Powered By Blogger

Pesquisar este blog

Páginas

Mostrando postagens com marcador aparições. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aparições. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Autodesobsessão


Rodrigo Machado Tavares   

   O Espiritismo nos esclarece que a obsessão consiste na influência negativa de espírito para espírito, quer esteja encarnado, quer desencarnado. Portanto, é correto afirmar que a obsessão pode ocorrer de quatro formas, a saber: de desencarnado para encarnado; de desencarnado para desencarnado; de encarnado para desencarnado e de encarnado para encarnado.
Dentro dessa lógica, podemos acrescentar uma quinta forma de obsessão: a auto-obsessão, que consiste na influência negativa que o espírito, encarnado ou desencarnado, desenvolve em si mesmo, através da mono-ideia. 
   Baseado nisto, é muito importante sempre lembrarmos da auto-desobsessão.
A auto-desobsessão pode ser entendida como um processo de auto-ajuda e, consequentemente, de autotransformação. E como é possível fazer a auto-desobsessão? Por ser um processo bastante pessoal, ela começa pela mente, isto é, pela forma como pensamos. Daí, observamos a importância do bem pensar e, por conseguinte, do bom agir. Foi por isto que o nosso Mestre amado Jesus nos disse: “Vós sois o sal da Terra… Vós sois a luz do Mundo” (Mateus 5:13). Em outras palavras, nós temos força para vivermos pelo bem, evitando os processos de obsessão, incluindo a auto-obsessão. 
   Sabemos da grandeza divina do trabalho de desobsessão que as instituições espíritas desempenham. Busquemos também fazer o trabalho contínuo da auto-desobsessão. 
    
    
Rodrigo Machado Tavares é Engenheiro e pesquisador, residente em Londres. Colabora com diversos Grupos Espíritas. 

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II  N° 7 Novembro e Dezembro 2009 
The Spiritist Psychological Society

sábado, 28 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 42


SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VII MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO

Estudo 42 - Itens 114 ao 120 - Bicorporeidade

           Buscando estudos anteriores, recordamos que o perispírito, no seu estado normal, é invisível, mas, como é formado de substância etérea, o Espírito, em certos casos, pode, por sua vontade, fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torna momentaneamente visível. 

           Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; de outra, mais nitidamente definida; em outras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode mesmo chegar à tangibilidade real, ao ponto do observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si.

           Ao estudarmos a bicorporeidade e a transfiguração compreendemos que são variações de fenômenos de manifestações visuais. A faculdade de emancipação que a alma possui e seu desprendimento do corpo físico durante a encarnação podem dar lugar a fenômenos análogos aos que apresentam os Espíritos desencarnados (aparições). Enquanto o corpo passa pelo sono, o Espírito transportando-se a diversos lugares, pode tornar-se visível e aparecer sob forma vaporosa, quer no sonho quer no estado de vigília. Pode também apresentar-se sob forma tangível, ou pelo menos com uma aparência tão idêntica à real que muitas pessoas podem estar com a verdade quando afirmam tê-lo visto no mesmo instante em dois pontos diferentes. De fato era ele, mas um era o corpo verdadeiro e o outro o Espírito. Foi este fenômeno - por sinal muito raro - que deu origem à crença nos homens duplos, designada de bicorporeidade.

           Nos itens 115, 116 e 117 do capítulo em estudo, Allan Kardec cita exemplos de bicorporeidade e deixamos aos leitores a tarefa de consultá-los, mas o item 118 apresenta uma questão: como pode o corpo viver enquanto o Espírito se ausenta? Pode-se afirmar que o corpo se mantém pela vida orgânica, que independe da presença do Espírito, como se prova pelas plantas, que vivem e não têm Espírito. Mas devemos acrescentar que, durante a vida, o Espírito jamais se retira completamente do corpo.

           Os Espíritos, assim como alguns médiuns videntes, reconhecem o Espírito de uma pessoa encarnada por um traço luminoso que termina no seu corpo (cordão fluídico), fenômeno que jamais se verifica se o corpo estiver morto, pois então a separação é completa. É por meio dessa ligação que o Espírito é avisado, a qualquer distância que estiver, da necessidade de voltar ao corpo, o que faz com a rapidez de uma relâmpago. Disso resulta que o corpo nunca pode morrer durante a ausência do Espírito, e que nunca pode acontecer que o Espírito, ao voltar, encontre a "porta fechada", como afirmam alguns romancistas em histórias para recrear. (O Livro dos espíritos, nº 400 e seguintes).

           Afirma ainda Allan Kardec que o Espírito de uma pessoa viva, afastado do corpo pode aparecer como o de um morto, com todas as aparências da realidade, podendo adquirir a tangibilidade momentânea, fenômeno designado de
 bicorporeidade, o que deu origem às histórias de homens duplos, indivíduos cuja presença simultânea se constatou em dois lugares diversos. Apresenta dois exemplos tirados da História Eclesiástica.

           Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre. 

           Santo Antônio de Pádua estava pregando na Itália, quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua. 

           Quando evocado e interrogado, acerca do fato acima, Santo Afonso respondeu do seguinte modo:

           1ª Poderias explicar-nos esse fenômeno? 

"Perfeitamente. Quando o homem, por suas virtudes, chegou a desmaterializar-se completamente; quando conseguiu elevar sua alma para Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Espírito encarnado, ao sentir que lhe vem o sono, pode pedir a Deus lhe seja permitido transportar-se a um lugar qualquer. Seu Espírito, ou sua alma, como quiseres, abandona então o corpo, acompanhado de uma parte do seu perispírito, e deixa a matéria imunda num estado próximo do da morte. Digo próximo do da morte, porque no corpo ficou um laço que liga o perispírito e a alma à matéria, laço este que não pode ser definido. O corpo aparece, então, no lugar desejado. Creio ser isto o que queres saber".

           2ª Isso não nos dá a explicação da visibilidade e da tangibilidade do perispírito. 

           "Achando-se desprendido da matéria, conforme o grau de sua elevação, pode o Espírito tornar-se tangível à matéria".

           3ª É indispensável o sono do corpo, para que o Espírito apareça noutros lugares?

           "A alma pode dividir-se, quando se sinta atraída para lugar diferente daquele onde se acha seu corpo. Pode acontecer que o corpo não se ache adormecido, se bem seja isto muito raro; mas, em todo caso, não se encontrará num estado perfeitamente normal; será sempre um estado mais ou menos extático".
 

           NOTA. A alma não se divide, no sentido literal do termo: irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se fragmentar. Dá-se o que se dá com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos.

           4ª Que sucederia se, estando o homem a dormir, enquanto seu Espírito se mostra noutra parte, alguém de súbito o despertasse? 

           "Isso não se verificaria, porque, se alguém tivesse a intenção de o despertar, o Espírito retornaria ao corpo, prevendo a intenção, pois o Espírito lê os pensamentos". 

           Afirma Allan Kardec que explicação inteiramente idêntica foi dada, muitas vezes, por Espíritos de pessoas mortas ou vivas. Santo Afonso explica o fato da dupla presença, mas não a teoria da visibilidade e da tangibilidade.

           Concluindo o estudo sobre a bicorporeidade, Allan Kardec acrescenta que a pessoa que se mostra simultaneamente em dois lugares diversos tem, portanto, dois corpos. Mas desses dois corpos, um é real, o outro é simples aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e que o segundo tem a vida anímica. Ao despertar o indivíduo, os dois corpos se reúnem e a vida anímica penetra o corpo material. Não parece possível, pelo menos se conhece disso exemplo algum, e a razão o demonstra, que, no estado de separação, possam os dois corpos gozar, simultaneamente e no mesmo grau, da vida ativa e inteligente. Demais, do que acabamos de dizer ressalta que o corpo real não poderia morrer, enquanto o corpo aparente se conservasse visível, porquanto a aproximação da morte sempre atrai o Espírito para o corpo, ainda que por um instante. Daí resulta igualmente que o corpo aparente não poderia ser assassinado, pois não é orgânico e nem formado de carne e osso. Desapareceria, no momento em que o quisessem matar.

           Por mais extraordinário que pareça, este fenômeno não deixa, como todos os outros, de ser incluído na ordem dos fenômenos naturais, pois se fundamenta nas propriedades do perispírito e em leis da Natureza.

           Recomendamos consultar também os livros:

KARDEC, Allan - Revue Spirite, janeiro de 1859: O Duende de Baiona; fevereiro de 1859:

Os agêneres; meu amigo Hermann; maio de 1859: O laço que prende o Espírito ao corpo ;

novembro de 1859: A alma errante; janeiro de 1860: O Espírito de um lado e o corpo do outro ; março de 1860: Estudos sobre o Espírito de pessoas vivas; o doutor V. e a senhorita I; abril de 1860: O fabricante de São Petersburgo; aparições tangíveis ; novembro de 1860:

História de Maria Agreda; julho de 1861: Uma aparição

KARDEC, Allan - Obras Póstumas, 2.ed. São Paulo: LAKE, 1979 - Manifestações dos Espíritos.
AKSAKOF, Alexandre -
 Animismo e Espiritismo, 5.ed., FEB, 1990, cit., vol. II, pp 256 a 262 - Caso da Senhorita Saggé.

           Em nosso próximo estudo veremos o fenômeno da transfiguração.

BIBLIOGRAFIA

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VII - 2ª Parte

JORGE, Jorge - Antologia do Perispírito: 4. ed. Rio de Janeiro: CELD, 1991 - Referência 262 a 265.

ZIMMERMANN, Zalmino - Perispírito: 1. ed. Campinas: CEAK. 2000 - Cap II - Propriedades do Perispírito.

Tereza Cristina D'Alessandro 
Janeiro / 2005

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Rua Rodrigues Alves,588
Vila Tibério - Cep 14050-390
Ribeirão Preto (SP)
CNPJ: 45.249.083/0001-95 
Reconhecido de Utilidade Pública pela Lei Municipal nº. 3247/76.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 41


SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO V

MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS

Estudo 41 - Itens 111, 112 e 113 - Teoria da Alucinação.
         A seguir, apresentamos definições da ciência sobre a alucinação e, concluindo os estudos das Manifestações Visuais, apresentamos a análise científica de Allan Kardec contida na Teoria da Alucinação.
         Alucinação: percepção sem estímulo externo a qual pode ocorrer em qualquer campo sensorial: auditivo, visual, olfativo, gustativo e tátil.
         É uma sensação, implicitamente vivida pelo indivíduo em/ou de um objeto no mundo externo, mas que na realidade gera-se nele próprio.
         Observadas as mais das vezes, em psicoses, as alucinações também podem ocorrer por efeito de certas drogas e substâncias tóxicas e por irritação mecânica de certas áreas do cérebro como parte de síndromes orgânicas cerebrais.
         Em pessoas saudáveis, podem ocorrer alucinações na hipnose e em estados parciais de sono. Em geral, são projeções de desejos e conflitos profundos. (ver BlaRiston - Dicionário Médico, 2ª ed).
Teoria da alucinação na visão espírita.
         Analisando criteriosamente o assunto, Allan Kardec explica que os que não admitem o mundo incorpóreo e invisível julgam tudo explicar pela palavra alucinação. Esta palavra exprime o engano, a ilusão de quem pensa ter percepções que realmente não tem. Origina-se do latim allucinari, errar, que vem de ad lucem. Mas os sábios ainda não apresentaram, que o saibamos, a razão fisiológica desse fato. 
         As explicações dadas pela Ótica e pela Fisiologia, ainda não esclarecem a natureza e a origem das imagens que se mostram ao Espírito em dadas circunstâncias. Tudo querem explicar pelas leis da matéria; forneçam então, com o auxílio dessas leis, uma teoria, boa ou má, da alucinação. Sempre será uma explicação.
         A causa dos sonhos, a ciência atribui a um efeito da imaginação; mas, não nos diz o que é a imaginação, nem como esta produz as imagens tão claras e tão nítidas que às vezes nos aparecem. Consiste isso em explicar uma coisa, que não é conhecida, por outra que ainda o é menos. A questão permanece. 
         Dizem ser uma recordação das preocupações no estado de vigília. Porém, mesmo que se admita esta solução, que nada resolve, ainda restaria saber qual é esse espelho mágico que conserva assim a impressão das coisas. Como se explicar, sobretudo, essas visões de coisas reais jamais vistas no estado de vigília e nas quais jamais se pensou? Só o Espiritismo nos pode dar a chave desse estranho fenômeno que passa despercebido por ser muito comum, como todas as maravilhas da Natureza que menosprezamos.
         Os sábios não quiseram ocupar-se com a alucinação, mas quer seja real ou não, constitui um fenômeno que a Fisiologia deve poder explicar, sob pena de confessar a sua incompetência. Se, um dia, algum sábio resolver dar não uma definição, mas uma explicação fisiológica veremos se a teoria resolve todos os casos, se não omite os fatos tão comuns de aparições de pessoas no momento da morte, se esclarece a razão da coincidência da aparição com a morte da pessoa. Se fosse um fato isolado, se poderia atribuí-lo ao acaso, mas como é bastante freqüente, o acaso não o explica. Se aquele que viu a aparição houvesse tido a idéia de que a pessoa estava para morrer... Mas a aparição é, na maioria das vezes, da pessoa de quem menos se pensa: a imaginação, portanto, nada tem com isso. 
         Os partidários da alucinação dirão que a alma (se é que admitem uma alma) tem momentos de superexcitação em que suas faculdades são exaltadas. Estamos de acordo, mas quando o que ela vê é real, não há ilusão. Se na sua exaltação a alma vê à distância, é que ela se transporta; e, se ela pode se transportar, por que a da outra pessoa não se transportaria para nos ver? Que na teoria da alucinação levem em conta esses fatos, não se esquecendo de que uma teoria a que se podem opor fatos que a contrariem é necessariamente falsa ou incompleta.
         Aguardando a explicação que venham a oferecer, Allan Kardec afirma: provam os fatos que há aparições verdadeiras, que a teoria espírita explica perfeitamente e que só podem ser negadas pelos que nada admitem fora do organismo. Mas ao lado dessas visões reais existem alucinações, no sentido que se dá a essa palavra? Não se pode duvidar. Qual a sua origem? Os Espíritos é que vão esclarecer-nos sobre isso, porquanto a explicação, parece-nos, está toda nas respostas dadas às seguintes perguntas:
         a) As visões são sempre reais ou são algumas vezes efeito da imaginação? Não serão, algumas vezes, efeito da alucinação? Quando vemos em sonho, ou de outra maneira, o diabo, ou outras coisas fantásticas, que não existem, não será isso um produto da imaginação? 
         — Sim, algumas vezes, quando dá muita atenção a certas leituras, ou a histórias de feitiçarias, que impressionam, a pessoa, lembrando-se mais tarde dessas coisas, julga ver o que não existe. Mas, também, já temos dito que o Espírito, sob o seu envoltório semimaterial, pode tomar todas as formas para se manifestar. Pode, pois, um Espírito brincalhão aparecer com chifres e garras, se o quiser, para divertir-se à custa da credulidade daquele que o vê, do mesmo modo que um Espírito bom pode mostrar-se com asas e com uma figura radiosa.
         b) Podem-se considerar como aparições os rostos e outras imagens que, muitas vezes, se mostram, quando cochilamos ou simplesmente quando fechamos os olhos? 
         — Desde que os sentidos entram em torpor, o Espírito se desprende e pode ver longe, ou perto, aquilo que lhe não seria possível ver com os olhos. Muito freqüentemente, tais imagens são visões, mas também podem ser efeito das impressões que a vista de certos objetos deixou no cérebro, que lhes conserva os vestígios, como conserva os dos sons. Desprendido, o Espírito vê nos seu próprio cérebro as impressões que aí se fixaram como numa chapa fotográfica. A variedade e a mistura dessas impressões formam os conjuntos estranhos e fugidios, que se apagam quase imediatamente, ainda que se façam os maiores esforços para retê-los. A uma causa idêntica se devem atribuir certas aparições fantásticas que nada têm de reais e que muitas vezes se produzem durante uma enfermidade.
         Admite-se que a memória seja o resultado das impressões conservadas pelo cérebro, mas, por qual fenômeno essas impressões tão variadas e múltiplas não se confundem? Mistério impenetrável, porém, não mais estranho que o das ondas sonoras, que se cruzam no ar e que se conservam distintas. Num cérebro são e bem organizado, essas impressões se revelam nítidas e precisas; num estado menos favorável, elas se apagam e confundem; daí a perda da memória, ou a confusão das idéias. Ainda menos extraordinário parecerá isto, ao se admitir, como se admite, em frenologia, uma destinação especial a cada parte e, até, a cada fibra do cérebro.
         As imagens transmitidas ao cérebro pelos olhos deixam ali sua impressão, que permite lembrar-se de um quadro como se ele estivesse presente, embora se trate de uma questão de memória, pois nada se vê. Ora, em certos estados de emancipação, a alma vê o que está no cérebro, onde torna a encontrar aquelas imagens, sobretudo as que mais o chocaram, segundo a natureza das preocupações, ou as disposições íntimas. E assim que reencontra a impressão de cenas religiosas, diabólicas, dramáticas, mundanas, figuras de animais esquisitos, que ela viu outrora em pinturas ou ouviu em narrações, porque também as narrativas deixam impressões. Assim, a alma vê realmente, mas, apenas uma imagem fotográfica no cérebro. 
         No estado normal, essas imagens são fugidias, efêmeras, porque todas as secções cerebrais funcionam livremente, ao passo que, a doença, o cérebro enfraquece, o equilíbrio entre todos os órgãos deixa de existir, conservando somente alguns a sua atividade, enquanto que outros se acham de certa forma paralisados. Daí a permanência de determinadas imagens, que as preocupações da vida exterior não mais conseguem apagar, como se dá no estado normal. Essa a verdadeira alucinação e causa primária das idéias fixas. 
         Como se vê, explicamos esta anomalia por uma lei fisiológica muito conhecida, a das impressões cerebrais. Porém, foi sempre necessário fazer intervir a alma. Ora, se os materialistas ainda não puderam apresentar uma explicação satisfatória desse fenômeno, é porque não querem admitir a alma. Por isso mesmo, dirão que a nossa explicação é má, pois nos apoiamos num princípio que é contestado. Mas contestado por quem? Por eles, mas admitido pela maioria dos homens, desde que há homens na Terra. A negação de alguns não pode constituir lei.
 
         Nossa explicação é boa? Damo-la pelo que possa valer na falta de outra, e, se quiserem, a título de simples hipótese, enquanto outra melhor não aparece; ela pode explicar todos os casos de visões? Certamente que não. Contudo, desafiamos os fisiologistas a apresentarem uma que explique todos os casos. Porque nada apresentam quando pronunciam as palavras - superexcitação e exaltação. Assim sendo, desde que todas as teorias da alucinação se mostram incapazes de explicar os fatos, é que alguma outra coisa há, que não a alucinação propriamente dita. Seria falsa a nossa teoria, se a aplicássemos a todos os casos de visão, pois que alguns poderiam contradizê-la. Pode ser legítima, se aplicada a alguns efeitos. 
         E concluímos o estudo do capítulo VI, transcrevendo as observações de Herculano Pires, tradutor de O Livro dos Médiuns, ao término desse capítulo:
         "As teorias atuais da alucinação referem-se em geral a alterações do sistema nervoso, com excitações dos neurônios sensoriais, especialmente os da visão e da audição. Insiste-se na explicação fisiológica de todos os caso. Mas a recente aceitação científica dos fenômenos paranormais abriu novas perspectivas nesse campo. Os casos referidos por Kardec são aceitos como de natureza extrafísica por toda a escola de Rhine e mesmo as escolas fisiológicas admitem a veracidade das percepções à distância, da transmissão do pensamento, das previsões e da retrocognição ou visão do passado. A alma, como afirma, Allan Kardec, mostra-se novamente indispensável à formulação de uma teoria satisfatória da alucinação".
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. Ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte.
KARDEC, Allan - Revista Espírita, julho de 1861: EDICEL - Ensaio sobre a Teoria da Alucinação e Variedades: As visões do Sr. O.

Tereza Cristina D'Alessandro
Dezembro / 2004

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Rua Rodrigues Alves,588
Vila Tibério - Cep 14050-390
Ribeirão Preto (SP)
CNPJ: 45.249.083/0001-95 
Reconhecido de Utilidade Pública pela Lei Municipal nº. 3247/76.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 40


SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VI

MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS

Estudo 40 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES


Itens 109 e 110

           Concluindo os estudos referentes ao Ensaio Teórico sobre as Aparições (itens 101 a 110), recordamos, então: os Espíritos têm um corpo fluídico, a que se dá o nome de perispírito, cuja substância é haurida do fluido cósmico, e que ele é mais ou menos etéreo, conforme os mundos e o grau de depuração do Espírito; que durante a encarnação, o Espírito conserva seu perispírito, sendo o corpo apenas um segundo envoltório mais grosseiro, mais resistente, apropriado aos fenômenos a que tem de prestar-se e do qual se despojará por ocasião da morte.

           O perispírito serve de intermediário ao Espírito e ao corpo, sendo o órgão de transmissão de todas as sensações. Não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa, e sim, por sua natureza fluídica, é expansível, irradiando-se para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a vontade podem dilatar mais ou menos.

           Nos Espíritos desencarnados, devido a sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível, tendo isso de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, mas que nunca vimos. Pode também, como alguns fluidos, sofrer modificações que o tornam perceptível à vista, quer por uma espécie de condensação, quer por uma mudança na disposição molecular. Pode mesmo adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível e retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível. São as aparições.

           Esses diferentes estados do perispírito resultam de vontade do Espírito e não de uma causa física exterior, como acontece com os gases. Entretanto, nem sempre basta ao Espírito a vontade de tornar-se visível: é necessário, para que se opere a modificação, o concurso de uma série de circunstâncias que dele independem. É preciso, inclusive, lhe seja permitido, fazer-se visível, o que nem sempre lhe é concedido, ou somente o é em determinadas circunstâncias, por motivos que nos escapam.

           Podendo assumir todas as aparências, o Espírito se apresenta sob aquela que mais reconhecível o possa tornar, se o quiser. Geralmente os Espíritos se apresentam com os atributos característicos de sua elevação, como: resplandecentes demonstrando sua elevação moral, enquanto que outros trajam as que recordam suas ocupações terrenas. 

           O Espírito que quer ou pode realizar uma aparição toma por vezes uma forma ainda mais precisa, de semelhança perfeita com um sólido corpo humano, podendo, em alguns casos e sob certas circunstâncias, a tangibilidade tornar-se palpável, Istoé, pode-se tocar a aparição, senti-la resistente como um corpo sólido, o que não impede que ela se desvaneça com a rapidez do relâmpago. 

           Todos os fenômenos citados foram estudados mais profundamente nos itens anteriores, e Allan Kardec afirma que, o perispírito é o princípio de todas as manifestações, sendo que o seu conhecimento nos traz a explicação de numerosos fenômenos, permitindo grande avanço à Ciência Espírita, colocando-a numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, - pois foram eles que indicaram o caminho, - a explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação de corpos inertes, dos ruídos e das aparições e, certamente, como explicação de muitos outros fenômenos ainda por serem estudados, inclusive o das comunicações. Estas serão melhor compreendidas, se nos inteirarmos de suas causas fundamentais. 

           Reflete ainda o Codificador que, longe de considerar a teoria que apresenta como absoluta e última palavra na questão, ela será, mais tarde, completada ou retificada através de novos estudos. Mas, por mais incompleta ou imperfeita que se apresente, pode sempre ajudar a compreender os fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se é uma hipótese, não se lhe pode negar o mérito da racionalidade e da probabilidade.

           Por essas reflexões percebemos a postura científica de Allan Kardec e porque foi chamado, por Camille Flammarion, de "o bom senso encarnado", pois razão reta e judiciosa, aplicava sem cessar às suas pesquisas e obras.

           Em nosso próximo estudo abordaremos a Teoria da Alucinação.

BIBLIOGRAFIA:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte.
KARDEC, Allan - A Gênese: 26.ed.Brasília: FEB, 1984 - Discurso pronunciado por Camille Flammarion junto ao túmulo de Allan Kardec.
Tereza Cristina D'Alessandro
Novembro/ 2004

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Rua Rodrigues Alves,588
Vila Tibério - Cep 14050-390
Ribeirão Preto (SP)
CNPJ: 45.249.083/0001-95 
Reconhecido de Utilidade Pública pela Lei Municipal nº. 3247/76.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 39


SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO V

MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS

Estudo 38 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES

Item  108

   Allan Kardec prossegue estudando o fenômeno das aparições, agora fazendo algumas considerações sobre um sistema - um conjunto de hipóteses para explicar determinados fenômenos - especial para as manifestações visuais de Espíritos: o sistema dos Espíritos glóbulos.
           Segundo este sistema, a visão de Espíritos por supostos médiuns nada mais seria do que um fenômeno óptico, isto é, uma ilusão decorrente de uma falha da transmissão da luz através dos órgãos receptores (de luz), o aparelho óptico. Essas alucinações visuais limitam-se em geral à percepção de luzes, cores, pontos luminosos ou escuros no campo visual, o que diferirá das alucinações de ordem neuropsiquiátricas, que consistem na visão de objetos conhecidos ou não, com forma, cor, tamanho, profundidade e até movimentos bem definidos. Esse tipo de alucinação será estudado a seguir, ainda neste capítulo de O Livro dos Médiuns.
           Considerando agora o aparelho óptico que nos permite enxergar, observaremos que sua função é a de captar a luz ambiente irradiada por fontes primárias - que possuem luz própria - ou secundárias - que refletem a luz de fontes primárias. Além disso, o sistema óptico deve transformar as informações luminosas em impulsos elétricos (neurais) para o sistema nervoso e, daí, reconstruir psiquicamente a informação visual para o Espírito.
Para essa função, destaquemos algumas estruturas importantes: o globo ocular, o nervo óptico e o cérebro. No globo ocular, observamos alguns componentes importantes para a captação e adaptação dos raios luminosos do meio externo para sua posterior decodificação (veja figura 1)
Alguns raios luminosos emitidos pelo objeto são captados pelo globo ocular. Atravessam a córnea, uma estrutura altamente transparente, cuja função é servir de um meio refratário para direcionar corretamente os raios luminosos para a pupila (a "menina dos olhos"). Esta é a abertura da íris, cuja função é regular o grau de dilatação do orifício pupilar, ou seja, abrir a pupila num ambiente escuro e retraí-la num ambiente muito claro.
Figura 1: captação dos raios luminosos pelo globo ocular e a formação da imagem na retina
Passando pela pupila, os raios luminosos atingem a retina, o componente fundamental para a transdução do sinal luminoso em impulso nervoso (elétrico). Nesse trajeto, a luz é conduzida por dois meios líquidos: o humor aquoso, da córnea à íris e o humor vítreo, da íris à retina. A retina é a camada mais interna do globo ocular, composta de dez subcamadas de células, que captam a imagem reproduzida e a convertem em impulsos eletrofisiológicos às fibras nervosas, com as quais está conectada. Estas se reúnem num só feixe, formando o nervo óptico, um de cada lado, que seguem para cérebro. Depois de algumas "estações cerebrais", a informação visual chega ao córtex cerebral, no pólo occipital, chamado justamente de córtex visual (veja figura 2). As informações então são processadas e integradas para gerar a sensação de forma, cor, profundidade e movimento.
Figura 2: formação da imagem da retina para o córtex visual (pólo occipital do cérebro)
Dessa forma, para a formação da imagem na retina e daí para o cérebro é necessário que todas as estruturas estejam íntegras e funcionantes. Se ocorrer alguma perturbação (leve ou importante), a imagem pode não se formar perfeitamente. Além disso, estímulos mecânicos ou de outra ordem podem gerar estímulos sobre essas vias, não necessariamente relacionados com uma fonte luminosa real. Porém a sensação será visual. Essa é a base para as ilusões ou alucinações visuais de natureza óptica.
           O Codificador do Espiritismo, no item 108 de O Livro dos Médiuns, aponta algumas explicações para a formação dessas imagens estranhas e sem significados. Menciona Allan Kardec, "discos luminosos", "moscas amauróticas", "centelhas", etc. Hoje, a semiotécnica também menciona "moscas volantes", "escotomas" e outros.
           Em verdade, todos os dias ocorrem espontânea e fisiologicamente fenômenos ópticos, muito aproveitados por "ilusionistas" em apresentações públicas. As centelhas ou moscas volantes podem ser decorrentes do excesso de luminosidade do ambiente, quando as pupilas ainda não se fecharam suficientemente. Um "ponto cego" todos possuem no ponto da retina para onde convergem as fibras ópticas para formar o nervo óptico (disco do nervo óptico). Em geral esses tipos de fenômenos são extremamente transitórios ou o córtex adaptou-se a ponto de suprimi-los.
           Obviamente, acometimentos patológicos da córnea, íris, humor aquoso ou vítreo, retina, nervo óptico e córtex visual podem provocar sinais e sintomas típicos, clinicamente diagnosticados. Escotomas ou manchas negras no campo visual sugerem uma provável lesão da retina ou dos nervos ópticos; moscas volantes, pontos luminosos duradouros ou "chuviscos" sugerem hipertensão intracraniana; além de muitos outros.
           De qualquer forma, e seja lá o que for, essas imagens, por mais que se movam ou façam piruetas no campo visual, estão longe de ser fenômenos mediúnicos. Todo efeito mediúnico possui como causa um ser espiritual inteligente que se manifesta com alguma intenção. "Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente", dizia Allan Kardec, e "todo efeito sem inteligência tem uma causa não inteligente". Assim, essas ilusões ópticas grosseiras jamais poderão ser confundidas com fenômenos mediúnicos, inteligentes e intencionais. É preferível, pois, restringir-se a observar com cautela antes de especular, para não alimentar os incrédulos, "já naturalmente dispostos a procurar o ridículo".

BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - item 108 - 2ª Parte
PORTO, Celmo Celeno - Semiologia Médica. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001 - Cap. 11, 12 e 13

Matheus Artioli Firmino
Outubro / 2004


Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Rua Rodrigues Alves,588
Vila Tibério - Cep 14050-390
Ribeirão Preto (SP)
CNPJ: 45.249.083/0001-95 
Reconhecido de Utilidade Pública pela Lei Municipal nº. 3247/76.