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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

4. Depoimentos de suicidas - NO HOSPITAL DE MARIA, NO PLANO ESPIRITUAL

Estudando a Doutrina Espírita
 Tema: Suicídio
4. Depoimentos de suicidas
SUICIDAS PELO SACRIFÍCIO  DOUTRINA ESPÍRITA: FAROL, ALICERCE, ASA
NO HOSPITAL DE MARIA, NO PLANO ESPIRITUAL
Alice e eu caminhávamos em silencio. A dor, sempre que a presenciamos, toca-nos bastante. E naquele pavilhão ela era bem viva. Enlacei a jovem amiga que me sorriu, perguntando:
- E agora, Luiz, aonde iremos?
- Vamos até Inácio e Dra. Alanda, eles é que irão determinar. Confesso que estou ficando cada vez mais curioso.
- Quem diria, hein, Luiz Sérgio, que existem tão variados casos de suicídio!
- Encontramos no livro nos Espíritos boas explicações, pena é que poucos procuram a verdade nessa obra tão completa. Encontramos na pergunta 957: Quais são, em geral, as conseqüências do suicídio sobre o estado do Espírito? R: As conseqüências são muito diversas: não há penas fixadas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que o provocam. Mas uma conseqüência à qual o suicida não pode fugir é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns espiam sua falta imediatamente, outros em uma nova existência que será pior que aquela da qual interromperam o curso. Todas as respostas do livro dos Espíritos merecem ser lidas pelos estudiosos.
- Luiz, mesmo aqui, quantos casos já presenciamos, cada qual em situação bem diferente?
O Dr. Inácio nos sorriu quando chegamos.
- Como estão passando, irmãos? Satisfeitos com o aprendizado?
- Viemos agradecer ao amigo e nos colocar às ordens para novos estudos.
- Estávamos exatamente esperando por vocês. No pavilhão trinta há dois casos que merecem ser estudados. Se desejarem, podem dar uma chegadinha até lá.
- Podemos ir agora mesmo ou necessitamos de autorização?
- Aguardem um pouco mais, Irany irá levá-los, ele conhece bem esse setor.
Sentamos-nos, eu e Alice, e confesso que nem posso narrar o tempo que ali passamos. Sei que devo ter dormido um pouco porque me senti reconfortado ao ser despertado pela voz de Inácio.
- Irmão Irany, desejo que leve os meninos ao pavilhão trinta.
Muito gentil, convidou-nos a acompanhá-lo, o que fizemos de bom grado. Lá chegando, recebemos um passe de reequilíbrio e só depois fomos introduzidos na câmara de tratamento, onde quatro corpos jaziam imóveis. Aproximei-me. Os irmãos gemiam bastante. Era como já estivessem cobertos de piche. O tratamento consistia em aplicar passes reconfortantes, mas mesmo assim eles não se acalmavam. Fiquei penalizado. Dos corpos escorria um limo preto, gelatinoso. Não resisti à curiosidade e perguntei:
- Como se suicidaram?
- Desejando chamar atenção para uma determinada situação, untaram o corpo com uma substância considerada por eles sagrada e depois se sacrificaram. Hoje lutam para se verem livres do martírio, mas por mais que se esforcem, concentram a mente no momento dramático do suicídio.
Presenciamos os médicos, através da força mental, adormecer-lhes a consciência que, atormentada pelo remorso, martirizava-lhes o corpo. Eles me pareciam fumegantes. Indaguei:
- Há quantos dias eles se encontram aqui?
Irany olhou-me curiosamente, talvez surpreso pela tola pergunta que eu fizera, mas respondeu:
- Dias, menino? Eles estão aqui há muito tempo. A moça há vinte anos; o rapaz há oito, o velho há trinta, o garoto há vinte e seis.
- Meu Deus, e eles sofrem há esse tempo todo?
- Sim, Luiz Sérgio, o sofrimento foi plasmado através da própria vontade.
- E por quanto tempo eles ainda ficarão aqui?
- Dependerá da vontade de cada um. Já acolhemos espíritos na mesma situação que só permaneceram aqui três anos; outros mais de trinta anos. No livro da Vida somos donos dos nossos escritos, e eles grafaram a palavra dor de uma maneira bem profunda.
Os enfermeiros aplicavam passes e faziam a lavagem perispiritual. Antes de deixar o local, fitei-os mais uma vez e estremeci com aqueles gemidos de dor. Ao ganharmos o pátio, senti o calor do sol que beijava os nossos corpos e pedi ao Senhor perdão pelos nossos erros. Alice, com os olhos marejados de lagrimas, disse-me:
- Luiz, por que o homem mão conhece a si próprio? Se todos se preocupassem com a vida, ela seria melhor aproveitada.
- É isso o que a Doutrina Espírita está tentando fazer, irmã, dar ao homem a chave da vida eterna.
Mas a exemplo de tudo o que nos chama à realidade, relutamos em aceitá-la. A doutrina Espírita é o farol, o alicerce e a asa, porque nos clareia o caminho, firma os nossos passos e nos dá a liberdade. Aceitá-la é renunciar a nós mesmos.
- É isso aí. Um dia chegaremos lá.
-Assim espero.
Mãos Estendidas  Luiz Sérgio  cap. V  pág. 99