualizada foi a sua vida, conforme já dissemos. Mas mesmo no homem mais materializado, apesar das dificuldades geradas pelo apego, a morte mais lenta, mais natural é menos sofrida.

Na morte violenta, as sensações se diferem ao extremo. O Espírito, diante do inesperado, fica como que perturbado, e não entendendo o que se passa, acha que está ainda no mundo dos encarnados, e muitas vezes julga que o seu corpo fluídico é o mesmo corpo material, tendo as mesmas sensações.

É claro que aqui também difere em infinitas modalidades o que sente o Espírito, devido aos seus conhecimentos a respeito da vida espiritual e os progressos feitos em sua existência material. Para quem vivenciou mais na vida os valores do Espírito, a perturbação passa mais rapidamente, aos outros é mais lenta, podendo durar dias, meses, anos ou até séculos.

No caso do suicida então, mais penosa ainda é a transição. Os Espíritos chegam a afirmar que o sofrimento excede a qualquer expectativa. Como se já não bastasse a grave transgressão às Leis Divinas, o corpo está totalmente ligado ao perispírito, e a quantidade de fluido vital é ainda grande. Isto muitas vezes faz com que o Espírito assista, totalmente consciente, todo o processo desencarnatório, sentindo a decomposição de seu organismo molécula a molécula, e a maior surpresa que o espera é a grande decepção de ainda estar vivo.

Resumindo, temos então que o sofrimento do Espírito, na ocasião do desencarne, é sempre maior quanto mais lento for o desprendimento do perispírito. E essa lentidão é sempre maior quanto menor for a evolução moral do indivíduo.

Até então, analisamos o processo desencarnatório, vendo só a influência do Espírito do próprio desencarnante, mas a influência de familiares e amigos também é fator determinante no processo de desligamento do Espírito.

André Luiz, em livro psicografado por Chico Xavier, estuda a desencarnação de Fernando, e em determinado momento, nota que o estado aflitivo dos familiares prejudicam o ato desencarnatório. Veja como é narrado o fato:

A aflição dos familiares encarnados, aqui presentes (dizia Aniceto), poderá dificultar-nos a ação. Observem como todos eles emitem recursos magnéticos em benefício do moribundo.

De fato, uma rede de fios cinzentos e fracamente iluminados parecia ligar os parentes ao enfermo quase morto.

- Tais socorros – tornou Aniceto – são agora inúteis para devolver-lhe o equilíbrio orgânico. Precisamos neutralizar essas forças, emitidas pela inquietação, proporcionando, antes de tudo, a possível serenidade à família.

E, aproximando-se ainda mais do agonizante, tomou a atitude do magnetizador, exclamando:

- Modifiquemos o quadro do coma.

Após alguns minutos em que nosso mentor operava, secundado pelo nosso respeitoso silêncio, ouvimos o médico encarnado anunciar aos parentes do moribundo:

-Melhoram os prognósticos. A pulsação, inexplicavelmente, está quase normal. A respiração tende a acalmar-se.

Três senhoras suspiraram aliviadas. (…)

As senhoras e mais dois cavalheiros, que se prontificavam a retirar agradeceram satisfeitos e comovidos. Permaneceram no aposento somente o médico e um irmão do agonizante. A melhora súbita tranqüilizara a todos. E, aos poucos, os fios cinzentos que se ligavam ao enfermo desapareceram sem deixar vestígios. (…)

Aproveitou Aniceto a serenidade ambiente e começou retirar o corpo espiritual de Fernando, desligando-o dos despojos, reparando eu que iniciara a operação pelos calcanhares, terminando na cabeça, à qual, por fim, parecia estar preso o moribundo por extenso cordão, tal como se dá com os nascituros terrenos.

Aniceto cortou-o com esforço. O corpo de Fernando deu um estremeção, chamando o médico humano ao novo quadro. A operação não fora curta e fácil.

Demora-se longos minutos, durante os quais vi o nosso instrutor empregar todo o cabedal de sua atenção e talvez de suas energias magnéticas.83

83 “Os Mensageiros”, cap. 50.

Como já dissemos, não existe processo desencarnatório igual. A nossa intenção com este estudo é dar uma idéia geral do assunto. Aconselhamos aos interessados em aprofundar os conhecimentos sobre este tema o livro O Céu o e Inferno de Allan Kardec, e Obreiros da Vida Eterna do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier.


Apostila do Curso de Espiritismo e EvangelhoCentro Espírita Amor e CaridadeGoiânia - GOTrabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de Cláudio FajardoDivulgação

sexta-feira, 25 de julho de 2014

o que é reencarnação compulsória?

JUVENTUDE
O JOVEM E SEUS PROBLEMAS



Eu gostaria de saber o que é reencarnação compulsória?
Por que existe para alguns espíritos e para outros, não?

(José Davi Vieira- Duartina-SP)

- Alguns espíritos são como crianças; não têm discernimento para escolher ou para defender seus próprios interesses.
Às vezes são agressivas e rebeldes; de outras, tímidas e inoperantes. Na literatura jurídica, as pessoas que não têm capacidade de tomar decisão na vida civil são chamadas de incapazes, como é o caso das crianças. Por isso, as crianças são representadas pelos seus pais perante a lei.
Quando elas já têm algum discernimento, porém não o suficiente para tomar toda e qualquer decisão, são parcialmente incapazes, e não precisam ser mais representadas: agora passam a ser assistidas pelos pais.
- O mesmo acontece com relação aos Espíritos. Há Espíritos total ou parcialmente imaturos, agressivos ou tímidos, que vão precisar de representação ou assistência para algumas decisões em relação às suas vidas. No caso de não terem condição de escolher, são outros Espíritos que escolhem por eles - seus protetores ou seus tutores. A reencarnação é indispensável para o progresso dos Espíritos. Neste caso, em que não são os próprios interessados que escolhem, a reencarnação é chamada compulsória, e mesmo que eles não estejam satisfeitos com a escolha, devem a ela se submeter, simplesmente porque necessitam daquela experiência.
Poderíamos comparar essa situação com a escola na Terra.
A criança vai para a escola por decisão dos pais e não propriamente por decisão delas próprias.
Muitos alunos frequentam a escola, contrariados.
- Por outro lado, existem Espíritos que já reúnem condições de fazer a própria escolha.
Já desenvolveram um certo grau de discernimento para tanto, embora isso não queira dizer que eles acertem sempre.
Podem acertar e podem errar.
Mas é tomando decisões que eles vão aprendendo a exercitar a sua liberdade. Quanto mais responsáveis forem, mais se esforçarão por decidir com acerto. Temos, assim, os planos de vida, em que são traçadas as diretrizes gerais da existência.
Esses planos podem ser mais ou menos cumpridos, dependendo de cada caso e, principalmente, do esforço de cada um. Mas quando o Espírito já está em condição de escolher, geralmente ele aceita melhor a vida, mesmo os contratempos e as dificuldades.
Mostra-se mais paciente e resignado, pois, no fundo, sabe de suas reais necessidades.
63


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº 352
Fevereiro 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

ESPIRITISMO: Esclarecendo a Humanidade


Wagner Gomes da Paixão

     Quando da sua recente estada em Londres, colaborando com os trabalhos de difusão Espírita, atendendo convite desta Sociedade, Wagner Gomes da Paixão concedeu a seguinte entrevista: 
1. O que objetiva a Teoria da Reencarnação?
A reencarnação é uma lei universal que comprova a justiça perfeita de Deus, atributo imprescindível ao Criador, porque, através das existências sucessivas permite que seja dado a cada um segundo as suas próprias obras. O objetivo das encarnações sucessivas, conforme a Lei de Causa e Efeito, é o aprimoramento interior dos seres, que vão alcançando posições espirituais de vulto sempre que fixam, através das experiências a que se dão em cada oportunidade reencarnatória, os princípios da vida cósmica. A plena consciência e o domínio supremo de nossos potenciais de espírito são conquistados através das existências sucessivas, consoante ocorre com o indivíduo humano que frequenta as escolas desde a infância até alcançar as mais destacadas posições culturais e de realização social nas universidades do mundo, então adulto.
 2. Como se dá o processo evolutivo do Princípio Inteligente nos diversos reinos da natureza?
Como revelam os Espíritos e também as observações científicas, O Princípio Inteligente é conduzido pelos Seres mais evoluídos que agem no Universo em nome do Criador. No Reino Mineral, através do processo de atração molecular entre os elementos, o PI é trabalhado pelas forças naturais "de fora para dentro" num quadro que é definido pelos Benfeitores Espirituais como "quimiossíntese".  
No Reino Vegetal, dá-se a expansão do PI quando ele se abre e inicia a jornada expansionista "de dentro para fora"; temos aí, de acordo com os orientadores da Vida Maior, o trabalho da "sensação", com a fotossíntese, por avançada manifestação do PI. No Reino Animal, encontra mos o PI trabalhando o instinto, que é base da inteligência; os Guias do Infinito definem aí o processo da "biossíntese", tão importante para autorizar o surgimento das estruturas humanóides. Vale ressaltar que todos os processos crescentes de automatização das forças intrínsecas do Princípio Inteligente nos reinos anteriores ao homem têm o objetivo de formalizarem as bases do denominado PERISPÍRITO, que se apresenta no homem primitivo das eras já mortas de nossa história na Terra, a fim de autorizar o fluxo do pensamento e toda a estrutura mental do Ser, que se qualificará no tempo, e pelas circunstâncias através de sucessivas reencarnações. Eis uma singela síntese da jornada evolutiva do Princípio Inteligente até o Homem. 
 3. Por que o Espiritismo é uma proposta de educação do Espírito?
Porque o Espiritismo, na feição de Consolador Prometido por Jesus, é a síntese maravilhosa da cultura humana de todos os tempos, coroada pela Verdade Divina que o Cristo de Deus viveu em plenitude, entre nós.
Com a Doutrina dos Espíritos, o orbe terrestre alcança a sua maturidade moral e avança para a Regeneração, quando as almas não mais gastarão tempo e energia com crendices e preconceitos, ignorância e brutalidade, mas com a sua projeção consciente para Deus, através do Amor.

4. Quais as repercussões do pensamento espírita na sociedade contemporânea?
O pensamento genuinamente espírita, conforme exposto nas obras publicadas por Allan Kardec e também, de modo muito especial, nas obras psicografadas por Chico Xavier, repercute na sociedade contemporânea como uma "voz da consciência", verdadeiro brado da Verdade, a resgatar o bem da impostura, a sabedoria do misticismo, a fraternidade das paixões e o progresso real das fantasias materialistas. 

5. O Planeta Terra está em transição para planeta de regeneração. Como isso ocorre?
Abundam as colheitas oriundas das sementeiras de muitos séculos e até de milênios. Os seres sofrem o efeito "estufa" não somente no Globo material, mas principalmente em aspecto espiritual, moral. As dores internas intensificam-se, agravam-se, os dramas multiplicam-se e, então, entendemos a linguagem simbólica de Jesus na Parábola do Festim das Bodas, quando diz: "Atai-o de pés e mãos e lançai-os nas trevas exteriores, pois ali haverá pranto e ranger de dentes". Todos nós estamos coletivamente colhendo o que plantamos e somos OBRIGADOS a sentir na pele o que fizemos indiscriminadamente no tempo, contra os outros e obviamente contra nós. O recrudescimento da dor é sinal evidente de mudança, de transformação. Então, na hora mais escura da madrugada, temos o "clímax" do dia que termina e passamos a ver os primeiros raios da aurora, de um outro dia, chegando devagar e com pleno poder. É o sofrimento, o cansaço, a exaustão nos predispondo a uma nova atitude, a novas buscas, ao amadurecimento interior!

6. Podemos conseguir tudo o que almejamos pelo simples fato de desejar e querer?
Costumamos dizer que, não tem Ideal, quem não tem rumo. E quem não tem rumo permanece à mercê das correntezas da vida física. Toda conquista, mesmo no mundo físico, depende de esforço e disciplina. 
Não se alcança o Reino de Deus sem trabalho que justifique essa conquista interior. Desejar é impulso do campo de nossas sensações, mas quem estuda a Verdade Divina e se disciplina para alcançar suas metas morais e espirituais usa a VONTADE. Somente a Vontade é força moral suficiente para alterar os quadros de dor e de infelicidade de uma criatura. Emmanuel nos ensina isso no livro Pensamento e Vida.

7. Como devemos entender as enfermidades?
Devemos entender as enfermidades como manifestações de nossas mazelas morais no campo da alma que já trilhou outros caminhos em reencarnações pretéritas. São "escoadouros" de nossas toxinas internas, de comprometimentos do passado ou de distúrbios que causamos a nós mesmos nesta reencarnação, através dos pensamentos maléficos, dos sentimentos indignos, violentos, passionais. A enfermidade manifesta no corpo é sinal evidente de limpeza, de tratamento do Espírito, pois ela nos revela o quanto necessitamos nos cuidar, nos renovar, mudar de padrão moral e comportamental. Somente se cura quem não volta a "pecar", ou seja, a praticar o que a consciência aponta como sendo um mal, aceitando a prova em confiança no bem e ao seu serviço, com apoio vivo da oração, além, é claro, das providências médicas compatíveis.

8. Você acredita que a dor é necessária para que venhamos a educar os nossos sentimentos?
A dor é sempre a consequência de nossas deserções morais. Não existe dor, no sentido de sofrimento, de expiação, quando há docilidade no ser, quando há obediência aos valores da vida, da consciência (dizemos consciência e não desejos personalistas).
Uma criatura que presta atenção no caminho, que busca "ouvir" sua própria consciência e que se vale das genuínas revelações espirituais para acordar o "homem novo" em si mesma, anda em paz, edificada, vencendo todas as fases de sua formação essencial para o Universo infinito. Então, a dor, que sempre surge quando não há coerência entre saber e fazer, é uma bênção de despertamento e correção de rumo – pura expressão da Misericórdia do Pai!

9. O amor é um sentimento por excelência, mas ainda é incompreendido por muitos. Como diferenciar o amor da paixão?
A paixão é o rudimento, o amor é a realização. Poderíamos dizer, numa analogia, que o carvão é a paixão; no tempo, sofrendo o efeito das forças naturais, dos "quimismos" renovadores, ele se transforma em diamante, capaz de retratar a luz, em sublimes cambiantes.

10. Qual o papel da idealização no campo das relações humanas? O amor pode equivocar-se a partir da idealização? Quais as consequências?
A imaginação é um dos departamentos da mente que deve estar sob a coordenação da vontade lúcida.   Pelos excessos nesse terreno impressivo e tão fecundo da alma, podemos "comprar" pelo engano e isso pode nos custar decepções e amarguras que nos induzam à obsessão. No terreno das relações humanas, ainda nos encontramos muito presos aos caprichos pessoais, às carências, e é de bom alvitre estar VIGILANTES.
Temos aí, ainda, os processos do desejo e o desejo, que também é um departamento do campo mental; vale-se da imaginação para impregnar todo o ser, predispondo-o a alguém ou a alguma coisa. Quanto mais a criatura se estuda à luz do Evangelho redivivo, mais essa criatura fixa o que é importante, essencial, dando adeus às ilusões, às fantasias. Isso não quer dizer que devamos parar de sonhar, mas sonho por sonho não é realização. É preciso nos resguardemos de tanto desgaste de energia, desnecessário.
Amar é um imperativo e ninguém vive sem os outros, mas amar não significa escravizar ninguém, não significa obrigar alguém a fazer por nós o que queremos. Amar é dar com alegria, com desprendimento e nunca cobrar retribuição.

11. Quais são as terapêuticas que a Doutrina Espírita nos traz para reequilibrar o nosso ser?
As mais eficientes terapêuticas que o mundo já conheceu são as da transformação moral através da consciência. Quando uma criatura em aflição e desajuste adentra um Centro Espírita ou começa a ler as obras sérias de Espiritismo, passa a receber luz em seu íntimo e, segundo disposições próprias pela assimilação das Verdades Cósmicas, pode curar-se das mazelas e tormentas que traz, geralmente, por ignorância ou perversão. Todas as terapêuticas existentes no mundo são contribuições para o realinhamento das pessoas, mas o poder real da cura está no Evangelho de Jesus, que o Espiritismo reedita em espírito e verdade para a Terra, porque a Mensagem do Cristo é vida plena no amor em Deus.

12. A criatura humana durante a sua existência procura pela felicidade. Existe diferença entre felicidade e alegria?
Alegria é um sentimento de satisfação que nasce das boas sintonias ou das boas realizações. Há graus diversos de alegria; desde a periférica, que não passa de euforia (fogo - fátuo), geralmente por conquistas materiais, transitórias, ao júbilo, que é todo moral e, por isso, duradouro. A felicidade, porém, é um estado completo de integração com o Universo. A felicidade só pode ser alcançada quando existe amor e quando este amor é universal. Na Doutrina Espírita, a prática do amor é chamada, pelos Benfeitores Espirituais, de Caridade, porque a Caridade é o sentimento do amor que se torna universal, por todos e por tudo, refletindo Deus. Os Espíritos puros são felizes, porque amam todos os seres, todas as coisas e buscam servir. A felicidade plena somente existe a partir da completa depuração dos seres, mas é uma conquista de cada dia.

Wagner Gomes da Paixão é médium e expositor espírita, residente no Brasil. É fundador do Grupo Espírita da Benção, em Mário Campos  -  MG

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano III  N° 9   Março e Abril 2010
The Spiritist Psychological Society