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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Entre a Terra e o Céu _06_Num lar cristão

Entre a Terra e o Céu _06_Num lar cristão

CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual de Estudos Nosso Lar
 Estudo das obras de André Luiz

 Livro em estudo: Entre a Terra e o Céu
Tema: Num lar cristão
Referência: Capítulo VI

R  E  S  U  M  O

Deixou-nos o Ministro numa casinha singela de remota região suburbana, depois de informar-nos:

- Aqui reside nossa irmã Antonina, com três filhos dos quatros filhos que o Senhor lhe confiou. Incapaz de vencer as tentações da própria natureza, o marido abandonou-a, há quatro anos, para comprometer-se em delituosas aventuras. A dona de casa, porém, não desanimou. Trabalha com diligência numa fábrica de tecidos e educa os rebentos do lar com acendrado amor ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus. Tem sabido resgatar com valor dívidas que trouxe do pretérito próximo. Perdeu, há meses, o pequeno Marcos, de oito anos, atacado de fulminante pneumonia, e com ele se encontrará, depois da prece que proferirá com os pequeninos.
.......

Hilário e eu penetramos a sala desataviada e estreita.

Uma senhora ainda jovem, mas extremamente abatida, achava-se de pé, junto de três lindas crianças,...

Dona Antonina colocou sobre a toalha muito alva dois copos com água pura, tomou um exemplar do Novo Testamento e sentou-se.

Logo após, falou carinhosamente:

- Se não me falha a memória, creio que a prece de hoje deve ser feita por Lisbela.

A pequena levou as minúsculas mãos ao rosto, apoiou graciosamente os cotovelos sobre a mesa e, cerrando os olhos recitou:

- Pai Nosso que estais no Céu,...
   
E dividindo agora a atenção com os dois meninos, entregou o Evangelho a um deles, convidando:

- Abra, Henrique. Vejamos a mensagem a mensagem cristã para os nossos estudos da noite.

O rapazinho escolheu o texto, ao acaso, restituindo o livro às mãos maternais.

A genitora, emocionada, leu os versículos vinte e um e vinte e dois do capitulo dezoito das anotações do apóstolo Mateus:

- "Então Pedro, aproximando-se dele, disse:

- Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim e eu lhe perdoarei? Até sete? 

Jesus lhe disse: - Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete."
...

O pequeno Henrique, iniciando a conversação, perguntou, com simplicidade:

- Mãezinha, porque Jesus recomendava um perdão, assim tão grande?

Demonstrando vasto treinamento evangélico, a senhora replicou:

- Somos levados a crer, meus filhos, que o Divino Mestre, em que ensinando a desculpar todas as faltas do próximo, inclinava-nos ao melhor processo de viver em paz. Quem não sabe desvencilhar-se dos dissabores da vida, não pode separar-se do mal. Uma pessoa que esteja parada em lembranças desagradáveis caminha sempre com a irritação permanente.
...

Uma pessoa que não sabe desculpar vive comumente isolada. Ninguém estima a companhia daqueles que somente derramam de si mesmos o vinagre da queixa ou da censura.

Nesta altura do ensinamento, dona Antonina fitou o primogênito e perguntou:

- Você, Haroldo, quando tem sede preferiria beber a água escura de cântaro recheado de lodo?

- Ah! Isso não - replicou o mocinho muito sério -, escolherei água pura, cristalina...

- Assim somos também, em se tratando de nossas necessidades espirituais. A alma que não perdoa, retendo o mal consigo, assemelha-se ao vaso cheio de lama e fel. Não é coração que possa reconfortar o nosso. Não é alguém capaz de ajudar-nos a vencer nas dificuldades da vida. Se apresentamos nossa mágoa a um companheiro dessa espécie, quase sempre nossa mágoa fica maior. Por isso mesmo, Jesus aconselhava-nos a perdoar infinitamente, para que o amor, em nosso espírito, seja como o Sol brilhando em casa limpa.
...

- Mas a senhora crê, mãezinha, que devemos perdoar sempre?

- Como não, meu filho?

- Ainda mesmo quando a ofensa seja a pior de todas?

- Ainda assim.

E, observando-o, inquieta, dona Antonina acentuou:

- Porque tratas deste assunto com tamanha preocupação?

- Refiro-me ao papai - disse o menino algo triste -, papai abandonou-nos quando mais precisávamos dele. Seria justo esquecer o mal que nos fez?

- Oh! meu filho! - comentou a nobre mulher - não te detenhas nesse problema. Porque alimentar rancor contra o homem que te deu a vida? Como condená-lo se não sabemos tudo o que lhe aconteceu? Seria realmente melhor para o nosso bem estar se ele estivesse conosco, mas se devemos suportar a ausência dele, que os nossos melhores pensamentos o acompanhe. Teu pai, meu filho, com a permissão do Céu, deu-te o corpo em que aprendes a servir a Deus. Por esse motivo, é credor de teu maior carinho. Há serviços que não podemos pagar senão com amor. Nossa dívida para com os pais é natureza...

Recordando talvez que a família se achava num curso de formação cristã, a dona da casa acrescentou:

- Um dia, quando Moisés, o grande profeta, foi ao monte receber a revelação divina, uma das mais importantes determinações por ele ouvidas do Céu foi aquela em que a Eterna Bondade nos recomenda: "Honrarás teu pai e tua mãe". A Lei enviada ao mundo não estabelece que devamos analisar a espécie de nossos pais, mas sim que nos cabe a obrigação de honrá-los com o nosso amoroso respeito, sejam eles quais forem.

Haroldo mostrou-se conformado, todavia, ainda ponderou:

- Compreendo, mãezinha, o que a senhora quer dizer. Entretanto, se papai estivesse junto de nós, talvez que Marcos não tivesse morrido. Teríamos o dinheiro suficiente para tratá-lo.

Dona Antonina enxugou, apressada, as lágrimas que lhe caíram, espontâneas, ante a evocação do filhinho, e continuou:

Seria um erro permitir a queda de nossa confiança de Jesus, porque o chamava.
...

Nesse ponto da conversação, Lisbela inquiriu, graciosa:

- Mãezinha, Marcos nos vê?

- Sim, minha filha - esclareceu dona Antonina, emocionada -, ele nos ajuda em espírito, pedindo a Jesus forças e benção para nós. Por nossa vez, devemos auxiliá-lo com as nossas preces e com as nossas melhores recordações.

QUESTÕES PARA ESTUDO

1 - Antonina se reúne com seus filhos  para fazer a reunião de estudo do Evangelho. Que benefícios o traz para o nosso lar essa prática?

2 - Como você responderia a seu filho a seguinte pergunta de Henrique:

-"Mãezinha, porque Jesus recomenda um perdão tão grande?"

3 - Como a falta do perdão pode prejudicar a nossa evolução?

4 - Devemos ser benevolente ao nosso semelhante tanto quanto a nós mesmos?

Justifique.

 5 - Além do perdão, qual foi a outra lição que Antonina passou para seus filhos?

6 - O que a genitora queria dizer com: "Seria um erro permitir a queda de nossa confiança no Pai Celestial."

 Conclusão:

André Luiz e a equipe de benfeitores comandada pelo Ministro Clarêncio compareceram ao lar de Antonina, onde a chefe da família, em companhia dos filhos, fazia a reunião do culto do Evangelho no lar.  No curso da reunião, ao estudar os ensinamentos de Jesus, importantes questionamentos foram  levantados  por  seus  filhos,  propiciando valiosas reflexões a respeito do perdão.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

 1 - Antonina se reúne com seus filhos para fazer a reunião de estudo do Evangelho. Que benefícios trazem para o nosso lar essa prática?

O culto do Evangelho no lar é uma reunião destinada à família, para o estudo do Evangelho de Jesus. Podem participar os membros da família que residem no local, admitindo-se, eventualmente, a presença de visitantes que se encontre na casa à hora destinada ao culto. Benfeitores espirituais, incluindo os guias protetores da família, comparece ao local e participa da realização da reunião, intuindo os presentes com relação ao estudo,  fluidificando  a  água  e  aplicando passes magnéticos. É comum estarem presentes entidades desencarnadas, muitos dos quais que têm afinidades com a família, que comparecem ao culto, muitas das vezes levados pelos benfeitores espirituais, para também serem esclarecidas através do estudo.    
O culto do Evangelho no lar faz uma verdadeira profilaxia espiritual no lar. Melhora a psicosfera do ambiente, que passa a manter uma sintonia vibratória mais elevada. Por outro lado, cria uma espécie de cinturão de proteção que impede o acesso de espíritos perturbadores, que somente querem nos criar dificuldades e deteriorar o ambiente.

- Dúvida surgida durante o estudo: Suponhamos que, em uma casa onde apenas um dos moradores é Espírita, este pode fazer o culto sozinho? Surtiria o mesmo efeito benéfico dos casos onde mais de um familiar participa da prática?

Sem dúvida nenhuma que sim. Mesmo nos lares onde apenas um dos integrantes seja espírita, o culto do Evangelho no lar pode e deve ser realizado. Se os demais membros da família o desejarem, também podem participar, mesmo sendo profitentes de outras religiões. Caso contrário, aquele que professa o credo espírita pode fazer o culto sozinho, sempre nos mesmos dias e horários, recolhido em um compartimento do lar. Os efeitos benéficos serão os mesmo e estender-se-ão a todos, mesmo aos que não participam do ato. O culto é interior. O que importa é a fé, a sinceridade de propósitos e o amor que se emprega na sua realização.
         
2 - Como você responderia a seu filho a seguinte pergunta de Henrique:

- "Mãezinha, porque Jesus recomenda um perdão tão grande?"

Ao ser indagado por Pedro se, quando um irmão pecar contra nós, devemos perdoar até sete vezes, Jesus  respondeu--lhe que devemos perdoar não sete vezes, mas até setenta vezes sete, ou seja, sempre. Quando uma ofensa é dirigida a outrem, cria-se um elo fluídico formado entre os espíritos envolvidos na relação conflituosa,  que  os  prende,  um  ao outro, numa permanente troca de energias negativas.  Enquanto não se reconciliam e alimentam a animosidade, essa troca de energias negativas perdura, atuando sobre ambos.

Hoje, a Ciência já comprova que o estado emocional ocasionado por circunstâncias como essas podem gerar um número grande de doenças, não apenas psicológicas mas, até mesmo, no organismo físico, como tumores,  doenças  cardíacas, etc. Isto porque o nosso corpo físico somatiza o desequilíbrio espiritual resultante da instabilidade  emocional  provocada pela ofensa.

Quando se perdoa ou se roga o perdão, aquele que assim age se libera desse elo malévolo, libertando-se das energias   negativas. Toda a carga provocada fica agindo apenas naquele que não quis ou não soube perdoar ou ser perdoado.

Recordemos a passagem evangélica que demonstra a importância que Jesus deu ao ato de perdoar:

"Se vieres tua ao altar fazer a sua oferta e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa diante do altar a tua oferta e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem fazer a tua oferta.

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho; para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e sejas lançado na prisão. Em verdade te digo que de lá não sairás enquanto não pagares o último centavo." (Mt, 5, 23-26)


3 - Como a falta do perdão pode prejudicar a nossa evolução?

Como vimos, o perdão liberta. Aquele que não perdoa torna-se prisioneiro do passado e não evolui. Fica ligado ao ofensor, às vezes, por muitas reencarnações, que exigirão resgates dolorosos para que entendamos a necessidade de perdoar.

Aquele que ainda não aprendeu a perdoar fica estacionado em sua evolução.

 4 - Devemos ser benevolentes ao nosso semelhante tanto quanto a nós mesmos? Justifique.

Na questão 886 do Livro dos Espíritos, quando, respondendo a Kardec, deram o conceito de caridade, os Espíritos incluíram entre os seus caracteres a benevolência para com todos. Essa deve ser a nossa norma de conduta aos nos relacionarmos com o próximo. Ensina-nos, portanto, a Doutrina, que sem benevolência não há caridade e sem caridade
não há salvação.

5 - Além do perdão, qual foi a outra lição que Antonina passou para seus filhos?

Outro valioso ensinamento dado por Antonina aos seus filhos foi o contido nos mandamentos divinos recebidos por Moisés, aquele que diz: "Honrai o vosso pai e a vossa mãe". Kardec o considerou um corolário da lei de caridade e de amor ao próximo. Com efeito, se não praticarmos a caridade perante nosso pai e nossa mãe, como pretender praticá-la para com o nosso próximo?

 6 - O que a genitora queria dizer com: "Seria um erro permitir a queda de nossa confiança no Pai Celestial."?

Antonina ressaltou a necessidade de confiarmos sempre na sabedoria e bondade do Pai. Que não devemos questionar os seus desígnios, pois o Universo é regido por leis sábias e justas. Seu filho, ainda em tenra idade, demonstrava não se compreender a desencarnação do irmão, que atribuía ao abandono a que a família foi relegada por parte de seu pai.

Sua genitora procurou mostrar-lhe que nada acontece por acaso e que o acontecido com o irmão foi o cumprimento fiel dos desígnios da Providência.

 Muita paz a todos.

Sala Nosso Lar

CVDEE