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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

nl04_16_Encantamento Pernicioso

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CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual de Estudos Nosso Lar
Estudo das obras de André Luiz

Livro em estudo: Libertação
Tema: Encantamento Pernicioso
Referência: Capítulo XVI

TRECHO DO CAPÍTULO:

Finda a reunião, reparei que a médium Dona Isaura Silva apresentava sensível transfiguração.
Enquanto perduravam os trabalhos, mostrava radiações brilhantes, em derredor do cérebro, oferecendo simpático ambiente pessoal; entretanto, encerrada que foi a sessão, cercou-se de emissões de substância fluídica cinzento-escura, qual se houvesse repentinamente apagado, em torno dela, alguma lâmpada invisível.
 (...)
_ A pobrezinha encontra-se debaixo de verdadeira tempestade de fluidos malignos que lhe vão sendo desfechados por entidades menos esclarecidas, com as quais se sintonizou, inadvertidamente, pelos fios negros do ciúme.
Enquanto se acha sob nossa influência direta, mormente nos trabalhos espirituais de ordem coletiva, em que age como válvula captadora das forças gerais dos assistentes, desfruta bom ânimo e alegria, porque o médium é sempre uma fonte que dá e recebe, quando em função entre os dois planos; terminada, contudo, a tarefa, Isaura volta às tristes condições a que se relegou.
(...)
_ Sem dúvida - elucidou o orientador da pequena e simpática instituição -, e , porque não a abandonamos, ainda não sucumbiu. É imprescindível, todavia, num processo de semelhante natureza, agir com cautela, sem humilhá-la e sem feri-la. Quando defendemos um broto tenro, do qual é justo aguardar preciosa colheita no porvir, é necessário combater os vermes invasores, sem atingi-lo. Crestar o grelo de hoje é perder a colheita de amanhã. Nossa irmã é valorosa cooperadora, revela qualidades apreciáveis e dignas, porém, não perdeu ainda a noção de exclusivismo sobre a vida do companheiro e, através dessa brecha que a induz a violentas vibrações de cólera, perde excelentes oportunidades de servir e elevar-se. Hoje, viveu um dos seus dias mais infelizes, entregando-se totalmente a esse gênero de flagelação interior. Reclama-nos concurso ativo, nesta noite, pois cada servo acordado para o bem, quando se projeta em determinada faixa de vibrações inferiores durante o dia, marca quase sempre uma entrevista pessoal, para a noite, com os seres e as forças que a povoam.
(...)
_ Enquanto a criatura é vulgar e não se destaca por aspirações de ordem superior, as inteligências pervertidas não se preocupam com ela; no entanto, logo que demonstre propósitos de sublimação, apura-se-lhe o tom vibratório, passa a ser notada pelos característicos de elevação e é naturalmente perseguida por quem se refugia na inveja ou na rebelião silenciosa, visto não conformar-se com o progresso alheio.
(...)
_ Por enquanto - (...) -, este domicílio está sob a guarda dos nossos processos de vigilância. Entidades perturbadoras ou criminosas não dispõem de acesso até aqui, mas nossa amiga, transtornada pelo ciúme, vai, ela mesma, ao encalço de maus conselheiros. Esperamos que abandone o veículo de carne, sob a ação do sono, e verás, de perto.
Decorridas apenas duas horas, vimos o senhor Silva que nos acenava de porta próxima, já desligado do corpo físico. Sidônio levantou-se e, convocando um de seus auxiliares, recomendou-lhe acompanhasse o dono da casa em proveitosa excursão de estudos.
(...)
Mais alguns minutos e D. Isaura, fora do corpo de carne, surgiu-nos à vista, revelando o perispírito intensamente obscuro. Passou rente a nós sem prestar-nos a mínima atenção, mostrando-se encarcerada em absorvente idéia fixa. Sidônio endereçou-lhe algumas palavras amigas, que não foram absolutamente ouvidas. tentou o amigo tocá-la com a destra luminosa, mas a médium precipitou-se em desabalada carreira, deixando-nos perceber que a nossa aproximação lhe constituía, naqueles instantes, aflitiva tortura.
Encontrava-se incapaz de assinalar-nos a presença; entretanto, percebia-nos instintivamente, as vibrações mentais e demonstrava temer o contacto espiritual conosco.
O benfeitor explicou-me que poderia constrangê-la a ouvir-nos, obrigando-a a submeter-se, sem reservas, à nossa influência; no entanto, semelhante atitude de nosso lado implicaria a supressão indébita das possibilidades educativas. Isaura, no fundo, era senhora do próprio destino e, na experiência íntima, dispunha do direito de errar para melhor aprender – o mais acertado caminho de defesa da própria felicidade. Ali estava, a fim de ajudá-la quanto possível, na preservação das forças físicas, mas não para algemá-la a atitudes com que ainda não pudesse concordar espontaneamente, nem mesmo em nome do bem que não reclama escravos em sua ação e , sim, servidores livres, contentes e otimistas.
Com grande surpresa para mim, o prestimoso guardião continuou explicando que aquela senhora, efetivamente, detinha extensas possibilidades no serviço aos semelhantes. Caso quisesse perdê-las temporariamente, outro recurso não nos cabia senão o de entregá-la à corrente da própria vontade, até que um dia conseguisse ela própria despertar em plano de compreensão mais alta. Sabia, à saciedade, que o marido não lhe era propriedade exclusiva, que o ciúme tresloucado só poderia conduzí-la a perigosa situação espiritual, não ignorava que a palavra do mestre exortava os aprendizes ao perdão e ao amor para que os companheiros mais infelizes não se projetassem nos despenhadeiros fundos da estrada. Entretanto, se os seus desígnios se demorassem na linha contrária ao roteiro que o plano superior lhe havia traçado, só nos restaria deixá-la circunscrita aos círculos da mente em desânimo ou em desespero, a fim de que o tempo lhe ensinasse o reajustamento próprio.
(...)
_ Educação não vem por imposição. Cada Espírito deverá a si mesmo a ascensão sublime ou a queda deplorável.
(...) Estugou o passo até encontrar uma velha casa desabitada, a cuja sombra se lhe deparavam dois malfeitores desencarnados, inimigos sagrados do serviço de libertação espiritual de que se convertera em devotada servidora.(...)
(...)
_ Não será razoável defendê-la?
(...)
_ Todavia, que fizemos há poucas horas, no culto da prece e do socorro fraternal, senão prepará-la à própria defensiva? Trabalhou mediunicamente conosco; ouviu formosa e comovedora preleção evangléica conta os perigos do egoísmo enfermiço; colaborou, decidida, para que o bem se concretizasse e ela própria emprestou-nos os lábios a fim de ensinarmos princípios de salvação em nome do Cristo, a quem deveria confiar-se. Entretanto, apenas porque o esposo se dispôs a justa gentileza com as damas que lhe buscaram a companhia esclarecedora e fraterna, obscureceu o pensamento no ciúme destruidor e perdeu o equilíbrio íntimo, entregando-se, inerme, a entidades que lhe exploram o sentimentalismo.
(...)
_ Estes companheiros retardados procedem com os médiuns à maneira de ladrões que, depois de saquearem uma casa, acordam o dono, hipnotizam-no e pobrigam-no a tomar-lhes o lugar, compelindo-o a sentir-se na condição de mentiroso e mistificador. Aproximam-se da mente invigilante, dilaceram-lhe a harmonia, furtam-lhe a tranquilidade e, depois, com sarcasmo imperceptível e sutil, obrigam-na a acreditar-se fantasiosa e desprezível. Muitos missionários se deixam atropelar pela falsa argumentação que acabamos de ouvir e menosprezam as sublimes oportunidades de estender o bem, através de preciosa sementeira que lhes enriqueça o futuro.
(...)
_ Desde o instante em que Isaura se projetou na zona sombria do ciúme, tem a matéria mental em posição difícil e não se acha em condições de compreender-me. Mas, poderemos socorrê-la de outro modo.
Em volitação rápida, no que foi seguido por mim, encontrou o marido da medianeira numa reunião instrutiva, junto de vários amigos espirituais , e recomendou-lhe tomar o corpo físico sem perda de tempo, a fim de auxiliar a esposa em dificuldade.
(...)
O corpo da senhora, ao lado  dele, arfava em reiteradas contorções, acorrentado a indizível pesadelo.
(...)
Isaura, em copioso pranto, retornou ao campo carnal sem detença, abrindo os olhos assustadiços:
_ Oh! Como sou infeliz! - bradou, angustiada - estou sozinha!sozinha!
Sidônio, quase incorporado ao marido complacente e bondoso, levava-o a falar , construtivamente:
_ Lembra-te , querida, de nossa fé e de quanto temos recebido de nossos amados benfeitores espirituais!
_ Nada disso! - retrucou, irritada.
_ Como assim? - tornou ele, paciente - não temos sido amparados, através de tua própria mediunidade?
_ Nunca! nunca... - protestou a pobre senhora - , tudo é uma farsa. As mensagens que recebo são pura atividade de minha imaginação. Tudo é expressão de mim mesma.
_ Mas ouve, Isaura! - aduziu o esposo, sorrindo - jamais foste mentirosa. Já sei. Caíste nas malhas dos nossos infelizes irmão que te conduzem ao purgatório do ciúme terrível, mas Jesus nos auxiliará no oportuno reajustamento.
(...)

QUESTÕES INICIAIS PARA O ESTUDO:

01) Enquanto dormimos estamos totalmente inertes e descansando? Justificar.
 02) O que são e quais as formas dos sonhos?Comentar.
03) A moral do médium influencia nas comunicações mantidas entre os dois planos?
04) Comentar, à luz da Doutrina Espírita, as seguintes assertivas:
a) "Enquanto perduravam os trabalhos, mostrava radiações brilhantes, em derredor do cérebro, oferecendo simpático ambiente pessoal; entretanto, encerrada que foi a sessão, cercou-se de emissões de substância fluídica cinzento-escura, qual se houvesse repentinamente apagado, em torno dela, alguma lâmpada invisível."
b) "A pobrezinha encontra-se debaixo de verdadeira tempestade de fluidos malignos que lhe vão sendo desfechados por entidades menos esclarecidas, com as quais se sintonizou, inadvertidamente, pelos fios negros do ciúme."
c) "Nossa irmã é valorosa cooperadora, revela qualidades apreciáveis e dignas, porém, não perdeu ainda a noção de exclusivismo sobre a vida do companheiro e, através dessa brecha que a induz a violentas vibrações de cólera, perde excelentes oportunidades de servir e elevar-se. "
d) "(...)pois cada servo acordado para o bem, quando se projeta em determinada faixa de vibrações inferiores durante o dia, marca quase sempre uma entrevista pessoal, para a noite, com os seres e as forças que a povoam."
e) "este domicílio está sob a guarda dos nossos processos de vigilância. entidades perturbadoras ou criminosas não dispõem de acesso até aqui, mas nossa amiga, transtornada pelo ciúme, vai, ela mesma, ao encalço de maus conselheiros. Espermos que abandone o veículo de carne, sob a ação do sono, e verás, de perto."
f) "Ali estava, a fim de ajudá-la quanto possível, na preservação das forças físicas, mas não para algemá-la a atitudes com que ainda não pudesse concordar espontaneamente, nem mesmo em nome do bem que não reclama escravos em sua ação e , sim, servidores livres, contentes e otimistas"
g) "Educação não vem por imposição. Cada Espírito deverá a si mesmo a ascensão sublime ou a queda deplorável."
h) "Estes companheiros retardados procedem com os médiuns à maneira de ladrões que, depois de saquearem uma casa, acordam o dono, hipnotizam-no e obrigam-no a tomar-lhes o lugar, compelindo-o a sentir-se na condição de mentiroso e mistificador. Aproximam-se da mente invigilante, dilaceram-lhe a haramonia, furtam-lhe a tranquilidade e, depois, com sarcasmo imperceptível e sutil, obrigam-na a acreditar-se fantasiosa e desprezível. Muitos missionários se deixam atropelar pela falsa argumentação que acabamos de ouvir e menosprezam as sublimes oportunidades de estender o bem, através de preciosa sementeira que lhes enriqueça o futuro."

Bibliografia sugerida:

Leitura completa do Capítulo XVI, do Livro Libertação

O Livro dos Espíritos:
** Parte Segunda: Capítulos I(questões 96 a 113), VIII(questões 400 a 412), IX(questões 456 a 472)
** Parte Terceira: Capítulo XII(questões 907 a 912)

Evangelho Segundo o Espiritismo:
** Capítulos IV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXV

O Livro dos Médiuns:
** Segunda Parte: Capítulos XIX(itens 223 a 225), XX(itens 226 a 230), XXIII(itens 237 a 254), XXVII(itens 297 a 303)

Conclusão:
Médium invigilante. Esse é o exemplo que André Luiz nos traz no presente capítulo. Isaura, embora dotada de acentuada capacidade mediúnica e com alguma boa vontade para o trabalho no bem, encontrava-se ainda muito presa às paixões terrenas, o que a fazia sentir um doentio ciúme de seu marido. Como  todo  sentimento  pouco elevado, esse ciúme injustificável a fazia freqüentar uma faixa vibratória também pouco elevada, impregnando-a de energias deletérias que a levavam a ter contato com espíritos pouco esclarecidos, atrasados em sua evolução  e que procuravam tirá-la do trabalho no bem.
      
QUESTÕES PARA ESTUDO

1.-  Enquanto dormimos estamos totalmente inertes e descansando? Justificar.
O espírito jamais fica inerte. Enquanto o corpo físico repousa pela via do sono físico, os laços perispirituais que o ligam ao espírito são afrouxados e este lança-se pelo espaço, onde entra  em  relação  mais  direta  com  outros espíritos. Passa, então, a viver a verdadeira vida, que é a vida espiritual. Durante esse estado  de  emancipação,  o espírito visita outros que lhe são afins, tem relações conflituosas com desafetos, vai ao plano espiritual rever entes queridos, participa de estudos e palestras, ouve orientações de seus protetores, recebe tratamento espiritual ou, simplesmente, permanece ao lado do corpo físico, descansando.

2.-  O que são e quais as formas dos sonhos? Comentar.
O sonho é a lembrança do que o espírito viu e vivenciou durante o sono. No Livro dos Espíritos, no capítulo VIII da parte 2ª os Espíritos Codificadores mencionam dois tipos de sonhos. Um, é o sonho que reflete o que o espírito realmente fez durante o sono do corpo físico. São lembranças dos lugares onde esteve, das pessoas com quem se encontrou, dos diálogos que manteve, enfim, do que de fato  se  passou  com  ele  ao  se  emancipar.  São os chamados "sonhos inteligentes ou espirituais". Outro tipo de sonho mencionado pelos Espíritos é aquele que é resultado das preocupações do estado de vigília, ou seja, dos problemas  cotidianos  que  o  espírito  encarnado enfrenta. É efeito da nossa imaginação, do fato de que, sempre que uma idéia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se mostra ligado a essa idéia. São os chamados "sonhos psicológicos".
Contudo, no livro "Os Mensageiros", André Luiz nos fala de um terceiro tipo de sonho, que refletiria tão somente perturbações fisiológicas causadas pelos excessos praticados no estado de vigília,  como  indigestão,  alcoolismo, tabagismo, etc. Seriam os chamados "sonhos fisiológicos".

3.-  A moral do médium influencia nas comunicações mantidas entre os dois planos?
Sem dúvida que sim. A moralização do médium é requisito indispensável à boa qualidade da comunicação entre os dois planos de vida. É essa moralização que vai permitir ao medianeiro a sintonia com espirilos elevados, que só se comunicam com fins sérios, de instruir ou de prestar auxílio em tratamentos espirituais. Um médium  que  tenha  uma vida dedicada a futilidades, à prática do mal ou à viciações, somente atrairá para si a companhia de espíritos igualmente pouco esclarecidos, que, certamente, se aproveitarão do instrumento mediúnico para comunicações frívolas, zombeteiras ou que venham causar transtornos a outrem ou ao próprio médium, como no caso em estudo.

4.-  Comentar, à luz da Doutrina Espírita, as seguintes assertivas:

a) "Enquanto perduravam os trabalhos, mostrava radiações brilhantes, em derredor do cérebro, oferecendo simpático ambiente pessoal; entretanto, encerrada que foi a sessão, cercou-se de emissões de substância  fluídica   cinzento-escura, qual se houvesse repentinamente apagado, em torno dela, alguma lâmpada invisível."
Durante a sessão mediúnica, o médium encontra-se amparado  pelos  benfeitores  espirituais  que  dirigem  os trabalhos e que fazem a higienização do ambiente espiritual. Envolvem o local com uma espécie de cinturão protetor, que impede a aproximação de espíritos de baixa vibração, evitando que estes tragam energias deletérias. Além disso, esses benfeitores atuam sobre o médium, irradiando suas luzes e derramando energias sublimadas em seu cérebro, para possibilitar o contato mediúnico com entidades elevadas.
Por esse motivo, estando em ambiente altamente espiritualizado e recebendo radiações de espíritos superiores, a referida médium deixava emanar de seu cérebro essas radiações brilhantes a que se refere o Autor. Findo o trabalho e cessada a atuação das entidades superiores, no entanto, a médium retomou o seu estado vibratório normal, que não era dos mais saudáveis, a julgar do relato apresentado no capítulo, cercando-se de substância fluídica cinzento-escura, compatível com a faixa em que vibrava.

b) "A pobrezinha encontra-se debaixo de verdadeira tempestade de fluidos malignos que lhe vão sendo desfechados por entidades menos esclarecidas, com as quais se sintonizou, inadvertidamente, pelos fios negros do ciúme."
Temos visto nos estudos anteriores a importância da qualidade da sintonia que mantemos com o plano espiritual.
É de conformidade com ela que elegeremos as companhias espirituais que nos irão influenciar.  A referida  médium, em sua vida de relação com o marido, nutria por ele um extremado ciúme, que é um sentimento resultante de paixões que caracterizam espíritos ainda pouco adiantados na escala evolutiva. Alimentando esses sentimentos, que somente exteriorizam energias negativas, a citada senhora atraía para si espíritos igualmente  ainda  presos  a  semelhantes estados sentimentais, que se aproveitam de sua fragilidade para a infelicitarem, com o que se comprazem.

c) "Nossa irmã é valorosa cooperadora, revela qualidades apreciáveis e dignas, porém, não perdeu ainda a noção de exclusivismo sobre a vida do companheiro e, através dessa brecha que a induz as violentas vibrações de cólera perdem excelentes oportunidades de servir e elevar-se."
O verdadeiro amor, aquele praticado por espíritos de elevada evolução, é o amor exclusivamente espiritual.  Esse é totalmente desapegado da matéria, não é exclusivista e não transforma quem ama do em dono do ser amado. Como espírito pouco evoluído, a citada médium amava como a maioria dos que estão encarnados na Terra, ou seja, um amor mais voltado ao corpo físico do que ao espírito. Com isso, entendia  poder  exigir  do  companheiro  uma  dedicação exclusiva a ela, gerando o doentio ciúme. Assim agindo, permitia que vibrações de cólera a dominassem, impedindo-a à prática do serviço que eleva.

d) "(...), pois cada servo acordado para o bem, quando se projeta em determinada faixa de vibrações inferiores durante o dia, marca quase sempre uma entrevista pessoal, para a noite, com os seres e as forças que a povoam."
As nossas companhias espirituais durante o período em que  nos  libertamos  parcialmente  do  corpo  físico  são definidas pelas vibrações que mantemos no estado de vigília. Quando, durante o dia, vibramos em faixas inferiores, ao nos deitarmos para o sono físico levamos conosco as energias inferiores que delas emanam. A conseqüência será, ao desprendermo-nos do veículo físico, irmos ao encontro de entidades que povoam essas mesmas  vibrações  inferiores que mantivemos durante o dia e com as quais nos deitamos.

e) "este domicílio está sob a guarda dos nossos processos de vigilância. Entidades perturbadoras ou criminosas não dispõem de acesso até aqui, mas nossa amiga,  transtornada  pelo  ciúme,  vai,  ela  mesma,  ao  encalço  de  maus conselheiros. Esperemos que abandone o veículo de carne, sob a ação do sono, e verás, de perto."
A residência da médium, como era utilizada para o serviço de socorro pelos benfeitores espirituais, era mantida sob a proteção do plano espiritual, impedindo a aproximação de espíritos perturbadores. Isaura, entretanto, impregnada pelos fluidos deletérios produzidos pelo sentimento de ciúme do marido, era induzida a ir ao encontro dos espíritos atrasados que a perturbavam. De nada adiantava a proteção do plano  espiritual, pois, embora as entidades pouco  esclarecidas não conseguissem penetrar na casa, a médium ia ao encontro delas e sofria o assédio obsessivo.

f) "Ali estava, a fim de ajudá-la quanto possível, na preservação das forças físicas, mas não para algemá-la a atitudes com que ainda não pudesse concordar espontaneamente, nem mesmo em nome do bem que não reclama escravos em sua ação e, sim, servidores livres, contentes e otimistas".
Aqui, o benfeitor quis dizer que, mesmo sendo para o bem do próprio espírito, não se deve forçá-lo a fazer o que não deseja. O livre-arbítrio deve ser sempre respeitado. O espírito deve trilhar o caminho  do  bem  espontaneamente, sentindo-se livre e feliz por fazê-lo. O bem deve ser uma conquista e não uma imposição.

g) "Educação não vem por imposição. Cada Espírito deverá a si mesmo a ascensão sublime ou a queda deplorável."
É o reconhecimento do livre-arbítrio que o princípio inteligente adquire ao ingressar no reino hominal, tornando-se espírito. Cada um é o responsável pelo seu destino, pela sua ascensão ou queda. Por isso, o benfeitor afirma que a educação não pode ser imposta. Para ser duradoura, deve ser conquistada, fruto da transformação moral do espírito, para que ele tenha o mérito de alcançá-la.

h) "Estes companheiros retardados procedem com os médiuns à maneira de ladrões que, depois de saquearem uma casa, acordam o dono, hipnotizam-no e obrigam-no a tomar-lhes o lugar, compelindo-o a sentir-se na condição de mentiroso e mistificador. Aproximam-se da mente invigilante, dilaceram-lhe a harmonia, furtam-lhe a tranqüilidade e, depois, com sarcasmo imperceptível e sutil, obrigam-na a acreditar-se fantasiosa e desprezível. Muitos missionários se deixam atropelar pela falsa argumentação que acabamos de ouvir e menosprezam as sublimes oportunidades de estender o bem, através de preciosa sementeira que lhes enriqueça o futuro."
A mediunidade, que é um instrumento divino para a prática do bem, é, também, um canal de larga passagem para a obsessão. O médium tem uma capacidade de percepção do plano espiritual muito mais ampla  que  a  maioria  das pessoas, ficando, por essa razão, muito mais sensível à sua influenciação.  Daí a importância da  sua  moralização.
Quando invigilante, o médium tem o seu psiquismo enfraquecido, permitindo a aproximação ao seu campo mental de entidades perturbadoras, que procuram desacreditar as manifestações do plano espiritual, atribuindo-as a expressões do seu próprio pensamento. Fazem o médium acreditar-se um mistificador. Com isso, perde a oportunidade de fazer o bem e elevar-se espiritualmente.

Um fraternal abraço a todos.

Sala Nosso Lar

CVDEE