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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

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Livro: Libertação
Cap. XII - Missão de amor

Voltando a casa, algumas horas transcorreram tocadas para nós de singular expectativa; entretanto, à noitinha Saldanha manifestou o propósito de visitar o filho hospitalizado.
Com espanto, reparei que o nosso Instrutor lhe pedia permissão para que o acompanhássemos.
O perseguidor de Margarida, algo surpreso, acedeu, indagando, porém quanto ao móvel de semelhante solicitação:
- Quem sabe se poderemos ser úteis ? - respondeu Gúbio, otimista.
Não houve relutância.
Guardadas rigorosas precauções por parte de Saldanha, que se fez substituir, junto à doente, por Leôncio, um dos dois implacáveis hipnotizadores, rumamos para o hospício
Entre variadas vítimas da demência, relegadas a reajuste cruel, a posição de Jorge era de lamentar. Encontramo-lo de bruços, no cimento gelado de cela primitiva. Mostrava as mãos feridas, coladas ao rosto imóvel.
O genitor, que até ali se nos afigurara impermeável e endurecido, contemplou o filho com visível angústia nos olhos velados de pranto e elucidou com infinita amargura na voz:
- Está, certamente, repousando depois de crise forte.
Não era, contudo, o rapaz tresloucado e abatido quem mais inspirava compaixão. Agarradas a ele, ligadas ao círculo vital que lhe era próprio, a mãezinha e a esposa desencarnadas absorviam-lhe os recursos orgânicos. Jaziam igualmente estiradas no chão, letárgicas quase, como se houvessem atravessado violento acesso de dor.
Irene, a suicida, trazia a destra jungida à garganta, apresentando o quadro perfeito de quem viviam sob dolorosa aflição de envenenamento, ao passo que a genitora enlaçava o enfermo, de olhos parados nele, exibindo ambas sinais iniludíveis de atormentada introversão. Fluidos semelhantes a massa viscosa cobriam-lhes todo o cérebro, desde a extremidade da medula espinhal até os lobos frontais, acentuando-se nas zonas motoras e sensitivas.
Concentradas nas forças do infeliz, como se a personalidade de Jorge representasse a única ponte de que dispunham para a comunicação com a forma de existência que vinham de abandonar, revelavam-se integralmente subjugadas pelos interesses primários da vida física.
- Estão loucas - informou Saldanha, na intenção evidente de ser agradável -, não me compreendem, nem me reconhecem, embora me fixem. Guardam o comportamento de crianças, quando fustigadas pela dor. Corações de porcelana, quebrados facilmente.
E franzindo o sobrecenho, transtornado agora por insofreável rancor, acrescentou:
- Raras mulheres sabem conservar a fortaleza nas guerras de revide. Em geral, sucumbem rapidamente, vencidas pela ternura inoperante,
Nosso orientador, desejando anular as vibrações de cólera no companheiro, cortou-lhe o rumo das impressões destrutivas, confirmando, pesaroso:
- Demoram-se, efetivamente, em profunda hipnose. Nossas irmãs não conseguiram, por enquanto, ultrapassar o pesadelo do sofrimento, no transe da morte, qual acontece ao viajante que inicia a travessia de vasta corrente de águas turvas, sem recursos para alcançar a outra margem. Ligadas ao filho e esposo, objeto que lhes centralizou, nas horas finais do corpo denso, todas as preocupações afetivas, combinaram as próprias energias com as forças torturadas dele e aquietam-se, aflitivamente, no centro dos fluidos que lhes constituem criação individual, como acontece ao "Bombyx mori" imobilizado e dormente sob os fios, tecidos por ele mesmo.
O obsessor de Margarida registrou as observações, demonstrando indisfarçável surpresa no olhar e acentuou, mais calmo: 
- Por mais que eu me procure insinuar, gritando-lhes meu nome aos ouvidos, não conseguem entender-me. Em verdade, movem-se e se lastimam, através de longas frases desconexas, mas a memória e a atenção parecem mortas. Se insisto, carregando-as, a custo, ansioso por infundir-lhes vida nova com que me possam auxiliar na vingança, vejo baldado todo esforço, porquanto regressam imediatamente para Jorge, logo que as suponho livres, num impulso análogo ao das agulhas que um ímã recolhe a distância. 
- Sim - corroborou o nosso diretor -, mostram-se temporariamente esmagadas de pavor, desânimo e sofrimento. Pela ausência de trabalho mental contínuo e bem coordenado, não expeliram as "forças coagulantes" do desalento, que elas mesmas produziram, inconformadas, ante os imperativos da luta normal na Terra e entregaram-se, com indiferença, a deplorável torpor, dentro do qual se alimentam das energias do enfermo. Drenado incessantemente nas reservas psíquicas, o doente, hipnotizado por ambas, vive entre alucinações e desesperos, naturalmente incompreensíveis para quantos o rodeiam.
Com sincera disposição de servir, Gúbio sentou-se no piso cimentado e, num gesto de extrema bondade, acomodou no regaço paternal as cabeças das três personagens daquela cena comovente de dor, e, endereçando olhar amigo ao algoz da mulher que pretendia salvar, que o observava espantadiço, indagou:
- Saldanha, permite-me algo fazer em benefício dos nossos ?
A fisionomia do perseguidor modificou-se.
Aquele gesto espontâneo do nosso orientador desarmava-lhe o coração, emocionando-o nas fibras mais íntimas, a julgar pelo sorriso que lhe inundou o semblante até então desagradável e sombrio.
- Como não? - falou quase gentil... - E' o que procuro realizar inutilmente.
Impressionado com a lição que recebíamos, contemplei a paisagem ao redor, cotejando-a com a da câmara em que Margarida experimentava aflição e tortura. Os impedimentos aqui eram muito mais difíceis de vencer. O cubículo transbordava imundície. Nas celas contíguas, entidades de repugnante aspecto se arrastavam a esmo. Mostravam algumas características animalescas, de pasmar.
A atmosfera para nós se fizera sufocante, saturada de nuvens de substâncias escuras, formadas pelos pensamentos em desequilíbrio de encarnados e desencarnados que perambulavam no local, em deplorável posição.
Confrontando as situações, monologava mentalmente- por que motivo singular não operara nosso orientador no quarto da simpática senhora, que amava por filha espiritual, para entregar-se, ali, sem reservas, ao trabalho de assistência cristã? Vendo-lhe, porém, a solicitude na solução do problema afetivo que atormentava o adversário, entendi, pouco a pouco, através da ação do mentor magnânimo, a beleza emocionante e sublime do ensinamento evangélico: "Ama o teu inimigo, ora por aqueles que te perseguem e caluniam, perdoa setenta vezes sete".
Gúbio, sob nosso olhar comovido, afagava a fronte das três entidades sofredoras, parecendo liberar cada uma dos fluidos pesados que as entorpeciam, em profundo abatimento. Decorrida meia hora na evidente operação magnética de estímulo, endereçou novo olhar ao verdugo de Margarida, que lhe analisava os mínimos gestos com dobrada atenção, e interrogou:
- Saldanha, não te agastarias se eu orasse em voz alta? 
A pergunta obteve os efeitos de um choque.
- Oh! oh!. .. - fez o interpelado, surpreendido -, acreditas em semelhante panacéia?
Mas, sentindo-nos, de pronto, a infinita boa vontade, aduziu, confundido:
- Sim... sim... se querem...
Nosso Instrutor valeu-se daquele minuto de simpatia e, alçando o pensamento ao Alto, deprecou, humilde:

- Senhor Jesus !
Nosso divino amigo ...
Há sempre quem peça pelos perseguidos,
Mas raros se lembram de auxiliar os perseguidores!
Em toda parte, ouvimos rogativas em benefício dos que obedecem, entretanto, é difícil surpreendermos uma súplica em favor dos que administram. 
Há muitos que rogam pelos fracos para que sejam, a tempo, socorridos; 
no entanto, raríssimos corações imploram concurso divino para os fortes, a fim de que sejam bem conduzidos
(...)
Senhor, 
Infunde-nos o dom de nos ampararmos mutuamente. 
Beneficiaste os que não creram em Ti, protegeste os que te não compreenderam, ressurgiste para os discípulos que te fugiram, legaste o tesouro do conhecimento divino aos que te crucificaram o esqueceram... 
Por que razão, nós outros,  míseros vermes do lodo ante uma estrela celeste,  quando comparados contigo, recearíamos estender dadivosas mãos aos que nos não entendem ainda?!...
Gúbio transformara-se, gradualmente. As vibrações vigorosas daquela súplica, que arrancara ao próprio coração, expulsaram as partículas obscuras de que se havia tocado, quando penetrávamos a colônia penal em que conhecêramos Gregório, e sublimada luz brilhava-lhe agora no semblante que o pranto de amor e compunção irisava com intraduzível beleza. Parecia ocultar desconhecido alampadário no peito e na fronte, que despediam raios luminosos de intenso azul, ao mesmo tempo que formoso fio de claridade incompreensível o ligava com o Alto, perante nosso aturdido olhar.
Findo o intervalo, fez incidir toda a luminosidade que o envolvia sobre as três criaturas que asilava no regaço e exorou :
(...)
Nesse ponto, o orientador interrompeu-se. Intensos jorros de luz projetavam-se em torno dele, atirados por mãos invisíveis aos nossos olhos. Com perceptível emotividade, Gúbio aplicou passes magnéticos em cada um dos três infelizes e, em seguida, falou ao rapaz encarnado:
- Jorge, levanta-te! Estás livre para o necessário reajustamento.
O interpelado arregalou os órgãos visuais, parecendo acordar de pesadelo angustioso. Inquietação e tristeza desapareceram-lhe do rosto, celeremente. Num impulso maquinal, obedeceu à ordem recebida, erguendo-se com absoluto controle do raciocínio.
A interferência do benfeitor quebrara os elos que o prendiam às parentas desencarnadas, liberando-lhe a economia psíquica.
Presenciando o acontecimento, Saldanha gritou, em lágrimas:
- Meu filho!  Meu filho!... 
O doente não registrou as exclamações nascidas do entusiasmo paterno, mas procurou o leito singelo onde se aquietou com inesperada serenidade.
Vencido nos melhores sentimentos de que era detentor, o algoz de Margarida aproximou-se do nosso dirigente, com as maneiras de uma criança humilhada que reconhece a superioridade do mestre, mas antes que pudesse tomar-lhe as mãos, para osculá-las talvez, pediu-lhe Gúbio, sem afetação:
- Saldanha, acalma-te. Nossas amigas despertarão agora.
Afagou a cabeça de Iracema e a infortunada mãe de Jorge voltou a si, gemendo:
- Onde estou?!...
Reparando, no entanto, a presença do marido, ao lado, nomeou-o por apelido carinhoso de família e bradou, desvairada de emoção:
- Socorre-me! Onde está nosso filho? Nosso filho?
Passou, logo após, para a fraseologia particular de quem reencontra um ser amado, depois de ausência longa.
O obsessor da doente que nos interessava de mais perto, tangido nas fibras recônditas do ser, derramava agora abundantes lágrimas e buscava o olhar de Gúbio, Instintivamente, rogando-lhe, sem palavras, medidas salvacionistas.
- Em que mau sonho me demorei? - indagava a desventurada irmã, chorando convulsiva- mente - que cela imunda é esta? Será verdade que já atravessamos o túmulo?
E, em crise de desespero, acrescentava:
- Temo o demônio! temo o demônio! Ó Deus meu! salva-me, salva-me!...
Nosso Instrutor dirigiu-lhe palavras encorajadoras e indicou-lhe o filho que descansava, bem ao nosso lado.
Recompondo-se, gradualmente, ela perguntou a Saldanha porque emudecera, faltando à palavra amorosa e confiante de outro tempo, ao que o verdugo de Margarida respondeu, significativamente:
- Iracema, eu ainda não aprendi a ser útil... Não sei confortar ninguém.
A essa altura, a sofredora mãe, então desperta, passou a interessar-se pela companheira de infortúnio, que fazia a mão direita movimentar-se sobre a garganta. Crendo a custo tratar-se da nora, que se lhe fizera irreconhecível, apelou aflita:
- Irene! Irene!
Interveio Gúbio, com o poder de despertamento que lhe era peculiar, distribuindo vigorosas energias aos centros cerebrais da criatura que continuava abatida.
Transcorridos alguns instantes, a nora de Saldanha ergueu-se, num grito terrível.
Sentia dificuldade em articular a voz. Sufocava-se, ruidosamente, presa de angústia infinita.
Nosso orientador, vigilante, segurou-lhe ambas as mãos com a destra e com a mão esquerda ministrou-lhe recursos magnético-balsâmicos sobre a glote e, sobretudo, ao longo das papilas gustativas, acalmando-a, de alguma sorte.
Embora despertada, a suicida não mostrava a relativa consciência de si mesma. Não guardava a menor idéia de que seu corpo físico se desfizera no túmulo. Era o tipo da sonâmbula perfeita, acordando de súbito.
Adiantou-se na direção do esposo, reintegrado nas próprias faculdades e exclamou, estentórica:
- Jorge, Jorge! ainda bem que o veneno não me matou! Perdoa-me o gesto impensado... Curar-me-ei para vingar-te! Assassinarei o juiz que te condenou a tão cruéis padecimentos!
Observando, ao contrário do que esperava, que o esposo não reagia, implorou:
- Ouve! Atende-me! Onde dormi tanto tempo? Nossa filha! Onde está?
O interpelado, todavia, que se lhe desligara da influência direta nos centros perispirituais, prosseguiu na mesma atitude fleumática e impassível de quem ajuizava com dificuldade a própria situação.
Foi ainda Gúbio quem se abeirou de Irene, elucidando:
- Aquieta-te, minha fria!
- Sossegar-me? eu? - protestou a infortunada - não posso! Quero tornar a casa... Esta grade me asfixia... Cavalheiro, por quem é! reconduza-me ao lar. Meu esposo permanece encarcerado injustamente... Estará por certo dementado... Não me escuta, não me atende. Por minha vez, sinto a garganta carcomida de veneno mortal... quero minha filha e um médico!
Nosso orientador, contudo, respondeu-lhe com voz triste, não obstante acariciar-lhe a fronte assustadiça:
- Filha, as portas de tua ema no mundo cerraram-se para tua alma com os olhos do corpo que perdeste. Teu esposo jaz liberado dos compromissos do matrimônio carnal e tua filha, desde muito, foi acolhida em outro lar. E' indispensável, pois, que te refaças, de modo a prestar-lhes todo o serviço que desejas.
A desditosa criatura rojou-se de joelhos, soluçando.
- Então, morri? a morte é uma tragédia pior que a vida? - clamou, desesperada.
- A morte é simples mudança de veste - elucidou Gúbio, sereno -, somos o que somos. Depois do sepulcro, não encontramos senão o paraíso ou o inferno criados por nós mesmos.
E adoçando a voz para conversar na condição de um pai, prosseguiu, comovido:
- Porque atiraste fora o remédio salvador, esfacelando o vaso sagrado que o continha? Nunca ouviste o choro dos que padeciam mais que tu mesma? Jamais te inclinaste para registrar as aflições que vinham de mais fundo? porque não auscultaste o silencioso martírio daqueles que não possuem mãos para reagir, pernas para andar, voz para suplicar?
- A revolta consumiu-me... - explicou a desventurada.
- Sim - confirmou o Instrutor, solicito -, um momento de rebeldia põe um destino em perigo, como diminuto erro de cálculo ameaça a estabilidade dum edifício inteiro.
- Infeliz de mim! - suspirou Irene aceitando a amargosa realidade - onde estava Deus que me não socorreu a tempo?
- A pergunta é inoportuna - esclareceu nosso dirigente bondosamente. - Procuraste saber, antes, onde te encontravas a ponto de te esqueceres tão profundamente de Deus? A bondade do Senhor nunca se ausenta de nós. Se transparecia da bendita oportunidade terrena que te conduzia à vitória espiritual, reside também agora nas lágrimas de contrição que te encaminham à regeneração salutar.
Admito que possas, em breve, alcançar semelhante bênção; entretanto, cavaste enorme precipício entre a tua consciência e a harmonia divina, que precisarás transpor efetuando a própria recomposição. Por algum tempo, experimentarás a conseqüência do ato impensado. Colher fruto imaturo é praticar violência. Intoxicaste a matéria delicada sobre a qual se estruturam os tecidos da alma e poucas circunstâncias te atenuam a gravidade da falta. Não percas, porém, a esperança e dirige os passos na direção do bem. Se o horizonte, por vezes, se faz mais longínquo, nunca     
                                 
C O N C L U S Ã O

Voltando da frustrada consulta ao médium vidente, Saldanha, o perseguidor de Margarida, resolveu ir visitar seu filho que estava hospitalizado e que ensejara o seu desejo de vingança contra a enferma. Gúbio decidiu acompanhá-lo e, lá chegando, encontrou o visitado em lastimável estado de perturbação, fortemente ligado fluidicamente à sua mãe e à sua esposa, ambas desencarnadas e que também passavam por grave processo de desequilíbrio, sugando-lhe as forças. Vendo nessa situação uma oportunidade de operar a  transformação de Saldanha, realizou o trabalho de socorro aos três, o que levou o obsessor de Margarida a repensar seus objetivos.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
  
1.-  No trecho: "Irene, a suicida, trazia a destra jungida à garganta, apresentando o quadro perfeito de  quem viviam sob dolorosa aflição de envenenamento", verificamos uma das conseqüências do suicídio. Além dessa conseqüência quais podem ocorrer?

As conseqüências que podem advir do ato de suicídio são muitas e não ocorrem  necessariamente  em todos os casos.  A  uma,  porém,  nenhum  suicida  pode  escapar,  segundo  disseram  os  Espíritos:  o desapontamento. Com efeito, todo suicida busca uma fuga dos problemas que o afligem na vida  material, esperando pôr um termo no sofrimento com a morte do corpo físico,  que  acreditam  ser  o  fim  da  vida. Ao constatar que a vida continua após a travessia do túmulo, o espírito suicida sofre, ao despertar,  uma  grande decepção ao ver-se vivo.  

Além disso, não consegue se livrar das aflições que ensejaram o tresloucado ato; o desprendimento do corpo físico é mais penoso e demorado, pois os laços fluídicos que ligam o espírito ao corpo ainda se encontram na plenitude de suas forças,  diferentemente  dos  casos  de  morte  natural,  em  que  vão  se  enfraquecendo gradativamente; o período de perturbação espiritual também é maior, pois,  constatando-se  vivo,  o  espírito conserva a ilusão de que ainda está na vida material; como a ligação com o corpo físico não se desfaz desde  logo, o espírito sente a sensação dos efeitos da sua decomposição.

 Outra desastrosa conseqüência a que o suicida não consegue fugir, essa de ordem moral,  é  a  expiação pela falta praticada. Sendo um ato contrário às Leis Naturais, o suicídio acarreta lesões perispirituais de larga extensão, que, certamente, exigirão penosas reparações nas reencarnações futuras, em que serão plasmados corpos defeituosos, fisica ou mentalmente. 

 2.-  Comente o trecho: "Concentradas nas forças do infeliz, como se a personalidade de Jorge representasse a única ponte de que dispunham para a comunicação com a forma de existência que vinham de abandonar":

A citação se refere ao comportamento da mãe e da esposa de Jorge. Segundo a narração de André Luiz, ambas mantinham-se imantadas a ele, fluidicamente ligadas ao enfermo,  a  lhe  absorverem  as  forças, num autêntico processo de vampirização. Seus psiquismos ainda se encontravam ligados à vida física que haviam deixado mas da qual não conseguiam se libertar. O enfermo funcionava, então, como uma ponte, segundo  a imagem do Autor, entre seus estados reais e aquele ao qual suas mentes ainda se encontravam presas.

 3.-  Na prece feita por Gúbio, notamos a importância de orarmos não somente pelas  vítimas  mas  por  seus algozes. Não somente pelos conduzidos, mas pelos condutores. Isto é correto ? Se sim, qual a importância deste ato?

Em sua prece, Gúbio seguiu à risca o ensinamento de Jesus, de que devemos amar os nossos inimigos.

Isso porque, como ressaltou, somos todos irmãos e, como endividados que estamos para com  a  Lei,  não temos como amaldiçoarmo-nos uns aos outros. A lei é de amor. Enquanto não estivermos todos conscientes de que devemos nos amar reciprocamente, enquanto não estivermos todos moralizados, o reino dos céus não chegará à Terra. Daí a importância de orarmos não só pelos que sofrem mas, também, pelos que causam  o sofrimento, para que todos cresçamos espiritualmente, pois só assim seremos felizes.

4.-  De certa forma, as atitudes de Gúbio perante Saldanha  demonstram  uma  forma  de  retirar  alguém  da ignorância persistente no mal. Como isso se dá?

Somente pelo esclarecimento se consegue corrigir o rumo daquele que persiste no mal. Mostrando-lhe que a prática do mal apenas irá adiar o encontro da felicidade, que é a destinação  de  todas  as  criaturas.  Gúbio exemplificou com a aplicação de passes magnéticos no filho de Saldanha,  impregnados  de  amor,  fazendo-o despertar do angustioso pesadelo em que se encontrava envolvido, reequilibrando-se.  Vendo seu  filho  livre aquele estado de sofrimento em que o encontrara, Saldanha deixou quebrar a insensibilidade com que  vinha conduzindo.

5.-  Ficou evidente neste capítulo o poder da Prece.  De  que  forma  a  mesma  deve  ser  feita?  Quais  as conseqüências de sua utilização?

Estando Deus em toda a parte e ligado diretamente ao nosso pensamento, a prece nunca se perde e sempre chega ao seu destino. Deve refletir um sentimento sincero, vindo de dentro.  Não  é  necessário  proferir  palavras convencionais. Como ensinou Jesus,  "quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está oculto; e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará."  Praticando a prece, estaremos sempre em contato com o Criador e receberemos a influência dos benfeitores espirituais que estão a seu serviço.

6.-  O desencarne para muitos torna-se confuso. Como evitar ou minimizar tal confusão?

Tendo uma existência conforme as Leis Naturais, principalmente praticando a lei de amor, justiça e caridade, a mais importante de todas. Cada um desencarna como viveu. 
  
7.-  Explique a importância de amarmos nossos inimigos.

 Esse preceito de Jesus, quando cumprido com sinceridade, libera-nos do jugo do ódio e da vingança. Quando perdoamos e passamos à prática da lei do amor, rompemos os liames que nos ligam a fluidos negativos, que duas pessoas que se odeiam trocam entre si. Ao amarmos o inimigo, deixamos com ele o  ódio  e  nos  liberamos,  em conseqüência, de seus efeitos deletérios. 


Um fraternal abraço a todos.

Equipe Nosso Lar

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