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quinta-feira, 17 de março de 2016

ESTUDO 49 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XI - SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA Itens 139 a 145

O LIVRO DOS MÉDIUNS

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)
por

ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO XI

SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA

Estudo 49 - Itens 139 a 145

A sematologia ou linguagem dos sinais e a tiptologia que é a linguagem das pancadas foram os meios de comunicações utilizados pelos Espíritos para fazerem as primeiras manifestações inteligentes. Utilizava-se, então, mesinha redonda, com um eixo central como pé, de cuja extremidade saiam três pés recurvos. Era um meio primitivo e oferecia recursos muito limitados, sendo que as comunicações obtidas por esse meio se reduziam às respostas monossilábicas por sim ou não, através de um número convencionado de golpes. Os golpes eram produzidos duas maneiras, por médiuns com aptidão para manifestações físicas.
A primeira chamada tiptologia basculante, consistia no movimento da mesa que se elevava de um lado e cai batendo um pé. Para isso era necessário que o médium pousasse as mãos na borda da mesa e, caso quisesse conversar com determinado Espírito, era necessário fazer a evocação. Caso contrário manifestava-se o que chegasse primeiro ou que estivesse habituado a fazê-lo. Convencionava-se, por exemplo, um golpe para o sim e dois para o não. 
Notava-se quando empregado esse meio que o Espírito comunicante usava também de uma espécie de mímica, isto é, exprimia a energia da afirmação ou da negação pela força das pancadas. Também exprimia a natureza dos sentimentos que o animavam: a violência, por movimentos bruscos; a cólera e a impaciência, batendo repetidamente fortes pancadas, como uma pessoa que bate arrebatadamente com os pés, chegando às vezes a atirar ao chão a mesa. Se era amável e delicado, inclinava, no começo e no fim da sessão, a mesa, à guisa de saudação. Se queria dirigir-se diretamente a um dos assistentes, para ele encaminhava a mesa com brandura, ou violência, conforme desejava testemunhar-lhe afeição ou antipatia.
Relata Allan Kardec um exemplo ocorrido em sua sala de visitas, onde muitas pessoas se ocupavam com as manifestações, e um senhor do seu conhecimento recebeu uma carta sua. Enquanto a lia, a mesa que servia para as experiências veio repentinamente colocar-se-lhe ao lado. Concluída a leitura da carta, ele a foi colocar sobre uma outra mesa, do lado oposto da sala. Aquela mesa o acompanhou e se dirigiu para onde estava a carta. Surpreendido com essa coincidência, calculou o destinatário da carta que entre esta e aquele movimento havia alguma relação e interrogou a respeito o Espírito, que respondeu ser um Espírito familiar do Codificador. Informado do ocorrido, perguntou Allan Kardec a esse Espírito qual o motivo da visita que fizera àquele senhor. A resposta foi: "É natural que eu visite as pessoas com que te achas em relações, a fim de poder, se for preciso, dar-te, assim como a elas, os avisos necessários". Afirma Allan Kardec que era, pois, evidente que o Espírito quisera chamar a atenção da pessoa referida e procurava uma ocasião de cientificá-la de que estava lá. 
A tiptologia aperfeiçoou-se, transformando-se na tiptologia alfabética, que consistia em fazer indicar as letras por meio de pancadas, cuja quantidade correspondia a uma determinada letra, ou seja: uma pancada para a, duas para b e assim por diante, enquanto alguém registrava as letras indicadas. Esse procedimento era muito demorado e levou ao emprego de um alfabeto e uma série de números que eram apontados enquanto o médium movimentava a mesa sob a ação do Espírito comunicante.
Outra forma de se produzir as pancadas era através da tiptologia interna, isto é, através de golpes dados no interior da madeira da mesa, sem qualquer movimento exterior, conforme vimos no estudo de Junho/03: itens 60 a 64 - Cap. II Manifestações Físicas e Mesas Girantes.
Afirma Allan Kardec que apesar de todos os aperfeiçoamentos introduzidos nesses sistemas, eles jamais poderiam atingir a rapidez e a facilidade da escrita, pelo que se deixou de usá-los. Torna-se interessante aos novatos interessados pelos aspectos fenomênicos, mas relembra que os Espíritos não gostam de submeter-se ao capricho de curiosos que desejam pô-los à prova com perguntas fora de propósito. 
Diz ainda o Codificador que, com o objetivo de garantir a independência ao pensamento do médium, imaginaram-se diversos instrumentos em forma de quadrantes, sobre os quais se traçam as letras, à maneira dos quadrantes do telégrafo elétrico.
Uma agulha móvel, que a influência do médium põe em movimento, mediante um fio condutor e uma polia, indica as letras. Esses instrumentos são conhecidos através de desenhos e descrições que foram publicados na América. Nada, pois, podemos dizer do valor deles; mas parece que a complicação é um inconveniente; que a independência do médium se comprova perfeitamente pelas pancadas interiores e, ainda melhor, pelo imprevisto das respostas, do que por todos os meios materiais. Por outro lado, os incrédulos, sempre dispostos a ver por toda parte artifícios e arranjos, desconfiarão muito mais de um mecanismo especial do que de uma mesinha desprovida de qualquer acessório.
É preciso desfazer-se um erro comum: o de confundirem-se com os Espíritos batedores todos os Espíritos que se comunicam por meio de pancadas. A tiptologia constitui um meio de comunicação como qualquer outro, e que não é, mais do que o da escrita, ou da palavra, indigno dos Espíritos elevados. Todos os Espíritos, bons e maus, podem servir-se dele, como dos diversos outros existentes. O que caracteriza os Espíritos superiores é a elevação das idéias e não o instrumento de que se utilizem para exprimi-las. Sem dúvida, eles preferem os meios mais cômodos e, sobretudo, mais rápidos; mas, em falta de lápis e papel, não terão escrúpulos em usar a vulgar mesa-falante e a prova é que, por esse meio, se obtém os mais sublimes ditados. Se dele não nos servimos, não é porque o consideremos desprezível, porém unicamente porque, como fenômeno, já nos ensinou tudo o que podíamos saber, nada mais lhe sendo possível acrescentar às nossas convicções, e porque a extensão das comunicações que recebemos exige uma rapidez com a qual é incompatível a tiptologia.
Assim, pois, nem todos os Espíritos que se manifestam por pancadas são batedores.
Este qualificativo deve ser reservado para os que poderíamos chamar batedores de profissão e que, por este meio, se divertem em pregar peças, para divertimentos de umas tantas pessoas, em aborrecer com as suas importunações. Pode-se esperar que algumas vezes ditos espirituosos; porém, coisas profundas, nunca. Seria, conseguintemente, perder tempo formular-lhes questões de certo porte científico, ou filosófico. A ignorância e a inferioridade que lhes são peculiares deram motivo a que, com justeza, os outros Espíritos os qualificassem de palhaços, ou saltimbancos do mundo espírita. Acrescentemos que, além de agirem quase sempre por conta própria, também, freqüentemente, são instrumentos de que lançam mão os Espíritos superiores, quando querem produzir efeitos materiais. 
Concluímos o estudo do capítulo XI transcrevendo nota do tradutor, o Prof. José Herculano Pires: "Muitos outros meios de comunicação foram inventados na Europa e na América, o que atesta a naturalidade e constância das relações entre os Espíritos e os Homens. Aparelhos complicados foram e continuam a ser inventados. Alguns cientistas e curiosos procuram descobrir meios mecânicos, elétricos, eletrônicos e outros de comunicação direta com os Espíritos. Mas, como Kardec acentua no capítulo acima, essas complicações têm utilidade relativa e aumentam a desconfiança dos céticos. Dispensar a mediunidade, excluir o intermediário humano é outra preocupação de pessoas interessadas no aspecto puramente científico do Espiritismo. Mas as comunicações dependem como a Doutrina esclarece, da inter-relação psíquica, de Espírito a Espírito, através dos elementos constitutivos do perispírito. As máquinas só podem servir como instrumentos acionados por médiuns. E a independência do Espírito comunicante se prova melhor através dos meios naturais de comunicação, como acentua Kardec. É o aperfeiçoamento do homem como médium, e não o aprimoramento dos processos ou a invenção de máquinas para comunicação, o que tornará cada vez mais evidente a existência e comunicabilidade dos Espíritos".
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.
Tereza Cristina D'Alessandro
Agosto / 2005
Centro Espírita Batuira

cebatuira@cebatuira.org.br