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terça-feira, 24 de maio de 2016

#16 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO II: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO ITEM 5: O PONTO DE VISTA

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – XVI

CAPÍTULO II: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

ITEM 5: O PONTO DE VISTA


Os raciocínios apresentados por Allan Kardec, neste estudo, são importantíssimos para o entendimento da importância da certeza da vida futura no viver do homem na Terra. Todo o ensino de Jesus, centrado no reino de Deus a ser desenvolvido no interior de cada um, só pode ser entendido com a existência da vida futura, além da morte, comprovada por Jesus nas suas aparições após a crucificação.

Esta realidade espiritual, a que Hermínio C. Miranda chamou de mensagem esquecida, “com tudo o que nela está implícito e explícito”, no seu livro “Cristianismo, A Mensagem Esquecida” precisa ser refletida, analisada para ser entendida e aceita, porque sem ela a vida na Terra seria sempre um vale de lágrimas e o homem um ser angustiado e sem rumo, por viver percebendo sempre apenas o presente, o que o leva a pensar somente em si, no que lhe traz prazer e felicidade. Os outros são os outros...

Todo aquele que vê somente a vida presente ou aquele que duvida da vida futura só pode colocar seus pensamentos, seus sonhos, seus objetivos nas coisas terrenas, nos seus valores, nos seus prazeres. Então, ser feliz se constitui no ter, no conquistar coisas que o valorizem a seu olhos e, quase sempre, aos olhos dos outros. Trabalha então com toda sua inteligência, todo seu potencial intelectual na obtenção desses valores. Coloca enfim sua felicidade em coisas exteriores a ele, permanecendo sempre insatisfeito, porque sempre há algo que não possui ou não usufrui.

Da mesma forma, qualquer perda, por menor que seja, lhe traz contrariedades e sofrimentos. Vive então, sempre ansioso, em estado de defesa, sempre alerta e desconfiado.

Não é feliz, tem apenas momentos fugazes de felicidade. Analisa todos os acontecimentos, as situações, as ações e reações dos outros, segundo sua visão de vida única e findável e assim, tudo fica muito grande, tudo adquire uma importância exagerada.

O médico não atendeu, prontamente, seu filho:” - Vou processá-lo.” A comida estava um tanto fria, xingamentos ou agressão silenciosa, saindo da mesa.

Geralmente são exigentes consigo e com os outros, não admitindo erros, enganos. Embora se considerem pessoas fortes, são frágeis nas adversidades, nas doenças, nas mortes de entes queridos... 

Como tudo muda com a aceitação consciente e racional da vida futura! Entende-se estar na Terra apenas por determinado tempo, procura-se perceber as coisas boas, belas e úteis que nela existem, que fazem bem, a si próprio e a todos. As contrariedades e as dificuldades são todas passageiras, devendo ser solucionadas ou aceitas, dando-lhes a importância que têm, valorizando sempre e mais as boas e úteis.

Vive-se na Terra por tão pouco tempo! A vida terrena passa tão depressa que não vale a pena perder tempo com coisas que exigem apenas entendimento para solucioná-las.

Precisa-se apenas do necessário para a sobrevivência, para o conforto, para o laser... Precisa-se muito da convivência com os outros, do prazer de amar e ser amado, do trabalho em conjunto, da amizade, da tolerância e da paciência alheia e quem exagera a importância das coisas materiais, não tem tempo para perceber e satisfazer as necessidades espirituais suas e dos outros. 

Com a vida futura, a morte desaparece, perde-se por algum tempo a presença material do ser amado, mas a vida continuando, sempre haverá o reencontro amoroso e feliz!

Os problemas, as dificuldades, os equívocos são vistos como conseqüências naturais do processo evolutivo de um mundo também em evolução, devendo, portanto, ser analisados e resolvidos sem criar novos e mais sérios problemas. São vistos e percebidos nas suas reais dimensões, sem exageros de importância, o que propicia condições de serem resolvidos com soluções adequadas e definitivas.
Há, pois, duas maneiras de se analisar o viver na terra, dois pontos de vista iniciais: o material e o espiritual e da escolha de um deles, depende a nossa paz interior.

Partindo-se do primeiro, a análise será sob a visão de algo muito pobre e pequeno, baseado na percepção de um mundo difícil, caótico, violento, injusto, desigual, no qual se nasce sem pedir e sem querer, sonha-se, luta-se para sobreviver, para conseguir determinadas coisas consideradas importantes para a felicidade, casa-se, têm-se filhos, aprende-se muito, envelhece-se e, se angustia sabendo que a morte vai chegar e tudo se findará.

Partindo-se do ponto de vista da vida futura, além da morte, tudo ganha um sentido diferente. Aqui estamos para desenvolver nosso potencial intelectual e moral, e devemos usar os recursos que a Terra nos oferece para sermos o mais feliz possível, respeitando também o direito dos demais de também serem felizes. Ainda mesmo quando não se tem certeza de como essa continuidade de vida se processa, ainda assim a vida na Terra demonstra ter um sentido, uma finalidade e, tudo passa a ter causas e efeitos, nada sendo aleatório. 

O aceitar-se a vida futura torna a pessoa mais responsável pelos seus atos, tanto em relação a si mesmo como em relação aos outros; estimula o homem a procurar viver melhor com seus semelhantes, a desempenhar suas funções de forma a contribuir para o bem estar de todos, pois percebe melhor a dependência que temos uns dos outros, para sentirmo-nos mais felizes. 


Leda de Almeida Rezende Ebner 
Setembro / 2002


Centro Espírita Batuira
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Ribeirão Preto (SP)