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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

ESTUDO 35 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO VI MANIFESTAÇÕES VISUAIS - Item 100 (itens 12 a 18) - Perguntas sobre as Aparições

 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores) Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS
CAPITULO VI  
MANIFESTAÇÕES VISUAIS

Estudo 35
Item 100 (itens 12 a 18) - Perguntas sobre as Aparições

Continuando nossa análise das questões apresentadas por Allan Kardec aos Espíritos, identificamos a objetividade e simplicidade com que foram tratados assuntos que ainda hoje nos chegam revestidos do "sobrenatural e maravilhoso", o que mostra a necessidade de estudá-los à luz da Doutrina Espírita.
12ª Os Espíritos que aparecem com asas, realmente as têm ou essas asas são apenas uma aparência simbólica?
— Os Espíritos não têm asas. Não precisam delas, pois podem transportar-se por toda parte como Espíritos. Aparecem da maneira por que querem impressionar a pessoa a que se mostram. Uns aparecerão em trajes comuns, outros envoltos em amplas roupagens, alguns com asas, como atributo da categoria espiritual a que pertencem.
13ª As pessoas que vemos em sonho são sempre as que parecem ser? 
— São quase sempre as mesmas pessoas que o teu Espírito vai encontrar ou que vêm te encontrar.
14ª Não poderiam os Espíritos zombeteiros tomar as aparências das pessoas que nos são caras e nos iludirem?
— Tomam aparências fantasiosas para se divertirem à vossa custa, mas há coisas com as quais não lhes é permitido.
15ª Como o pensamento é uma espécie de evocação, compreende-se que possa atrair Espíritos. Mas por que, quase sempre, as pessoas em que pensamos, que ardentemente desejamos rever, jamais aparecem nos sonhos, enquanto vemos outras que não nos interessam e nas quais nunca pensamos?
— Os Espíritos nem sempre podem manifestar-se visivelmente, mesmo em sonho e apesar do desejo que tenhamos de vê-los. Causas independentes da sua vontade podem impedi-los. Frequentemente é também uma prova que o mais ardente desejo não pode afastar. Quanto às pessoas que não interessam, se é certo que não pensais nelas, é possível que pensem em vós. Aliás, não podeis fazer ideia das relações no mundo dos Espíritos. Lá tendes uma multidão de conhecidos íntimos, antigos e novos, de que não suspeitais quando acordados.
NOTA - Quando nenhum meio tenhamos de verificar a realidade das visões ou aparições, podemos sem dúvida lançá-las à conta da alucinação. Quando, porém, os sucessos as confirmam, ninguém tem o direito de atribuí-las à imaginação. Tais, por exemplo, as aparições, que temos em sonho ou em estado de vigília, de pessoas em quem absolutamente não pensávamos e que, produzindo-as no momento em que morrem, vem, por meio de sinais diversos, revelar as circunstâncias totalmente ignoradas em que faleceram. Têm-se visto cavalos empinarem e recusarem caminhar para a frente, por motivo de aparições que assustam os cavaleiros que os montam. Embora se admita que a imaginação desempenhe aí algum papel, quando o fato se passa com os homens, ninguém, certamente, negará que ela nada tem que ver com o caso, quando este se dá com os animais. Acresce que, se fosse exato que as imagens que vemos em sonho são sempre efeito das nossas preocupações quando acordados, não haveria como explicar que nunca sonhemos, conforme se verifica frequentemente, com aquilo em que mais pensamos (Allan Kardec).
16ª Por que razão certas visões ocorrem com mais frequência quando se está doente? 
— Elas ocorrem do mesmo modo no estado de perfeita saúde. Simplesmente, no estado de doença, os laços materiais se afrouxam; a fraqueza do corpo permite maior liberdade ao Espírito, que, então, se põe mais facilmente em comunicação com os outros Espíritos.
17ª As aparições espontâneas parecem mais frequentes em certos países. Será que alguns povos estão mais bem dotados do que outros para receberem esta espécie de manifestações? 
— Fizestes um registro histórico de cada aparição? As aparições, como os ruídos e todas as manifestações, produzem-se igualmente em todos os pontos da Terra; apresentam, porém, caracteres distintos, de conformidade com o povo em cujo seio se verificam. Entre estes, por exemplo, a escrita é pouco desenvolvida e não há médiuns escreventes; entre outros eles abundam; além disso, observam-se mais os ruídos e os movimentos de objetos do que as manifestações inteligentes, por serem estas menos apreciadas e procuradas.
18ª Por que as aparições se verificam mais à noite? 
— Pela mesma razão que vês as estrelas à noite e não em pleno dia. A claridade intensa pode ofuscar uma aparição delicada. Mas é errôneo supor que a noite tenha algo de espacial para isso. Interroga os que as viram e constatarás que a maioria ocorre de dia. 
Concluímos nosso estudo com nota de Allan Kardec colocada após o item 18:
— Os fenômenos de aparição são muito mais frequentes e gerais do que se pensa, porém, muitas pessoas não os revelam por medo do ridículo e outras os atribuem à ilusão. Se parecem mais numerosas entre alguns povos, é porque esses conservam com mais cuidado as tradições verdadeiras ou falsas, quase sempre ampliadas pelo poder do maravilhoso, a que mais ou menos se preste o aspecto das localidades. A credulidade então faz que se vejam efeitos sobrenaturais nos mais vulgares fenômenos: o silêncio da solidão, o íngreme caminho, o rumorejar da floresta, as rajadas da tempestade, o eco das montanhas, a forma fantástica das nuvens, as sombras, as miragens, tudo enfim se presta à ilusão das imaginações simples e ingênuas, que de boa-fé narram o que viram, ou julgaram ver. Porém, ao lado da ficção, há a realidade, que o estudo sério do Espiritismo consegue livrar dos acessórios das superstições ridículas.

BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte
KARDEC, Allan - Revista Espírita, 1861 - Julho: Brasília: EDICEL. Ensaio sobre a teoria da alucinação; Variedades - As visões do Sr. O.

Tereza Cristina D'Alessandro
Junho / 2004

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br