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sábado, 2 de agosto de 2014

Módulo IX

Há muitas moradas na Casa do Pai

4 – Diferentes Categorias de Mundos Habitados

Quando questionamos a possibilidade de vida em outros planetas, somos obrigados a raciocinar com a lógica e o bom senso.

Analisando os atos de um homem de bem, vemos que ele não toma nenhuma atitude ao acaso, mas tudo o que faz é elaborado de acordo com os seus princípios. Se assim age um simples homem de bem, como então agiria o Criador em relação à sua própria obra? Seria fruto do acaso, ou haveria em tudo, planejamento?

O bom senso nos mostra que o acaso não existe, e que a criação foi e é obra de um rigoroso planejamento.

Se analisarmos o Universo só sob o ponto de vista de existência da nossa galáxia, a Via Láctea, chegaremos à conclusão que só em números de Sóis podemos contar aproximadamente 40 bilhões. E os planetas relativos a esses sóis, quantos serão ao todo? E isto estamos falando só da nossa galáxia, e se aventarmos às “bilhões” de galáxias? Por que então, o Criador que nada fez ou faz ao acaso, iria Criar tantos ambientes planetários?

Desta forma, chegamos à conclusão que seria menosprezar demais a capacidade de Deus, se supuséssemos somente a nossa minúscula Terra habitada.

É raciocinando desta maneira, que a Doutrina Espírita pode afirmar serem todos os globos que se movem no espaço, habitados.73

73 “O Livro dos Espíritos”, questão 55.

É a mesma a constituição física dos diferentes globos? – perguntou Kardec, ao que nos responderam os Espíritos:

Não; de modo algum se assemelham.74

74 “O Livro dos Espíritos”, questão 56.

E, é fácil de entender o porquê. Se somos Espíritos, cada qual no seu estágio evolutivo, não temos todos as mesmas necessidades. Se não as temos iguais, logicamente vivemos em ambientes diferentes. Assim sendo, os mundos são diferentes, porque diferentes são os que os habitam.

Devido à infinidade de mundos, não podemos classificá-los quanto à sua evolução de uma maneira absoluta, mas Kardec oferece uma divisão, que nos permite entender melhor o assunto:

Mundos Primitivos:

São os mundos destinados aos Espíritos em sua infância, ou seja, no início de sua evolução.

Os seres que os habitam são, de alguma sorte, rudimentares: eles têm a forma humana, mas sem nenhuma beleza; seus instintos não são temperados por nenhum sentimento de delicadeza ou de benevolência, nem pelas noções do justo e do injusto(…) 75

75 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. 3.

A justiça, conforme a conhecemos hoje, não faz parte do entendimento deles, o que impera é a lei do mais forte.

Além da falta de desenvolvimento moral, temos como nenhum o desenvolvimento científico e intelectual.

Mundos de Expiações e Provas

Nestes mundos a característica básica é ainda o predomínio do mal sobre o bem.

A superioridade da inteligência de alguns homens mostra que este não é um mundo primitivo.

Mas essa inteligência é muitas vezes usada como forma de dominação e de desvirtuamento.

As qualidades inatas são provas que estes Espíritos já viveram antes, realizando muitas vezes em outros mundos, seu progresso. Mas são ainda bastante imperfeitos, e por isso estão sujeitos a provas e expiações, como forma de atingir a meta desejada: a perfeição.

A Terra, como sabemos, é um destes planetas de provas e expiações. É conforme o dizer de Emmanuel, uma abençoada escola, onde se regenera o Espírito culpado e onde ele se prepara, demandando glorioso porvir.76

76 “Emmanuel”, cap XVI.

Mas a Misericórdia Divina não desampara seus filhos. Periodicamente reencarnam nesses mundos, missionários do bem, Espíritos encarregados de vivenciar a moral em toda sua plenitude como forma de fixação na intimidade das criaturas.

Mundos Regeneradores

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos superiores. Nesses mundos os Espíritos reencarnantes, apesar de acentuados progressos, ainda achamse sujeitos a provas, mas sem as angústias das expiações. Sendo o homem ainda materializado, essas provas vão trabalhando nele a desmaterialização que se faz necessária para entrada em mundos mais evoluídos.

Há nestes mundos, por parte de sua Humanidade, o desejo da prática do bem. Livre que está dos Espíritos ligados ao mal, o homem acha-se desanuviado, e o clima psíquico é bem tranqüilo.

Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. Santo Agostinho 77

77 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. 3.

Mundos Superiores

Nesses mundos, as condições de vida moral e material são bens diversas às da Terra. O corpo não é material como o nosso. O “Modus Vivendi” dos Espíritos ali vinculados faz com que eles não estejam sujeitos nem às doenças, nem às deteriorações da matéria.

A infância nestes mundos é menor ou quase nula; a vida é proporcionalmente mais longa, a morte já não causa medo, e a linguagem é feita pela transmissão do pensamento.

O homem não procura elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se.78

78 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. 3.

O melhor é saber que viver num destes mundos não é privilégio dos eleitos, mas destino de todos nós, assim que nos purificarmos, pelo trabalho e serviço ao próximo.

Vivenciando, deste modo, aquele mandamento de Jesus, quando disse:

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós. (João, 13: 34)

Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade
Goiânia - GO
Trabalho realizado em 1997 pelo Grupo de Estudos desta Casa Espírita com a coordenação de Cláudio Fajardo