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sexta-feira, 27 de abril de 2012

O LIVRO DOS ESPIRITOS - Estudo 44

As Causas Primárias

Capítulo I

Deus

I. Deus e o Infinito

II. Provas da Existência de Deus

III. Atributos da Divindade

IV. Panteísmo

III - Atributos da Divindade - 10 a 13

           Prosseguindo em nossas reflexões sobre a idéia que o homem atual pode fazer de Deus, conferindo-lhe atributos que no seu linguajar representa-lhe um máximo em qualidades designa-o como:

"(...) — Deus é a suprema e soberana inteligência. É limitada a inteligência do homem, pois que não pode fazer, nem compreender tudo o que existe. A de Deus, abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supuséssemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante, até ao infinito.

Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir, ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito.3

Deus é imutável. Se tivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria.

Deus carece de forma apreciável pelos nossos sentidos, sem o que seria matéria. Dizemos: a mão de Deus, o olho de Deus, a boca de Deus, porque o homem, nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de comparação para tudo o que não compreende. São ridículas essas imagens em que Deus é representado pela figura de um ancião de longas barbas e envolto num manto. Têm o inconveniente de rebaixar o Ente supremo até às mesquinhas proporções da Humanidade. Daí a lhe emprestarem as paixões humanas e a fazerem-no um deus colérico e cioso não vai mais que um passo.3

Deus é onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma entidade mais poderosa e assim por diante, até chegar-se ao ser cuja potencialidade nenhum outro ultrapassasse. Esse então é que seria Deus. 3

Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da sua bondade.

O fato de ser infinita uma qualidade, exclui a possibilidade de uma qualidade contrária, porque esta a apoucaria ou anularia. Um ser infinitamente bom não poderia conter a mais insignificante parcela de malignidade, nem o ser infinitamente mau conter a mais insignificante parcela de bondade, do mesmo modo que um objeto não pode ser de negro absoluto, com a mais ligeira nuança de branco, nem de um branco absoluto com a mais pequenina mancha preta.

Deus, pois, não poderia ser simultaneamente bom e mau, porque então, não possuindo qualquer dessas duas qualidades no grau supremo, não seria Deus; todas as coisas estariam sujeitas ao seu capricho e para nenhuma haveria estabilidade. Não poderia ele, por conseguinte, deixar de ser ou infinitamente bom ou infinitamente mau. Ora, como suas obras são testemunho da sua sabedoria, da sua bondade e da sua solicitude, concluir-se-á que, não podendo ser ao mesmo tempo bom e mau sem deixar de ser Deus, ele necessariamente tem de ser infinitamente bom.

A soberana bondade implica a soberana justiça, porquanto, se ele procedesse injustamente ou com parcialidade numa só circunstância que fosse, ou com relação a uma só de suas criaturas, já não seria soberanamente justo e, em conseqüência, já não seria soberanamente bom.

           Até o próximo mês, ao continuarmos a análise dos atributos, fica-nos nas propostas de Emmanuel a certeza invariável da presença de Deus a nos envolver.

"(...) Acreditas-te frágil, mas Deus lhe suprirá de energias.

Reconheces a própria limitação, mas Deus te conferirá crescimento.

Afirmas-te sem ânimo, mas Deus te propicia coragem.

Declaras-te pobre, mas dispões das riquezas infinitas Deus.

Entendemos, porém, que o processo de assimilar os recursos divinos será sempre o serviço prestado aos outros."





Bibliografia:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - 10 a 13
2. KARDEC, Allan. A Gênese - cap. II

3. Xavier, F. C. - Emmanuel (Espírito) Palavras de Vida Eterna - 180

Leda Marques Bighetti

Fevereiro / 2005



Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

106 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO


CAPÍTULO XII: AMAI OS VOSSOS INIMIGOS


ITENS 3 E 4: PAGAR O MAL COM O BEM

Iniciando seus comentários sobre os textos evangélicos, nesse capítulo, Kardec escreve; “Se o amor do próximo é o princípio da caridade, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, porque essa virtude constitui uma das maiores vitórias conquistada sobre o egoísmo e o orgulho.”
             Assim sendo, pode-se compreender o porquê da dificuldade dos homens, Espíritos em evolução, em entender, aceitar e praticar esse preceito da lei divina.
             Kardec escreve baseado na realidade da situação espiritual do homem na Terra, que preciso é analisar esse amor aos inimigos, de forma mais condizente com as possibilidades atuais dos homens.
             Diz que Jesus, o mais perfeito Espírito reencarnado na Terra, sabendo do tamanho da imperfeição humana, não pretendia que se amasse aos inimigos com a mesma ternura que se tem por uma pessoa querida, visto que a ternura pressupõe confiança total, que propicia um abrir-se, integralmente, ao outro, sem medo de ser censurado, sem receio de expor-se como se é, porque confia no amor do outro em relação a si próprio.
             Sobre essa base de confiança é que a simpatia, a amizade, a ternura estabelecem os laços, crescendo nos relacionamentos diversos.
             Como, então, sentir alegria em encontrar um inimigo, como se fora um amigo?
             Lembra Kardec da lei física de assimilação e repulsão dos fluidos. Vivemos em um mundo de ondas e vibrações, irradiando-as e absorvendo-as ou repelindo-as.
             Assim, as irradiações semelhantes se atraem e as diferentes se repelem.
             “O pensamento malévolo emite uma corrente fluídica que causa penosa impressão; o pensamento benévolo envolve-nos num eflúvio agradável. Daí a diferença de sensações que se experimenta quando da aproximação de um inimigo ou de um amigo. Amar aos inimigos não pode, pois, significar que não se deve fazer nenhuma diferença entre eles e seus amigos.”
             Diz Kardec que “amar aos inimigos é não ter ódio, nem rancor, ou desejo de vingança. É perdoar-lhes sem segunda intenção e incondicionalmente, pelo mal que nos fizeram. É não opor nenhum obstáculo à reconciliação. É desejar-lhes o bem em vez do mal. É alegrar-nos em lugar de aborrecer-nos com o bem que os atinge. É estender-lhes a mão prestativa em caso de necessidade. É abster-se, por atos e palavras, de tudo o que possa prejudicá-los. É, enfim, pagar-lhes em tudo o mal com o bem, sem a intenção de humilhá-los. Todo aquele que assim fizer, cumpre as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos.”
             Nessas explicações, vemos que para amar os inimigos não precisamos sentir vontade de abraçá-los, como sentimos aos a quem amamos. Mas, penso que, se tentarmos pôr em prática os sentimentos e atitudes do texto acima, vamos em um futuro – mais ou menos mesmo distante - sentir por eles a mesma ternura, que hoje sentimos pelos que mais amamos.
Kardec comenta também ser mais difícil entender essa máxima para quem somente aceita uma vida, do nascimento à morte. Para eles, seu inimigo é um mau caráter, que perturba seu viver, merecendo tudo de ruim que possa acontecer. “Para que perdoar-lhe? Quero mais que morra.” E assim por diante, considerando a morte o fim de tudo, inclusive do seu inimigo.
             Para o espiritualista, e mais ainda para o espírita, tudo é diferente, uma vez que a visão espiritual lhe mostra que há um longo passado, responsável pelo presente, que por sua vez irá definir o futuro.
             Compreendendo ser a Terra um mundo para Espíritos imperfeitos e rebeldes, ele busca entender as ações dos outros, tanto quanto deseja que os outros entendam as suas, procurando dominar seus maus sentimentos em relação a eles.
             Entendendo que todos estamos em um processo evolutivo, cada qual cumprindo-o à sua maneira, de acordo com as necessidades e uso do livre-arbítrio de cada um, aproveitemos a existência atual e os momentos presentes para exercitar o perdão, a compreensão, a benevolência, para com todos, inclusive, para com as pessoas que sentem aversão por nós, não aceitando esse sentimento, mas procurando transformá-lo em amizade, retribuindo o mal com o bem.
             Analisando tudo, sempre sob o ponto de vista da eternidade do Espírito imortal, aceitando as dificuldades como obstáculos a serem enfrentados e vencidos, não nos queixemos de quem nos faz o mal, visto que ele está, nesse momento, servindo, sem o saber e querer, de instrumento para nosso aprendizado e progresso, ao mesmo tempo em que está se prejudicando a si próprio, e irá receber através da lei de causa e efeito, as conseqüências da sua maldade.
             Imaginando-nos no lugar do adversário, podemos perceber que, como ofendidos, estamos, talvez, recebendo o que já fizemos, enquanto o outro está provocando novos sofrimentos para si próprio. Por que queixarmo-nos, ou reagirmos da mesma forma, mantendo um sentimento de animosidade?
             Se em lugar de lamentar as provas, agradecer a Deus por experimentá-las, “deve também agradecer a mão que lhe oferece a ocasião de mostrar a sua paciência e a sua resignação. Esse pensamento o dispõe, naturalmente, ao perdão. Ele sente, aliás, que quanto mais generoso for, mais se engrandece aos próprios olhos e mais longe se encontra do alcance dos dardos do seu inimigo.”
             Adquirindo o hábito de tudo analisar sob o ponto de vista da eternidade do Espírito, o homem se coloca acima da humanidade material, no plano moral, tendo uma visão muito maior e mais profunda da finalidade do viver na Terra, sabendo, com mais facilidade, se dispor ao bem, ao amor, não mais considerando ninguém como seu inimigo.


Bibliografia:
KARDEC, Allan - “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Abril / 2010

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
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O CENTRO ESPÍRITA BATUIRA esclarece que permanece divulgando os estudos elaborados pela Sra Leda de Almeida Rezende Ebner após o seu desencarne, com a devida AUTORIZAÇÃO da família e por ter recebido a DOAÇÃO DE DIREITOS AUTORIAIS, conforme registros em livros de Atas das reuniões de diretoria deste Centro.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O LIVRO DOS ESPIRITOS - Estudo 43


O Livro dos Espíritos
Livro Primeiro
As Causas Primárias
Capítulo I
Deus
I. Deus e o Infinito
II. Provas da Existência de Deus
III. Atributos da Divindade
IV. Panteísmo

III - Atributos da Divindade - 10 a 13

"(...) 10 - O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?

—Não. Falta-lhe para tanto um sentido.1
  
           Conhecer a natureza de Deus, pressuporia conhecer condições anteriores, espécie, índole, caráter e nesse caso Allan Kardec teria perguntado na questão numero um quem e não que, conforme o já estudado.

           Estes detalhes constitutivos, estruturais do ser, o homem nesse momento evolutivo, não traz em si registros, não dispõe de conhecimentos que lhe permitam penetrar, comparar, estabelecer sínteses racionais para explicar como Deus surgiu,, do que é feito, questionamentos sem condições de serem aclaradas.

           Situações mais próximas de nós, como por exemplo, a origem do homem organicamente falando, ainda giram no campo da especulação com teorias altamente aceitáveis e ainda assim, defrontando-se com correntes que se não rechaçam, questionam.

           Como, envoltos no bom senso, poderíamos penetrar nesse entender claro da natureza de Deus?

           No decorrer desses estudos, destacou-se que a idéia que o homem faz de Deus, é relativa ao grau intelectual do momento evolutivo dos povos sendo diferentes nas diversas raças e regiões que refletiam em si, segundo a idéia aceita, o grau espiritual desse povo, região ou raça.

           Tal fato, identificando em todas as eras da Humanidade, seu estágio de desenvolvimento intelectual falam da idéia relativa que difere do absoluto único e que mostram exatamente ser impossível conceber, definir a personalidade divina.

"(...) Nosso Deus e um Deus ainda desconhecido, qual o era para os Vedas e para os sábios do Areópago em Atenas. A noção de alguns eminentes pais da Igreja cristã e de alguns esclarecidos teólogos modernos, aproxima-se, mais que outras quaisquer, desse Deus Desconhecido. Mas como compreendê-lo, quando nenhum Espírito criado, nem mesmo os anjos (se é que existem) poderiam fazê-lo?".2

           A Doutrina Espírita atem-se à presença de uma Causa Inteligente que dá razão à Vida dinâmica, envolvente, inalienável e permanente do Espírito. Este é o ser inteligente, imortal no qual a presença Dele é força positiva, oferecendo continuamente espaços para o crescimento e desabrochar desse Espírito. A justiça se exerce, não no arbítrio das condenações, privilégios ou intercessões, mas na misericórdia que sustenta a Vida sob ação das leis de Justiça, Amor e Caridade.

"(...) 11 - Será um dia permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

— Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria, e pela sua perfeição tiver se aproximado dela, então a verá e compreenderá. 1

Comenta Allan Kardec:

"(...) A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que o seu senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas, e ele faz então a seu respeito, uma idéia mais justa e mais conforme com a boa razão, embora sempre incompleta". 1

"(...) 12 - Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter uma idéia de algumas de suas perfeições?

—Sim, de algumas. O homem as compreende melhor, à medida que se eleva sobre a matéria; ele as entrevê pelo pensamento". 1

           Se nesse momento não se consegue definir, descrever, circunscrever Deus por não dispor de elementos para configurá-lo, tem, entretanto o homem condições para imaginar como não pode ser e com as qualidades que deve possuir. Nesse sentido, dá atributos, características qualitativas que lhe fornecem subsídios para formar idéias sobre Seu caráter essencial.

"(...) Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação".3

           O homem assim, atribui qualificações, condições propriedades, que numa escala de valores permite-lhe distinguir, avaliar, imaginar dotes, dons, virtudes, disposição moral, intelectual, aspectos sensíveis enfim que não podem ser medidos. Usa para isso, vocábulos, expressões, superlativos que exprimem uma qualidade na significação elevada ao mais alto grau.

Bibliografia:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - q. 10
2. FLAMMARION , Camille. Deus na Natureza - cap. IV
3. KARDEC, Allan. A Gênese - cap. II – 8

Leda Marques Bighetti
Janeiro / 2005

Centro Espírita Batuira
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

O LIVRO DOS ESPIRITOS - Estudo 42


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

Livro Primeiro

As Causas Primárias

Capítulo I

Deus

                                    I.        Deus e o Infinito
                                  II.        Provas da Existência de Deus
                                III.        Atributos da Divindade
                                 IV.        Panteísmo


II - Provas da Existência de Deus - 4 a 9


          "(...) 9 — Onde se pode ver, na causa primaria, uma inteligência suprema superior a todas as outras?

          Basta que o homem se detenha a fitar, a refletir ante a beleza de uma noite estrelada, a poesia envolvente do luar, para sentir, mesmo sem saber, que se detém dentro de círculo estreito de entendimento acanhado.

          Se busca os sábios aprende ser o Sol 1.300.000 vezes maior que a Terra fornecendo-lhe calor, iluminando e sustentando-a.

          Descobre que a Lua é insignificante satélite distante 380.000 quilômetros a funcionar como ancora do planeta que entre outros, evolucionam muito longe, em órbitas próprias, no espaço imenso.

          Dentre eles, destaca-se Marte, que passa a cerca de 56.000.000 quilômetros da Terra, na época em que sua rota mais se aproxima do planeta.

          Se o nosso Sol se nos afigura tão importante, em pujança que nos sustenta, há outros centros de vida que o ofuscam: Sirius, Polux, Capela 5.800 vezes maior, Antares com volume superior e Canópus com brilho oitenta vezes mais resplandecente que o nosso Sol.

          "(...) Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio da gota d'água, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais". 2

          Graças a telescópicos de moderna tecnologia sabe-se que na nossa Via Láctea existem cem bilhões de estrelas e que no Universo existem dez bilhões de galáxias, classificadas sob três tipos distintos: espirais, elípticas e irregulares, cada uma atendendo a características e funções próprias.
          Além delas, vencendo distâncias inimagináveis "quasars", fontes quase estelares de radiação, as "pulsars", as "manchas" espaciais e "supernovas" que produzem brilho de até dez milhões de vezes mais.

          "(...) lares de bênçãos, oceanos de luz indefinível, impenetrável". 4

          Se os mesmos raciocínios forem feitos em relação ao micro-cosmo, o corpo físico, a esfera sensorial, visão, audição, tato, estrutura cerebral, células, bilhões delas tudo em harmoniosa complexidade. Sistema nervoso, audição com o registro dos sons, selecionando ruídos e palavras; o centro da fala, o gosto, nas papilas da língua, o esqueleto ósseo, as fibras musculares, o aparelho digestivo, o tubo intestinal, o motor do coração,

          "(...) a fábrica de sucos do fígado, o vaso de fermentos do pâncreas, o caprichoso sistema sangüíneo com seus milhões de vidas microscópicas e com suas artérias vigorosas, que suportam a pressão de várias atmosferas; o avançado laboratório dos pulmões; o precioso serviço de seleção dos rins, a epiderme com seus segredos dificilmente abordáveis; os órgãos veneráveis da atividade genésica e os fulcros elétricos e magnéticos das glândulas no sistema endócrino". 2

          "(...) No corpo humano, temos na Terra o mais sublime dos santuários e uma das supermaravilhas da Obra Divina". 2 3

          "(...) __ Tendes um provérbio que diz o seguinte: __ Pela obra se conhece o autor. Pois bem: vede a obra e procurai o autor! É o orgulho que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si, e é por isso que se considera um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater! 1

          Fecham nossas reflexões sobre as provas da existência de Deus, as palavras de Allan Kardec quando escreve que:

          "(...) Julga-se o poder de uma inteligência pelas suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a Natureza produz, a causa primária há que estar numa inteligência superior à Humanidade.
Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe”. 1


Deus
Autor Desconhecido


Passei tanto tempo
Te procurando
Não sabia onde estavas
infinito, não Te via
E pensava comigo mesmo, será que Tu existe?
Não me contentava na busca e prosseguia
Tentava Te encontrar nas religiões e nos templos
Tu também não estavas.


Te busquei através dos sacerdotes e pastores,
Também não Te encontrei
Senti-me só, vazio, desesperado e descri.
E na descrença Te ofendi,
E na ofensa tropecei,
E no tropeço caí,
E na queda senti-me fraco
Fraco procurei socorro
No socorro encontrei amigos
Nos amigos encontrei carinho
No carinho vi nascer o amor
Com amor eu vi um mundo novo.

E no mundo novo resolvi viver
O que recebi, resolvi doar
Doando alguma coisa muito recebi
E em recebendo senti-me feliz
E ao ser feliz, encontrei a paz
E tendo a paz foi que enxerguei
Que dentro de mim é que Tu estavas
E sem procurar-Te
Foi que Te encontrei.

Bibliografia:

1. KARDEC, Allan.O Livro dos Espíritos - 4 a 9

2. XAVIER, Francisco C. - Emmanuel (Espírito) Roteiro 1 a 3

3. MENSAGENS E ORAÇÕES. Autor desconhecido. Deus - pág. 4


Leda Marques Bighetti
Dezembro / 2004


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS ESPIRITOS - Estudo 41


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA
Livro Primeiro
As Causas Primárias
Capítulo I

Deus

I. Deus e o Infinito
II. Provas da Existência de Deus
III. Atributos da Divindade
IV. Panteísmo


II - Provas da Existência de Deus - 4 a 9


Retomando a pagina do mês anterior, percebemos que ao nos ater as leis da Natureza ela própria prova a ação de uma inteligência ordenadora.

"(...) não somente constantes, mas concordantes e inteligíveis”. 2
"(...) A correlação das forças físicas nos mostra a unidade de Deus, sob todas as formas transitórias de movimentos".2
Deus é uma força inteligente, universal e invisível...
É sentindo-lhe a presença eterna que compreendemos as palavras de Leibnitz: "(...) há metafísica, geometria e moral por toda parte", bem como o velho aforismo de Platão, que podemos traduzir: "(...) Deus é o geômetra que opera eternamente".
Nessas reflexões encontramos abertura, aprofundamento às questões e respostas que seguem:
"(...) 7 - Poderíamos encontrar a causa primária da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?

__ Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É sempre necessária uma causa primária".

Comenta Allan Kardec:

"(...) Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, pois essas propriedades são em si mesmas um efeito, que deve ter uma causa".

"(...) 8 - Que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou seja, ao acaso?

__ Outro absurdo? Que homem de bom senso pode considerar o acaso como um ser inteligente?
E, além disso, o que é o acaso?

Nada".

Acresce o Codificador:

"(...) A harmonia que regula as forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso mesmo um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso, seria uma falta de senso, porque o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria um acaso".

Acaso... Acontecimento fortuito, fato imprevisto, casualidade sem direção, sem rumo, à toa, a esmo, sem reflexão, impensadamente, inconsideradamente, talvez, por ventura, por acaso, improvisos que não têm lugar na Criação.

"(...) Deus aparece-nos sob a idéia de um Espírito permanente e residente no âmago das coisas. Deixa de ser o soberano a governar das alturas celestes, para ser a lei invisível dos fenômenos. Não habita um Paraíso povoado de anjos e de eleitos e sim a amplidão infinita, repleta da sua presença, ubiqüidade imóvel, totalizada em cada ponto do Espaço, em cada instante do tempo ou, por melhor dizer - eternamente infinita e sobranceira a tempo, espaço e ordem de sucessão qualquer".


  "(...) A ordem universal reinante na Natureza, a inteligência revelada na construção dos seres, a sabedoria espalhada em todo o conjunto, qual uma aurora luminosa e, sobretudo, a universidade do plano geral regida pela harmoniosa lei da perfectibilidade constante, apresenta-nos, já, agora, a "onipotência divina" como "sustentáculo invisível" da Natureza, "lei organizadora", "força essencial", da qual derivam todas as forças físicas, como outras tantas manifestações particulares, suas.
Podemos, assim, encarar Deus como um pensamento imanente, residente inatacável na essência mesma das coisas, sustentando e organizando ele mesmo, as mais humildes criaturas, tanto quanto os mais vastos sistemas solares, de vez que as leis da Natureza não mais seriam concebíveis fora desse pensamento, antes são dele eterna expressão". (grifos mantidos)


"(...) para nós, deus não está fora do mundo, nem a sua personalidade se confunde na ordem física das coisas. Ele é o pensamento incognoscível, do qual as leis diretivas do mundo representam uma forma de atividade".2

Sob tais reflexões, onde o acaso?


Bibliografia:
1. KARDEC, Allan.O Livro dos Espíritos - 4 a 9
2. FLAMMARION, Camille. Deus na Natureza - cap. V

Leda Marques Bighetti
Novembro / 2004


Centro Espírita Batuira
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