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quarta-feira, 29 de junho de 2016

XXI - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI - ITENS 3, 4 e 5: DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - XXI

CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

ITENS 3, 4 e 5: DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS


Kardec, através dos estudos dos relatos de muitos espíritos, de diferentes graus evolutivos, fez uma classificação dos mundos habitados, classificação relativa em comparação com a Terra, pois aprendeu que há mundos mais atrasados e outros mais adiantados do que o que habitamos.

É interessante observar a lógica da pluralidade dos mundos habitados (um dos princípios da doutrina espírita), como conseqüência da existência e imortalidade dos espíritos, do seu processo evolutivo e da criação constante de novos seres vivos, que um dia se transformarão em espíritos. Sendo estes imortais, sendo a criação dos mesmos constante, todos sujeitos à evolução segundo o livre arbítrio de cada um, tem de haver moradias, lugares apropriados a esses espíritos. 

Qualquer pessoa que pensa, ao olhar à noite, o céu estrelado, mesmo vendo uma ínfima parte do universo infinito, não pode deixar de pensar que deve existir seres vivos habitando-os.

Segundo os ensinamentos dos espíritos, os mundos se apresentam muito diferentes uns dos outros, tanto física como moralmente, de acordo com o grau de evolução de seus habitantes. Quanto mais atrasados, quanto mais materializados seus habitantes, mais inferior é esse mundo.

Assim, Kardec aprendeu que existem mundos inferiores, intermediários e superiores, havendo, em cada tipo, diversos graus de diferenciação evolutiva.

Nos mundos inferiores, “a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe”, de modo que seus habitantes vivem quase que, exclusivamente, objetivando sua sobrevivência e a satisfação das suas necessidades físicas e materiais.

 Nos mundos primitivos, onde se dão as primeiras encarnações dos espíritos, os homens vivem mais guiados pelos instintos do que pela razão, pois esta aí começa a desabrochar-se.

Nas lutas pela sobrevivência, na satisfação das suas necessidades físicas e biológicas, vão desenvolvendo suas qualificações espirituais, lentamente, egocentricamente, preocupados apenas consigo mesmo. Esse egocentrismo parece-nos, absolutamente, necessário para que o homem desenvolva mais tarde, muito mais tarde, o amor por si mesmo e muito mais tarde ainda, o amor ao próximo. A Terra já foi um deles.

Nos mundos intermediários, o bem e o mal se mesclam, predominando o último quanto mais rude e atrasada é a sua humanidade, e o primeiro quanto mais caminhou sua humanidade no seu desenvolvimento intelectual e moral. Quando este último se torna preocupação de muitos, talvez da maioria, e quando esta maioria busca com determinação a igualdade, a fraternidade e a solidariedade, esse mundo está preparado para mudar de categoria.

  Nos mundos superiores o bem prevalece a luta pelos valores materiais é inexistente, trabalha-se pelo bem de todos, através do bem, da fraternidade, da solidariedade. Quanto mais elevado, pelo adiantamento espiritual dos seus habitantes, mais reina a felicidade e a paz.   

Kardec fez então, uma classificação mais diferenciada dentre as três categorias, sempre de acordo com o grau de adiantamento de seus habitantes: mundos primitivos, com homens bem animalescos, vivendo quase que exclusivamente segundo seus instintos, cada um por si, e somente após um algum desenvolvimento da razão, começam a perceber o outro como um indivíduo igual a ele; mundos de expiação e de provas, conhecidos por nós, pois a Terra é um deles, onde o mal predomina e o bem encontra dificuldade para agir; mundos regeneradores, cujos habitantes são mais felizes do que na Terra, embora ainda tenham débitos a expiar. Todavia essa expiação já não é feita com tanta angústia e sofrimento como na Terra, visto que seus habitantes a compreendem como libertação de um passado de ignorância e faltas contra seus irmãos. Expiam-nas com alegria, no exercício do bem a todos; mundos felizes, onde o bem supera o mal, tornando-se o viver pleno de realizações nobres, em gozos espirituais que nós, homens da Terra nem temos condições de avaliar; mundos celestes ou divinos, moradas dos espíritos purificados, onde o bem, o amor reina absoluto no coração e na mente de todos.

Os três primeiros servem de moradias aos espíritos sujeitos à leis da reencarnação em mundos materiais, porque ainda estão em desenvolvimento do seu potencial espiritual.

Nos dois últimos são para espíritos que não precisam mais do concurso de mundos materiais. Trabalham, aprendem, criam de outras formas. Colaboram, eficientemente, nas obras do Pai, auxiliando seus irmãos em desenvolvimento. Vivem a vida plena do Espírito Imortal!

Os espíritos encarnados em mundos materiais não permanecem sempre no mesmo. Quando nada mais têm de aprender com as experiências que ele proporciona, passa a reencarnar-se em um mundo superior, onde continua fazendo a sua evolução, o seu desenvolvimento.  E assim, sucessivamente, até atingir o estado de espírito puro. É assim que se cumprem as palavras de Jesus: “Nenhuma ovelha que o Pai me confiou se perderá.”

São sábias e perfeitas as leis divinas!

Quando, após um relativo desenvolvimento intelectual, em mundos inferiores, se inicia o desenvolvimento moral e este, crescendo na mente e na sensibilidade, sendo vivenciado dentro das possibilidades de cada um, a vida material vai deixando de influenciar, com exclusividade o homem, de tal forma que “nos mundos mais avançados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.”

 Convém lembrar também que dentre os mundos da mesma categoria há diferenciações, sempre de acordo com o grau de evolução predominante em seus habitantes. Assim, há mundos de expiação e de provas piores ou melhores do que a Terra.
Pode- se permanecer no mesmo, quando esse mundo muda de categoria, continuando a oferecer, então, oportunidades de novas experiências, mais adequadas ao grau de evolução de seus habitantes. Mas, desde que não se tem mais nada a aprender no mundo em que se está, liberta-se o espírito da necessidade de reencarnação em mundo igual ao seu.

“Os mundos são as estações em que eles (os espíritos) encontram os elementos de progresso proporcionais ao seu adiantamento. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinado ao mal.”

Bibliografia:
                            
1- Allan Kardec: O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro Primeiro: Capítulo III: CRIAÇÃO, V: pluralidade dos Mundos. Capítulo IV, PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, III e IV: Encarnação nos Diferentes mundos e Transmigração Progressiva. Capítulo VI, VIDA ESPÍRITA, I e II: Espíritos Errantes e Mundos Transitórios.

2 – Emmanuel: A CAMINHO DA LUZ, capítulo III; As Raças Adâmicas.


Leda de Almeida Rezende Ebner
Fevereiro / 2002


Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)




O CENTRO ESPÍRITA BATUIRA esclarece que permanece divulgando os estudos elaborados pela Sra Leda de Almeida Rezende Ebner após o seu desencarne, com a devida AUTORIZAÇÃO da família e por ter recebido a DOAÇÃO DE DIREITOS AUTORIAIS, conforme registros em livros de Atas das reuniões de diretoria deste Centro.

terça-feira, 28 de junho de 2016

ESTUDO 72 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XVI - MÉDIUNS ESPECIAIS 190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.

O LIVRO DOS MÉDIUNS


(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

Por

ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.


SEGUNDA PARTE


DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS


CAPITULO XVI


MÉDIUNS ESPECIAIS


Estudo 72 - 190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.

Médiuns videntes: os que, em estado de vigília, veem os Espíritos. A visão acidental e fortuita de um Espírito, numa circunstância especial, é muito frequente, mas, a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem distinção, é excepcional. (N. 167.)

Em nota Allan Kardec explica: "É uma aptidão a que se opõe o estado atual dos órgãos visuais. Por isso é que cumpre nem sempre acreditar na palavra dos que dizem ver os Espíritos”.

Afirma Allan Kardec que “(...) A faculdade consiste na possibilidade, senão permanente, pelo menos muito frequente de ver qualquer Espírito que se apresente, ainda que seja absolutamente estranho ao vidente. A posse dessa faculdade é que constitui propriamente falando, o médium vidente(...)”.

No livro Mediunidade o professor Herculano Pires esclarece que “(...) a vidência, como todas as formas de mediunidade, pode ocorrer ocasionalmente a qualquer pessoa, mas a sua ação permanente, nos casos de mediunato, pode bloquear a razão e excitar o misticismo. Nesses casos o místico está sujeito a enganos fatais. O espírito encarnado está condicionado à vida do plano material, não dispondo de segurança para lidar com os problemas do plano espiritual. No desdobramento, com fins de pesquisa no outro plano, esse problema se agrava, pois o deslocamento do espírito para um campo de ação que não é o seu, durante a encarnação, o coloca no plano espiritual como um estrangeiro que precisaria de um tempo para ajustar-se a ele. Por isso Kardec preferiu o estudo e a investigação através das manifestações mediúnicas, onde é possível controlar-se a legitimidade das informações dadas pelos habitantes do plano espiritual.

Ressalta ainda o autor que Charles Richet, o fundador da metapsiquica, levantou o problema do condicionamento da vidência à crença do vidente. Relembra também que Frederic Myers demonstrou que a nossa mente está condicionada para a interpretação das percepções sensoriais. A consciência supraliminar, onde funciona a nossa mente de relação, está voltada para as condições do mundo em que vivemos, e que a consciência subliminar, que equivale ao inconsciente, destina-se a funcionar normalmente na vida futura, ou seja, no plano espiritual.

Para Allan Kardec nada disso passou despercebido, como se pode ver nos relatos de pesquisa nas comunicações mediúnicas de encarnados que se encontram na Revista Espírita. Os próprios espíritos recém-desencarnados referem-se às dificuldades que enfrentam para adaptar-se as condições do mundo espiritual.

Como entender a existência do mediunato de vidência? A razão nos mostra, ressalta o prof. Herculano Pires, que esse mediunato jamais será concedido para aventuras de Espíritos encarnados no plano espiritual, porque isso seria condenar o médium a uma situação de dualidade perigosa na vida terrena. Esse mediunato existe, afirma ele, para fins de auxílio às pesquisas ou para demonstrações da verdade espírita, mas não para criar condições anômalas no campo mediúnico.

Todas essas reflexões nos levam a entender a mediunidade de vidência como uma tarefa que está, como as outras, condicionada ao aspecto moral, a uso que o médium dela fará, considerando a sua condição moral. Sabemos que é uma expressão mediúnica que coloca o médium em evidência, daí a necessidade de cuidados.

Relembramos Allan Kardec: “(...) A faculdade de ver os Espíritos pode, sem dúvida, se desenvolver, mas é uma dessas faculdades cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, sem que se provoque, se não quiser expor-se às ilusões da imaginação. Quando temos o germe de uma faculdade, ela se manifesta por si mesmo. Devemos, por princípio, contentar-nos com aquelas que Deus nos concedeu, sem procurar o impossível, porque, então, querendo ter demais, arrisca-se a perder o que tem (...)”

O Codificador chama a atenção também para o fato de que médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda mais raros e que é prudente não lhes dar fé senão mediante provas positivas. Algumas pessoas podem, sem dúvida, enganar-se de boa-fé, mas outras podem simular essa faculdade por amor próprio ou interesse e nesse caso, deve-se levar em conta o caráter, a moralidade e a sinceridade habituais da pessoa.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI - 2ª Parte – itens 167 e 190

BIGHETTI, Leda Marques – Educação Mediúnica “Teoria e Prática” 1º volume: 1.ed Ribeirão Preto: BELE, 2005 – pág 208 a 210

PIRES, José Herculano – Mediunidade: 1.ed. São Paulo: PAIDÉIA,1986 - Cap III
           
Tereza Cristina D'Alessandro
Outubro/2007

Centro Espírita Batuíra
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto - SP  

segunda-feira, 27 de junho de 2016

*#Ceu inferno_068_2ª parte cap. VI - Criminosos Arrependidos – Lemaire*

*Ceu inferno_068_2ª parte cap. VI - Criminosos Arrependidos – Lemaire*

*ESTUDO*

Condenado à pena última pelo júri de Aisne, e executado a 31 de dezembro de 1857. Evocado em 29 de janeiro de 1858.

1. - Evocação

R. Aqui estou.

2. - Vendo-nos, que sensação experimentais?

R. A da vergonha.

3. - Retivestes os sentidos até o último momento?

R. Sim.

4. - Após a execução tivestes imediata noção dessa nova existência?

R. Eu estava imerso em grande perturbação, da qual, aliás, ainda me não libertei. Senti uma dor imensa, afigurando-se-me ser o coração quem a sofria. Vi rolar não sei quê aos pés do cadafalso; vi o sangue que corria e mais pungente se me tornou a minha dor.

- P. Era uma dor puramente física, análoga à que proviria de um grande ferimento, pela amputação de um membro, por exemplo?

R. Não; figurai-vos antes um remorso, uma grande dor moral.

5. - Mas a dor física do suplício, quem a experimentava: o corpo ou o Espírito?

R. A dor moral estava em meu Espírito, sentindo o corpo a dor física; mas o Espírito desligado também dela se ressentia.

6. - Vistes o corpo mutilado?

R. Vi qualquer coisa informe, à qual me parecia integrado; entretanto, reconhecia-me intacto, isto é, que eu era eu mesmo...

P. Que impressões vos advieram desse fato?

R. Eu sentia muito a minha dor, estava completamente ligado a ela.

7. - Será verdade que o corpo viva ainda alguns instantes depois da decapitação, tendo o supliciado a consciência das suas ideias?

R. O Espírito retira-se pouco a pouco; quanto mais o retêm os laços materiais, menos pronta é a separação.

8. - Dizem que se há notado a expressão da cólera e movimentos na fisionomia de certos supliciados, como se estes quisessem falar; será isso efeito de contrações nervosas, ou um ato da vontade?

R. Da vontade, visto como o Espírito não se tem desligado.

9. - Qual o primeiro sentimento que experimentastes ao penetrar na vossa nova existência?

 R. Um sofrimento intolerável, uma espécie de remorso pungente cuja causa ignorava.

10. - Acaso vos achastes reunido aos vossos cúmplices concomitantemente supliciados?

R. Infelizmente, sim, por desgraça nossa, pois essa visão recíproca é um suplício contínuo, exprobrando-se uns aos outros os seus crimes.

11. - Tendes encontrado as vossas vítimas?

R. Vejo-as.... são felizes; seus olhares perseguem-me... sinto que me varam o ser e debalde tento fugir-lhes.

P. Que impressão vos causam esses olhares?

R. Vergonha e remorso. Ocasionei-os voluntariamente e ainda os abomino.

P. E qual a impressão que lhes causais vós?

R. Piedade, é sentimento que lhes apreendo a meu respeito.

12. - Terão por sua vez o ódio e o desejo de vingança?

R. Não; os olhares que volvem lembram-me a minha expiação. Vós não podeis avaliar o suplício horrível de tudo devermos àqueles a quem odiamos.

13. - Lamentais a perda da vida corporal?

R. Apenas lamento os meus crimes. Se o fato ainda dependesse de mim, não mais sucumbiria.

14. - O pendor para o mal estava na vossa natureza, ou fostes ainda influenciado pelo meio em que vivestes?

R. Sendo eu um Espírito inferior, a tendência para o mal estava na minha própria natureza. Quis elevar-me rapidamente, mas pedi mais do que comportavam as minhas forças. Acreditando-me forte, escolhi uma rude prova e acabei por ceder às tentações do mal.

15. - Se tivésseis recebido sãos princípios de educação, ter-vos-íeis desviado da senda criminosa?

R. Sim, mas eu havia escolhido a condição do nascimento.

- P. Acaso não vos poderíeis ter feito homem de bem?

 R. Um homem fraco é incapaz, tanto para o bem como para o mal. Poderia, talvez, corrigir na vida o mal inerente à minha natureza, mas nunca me elevar à prática do bem.

16. - Quando encarnado acreditáveis em Deus?

R. Não.

P. Mas dizem que à última hora vos arrependeste....

R. Porque acreditei num Deus vingativo, era natural que o temesse...

P. E agora o vosso arrependimento é mais sincero?

R. Pudera! Eu vejo o que fiz...

P. Que pensais de Deus então?

R. Sinto-o e não o compreendo.

17. - Parece-vos justo o castigo que vos infligiram na Terra?

R. Sim.

18. - Esperais obter o perdão dos vossos crimes?

R. Não sei.

P. Como pretendeis repará-los?

R - Por novas provações, conquanto me pareça que uma eternidade existe entre elas e mim.

19. - Onde vos achais agora?

R. Estou no meu sofrimento.

P. Perguntamos qual o lugar em que vos encontrais...

R. Perto da médium.

20. - Uma vez que assim é, sob que forma vos veríamos, se tal nos fosse possível?

R. Ver-me-íeis sob a minha forma corpórea: a cabeça separada do tronco.

P. Podereis aparecer-nos?

R. Não; deixai-me.

21. - Poderíeis dizer-nos como vos evadistes da prisão de Montdidier?

R. Nada mais sei... é tão grande o meu sofrimento, que apenas guardo a lembrança do crime... Deixai-me.

22. - Poderíamos concorrer para vos aliviar desse sofrimento?

R. Fazei votos para que sobrevenha a expiação.

*QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO*

1) Na sua opinião, a pena de morte trouxe algum benefício moral para este espírito?

2) De que outra forma ele poderia ter atingido o mesmo resultado?

3) Por que o espírito acredita que escolheu mal sua prova?

4) Por que Deus permitiu que, mesmo sabendo-o incapaz, ele tentasse algo para o qual se julga, agora, fraco?

*CONCLUSÃO*

1) Não. Apenas aumentou seu sofrimento, pois ele ainda se apresentava com a cabeça separada do corpo, como se a ele ainda estivesse ligado a seu espírito.

2) Poderia ter se arrependido antes do desencarne por sua própria conta ou por ser castigado com a prisão, conforme as leis humanas, e depois de sua morte natural quando seu espírito teria uma visão geral do que fizera e cairia em si pelo mal que causou, arrependendo-se então.

3) Porque se deu conta que ela foi demasiadamente pesada para a condição moral que ele tinha, ou seja, avaliou mal suas próprias condições. Isso pode acontecer porque quando estamos na erraticidade, muitas vezes, nos julgamos mais fortes, pois estamos afastados das dificuldades inerentes à encarnação.


4) Para que ele mesmo chegasse a essas conclusões. Por ser ainda um espírito atrasado, somente vivenciando a experiência da própria incapacidade, aprenderia a real dificuldade que teria, conheceria sua aptidão para suportar determinadas provas e, assim, Deus, na sua infinita misericórdia, nos proporciona esse autoconhecimento através da nossa própria ação.

sábado, 25 de junho de 2016

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 26 #Fé

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 26

Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa


(Hilário Silva, in “Ideal Espírita” – cap. 62)

Martim Gouveia, moço ainda, afeiçoara-se a pilhar residências incautas, subtraindo o que pudesse, sem nunca ter caído nas mãos das autoridades.

Naquela noite namorara atentamente uma casa fechada qual se ninguém residisse ali.

Pé-ante-pé galgou o muro do quintal e forçou a porta dos fundos.

Abriu-a com habilidade, penetrando na moradia.

Passou pela cozinha e ganhou o interior.

Procurou uma dos quartos onde esperava encontrar valores maiores e empurrou, de leve a porta.

Nisso, contudo, ouviu respiração estertorosa.

Julgando ser alguém que dormia ressonando, avançou mais ainda.

Admirado, vê então um vulto que se esparrama num leito.

O intruso leva a mão ao punhal.

Mas ouve a voz fraca e entrecortada de um homem deitado que o vislumbra no lusco fusco.

O desconhecido alonga os braços e fala sob forte emoção.

– Oh! Graças a Deus! Você escutou os meus gemidos, meu filho? Foram os Espíritos! Você é um enviado dos Mensageiros Divinos! ...

Martim, surpreso, abandona a ideia da arma.

Adianta-se para o velhinho que pode agora distinguir sob a luz mortiça do luar através da vidraça.

O ancião repete maravilhado:

– Oh! Graças a Deus! Meu filho preciso muito de você... Sou paralítico e sem ninguém... Não tenho forças para gritar... Há muito tempo não recebo visitas. Você me ouviu! ...

Depois de pequena pausa continuou... - Busque um remédio... Sinto muita falta de ar.... Leia algo que me conforte... Para não morrer sozinho... Você é um enviado dos Espíritos...

E por que o enfermo lhe estendesse um livro, Martim, condoído, acendeu a luz e dispôs-se a ler, emocionado...

Era um exemplar de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ensebado de suor e de lágrimas. O hóspede imprevisto leu e leu, até Alta madrugada e, desde aquele instante, desistiu de assaltos e furtos, cuidando do velhinho, administrando-lhe remédio, prestando-lhe assistência e lendo com ele os livros espíritas da sua predileção.


Após cinco meses, o doente desencarnou em clima de paz, deixando-lhe a casa e os bens como herança e a alma renovada pelo exemplo de fé nos Espíritos Bons.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 13 #13 - NÃO SAIBA A VOSSA MÃO ESQUERDA O QUE DÊ A VOSSA MÃO DIREITA

EVANGELHO ESSENCIAL 13

Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

13 - NÃO SAIBA A VOSSA MÃO ESQUERDA O QUE DÊ A VOSSA MÃO DIREITA

Tenhas cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não receberas recompensa de teu Pai que está nos céus. - Assim, quando deres esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-te, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. - Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; - a fim de que a esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê o que se passa em segredo, lhe recompensará. - (S. MATEUS, cap. VI, vv. 1 a 4.)

Tendo Jesus descido do monte, grande multidão o seguiu. – Ao mesmo tempo, um leproso veio ao seu encontro e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, poderás curar-me. - Jesus, estendendo a mão, o tocou e disse: Quero-o, fica curado; no mesmo instante desapareceu a lepra. - Disse-lhe então Jesus: abstém-te de falar disto a quem quer que seja; mas, vai mostrar-te aos sacerdotes e oferece o dom prescrito por Moisés, a fim de que lhes sirva de prova. (S. MATEUS, cap. VIII, vv. 1 a 4.)

Fazer o bem sem ostentação

Em fazer o bem sem ostentação há grande mérito; ainda mais meritório é ocultar a mão que dá; constitui marca incontestável de grande superioridade moral, porque, para encarar as coisas de uma maneira mais alta do que o faz a pessoa comum, necessário se torna abstrair da vida presente e identificar-se com a vida futura; numa palavra, colocar-se acima da Humanidade, para renunciar à satisfação que o aplauso dos homens proporciona e pensar na aprovação de Deus.
* * *

Aquele que prefere a aprovação dos homens ao de Deus, prova que mais fé deposita nestes do que na Divindade e que mais valor dá à vida presente do que à futura. Se diz o contrário, age como se não cresse no que diz.
* * *

Quantos há que só dão na esperança de que aquele que recebe irá bradar por toda parte o benefício recebido! Quantos os que, de público, dão grandes somas e que, entretanto, às ocultas, não dariam uma só moeda! Foi por isso que Jesus declarou: "Os que fazem o bem ostensivamente já receberam sua recompensa." Com efeito, aquele que procura a sua própria glorificação na Terra, pelo bem que pratica, já pagou a si mesmo; Deus nada mais lhe deve; só lhe resta receber a punição do seu orgulho.
* * *

Não saber a mão esquerda o que dá a mão direita é um ensinamento que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta.
* * *

 Se existe a modéstia real, também há a falsa modéstia, a simulação da modéstia. Há pessoas que escondem a mão, tendo, porém, o cuidado de deixar perceber o que fazem.
* * *

A beneficência praticada sem ostentação tem duplo mérito. Além de ser caridade material, é caridade moral, visto que respeita os sentimentos do beneficiado, faz-lhe aceitar o benefício, sem que seu amor-próprio seja ferido e protegendo assim sua dignidade de ser humano, porque aceitar um serviço é coisa bem diferente de receber uma esmola.
* * *

Converter em esmola o serviço, pela maneira de prestá-lo, é humilhar o que recebe, e, em humilhar ao outro, há sempre orgulho e maldade. A verdadeira caridade é delicada e habilidosa em disfarçar o benefício, no evitar até as simples aparências capazes de ferir, porque toda contrariedade moral aumenta o sofrimento que se origina da necessidade. Ela sabe encontrar palavras brandas e afáveis que colocam o beneficiado à vontade em presença do benfeitor, ao passo que a caridade orgulhosa o humilha. A verdadeira generosidade adquire toda a sublimidade, quando o benfeitor, invertendo os papéis, encontra meios de figurar como beneficiado diante daquele a quem presta serviço.

Os infortúnios ocultos

Nas grandes calamidades, a caridade se emociona e observam-se campanhas nobres e generosas, no sentido de reparar os desastres.

Mas, a par desses desastres gerais, há milhares de tragédias particulares, que passam despercebidos: os dos que jazem sobre um leito de dor pobre e miserável sem se queixarem. Esses infortúnios discretos e ocultos são os que a verdadeira generosidade sabe descobrir, sem esperar que peçam assistência.
* * *

O óbolo da viúva

Estando Jesus sentado defronte do gazofilácio, a observar de que modo o povo lançava ali o dinheiro, viu que muitas pessoas ricas o deitavam em abundância. - Nisso, veio também uma pobre que apenas deitou duas pequenas moedas do valor de dez centavos cada uma. - Chamando então seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu muito mais do que todos os que antes puseram suas dádivas no gazofilácio; - por isso que todos os outros deram do que lhes sobra, ao passo que ela deu do que lhe faz falta, deu mesmo tudo o que tinha para seu sustento. (SÃO MARCOS, cap. XII, vv. 41 a 44. - S. LUCAS, cap. XXI. vv. 1 a 4.)

Muitas pessoas lamentam não poder fazer todo o bem que desejariam, por falta de recursos suficientes, e desejam possuir riquezas, dizem, para lhes dar boa aplicação.
* * *

Não haverá quem, desejando fazer bem aos outros, muito estimaria poder começar por fazê-lo a si próprio, por proporcionar a si mesmo algumas satisfações mais, por usufruir de um pouco do supérfluo que lhe falta, para a dar aos pobres o resto?
* * *

O ponto sublimado da caridade, nesse caso, estaria em procurar ele no seu trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos, os recursos de que faltam para realizar seus generosos propósitos. Haveria nisso o sacrifício que mais agrada ao Senhor.
* * *

Infelizmente, a maioria vive a sonhar com os meios de mais facilmente se enriquecer de súbito e sem trabalho, correndo atrás de sonhos e ilusões, como as descobertas de tesouros, de uma favorável oportunidade incerta e casual, do recebimento de inesperadas heranças, etc.
* * *

Aqueles cuja intenção está isenta de qualquer interesse pessoal, devem consolar-se da impossibilidade em que se veem de fazer todo o bem que desejariam, lembrando-se de que o óbolo do pobre, do que dá privando-se do necessário, pesa mais na balança de Deus do que o ouro do rico que dá sem se privar de coisa alguma.
* * *

Aliás, será só com o dinheiro que se podem secar lágrimas e dever-se-á ficar inativo, desde que se não tenha dinheiro?
* * *

Todo aquele que sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil ocasiões encontrará de realizar o seu desejo. Procure-as e elas apareceram de repente; se não for de um modo, será de outro, porque ninguém há que, no pleno gozo de suas faculdades, não possa prestar um serviço qualquer, dar uma consolação, diminuir um sofrimento físico ou moral, tomar uma providência útil. Não dispõem todos, à falta de dinheiro, do seu trabalho, do seu tempo, do seu repouso, para de tudo isso dar uma parte ao próximo? Também aí está a dádiva do pobre, o óbolo da viúva.

Convidar os pobres e os estropiados. Dar sem esperar retribuição Disse também àquele que o convidara: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides nem os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos que forem ricos, para que em seguida não te convidem a seu turno e assim retribuam o que de te receberam. - Quando derdes um festim, convides para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos. - E serás feliz por não terem eles meios de te retribuir, pois isso será retribuído na ressurreição dos justos. Um dos que se achavam à mesa, ouvindo essas palavras, disse-lhe: Feliz do que comer do pão no reino de Deus! (S. LUCAS, cap. XIV, vv. 12 a 15.)

Convidem para os seus banquetes ou festas os pobres, pois saibam que eles nada lhes podem retribuir. Por Festins ou banquetes deve-se entender, não a refeição propriamente dita, mas a participação na abundância de que desfrutam.
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INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

A caridade material e a caridade moral
Irmã Rosália-Paris,1860

"Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos que eles nos fizessem." Toda a religião, toda a moral se encontram nestes dois ensinamentos.
* * *

Se fossem seguidos aqui na Terra, todos seriam felizes e perfeitos: não mais haveria ódios, nem conflitos. Não haveria mais pobreza, porque, do supérfluo da mesa de cada rico, muitos pobres se alimentariam
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Amem o seu próximo; amem-no como a si mesmos, pois já sabem, agora, que, repelindo um infeliz, estarão, talvez, afastando de si um irmão, um pai, um amigo seu de outrora. Se assim for, de que desespero não se sentirão presos, ao reconhecê-lo no mundo dos Espíritos!
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Desejo que compreendam bem o que seja a caridade moral, a qual todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de se pôr em prática.
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A caridade moral consiste em se tolerarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazem nesse mundo inferior, onde se encontram, por agora, encarnados.
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Grande mérito há em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É uma forma de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra debochada escapa de uma boca habituada a ironizar; não ver o sorriso de desprezo com que lhes recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem superior, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo. Constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porque não dar atenção ao mau proceder dos outros é caridade moral.
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Um Espírito protetor(Lião,1860)

De mil maneiras se faz a caridade. Podemos fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que desencarnaram sem se encontrarem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos seus companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: "Eu era como são; sofria, sentia-me infeliz, mas acreditei no Espiritismo e, vejam, agora sou feliz."
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Dirão outros dentre vocês: "somos tão numerosos na Terra, que Deus não nos pode ver a todos." Escutem bem isto, meus amigos: Quando estão no alto da montanha, não abrangem com o olhar os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo lhes vê Deus.

Ele lhes deixa usar de seu livre-arbítrio, como vocês deixam que esses grãos de areia se movam ao sabor do vento que os dispersa. A diferença é que Deus, em sua misericórdia infinita, lhes pôs no fundo do coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Escutem-na, que somente bons conselhos ela lhes dará. As vezes, conseguem entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela, então, se cala. Mas, fiquem certos de que a pobre rejeitada se fará ouvir, logo que lhe deixarem aperceber-se da sombra do remorso. Ouçam-na, interroguem-na e com frequência, se encontrarão consolados com o conselho que dela houverem recebido.
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A beneficência
Adolfo, Bispo de Argel (Bordéus, 1861)

A beneficência dar-lhes-á nesse mundo os mais puros e suaves prazeres, as alegrias do coração, que nem o remorso, nem a indiferença perturbam.
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Se pudessem ter por única ocupação tornar felizes os outros! Quais as festas mundanas que poderiam comparar às que celebram quando, como representantes da Divindade, levam a alegria a essas famílias que da vida apenas conhecem as dificuldades e as amarguras, quando veem nelas os semblantes descorados brilharem subitamente de esperança, porque, desprovidos de pão, os infelizes ouviam seus filhinhos, ignorantes de que viver é sofrer, gritando repetidamente, a chorar, estas palavras que, como agudo punhal, lhes enterravam nos corações maternos: "Estou com fome!..."
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Compreendam as obrigações que tem para com os seus irmãos! Vão ao encontro do infortúnio; vão em socorro, sobretudo, das misérias ocultas, por serem as mais dolorosas! Vão, meus bem-amados, e tenham em mente estas palavras do Salvador: "Quando vestirdes a um destes pequeninos, lembrai-vos de que é a mim que o fazeis!"
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Caridade! sublime palavra que sintetiza todas as virtudes, és tu que hás de conduzir os povos à felicidade.
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É na caridade que devem procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida. Quando estiverem a ponto de acusar a Deus, lancem um olhar para baixo de si; vejam que misérias a aliviar, de pobres crianças sem família, de velhos sem qualquer mão amiga que os ampare e lhes feche os olhos quando a morte chegar! Quanto bem a fazer! não se queixem; ao contrário, agradeçam a Deus e distribuam sem limites, à vontade, a sua simpatia, o seu amor, o seu dinheiro por todos os que, deserdados dos bens desse mundo, enfraquecem na dor e na solidão! Colherão nesse mundo bem doces alegrias e, mais tarde... só Deus o sabe!
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S. Vicente de Paulo (Paris, 1858)

Sejam bons e caridosos: essa é a chave dos céus, chave que tens em suas mãos. Toda a eterna felicidade esta contida neste ensinamento: "Amai-vos uns aos outros."
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A alma só pode elevar-se às altas regiões espirituais pela dedicação ao próximo;
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Somente nos encantos da caridade, encontra a alma felicidade e consolação. Sejam bons, amparem os seus irmãos, deixem de lado a horrenda chaga do egoísmo. Cumprido esse dever, abrir-se-lhes-á o caminho da felicidade eterna.
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Não lhes disse Jesus tudo o que concerne às virtudes da caridade e do amor? Por que desprezar os seus ensinamentos divinos? Por que fechar os ouvidos às suas divinas palavras, o coração a todas as suas bondosas recomendações? Quisera eu que dispensassem mais interesse, mais fé às leituras evangélicas. Desprezam esse livro, consideram-no repositório de palavras vazias, uma carta fechada; deixam no esquecimento esse código admirável. Seus males provêm todos do abandono voluntário a que dedicam a esse resumo das leis divinas. Leiam-lhe as páginas cintilantes do devotamento de Jesus, e meditai-as.
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A caridade é a virtude fundamental sobre que há de sustentar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras. Sem a caridade não há esperar um futuro melhor, não há interesse moral que nos guie; sem a caridade não há fé, pois a fé não é mais do que pura luminosidade que torna brilhante uma alma caridosa.
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Cáritas, martirizada em Roma. (Lião, 1861.)

Várias maneiras há de fazer-se a caridade, que muitos dentre vocês confundem com a esmola. Diferença grande vai de uma para outra. A esmola ,algumas vezes é útil, porque dá alívio aos pobres; mas é quase sempre humilhante, tanto para o que a dá, como para o que a recebe.
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A caridade liga o benfeitor ao beneficiado e se disfarça de tantos modos!

Pode-se ser caridoso, mesmo com os parentes e com os amigos, sendo uns indulgentes para com os outros, perdoando-se mutuamente as fraquezas, cuidando não ferir o amor-próprio de ninguém.
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Vocês, espíritas, podem sê-lo na sua maneira de proceder para com os que não pensam como vocês, levando os menos esclarecidos a crer, mas sem os chocar, sem investir contra as suas convicções e sim, atraindo-os amavelmente às nossas reuniões, onde poderão ouvir-nos e onde saberemos descobrir nos seus corações a brecha para neles penetrarmos. Eis aí um dos aspectos da caridade.
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Vejo, várias vezes, cada semana, uma reunião de senhoras, havendo-as de todas as idades. Para nós são todas irmãs. Que fazem? Trabalham depressa, muito depressa; têm ágeis os dedos. Vejam como trazem alegres os rostos e como lhes batem em uníssono os corações. Mas, com que fim trabalham? É que veem aproximar-se o inverno que será rude para os lares pobres. Tende paciência, pobres mulheres. Deus inspirou a outras mais aquinhoadas ; elas se reuniram e estão confeccionando roupinhas; depois, um destes dias, quando a terra se achar coberta de neve e vocês se lamentarem dizendo: "Deus não é justo'', que é o que lhes sai dos lábios sempre que sofrem, verão surgir a filha de uma dessas boas trabalhadoras que se constituíram obreiras dos pobres, pois que é para vocês que elas trabalham assim, e os seus lamentos se mudarão em bênçãos, dado que no coração dos infelizes o amor acompanha de bem perto o ódio.
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Um Espírito Protetor- Lião, 1861

Meus caros amigos, todos os dias ouço dizerem: "Sou pobre, não posso fazer a caridade", e todos os dias vejo que faltam com a indulgência aos seus semelhantes. Nada lhes perdoam e se arvoram em juízes muitas vezes severos, sem quererem saber se ficariam satisfeitos que do mesmo modo procedessem consigo. Não é também caridade a indulgência?

Vocês, que apenas podem fazer a caridade praticando a indulgência, façam-na assim, mas façam-na sem limitações.
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João – Bordéus, 1861

Trabalhem, minhas filhas, e que o produto de suas obras se destine a socorrer os seus irmãos em Deus. Os pobres são seus filhos bem-amados; trabalhar para eles é glorificá-Lo. Sejam-lhes a providência que diz: "Aos pássaros do céu dá Deus o alimento." Mudem-se o ouro e a prata que se tecem nas suas mãos em roupas e alimentos para os que não os têm. Façam isto e abençoado será o seu trabalho.
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Todos vocês podem dar, qualquer que seja a classe social a que pertençam, de alguma coisa dispõem que podem dividir. Seja o que for que Deus lhes haja dado, uma parte do que ele lhes deu devem àquele que carece do necessário, porque, em seu lugar, muito gostariam que outro dividisse consigo. Os seus tesouros da Terra serão um pouco menores; contudo, os seus tesouros do céu ficarão acrescidos. Lá colherão pelo cêntuplo o que houverem semeado em benefícios neste mundo.
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A piedade

Miguel- Bordéus, 1862

A piedade é a virtude que mais lhes aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que lhes conduz a Deus.
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A piedade bem sentida é amor; amor é devotamento; devotamento é o esquecimento de si mesmo e esse esquecimento, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o divino Messias e ensinou na sua doutrina tão santa e sublime.
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A piedade é o sentimento mais apropriado a fazer que progridam, dominando em si mesmo o egoísmo e o orgulho, aquele que dispõe a sua alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo. Piedade que lhes comove profundamente à vista dos sofrimentos de seus irmãos, que lhes impele a estender a mão para socorrê-los e lhes arranca lágrimas de simpatia.
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Nunca abafem nos seus corações essas emoções celestes; não procedam como esses egoístas endurecidos que se afastam dos aflitos, porque o espetáculo de suas misérias lhes perturbaria por instantes a existência alegre. Temam conservarem-se indiferentes, quando puderem ser úteis.
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Grande é a compensação, quando chegares a dar coragem e esperança a um irmão infeliz que se emociona ao aperto de uma mão amiga e cujo olhar, úmido, por vezes, de emoção e de reconhecimento, para vocês se dirige docemente, antes de se fixar no Céu em agradecimento por lhe ter enviado um consolador, um amparo.
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A piedade é o melancólico, nas celestes precursor da caridade, primeira das virtudes que a tem por irmã e cujos benefícios ela prepara e enobrece.
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Os órfãos

Um Espírito Familiar – Paris, 1860

Meus irmãos, amem os órfãos. Se soubessem quanto é triste ser só e abandonado, sobretudo na infância!
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Deus permite que haja órfãos, para encorajar-nos a servir-lhes de pais.

Que divina caridade amparar uma pobre criaturinha abandonada, evitar que sofra fome e frio, dirigir-lhe a alma, a fim de que não desgarre para o vício! Agrada a Deus quem estende a mão a uma criança abandonada, porque compreende e pratica a sua lei. Lembrem-se também que muitas vezes a criança que socorrem lhes foi querida noutra encarnação, caso em que, se pudessem lembrar-se, já não estariam praticando a caridade, mas cumprindo um dever.
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Juntem delicadamente ao benefício que fizerem o mais precioso de todos os benefícios: o de uma boa palavra, de um carinho, de um sorriso amistoso.
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Benefícios pagos com a ingratidão

Guia Protetor- Sens,1862

Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em pagamento de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não encontrar com os ingratos? Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porque os que assim procedem se envaidecem na humildade com que o beneficiado vem depor aos a seus pés o testemunho do reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
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Procurem sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerem o bem não lhes agradecerão. Fiquem certos de que, se aquele a quem prestem um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado lhes houvesse pago.
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Se Deus permite por vezes sejam pagos com a ingratidão, é para experimentar a sua perseverança em praticar o bem.
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Se conhecessem todos os laços que prendem a sua vida atual às suas existências anteriores; se pudessem apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admirariam muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que lhes concede reviver para chegarem a ele.
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Beneficência exclusiva

S. Luís –Paris, 1860

É correta a beneficência, quando praticada exclusivamente entre pessoas da mesma opinião, da mesma crença, ou do mesmo partido?

Não, porque precisamente o espírito de seita e de partido é que precisa ser eliminado, visto que são irmãos todos os homens. O verdadeiro cristão vê somente irmãos em seus semelhantes e não procura saber, antes de socorrer o necessitado, qual a sua crença, ou a sua opinião, seja sobre o que for.
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Obedeceria o cristão ao preceito de Jesus Cristo, segundo o qual devemos amar os nossos inimigos, se rejeitasse o infeliz, por professar uma crença diferente da sua? Socorra-o sem lhe pedir contas à consciência, pois, se for um inimigo da religião, esse será o meio de conseguir que ele a ame; repelindo-o, faria que a odiasse.

COMENTÁRIO

NÃO SAIBA A VOSSA MÃO ESQUERDA O QUE DÊ A VOSSA MÃO DIREITA

“Porque, para ver as coisas de mais alto que o comum, é necessário fazer abstração da vida presente e identificar-se com a vida futura.” Allan Kardec. A caridade no seu sentido mais íntimo significa darmos, àquele que está temporariamente numa situação menos privilegiada, tudo o que nós mesmos esperamos quando estamos em idêntica posição. E quando o fizermos da mesma maneira que não queremos sejamos notados em posição adversa pelos outros, aquele a quem nos propomos atender também de igual maneira sente vergonha.

Dar é mais fácil e mais cômodo do que ter que receber, é claro que aí vai também um alerta para aqueles que acham que só é caridade o fornecimento do material mínimo de subsistência material, isto não é verdade, pois a caridade é também dar atenção, auxiliar no preparo dos vários documentos que um irmão necessita para trabalhar, e inclusive apresentá-lo e torná-lo apto ao mercado de trabalho. Faz-se necessário também lhe oferecer amparo com as suas necessidades como cuidar da sua família, em situação de necessidade, assim como nós mesmos às vezes solicitamos aos nossos amigos, e mesmo oferecemos de bom grado aos nossos irmãos mais próximos. Criando assim um sentimento de dignidade aos irmãos que por estarem em dificuldades, sentem-se incapazes de gerarem com recursos próprios o tal atendimento, seja pelo fato dos amigos mais próximos terem se afastado devido à penúria, seja pelo fato de não os terem no lugar onde estão. Então a caridade começa a tomar rumos mais edificantes do que só atendimento material que também é necessário, mas não essencial.


Lembremo-nos que um pensamento, uma prece, também podem ajudar, além da palavra atenciosa e atitudes diretas. Devemos levar em conta o fato de que a nossa vida atual não é a única nem a primeira, e nem será a última, portanto, devemos nos preparar para a vida futura, onde certamente ficaremos surpresos quando ali encontrarmos um desses nossos amigos, e qual não será nosso espanto, em sabermos estarem em situação evolutiva maior que nós mesmos aos quais estaremos subordinados. É a maior justiça de Deus, daí a necessidade de estarmos em situações as mais variadas possíveis para nosso aprendizado e evolução, a qual muitas vezes a desconhecemos aqui na Terra, e tomarmos ciência no mundo espiritual. É verdade que pela sensibilidade se pode saber indícios dessas situações, mas para isso é necessário ser humilde e estar sempre alerta ao nosso íntimo. Então seguindo Jesus devemos fazer o bem sem nenhuma ostentação porque tudo o que fizermos com demonstração para o mundo, aqui mesmo estaremos sendo recompensados, e muitas vezes no mundo espiritual, vermos com decepção que fomos infantis. Precisamos ir muito além daquilo que enxergamos, dos infortúnios que saltam à vista, precisamos ir onde a necessidade, sem forças para sair ao mundo espera uma alma caridosa que delas se lembre e traga-lhes o amparo, muitas vezes um bom banho que há dias não tomam. Precisamos descobrir onde há necessidade, não estarmos só atentos para aquelas que todo mundo vê e socorre, quantos de nossos irmãos não estão numa cama abandonados à própria sorte. Aqui vale lembrar, você deu um sorriso à sua esposa, marido, filho ou irmão hoje? É também uma ternura que faz de nós mais humanos e sensíveis. “O sublime da caridade será cada um procurar no seu próprio trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de sua capacidade, os recursos que lhe faltam para realizar suas intenções generosas. Nisso estaria o sacrifício mais agradável ao Senhor.” Allan Kardec.