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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Há muitas moradas na Casa do Pai

Módulo IX

1 – Introdução

A Doutrina Espírita dá condição de ampliar em muito o entendimento do ensinamento de Jesus, quando nos disse: Há muitas moradas na casa do Pai.

É que, de acordo com a diversidade dos estados evolutivos da alma, esta encontra morada física ou espiritual apropriada às sua condições. Portanto, as moradas da casa do Pai, são os diferentes estados em que se encontra o Espírito após o desenlace.

E como a Codificação também informa ser a nossa evolução feita em vários mundos, e que o Universo é a reunião destes infinitos mundos, essas moradas podem ser entendidas também como cada planeta que forma este Universo, que é a casa do Pai.

É por este prisma que procuramos estudar este tema, mostrando a lógica do pensamento kardequiano.

2 – Diferentes estados do Espírito após o Desencarne

Se podemos dizer que há uma preocupação constante em todas as criaturas, esta preocupação é com o futuro da alma após a morte física.

Em todos os tempos, desde que foi desenvolvido no homem a faculdade do raciocínio, esta inquietação quanto ao seu vir a ser, é motivo de muitas dissensões. Segundo algumas religiões, há um lugar para aqueles que fizeram o bem, e outro para os que não o fizeram. Sendo que são eternos estes ambientes, e localizam-se na parte superior e inferior da Terra. Outros de nossos irmãos, entendem que após a morte, a alma fica aguardando o dia do juízo, em que será decidido o seu futuro de acordo com a forma como viveu.

A Doutrina Espírita ensina que no instante do desencarne, a alma volta ao plano espiritual, conservando sua individualidade, e que normalmente não reencarna logo depois de haver se separado do corpo. Esse estado do Espírito é chamado de erraticidade, isto é, estado do Espírito sem corpo físico enquanto aguarda a próxima encarnação.

O ensino dos Espíritos têm mostrado ainda que há no Universo inumeráveis mundos de constituição material ou menos material, e que de acordo com a condição em que se encontra o Espírito, este é recebido.

As alegrias e as percepções do Espírito não procedem do meio que ele ocupa, mas de suas disposições pessoais e dos progressos realizados (…) 67

67 “Depois da Morte”, Léon Denis, cap. XXXIII.

Isto significa que o “céu” ou o “inferno” acham-se dentro daquele que o possui. É que esses Espíritos envolvidos pelo seu próprio magnetismo, criam para si um corpo fluídico que irá captar a essência de seu vivenciar psíquico.

Por isso Jesus afirmou: Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu (…) (Mateus, 18: 18)

Isso irá fazer com que as almas se agrupem de acordo com o grau de maior ou menor pureza que tenha atingido seu corpo espiritual, porque a situação do Espírito em seu mundo, está diretamente ligada à sua constituição fluídica.

Assim sendo, não é um tribunal que a julga, mas ela mesma determina, de acordo com a sua situação, a recompensa que irá receber quando do seu desencarne. Isto é que faz com que no plano espiritual criem-se verdadeiras sociedades, com funcionamento baseado na condição dos que as formem.

Contrariamente ao que conhecíamos até então, a Codificação Espírita traz que a vida do Espírito evoluído não é ociosa, mas extremamente ativa. O seu transporte é feito à velocidade do pensamento. Seu corpo é de tal forma rarefeito, que se torna invisível aos Espíritos inferiores. Seus sentidos não são dados por órgãos materiais, mas por todo o seu Ser, sendo suas percepções mais precisas e reais que as nossas.

Não têm necessidades alimentares ou de repouso, isto porque a matéria não os influencia.

Os Espíritos mais atrasados, ao contrário, levam consigo suas necessidades, seus vícios e suas preocupações. Não podendo abandonar seus problemas devido à sua materialidade, participam da vida do homem comum intrometendo em seus afazeres, e participando de seus prazeres. Suas paixões, determinando seus desejos, são alimentadas pelo contato com os valores transitórios, e devido à sua incapacidade de gerenciar tais sentimentos, sofrem pesadas torturas que os atrasam ainda mais.

Concluindo, temos então:

A situação do Espírito após o desencarne é definida por ele próprio quando encarnado.

Sua vivência, de acordo com os princípios evangélicos, o liberta.

A valorização das coisas materiais acima de suas necessidades o escraviza.

As coisas se dão desta forma, porque a alma enquanto encarnada, condiciona-se a fatores orgânicos que, por sua vez, estão sob o império de leis biológicas específicas. Fora do corpo, outras são as leis e, por conseguinte, outros elementos de equilíbrio e funcionamento.

Daí as naturais dificuldades com que, em novo mundo vibratório, bem diverso do nosso, aqui no plano físico, lutamos todos nós ao trocarmos a densidade da matéria (envoltório físico) pela fluidicidade dos planos espirituais.68

68 “O Pensamento de Emmanuel”, cap. 5.

Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade
Goiânia - GO

Trabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de Cláudio Fajardo