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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

*OS ESPÍRITOS PROTETORES CASCÕES ASTRAIS*

Os teosofistas e os rosacruzes, como outras correntes espiritualistas, condenam a prática espírita da mediunidade. São vários os argumentos em que se baseiam, para negarem a consoladora possibilidade de nosso intercâmbio mediúnico com os amigos invisíveis. Entre eles, causa sempre maior impressão a teoria dos cascões astrais, formulada por esse grande e admirável espírito que foi a Sra. Helena Petrovna Blavatsky, fundadora, juntamente com o coronel Olcett da Sociedade Teosófica Mundial, e codificadora da Teosófica.

Segundo essa teoria, as comunicações mediúnicas são geralmente dadas por cascões astrais, ou seja, pelos “cadáveres espirituais” dos mortos, e não pelos seus espíritos. Depois da morte física, a criatura humana sofreria a morte astral, abandonando o seu perespírito, que constitui o cascão astral. Este continuaria de posse de uma vida fictícia, e se aproximaria dos médiuns para vampirizá-los. As vezes, os chamados “espíritos da natureza” ,que são duendes ou silfos e não espíritos humanos, se aproveitariam de cascões desvitalizados, para imitarem os mortos nas comunicações. A Sra. Blavatsky afirmava ter presenciado, nas sessões espíritas por ela assistidas nos Estados Unidos, as cenas terríveis da sucção dos médiuns e dos freqüentadores das sessões, por essas formas vampíricas.

Temos aqui uma versão teosófica das teorias demoníacas da Igreja. Os demônios
são substituídos pelos cascões, e as comunicações mediúnicas ficam assim transformadas, de meios de auxilio e consolação, em instrumentos de ameaça e perigo para as criaturas humanas. Se a Sra. Blavatsky tivesse razão, a misericórdia de Deus nos teria abandonado.

Seriamos os filhos enjeitados da Providência. Mas, jamais conseguiu ela, nem o conseguiram os seus sucessores, nem os seus mais fervorosos adeptos, a confirmação dessa falsa teoria. E embora ainda se continue a afirmar, nos meios teosóficos, rosacruzes e outros, que a mediunidade é o supremo perigo dos caminhos espirituais, a verdade é que grandes teosofistas se opuseram a essa teoria dos cascões.

A Sra. Blavatsky era um espírito missionário, mas nem por isso estava livre de errar.

É o que nos demonstra, por exemplo, o Sr. Sinnet, autor de livros famosos, como “O Budismo Esotérico” e “ O Mundo Oculto” . Esse autor, uma das figuras exponenciais da Teosofia, escreveu todo um livro para defender a Sra. Blavatsky das críticas contra ela formuladas pela Comissão de Inquérito da Sociedade de Investigações Psíquicas. Nesse mesmo livro de defesa da grande médium teosófica, explica o Sr. Sinnet, com admirável sinceridade:

“O grande movimento espírita foi promovido pela Alta Sabedoria para iluminar o mundo civilizado e deter a corrente do pensamento materialista que predominava em meados do século dezenove. A finalidade do movimento espírita foi simplesmente demonstrar que existe para os seres humanos outra vida após a morte do corpo físico. Aos mortos que viviam no plano astral foram proporcionados os meios de darem a conhecer, aos encarnados, a continuidade de sua existência. Grande número de entidades astrais, provenientes das mais ignóbeis esferas da humanidade, aproveitaram a ocasião, e muitas delas interferiram nos fenômenos investigados pela Sra. Blavatsky, confirmando o conceito, que ela formara, das características da vida no plano astral. Não obstante, grande número de espiritistas sabiam perfeitamente bem que se comunicavam com freqüência com os seus parentes e amigos mortos, que ainda conservavam a sua personalidade terrena.

Aconteceu, assim, por desgraça, que a arrasadora condenação lançada pela Sra. Blavatsky contra o Espiritismo em geral, qualificando-o de ilusório e malsão, afastou grande número de pessoas que deviam simpatizar-se fervorosamente com o movimento teosófico que nos pôs em contato com os mistérios do ocultismo transcendental. Todos quantos, posteriormente, estudaram o ocultismo, sabem atualmente que o plano astral desempenha, na vida de além-túmulo, uma parte muitíssimo mais importante do que a equivocada teoria dos “cascões” nos fez supor inicialmente”.

Antes desse trecho, o Sr. Sinnet lembra que, depois da formulação da teoria dos
cascões, ele e a Sra. Blavatsky participaram “ de ensinamentos mais amplos, referentes à vida no plano astral”. Esses ensinos, afirma, tornaram mais inteligíveis os fenômenos espíritas. Acrescenta que, depois disso, a Sra. Blavatsky não deve ter voltado a falar da sua teoria dos cascões. Como se vê, a sinceridade teosófica do Sr. Sinnet, há muito tempo devia ter posto uma pedra sobre o cadáver dessa falsa teoria dos cascões astrais.

Por outro lado, a Sra. Annie Besant, a admirável sucessora da Sra. Blavatsky na direção do movimento teosófico, admite, em seu livro “A Sabedoria Antiga”, que, há caso de uma casa assombrada, se uma pessoa de coragem enfrentar e esclarecer o Espírito que lá se encontra, o problema estará resolvido. Dessa maneira, Besant admite a doutrinação dos Espíritos, tão malsinada pela teoria dos cascões. Vemos, portanto, que do próprio meio teosófico, em que se levantou a mais séria acusação às práticas mediúnicas, que nos põem em contato com os amigos invisíveis, surgem as contestações a essa acusação. A verdade, simples e pura como um copo d’água colhida na fonte, é que os amigos invisíveis nos cercam carinhosamente e nos falam através da mediunidade.

 Irmão Saulo

 Especial para a revista E.V.