Pesquisar este blog

Páginas

domingo, 31 de janeiro de 2016

O ESPIRITISMO E AS FRAUDES

O ESPIRITISMO E AS FRAUDES
 
         Os materialistas e os incrédulos sistemáticos têm costume de qualificar os fenômenos espíritas como charlatanismo ou embuste. Não vamos, aqui, analisar suas razões, sem critérios e métodos.
        Nosso intuito é apenas lembrar de que os espíritas são os primeiros a ter interesse em que as fraudes sejam desmascaradas, e jamais garantiram a legitimidade de todos os fatos ditos mediúnicos ou anímicos. Aliás, as pessoas idôneas que descobriram a fraude nos fatos falsamente considerados como tal, prestam, mais do que imaginam, um serviço à causa espírita, que não se apoia sobre a mentira, mas necessita de que a verdade apareça.
        Os estudos que, sob várias denominações, envolvem questões como a alma, a mediunidade e o animismo, têm mobilizado os homens de ciência, há mais de cem anos. Podemos citar, como exemplos, desde William Crookes e as materializações de Katie King até a descoberta do corpo bioplásmico por pesquisadores da Universidade de Kirov, passando pela verificação da natureza extrafísica da mente, por Joseph B. Rhine, da Universidade de Kuke (EUA), e pelas investigações sobre reencarnação, em mais de mil casos catalogados por Hamendras Nat Banerjee, da Universidade de Jaipur, na Índia.
        Felizmente, a pesquisa científica não depende de concessões ideológicas ou religiosas. Negar a validade dos seus resultados, por serem contrários a determinados dogmas ou crenças, não anula a força dos fatos cientificamente comprovados. Somente contraprovas científicas poderiam invalidá-los, e isto ainda não aconteceu, com relação aos fenômenos espíritas. Como disse Kardec, negar não é provar.
        Observemos que o Espiritismo é toda uma filosofia, cujas implicações vão muito além da fenomenologia, cujas implicações vão muito além da fenomenologia. As comunicações mediúnicas, com sua veracidade tão combatida, apenas comprovam a existência, no homem, de um princípio imaterial que preexiste e sobrevive ao corpo (o Espirito). As comunicações mediúnicas e os fenômenos anímicos são consequência de sua sobrevivência e da manutenção de sua individualidade após a morte, mas não são o objetivo principal da Doutrina Espírita. O mais importante se encontra nas decorrências morais desta comprovação, isto é, no quanto alguém sabendo-se Espírito, criado por Deus, imortal, reencarnante e em evolução, altera seu modo de ser e de agir para consigo mesmo e para com seus semelhantes.

(De Um pouco por dia, de Rita Foelker)

Estudo Evangélico - Estudo n. 5 Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA” FÉ E OBRAS

Estudo Evangélico

Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”


Francisco C. Xavier / Emmanuel

Estudo n. 5
FÉ E OBRAS

“A fé se não tiver obras, é morta em si mesma”.
(Tiago, 2:17)

Tiago escreveu essa carta aos cristãos que se achavam entre os judeus dispersos (nome que se dava aos judeus que habitavam fora da Terra Santa), com o objetivo de corrigir os erros e condenar os pecados a que estavam sujeitos os primeiros judeus convertidos ao cristianismo e, animar os crentes convertidos a sofrer as provações a que estavam sujeitos.

Fé é a confiança que se tem no cumprimento de algo, certeza de atingir um fim para o qual se tende procurando os meios para atingir.

Do ponto de vista religioso, fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões.

Emmanuel, no livro “O Consolador”, pergunta 354, elucida: "Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassa o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade".

Significando luta, trabalho incansável para se alcançar objetivos e fins.

Existe a fé cega, que não examina nada, aceita sem controle o falso, o verdadeiro, e se choca, a cada passo, contra a evidência e a razão.

Allan Kardec, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XIX, item 7, ensina que" não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade". Para ser portanto, proveitosa deve ser ativa, e não se prender aos cultos exteriores da religião a que nos afeiçoamos.

Fé verdadeira é não mais dizer “eu creio”, mas afirmar " eu sei ", com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento.

Fé e obras se completam em nossas relações com a Vida, onde viver representará certezas tanto nos aspectos materiais quanto nos espirituais.

O exemplo de nossas obras mostra o mérito da fé que temos. Acreditar e nada fazer, crer e desanimar, ter fé e desesperar são paradoxos. Nossa forma de ser, agir, falar tem que exteriorizar as certezas que possuímos onde as obras serão contagiantes, envolvendo o outro em tranqüilidade, calma, paz, que só a segurança daquele que sabe por onde caminha, para onde vai proporciona.

Serviço é condição que a lei estabelece para todas as criaturas, a fim de que o Criador lhes responda.

A criatura que apenas trabalhasse, sem método, sem descanso, acabaria desesperada, em horrível secura de coração; aquela que apenas se mantivesse genuflexa, estaria ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade.

Em se tratando de religião, cada crente possui razões respeitáveis e detém preciosas possibilidades que devem ser aproveitadas no engrandecimento da vida e do tempo, glorificando o Pai.

Quando percebemos as bênçãos de Deus e nada realizamos de bom, em favor dos semelhantes e de si mesma, assemelhamo-nos ao avarento que passa sede e fome, com a intenção de esconder, a riqueza que Deus lhe emprestou. Por esta razão a fé que não ajuda, não instrui e nem consola, não constrói obras e não passa de escura vaidade e enganos do coração.

"O Reino Divino guarda o imperativo da ação por ordem fundamental. Sigamos para diante e propaguemos a verdade salvadora, através dos pensamentos, das palavras, das obras e de nossas próprias vidas. O Todo-Sábio criou a semente para produzir com o infinito. Desce do alto a claridade do Sol cada dia para extinguir as sombras da Terra. Esse é o objetivo do Evangelho. Amar, servindo, é venerar o Pai, acima de todas as coisas; e servir, amando, é amparar o próximo como a nós mesmos".

A fé sem obras é como a lâmpada que não clareia - é inútil.

Bibliografia:

O Evang. Seg. o Espiritismo - A.K. - XIX

À luz da oração - F.C.Xavier/Emmanuel

O Consolador - F.C.Xavier/Emmanuel - perg.354

Jesus no lar - F.C.Xavier/Neio Lúcio - lições 32 e 45


Márcia Casadio / Maria Ap. F. Lovo
Novembro / 2001
Centro Espírita Batuira

sábado, 30 de janeiro de 2016

O HOMEM BOM

O Homem Bom

Conta-se que Jesus, apos narrar a Parabóla do Bom Samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que, alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição, perguntou, sutil:
- Mestre, que farei para ser considerado homem bom?
Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu:
Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.
Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem ao passo incerto, garatindo-te a segurança.
Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer desrespeito para com os teus sofrimentos.
Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do amigo que te fosse levar alguns minutos de solidariedade.
Imagina-te no carcere, padecendo a incompreensão do mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão que te buscasse testemunhar entendimento.
Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência.
Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o bálsamo com que te acalmarias, diante da indulgência dos que te desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.
Imagina-te fatigado e intemperante e observa quão reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração do silêncio e a frase de simpatia.
Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o Divino Amigo:
- Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas circunstâncias?
- Os que usassem de compreensão e misericordia para comigo - explicou o interlocutor.
- Então - repetiu Jesus com bondade-, segue adiante e faz também o mesmo.

Amor e Vida em Família. EME. 

O GRITO

 O GRITO
 
"Uma boa palavra auxilia sempre. Às vezes, supomo-nos sozinhos e proferimos inconveniências.
Desajudamos quando podíamos ajudar. É preciso aproveitar oportunidades. Falar é um dom de Deus.
Se abrirmos a boca para dizer algo, saibamos dizer o melhor.
A pequena assembléia ouvia atenta a palavra de Sálus, o instrutor espiritual que falava pelo médium.
- Não adianta repetir frases inúteis. E é sempre falta grave conferir saliência ao mal.
Comentemos o bem. Destaquemos o bem. Dentre todos os presentes,
Belmiro Arruda, escutava em silêncio.
 Decorridos alguns dias, Arruda, nas funções de pedreiro-chefe, orientava o término da construção de grande recinto. O enorme salão parecia completo. Tudo pronto.
Acabamento esmerado. Pintura primorosa.
- Experimentemos a acústica  disse o engenheiro superior.
E virando-se para Belmiro: - GRITE ALGO. 
Arruda, recordando a lição, bradou: - CONFIA EM JESUS!... CONFIA EM JESUS!...
O som estava admiravelmente distribuído.
Os operários continuavam na sua faina, quando triste homem penetra o recinto.
Cabeleira revolta. Semblante transtornado.
- Quem mandou confiar em Jesus?  perguntou.
Alguém aponta Belmiro, para quem ele se dirige, abrindo os braços.
- Obrigado, amigo!  exclamou. E mostrando um revólver: 
- Ia encostar o cano no ouvido, entretanto, escutei seu apelo e sustei o tiro...
Queria morrer no terreno baldio da construção, mas sua voz acordou-me...
Estou desempregado, há muito tempo, e sou pai de oito filhos...
Jesus, sim! Confiarei em Jesus!... Arruda abraçou-o, de olhos úmidos.
O caso foi conduzido ao conhecimento do diretor do serviço.
E o diretor, visivelmente emocionado, estendeu a mão ao desconhecido e falou:
- Venha amanhã. Pode vir trabalhar amanhã."
 
HILARIO SILVA
livro "A vida escreve"
Médiuns Waldo Vieira e Chico Xavier

O GRANDE TESOURO

O Grande Tesouro

Livro: Escrínio de Luz 
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

O corpo físico, relativamente equilibrado, é o grande tesouro da alma encarnada na Terra.
Com ele, podes fortalecer os laços da fraternidade, através da palavra, auxiliar o próximo pelos gestos de compreensão e socorro, amparar a vida e a natureza pelo trabalho das mãos, examinar a extensão das bênçãos divinas que te cercam, por intermédio dos olhos, registrar as harmonias da Criação com os ouvidos, traças estradas de boa vizinhança com os pés e, sobretudo, enriquecer a própria experiência, amealhando eternas conquistas para a imortalidade, pelo exercício de tua mente e de teu coração na prática incessante do bem.
De posse da abençoada máquina física, podes resgatar o passado, iluminar o presente e engrandecer o futuro...
Não te coloques, pois, à margem da luta acusando o companheiro que recebeu a inquietante provação da riqueza material. Quase sempre, o proprietário de vastos bens transitórios é um viajante solitário e aflito na Terra, carregando nos ombros dilacerados esmagadora cruz de ouro maciço. Se te encontras distanciado de semelhante impedimento, és mais livre e mais rico para estender o bem.
Não percas tempo, condicionando a caridade ao lastro do dinheiro fácil.
Sê útil ao companheiro que passa no mundo suportando o peso de cofres incômodos, porquanto raros conhecem toda a responsabilidade daquele que foi chamado a distribuir os dons da Terra.
Ao invés de espalhar o vinagre da censura, expande-te na solidariedade e no entendimento, dilatando o clima de amor fraterno. E, na convicção de que nenhuma riqueza do chão de pedra vale um só fragmento dos teus braços, adianta-se no roteiro do Evangelho, convencido de que a maior caridade não é aquela que somente entrega ao irmão de luta o que sobra na bolsa, mas a que ajuda sempre, irradiando fraternidade e luz, a fim de que a vida se eleve e melhore para todos os que a rodeiam na grande caminhada terrestre.

O SER HUMANO

O ser humano é o que a sua fé determina. Devemos unir os nossos pensamentos, buscando a retidão dos sentimentos, para que na flor das idéias surja a fé, na glória de Deus e no reino de Jesus.  Se estás triste, busca de novo o teu íntimo e verás que escapuliu, sorrateiramente, a tua fé. Se sentes, por momentos que seja, ódio de alguém, certamente que a tua fé faltou. Se falas mal de alguém, é  certo que a fé não se fez presente em teu coração. Se esqueces o amor ao próximo é, pois, a fé que te faltou nas entranhas do ser. Se foste enredado pela ignorância, desfazendo-se das qualidades alheias, podes verificar que a tua fé está escondida nas dobras do ciúme. Se não  respeitas os direitos alheios, certo é que esqueceste a fé. Se não te  lembraste do amor, nessas feições mais simples da vida, é porque te faltou a presença da fé. 

(João Nunes Maia, por Miramez, em "Francisco de Assis")

LEMBRE-SE

LEMBRE-SE de que o amor ao próximo é o segredo de nossa felicidade.
Não fale mal de ninguém, não tenha raiva, não cultive ódios em seu coração.
A irritação e o ódio são venenos que atacam o fígado e descontrolam o sistema nervoso.
 
Aprenda a relevar e esquecer, para ter seu coração em paz e não sofrer em sua saúde.  A serenidade é o segredo das vidas longas e felizes.
 
C. Torres Pastorino

O LIVRO DOS MÉDIUNS ESTUDO 25 - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS - CAPITULO IV - MOVIMENTOS DE SUSPENSÃO: itens 72 a 74 - questões 1 a 21


 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)
Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO IV
TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS

MOVIMENTOS DE SUSPENSÃO
Estudo 25: itens 72 a 74 - questões 1 a 21

Demonstrada a existência dos Espíritos pelo raciocínio e pelos fatos e a possibilidade de agirem sobre a matéria, devemos saber agora como se efetua essa operação e como eles agem para mover as mesas e outros corpos inertes. 

Explica Allan Kardec que uma idéia se lhe apresentou, porém os Espíritos deram-lhe uma explicação muito diversa da sua, constituindo isto uma prova de que a teoria deles não era efeito de sua opinião. A seguir a apresentamos.

O conhecimento da natureza dos Espíritos, de sua forma humana, das propriedades semimateriais do perispírito, da ação mecânica que podem exercer sobre a matéria e o fato de nas aparições as mãos fluídicas e até mesmo tangíveis pegarem objetos e os carregarem, julgou-se, como era natural, que o Espírito se servia muito simplesmente de suas próprias mãos para fazer que a mesa girasse e que a erguesse pelos braços. Mas, então, qual a necessidade de médiuns? O Espírito não poderia agir sozinho? Porque o médium que, freqüentemente, pousa as mãos sobre a mesa em sentido contrário ao do movimento, ou mesmo nem chega a pousá-las, não pode, evidentemente, ajudar o Espírito por uma ação muscular. Vejamos as explicações que os Espíritos deram a respeito.

 As respostas seguintes foram dadas pelo Espírito São Luís. Muitos outros, depois, as confirmaram.

1 O fluido universal uma emanação da Divindade? 
— Não.

2 É tudo uma criação da Divindade? 
— Tudo é criado, exceto Deus.

3 O fluido universal é o próprio elemento universal? 
— Sim, é o princípio elementar de todas as coisas.

4 Tem alguma relação com o fluido elétrico, cujos efeitos conhecemos? 
— É o seu elemento.

5 Como o fluido universal se nos apresenta na sua maior simplicidade? 
— Para encontrá-lo na sua simplicidade absoluta seria preciso remontar aos Espíritos puros. No vosso mundo ele está sempre mais ou menos modificado, para formar a matéria compacta que vos rodeia. Entretanto, podeis dizer que o estado em que se encontra mais próximo daquela simplicidade é o do fluido a que chamais fluido magnético animal.

6 Afirmou-se que o fluido universal é a fonte da vida. Será ao mesmo tempo a fonte da inteligência? 
— Não; esse fluido só anima a matéria.

7 Sendo esse fluido que forma o perispírito, parece encontrar-se nele uma espécie de condensação que, de certa maneira, o aproxima da matéria propriamente dita? 
— Até certo ponto, como dizes, porque ele não possui todas as propriedades da matéria e a sua condensação é maior ou menor, segundo a natureza dos mundos.

8 Como um Espírito pode mover um corpo sólido? 
— Combinando uma porção do fluido universal com o fluido que se desprende do médium apropriado a esses efeitos.

9 Os Espíritos erguem a mesa com a ajuda dos braços, de alguma maneira solidificados?
— Esta resposta não te dará ainda o que desejas. Quando uma mesa se move é porque o Espírito evocado tira do fluido universal o que é necessário para dar à mesa uma vida factícia. Assim preparada, o Espírito a atrai e a move sob a influência do seu próprio fluido, emitido pela sua vontade. Quando a massa que se deseja mover é muito pesada para ele, pede a ajuda de outros Espíritos da sua mesma condição. Por sua natureza etérea, o Espírito, propriamente dito, não pode agir sobre a matéria grosseira sem intermediário, ou seja, sem o liame que o liga à matéria. Esse liame, que chamas perispírito, oferece a chave de todos os fenômenos materiais. Creio me haver explicado com bastante clareza para fazer-me compreender. 
Nota  Chamamos a atenção para a primeira frase: "Esta resposta não te dará ainda o que desejas". O Espírito compreendera perfeitamente que todas as questões anteriores só tinham por fim chegar a essa. E se refere ao nosso pensamento, que esperava, com efeito, outra resposta, que confirmasse a nossa idéia sobre a maneira por que o Espírito movimenta as mesas (nota de Allan Kardec).

10 Os Espíritos que ele chama para ajuda-lo são inferiores a ele? Estão sob as suas ordens? 
— Quase sempre são seus iguais e acodem espontaneamente.

11 Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos?
— Os Espíritos que produzem esses efeitos são sempre Espíritos inferiores, ainda não suficientemente livres das influências materiais.

12 Compreendemos que os Espíritos superiores não se ocupem dessas coisas, mas perguntamos se, sendo mais desmaterializados teriam o poder de fazê-lo, se o quisessem? 
— Eles possuem a força moral como os outros possuem a força física. Quando precisam desta força, servem-se dos que a possuem. Já não dissemos que eles se servem dos Espíritos inferiores como vós dos carregadores?
Nota  A densidade do perispírito, se assim se pode dizer, varia de acordo com a natureza dos mundos, como já foi ensinado, (O Livro dos Espíritos, nº 94 e 187). Parece variar também no mesmo mundo, segundo os indivíduos. Nos Espíritos moralmente adiantados ele é mais sutil e se aproxima do perispírito dos Espíritos elevados; nos Espíritos inferiores, aproxima-se da matéria e é isso que determina a persistência das ilusões da vida terrena nas entidades muito inferiores, que pensam e agem como se ainda estivessem na vida física, tendo os mesmos desejos e quase poderíamos dizer, a mesma sensualidade. Esta densidade maior do perispírito, estabelecendo maior afinidade com a matéria, torna os Espíritos inferiores mais aptos às manifestações físicas. É pela mesma razão que um homem refinado, habituado aos trabalhos intelectuais, de corpo frágil e delicado , não pode suspender fardos pesados como um carregador. A matéria de seu corpo é, de certa maneira, menos compacta, os órgãos menos resistentes; o fluido nervoso menos intenso. O perispírito é para o Espírito o que o corpo é para o homem. Sua densidade está na razão da inferioridade do Espírito. Essa densidade, portanto, substitui nele a força muscular, dando-lhe maior poder sobre os fluidos necessários às manifestações do que o possuem os de natureza mais etérea. Se um Espírito elevado quer produzir esses efeitos, faz o que fazem as pessoas delicadas: chama para executá-los um Espírito carregador (nota de Allan Kardec).
Ver estudos referentes:
estudo 17: Ação dos Espíritos sobre a matéria:
estudo 18: item 57 - Formação do Perispírito: Os Fluidos
estudo 19: item 57 - Formação do Perispírito:
estudo 20: item 56 - Propriedades do Perispírito:
estudo 21: item 56 - Funções do Perispírito:
estudo 22: itens 58 e 59 - Ação dos Espíritos sobre a matéria:

13 Se bem compreendemos o que disseste, o princípio vital provém do fluido universal. O Espírito tira deste fluido o envoltório semimaterial do seu perispírito, e é por meio desse fluido que ele age sobre a matéria inerte. É isso? 
— Sim, quer dizer que ele anima a matéria de uma vida factícia, artificial: a matéria se impregna da vida animal. A mesa que se move sob vossas mãos vive como animal e obedece por si mesma ao ser inteligente. Não é o Espírito que a empurra como se fosse um fardo. Quando ela se eleva, não é o Espírito que a ergue com os braços: é a mesa que obedece à impulsão dada pelo Espírito.

14 Qual o papel do médium nesse fenômeno? 
— Eu já disse que o fluido próprio do médium se combina com o fluido universal do Espírito. E necessária a união desses dois fluidos, isto é, do fluido animalizado e do fluido universal para dar vida à mesa. Mas, não se deve esquecer que essa vida é apenas momentânea, extinguindo-se com a mesma ação, e muitas vezes antes que a ação termine, quando a quantidade de fluido já não é mais suficiente para animar a mesa.

15 O Espírito pode agir sem o concurso do médium? 
— Pode agir à revelia do médium. Isto quer dizer que muitas pessoas ajudam os Espíritos na realização de certos fenômenos, sem o saberem. O Espírito tira dessas pessoas, como de uma fonte, o fluido animal de que necessita. Assim é que o concurso de um médium, tal como o entendeis, nem sempre é necessário, o que acontece, sobretudo nos fenômenos espontâneos.
16 A mesa animada age com inteligência?  Pensa? 
— Pensa tanto quanto a bengala com que fazes um sinal inteligente. Não pensa, mas a vitalidade de que está animada lhe permite obedecer ao impulso de uma inteligência. É bom saber que a mesa em movimento não se torna Espírito e não tem pensamento nem vontade. 
Nota  Servimo-nos, freqüentemente, de uma expressão semelhante na linguagem usual: de uma roda, que gira com velocidade dizemos que está animada de um movimento rápido (nota de Allan Kardec).

17 Qual a causa preponderante na produção deste fenômeno: o Espírito ou o fluido? 
— O Espírito é a causa e o fluido é o seu instrumento: ambos são necessários.

18 Qual o papel da vontade do médium?
— Chamar os Espíritos e ajudá-los a impulsionar o fluido. 

A)   É sempre indispensável à ação da vontade? 
— Ela aumenta a potência, mas nem sempre é necessária, desde que pode haver o movimento, malgrado ou contra a vontade do médium, o que é uma prova da existência de uma causa independente.
Nota  Nem sempre é necessário o contato das mãos para mover um objeto. Ele basta, quase sempre, para dar o primeiro impulso. Iniciado o movimento, o objeto pode obedecer à vontade sem contato material. Isso depende da potência mediúnica ou da natureza dos Espíritos. Aliás, o primeiro contato nem sempre é necessário: temos a prova disso nos movimentos e deslocamentos espontâneos, que ninguém pensou em provocar  (nota de Allan Kardec).

19 Por que motivo não podem todos produzir o mesmo efeito e todos os médiuns não têm a mesma potência? 
— Isto depende do organismo e da maior ou menor facilidade na combinação dos fluidos, e ainda da maior ou menor simpatia do médium com os Espíritos que encontram nele a força fluídica necessária. Essa potência, como a dos magnetizadores, é maior ou menor. Encontramos, nesse caso,pessoas inteiramente refratárias, outras em que a combinação só se verifica pelo esforço da sua própria vontade, e outras , enfim, em que ela se dá tão natural e facilmente que nem a percebam, servindo de instrumentos sem o saberem, como já dissemos.
Nota — O magnetismo é, não há dúvida, o princípio desses fenômenos, mas não geralmente como se pensa. Temos a prova disso na existência de poderosos magnetizadores que não movimentam uma mesinha de centro e de pessoas que não sabem magnetizar, até mesmo crianças, que bastam pousar os dedos numa mesa pesada para que ela se agite. Logo, se a potência mediúnica não depende da magnética, é que tem outra causa.
20 As pessoas qualificadas de elétricas podem ser consideradas médiuns? 
— Essas pessoas tiram de si mesmas o fluido necessário à produção do fenômeno e podem agir sem auxílio do Espírito. Não são propriamente médiuns, no sentido exato da palavra. Mas pode ser também que um Espírito as assista e aproveite as suas disposições naturais. 
Nota — Essas pessoas seriam como os sonâmbulos, que podem agir com ou sem o auxílio de Espíritos.

21 Ao mover os corpos sólidos, os Espíritos penetram na substância dos mesmos ou permanecem fora dela?
— Fazem uma coisa e outra. Já dissemos que a matéria não é obstáculo para os Espíritos, que tudo penetram. Uma porção do seu perispírito se identifica, por assim dizer, com o objeto em que penetra.
Concluindo esse estudo inicial do capítulo IV, entendemos pelas respostas apresentadas à Allan Kardec pelo Espírito São Luis, que os Espíritos podem fazer tudo o que fazemos, mas pelos meios correspondentes ao seu organismo. Continuaremos nossas reflexões no próximo estudo

BIBLIOGRAFIA

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap. IV - 2ª Parte - itens 72 a 74 - 1 a 21


 Tereza Cristina D'Alessandro
Agosto / 2003

Centro Espírita Batuira


Estudo Evangélico - Estudo n. 4 Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA” AMOR E TEMOR

Estudo Evangélico

Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”


Francisco C. Xavier / Emmanuel

Estudo n. 4

AMOR E TEMOR


"O perfeito amor lança fora o temor". (João, 4 : 18)

Muito se fala sobre o amor. Grandes expectativas são criadas em torno desse sentimento que há vinte séculos tanta ênfase foi dada por Jesus e em nome do qual o homem tem se hostilizado, fomentado tragédias, gerado grandes dificuldades e criado a separação entre os indivíduos.

Emmanuel a partir do versículo em estudo nos fala em Perfeito e Imperfeito Amor, identificando-o: evangélico e humano, isto é como o conhecemos na Terra.

Haverá divergências entre o amor humano e o amor instituído no Evangelho?

Se há, quais serão elas?

Léon Denis define o amor humano como "um sentimento, um impulso do ser que o leva para o outro com o desejo de unir-se a ele".

O que contem esse movimento, em direção ao outro, que caracteriza o amor comum, mais conhecido de nós?

Geralmente esse movimento, salvo raras exceções, está ligado a tendências neuróticas que levam a uma redução da sinceridade, aumento do egocentrismo, dos quais resultam freqüentemente emulações variadas do amor. Por isso, esse amor conhecido é uma mistura de sentimentos e impulsos que visam obter satisfações egoístas e doentias.

Assim, rotulam-se por amor:

As expectativas parasitárias de uma pessoa fraca e fútil de explorar o próximo para conseguir vantagens;

A necessidade de conquistar alguém para autoafirmar-se através do triunfo sobre a fraqueza alheia;

A necessidade de viver dentro de outra vida, induzindo prejuízos de natureza variada, que causa satisfação ao seu autor;

Necessidade de ser admirado, aprovado, elogiado;

Necessidade de afeto, atenção;

Dependência emocional que leva a buscar apoio em união com outros de modo a fugir de si próprio e a completar o vazio afetivo;

Utilização do outro para satisfação sexual, etc...

O “amor” estabelecido nessas bases se torna nocivo e perigoso já que os sentimentos e impulsos mórbidos contidos acabam por aflorar quando as necessidades doentias deixam de ser atendidas. Ao acontecer isso esse "amor" revela todo o seu fundo pernicioso e hostil dando a impressão falsa de que o amor se transformou em ódio, quando na realidade o ódio lá estava contido no íntimo. Enquanto as necessidades eram prontamente atendidas camuflava-se. Decididamente esse amor é desastroso gerando males, sofrimentos, comprometendo o homem.

Essa forma de amar não constitui o verdadeiro amor ensinado por Jesus, mas formas da infinita gradação que vai desde as mais simples até as mais sublimes formas de expressar-se.

Amor conjugal, amor materno, amor filial, amor à pátria, à raça, etc..., são refrações do verdadeiro amor, que abrange e penetra todos os seres e desabrocha sob formas variadas que nada mais são do que um meio de acender nos seres as claridades do verdadeiro amor.

O amor, que se reveste de variadas formas, é o princípio da vida universal, pois ele e nele o Pai criou os seres e hauriu a vida para dá-la às almas que concomitantemente a efusão vital, receberam o princípio afetivo destinado a germinar e expandir-se pelos séculos afora até aprender a dar-se, a dedicar-se e sacrificar-se pelos outros espontaneamente, sem nada esperar em troca. É dessa forma que o ser se engrandece, enobrece aproximando-se do Pai, da felicidade imperturbável.

Perfeitamente desenvolvido, o Amor é um sentimento que se manifesta em todas as atitudes do ser e não somente em relação a determinadas pessoas; tem como principal característica o real interesse pelas necessidades do outro, sejam elas quais forem.

A diferença entre o verdadeiro amor e o identificado no texto como amor imperfeito, está em que, no primeiro, o sentimento pelo próximo supera tudo o mais, e no segundo, prepondera as necessidades doentias ou pessoais do ser.

No texto em estudo Emmanuel ratifica estas reflexões dizendo:

“O imperfeito amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros é quase sempre o egoísmo em disfarce (...), buscando a si mesmo nas almas a fim para atormentá-las sob múltiplas formas de temor (...): a exigência e o crime, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e frustração.

O verdadeiro amor faz o bem e sacrifica-se sem esperar retribuição porque compreende que o Pai traçou caminhos para a evolução aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender, ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações (...), no degrau de luta em que lhes é próprio “

Assim, "para que nossa alma se expanda sem receio através das realizações que o Senhor nos confia é necessário saber amar com abnegação e ternura entre esperança incansável e o serviço incessante do bem". Não devemos ficar aguardando uma oportunidade para praticar o bem ou esperando que alguém reconheça nossas atitudes como boas e amorosas essa postura caracteriza manifestação do amor imperfeito, do egoísmo que leva o indivíduo a ficar em amargura e frustração.

Nossa principal luta consiste na edificação, construção desse verdadeiro amor, conforme ensina Jesus e nos relembra João, o sentimento que leva a respeitar, interessar-se, auxiliar qualquer ser humano, a sentir em todos irmãos, a orientar no sentido da solidariedade e da cooperação.

Um novo mandamento vos dou, disse Jesus: "Que vos amei uns aos outros como eu vos amei". O amor entre os homens como mandamento tem uma conotação essencial: que é o modo como Ele ama e que estabelece o reinado da fraternidade legítima entre os homens onde impulsos e sentimentos egocêntricos, fontes de nossos temores, não permanecem.

Bibliografia.

Carlos Toledo Rizzini. Você e a Renovação Espiritual - O que é o amor? Editora

Cultural Espírita Edicel Ltda. 1 a. Edição.

Léon Denis. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Cap. XXV. O Amor. Federação Espírita Brasileira (FEB). 11 a. Edição.


IRACEMA LINHARES GIORGINI
JAIME GILBERTO ROSA
Outubro / 2001


Centro Espírita Batuira

O JOIO E O TRIGO

O JOIO E O TRIGO
 
Conversava com o Chico sobre as dificuldades do testemunho pessoal, de dar consequência às palavras, praticando o que se prega nas tribunas. Ouvi o seguinte:
 
     -Outro dia um confrade apareceu aqui e me disse: Chico, tenho falado muito sobre amor aos inimigos, perdão, fraternidade, aceitação, tolerância. Tenho também refletido muito sobre isso e cheguei à conclusão de que é muita hipocrisia minha continuar pregando, pois não gosto de muita gente, tenho alguns inimigos, detesto um cunhado meu. Descobri que sou egoísta, vaidoso, ciumento... Pretendo não mais aceitar convites para palestras. Pelo menos, serei mais coerente. Respondi a ele:
 
     -Mas se cada um só fizer palestras sobre as virtudes que possui, vamos ter poucos palestrantes neste mundo.
 
            --o
 
Do livro MOMENTOS COM CHICO XAVIER, de Adelino da Silveira

ONDE ESTIVER JESUS

ONDE  ESTIVER  JESUS
 
Onde estiver Jesus, alma querida e boa
Ilusão, erro, falha apareçam embora,
Inda mesmo se o mal, em torno, desarvora ,
Esclarece, ilumina, ampara, aperfeiçoa.
 
Onde estiver Jesus, nada se diz à-toa;
O engano pede luz onde a verdade mora;
A caridade reina; a esperança, hora a hora,
Alteia-se mais bela; o trabalho abençoa.
 
Onde estiver Jesus, humilhado ou sozinho,
Nas desfigurações e aleives do caminho,
Inflama-te de amor  sol ardente e fecundo!...
 
Onde estiver Jesus... Eis que Jesus te espera
A bondade, o perdão, a paz e a fé sincera
Para a glória da vida e redenção do mundo!
 
(De Antologia da Espiritualidade, de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Maria Dolores)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

OS GENITORES

03 - OS GENITORES

Uma constelação familiar é constituída por espíritos afins, seja pelas realizações nobilitantes do amor ou através dos graves compromissos perturbadores a que se vincularam em outras existências. Igualmente pode organizar-se com alguns outros espíritos que se candidatam à afetividade, em ensaio para a ampliação dos sentimentos afetivos em torno da sociedade em geral, compondo a sociedade universal...
Aos pais cabe a grave e operosa tarefa de autopreparação para o sublime cometimento, graças ao qual se desenvolvem, num incessante crescendo, os valores intelecto-morais, preparando-os para as inestimáveis conquistas da paz e da felicidade que almejam.
Comprometidos antes do renascimento, em face de deveres inadiáveis, os espíritos que irão constituir o grupo familiar assumem responsabilidades perante a futura prole, elaborando planos e projetos que se devem concretizar quando na organização carnal, de modo a atender o impositivo da evolução.
Consultados os mapas das responsabilidades pessoais, são-lhes apresentados pelos Guias espirituais aqueles que deverão constituir-lhes a prole, em cuja convivência desenvolverão os sentimentos de amor e proporão as pautas para o processo de crescimento espiritual, no qual todos deverão atingir as metas que perseguem.
Preparados, portanto, antecipadamente, esses futuros genitores delineiam os programas de autoiluminação, de responsabilidade perante a vida, exercitando a paciência e o amor para o êxito do empreendimento, conscientizando-se das altas responsabilidades que irão assumir.
Reencarnados, avançam, às vezes, por caminhos diferentes até o momento do reencontro, quando se identificam afetuosamente, vinculando-se e providenciando a união conjugal indispensável à organização da família.
Nem sempre, porém, os planos cuidadosamente elaborados conseguem desenvolver-se conforme seria ideal, dentro da programação estabelecida, em face da precipitação emocional e do desajuste psicológico, como decorrência da precipitação e imaturidade sexual, que invariavelmente se transforma em conflito tanto quanto em insatisfação...
Nesse caso, os arroubos da paixão comburem os melhores sentimentos, empurrando os parceiros para o futuro tédio no relacionamento ou para a agressividade como fruto da saturação e do despertar de novos apetites...
Para que sejam evitados dramas dessa natureza é indispensável que haja uma consciência de responsabilidade no uso do sexo, com objetivo primordial em favor da procriação, embora as bênçãos que defluem da verdadeira união dos indivíduos que se renovam mediante os hormônios defluentes do conúbio, sejam de natureza fisiológica, assim como aqueles que conduzem as cargas emocionais que os equilibram e pacificam.
A paternidade, portanto, assim como a maternidade, deve ser responsável, consciente do significado da união, a fim de que sejam evitados os danosos recursos do aborto provocado e das suas lamentáveis mazelas de graves conseqüências.
O aborto jamais resolve ou apaga os erros cometidos por imprevidência, dando lugar ao crime do infanticídio, que agrava o processo evolutivo daquele que o comete.
O amadurecimento psicológico, mediante a consciência do dever, na aquisição do trabalho digno que confere segurança à prole, torna-se impositivo imediato, mesmo antes de ser assumido o compromisso familiar.
A vida não improvisa, sendo toda um trabalho de organização superior que cumpre ser levado adiante com seriedade e segurança.
Desse modo, a disciplina moral na conduta dos parceiros - cônjuges ou não - é fator de relevante significado para a organização familiar, ensejando identificação de sentimentos entre os membros que a constituirão.
Eis por que o amor é fundamental para um legítimo relacionamento afetivo, nunca podendo ser descartado, nem substituído por desvios de comportamento ou dolo moral, envolvendo um ou outro membro da parceria.
Desde quando nasce um filho, os genitores são convidados pela vida a uma mudança de objetivos existenciais.
Antes, enquanto se preparavam para o prazer, para o desfrutar das alegrias da vida em comum, tudo
seguia bem, com a chegada do filho uma natural mudança de conduta deve tomar o lugar das aspirações
vigentes, porque, a partir de então, a responsabilidade para com o rebento da própria carne torna-se
primordial.
Os cuidados que o recém-nascido exige alteram completamente os hábitos até então mantidos,
propondo novas condutas e atividades, nas quais a renúncia pessoal começa a impor-se em benefício do
ser frágil e em desenvolvimento que aguarda apoio e orientação.
A partir daí, são transferidos os prazeres pessoais que se convertem em deveres para com o filhinho,
constituindo-se uma felicidade, uma infinita satisfação de cuidá-lo e de dar-lhe a assistência emocional e
moral de que tem necessidade, na condição de ave implume que necessita de tempo para desferir o
próprio vôo...
A conduta dos genitores no relacionamento, de maneira equivalente sofre alteração para melhor,
porque educar é oferecer exemplos, desde que o educando copia com mais facilidade as lições vivas que
lhe são apresentadas, antes que as teorias com que é informado.
Se os exemplos no lar são fecundos de amor, de respeito e de paciência, os filhos tornam-se afáveis,
dignos e gentis, exceção feita àqueles que são portadores de transtornos de conduta ou vítimas de
fenômenos teratológicos, por impositivo expiatório necessário.
Mesmo, nesses casos, as vibrações defluentes da conduta dos pais contribuem grandemente para a
pacificação e o equilíbrio possível desses espíritos em luta de sublimação pelo cadinho das reparações
inadiáveis.
A capacidade de repartir o amor, quando a prole se multiplica, é outro dever de que os genitores se
devem conscientizar, evitando a criação de áreas de conflitos por ciúmes reais ou não, através de
comportamentos especiais em relação a um, em detrimento de outro, porque todos são procedentes da
mesma cadeia genética.
Compreensivelmente, sabe-se que muitos espíritos que renascem no mesmo lar, nem sempre são
credores da mesma afetividade, no entanto, essa é a oportunidade de união e de reparação, harmonizando
os sentimentos num mesmo tom vibratório de afetividade.
Infelizmente, a imaturidade psicológica de muitos adultos que se tornam pais, leva-os a
comportamentos infantis, procurando manter os mesmos hábitos de antes da constituição da prole.
Considerando-se os modernos padrões de tolerância para com as condutas morais permissivas, esses
adultos lamentam não mais poder fruir dos prazeres enganosos, ignorando as novas responsabilidades, a
fim de se manterem distantes dos novos deveres que lhes cumpre atender.
Pensam que, tornando-se fornecedores dos recursos que mantêm o lar, já estão sacrificados em
demasia para novos comprometimentos e renúncias.
Prosseguem mantendo as atitudes irresponsáveis de antes ou transferindo as suas frustrações para os
filhos, oferecendo-lhes satisfações inoportunas e levando-os a assumirem compromissos levianos e
frívolos, mais vinculados aos prazeres sensoriais, sem os correspondentes deveres para com o desenvolvimento
da inteligência, da moral, da saúde mental.
Muitas mães transferem para as filhas ainda pequenas as angústias e frustrações, tornando-as
modelos infantis, que imitam os adultos, roubando-lhes a infância, tirando-lhes as abençoadas
oportunidades de viver a quadra de construção de valores significativos, precipitando-lhes o
desenvolvimento da sensualidade, do erotismo, do desrespeito pelo corpo e pela vida...
Pais masculinos inescrupulosos iniciam os filhos nos vícios que lhes exornam a personalidade, de
cedo condicionando-os ao tabaco, ao álcool, à agressividade, ao desrespeito no lar e, posteriormente, na
sociedade.
Outros tantos, adornam os filhos como se fossem objetos de exibição, e dessa forma exibem-se a si
mesmos através deles, chamando a atenção para a aparência sem maior preocupação com o caráter, com a
realização íntima.
Os filhos são responsabilidades sérias que não podem ser descartadas sem as conseqüências
correspondentes.
Enquanto não surja uma consciência doméstica fundamentada no amor responsável e profundo, sem
os pieguismos da imaturidade psicológica dos indivíduos desajustados, a família sofrerá hipertrofia de
valores morais, tombando na anarquia e no despautério que vêm caracterizando a sociedade
contemporânea.
Por outro lado, o amadurecimento sexual extemporâneo, resultado das provocações pornográficas e
do erotismo em alta, impulsiona os jovens a relacionamentos rápidos, destituídos de significado, ora por
curiosidade, momentos outros por impulsos asselvajados, empurrando meninas ainda adolescentes e
totalmente despreparadas para a maternidade, procriando sem consciência e abandonando os filhos, à
semelhança de alguns animais que se libertam das crias com total insensibilidade.
Esses órfãos de pais vivos, mesmo quando amparados por avós amargurados, que neles descontam a
irresponsabilidade dos filhos, desenvolvem-se, quase sempre sem afetividade, relegados a planos
secundários, considerados cargas indesejáveis, que irão dificultar a economia social com pesado ônus.
Revoltados com a situação em que se encontram, reúnem-se em bandos, em tribos, em grupos de
excluídos, aumentando os conflitos que explodem nas ruas, nas comunidades, no terrorismo, na
criminalidade desordenada...
Outrossim, são recolhidos pelos traficantes de drogas que os utilizam na condição de distribuidores
desse sórdido veículo de decomposição moral e humana, parceiros da morte antecipada, que se espalham
pelos antros escusos ou surgem nos apartamentos de luxo e de loucura, arrebatando vidas...
O lar, portanto, quanto se perverte, ameaça a estrutura da sociedade.
O lar, no entanto, sustenta-se nos pilotis vigorosos que são os genitores, deles dependendo a sua
edificação ou o seu soçobro.
O decálogo mosaico aborda o mandamento, no qual a Lei Divina impõe o amor e o respeito ao pai e
à mãe, no entanto, é do Soberano Código o impositivo de que os pais devem esforçar-se por merecer o
respeito e o amor da prole através da sua conduta em relação à mesma..

CONSTELAÇÃO FAMILIAR
Salvador, noite de Natal de 2007
Joanna de Ângelis