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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CONDUTA MEDIÚNICA

CIÊNCIA
 (2ª Parte)
Rubens Santini

“O médium precisa aprender também a dominar seus impulsos emocionais, a fim de que a mensagem que passa por ele, vinda de alguém no Plano Espiritual e destinada a alguém no plano da matéria, não se contamine com as suas próprias paixões e desacertos íntimos. Ele terá de ser como o lápis bem apontado, com o grafite na consistência própria, na cor certa, ou o aparelho de som dotado de dispositivos de alta fidelidade para que a boa gravação não seja reproduzida com distorções, zumbidos e estáticas que a tornem irreconhecível. Deve se esforçar para que a mesma qualidade de som existente na gravação-fonte seja a que se reproduz nos alto-falantes, com toda a fidelidade e autenticidade possíveis.
(...) Na mediunidade, não há disputa de campeonatos nem medalhas de ouro ao vencedor, porque não há vencedores, no sentido de que um médium possa suplantar outros. Na mediunidade, ganha aquele que serve na obscuridade, modestamente, com devotamento e honestidade.
Quando ouço falar que alguém é um “grande médium”, fico logo de pé no freio. Existem grandes médiuns? Mediunidade é grandeza? Muita gente avalia os médiuns pelos fenômenos espetaculares que podem produzir ou pela ampla variedade de faculdades que exibem. Quanto a mim, não é isso que busco num médium. Ele, ou ela, pode até de dispor de ampla faixa de sensibilidades - que isto não é defeito mas prefiro aquele que, embora dotado de faculdades várias, dedica—se modestamente a uma ou duas, para exercer bem e com dedicação. (...)
Como instrumento de comunicação o médium tanto pode veicular mensagens aceitáveis e autênticas, como inaceitáveis e falsas, dependendo das condições que oferece. Não deve ser endeusado, no primeiro caso, nem crucificado no segundo. Seria o mesmo que destruir o telefone porque acabamos de receber, por ele, uma notícia falsa, ou elogiá-lo porque acaba de nos trazer uma alegria.
Ao mesmo tempo, não há como perder de vista o fato de que o médium é um Ser humano, que pode falhar por ser endeusado, e pode embotar-se ou perder-se quando, em vez de socorrido, for arrasado porque a sua comunicação é considerado inaceitável.”
A posição do médium
A mediunidade é dom generalizado em todas as criaturas a espera de educação e disciplina. Sem certas regras orientadas pelo Cristo, ela é apenas um instrumento de satisfação pessoal ou meio de vida na pauta dos negócios...
A posição do sensitivo ante sua mediunidade é que sua língua deve perder a força de ferir, suas mãos a força de revidar e suas idéias a força de contrariar as Leis de Deus.
Todos os médiuns são testados por meios variados. Por onde que não se espera é que o inimigo chega. O defeito que insistimos em apontar nos outros é o que temos com mais saliência. Se tiveres que chorar por alguém que errou, chora por ti mesmo. Se tiveres que alterar a voz com irmãos que julgaste incursos em erro, altera a voz contigo mesmo. Se tiveres de anunciar alguma virtude que não possuis, fala das qualidades dos companheiros e dos esforços que eles fazem para melhorar.
A posição do médium no lugar em que for chamado a trabalhar é a de servir de instrumento para o bem em todas as direções da vida... Quando vamos trabalhar na caridade, recebemos de Deus uma cota de luz divina, mas não podemos esquecer que tal cota é para ser doada, e se ela transforma fielmente no que nós desejamos que ela seja, torna-se uma carta com endereço certo.
Eis a posição do médium diante da consciência."
Educação Mediúnica
— “Médium algum se perderá nas vielas do desequilíbrio se estabelecer para si mesmo um programa de renovação.
Exercício e renúncia.
Muita paciência ante as incompreensões que lhe surgem no caminho.
Capacidade de perdoar, por maior que seja a ofensa.”
— “O jugo é suave e o fardo é leve para o companheiro da mediunidade que se apóie no estudo, no trabalho, na oração constante, na humildade.”
— “Médiuns sérios atraem Espíritos sérios; médiuns levianos atraem Espíritos levianos.
O medianeiro que se não ajusta aos princípios morais pode ser vitimado pela ação do mundo espiritual inferior.
— “A falta de estudo, evangélico e doutrinário constitui sério escolho na prática da mediunidade.
O médium deve ler, estudar, refletir, assimilar e viver as edificantes lições do Evangelho e do Espiritismo, a fim de que possa oferecer aos Espíritos comunicantes os elementos necessários a uma proveitosa comunicação.
O médium estudioso, além disso, é instrumento dócil, maleável, acessível. Tem sempre uma boa roupagem para vestir a idéias a ele transmitidas. O que não estuda, nem se renova, cria dificuldades à transmissão da mensagem, favorecendo a desconexão. — “A educação mediúnica, por sinônimo de desenvolvimento mediúnico, deve ser iniciada no devido tempo, na época apropriada, isto é, ao se verificar a espontânea eclosão da faculdade. Não devemos “querer” o desenvolvimento mediúnico, mas “amparar” a faculdade que surge, pelo estudo e pelo trabalho, pela oração e pela prática do bem.
Forçar a eclosão da mediunidade, ou o seu desenvolvimento, significa abrir as portas do animismo, com sérios inconvenientes para o equilíbrio, a segurança e a produtividade do medianeiro. A educação mediúnica deve ser, em qualquer circunstância, espontânea, natural, suave, sem qualquer tipo de violência externa e interna.”
— “Educação mediúnica pede tempo e trabalho, estudo e abnegação. Não acontece de um dia para outro.
Médium inquieto, apressado em transmitir boas comunicações antes do necessário preparo, é candidato em potencial ao desequilíbrio.
O médium disciplinado obterá ótimos frutos em sua tarefa, levando em consideração o seguinte:
— lugar e hora certos para o trabalho;
— assiduidade e pontualidade;
— respeito à codificação e apreço aos Instrutores Espirituais.
O médium prudente analisa, examina sugestões dos companheiros encarnados, aceitando—as se justas e sensatas O médium vaidoso comporta—se como dono da verdade. É sistematicamente refratário a advertência e conselhos.
A discrição é fator básico para o êxito fluídico conhecer problemas pela mediunidade ou por relatos íntimos e revelá-los, é falta de caridade.”
— “A ausência de trabalho é grave escolho da mediunidade, isso porque a ferramenta mediúnica exige utilização constante, ação contínua, não somente pela necessidade de aprimoramento das antenas psíquicas, como também pelo imperativo da conquista do sentimento do amor.
O trabalho assegura a assistência superior, protege o médium contra o assédio e o domínio de Entidades menos felizes, constroem preciosas amizades nos planos físicos e subjetivos.
Harmonia fluídica, amor e confiança, destreza psíquica e apuro vibracional representam o somatório da atividade mediúnica exercida da disciplina do trabalho.”
O hábito da prece
O hábito da prece mantém o médium em estado de vigilância, imprescindível ao bom êxito de sua tarefa.
Através da oração isolamo—nos das influências negativas, sintonizando—nos com as forças espirituais que iluminam.
A prece não nos isenta das provas, mas dá—nos forças para suportá—las.
“Nos momentos de dificuldade e sacrifício, vamos lembrar de orar para Nosso Pai.
A oração é um santo remédio para os nossos males. Não é só nas horas de aflição é que devemos recorrer a esse recurso maravilhoso.
Ela deve ser feita todos os dias. Pela manhã, agradecendo pelo descanso de nosso corpo físico, e pedir proteção para mais um dia de trabalho aqui na Terra. Ao anoitecer, antes de dormir, agradecendo pelo dia que tivemos, e pedindo para que nosso Espírito possa estar com nossos Amigos Espirituais, buscando novos esclarecimentos para nosso aprimoramento espiritual. Lamentamos que muitas pessoas Só recorrem à oração para pedir a conquista de bens materiais.
Conquistas essas que são perecíveis com o tempo. Devemos pedir sim, uma boa saúde para o nosso corpo físico, para que possamos ter a força e a energia necessária para cumprir com grande sucesso o que nos foi planejado pelo Plano Espiritual.
Devemos pedir a proteção os bons conselhos e a inspiração de nossos Guias Protetores para a resolução de nossos problemas em que, por ventura, estejamos atravessando.
Mas, devemos orar não só para pedir, mas também para agradecer pelas nossas conquistas do dia—a—dia e pelas dádivas recebidas.
Podemos orar para emitir vibrações positivas para daqueles entes queridos que estejam doentes ou em dificuldades.
Devemos orar, também, e isto mostra a nossa grandeza e elevação de nossa alma, para os nossos inimigos e por todos aqueles que nos desejam o mal. Vamos perdoar—lhes cada ato infeliz e impensado que tenha sido desferido contra nós. Vamos mostrar—lhes o nosso carinho, o nosso Amor, a nossa tolerância e pedir à Deus para que façam rever seus gestos, suas posturas. E que as Entidades Benevolentes possam iluminá-los para a prática de atos mais elevados.
Lembrem—se: a oração é uma benção Divina.
Podemos recorrer a todos os instantes. A oração é um ato de Amor, um elo de ligação entre o Plano Espiritual e o Terreno.
Para orar, não há necessidade de palavras decoradas ditas sem nenhum sentimento.
Mais valem dez palavras expressas com amor e devoção...
Muitos falam que não sabem rezar. Basta humildemente, com suas próprias palavras, com uma devoção muito grande, acreditando naquilo que está sendo pedido, ser concretizado.
Vamos lembrar o que o Nosso Mestre Jesus nos disse:
“Pedi e se vos dará”.
Acima de tudo, devemos orar com muita fé!”


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº351
Janeiro 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

MEDIUNIDADE E OBSESSÃO


Estou passando por um problema muito sério em minha vida, que me levou a um tratamento psiquiátrico, sem resultado prático até aqui. Estive num centro espírita e me falaram que devo desenvolver a mediunidade, pois meu problema é esse. Vejo vultos, escuto vozes que me perturbam, algumas vezes. Mas outro problema é que não me dou bem com minha família. Eles querem me internar.
(J.R.C. – Garça - SP)
Se você está se sentindo doente, de fato deve se submeter ao tratamento médico. E faz bem de procurar também um tratamento espiritual.
Mas é preciso agir com cautela e discernimento: o importante é que sua atual condição não o impede de pensar e agir, e é isso que você deve fazer. Todavia, a questão da mediunidade não é tão simples assim. A prática da mediunidade não é uma panacéia para todos os males, como muita gente imagina.
Primeiro você precisa tomar contato com o Espiritismo, através de pessoas que possam orienta-lo, para saber em que terreno está pisando. O Espiritismo, segundo as obras de Allan Kardec, não oferece solução mágica para problema algum. Considera que todos nós temos plena condição de procurar a própria solução.
O que o Espiritismo pode fazer é orientá-lo no sentido de seu equilíbrio. É um ledo engano achar que toda perturbação mental tem raiz exclusiva na mediunidade.
A mediunidade, em si, é uma faculdade humana, como outra qualquer, logo, todo mundo tem mediunidade – de alguma forma e em algum grau de desenvolvimento (seja a pessoa espírita ou não).
Portanto, J. R., você não é o único.
Mas os transtornos emocionais, como os seus, têm causas variadas e, quase sempre, decorrem de uma conjugação de várias causas ao mesmo tempo. Geralmente, está ligada à mediunidade, mas a mediunidade não é nem a única causa e nem tampouco a causa mais importante. Veja bem!
Devemos ver o problema pelo tipo de vida que estamos levando e o que devemos modificar em nossa vida, para nos adequar melhor à ela. É para isso que o Espiritismo nos chama a atenção. É muito comum as pessoas chegarem ao Centro Espírita com problemas como o seu, já com o diagnóstico de mediunidade. Mas não é tão simples assim. Mediunidade é uma sensibilidade muito apurada, que tem efeito direto no mundo emocional das pessoas. Por ela, podemos ter sensações e percepções além dos sentidos comuns e que muitas vezes nos assustam. Certas pessoas tem mediunidade ostensiva, à flor da pele, como se costuma dizer: são essas os verdadeiros médiuns ou os médiuns propriamente ditos.
Entretanto, são um grupo muito reduzido. A maioria das pessoas tem apenas a mediunidade que Herculano Pires denominou de “estática”, porque só se manifesta casualmente, uma ou outra vez em suas vidas. Transtornos emocionais como os seus, costumam estimular certos focos mediúnicos, levando a pessoa a ter percepções não-habituais em determinados momentos, o que lhes desperta a atenção para a mediunidade. Entretanto, J.R. – preste atenção! – neste caso o sintoma mediúnico não é a causa, mas o sintoma de um problema maior. Que orientação costumamos dar a pessoas que apresentam um quadro dessa natureza? Além dos esclarecimentos iniciais, recomendamos que venham ao Centro tomar passes, que comecem a ler alguma coisa a respeito do Espiritismo e da mediunidade e, além disso - passe a mudar algumas atitudes, alguns hábitos nos seus relacionamentos. A freqüência ao Centro é importante, pois, além dos passes, vão se familiarizando com os ensinamentos e valores morais que o Espiritismo oferece.
Veja, caro J.R. que nós não encaminhamos tais pessoas para sessões mediúnicas, simplesmente por que, além de não ajudá-las pode trazer-lhes mais problemas – sem conhecimento espírita, sem saber do que se trata, ela não deve ter contato com atividades mediúnicas - pelo menos, por enquanto. O passe é um recurso espiritual de grande valia. Geralmente, as pessoas se sentem reconfortadas, reanimadas e revigoradas em suas forças. Ao lado do passe, a reflexão sobre valores da vida que levamos, baseada nos comentários do evangelho de Jesus. Logo, trata-se de um tratamento suave, cuidadoso, que vai encaminhá-las aos poucos ao reequilíbrio e ao controle de suas emoções (principalmente de sua ansiedade), mas, isso, sem ignorar ou abandonar o acompanhamento médico que, na maioria das vezes, é imprescindível. Por outro lado, se a pessoa for realmente médium, no sentido estrito da palavra, com certeza, ela vai descobrir e decidir se vai integrar algum grupo mediúnico depois.

“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXII N° 388
JANEIRO 2009
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

APRENDENDO COM UM ESPÍRITO OBSESSOR


por: * Vislei Bossan

Alguém achou que eu estava preparado para sessões de desobsessão. Poderia iniciar a função de “doutrinador” e surgiu uma vaga. Uma das primeiras experiências foi exemplar. Havia uma família sob a influência de alguns adversários espirituais e começamos o trabalho que visava ajudar encarnados e desencarnados envolvidos na trama.
Pouco a pouco, os obsessores foram esclarecidos. O grupo estava satisfeito e a família deu claros sinais de melhoras. Achávamos que a missão havia sido concluída com êxito, até que certa noite fomos surpreendidos. No final dos trabalhos, uma das médiuns disse que estava alí um Espírito muito irritado. Permitimos a sua comunicação, cheia de revolta. A infeliz entidade nos disse que seus chefiados haviam desistido da maldade que estavam praticando, e que ele, o “chefe”, estava muito bravo e iria acabar com o nosso grupo de desobsessão.
- Vai não, eu disse à entidade atormentada. A mim, você não pega, pois estou amparado por Jesus Cristo. Podem ir embora, para vocês obsessores desta família, tudo acabou.
A minha arrogância deve ter impressionado o obsessor, pois foi embora sem falar mais nada. Encerrados os trabalhos, fomos embora com a serenidade que convinha e esquecidos dos acontecimentos daquela hora de atividade.
Em casa, já deitado para dormir, senti algo gelado por sobre a minha coluna vertebral, como se fosse uma brisa polar e ouvi o grito de minha filha no quarto no final do corredor. Fui até lá, acalmei-a e ela me disse: “nossa pai, tive um pesadelo, mas já passou”.
Voltei para a cama e entrei na fase R.E.M.¹ do meu sono. Foi terrível: sentí-me arrastado para um lugar escuro, fétido, solo cheio de lama ou lodo, pegajoso. Debati-me o quanto foi possível, até ser acordado pela minha esposa, segurando meus dois braços.
- Nossa, que coisa horrível! Obrigado por ter me tirado daquele lugar - disse à minha esposa Vera Lúcia. Retomei o sonho, dormi relativamente bem e acordei normalmente, já esquecendo o pesadelo da noite.
Uma semana depois, estávamos eu e os companheiros na sala de desobsessão para novas atividades. Quando começaríamos os trabalhos, após a prece de abertura, a médium avisou: “tem uma entidade aqui querendo passar um recado e não me parece violenta”, disse. A entidade se apresentou, e dirigindo-se à mim, disse:
- Gostou, bichão?
Percebi que era o obsessor que havia prometido me pegar. Mantive com ele o seguinte diálogo:
- Então, foi você? Perguntei.
- Sim, te peguei e levei até aonde estou.
Neste momento, senti um enorme desejo de refazer o caminho e, de todo o coração mesmo, pedi desculpas.
- Perdão, companheiro. Não deveria ter te desafiado. Perdoe a minha arrogância.
Em seguida, fiz-lhe uma proposta. Disse-lhe que ele havia demonstrado muita força e gostaria que ele direcionasse sua capacidade para a prática do bem, abandonando o caminho da vingança, da perseguição.
Ele disse que “experimentaria“, pois seus companheiros já o haviam abandonado e estavam muito bem. Alguns meses depois, esta entidade, antes revoltada, retornou para nos dizer que estava querendo trabalhar em favor de obsediados, atuando no mundo espiritual junto a obsessores, dando exemplos de si mesmo.
Os diretores espirituais da casa concordaram, e aquele Espírito, que me deu uma grande lição, deve estar conosco no CE Cairbar Schutel, até hoje.
¹ R.E.M., ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”), é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais vívidos.


* Vislei Bossan é trabalhador do C. E. Cairbar Schutel/Rio Preto.


JORNAL VERDADE  E  VIDA
ADDE - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA E SPIRITA 
ANO 01 NÚMERO 03 FEVEREIRO/ MARÇO 2012
Este jornal é uma publicação da ADDE - Associação de Divulgação da Doutrina Espírita
(CNPJ 08.195.888/0001-77) - para a região de São José do Rio Preto/SP.
Os textos assinados são de responsabilidade de seus autores.
Coord. Editorial: Rafael Bernardo - contato@rafabernardo.com.br
Diagramação: Junior Pinheiro - jrpinheironanet@yahoo.com.br
Jornalista Resp: Renata S. Girodo de Souza - renatagirodo@ig.com.br - MTB 67369/SP
Receba o jornal em sua Casa Espírita cadastrando-se no site ou por meio do e-mail: verdadeevida@adde.com.br
Tiragem: 5.000 exemplares
Distribuição Gratuita        
        

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Espiritismo


Adenáuer Novaes

     O que caracteriza o Espiritismo? Certamente não é somente sua prática exercida por milhões de adeptos espalhados pelo mundo. Mais do que isso, sua doutrina, alicerçada nas leis da Natureza, como escreveu Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo I, item 10, apresenta a imortalidade da alma como seu principal corolário, norteador dos demais princípios básicos. É exatamente a idéia do espírito imortal que possibilita a compreensão da evolução espiritual pela reencarnação.
Psicologicamente, o eu em nossa consciência tem certeza de sua continuidade após a morte, razão pela qual se mantém íntegro e esperançoso. A confiança no futuro, numa continuidade espiritual da consciência de si, advém de certeza íntima da imortalidade do espírito, inerente a todo ser humano. Além da imortalidade do espírito, são princípios básicos do Espiritismo: a existência de Deus, a evolução pela reencarnação, a mediunidade como meio de comunicação entre os espíritos de diferentes dimensões, a moral cristã, entre outros. Para o Espiritismo, Deus é a Causa Primeira de tudo que existe, diferenciando-se do deus medieval punitivo e perseguidor dos que se sentiam pecadores. No Espiritismo, Deus é amor e generosidade para com o ser humano.
A evolução é tratada como o grande caminho, a jornada heróica que todos devem realizar, visando a perfeição ou o encontro consigo mesmo, para a realização de sua designação pessoal. 
A reencarnação é o mecanismo natural da evolução, que põe o espírito em contato com a dimensão material, onde apreende as leis de Deus, acessíveis por essa via. A mediunidade é o meio pelo qual se pode comunicar com espíritos de distintas dimensões, visando a troca de informações e atualização de sentimentos, para o encontro e integração do amor. A mediunidade é a matriz de todas as faculdades psíquicas humanas, propriedade natural de todo ser humano, integrada ao longo da evolução do Principio Espiritual. O Espiritismo alicerçou-se na doutrina cristã, tomando-a como base moral para sua filosofia, dando-lhe, porém, interpretações fundamentadas na imortalidade do espírito e na vida futura. Foi nos ensinamentos de Jesus que Allan Kardec e os espíritos que construíram a doutrina do Espiritismo edificaram a Religião Espírita, que serve de campo de manifestação da religiosidade de seus seguidores. O caráter religioso do Espiritismo tem se sobressaído em face das demandas de consolação daqueles que o buscam e do que é oferecido como transcendência espiritual. As teses espíritas, gradativamente estão sendo incorporadas por todas as pessoas, sendo parte integrante das sociedades, bem como suas interpretações do Evangelho de Jesus são assimiladas naturalmente dia-a-dia. O Espiritismo cresce no mundo, educando as pessoas para a consciência de que são espíritos imortais e de que a felicidade pessoal é alcançável quando se trabalha em favor do bem coletivo e da paz interior.



Adenáuer Novaes é Psicólogo Clínico, residente no Brasil. É um dos diretores  da   Fundação Lar Harmonia, Salvador-BA.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano III  N° 9   Março e Abril 2010
The Spiritist Psychological Society


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Autodesobsessão


Rodrigo Machado Tavares   

   O Espiritismo nos esclarece que a obsessão consiste na influência negativa de espírito para espírito, quer esteja encarnado, quer desencarnado. Portanto, é correto afirmar que a obsessão pode ocorrer de quatro formas, a saber: de desencarnado para encarnado; de desencarnado para desencarnado; de encarnado para desencarnado e de encarnado para encarnado.
Dentro dessa lógica, podemos acrescentar uma quinta forma de obsessão: a auto-obsessão, que consiste na influência negativa que o espírito, encarnado ou desencarnado, desenvolve em si mesmo, através da mono-ideia. 
   Baseado nisto, é muito importante sempre lembrarmos da auto-desobsessão.
A auto-desobsessão pode ser entendida como um processo de auto-ajuda e, consequentemente, de autotransformação. E como é possível fazer a auto-desobsessão? Por ser um processo bastante pessoal, ela começa pela mente, isto é, pela forma como pensamos. Daí, observamos a importância do bem pensar e, por conseguinte, do bom agir. Foi por isto que o nosso Mestre amado Jesus nos disse: “Vós sois o sal da Terra… Vós sois a luz do Mundo” (Mateus 5:13). Em outras palavras, nós temos força para vivermos pelo bem, evitando os processos de obsessão, incluindo a auto-obsessão. 
   Sabemos da grandeza divina do trabalho de desobsessão que as instituições espíritas desempenham. Busquemos também fazer o trabalho contínuo da auto-desobsessão. 
    
    
Rodrigo Machado Tavares é Engenheiro e pesquisador, residente em Londres. Colabora com diversos Grupos Espíritas. 

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II  N° 7 Novembro e Dezembro 2009 
The Spiritist Psychological Society