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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

APRENDENDO COM UM ESPÍRITO OBSESSOR


por: * Vislei Bossan

Alguém achou que eu estava preparado para sessões de desobsessão. Poderia iniciar a função de “doutrinador” e surgiu uma vaga. Uma das primeiras experiências foi exemplar. Havia uma família sob a influência de alguns adversários espirituais e começamos o trabalho que visava ajudar encarnados e desencarnados envolvidos na trama.
Pouco a pouco, os obsessores foram esclarecidos. O grupo estava satisfeito e a família deu claros sinais de melhoras. Achávamos que a missão havia sido concluída com êxito, até que certa noite fomos surpreendidos. No final dos trabalhos, uma das médiuns disse que estava alí um Espírito muito irritado. Permitimos a sua comunicação, cheia de revolta. A infeliz entidade nos disse que seus chefiados haviam desistido da maldade que estavam praticando, e que ele, o “chefe”, estava muito bravo e iria acabar com o nosso grupo de desobsessão.
- Vai não, eu disse à entidade atormentada. A mim, você não pega, pois estou amparado por Jesus Cristo. Podem ir embora, para vocês obsessores desta família, tudo acabou.
A minha arrogância deve ter impressionado o obsessor, pois foi embora sem falar mais nada. Encerrados os trabalhos, fomos embora com a serenidade que convinha e esquecidos dos acontecimentos daquela hora de atividade.
Em casa, já deitado para dormir, senti algo gelado por sobre a minha coluna vertebral, como se fosse uma brisa polar e ouvi o grito de minha filha no quarto no final do corredor. Fui até lá, acalmei-a e ela me disse: “nossa pai, tive um pesadelo, mas já passou”.
Voltei para a cama e entrei na fase R.E.M.¹ do meu sono. Foi terrível: sentí-me arrastado para um lugar escuro, fétido, solo cheio de lama ou lodo, pegajoso. Debati-me o quanto foi possível, até ser acordado pela minha esposa, segurando meus dois braços.
- Nossa, que coisa horrível! Obrigado por ter me tirado daquele lugar - disse à minha esposa Vera Lúcia. Retomei o sonho, dormi relativamente bem e acordei normalmente, já esquecendo o pesadelo da noite.
Uma semana depois, estávamos eu e os companheiros na sala de desobsessão para novas atividades. Quando começaríamos os trabalhos, após a prece de abertura, a médium avisou: “tem uma entidade aqui querendo passar um recado e não me parece violenta”, disse. A entidade se apresentou, e dirigindo-se à mim, disse:
- Gostou, bichão?
Percebi que era o obsessor que havia prometido me pegar. Mantive com ele o seguinte diálogo:
- Então, foi você? Perguntei.
- Sim, te peguei e levei até aonde estou.
Neste momento, senti um enorme desejo de refazer o caminho e, de todo o coração mesmo, pedi desculpas.
- Perdão, companheiro. Não deveria ter te desafiado. Perdoe a minha arrogância.
Em seguida, fiz-lhe uma proposta. Disse-lhe que ele havia demonstrado muita força e gostaria que ele direcionasse sua capacidade para a prática do bem, abandonando o caminho da vingança, da perseguição.
Ele disse que “experimentaria“, pois seus companheiros já o haviam abandonado e estavam muito bem. Alguns meses depois, esta entidade, antes revoltada, retornou para nos dizer que estava querendo trabalhar em favor de obsediados, atuando no mundo espiritual junto a obsessores, dando exemplos de si mesmo.
Os diretores espirituais da casa concordaram, e aquele Espírito, que me deu uma grande lição, deve estar conosco no CE Cairbar Schutel, até hoje.
¹ R.E.M., ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”), é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais vívidos.


* Vislei Bossan é trabalhador do C. E. Cairbar Schutel/Rio Preto.


JORNAL VERDADE  E  VIDA
ADDE - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA E SPIRITA 
ANO 01 NÚMERO 03 FEVEREIRO/ MARÇO 2012
Este jornal é uma publicação da ADDE - Associação de Divulgação da Doutrina Espírita
(CNPJ 08.195.888/0001-77) - para a região de São José do Rio Preto/SP.
Os textos assinados são de responsabilidade de seus autores.
Coord. Editorial: Rafael Bernardo - contato@rafabernardo.com.br
Diagramação: Junior Pinheiro - jrpinheironanet@yahoo.com.br
Jornalista Resp: Renata S. Girodo de Souza - renatagirodo@ig.com.br - MTB 67369/SP
Receba o jornal em sua Casa Espírita cadastrando-se no site ou por meio do e-mail: verdadeevida@adde.com.br
Tiragem: 5.000 exemplares
Distribuição Gratuita        
        

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

PARáBOLA DOS TALENTOS


Visão Espírita
por: Dr. Aguinaldo de Paula Vasconcelos


Jesus, como educador da humanidade, sabendo que as estórias contadas traziam maior rendimento no aprendizado das pessoas, fazia a divulgação de Sua doutrina muitas vezes através de parábolas.

A parábola dos talentos retrata muito bem a responsabilidade que temos diante de tudo com que Deus nos agraciou para executarmos nosso plano de progresso espiritual nesta existência.

Disse Jesus que um homem ao sair para cuidar de seus negócios, numa região distante, chamou três funcionários seus e lhes concedeu alguns talentos, que era a moeda da época, para que eles negociassem durante sua ausência.

Ao primeiro ele concedeu cinco talentos; ao segundo, dois talentos e ao terceiro, um talento, dizendo a eles, que ao voltar, deveriam prestar-lhe contas dos respectivos talentos.

Para que possamos entender melhor o valor dos talentos doados pelo senhor aos seus súditos, um talento, à época de Jesus, valia seis mil denários. Um denário era equivalente a um dia de trabalho. Portanto, expressando na moeda brasileira vigente, um talento valia cento e vinte mil Reais; dois talentos, duzentos e quarenta mil Reais e cinco talentos, seissentos mil Reais. Como observamos, a doação era muito expressiva.

Ao voltar, reuniu seus súditos e lhes cobrou a acerto de contas.

O que tinha recebido cinco talentos, devolveu-lhe mais cinco talentos e o senhor alegrou-se com a dedicação do funcionário e lhe respondeu; - fiel e bom servidor, muito me alegro com sua dedicação. Fique, portanto, com os dez talentos e continue trabalhando com eles.

Chamou em seguida o outro a quem lhe havia cedido dois talentos, que por sua vez, também lhe devolveu o dobro do recebido, ou seja, quatro talentos. O senhor se alegrou e lhe disse o mesmo que havia dito ao primeiro prestador de contas.

Quando o terceiro veio para prestar contas, disse ao senhor:- eu sei que o senhor é muito criterioso e que ceifa onde não semeou, portanto, eu enterrei o seu talento e estou lho devolvendo.

Aquele senhor ficou aborrecido com a infidelidade daquele súdito, respondendo-lhe imediatamente:- infiel e mau servidor, você deveria pelo menos colocar o talento na mão de um banqueiro e me devolver com os juros. Disse aos seus auxiliares que tirassem o talento dele e dessem-no ao que tinha dez talentos, atirando o servidor às trevas exteriores.

Esta parábola retrata exatamente o que acontece conosco ao reencarnarmos. 
 
Quando assim o fazemos, Deus nos concede uma imensidão de talentos, tais como: familia, mente , órgãos do sentido, saúde, braços, pernas, o trabalho, o dinheiro, o tempo e tantos outros.

É evidente que precisamos prestar contas a Ele quando voltarmos à Pátria espiritual. Se usarmos bem os talentos, tantos outros nos serão acrescentados, mas se usarmo-los de uma maneira indevida, eles serão retirados.

Quantas pessoas que abandonam a família, para depois reencarnarem órfãs ou perderem seus entes queridos muito precocemente.

Quando não usam a mente de maneira eficaz, renascem com dificuldades homéricas com relação ao intelecto.

Ao usarem mal os ouvidos, a fala e os olhos, desestruturam o perispírito, moldando um corpo com defeito nestas áreas para outra experiência no corpo físico.

Aqueles que não cuidam da saúde e chegam até mesmo a conspurcá-la com os vícios, voltam à terra doentes, tendo imensa dificuldade devido à insanidade física e mental.

Sendo o trabalho um dos melhores elementos de elevação espiritual, as pessoas preguiçosas ou equivocadas, que se aposentam muito cedo , para não fazerem mais nada, certamente terão dificuldade para arrumarem emprego em outra reencarnação.

O dinheiro é um ótimo talento para ajudarmos os outros menos aquinhoados, sendo que se o utilizarmos indevidamente correremos o risco quase certo de nascermos pobres com profundas limitações na área social e econômica na próxima existência.

Segundo Emmanuel, mentor espiritual de Chico Xavier, quem perde tempo, lesa a vida. Então precisamos ter muito cuidado com o mau uso do tempo, desperdiçando-o. Como o amanhã está intrinsecamente ligado ao hoje, é de bom alvitre que aproveitemos muito bem o tempo, como todos os outros talentos na construção de nosso progresso espiritual.

O fato daquele senhor ter dado mais talentos a um funcionário que aos demais, é porque ele era melhor do que os outros . Isto significa que ao fazermos nosso programa reencarnatório, quanto mais tivermos nos dedicado ao trabalho, ao progresso, justificando-nos perante a vontade Divina, mais seremos premiados pelos talentos doados por Deus.

As trevas exteriores, onde foi lançado o mau servo, são representadas pela nova necessidade reencarnatória, com a finalidade de expiarmos nossos débitos, pelo mau uso de nossas oportunidades.

Como a gratidão é um dos mais importantes sentimentos, devemos agradecer a Deus , a Jesus e aos Espíritos amigos por tudo que temos recebido, em forma de talentos, para a execução de nosso plano evolutivo, ao invés de reclamarmos pelos desafios necessários ao nosso aprendizado.

JORNAL VERDADE  E  VIDA
ADDE - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA E SPIRITA 
ANO 01 NÚMERO 03 FEVEREIRO/ MARÇO 2012
Este jornal é uma publicação da ADDE - Associação de Divulgação da Doutrina Espírita
(CNPJ 08.195.888/0001-77) - para a região de São José do Rio Preto/SP.
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domingo, 17 de junho de 2012

A Mediunidade e o Desenvolvimento do Ser


Adenáuer Novaes

As faculdades psíquicas humanas surgiram do desenvolvimento dos cinco sentidos orgânicos. Elas são resultantes do aprimoramento do automatismo biológico, que alcançou o estado de subjetividade, a partir de necessidades relacionais. Do automatismo orgânico à subjetividade psíquica, tem-se aquilo que C. G. Jung chamou de arquétipo psicóide, isto é, uma estrutura intermediária que permite a passagem de uma dimensão à outra. Da mesma forma, há uma outra estrutura arquetípica que permite o trânsito entre a mente e o mundo espiritual, isto é, entre dimensões vibratórias distintas. A mediunidade é a faculdade que permite essa passagem. Ela é um instrumento para a evolução do Espírito, que deve ser utilizado nas várias experiências humanas. É evidente que sua utilização dependerá do conhecimento a respeito da mediunidade, bem como do grau de desenvolvimento da faculdade. Seu uso consciente, praticamente restrito a ambientes institucionais (centros espíritas, templos, grupos independentes etc.), não inibem o fluxo natural de idéias, pensamentos, emoções e sentimentos entre distintas dimensões que ocorre cotidiana e naturalmente. Graças a mediunidade o ser humano se conecta às forças superiores da vida, acessando espontaneamente conhecimentos que extrapolam sua capacidade de concepção racional. Por conta do desconhecimento a respeito da mediunidade, torna-se difícil a distinção entre o que é, de fato, fruto da faculdade, dos conteúdos do próprio pensar. Esse desconhecimento contribui para que se pense que o mediúnico é apenas aquele que promove efeitos físicos. São valorizados os eventos mediúnicos que promovam fenômenos ostensivos, tais como movimento de objetos, aparições espetaculares, adivinhações, premonições etc., contribuindo para a permanência da ignorância em se utilizar a faculdade. Restringi-se ao uso, necessário, para o atendimento a desencarnados sofredores e para o esclarecimento, a partir de mensagens de cunho moral elevado.
É nos mais variados momentos da vida, para a evolução do Espírito, que se deve utilizar a mediunidade. Seu uso institucional é válido e deve ser incentivado, sem prejuízo de que se cultive o seu desenvolvimento natural. A comunicação mediúnica, no ambiente doméstico, visando a comunhão de encarnados com desencarnados, que se ligam pelos laços da afinidade e do amor, deve ser incentivada para o estreitamento das relações, bem como para a troca de experiências. Ainda se teme tal estreitamento por causa da possibilidade da obsessão. Esse temor, mesmo relevante, dificulta que se viabilize o uso natural da mediunidade. Deve-se lembrar que, o saber vem do exercício, que contém sucessos e insucessos.
A mediunidade de uma pessoa não pertence aos espíritos desencarnados, mesmo considerando que eles é que decidem quando e como se comunicam. Vários tipos de mediunidade ou de faculdades que transcendem os sentidos físicos não dependem dos espíritos desencarnados. Essas faculdades também são conhecidas como paranormais. São elas: clarividência, premonição, pré-cognição, clariaudiência, telepatia, retrocognição, desdobramento etc. Todas podem ser úteis nos mais diversos campos da vida humana.
Visando o desenvolvimento da própria personalidade, a mediunidade pode ser utilizada para o contato com espíritos afins para trocas afetivas, trocas de informações e novos conhecimentos, realização de tarefas conjuntas, desenvolvimentos de habilidades, auxílio em tarefas de desobsessão, auxílio nas desencarnações e nos nascimentos, solução de traumas cármicos, maior compreensão dos distúrbios psíquicos, ampliação da consciência de si mesmo do encarnado, entre outras utilidades. Isso significa dizer que ser médium necessariamente não é ser espírita, tampouco é utilizar a mediunidade apenas para o auxilio espiritual a desencarnados ou para demonstração da imortalidade da alma.
O ser humano encarnado deve entender que sua estadia no corpo físico é uma fase necessária e importante em sua evolução, para o aperfeiçoamento de habilidades, sob contingências físicas nem sempre favoráveis. Nesse período, em que está encerrado num corpo limitado, tem a oportunidade de se conectar, graças à mediunidade, à sua dimensão de origem, onde pode obter conhecimentos mais amplos. O desenvolvimento do ser se deve há múltiplos fatores, todos eles tendo como base a experiência direta com a realidade, na qual vive intensas emoções. A mediunidade é mais um desses fatores, diferenciando-se dos demais pela possibilidade que faculta de conexão com as forças espirituais criativas da natureza. É seu adequado uso, nas ricas experiências da vida, que promoverá a integração, ao Espírito, das leis de Deus.

Adenáuer Novaes é Psicólogo Clínico, residente no Brasil. É um dos diretores da Fundação Lar Harmonia - Salvador-BA.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II  N° 2  Janeiro e Fevereiro 2009
The Spiritist Psychological Society 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


Livro: "Palavras de Vida Eterna" - Emmanuel / F.C. Xavier

Lição n. 52 - Palavra Escrita


                      "Examinai tudo, retende o bem". - Paulo
(I TESSALONICENSES, 5:21)


Com as palavras acima dirigidas aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo sinaliza a todos os seguidores do Cristo que fiquem longe de toda espécie de mal.

Sem a devida compreensão, pessoas se utilizam das palavras de Paulo para assegurar que os estudiosos do Evangelho devem ler tudo sem restrições. Talvez, no entendimento delas, o fato de seguir os ensinamentos do Cristo é suficiente para dar discernimento e equilíbrio, podendo as pessoas lerem e verem tudo, sem se deixar influenciar pelas obras de conteúdo duvidoso.

Alegam, essas pessoas, que para termos opinião a respeito dos diversos assuntos, sabermos separar o que é bom do que é ruim, precisamos ler tudo o que nos chega às mãos.

Esse pensamento não é totalmente desprovido de verdade, mas, para saber analisar e separar o que é bom, aproveitável, o que vai contribuir para o crescimento das pessoas, que vai aumentar os conhecimentos que elevam o ser, é necessário que seja alguém com amadurecimento mental, que tenha discernimento.

Não é aconselhável que, crianças e pessoas pouco amadurecidas tenham contato com todo tipo de leitura e que tudo vejam, quando sabemos que existem obras de conteúdo duvidoso, que confundem a mente, ainda, infantilizada, exercendo sobre elas influência negativa.

Como cada pessoa está em um grau evolutivo, e, portanto, as necessidades variam de indivíduo para indivíduo, fica evidente que nem todos reúnem condições para avaliar com proveito, não só em relação ao que é escrito, mas, também, às imagens negativas de toda espécie, que hoje é tão comum nos veículos de comunicação.

Em "O Consolador", questão 124, Emmanuel, diz: " A palavra escrita ou falada é um dom divino; é através dela que o homem recebe o patrimônio das experiências sagradas de quantos o antecederam no mecanismo evolutivo das civilizações. É por intermédio de seus poderes que se transmite, de gerações a gerações, o fogo divino do progresso".

As palavras de Jesus, escritas pelos apóstolos no Evangelho, se constituem em alimento da vida eterna, pois, é pelo livro digno que recebemos o ensinamento e a orientação, o reajuste mental e a renovação interior.

Somente os escritos nobres que esclarecem a inteligência e iluminam a razão, serão capazes de vencer as trevas que envolvem a Humanidade, auxiliando o Espírito imortal na sua caminhada evolutiva.

As pessoas que se sentem com equilíbrio suficiente, estão em condições de ler e analisar tudo, desde que não esqueçam que devem reter apenas o que contribui para a sua evolução espiritual, e para ajudar aqueles que, ainda, não pensam com a mesma segurança e equilíbrio.

I TESSALONICENSES 5
21 mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom;


Maria Aparecida Ferreira Lovo
Novembro / 2005








Centro Espírita Batuira
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sábado, 28 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 42


SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VII MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO

Estudo 42 - Itens 114 ao 120 - Bicorporeidade

           Buscando estudos anteriores, recordamos que o perispírito, no seu estado normal, é invisível, mas, como é formado de substância etérea, o Espírito, em certos casos, pode, por sua vontade, fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torna momentaneamente visível. 

           Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; de outra, mais nitidamente definida; em outras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode mesmo chegar à tangibilidade real, ao ponto do observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si.

           Ao estudarmos a bicorporeidade e a transfiguração compreendemos que são variações de fenômenos de manifestações visuais. A faculdade de emancipação que a alma possui e seu desprendimento do corpo físico durante a encarnação podem dar lugar a fenômenos análogos aos que apresentam os Espíritos desencarnados (aparições). Enquanto o corpo passa pelo sono, o Espírito transportando-se a diversos lugares, pode tornar-se visível e aparecer sob forma vaporosa, quer no sonho quer no estado de vigília. Pode também apresentar-se sob forma tangível, ou pelo menos com uma aparência tão idêntica à real que muitas pessoas podem estar com a verdade quando afirmam tê-lo visto no mesmo instante em dois pontos diferentes. De fato era ele, mas um era o corpo verdadeiro e o outro o Espírito. Foi este fenômeno - por sinal muito raro - que deu origem à crença nos homens duplos, designada de bicorporeidade.

           Nos itens 115, 116 e 117 do capítulo em estudo, Allan Kardec cita exemplos de bicorporeidade e deixamos aos leitores a tarefa de consultá-los, mas o item 118 apresenta uma questão: como pode o corpo viver enquanto o Espírito se ausenta? Pode-se afirmar que o corpo se mantém pela vida orgânica, que independe da presença do Espírito, como se prova pelas plantas, que vivem e não têm Espírito. Mas devemos acrescentar que, durante a vida, o Espírito jamais se retira completamente do corpo.

           Os Espíritos, assim como alguns médiuns videntes, reconhecem o Espírito de uma pessoa encarnada por um traço luminoso que termina no seu corpo (cordão fluídico), fenômeno que jamais se verifica se o corpo estiver morto, pois então a separação é completa. É por meio dessa ligação que o Espírito é avisado, a qualquer distância que estiver, da necessidade de voltar ao corpo, o que faz com a rapidez de uma relâmpago. Disso resulta que o corpo nunca pode morrer durante a ausência do Espírito, e que nunca pode acontecer que o Espírito, ao voltar, encontre a "porta fechada", como afirmam alguns romancistas em histórias para recrear. (O Livro dos espíritos, nº 400 e seguintes).

           Afirma ainda Allan Kardec que o Espírito de uma pessoa viva, afastado do corpo pode aparecer como o de um morto, com todas as aparências da realidade, podendo adquirir a tangibilidade momentânea, fenômeno designado de
 bicorporeidade, o que deu origem às histórias de homens duplos, indivíduos cuja presença simultânea se constatou em dois lugares diversos. Apresenta dois exemplos tirados da História Eclesiástica.

           Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre. 

           Santo Antônio de Pádua estava pregando na Itália, quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua. 

           Quando evocado e interrogado, acerca do fato acima, Santo Afonso respondeu do seguinte modo:

           1ª Poderias explicar-nos esse fenômeno? 

"Perfeitamente. Quando o homem, por suas virtudes, chegou a desmaterializar-se completamente; quando conseguiu elevar sua alma para Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Espírito encarnado, ao sentir que lhe vem o sono, pode pedir a Deus lhe seja permitido transportar-se a um lugar qualquer. Seu Espírito, ou sua alma, como quiseres, abandona então o corpo, acompanhado de uma parte do seu perispírito, e deixa a matéria imunda num estado próximo do da morte. Digo próximo do da morte, porque no corpo ficou um laço que liga o perispírito e a alma à matéria, laço este que não pode ser definido. O corpo aparece, então, no lugar desejado. Creio ser isto o que queres saber".

           2ª Isso não nos dá a explicação da visibilidade e da tangibilidade do perispírito. 

           "Achando-se desprendido da matéria, conforme o grau de sua elevação, pode o Espírito tornar-se tangível à matéria".

           3ª É indispensável o sono do corpo, para que o Espírito apareça noutros lugares?

           "A alma pode dividir-se, quando se sinta atraída para lugar diferente daquele onde se acha seu corpo. Pode acontecer que o corpo não se ache adormecido, se bem seja isto muito raro; mas, em todo caso, não se encontrará num estado perfeitamente normal; será sempre um estado mais ou menos extático".
 

           NOTA. A alma não se divide, no sentido literal do termo: irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se fragmentar. Dá-se o que se dá com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos.

           4ª Que sucederia se, estando o homem a dormir, enquanto seu Espírito se mostra noutra parte, alguém de súbito o despertasse? 

           "Isso não se verificaria, porque, se alguém tivesse a intenção de o despertar, o Espírito retornaria ao corpo, prevendo a intenção, pois o Espírito lê os pensamentos". 

           Afirma Allan Kardec que explicação inteiramente idêntica foi dada, muitas vezes, por Espíritos de pessoas mortas ou vivas. Santo Afonso explica o fato da dupla presença, mas não a teoria da visibilidade e da tangibilidade.

           Concluindo o estudo sobre a bicorporeidade, Allan Kardec acrescenta que a pessoa que se mostra simultaneamente em dois lugares diversos tem, portanto, dois corpos. Mas desses dois corpos, um é real, o outro é simples aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e que o segundo tem a vida anímica. Ao despertar o indivíduo, os dois corpos se reúnem e a vida anímica penetra o corpo material. Não parece possível, pelo menos se conhece disso exemplo algum, e a razão o demonstra, que, no estado de separação, possam os dois corpos gozar, simultaneamente e no mesmo grau, da vida ativa e inteligente. Demais, do que acabamos de dizer ressalta que o corpo real não poderia morrer, enquanto o corpo aparente se conservasse visível, porquanto a aproximação da morte sempre atrai o Espírito para o corpo, ainda que por um instante. Daí resulta igualmente que o corpo aparente não poderia ser assassinado, pois não é orgânico e nem formado de carne e osso. Desapareceria, no momento em que o quisessem matar.

           Por mais extraordinário que pareça, este fenômeno não deixa, como todos os outros, de ser incluído na ordem dos fenômenos naturais, pois se fundamenta nas propriedades do perispírito e em leis da Natureza.

           Recomendamos consultar também os livros:

KARDEC, Allan - Revue Spirite, janeiro de 1859: O Duende de Baiona; fevereiro de 1859:

Os agêneres; meu amigo Hermann; maio de 1859: O laço que prende o Espírito ao corpo ;

novembro de 1859: A alma errante; janeiro de 1860: O Espírito de um lado e o corpo do outro ; março de 1860: Estudos sobre o Espírito de pessoas vivas; o doutor V. e a senhorita I; abril de 1860: O fabricante de São Petersburgo; aparições tangíveis ; novembro de 1860:

História de Maria Agreda; julho de 1861: Uma aparição

KARDEC, Allan - Obras Póstumas, 2.ed. São Paulo: LAKE, 1979 - Manifestações dos Espíritos.
AKSAKOF, Alexandre -
 Animismo e Espiritismo, 5.ed., FEB, 1990, cit., vol. II, pp 256 a 262 - Caso da Senhorita Saggé.

           Em nosso próximo estudo veremos o fenômeno da transfiguração.

BIBLIOGRAFIA

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VII - 2ª Parte

JORGE, Jorge - Antologia do Perispírito: 4. ed. Rio de Janeiro: CELD, 1991 - Referência 262 a 265.

ZIMMERMANN, Zalmino - Perispírito: 1. ed. Campinas: CEAK. 2000 - Cap II - Propriedades do Perispírito.

Tereza Cristina D'Alessandro 
Janeiro / 2005

Centro Espírita Batuira
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