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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Livro em Estudo: Entre a Terra e o Céu - Tema: No Lar da Benção - Referência: Capítulo 9

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo - CVDEE
www.cvdee.org.br
Sala Virtual de Estudos Nosso Lar
Estudo das obras de André Luiz

Livro em Estudo: Entre a Terra e o Céu
Tema: No Lar da Benção
Referência: Capítulo 9

Trechos do capítulo

"Clarêncio movimentou a destra, indicando-nos o quadro sublime a desdobrar-se sob a nossa vista.
Doce melodia que enorme conjunto de meninos acompanhava, cantando um hino delicado de exaltação do amor materno, vibrava no ar.
Aqui e ali, sob tufos de vegetação verde-clara, muitas senhoras sustentavam lindas crianças nos braços.

(...)

- O pequeno Júlio não se encontra no grupo. Ainda sofre anormalidades que lhe não permitem o convívio com as crianças felizes. Acha-se no lar da irmã Blandina. Rumemos para lá.

(...)

E, encaminhando-nos a iluminada peça, ornamentada de róseos enfeites, onde um menino repousava num leito muito branco, explicou, sem afetação:
- Nosso Júlio, até hoje, ainda não se refez completamente. Ainda grita sob pesadelos inquietantes, como se estivesse a sofrer sob as águas. Chama pelo pai constantemente, apesar de parecer mais receptivo ao nosso carinho. Insiste pela volta à casa todos os dias.

(...)

O menino lançou-nos um olhar de atormentada desconfiança, mas, contido pela ternura da irmã que o assistia, permaneceu mudo e impassível.
- Ainda não se mostrou em condições de partilhar os estudos com os outros? - perguntou o ministro, interessado.
- Não - informou a interpelada, solícita -, aliás, os nossos benfeitores Augusto e Cornélio, que nos amparam frequentemente, são de parecer que ele não conseguirá adquirir aqui qualquer melhora real, antes da reencarnação que o aguarda. Traz a mente desorganizada por longa indisciplina...
Bem humorada, acrescentou:
- É um paciente difícil. Felizmente, dispomos da cooperação de nossa devotada Mariana, que o adotou por filho espiritual, até que retorne ao lar terrestre. Foi preciso segregá-lo neste quarto, tamanha é a gritaria que se entrega por vezes.
- Mas não tem recebido o tratamento magnético aconselhável? - indagou Clarêncio, atencioso.
- Diariamente, recebe o auxílio necessário - esclareceu Blandina, com humildade -, eu mesma sou a enfermeira. Passes e remédios não faltam.
- E a irmã conhece o caso em suas particularidades?
- Sim, conheço. Eulália tem vindo até nós. Lastimo que a mãezinha de nosso doente não esteja em condições de ampará-lo. Creio que o concurso dela poderia insuflar-lhe novas forças. Entretanto, com exceção da irmãzinha que se lembra dele nas orações, ninguém mais da família o ajuda.

(...)
Quando tornou à sala, Clarêncio informou que doara ao enfermo energias anestesiantes. Notara-o fatigado, resolvendo, por isso, induzí-lo ao descanso.
E, talvez porque nos percebesse o cérebro esfogueado de indagações, quanto àquela minúscula garganta ferida, depois da morte do corpo, o Ministro explicou:
- É pena, Júlio envolveu-se em compromissos graves. Desentendendo-se com alguns laços afetivos do caminho, no século passado, confiou-se à extrema revolta, aniquilando o veículo físico que lhe fora emprestado por valiosa benção. Rendendo-se à paixão, sorveu grande quantidade de corrosivo. Salvo, a tempo, sobreviveu à intoxicação, mas perdeu a voz, em razão das úlceras que se lhe abriram na fenda glótica. Ainda aí, não se conformando com o auxílio dos colegas que o puseram fora de perigo, alimentou a idéia de suicídio, sem recuar. Foi assim que, não obstante enfermo, burlou a vigilância dos companheiros que o guardavam e arrojou-se a funda corrente de um rio, nela encontrando o afogamento que o separou do envoltório carnal. Na vida espiritual, sofreu muito, carregando consigo as moléstias que ele mesmo inflingira à própria garganta e os pesadelos da asfixia, até que reencarnou, junto das almas com as quais se mantém associado para a regeneração do pretérito. Infelizmente, porém, encontra dificuldades naturais para recuperar-se. Lutará muito, antes de incorporar-se a novo patrimônio físico.
Registrávamos aqueles apontamentos com dolorosa admiração. Uma criança doente é sempre um espetáculo comovedor.

(...)

- Há poucos instantes, comentávamos a sublimidade da Lei. Ninguém pode trair-lhe os princípios. A Bondade Divina nos assiste, de múltiplas maneiras, amparando-nos o reajustamento, mas em todos os lugares viveremos jungidos às consequências dos próprios atos, de vez que somos herdeiros de nossas próprias obras.
O assunto constituía preciosa sugestão para interessantes estudos, mas, antes de enunciar qualquer pergunta, busquei aspirar, a longos haustos, as baforadas frescas do vento, que carreavam para o recinto vagas sucessivas de agradável perfume."

Questões para estudo e diálogo virtual

1 - Existe uma crença em geral de que crianças no mundo espiritual são todas felizes e sem dificuldades. Segundo o relato de André Luiz com referência ao pequeno Júlio, percebemos que não é assim em todos os casos. Procuremos, então, responder:

a) O que leva crianças, tidas como "simples e inocentes", a terem sua cota de sofrimentos no Mundo Espiritual?

b) O fato de as crianças terem sua cota de sofrimentos no Mundo Espiritual, as coloca na condição de desamparadas do Benfeitores?

2 - Clarêncio e Blandina fazem referência à Assistência Magnética, ou Passes, para auxiliar o pequeno Júlio. Quais são os benefícios que a terapêutica dos passes pode proporcionar ao indivíduo, seja ele encarnado ou desencarnado?

3 - O único auxílio proveniente da família carnal de Júlio eram as orações de sua irmã Eulália, pois o restante de seus familiares não conseguia manter um equilíbrio emocional, seja consigo próprios, seja com relação ao menino.

a) Quais os benefícios que as orações, as boas vibrações dos familiares exercem sobre os desencarnados?

b) Porque esse auxílio provindo dos familiares seria particularmente benéfico ao menino Júlio, por exemplo, uma vez que ele já estava tendo auxílio de Benfeitores amorosos? Ou seja, qual a diferença entre Blandina vibrar amor para ele, e sua mãe desencarnada conseguir fazer o mesmo?
c) Quais as consequências que podem provir da falta de orações, de boas vibrações, bem como a presença do desespero, da raiva e da revolta, sobre os desencarnados?

4 - Quando se pensa em reencarnação, existe um tendência à acreditar que reencarnamos para "pagar os débitos", e que o simples fato de reencarnar e sofrer estaria habilitando o indivíduo a se ver livre de seus compromissos. Vemos, pelo ocorrido com Júlio, que o processo não é tão mecânico assim. Explique como você entende essa questão de resgate e reajuste.

Conclusão:

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

Como escreve André Luiz ao final do presente capítulo, o assunto constitui preciosa sugestão para  interessantes estudos. Vamos então, estudar respondendo às questões abaixo?:

1 - Existe uma crença em geral de que crianças no mundo espiritual são todas felizes e sem dificuldades. Segundo o relato de André Luiz com referência  ao  pequeno  Júlio,  percebemos  que  não  é  assim  em  todos  os  casos.
Procuremos, então, responder:

a) O que leva crianças, tidas como "simples e inocentes", a terem sua cota de sofrimentos no Mundo Espiritual?

As crianças de hoje, na Terra, como sabemos, são espíritos que já reencarnaram inúmeras vezes. A trajetória de um espírito que desencarna em tenra idade pode ser tão ou mais longa que a de um espírito que deixa  o  mundo corporal em idade já avançada. As crianças não são simples e inocentes, como comumente se diz. Apenas, estão com as tendências que trazem do passado em estado latente, para que possam ser reeducadas  pelos  pais.  Em geral, a se considerar as características dos espíritos que compõem a humanidade terrena, são espíritos maduros, que já estão em processo de evolução há muitos milênios. Como todos, trazem em sua bagagem espiritual acertos e erros, vícios e virtudes, defeitos e perfeições.

Os que desencarnam em idade infantil e passam por sofrimentos no mundo  espiritual  são  espíritos  que  carregam consigo, gravadas no seu psiquismo e no corpo perispiritual, as conseqüências de atos e pensamentos contrários  à Lei Natural, praticados em experiências pretéritas  e  dos  quais  ainda  não  conseguiram  se  liberar.  Júlio, o menor protagonista da história narrada no presente capítulo é um exemplo. Trazia ainda vivas as sensações provocadas pelo suicídio que praticara em sua encarnação anterior. Por isso, ainda não conseguira se  reequilibrar  e  sofria,  embora amparado na colônia educativa visitada pelos benfeitores, onde se encontrava em tratamento.

 b) O fato de as crianças terem sua cota de sofrimentos no Mundo Espiritual  as coloca na condição de desamparadas
dos Benfeitores?

Ninguém desencarna sozinho. Na hora da partida, todos encontram alguém aguardando. A qualidade dessa companhia depende da sintonia espiritual do desencarnado. Os que viveram bem, aqui entendido como viver de conformidade com a Lei Natural, serão acompanhados por bons espíritos, benfeitores que integram equipes  de  socorro  e  amparo  aos recém-desencarnados; os que viveram contrariamente à Lei, prejudicando seus semelhantes ou se dedicando à prática de algum tipo de vício, serão acompanhados por espíritos de pouca evolução, que se dedicam às mesmas  práticas  e que o levarão para as zonas onde habitam.

As crianças, como não tiveram tempo suficiente para, nessa encarnação, praticarem o bem  ou  o  mal,  são  sempre amparadas pelos benfeitores espirituais, que a conduzem a instituições dedicadas ao seu tratamento, até que estejam em condições de novamente retornarem às lides do corpo físico.

2 - Clarêncio e Blandina fazem referência à Assistência Magnética, ou Passes, para  auxiliar  o  pequeno  Júlio.  Quais são os benefícios que a terapêutica dos passes pode proporcionar ao indivíduo, seja ele encarnado ou desencarnado?

Podemos citar, dentre os benefícios que o passe pode proporcionar e que conhecemos, a renovação da quota de fluido vital do paciente, podendo, em muitos casos, até mesmo prolongar a vida do corpo físico (passes  de  cura); através  do magnetismo, substitui células envenenadas por outras, sãs; limpa o organismo da ação deletéria causada por maus  atos e pensamentos ou mesmo pela alimentação inadequada;  atua  no  perispírito,  neutralizando  a  ação  de  fluidos negativos; fortalece o espírito na fé, renovando-lhe as forças  para  prosseguir  na  caminhada  evolutiva,  dentre  outros benefícios.

O passe é uma transfusão de energia, efetivada através da magnetização. No plano material, em que nos encontramos, não conhecemos todos os efeitos e tipos de passe. Muitos deles, apenas pelo plano espiritual são conhecidos e podem ser aplicados. A nós, encarnados, cabe-nos servir como intermediários entre os dois planos, pois determinados tipos de passe requerem energias emanadas do corpo físico. Aos espíritos magnetizadores cabe definir o tipo de passe adequado às necessidades do paciente. No caso de Júlio,  o  instrutor  Clarêncio  esclareceu  que  fez  aplicação  de  passe  que propiciou ao enfermo uma transfusão de energia anestesiante, aliviando a dor que o menor sentia.

3 - O único auxílio proveniente da família carnal de Júlio eram as orações de sua irmã Eulália, pois o restante de seus familiares não conseguia manter um equilíbrio emocional, seja consigo próprios, seja com relação ao menino.

a) Quais os benefícios que as orações, as boas vibrações dos familiares exercem sobre os desencarnados?

Na questão 664 do Livro dos Espíritos, os Espíritos responderam a Kardec que "a prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de Deus, mas a alma por quem se ora experimenta alívio" e "sente sempre um refrigério", toda vez que alguém manifesta compadecimento por suas dores, através da prece. Assim, as orações e as  boas  vibrações  dos parentes e amigos são sempre recebidas pelos desencarnados, reconfortando-os  e  renovando-lhes  as  forças  para prosseguirem suas jornadas.
  
b) Por que esse auxílio provindo dos familiares seria particularmente benéfico ao menino Júlio, por exemplo,  uma  vez que ele já estava tendo auxílio de Benfeitores amorosos? Ou seja, qual a diferença entre Blandina vibrar amor para ele e sua mãe desencarnada conseguir fazer o mesmo?

O verdadeiro amor, que é o amor espiritual, independe de laços consangüíneos. Jesus exemplificou isso ao dizer aos que anunciaram que sua mãe e seus irmãos lhe procuravam: "Quem é minha mãe? e quem  são  meus  irmãos?  E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.  Pois  qualquer  que  fizer  a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe."

 No entanto, ainda estamos muito longe de atingirmos esse nível. Com Júlio não era diferente.  Ainda se encontrava estreitamente ligado à existência física, sofrendo inquietações devido às sensações que os atos praticados na Terra ainda lhe causavam. Dessa maneira, não tinha a percepção do verdadeiro amor. Não lhe bastavam as  vibrações  de amor que Blandina lhe dedicava. Ainda carecia da afetividade materna para renovar-lhe as forças. Sua mãe, entretanto, não tinha condições de lhe proporcionar esse benefício, pois se encontrava sob forte assédio obsessivo.
  
c) Quais as conseqüências que podem provir da falta de orações, de  boas  vibrações,  bem  como  a  presença  do desespero, da raiva e da revolta, sobre os desencarnados?

O desencarnado que cultiva esses sentimentos, que não tem o hábito da prece e que vibra pensamentos contrários às Leis de Deus não consegue se reequilibrar. Vibra numa faixa de baixa elevação e fica sujeito às influências de espíritos pouco evoluídos, que persistem na prática do mal, com quem se sintoniza.

 4 - Quando se pensa em reencarnação, existe uma tendência a acreditar que reencarnamos para "pagar os débitos", e que o simples fato de reencarnar e sofrer estaria habilitando o indivíduo a se ver livre de seus compromissos.  Vemos, pelo ocorrido com Júlio, que o processo não é tão mecânico assim. Explique como você entende  essa  questão  de resgate e reajuste.

O objetivo da reencarnação é conduzir o espírito à perfeição possível. Os processos  de  resgate  e  reajuste,  que  o Espiritismo denomina expiação, são métodos pedagógicos instituídos por Deus para a reeducação do espírito. Para que alcance essa perfeição, os espíritos "têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal", ensinam os Espíritos
Codificadores. Criados simples e ignorantes mas dotados de livre-arbítrio, cabe ao espírito escolher o caminho pelo qual chegará ao objetivo final. Seus atos e pensamentos é que vão definir esse caminho, decidindo se irão se adiantar em sua evolução ou se ficarão estacionados. Quando atenta contra a Leis Naturais,  o  espírito  interrompe  sua  marcha progressista. Para retomá-la é que Deus instituiu os mecanismos  expiatórios  de  resgate,  acionados  infalivelmente pela lei de causa e efeito. O Espiritismo não dá a esse resgate a conotação de pagamento. Como frisamos, trata-se de instrumento pedagógico criado por Deus visando reeducar o espírito e recolocá-lo no caminho que o levará até o seu reino.

 Muita paz a todos.

Sala Nosso Lar

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