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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

"PASSES E PASSISTAS" 11 Apêndice

"PASSES E PASSISTAS" 11 Apêndice

Estudo sobre o passe magnético ou a imposição das mãos segundo a Doutrina Espírita
Astolfo Olegário de Oliveira Filho

Apêndice

1. A expressão magnetismo animal (do grego e do latim magnes  ímã) surgiu por analogia com o magnetismo mineral, embora essa analogia seja apenas aparente. Alguns estudiosos a substituíram pelo vocábulo mesmerismo, mas tal idéia não prevaleceu. Kardec, em seu livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Edicel, pág. 190, assim define magnetismo animal: Ação recíproca de dois seres vivos por intermédio de um agente especial chamado fluido magnético.

2. Lendo os autores e textos seguintes entender-se-á por que a imposição de mãos, sem necessidade de gestos ou quaisquer outros rituais, é suficiente para o pleno êxito do tratamento por meio do passe magnético:

a - COEM, 11a Sessão de Exercício Prático, edição de 1978, pág. 89.

b - José Herculano Pires, em "Obsessão, o passe, a doutrinação", editora Paidéia, págs. 35 a 37.

c - Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", cap. XIV, item 176:2.

d - Allan Kardec, em "Obras Póstumas", manifestações dos Espíritos, itens 52 e 53.

e - Mesmer, em "Revista Espírita" de janeiro de 1864, Edicel, pág. 7.

f - Allan Kardec, em "Revista Espírita" de setembro de 1865, Edicel, pág. 254.

g - Atos dos Apóstolos, 4:30, 5:12, 6:6, 9:17, 19:6 e 28:8.

h - Evangelho segundo Marcos, 5:23, 16:15 a 16:18.

i - Emmanuel, em "Religião dos Espíritos", cap. 59.

j - Emmanuel, em "Caminho, Verdade e Vida", cap. CLIII, pág. 269.

k - J. Raul Teixeira, em "Diretrizes de Segurança", perguntas 28 e 77.

l - André Luiz, em "Nos Domínios da Mediunidade", cap. 17, págs. 164 e 165.

m - André Luiz, em "Entre a Terra e o Céu", cap. XX, pág. 127.

n - Roque Jacintho, em "Passe e Passista", cap. 34.

o - USE, Subsídios para Atividades Doutrinárias, 1993, págs. 72 e seguintes.

3. No Paraná já faz mais de vinte anos que a orientação emanada dos órgãos de unificação ligados à Federação, a respeito do passe, tem sido no sentido de ministrá-lo da forma mais singela possível, tal como se fazia nos tempos apostólicos: a simples imposição de mãos.

4. Diz um dos textos que formam a apostila do Centro de Orientação e Educação Mediúnica (COEM), obra elaborada sob a supervisão do Dr. Alexandre Sech (11a. Sessão de Exercício Prático, Centro Espírita Luz Eterna, edição de 1978): A imposição de mãos, como o fez Jesus, é o exemplo correto de transmitir o passe. Os movimentos que gradativamente foram sendo incorporados à forma de aplicação do passe criaram verdadeiro folclore quanto a esta prática espírita, desfigurando a verdadeira técnica." Os passistas passaram a se preocupar mais com os movimentos que deveriam realizar do que com o dirigir seus pensamentos para movimentar os fluidos."

5. José Herculano Pires é enfático no tocante ao assunto ("Obsessão, o passe, a doutrinação", editora Paidéia, págs. 35 a 37): "O passe espírita é simplesmente a imposição das mãos, usada e ensinada por Jesus, como se vê nos Evangelhos. Origina-se das práticas de cura do Cristianismo Primitivo. Sua fonte humana e divina são as mãos de Jesus.  O passe espírita  não comporta as encenações e gesticulações em que hoje o envolveram alguns teóricos improvisados, geralmente ligados a antigas correntes espiritualistas de origem mágica ou feiticista. Todo o poder e toda a eficácia do passe espírita dependem do espírito e não da matéria, da assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo. Os passes padronizados e classificados derivam de teorias e práticas mesméricas, magnéticas e hipnóticas de um passado há muito superado. Os Espíritos realmente elevados não aprovam nem ensinam essas coisas, mas apenas a prece e a imposição das mãos. Toda a beleza espiritual do passe espírita, que provém da fé racional no poder espiritual, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e ridículas gesticulações.

6. Em o número de janeiro de 1864 da "Revista Espírita" (Edicel, ano de 1864, pág. 7), Kardec transcreve uma mensagem de Mesmer (Espírito), recebida na Sociedade Espírita de Paris em 18-12-1863, na qual o aludido Espírito analisa a questão das curas através do magnetismo animal e do magnetismo espiritual. Mesmer explica na mensagem que Deus sempre recompensa o humilde sincero que pede a ajuda espiritual, enviando-lhe o socorro para que ele possa auxiliar o enfermo. "Esse socorro que envia são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benéfico, que é transmitido ao doente", afirma Mesmer, que acrescenta: "Também é por isto que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão potente e produz essas curas qualificadas de miraculosas, e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; ao passo que o magnetizador ordinário se esgota, por vezes em vão, a fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela simples imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos".

7. Em setembro de 1865, na "Revista Espírita" (Edicel, ano 1865, pág. 254), o Codificador  esclarece: "Se a mediunidade curadora pura é privilégio das almas de escol, a possibilidade de suavizar certos sofrimentos, mesmo de curar, ainda que não instantaneamente, umas tantas moléstias, a todos é dada, sem que haja necessidade de ser magnetizador. O conhecimento dos processos magnéticos é útil em casos complicados, mas não indispensável. Como a todos é dado apelar aos bons Espíritos, orar e querer o bem, muitas vezes basta impor as mãos sobre a dor para a acalmar; é o que pode fazer qualquer um, se trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus. É de notar que a maior parte dos médiuns curadores inconscientes, os que não se dão conta de sua faculdade, e que por vezes são encontrados nas mais humildes posições e em gente privada de qualquer instrução, recomendam a prece e se entreajudam orando. Apenas sua ignorância lhes faz crer na influência desta ou daquela fórmula".

8. Na obra Evolução em Dois Mundos, psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, André Luiz diz que são 7 os centros vitais, ou chacras. (Veja a figura constante da pág. 12.)

9. Os centros vitais são fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem às células a especialização extrema, pela qual o homem possui no corpo denso (e os Espíritos detêm no corpo espiritual, em recursos equivalentes) as células que produzem fosfato e carbonato de cálcio para a construção dos ossos, as que se distendem para a recobertura do intestino, as que desempenham complexas funções químicas no fígado, as que se transformam em filtros do sangue na intimidade dos rins e outras tantas que se ocupam do fabrico de substâncias indispensáveis à conservação e defesa da vida nas glândulas, nos tecidos e nos órgãos que nos constituem o cosmo vivo de manifestação.

10. Essas células que obedecem às ordens do Espírito, diferenciando-se e adaptando-se às condições por ele criadas, procedem do elemento primitivo, comum, de que todos provimos em laboriosa marcha no decurso dos milênios, desde o seio tépido do oceano, quando as formações protoplásmicas nos lastrearam as manifestações primeiras.

11. Eis as funções dos 7 sete centros vitais:

1. Centro coronário - Com a função de regente da atividade funcional dos órgãos relacionados pela fisiologia terrena, o centro coronário, instalado na região central do cérebro, relaciona-se com a epífise (glândula pineal) do corpo físico, assimila os estímulos do Plano Superior  e orienta a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada.

No centro coronário temos o ponto de interação entre as forças determinantes do Espírito e as forças fisiopsicossomáticas organizadas. Dele parte a corrente de energia vitalizante formada de estímulos espirituais com ação difusível sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais centros da alma os reflexos vivos de nossos sentimentos, idéias  e ações, tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais implementos de nossa constituição particular, plasmando em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis de nossa influência e conduta.

A mente elabora as criações que fluem de sua vontade, apropriando-se dos elementos que a circundam, e o centro coronário incumbe-se automaticamente de fixar a natureza da responsabilidade que lhes diga respeito, marcando no próprio ser as conseqüências felizes ou infelizes de sua movimentação consciencial no campo do destino. O centro coronário supervisiona, ainda, todos os demais centros vitais que lhe obedecem ao impulso, procedente do Espírito, assim como as peças secundárias de uma usina respondem ao comando da peça-motor  de que se serve o tirocínio do homem para concatená-las e dirigi-las.

2. Centro cerebral - Contíguo ao coronário e relacionado com os lobos frontais do cérebro e a hipófise no corpo físico, exerce influência decisiva sobre os demais centros de força vital. Governa o córtice encefálico   a camada externa do encéfalo   na sustentação dos sentidos, marcando as atividades das glândulas endocrínicas e administrando o sistema nervoso central, em toda a sua organização, coordenação, atividade e mecanismo, desde os neurônios sensitivos até as células efetoras, ou seja, as células dos músculos ou glândulas que efetuam resposta a um estímulo causador de um impulso nervoso.

3. Centro laríngeo - Relacionado com o plexo  cervical, o timo e a tiróide, controla notadamente a respiração e a fonação e regula os fenômenos vocais, assim como o funcionamento das do timo e da tiróide.

4. Centro cardíaco - Relacionado com o plexo cardíaco do corpo físico, é responsável pelo funcionamento do aparelho circulatório e pelo controle da emotividade.

5. Centro esplênico - Relacionado com o plexo mesentérico e o baço do corpo físico, regula a distribuição e a circulação dos recursos vitais e a formação e reposição das defesas orgânicas através do sangue. Determina todas as atividades em que se exprime o sistema hemático, dentro das variações de meio e volume sangüíneo.

6. Centro gástrico - Relacionado com o plexo solar do corpo físico, responsabiliza-se pelo funcionamento do aparelho digestivo e pela assimilação de elementos nutritivos e reposição de fluidos em nossa organização física.

7. Centro genésico - Relacionado com os plexos hipogástrico e sacral, guia a modelagem de novas formas entre os homens ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas. Responsabiliza-se, assim, pelo funcionamento dos órgãos de reprodução e das emoções sexuais.

12. Na mesma obra, diz André Luiz que o fluido magnético constitui por si emanação controlada de força mental sob a alavanca da vontade. Figuremos  diz André Luiz - o nosso veículo de manifestação como sendo o Estado Orgânico em que nos expressamos.

Semelhante esfera celular pode ser dividida em duas partes essenciais:

1a. - o hemisfério visível ou campo somático  o corpo físico;

2a. - o hemisfério invisível ou campo psicossomático  o perispírito definido por Kardec, ou corpo espiritual, que preside a todas as formações do cosmo físico.

13. Os órgãos desse Estado Orgânico  diz André Luiz, na obra citada   podem ser considerados províncias diferenciadas entre si, apesar de conjugadas em sintonia de ação para os mesmos fins. Os milhões de células seriam povos infinitesimais, a se caracterizarem por atividades específicas.

14. Concluindo a lição, aduz André Luiz que, representando o sistema hemático, no corpo humano, o conjunto das energias circulantes no psicossoma  energias essas tomadas pela mente, através da respiração, ao infinito reservatório do fluido cósmico   é para ele que devemos voltar a maior atenção, uma vez que se encontra intimamente associado ao estímulo nervoso ou aparelho de comunicação entre o governo do Estado Orgânico e suas províncias e cidadãos  os órgãos e as células.

15. Reconhecendo-se a capacidade do fluido magnético para que as criaturas se influenciem reciprocamente, com muito mais amplitude e eficiência atuará ele sobre as entidades celulares do Estado Orgânico, particularmente as sangüíneas e as histiocitárias, determinando-lhes o nível satisfatório, a migração ou a extrema mobilidade, a fabricação de anticorpos ou, ainda, a improvisação de outros recursos combativos e imunológicos, na defesa contra as invasões bacterianas e na redução ou extinção dos processos patogênicos, por intermédio de ordens automáticas da consciência profunda. (Evolução em Dois Mundos, 2a  Parte, cap. XV, pp. 201 a 203.)

16. Toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispírito, a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal, provocando determinada causa de sofrimento. A dor é, portanto, sempre uma situação de alarma ou emergência, mais ou menos durável no império orgânico, requisitando o socorro externo da medicina do corpo ou da alma, na execução do alívio ou da cura. Pelo passe magnético, notadamente naquele que se baseie no divino manancial da prece, a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem, para que essa vontade novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço, a fim de que o Estado Orgânico se recomponha para o equilíbrio indispensável. (Idem ibidem.)

17. Orar em nosso favor é atrair a Força divina para a restauração de nossas forças humanas, e orar a benefício dos outros ou ajudá-los, através da energia magnética, à disposição de todos os que desejem realmente servir,  será sempre assegurar-lhes as melhores possibilidades de auto-reajustamento, compreendendo-se, porém, que, se o amor consola, instrui, ameniza, levanta, recupera e redime, todos estamos condicionados à justiça a que voluntariamente nos rendemos, perante a Vida Eterna, justiça que preceitua seja dado isso ou aquilo a cada um segundo as suas próprias obras, cabendo-nos recordar que as obras felizes ou menos felizes podem ser fruto de nossa orientação todos os dias e, por isso mesmo, todos os dias será possível alterar o rumo de nosso próprio roteiro. (Obra citada, 2a  Parte, cap. XV, pp. 203 e 204.)

18. Nas obras a seguir citadas verifica-se por que existem restrições a que pessoas enfermas ministrem o socorro magnético por meio da imposição de mãos:

 a - Padre Francis MacNutt, em "O Poder de Curar", edição de Ave Maria Press, de Indiana (EUA).

 b - COEM, 10a Sessão de Exercício Prático, edição de 1978, pág. 83.

 c - COEM, 12a Sessão de Exercício Prático, edição de 1978, pág. 95.

 d - Divaldo P. Franco, em "Diretrizes de Segurança", pergunta 69.

 e - Martins Peralva, em "Estudando a Mediunidade", págs. 144 e 145.

 f - Roque Jacintho, em "Passe e Passista", cap. 6 e 30.

 g - Edgard Armond, em "Pontos da Escola de Médiuns", Tomo IV, pág. 88.

 h - Allan Kardec, em "A Gênese", cap. XIV, item 31.

 i - Allan Kardec, em "Revista Espírita" de janeiro de 1864, Edicel, pág. 8.

 j - Allan Kardec, em "Revista Espírita" de setembro de 1865, item 4, Edicel, pág. 252.

 k - Anuário de Espiritismo Científico, FEPESCI, 1993, pág. 132.

 l - USE, "Subsídios para Atividades Doutrinárias", 1993, págs. 80, 88 e 90.


Londrina, 16/10/2005.
Astolfo O de Oliveira Filho

Seminário sobre o passe

Anexo
No cap. II de Evolução em Dois Mundos, André Luiz apresenta-nos a seguinte estrutura do perispírito ou corpo espiritual, em que se destacam os 7 centros vitais ou chacras