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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

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Livro: Libertação
Capítulo XV - Finalmente, o socorro


Entusiasmado com a atuação do nosso Instrutor, Saldanha entregou-se a gestos de humildade quase ingênua, e tanto ele quanto Leôncio passaram a cooperar ativamente conosco nos preparativos em benefício da solução que buscávamos.

Ambos solicitaram continuidade do mesmo quadro ambiente, para não acordarmos, contra nós, desavisadamente, a fúria das entidades ignorantes que se mantinham em posição contrária à nossa.

(...)

Ouvindo-lhes os pareceres, atentei para a situação de Gaspar, sem dissimular minha justificada estranheza. O hipnotizador, de presença desagradabilíssima pelos fluidos menos simpáticos que emitia, continuava ausente de nossas conversações. O próprio olhar, quase vítreo, incapaz de fixar-nos, dava idéia de paralisia da alma, de petrificação do pensamento.

Não podendo sofrear a curiosidade por mais tempo, indaguei de Gúbio quanto ao que lhe ocorria. (...) Respondia às mais longas e importantes perguntas, através de monossílabos, de modo vago, e demonstrava insistência irredutível, no setor de flagelação à vítima.

O orientador, agora liberto de cuidados, esclareceu, prestimoso:

- André, há obsessores marcadamente endurecidos de coração que se petrificam quando sob a influência de perseguidores ainda mais fortes e mais perversos que eles mesmos.

Inteligências temíveis das trevas absorvem certos centros perispiríticos de determinadas entidades que se revelam pervertidas e ingratas ao bem e utilizam-nas na extensão do mal que elegeram por sementeira na vida. Gaspar encontra-se nessa situação. (...) Demora-se em aflitivo pesadelo, à maneira do homem comum, dentro do qual a dilaceração de Margarida se lhe torna a idéia fixa, obsecante.

- Mas não poderá reintegrar-se na posse dos sentidos naturais? inquiri, sob forte impressão.

- Perfeitamente. O magnetismo é uma força universal que assume a direção que lhe ditarmos. Passes contrários à ação restitui-lo-ão à normalidade. Tal operação, contudo, exige momento adequado. Há necessidade, no feito, de recursos regeneradores intensivos, suscetíveis de serem encontrados junto a serviços de grupo, em que a colaboração de muitos se entrosa a favor de um só, quando necessário.

(...)

- (...) Aguardemos a noite. Espero situar o caso em algum núcleo de amor fraternal. Até lá convém guardarmos o ambiente doméstico sem alterações, mesmo porque Gaspar é outro doente, exigindo especial atenção: traz o veículo perispirítico enfermiço e viciado, reclamando caridoso concurso.

Mal não havia terminado a observação e Gabriel entrou no aposento e abeirou-se da esposa, desalentada e abatida.

Gúbio agora, senhor da situação, aproximou-se do rapaz, sem alarde, e colocou sobre a fronte dele a destra paternal, dominando-lhe, no cérebro, as zonas diretas da inspiração, dando curso, naturalmente, a forças magnéticas suscetíveis de inclinar o problema de assistência a solução favorável.

Reparei que o esposo de Margarida, sob a influência reparadora, passou a contemplar a companheira, enternecidamente. Tomou-lhe as mãos com sincera ternura e falou, espontâneo:

- Margarida, dói-me ver-te assim, sob desânimo tão profundo.

(...)

- Ouve! Uma idéia súbita me brotou no pensamento. Desde muitos dias estamos atropelados por remédios violentos e medidas drásticas que não te socorreram com a eficiência precisa.

Consentes em que eu peça, em nosso favor, o concurso de algum amigo interessado em Espiritismo Cristão?

(...) a doente abriu os olhos, cheios de interesse novo, como quem encontrara inesperada senda salvadora e concordou, feliz:

(...)

Internara-me em atividade absolutamente nova para mim e desejava ampliar conhecimentos e recursos. Considerei que um trabalhador incompleto, em minha posição, precisa estudar sempre e, aproximando-me do verdugo transformado em amigo, interroguei:

- Saldanha, como explicar tamanho temor de nosso lado, perante os companheiros etardados ?

Ele fixou em mim o olhar espantado e observou:

- Meu caro, conheço suficientemente este capítulo. Se nos dispusermos a lutar abertamente, conservando conosco esta jovem senhora enferma, em padrão físico de menor resistência, o malogro
em nossos objetivos de socorro a ela será questão de alguns minutos. Nos círculos inferiores em que nos encontramos, a maldade é força dominante em quase toda parte, contando com intérpretes que nos vigiam através de todos os flancos e não nos é fácil escapar. Para combater o mal e vencê-lo, urge possuir a prudência e abnegação dos anjos. De outro modo é perder tempo e cair, sem defesa, em perigosas armadilhas das trevas.

(...)

- Eu mesmo, logo depois de minha vinda, tudo fiz por fugir ao mal, mas em vão. Velhas orações por mim aprendidas no recesso do lar, que o tempo não consumiu de todo em meu espírito, articuladas então por minha boca, mereceram sarcasmo cruel dos inimigos do bem. Em verdade, pensamentos menos dignos me povoavam a cabeça, mas a vontade de melhorar-me era sincera em meu coração. Esforcei-me de alguma sorte, reagi quanto pude; todavia, meu impulso para o bem legítimo era, no fundo, um sopro frágil à frente de um tufão. Ao contacto dessa gente desencarnada,
infeliz e vingativa, perdi o resto da compostura moral que procurava debalde sustentar. Se a alma, liberta do corpo de carne, não se encontra amparada em princípios robustos de virtude santificante, sentida e vivida, é quase impossível sair vitoriosa das ciladas escuras que nos armam.

- Entretanto - objetei -, não será essa atitude mero reflexo da ignorância insustentável?

- Admito que sim - elucidou o obsessor modificado, surpreendendo-me pela clareza de argumentação -; todavia não desconheces que a maior dificuldade não nasce da ignorância em si mesma, mas de nossa dureza contrária à capitulação indispensável. A sabedoria golpeia a consciência, a bondade humilha a perversidade, o amor verdadeiro sitia o ódio num círculo de ferro; no entanto, aqueles que são surpreendidos no campo da inferioridade manobram contra o bem, deliberadamente, mil armas de despeito, calúnia, inveja, ciúme, mentira e discórdia, provocando perturbação e desânimo.

Assinalando-lhe a palavra tão fortemente esclarecida, cuja desenvoltura e acerto me assombravam, ponderei:

- Teu próprio caso é um exemplo vivo. Espanta-me o cabedal de teus comentários inteligentes.

De nenhum modo poderias ser um ignorante.

- Ah! sim! - replicou o ex-verdugo, sorrindo - inteligência não me falta. Leitura, idem.
Estou positivamente informado com relação aos deveres de ordem geral que me competem. Faltava-me, contudo, a companhia de alguém que conseguisse mostrar-me a eficiência e a segurança do bem, no meio de tantos males.

(...)

- Sei, porém, de experiência própria, quem são os revoltados em cuja equipe trabalhei até ontem. Francamente, ainda não sei com certeza que será de mim mesmo. Perseguir-me-ão sem tréguas.

Se puderem, conduzir-me-ão ao vale de miséria e penúria. Noto, contudo que transformação salutar me possui agora o espírito. Convenci-me de que o bem pode vencer o mal e espero que o nosso
Instrutor não me abandone. Ainda que eu sofra, a ele acompanharei. Não pretendo regressar ao repugnante caminho percorrido.

(...)

Sorriam satisfeitos, quando Gúbio retornou ao compartimento da enferma, notificando que o problema fora resolvido. Margarida e o esposo compareceriam na noite próxima a uma reunião familiar,
importante setor de socorro mediúnico.

A doente encarnada e Gaspar, o hipnotizador traumatizado, receberiam recursos eficientes.

Com ansiedade, aguardamos o anoitecer.

De quando em quando, Gúbio colocava a destra sobre a fronte da enferma, como a acentuar-lhe a resistência geral.

Por volta de vinte horas, um automóvel recebia o casal, que se fez acompanhado por nós e pelo grande número de "ovóides", ainda ligados à cabeça da enferma sob processo de imantação.

Saldanha tivera o cuidado de despistar todos os companheiros perturbadores que intentavam seguir-nos. Tranquilizou-os com palavras amigas, afirmando, aliás com muita razão, que o assunto vinha sendo bem tratado.

Alcançando confortadora vivenda, fomos admiravelmente recebidos.

O senhor Silva, dono da casa, acolheu Gabriel e a esposa com inequívocas demonstrações de carinho e Sidônio, o diretor espiritual dos trabalhos que se realizariam, estendeu-nos braços fraternais. Lá dentro, quatro cavalheiros e três senhoras, os componentes habituais do circulo doméstico, ao que fomos informados, passaram a trocar idéias com os visitantes, reanimando-os e instruindo-os, até que o relógio indicasse o momento exato para os serviços da noite.

À indagação de Gúbio, Sidônio esclareceu, muito seguro:

- Nosso agrupamento produz satisfatoriamente; entretanto, poderia levar mais ampla colheita de bênçãos se a confiança no bem e o ideal de servir fossem mais dilatados em nossos colaboradores no plano físico. Sabemos que a instrumentalidade é essencial em qualquer serviço. (...) Sem companheiros encarnados que nos correspondam aos objetivos na ação santificante, como estabelecer a espiritualidade superior na Crosta da Terra? Efetivamente, encontramos irmãos dispostos ao concurso fraternal, embora, é forçoso dizer, a maioria espere a mediunidade espetacular, a fim de cooperar conosco. Não procuram saber que todos somos médiuns de alguma força boa ou má, em nossas faculdades receptivas. Não aceitam as necessidades do serviço que nos aconselham a buscar desenvolvimento substancial na auto-iluminação, através do serviço aos nossos semelhantes, e tocam a exigir dons medianímicos, quais se fossem dádivas milagrosas a serem transmitidas graciosamente àqueles que se lhes candidatam aos benefícios, por intermédio da antiga "varinha de condão". Esquecem-se de que a mediunidade é uma energia peculiar a todos, em maior ou menor grau de exteriorização, energia essa que se encontra subordinada aos princípios de direção à lei do uso, tanto quanto a enxada que pode
ser mobilizada para servir ou ferir, conforme o impulso que a orienta, melhorando sempre, quando em serviço metódico, ou revestindo-se de ferrugem asfixiante e destrutiva, quando em constante repouso.

Nossos amigos não percebem o valor de uma atitude desassombrada e permanente de fé positiva, dentro do caminho louvável, haja o que houver, e, não obstante cuidarmos devotadamente da crença deles, com a mesma ternura consagrada pelo lavrador vigilante à plantinha tenra que encerra a esperança do
porvir, basta que espíritos perturbadores ou maliciosos os visitem, sutis, à maneira de melros num arrozal, e lá se vão os germens superiores que lhes confiamos, incessantemente, ao solo do coração. De um instante para outro, duvidam de nosso esforço, desconfiam de si mesmos, cerram os olhos ante a grandeza das
leis que os cercam nos ângulos da natureza terrestre, e as energias mentais que deveriam centralizar em construção ativa e santificante, com vistas ao aprimoramento próprio, são desbaratadas quase que diariamente pela argumentação mentirosa de espíritos ingratos e menos permeáveis ao bem.

(...)

- Sim, coletivamente considerando, reúnem-se agora, sob este teto amigo, e procuram-nos a companhia espiritualizante. Isto, porém, acontece por seis horas, nas cento e sessenta e oito horas de cada semana. Enquanto conosco, deixam-se envolver nas suaves irradiações da paz e da alegria, do bom ânimo e da esperança, registrando-nos as vibrações edificantes das quais desejávamos fossem eles nossos portadores permanentes e seguros na esfera vulgar da luta humana. Todavia, tão logo se encontram a pequena distância de nossas portas, aceitam ou provocam milhares de sugestões sutis, diferentes das nossas. (...) Raros se capacitam de que a fé representa benção suscetível de ser aumentada, indefinidamente, e fogem ao serviço que a conservação, a consolidação e o crescimento desse dom nos oferecem a todos.

(...)

Para os trabalhos da reunião que congregava nove pessoas terrestres, vinte e um colaboradores espirituais se movimentaram em nosso círculo de ação.

Gúbio e Sidônio, em esforço conjugado, efetuaram operações magnéticas ao redor de Margarida, desligando finalmente os "corpos ovóides" que foram entregues a uma comissão de seis companheiros que os conduziram, cuidadosamente, a postos socorristas.

Logo após, enquanto a prece e os estudos evangélicos se faziam ouvir, dentro das contribuições de nosso círculo, grande cópia de forças neurítica, com a devida compensação em fluidos revigoradores de nossa esfera, foi extraída, através da boca, narinas e mãos dos assistentes encarnados, força essa que Gúbio e Sidônio aplicaram sobre Margarida e Gaspar, no evidente intuito de restaurar-lhes as energias perispiríticas.

A jovem senhora passou a demonstrar abençoados sinais de alívio e Gaspar, de impassível que se achaca, pos-se a gemer, qual se houvera acordado de intenso e longo pesadelo.

A essa altura, nosso orientador preparou Dona Isaura, senhora daquele doméstico e médium do culto familiar, adestrando-lhe a faculdade de incorporação, por intermédio de passes magnéticos
sobre a laringe e, em particular, sobre o sistema nervoso. Quando a hora de amor cristão aos desencarnados começou a funcionar, os orientadores trouxeram Gaspar à organização medianímica, a fim de que pudesse ele recolher algum benefício, ao contacto dos companheiros materializados na experiência física, que lhe haviam fornecido energias vitalizantes, tal como acontece às flores que sustentam, sem perceber, o trabalho salutar das abelhas operosas.

Reparei que os sentidos do insensível perseguidor ganharam inesperada percepção. Visão, audição, tato e olfato foram nele subitamente acordados e intensificados. Parecia um sonâmbulo, despertando À medida que se lhe casavam as forças às energias da médium, mais se acentuava o fenômeno de reavivamento sensorial. Apossando-se provisoriamente dos recursos orgânicos de Dona Isaura, em visível processo de "enxertia psíquica", o hipnotizador gritou e chorou lamentosamente.
(...) Escutando agora, com aguçada sensibilidade, conversou detidamente com o doutrinador. O senhor Silva, marido da médium, fez-lhe sentir a necessidade de renovação espiritual em edificante lição que nos tocava as fibras mais íntimas, e, depois de sessenta minutos de exaustivo embate emocional, Gaspar foi conduzido por dois servidores de nossa equipe ao lugar que lhe correspondia, isto é, à posição de demente com retorno gradativo à razão.

Findos os serviços ativos, a reunião foi encerrada, notando-se que imensa alegria transbordava de todos os corações.

Margarida estava, enfim, aliviada e, em pranto, pedia ao esposo agradecesse, de viva voz, as dádivas recebidas.

Gúbio, porém, vendo Saldanha espantadiço, obtemperou:

- O triunfo essencial não veio. Margarida recebeu amparo imediato, mas precisamos agora socorrer-lhe a casa, até que ela mesma incorpore à própria individualidade, em caráter definitivo, os benefícios aqui recolhidos.

Sorriu bondosamente e acrescentou:

- Para que uma planta seja efetivamente preciosa, não basta que esteja bela e perfumada na estufa protetora. É necessário receber o auxílio externo, consolidando a resistência própria, de modo a produzir utilidades no bem comum.

E passando a entender-se com Sidônio, aceitou a colaboração, por dez dias sucessivos, de doze companheiros espirituais incorporados ao agrupamento destinado a reforçar as atividades defensivas na moradia de Gabriel, de vez que, segundo Saldanha e Leôncio, do dia seguinte em diante, teríamos guerra aberta com os assalariados de Gregório, que viriam naturalmente sobre nós, temíveis e insistentes.


Questões para estudo:


1) No trecho: "Se a alma, liberta do corpo de carne, não se encontra amparada em princípios robustos de virtude santificante, sentida e vivida, é quase impossível sair vitoriosa das ciladas escuras que nos armam.", verifica-se a importância não somente do conhecimento como da


C O N C L U S Ã O

                                                           
Nesse capítulo, André Luiz nos narra uma reunião realizada em  residência  que  servia  de  posto  de  socorro mediúnico usado pela Espiritualidade. Através da aplicação de passes magnéticos,  transfundindo-lhes  energias vitalizantes, os benfeitores conseguiram liberar Margarida da imantação dos ovóides que a atormentavam. Também mediante esse tratamento, um de seus perseguidores foi libertado do estado próximo ao sonambulismo em que se encontrava, que o fazia agir quase que mecanicamente na tortura que infligia à enferma.


 QUESTÕES PARA ESTUDO


1.-  No trecho: "Se a alma, liberta do corpo de carne, não se encontra amparada em princípios robustos de virtude santificante, sentida e vivida, é quase impossível sair vitoriosa das ciladas escuras que nos armam.", verifica-se a importância não somente do conhecimento como da prática cristã. Comente.

O ex-obsessor, que agora trabalhava no mesmo sentido dos benfeitores espirituais, adverte para a necessidade de estarmos sempre vigilantes aos nossos atos e pensamentos. As situações que se nos apresentam  no  mundo espiritual, que Saldanha denominou "ciladas escuras que nos armam", são tão ou mais perigosas que as enfrentadas enquanto encarnados. Por isso, é necessário o conhecimento e a prática dos preceitos contidos na Lei de Deus, que
Jesus veio nos lembrar, para que, ao desencarnarmos, venhamos nos encontrar amparados por esses "princípios robustos de virtude santificante, sentida e vivida", a que se referiu Saldanha. O espírito que desencarna desprovido desses princípios torna-se presa fácil de entidades perversas, que se destinam à prática do mal e que  com  ele  se afinizam, levando-o a sentimentos como o de vingança, que dominava o antigo obsessor. Com isso, sofrimento, dor e evolução estagnada.

2.-  Para que houvesse um melhor tratamento de Margarida e Gaspar, houve a necessidade do contato com energias de colaboradores encarnados voltados a ações cristãs. Por quê?

Pelo que se pode depreender do relato de André Luiz,  para  que  Margarida  e  Gaspar despertassem do estado em que se encontravam,semelhante ao estado sonambúlico  era necessária uma transfusão de  energias vitalizantes, que só podem ser extraídas da matéria densa portada pelo espírito encarnado. Graças a essas energias, o perseguidor de Margarida despertou para retomar a percepção de seus sentidos.

3.-  Qual a importância do Culto no Lar? Como deve ser feito?

O chamado "Culto no Lar" deve ser uma reunião de estudo do Evangelho,  à  luz  da Doutrina Espírita, realizada entre os membros da família. Deve-se rogar a assistência dos bons espíritos, sem, contudo,  fazer-se  evocação  de espíritos, pois o ambiente familiar não é apropriado para recebimento de mensagens mediúnicas. Feita uma prece de abertura, estuda-se um trecho do Evangelho, comenta-se esse texto, extraindo as lições nele contidas e encerra-se a reunião com nova prece. Essa reunião higieniza o ambiente espiritual da casa, formando um cordão de proteção contra a ação de espíritos malignos. No livro "Os Mensageiros", André Luiz narra  que,  ao  se  aproximar  de  uma residência onde o culto no lar era realizado regularmente, notou, em torno dela,  uma  aura  de  luz  que  impedia  a aproximação de espíritos de baixa vibração.

4.-  A ligação com os benfeitores espirituais deve se limitar ao Culto no Lar?

 Devemos nos manter em permanente ligação com os benfeitores espirituais e não apenas durante o culto no lar.

Sabemos o quanto isso é difícil, pelas circunstâncias a que nos vemos arrastados pela experiência na matéria.

Porém, é fundamental que nos esforcemos nesse sentido, pois a qualidade da nossa sintonia é que vai definir as nossas companhias espirituais e, em conseqüência, as influências que sofreremos.

5.-  Explique: "Esquecem-se que a mediunidade  é  uma  energia  peculiar  a  todos,  em  maior  ou  menor  grau de exteriorização".

 Sidônio, o benfeitor que iria dirigir o trabalho a ser realizado, ressaltou a importância das vibrações expendidas pelos encarnados que participam desse tipo de reunião. Explicava que a maioria esperava a produção de fenômenos mediúnicos admiráveis, como se fossem algo sobrenatural. Esquecem-se, continua o benfeitor em  sua  explicação, que a mediunidade não é isso. A mediunidade é inerente a todos, em maior ou menor grau de manifestação externa
e que todos tem uma importante contribuição a dar nesse trabalho. A maioria dos participantes não aceitavam esse fato de que o importante era o auxílio ao semelhante, não importando o tipo de trabalho a ser executado,  por  mais simples que parecesse.

6.-  Como nos defender do assalto de forças que podem desintegrar nossas convicções no caminho do bem?

Mantendo a boa sintonia acima mencionada, através do trabalho na caridade em favor do próximo necessitado, do estudo evangélico e do cumprimento das Leis Naturais sempre. Assim procedendo, criamos barreiras que obstaculizam a aproximação dessas forças deletérias, que podem investir contra as nossas boas convicções.

7.-  De que forma foi possível reavivar sensorialmente Gaspar?

O orientador Sidônio conseguiu resgatar Gaspar do estado de quase sonambulismo em que se encontrava injetando-lhe energias vitalizantes extraídas da médium encarnada. À medida que ele absorvia essas energias, agregando-as às próprias energias, sua percepção sensitiva ia sendo reavivada, até recuperar-se a ponto  de  conseguir  se  manifestar,utilizando-se do aparelho mediúnico da médium.



Um fraternal abraço a todos.

Sala Nosso Lar

CVDEE