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sexta-feira, 15 de julho de 2016

*EVANGELHO ESSENCIAL 16/1*

Eulaide Lins

Luiz Scalzitti

*16 - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON*

Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o outro. Não podes servir simultaneamente a Deus e a Mamon. (S. LUCAS, cap. XVI, v. 13.)

Então, aproximou-se dele um jovem e disse: Bom mestre, que bem devo fazer para alcançar a vida eterna? - Respondeu Jesus: Por que me chamas bom? Bom, só Deus o é. Se queres entrar na vida, guarde os mandamentos. - Que mandamentos? Perguntou-lhe o jovem. Disse Jesus: Não matarás; não cometerás adultério; não furtarás; não darás testemunho falso. - Honra a teu pai e a tua mãe e ama a teu próximo como a ti mesmo. O moço lhe respondeu:

Tenho guardado todos esses mandamentos desde que cheguei à mocidade. Que é o que ainda me falta? -Disse Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dê aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me. Ouvindo essas palavras, o moço se foi todo tristonho, porque possuía muitos bens. – Jesus disse então a seus discípulos: Digo-lhes que é muito difícil um rico entrar no reino dos céus. - Ainda uma vez lhes digo: É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus (1). (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 16 a 24. - S. LUCAS, cap. XVIII, vv. 18 a 25. - S. MARCOS, cap. X, vv. 17 a 25.)

*Parábola dos talentos*

O Senhor age como um homem que, tendo de fazer longa viagem fora do seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens.

- Depois de dar cinco talentos a um, dois a outro e um a outro, a cada um segundo a sua capacidade, partiu imediatamente. - Então, o que recebeu cinco talentos foi-se, negociou com aquele dinheiro e ganhou cinco outros. - O que recebera dois ganhou, do mesmo modo, outros tantos. Mas o que recebera um cavou um buraco na terra e aí escondeu o dinheiro de seu amo. - Passado longo tempo, o amo daqueles servidores voltou e os chamou para prestar contas.

- Veio o que recebera cinco talentos e lhe apresentou outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos, aqui estão, além desses, mais cinco que ganhei. –Respondeu o amo: Servidor bom e fiel, pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. - O que recebera dois talentos apresentou-se a seu turno e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão, além desses, dois outros que ganhei. - O amo lhe respondeu: Bom e fiel servidor; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. - Veio em seguida o que recebeu apenas um talento e disse:

Senhor, sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e colhes de onde nada puseste; - por isso, como te temia, escondi o teu talento na terra; aqui o tens: restituo o que te pertence. – O homem, porém, lhe respondeu: Servidor mau e preguiçoso; se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus, devias pôr o meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, regressando, eu retirasse com juros o que me pertence. -Tirem- lhe o talento que está com ele e deem-no ao que tem dez talentos; - porque, dar-se-á a todos os que já têm e esses ficarão cumulados de bens; quanto àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á mesmo o que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 14 a 30.)

*Utilidade providencial da riqueza.*

*Provas da riqueza e da miséria*

Se a riqueza constituísse obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia concluir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito. Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, ideia contrária à razão. Pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria.
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A riqueza é o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão.
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Mas, se a riqueza torna difícil a jornada, não a torna impossível e não impede de ser um meio de salvação para o que sabe usá-la , como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados com esta finalidade e discernimento.
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Quando Jesus disse ao moço que o perguntava sobre os meios de atingir a vida eterna: "Desfaze-te de todos os teus bens e segue-me" não pretendeu estabelecer como princípio absoluto que cada um deva desfazer-se do que possui e que a salvação só a esse preço se consegue; mas, apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele moço considerava cumpridas suas obrigações porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à ideia de abandonar os bens de que era dono. Seu desejo de obter a vida eterna não ia até ao extremo de adquiri-la com sacrifício. O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a esclarecer o fundo do seu pensamento. Ele podia ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar a seu pai e a sua mãe.

Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até à renúncia em favor do próximo. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: "Fora da caridade não há salvação".
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Se a riqueza é causa de muitos males, se acentua tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos culpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna nocivo o que lhe poderia ser de maior utilidade. É a consequência do estado de inferioridade do mundo terrestre. Se a riqueza somente males produzisse, Deus não a colocaria na Terra.

Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é uma causa direta de progresso moral, é poderoso elemento de progresso intelectual.
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O homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta.

Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, necessário se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, necessário sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações.

Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de retirar os materiais até do interior da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para fazê-lo, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não haveria mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas.
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*Desigualdade das riquezas*

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procuram resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e trabalhadores para adquirir, nem sérios e previdentes para conservar.
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A riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; supondo-se efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria a destruição de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o impulso que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
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Pergunta-se: por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos? Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis Ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do bem resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais.

A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, por isso incessantemente a desloca.
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Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez.
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Assim, um que não a tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não a tenha amanhã.
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Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um determina trabalhar por sua vez.
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A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.
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É exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece o pobre de motivo para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis luxuosas que se remediará o mal. As leis podem, momentaneamente, mudar o exterior, mas não conseguem mudar o coração;
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A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
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*segue*