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terça-feira, 28 de junho de 2016

ESTUDO 72 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XVI - MÉDIUNS ESPECIAIS 190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.

O LIVRO DOS MÉDIUNS


(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

Por

ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.


SEGUNDA PARTE


DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS


CAPITULO XVI


MÉDIUNS ESPECIAIS


Estudo 72 - 190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.

Médiuns videntes: os que, em estado de vigília, veem os Espíritos. A visão acidental e fortuita de um Espírito, numa circunstância especial, é muito frequente, mas, a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem distinção, é excepcional. (N. 167.)

Em nota Allan Kardec explica: "É uma aptidão a que se opõe o estado atual dos órgãos visuais. Por isso é que cumpre nem sempre acreditar na palavra dos que dizem ver os Espíritos”.

Afirma Allan Kardec que “(...) A faculdade consiste na possibilidade, senão permanente, pelo menos muito frequente de ver qualquer Espírito que se apresente, ainda que seja absolutamente estranho ao vidente. A posse dessa faculdade é que constitui propriamente falando, o médium vidente(...)”.

No livro Mediunidade o professor Herculano Pires esclarece que “(...) a vidência, como todas as formas de mediunidade, pode ocorrer ocasionalmente a qualquer pessoa, mas a sua ação permanente, nos casos de mediunato, pode bloquear a razão e excitar o misticismo. Nesses casos o místico está sujeito a enganos fatais. O espírito encarnado está condicionado à vida do plano material, não dispondo de segurança para lidar com os problemas do plano espiritual. No desdobramento, com fins de pesquisa no outro plano, esse problema se agrava, pois o deslocamento do espírito para um campo de ação que não é o seu, durante a encarnação, o coloca no plano espiritual como um estrangeiro que precisaria de um tempo para ajustar-se a ele. Por isso Kardec preferiu o estudo e a investigação através das manifestações mediúnicas, onde é possível controlar-se a legitimidade das informações dadas pelos habitantes do plano espiritual.

Ressalta ainda o autor que Charles Richet, o fundador da metapsiquica, levantou o problema do condicionamento da vidência à crença do vidente. Relembra também que Frederic Myers demonstrou que a nossa mente está condicionada para a interpretação das percepções sensoriais. A consciência supraliminar, onde funciona a nossa mente de relação, está voltada para as condições do mundo em que vivemos, e que a consciência subliminar, que equivale ao inconsciente, destina-se a funcionar normalmente na vida futura, ou seja, no plano espiritual.

Para Allan Kardec nada disso passou despercebido, como se pode ver nos relatos de pesquisa nas comunicações mediúnicas de encarnados que se encontram na Revista Espírita. Os próprios espíritos recém-desencarnados referem-se às dificuldades que enfrentam para adaptar-se as condições do mundo espiritual.

Como entender a existência do mediunato de vidência? A razão nos mostra, ressalta o prof. Herculano Pires, que esse mediunato jamais será concedido para aventuras de Espíritos encarnados no plano espiritual, porque isso seria condenar o médium a uma situação de dualidade perigosa na vida terrena. Esse mediunato existe, afirma ele, para fins de auxílio às pesquisas ou para demonstrações da verdade espírita, mas não para criar condições anômalas no campo mediúnico.

Todas essas reflexões nos levam a entender a mediunidade de vidência como uma tarefa que está, como as outras, condicionada ao aspecto moral, a uso que o médium dela fará, considerando a sua condição moral. Sabemos que é uma expressão mediúnica que coloca o médium em evidência, daí a necessidade de cuidados.

Relembramos Allan Kardec: “(...) A faculdade de ver os Espíritos pode, sem dúvida, se desenvolver, mas é uma dessas faculdades cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, sem que se provoque, se não quiser expor-se às ilusões da imaginação. Quando temos o germe de uma faculdade, ela se manifesta por si mesmo. Devemos, por princípio, contentar-nos com aquelas que Deus nos concedeu, sem procurar o impossível, porque, então, querendo ter demais, arrisca-se a perder o que tem (...)”

O Codificador chama a atenção também para o fato de que médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda mais raros e que é prudente não lhes dar fé senão mediante provas positivas. Algumas pessoas podem, sem dúvida, enganar-se de boa-fé, mas outras podem simular essa faculdade por amor próprio ou interesse e nesse caso, deve-se levar em conta o caráter, a moralidade e a sinceridade habituais da pessoa.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI - 2ª Parte – itens 167 e 190

BIGHETTI, Leda Marques – Educação Mediúnica “Teoria e Prática” 1º volume: 1.ed Ribeirão Preto: BELE, 2005 – pág 208 a 210

PIRES, José Herculano – Mediunidade: 1.ed. São Paulo: PAIDÉIA,1986 - Cap III
           
Tereza Cristina D'Alessandro
Outubro/2007

Centro Espírita Batuíra
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto - SP