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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NA INTIMIDADE DO SER



De fato, os conhecimentos sobre a vida do espírito têm-se imposto aos raciocínios e as mensagens do Evangelho, à luz de tais conhecimentos, tornaram-se mais claras ao entendimento de todos. No entanto, na advertência de Paulo, de aproximadamente 2000 anos atrás, fica evidente que acumular conhecimentos sobre a Vida e as Leis que a regem, como se tem feito ao longo da existência humana, é insuficiente. 

“Vós, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” – PAULO (Colossenses, 3:2.) 

Indubitavelmente, não basta apreciar os sentimentos sublimes que o Cristianismo inspira. 

É indispensável revestirmo-nos deles. 

O apóstolo não se refere a raciocínios. 

Fala de profundidades. 

O problema não é de pura celebração. 

É de intimidade do ser. 

Alguém que possua roteiro certo do caminho a seguir, entre multidões que o desconhecem, é naturalmente eleito para administrar a orientação. 

Detendo tão copiosa bagagem de conhecimento, acerca da eternidade, o cristão legítimo é pessoa indicada a proteger os interesses espirituais de seus irmãos na jornada evolutiva; no entanto, é preciso encarecer o testemunho, que não se limita à fraseologia brilhante. 

Imprescindível é que estejamos revestidos de “entranhas de misericórdia” para enfrentarmos, com êxito, os perigos crescentes do caminho. 

O mal, para ceder terreno, compreende apenas a linguagem do verdadeiro bem; o orgulho, a fim de renunciar aos seus propósitos infelizes, não entende senão a humildade. Sem espírito fraternal, é impossível quebrar o escuro estilete do egoísmo. 

É necessário dilatar sempre as reservas de sentimento superior, de modo a avançarmos, vitoriosamente, na senda da ascensão. 

Os espiritistas sinceros encontrarão luminoso estímulo nas palavras de Paulo. 

Alguns companheiros por certo observarão em nossa lembrança mero problema de fé religiosa, segundo o seu modo de entender; todavia, entre fazer psiquismo por alguns dias e solucionar questões para a vida eterna, há sempre considerável diferença. 

Vinha de Luz – Emmanuel, psic. Francisco C. Xavier - lição 89

(Compilado por Débora)

Correio da Fraternidade
ANO 21 – nº 250- Abril de 2010 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PREOCUPAÇÃO DE ONTEM QUE CONTINUA ATUAL



Consta nos arquivos da Biblioteca “Irmão Clarêncio” um acervo de artigos, provenientes de diversos periódicos, os quais foram trabalhados junto às famílias frequentadoras das atividades de manutenção do Grupo Espírita “Irmão Vicente” e Escola de Educação Especial “Anne Sullivan”.
Dois desses artigos, ambos publicados em 1998, alertam sobre o perigo que representa a programação televisiva.
O artigo “O controle da Televisão”, publicado no Jornal da Tarde em 07/05/1998, denuncia a TV como“traficante da moral”, pois o conteúdo que oferece aos telespectadores, tão temível quanto qualquer entorpecente, provoca uma submissão psíquica nas pessoas, “incentivando maus costumes, destruindo famílias, privilegiando a malandragem, o adultério, a libertinagem, as drogas, as rupturas institucionais, com leque de alternativas, todas elas corrosivas, para que a sociedade perca sua dignidade e a aprenda a se transformar numa comunidade sala frária”.
O texto “Desenho desanimado”, assinado por Gilberto Dimenstein, de 26/10/1998, divulga os dados de pesquisas realizadas pela ONU e pela Universidade Federal do Paraná, a respeito dos variados tipos de violência que são destilados às crianças através de desenhos animados e a influência desses sobre o comportamento das mesmas. De acordo com a pesquisa há uma média de vinte cenas de violência, por hora, de desenho.

         O Correio Popular de 5 de abril 2009 , noticiou a respeito de um novo jogo de computador, que pode ser acessado pela internet ou comprado no comércio de Campinas, cujo objetivo do protagonista é um ato de violência sexual.

Tais artigos, apesar de contarem mais de uma década, continuam atuais. No entanto, além da televisão, há outros meios de comunicação aos quais as crianças tem acesso indiscriminadamente. 
Diante da realidade em que vivemos a solução certamente não é nos isolarmos em algum país distante, a pretexto de mantermos a nossa família a salvo desse tipo de cultura perniciosa.
O problema não está na tecnologia, mas no uso que dela fazemos.
Esses dados que chocam são reflexo dos espíritos que se encontram encarnados na Terra, entre os quais estamos nós. Isto é, não somos vítimas.
Cabe a nós, forrarmos os nossos íntimos com as lições do Evangelho e transmitir tais lições àqueles cuja educação está sob a nossa responsabilidade.
O bom senso nos diz que tal tipo de programação deve ser abolida dos nossos lares. Mas isso não é o suficiente.
A compreensão do Evangelho se faz necessária para que na vida em sociedade, em que somos expostos a todo tipo de informação, sejamos capazes de reconhecer e selecionar os padrões morais que devemos tomar por modelo e aqueles que não nos servem!

Débora

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”,abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

NÃO BASTA FREQUENTAR O CENTRO ESPÍRITA


Nos dias de hoje, apesar da vasta literatura espírita disponível, que veio abrir de modo mais detalhado as Obras Básicas, principalmente os livros psicografados por médiuns do quilate de um Francisco Cândido Xavier, muitos espíritas ainda sob a influência de velhos hábitos religiosos, pensam que basta frequentar o Centro Espírita em dias determinados para estarem ‘quites com Deus.’ Mas estão enganados. 

Por isso, afirma o Mentor Emmanuel: 

“Numerosos companheiros estão convencidos de que integrar uma equipe de ação espírita se resume em presenciar os atos rotineiros da instituição a que se vinculam e a resgatar singelas obrigações de feição econômica. 

Mas não é assim. O espírita, no conjunto das realizações espíritas, é uma engrenagem inteligente com dever de funcionar em sintonia com os elevados objetivos da máquina.

Um templo espírita não é simples construção de natureza material. É um ponto do Planeta onde a fé raciocinada estuda as leis universais, mormente no que se reporta à consciência e à justiça, à edificação do destino e à imortalidade do ser. Lar de esclarecimento e consolo, renovação e solidariedade, em cujo equilíbrio cada coração que lhe compõe a estrutura moral se assemelha a peça viva de amor na sustentação da obra em si.

Não bastará frequentar-lhe as reuniões. É preciso auscultar as necessidades dessas mesmas reuniões, oferecendo-lhes solução. Respeitar a orientação da casa, mas também contribuir, de maneira espontânea, com os dirigentes, na extinção de censuras e rixas, perturbações e dificuldades, tanto quanto possível no nascedouro, a fim de que não se convertam em motivos de escândalo.”1

Pedro Abreu 

1  Educandário de Luz – Emmanuel psic. Francisco C. Xavier – lição   16


Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

TRABALHO RENOVADOR


Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra! 1
Hoje, situamo-nos encarnados nao planeta Terra, hospital-escola de milhões de espíritos em evolução, que se encontram nos mais diversos estágios de progresso, com diferentes níveis de moral e de intelectualidade. No entanto, em toda esta diversidade que se estende de norte a sul e leste a oeste do globo, entre encarnados e desencarnados, existe um ponto comum que nos iguala a todos: somos espíritos eternos, criados simples e ignorantes, dotados do atributo da inteligência; e a nos guiar existe uma constante da Lei Divina: todos estamos destinados à perfeição.
Assim sendo, somos espíritos que fazem parte da obra sublime da Criação, mas cada qual trilha seu caminho de acordo com as opções que realiza, através do uso do inalienável direito do livre-arbítrio que torna o espírito livre para escolher e responsável pela conseqüência de tais escolhas.
Neste ponto o prezado leitor já deve estar indagando o porquê da citação do Evangelho realizada na introdução deste texto.
Reflitamos!
Como espíritos encarnados, fazemos parte de inúmeras obras, a começar da obra do Lar – o cadinho sublime onde se aparam arestas e reconstroem-se laços de estima e confiança que até então se encontravam destruídos. Mais adiante, nos enfileiramos também na obra do Grupo Espírita – onde além de aprendermos o Evangelho do Mestre ainda encontramos uma oficina de trabalhos na qual somos convidados a colocar em prática as lições aprendidas.
E como citado no início do texto, fazemos parte do Planeta Terra que tem, como destino, a sua progressão contínua na escala dos mundos, e, mais precisamente nos tempos atuais, destina-se a sair do status de planeta de provas e expiações, para um planeta de regeneração. Deste modo, somos igualmente parte integrante desta obra, desta seara de guindarmos o nosso planeta a uma nova escala de progresso.
Seja qual for a obra, temos um papel a desempenhar dentro dela...
Mas não nos iludamos, não é necessário se tornar herói, não é preciso ser mártir, ou mesmo ir a público falar do Evangelho de Jesus. A missão de cada um de nós é bem mais simples: solicita-se que sejamos bons servidores, que não tragamos dano ao trabalho!...
Solicita-se que independente do estágio de evolução em que nos encontremos, não percamos mais tempo em devaneios tolos ou elucubrações fúteis, a hora aprazada para a renovação de nossos sentimentos, para deixarmos de valorizar as conquistas da matéria e buscarmos o progresso do espírito, já se fez soar. É necessário tenhamos passos céleres para ombrearmo-nos nesta jornada com aqueles que caminham à nossa frente, que já entendem que a obra não pode parar, e, cientes disto, trabalham sem cessar para que a seara não seja prejudicada. Assim sendo, para acompanhar tais irmãos, é imprescindível sejamos humildes, reconheçamo-nos aprendizes do Evangelho, e, acima de tudo, tenhamos íntimos abertos e boa vontade para a prática inadiável da caridade.
O convite do trabalho está feito, mas para sermos bons servidores, devemos apresentarmo-nos conscientes ainda, de que o trabalho exigirá de nós muita renúncia e perseverança, que estejamos dispostos a não cultivar sentimentos de ciúme, inveja, orgulho, egoísmo; que tenhamos comprometimento e responsabilidade para evitarmos discórdias e desavenças, sentimentos estes que minam as raízes de fraternidade e harmonia de qualquer obra. 
Assim compreendendo que no cumprimento do ideal cristão, seja no lar, no Centro Espírita, ou em qualquer parte da sociedade terrena, acima de qualquer interesse pessoal, nos esforcemos por fazer parte dele, pois além de proporcionar o bem comum, promove e estimula o progresso de cada um.

1 - O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec –cap. XX, item


Sheila

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html

ENTRE A SOMBRA E A LUZ


Quando a alma, vazia,
Sente a lida em escuridão,
Preciso é a lembrança
De que é espírito em evolução.

Nos momentos sombrios,
Nos quais é difícil achar-se solução,
Preciso é que a alma busque luz
Pelo gesto da oração.

Como ser pensante,
O espírito é vida pulsante,
Que caminha pelos milênios
Numa ascensão constante.

Ontem, simples e ignorante,
Hoje, inteligência em desenvolvimento,
Que escolhe, a cada instante
Seu rumo, para íntimo crescimento.

E, pelas escolhas feitas,
Conscientes ou desastrosas,
Toma as consequências referentes
Das atitudes felizes ou faltosas.

Assim, o eterno aprendiz
Aprende com o acerto e com o erro
Numa constante escola intelecto-moral
Que lhe ensina sobre a vida espiritual.

Se o Pai está a oferecer estrelas
Na mais alta madrugada,
Que dirá do auxílio
Na evolutiva caminhada?!

Por isso amigo caminheiro,
Não nos deixemos perder pelo destempero,
Pela mágoa ou desilusão,
Pelas tristezas do coração.

Pois o Pai que tudo sabe,
Felicita-nos a oportunidade
Da auto-iluminação
Ante a íntima obscuridade.

Estejamos com o Maior foco de luz
Que nos foi facultado,
O farol de entendimento que é Jesus
A guiar-nos os passos.

Cultivando, em nós, Seus ensinamentos,
Qual luminoso candeeiro;
Uma chama sempre a brilhar
Sem jamais deixá-la apagar.

Susan

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html

ÊXITOS E INSUCESSOS


“Sei viver em penúria e sei também viver em abundância.” – PAULO. (Filipenses, 4:12.)

Em cada comunidade social, existem pessoas numerosas, demasiadamente preocupadas quanto aos sucessos particularistas, afirmando-se ansiosas pelo ensejo de evidência. São justamente as que menos se fixam nas posições de destaque, quando convidadas aos postos mais altos do mundo, estragando, desastradamente, as oportunidades de elevação que a vida lhes confere.
Quase sempre, os que aprenderam a suportar a pobreza é que sabem administrar, com mais propriedade, os recursos materiais.
Por esta razão, um tesouro amontoado para quem não trabalhou em sua posse é, muitas vezes, causa de crime, separatividade e perturbação.
Pais trabalhadores e honestos formarão nos filhos a mentalidade do esforço próprio e da cooperação afetiva, ao passo que os progenitores egoístas e descuidados favorecerão nos descendentes a inutilidade e a preguiça.
Paulo de Tarso, na lição à igreja de Filipos, refere-se ao precioso imperativo do caminho no que se reporta ao equilíbrio, demonstrando a necessidade do discípulo, quanto à valorização da pobreza e da fortuna, da escassez e da abundância.
O êxito e o insucesso são duas taças guardando elementos diversos que, contudo, se adaptam às mesmas finalidades sublimes.
A ignorância humana, entretanto, encontra no primeiro o licor da embriaguez e no segundo identifica o fel para a desesperação. Nisto reside o erro profundo, porque o sábio extrairá da alegria e da dor, da fartura ou da escassez, o conteúdo divino.

Pão Nosso – Emmanuel, psic. Francisco C. Xavier – lição 56

(Compilado por Delcio)

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Conselho Oportuno para formação dos pais na educação dos filhos – Parte III


ELUCIDAÇÕES DOUTRINÁRIAS
  • Deveres não são negociáveis!


A infância é o período em que os espíritos recém-encarnados, preparam-se para assumir os compromissos que assumiram perante as Leis da Vida, com o auxílio dos pais.

Quando a criança atingir sua maturidade, se não tiver sido educada na escola da disciplina e for capaz de ser responsável com suas obrigações, não terá com quem negociar as consequências de seus comportamentos.

Tanto as Leis da Vida como a nossa consciência não são passíveis de negociações. Nós sofremos as consequências de tudo o que fazemos e deixamos de fazer.

Portanto, quando o pequeno virar o prato de sopa para não tomá-lo, faça-o limpar a sujeira e deixe-o assumir as consequências de ter jogado a comida fora. Deixe-o sem comer e o acompanhe de perto. Não vai demorar para que a fome mostre a ele que sua escolha não foi inteligente. Ele perceberá que sempre lhe foram servidos alimentos cuidadosamente preparados, que nunca a mamãe lhe deu algo estragado para comer.

Depois de ele ter se desculpado por seu comportamento e pedir a gentileza de ser servido novamente, dê-lhe a sopa, e não alimentos que lhe sejam mais agradáveis ao paladar, como prêmio por ter se desculpado.

Isso seria descartar todo o esforço feito para que ele aprenda a comer de tudo e a valorizar e respeitar o que é colocado à mesa. Ele continuaria se comportando como um pequeno tirano.

É necessário que se explique à criança o porquê de cada coisa, de cada providência que for tomada em resposta à sua forma de agir. E é obrigação dos pais exigirem que os filhos cumpram seus deveres, que se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos1.

Todas as crianças, independente da sua fase de desenvolvimento, usam da sua inteligência e apreciam muito quando essa é respeitada. É preciso ter atitudes coerentes com o que se diz à criança, do contrário, perdemos a sua confiança.

Quando ela desdenhar a roupa que lhe for oferecida, pegue-a pelas mãos, leve-a até o tanque de lavar roupas, ensinando-a que aquela camiseta sem furos, limpa, passada e dobrada na gaveta cobra da mamãe e do papai muito tempo e trabalho. Ela não só aprenderá a lavar a roupa, mas que a vestimenta, cuja função é resguardar a dignidade do corpo e protegê-lo contra o frio, sempre lhe foi garantida através do esforço dos pais.
Há pais que afirmam que seus filhos não gostam da merenda que a escola oferece gratuitamente e, por isso, enviam bolinhos recheados e salgadinhos ao gosto dos pequenos.

Não é necessário discutir o que é mais saudável e nutritivo entre o pão com manteiga acompanhado do copo leite e o salgadinho. Mas, nessa história de atender às vontades da criança, o pai alimenta sem saber a vaidade dela e abre brecha para que os coleguinhas nutram por ela a inveja. O recreio perde o significado do momento em que devemos repor as energias do nosso organismo para continuarmos estudando. A hora do lanche passa a ser o momento em que ela se sobressai aos companheiros e “desfruta” a inveja dos colegas que não têm como comprar os tais bolinhos recheados.

Só espíritos adiantados resistiriam a oportunidades como essa de expressão do egoísmo e da vaidade. Possibilitar esse tipo de situação a espíritos como nós, é dar a arma ao bandido e querer que nada de ruim aconteça.

Se diante dos “nãos” que receber, a criança fizer birras, não nos agastemos. Ela só é um espírito que precisa de ajuda para amadurecer, tanto quanto nós mesmos.

Precisamos ter paciência para com ela, tanto quanto esperamos paciência daqueles que convivem com as nossas imperfeições.
Gritos são desnecessários. A segurança e a serenidade com que os assuntos mais graves devem ser tratados não dependem de ruído.2

Com firmeza e ternura, mostremos a ela o que está fazendo de errado. Se ainda assim não se sensibilizar, sendo necessária a reprimenda de um tapa, esse não deve ser dado porque recebemos a altivez da criança como uma provocação à nossa vaidade. O tapa, o puxão de orelha, ficar sem sobremesa, são práticas que não devem ser tomadas como atos de vingança.

Recobremos o equilíbrio antes de qualquer atitude, ou corremos grande risco de provocarmos a revolta e a desconfiança ao invés de despertar-lhe a consciência.

Não exponhamos as crianças ao veneno das novelas, programas televisivos e músicas que lhes excitem a violência, a sensualidade e a vileza. Nós encarnamos justamente para modificar esses sentimentos. Se temos dificuldade de estimular as suas virtudes, pelo menos não lhes estimulemos os vícios.

Não julguemos que domingos, feriados e momentos de cansaço sejam justificativas para não nos preocuparmos com a educação dos filhos. Paternidade é trabalho vinte e quatro horas para toda a encarnação.

Grandes oportunidades de renovação e estreitamento entre pais e filhos podem ser perdidas.

Com certeza, é uma exigência constante de renúncia.

Quantas vezes momentos agradáveis em família são interrompidos para que um mau comportamento possa ser educado? Que mãe e pai tem prazer em deixar o filho sem aquela sobremesa preparada especialmente para ele ou de acompanhá-lo até a escola e dizer à professora que ele copiou o trabalho do colega de classe?

Além do que, quando o filho fica sem sobremesa, os pais também ficam. Quando a criança está de recuperação escolar, os pais também estão, pois precisam ajudá-lo a restabelecer as suas notas.


Às vezes, sentimos vontade de relevar algumas atitudes das crianças para mantermos a “descontração” e a “tranqüilidade” do lar, para não criar confusão. Pura ilusão!

Não percamos a oportunidade de educá-los, é o que esperam de nós. Ser conivente com maus comportamentos assemelha-se ao ato de oferecer uma taça de sorvete a um doente da garganta, provocando maior irritação, ao invés de ministrar-lhe o remédio amargo que lhe sanaria as dores. Se não corrigirmos os maus pendores quando tivermos oportunidade, estaremos estimulando-os ainda mais.

Ser amigo dos filhos, amá-los, não é sempre lhes sorrir e agradar. São amigos, aqueles pais que levam com seriedade o compromisso de educação que assumiram, que se esforçam por educar-se, buscando o que oferecer ao filho. Ser amigo é dar aos espíritos que estão sob a nossa responsabilidade as condições necessárias para libertarem-se do egoísmo que tanto sofrimento impõe a todos nós.

Existe a possibilidade de que eles não reconheçam em nossas admoestações o respeito e o carinho que lhes devotamos e que façam escolhas bem diferentes daquelas que lhes aconselhamos fazer. Recordemos a misericórdia do Pai, que não obstante a nossa insistência no cultivo de velhos vícios, sem negociar suas Leis, sempre nos renova as oportunidades de aprimoramento.

Sejamos dignos da confiança daqueles por quem somos responsáveis não permitindo que sucumbam às mesmas faltas em que incorreram no passado.

Débora

1 Apostila do Seminário de Evangelização (1991/1992)
2 Jesus no Lar - Néio Lúcio psic. de Francisco C. Xavier - lição 30

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.