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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Programa 1 # Tomo I # Modulo I # Roteiro 4 # O Judaismo2

Programa 1 # Tomo I # Modulo I # Roteiro 4 # O Judaismo2

O JUDAÍSMO

JUDEUS

Uma das ironias do cristianismo primitivo é que o próprio Jesus era um judeu que adorava o Deus judeu, mantinha costumes judeus, interpretava a lei judaica e recrutava discípulos judeus que o aceitavam como o messias judeu.

Mesmo assim, poucas décadas depois da morte de Jesus, os seus seguidores formaram uma religião que se opôs ao judaísmo.

Como é que o cristianismo mudou tão rapidamente, deixando de ser uma seita judaica para se tornar uma religião anti-judaica?

Trata-se de uma pergunta difícil. Dar a ela uma resposta satisfatória exige um livro inteiro.

Entre os judeus, sentimos o sopro da revelação do Deus Único, estabelecendo o reino da justiça na terra, mas, apesar da glória sublime que coroa a fronte de Moisés e dos profetas que o sucederam, o orgulho racial é uma chaga viva no coração do povo escolhido

Na Carta de Paulo à Barnabé, Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas visto que a rejeitais e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios.

Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus. Primeira Epístola Do Apóstolo Paulo Aos Coríntios (NT) 9:20

Nós, os judeus, perdemos o Cristo por falta de relações públicas. Fizemos um mau negócio. Porque um homem como aquele não se perde. ADOLPHO BLOCH (1908-1995), Revista Manchete, maio de 2008

Lembrar e rememorar permanentemente, tendo como corolário a proibição de esquecer. Essa atitude frente à vida costura a trajetória diaspórica judaica, dando-lhe consistência e esperança messiânica. A essa postura deve ser creditada, além de outros fatores, a responsabilidade pela continuidade judaica, pela manutenção de uma memória ativa, presente em todas as gerações. Continuidade e mudança são forças sempre presentes na tensão pulsante de um povo portador de uma singularidade combinatória de circunstâncias sociais, políticas, econômicas, temporais e espaciais, que convertem a experiência judaica em um exemplar único de fusão entre história, cultura, religião, filosofia, ética e mística, construindo com seu patrimônio um grande bloco do pensamento humanista. HELENA LEWIN

O JUDAÍSMO PALESTINENSE NO TEMPO DE CRISTO

O ambiente histórico-religioso em que o Evangelho nasceu é o do judaísmo formado e alimentado pelos livros sacros do Antigo Testamento, condicionado pelos acontecimentos históricos, pelas instituições nas quais se encontrou inserido e pelas correntes religiosas que o especificaram.

Embora o cristianismo seja uma religião revelada, diferente da judaica, apareceu historicamente como continuação e aperfeiçoamento da revelação dada por Deus ao povo de Israel. Jesus era um judeu, que nasceu e viveu na Palestina.

Os apóstolos eram todos da sua gente e da sua religião.
Por isso, nos Evangelhos encontramos descrições, alusões e referências a pessoas, instituições, idéias e práticas religiosas do ambiente judaico, frente às quais Jesus e os apóstolos tomaram posição, aceitando-as ou rejeitando-as (Battaglia, 1984, p. 118).

O CRISTIANISMO

Ainda há pouco, escrevia um autor espírita que o Cristianismo representa apenas uma tradição morta, estratificada no tempo, e que os espíritas devem evitar toda confusão entre ele e o Espiritismo.

Ao dizer isso, o autor não refutava a verdade cristã, os princípios evangélicos, mas tão-somente o processo histórico conhecido por Cristianismo. Para ele, o Espiritismo é o cumprimento da promessa evangélica do Consolador, mas, por isso mesmo, deve ser separado do Cristianismo, como este o foi do Judaísmo, do qual se originou.

O erro desse autor decorre da premissa falsa de que o Consolador pode ser outra coisa que não o Cristianismo. Sim, pois se aceitarmos a promessa do Consolador, temos de aceitar também o que ela representa, ou seja, a continuidade e o restabelecimento do Cristianismo em espírito e verdade.
Entre o Judaísmo e o Cristianismo havia pouco mais que a ligação profética do advento do Messias. O espírito do Judaísmo era, em muitos sentidos, contrário ao do cristianismo. O rompimento entre os dois se fazia inevitável e necessário.

Mas, entre o Cristianismo e o Espiritismo não existe esse antagonismo. Pelo contrário, o que existe é a mais perfeita unidade espiritual. Todos os princípios fundamentais do Cristianismo, que realmente caracterizam o ensino evangélico, estão presentes no Espiritismo.

E as únicas diferenças entre o que conhecemos por tradição cristã e o que o Espiritismo ensina decorrem dos elementos estranhos que se misturaram àquela tradição, ao longo dos séculos.

O fato de ter havido essa mistura, entretanto, não representa uma quebra no desenvolvimento do processo histórico do Cristianismo.

E tanto não representa, que a promessa do Consolador já encerrava a previsão dessa mistura. A verdade é que o Cristianismo, como um processo de transformação substancial do homem e do mundo, exige, para o seu desenvolvimento, uma sucessão muito mais complexa de fases evolutivas do que todos os demais processos que conhecemos.

Essa complexidade leva os estudiosos, no desejo natural de simplificá-la, a negarem a unidade da linha evolutiva do Cristianismo.



Jose Herculano Pires - O Mistério Do Bem E Do Mal