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terça-feira, 7 de junho de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 10.2 #10 - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO MISERICORDIOSOS

EVANGELHO ESSENCIAL 10.2
Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

10 - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO MISERICORDIOSOS

A Indulgência

José, Espírito Protetor –Bordéus,1863

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dele unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma desculpa para eles, desculpa aceitável, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a destacam de modo maldoso.
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A indulgência jamais se interessa com os maus atos dos outros, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações ofensivas, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.
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Quando críticas, que conclusões se devem tirar das tuas palavras? A de que não fazes o que reprovas, visto que estas a censurar; que vales mais do que o culpado.
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Homens! quando será que julgarão os seus próprios corações, os seus próprios pensamentos, os seus próprios atos, sem se ocuparem com o que fazem seus irmãos? Quando só terão olhares severos sobre si mesmos? Sejam severos para consigo mesmos, indulgentes para com os outros.
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Lembra-te dAquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censuras, ou condena o que relevas, porque conhece o motivo de todos os atos.
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Sejam indulgentes, meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.
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João, Bispo de Bórdeus, 1862

Sejam indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; julguem com severidade apenas as suas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para consigo, do mesmo modo como houverem usado para com os outros.
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Sustentem os fortes: encorajem-nos a prosseguirem no bem.

Fortaleçam os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em conta o menor arrependimento;
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Que é o que pedes ao Senhor, quando imploras para si o perdão? Será unicamente o esquecimento das suas ofensas? esquecimento que lhes deixaria no nada, porque, se Deus se limitasse a esquecer as suas faltas, Ele não puniria, é certo, mas tampouco recompensaria.
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A recompensa não pode constituir prêmio do bem que não foi feito, nem, ainda menos, do mal que se haja praticado, embora esse mal fosse esquecido. Pedindo-lhe que perdoe os seus desvios, o que pedes a Deus é o favor de sua graça, para não reincidires neles, é a força de que necessitas para entrares num novo caminho, o da submissão e do amor, nas quais poderias juntar ao arrependimento a reparação do erro.
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Dufetre, Bispo de Nevers- Bordéus

Sejam severos consigo, indulgentes para as fraquezas dos outros. É esta uma prática da santa caridade, que bem poucas pessoas observam.

Todos vocês tem más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tem um fardo mais ou menos pesado a livrar-se, para poderem subir ao topo da montanha do progresso.
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Por que hão de mostrar-se observadores tão exigentes com relação ao próximo e tão cegos com relação a si mesmos?
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Todo homem bastante orgulhoso para se julgar superior, em virtude e mérito, aos seus irmãos encarnados é insensato e culpado: Deus o castigará no dia da Sua justiça.
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O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos dos outros e esforçar-se por fazer que prevaleça o que há nele de bom e virtuoso, porque, embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, em alguns de seus recantos mais ocultos, o gérmen de bons sentimentos, centelha viva da essência espiritual.
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É permitido repreender os outros, notar as imperfeições de outrem, divulgar o mal de outrem?

Espírito São Luís –Paris, 1860

Se considerarmos que ninguém é perfeito, significa que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo?

Cada um deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja proteção lhes foi confiada. Mas, por isso mesmo, deves fazê-lo com moderação, com um objetivo útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de desacreditar. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. A demais, a censura que alguém faça a outro deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a merecemos também.
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Será repreensível observar-se as imperfeições dos outros, quando disso nenhum proveito possa resultar para eles, mesmo que não sejam divulgadas?

Tudo depende da intenção. Certamente, a ninguém é proibido ver o mal quando ele existe. Fora mesmo inconveniente ver em toda a parte só o bem. Semelhante ilusão prejudicaria o progresso. O erro está no fazer-se que a observação resulte em prejuízo do próximo, desacreditando-o, sem necessidade perante a opinião pública. Igualmente repreensível seria fazê-lo alguém apenas para dar expansão a um sentimento de malevolência e à alegria de verificar o defeito dos outros. Dá-se inteiramente o contrário quando, lançando sobre o mal um véu para que o público não o veja, aquele que note os defeitos do próximo o faça em seu proveito pessoal, tirando uma lição, isto é, para estudar e evitar fazer o que reprova nos outros.
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Haverão casos em que pode ser útil revelar o mal dos outros?

Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo aos outros, deve-se atender de preferência ao interesse da maioria do que o interesse de um só.
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Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode se constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas ou enganados. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.

COMENTÁRIO

BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO MISERICORDIOSOS

O sentido de sermos misericordiosos é o de perdoarmos as ofensas de nossos inimigos para estarmos em paz com nossa consciência. O perdão é próprio da virtude de sermos brandos e pacíficos. Lamennais, através a Sra Didier, escreveu na Revista Espírita em agosto de 1962, à pág.251: “Como poder encontrar em si a força para perdoar? A sublimidade do perdão é a morte do Cristo no Gólgota.” Pode parecer que estejamos filosofando, mas se nós gostamos de ser perdoados de nossas faltas, como então não querermos perdoar? É preciso que tenhamos um proceder único e coerente, se queremos atingir a brandura e a paciência e dela fazermos jus à reciprocidade de tratamento; como poderemos entender isto sem o perdão? Sim pode ser difícil perdoarmos, mas se quisermos atingir um grau evolutivo maior e uma elevada moral, faz-se necessário aprendermos a perdoar, para podermos nos declarar primeiro brandos e depois cristãos, ou recomeçarmos a nossa vida para mudar desde o princípio que nos foi dado optar pelo bem ou pelo mal, segundo nossas próprias inclinações.

Aquele que não sabe perdoar não é digno de ostentar o nome de Cristão, porque Jesus nos deu, como vemos na dissertação de Lamennais, exemplo maior. E Ele, segundo o dizer dos Espíritos, é nosso paradigma para progredir. É mais que evidente que se não formos condenados pelo homem aqui na Terra, seremos no mundo espiritual por nossa infração às Leis Naturais Divinas, que as temos inscritas em nossa consciência quanto Espíritos Imortais, e ademais, os que forem prejudicados por nós aqui na Terra estarão nos observando, se forem imperfeitos como nós, para quando nós estivermos presos a corpo material nos obsedar. É claro que devemos respeitar as leis da sociedade onde estamos, vez que foram criadas por nós mesmos, pois é a medida com que julgamos, daí por que as devemos fazer brandas, justas e na medida estrita da necessidade, acima de tudo fazendo com que aquele que burlou possa compreender e educar-se. Precisamos outrossim ao criar as leis da Terra, fazermos de forma que antes de esperar utilizá-las, eduquemos os nossos irmãos, para que sejam preparados a não fazer nada que desrespeite a Lei. Preciso é sejam também criados mecanismos de oportunidades iguais para todos em relação ao trabalho digno. Que a educação seja facilitada, que os homens sejam compreendidos pelo conhecimento, pela razão, e não pela ditadura intelectual, econômica, fria e extremamente dogmática e ortodoxa, em benefício de poucos que ostentam o poder. Cada de nós pode fazer algo, veja o exemplo de algumas iniciativas solidárias e voluntárias particulares que conseguem. É fácil dizer que é impossível, o difícil é aceitar em nós a dureza da falta de perdão.


10.2 final