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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ESTUDO 39 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO VI MANIFESTAÇÕES VISUAIS - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES Itens 108




 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores) Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VI  

MANIFESTAÇÕES VISUAIS

Estudo 39 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES 

Itens 108

Allan Kardec prossegue estudando o fenômeno das aparições, agora fazendo algumas considerações sobre um sistema - um conjunto de hipóteses para explicar determinados fenômenos - especial para as manifestações visuais de Espíritos: o sistema dos Espíritos glóbulos.
Segundo este sistema, a visão de Espíritos por supostos médiuns nada mais séria do que um fenômeno óptico, isto é, uma ilusão decorrente de uma falha da transmissão da luz através dos órgãos receptores (de luz), o aparelho óptico. Essas alucinações visuais limitam-se em geral à percepção de luzes, cores, pontos luminosos ou escuros no campo visual, o que diferirá das alucinações de ordem neuropsiquiátricas, que consistem na visão de objetos conhecidos ou não, com forma, cor, tamanho, profundidade e até movimentos bem definidos. Esse tipo de alucinação será estudado a seguir, ainda neste capítulo de O Livro dos Médiuns.
Considerando agora o aparelho óptico que nos permite enxergar, observaremos que sua função é a de captar a luz ambiente irradiada por fontes primárias - que possuem luz própria - ou secundárias - que refletem a luz de fontes primárias. Além disso, o sistema óptico deve transformar as informações luminosas em impulsos elétricos (neurais) para o sistema nervoso e, daí, reconstruir psiquicamente a informação visual para o Espírito.
Para essa função, destaquemos algumas estruturas importantes: o globo ocular, o nervo óptico e o cérebro. No globo ocular, observamos alguns componentes importantes para a captação e adaptação dos raios luminosos do meio externo para sua posterior decodificação
Alguns raios luminosos emitidos pelo objeto são captados pelo globo ocular. Atravessam a córnea, uma estrutura altamente transparente, cuja função é servir de um meio refratário para direcionar corretamente os raios luminosos para a pupila (a "menina dos olhos"). Esta é a abertura da íris, cuja função é regular o grau de dilatação do orifício pupilar, ou seja, abrir a pupila num ambiente escuro e retraí-la num ambiente muito claro.
Passando pela pupila, os raios luminosos atingem a retina, o componente fundamental para a transdução do sinal luminoso em impulso nervoso (elétrico). Nesse trajeto, a luz é conduzida por dois meios líquidos: o humor aquoso, da córnea à íris e o humor vítreo, da íris à retina. A retina é a camada mais interna do globo ocular, composta de dez sub-camadas de células, que captam a imagem reproduzida e a convertem em impulsos eletrofisiológicos às fibras nervosas, com as quais está conectada. Estas se reúnem num só feixe, formando o nervo óptico, um de cada lado, que seguem para cérebro. Depois de algumas "estações cerebrais", a informação visual chega ao córtex cerebral, no polo occipital, chamado justamente de córtex visual. As informações então são processadas e integradas para gerar a sensação de forma, cor, profundidade e movimento.
Dessa forma, para a formação da imagem na retina e daí para o cérebro é necessário que todas as estruturas estejam íntegras e funcionantes. Se ocorrer alguma perturbação (leve ou importante), a imagem pode não se formar perfeitamente. Além disso, estímulos mecânicos ou de outra ordem podem gerar estímulos sobre essas vias, não necessariamente relacionados com uma fonte luminosa real. Porém a sensação será visual. Essa é a base para as ilusões ou alucinações visuais de natureza óptica.
O Codificador do Espiritismo, no item 108 de O Livro dos Médiuns, aponta algumas explicações para a formação dessas imagens estranhas e sem significados. Menciona Allan Kardec, "discos luminosos", "moscas amauróticas", "centelhas", etc. Hoje, a semiotécnica também menciona "moscas volantes", "escotomas" e outros.
Em verdade, todos os dias ocorrem espontânea e fisiologicamente fenômenos ópticos, muito aproveitados por "ilusionistas" em apresentações públicas. As centelhas ou moscas volantes podem ser decorrentes do excesso de luminosidade do ambiente, quando as pupilas ainda não se fecharam suficientemente. Um "ponto cego" todos possuem no ponto da retina para onde convergem as fibras ópticas para formar o nervo óptico (disco do nervo óptico). Em geral esses tipos de fenômenos são extremamente transitórios ou o córtex adaptou-se a ponto de suprimi-los.
Obviamente, acometimentos patológicos da córnea, íris, humor aquoso ou vítreo, retina, nervo óptico e córtex visual podem provocar sinais e sintomas típicos, clinicamente diagnosticados. Escotomas ou manchas negras no campo visual sugerem uma provável lesão da retina ou dos nervos ópticos; moscas volantes, pontos luminosos duradouros ou "chuviscos" sugerem hipertensão intracraniana; além de muitos outros.
De qualquer forma, e seja lá o que for, essas imagens, por mais que se movam ou façam piruetas no campo visual, estão longe de ser fenômenos mediúnicos. Todo efeito mediúnico possui como causa um ser espiritual inteligente que se manifesta com alguma intenção. "Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente", dizia Allan Kardec, e "todo efeito sem inteligência tem uma causa não inteligente". Assim, essas ilusões ópticas grosseiras jamais poderão ser confundidas com fenômenos mediúnicos, inteligentes e intencionais. É preferível, pois, restringir-se a observar com cautela antes de especular, para não alimentar os incrédulos, "já naturalmente dispostos a procurar o ridículo".
 BIBLIOGRAFIA:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - item 108 - 2ª Parte

PORTO, Celmo Celeno - Semiologia Médica. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001 - Cap. 11, 12 e 13

Matheus Artioli Firmino
Outubro / 2004

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br