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quarta-feira, 25 de maio de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 9 #9 - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS

EVANGELHO ESSENCIAL 9
Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

9 - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS

Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra.
(S.MATEUS, cap. V, v. 4.)

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v.9.)

Sabes que foi dito aos antigos: Não matarás e quem quer que mate merecerá condenação pelo juízo. - Eu, porém, te digo que quem quer que se puser em cólera contra seu irmão merecerá ser condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão: Raca,

merecerá ser condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser:

És louco,

merecerá ser condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

Injúrias e Violências

Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma lei. Condena a violência, a cólera e até toda expressão descortês que alguém possa usar para com seus semelhantes.
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Por que uma simples palavra pode ser tão grave que mereça severa reprovação? É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade que deve estabelecer as relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na benevolência recíproca e na fraternidade que alimenta o ódio e a animosidade; é que, depois da humildade para com Deus, a caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão.
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Enquanto aguarda os bens do Céu, tem o homem necessidade dos da Terra para viver. Apenas o que Jesus lhe recomenda é que não dê aos bens da Terra mais importância do que aos do Céu.
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Até agora os bens da Terra são tomados pelos violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o necessário, ao passo que outros têm o supérfluo ou em excesso.
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Quando a lei de amor e de caridade for a lei da humanidade, não haverá mais egoísmo; o fraco e o pacífico não serão mais explorados, nem esmagados pelo forte e pelo violento. Tal a condição da Terra, quando, de acordo com a lei do progresso e a promessa de Jesus, se houver transformado em um mundo feliz, pelo afastamento dos maus.
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INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

A afabilidade e a doçura
Espírito Lázaro –Paris, 1861

O mundo está cheio de pessoas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno; que são doces, desde que nada as machuque, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, dourada quando falam pela frente, se transforma em dardo venenoso quando estão por detrás.
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A essa classe pertencem os homens benignos fora de casa, mas que são tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do seu orgulho e do autoritarismo, como para compensar o constrangimento que fora de casa se submetem. Não ousando agir autoritariamente com os estranhos, que os colocariam no seu lugar, querem pelo menos ser temidos pelos que não podem resistir-lhes.
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Não basta que os lábios falem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas , jamais se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse sabe que se, pelas aparências, consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.

A paciência
Um Espírito Amigo- Havre, 1862

Sejam pacientes. A paciência também é uma caridade e deves praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há muito mais difícil e muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos dos nossos sofrimentos e para nos submeterem à prova a paciência.
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A vida é difícil, mas se olharmos para os deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, haveremos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto do que quando se curva o rosto para a terra.
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Coragem! O Cristo é o modelo. Mais sofreu ele do que qualquer um de vocês e nada tinha de que ser acusado, enquanto que vocês tem de expiar o passado e de se fortalecer para o futuro. Sejam pacientes, sejam cristãos. Essa palavra resume tudo.

Obediência e resignação
Espírito Lázaro – Paris, 1863

A doutrina de Jesus ensina sempre a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas, embora os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade.
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A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porque carregam o fardo das provações que a revolta insensata não suporta.
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Cada época é marcada com a característica da virtude ou do vício que a tem de salvar ou perder. A virtude de sua geração é a atividade intelectual; seu vicio é a indiferença moral.
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A cólera
Um Espírito Protetor –Bordéus, 1863

O orgulho lhes leva a julgar-se mais do que são; a não aceitar uma comparação que lhes possa rebaixar; a se considerarem tão acima dos seus irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo lhes irrita e aborrece. E o que acontece então? - Entregam-se à cólera.
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Procurem a origem desses acessos de loucura passageira que lhes igualam aos brutos, fazendo perder o sangue-frio e a razão; procurem e quase sempre encontrarão como base o orgulho ferido.
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Até mesmo a impaciência, causadas pelas contrariedades muitas vezes infantis, decorre da importância atribuída á sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem curvar-se.
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Em seu entusiasmo delirante, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque não lhe obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue frio, ou teria medo de si próprio, ou se reconheceria ridículo! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros.
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Se pensasse que a cólera nada resolve, que lhe altera a saúde e compromete sua própria vida, reconheceria ser ele mesmo a sua primeira vítima.
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A cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar a fazer-se muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se por dominá-la.
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Espírito Hahnemann – Paris, 1863

Segundo a ideia muito falsa de que não é possível alterar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de fazer esforços para se corrigir dos defeitos em que se alegra voluntariamente, ou que exigiriam muita perseverança para serem eliminados.
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É assim que o indivíduo inclinado a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se considerar culpado, atribui a falta ao seu temperamento, acusando a Deus pelos seus próprios defeitos.
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O corpo não dá impulsos de cólera àquele que não os tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são próprios da natureza do Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade?
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o homem só permanece vicioso porque quer permanecer vicioso; mas aquele que deseja corrigir-se sempre o pode fazer.

COMENTÁRIO

BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS

Se estudarmos a vida de Jó iremos nos convencer da misericórdia e complacência de Deus. Jesus, nos convida a sermos brandos e pacíficos, pois que possuiremos a Terra. A afabilidade, a doçura, a paciência, a obediência e a resignação são as virtudes que nos cabe cultivar. Evidente que nos é difícil praticar tais virtudes quanto mais cultivá-las em definitivo. Mas é o que nós exigimos dos nossos irmãos de jornada para conosco e infeliz daquele que não se dispuser a nos oferecer tal tratamento. É comum, em nosso meio, alguns irmãos se dirigirem ao próximo e mesmo ao seu mais próximo, seus familiares, dizendo: você é indelicado, mal-educado, eu irei falar com seu superior, ou familiar mais influente e pedir mais respeito ,se não somos atendidos como queremos. Jesus, amor por excelência, deu-nos o exemplo prático de como deveríamos tratar nosso semelhante para alcançarmos o tratamento que gostaríamos para nós. Vemos no capítulo em estudo que Jesus nos dá a regra direitinho. Será possuidor da Terra aquele que for brando e pacífico, ou seja, será morador da Terra, pois com suas virtudes irá merecer o respeito e a deferência aos homens de bem na Terra. Não essa posse obsessiva de poder, de ter, mas aquela em que compartilhamos dos benefícios de seu produto, da fraternidade ao nosso próximo mais necessitado, e da observância da amorosidade para com aqueles menos favorecidos. E mesmo pela inobservância daquele para com sua posição, deixar o nosso orgulho de lado e sermos complacentes, assim como Deus é para conosco, dando-nos a oportunidade de sermos exemplos àqueles que sofrem, e termos mais brandura e paciência, pois se somos mais aquinhoados é porque quis Deus fossemos seus contemplados para espalhar da sua Misericórdia e complacência entre aqueles que ainda não aprenderam a observar-Lhe isto. Somos responsáveis pela riqueza que nos foi dada para sermos desprendidos, e compartilharmos entre os que necessitam, não de forma protecionista e gerando dependências, mas da forma como Deus ensinou a Jó, dando oportunidades de trabalho e remissão compreensiva de tudo que Ele nos dispõe. Devemos respeito a todos indistintamente, pois estamos de passagem pela Terra em oportunidade disposta a nós para evoluirmos e prestarmos testemunho da nossa compreensão e tolerância amorosa efetiva. Diz Jesus em suma, a ninguém é lícito julgar o próximo, ou fazer prevalecer seu conhecimento, e nem mesmo seus títulos, pois no mundo Espiritual não nos é dado ostentar nenhum destes. E mesmo o menor dos servidores aqui na Terra, poderá ser um espírito muito mais culto e evoluído do que nós em razão da nossa limitada capacidade de medir aqui. Lembremo-nos que somos todos irmãos em Deus, pois fomos criados por Ele para juntos conquistarmos os conhecimentos e evolução moral que nos capacite galgar um novo degrau na escala evolutiva, rumo à perfeição.