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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

nl03_09 LIVRO NO MUNDO MAIOR = Mediunidade

nl03_09 LIVRO NO MUNDO MAIOR = Mediunidade
Trechos do Capítulo do Livro:
(...)
Alguns estudiosos do Espiritismo, devotados e honestos, reconhecendo os escolhos do campo do mediunismo criaram a hipótese do fantasma anímico do próprio medianeiro, o qual agiria em lugar das entidades desencarnadas. Seria essa teoria adequada ao caso vertente? Sob a evocação de certas imagens, o pensamento do médium não se tornaria sujeito a determinadas associações, interferindo automaticamente no intercâmbio entre os homens da Terra e os habitantes do Além? Tais intervenções, em muitos casos, poderiam provocar desequilíbrios intensos. Ponderando observações ouvidas nos últimos tempos, em vários centros de cultura espiritualista, com referência ao assunto, inquiria de mim mesmo se o problema oferecia relações com os mesmos princípios de Pavlov.
(...)
_ A consulta exige meditação mais acuradas. A tese animista é respeitável. Partiu de investigadores conscienciosos e sinceros, e nasceu para coibir os prováveis abusos da imaginação; entretanto, vem sendo usada cruelmente pela maioria dos nossos colaboradores encarnados, que fazem dela um órgão inquisitorial, quando deveriam aproveitá-la como elemento educativo, na ação fraterna. Milhares de companheiros fogem ao trabalho, amedrontados, recuam ante os percalços da iniciação mediúnica, porque o animismo se converteu em Cérbero. Afirmações sérias e edificantes, tornadas em opressivo sistema, impedem a passagem dos candidatos ao serviço pela gradação natural do aprendizado e da aplicação. Reclama-se deles precisão absoluta, olvidando-se lições elementares da natureza. Recolhidos no castelo teórico, inúmeros amigos nossos, em se reunindo para o elevado serviço de intercâmbio com a nossa esfera, não aceitam comumente os servidores que hão-de crescer e de aperfeiçoar-se com o tempo e com o esforço. Exigem meros aparelhos de comunicação, como se a luz espiritual se transmitisse da mesma sorte que a luz elétrica por uma lâmpada vulgar. Nenhuma árvore nasce produzindo, e qualquer faculdade nobre requer burilamento. A mediunidade tem, pois, sua evolução, seu campo, sua rota. (...) Daí, André, nossa legítima preocupação em face da tese animista, que pretende enfeixar toda a responsabilidade do trabalho espiritual numa única cabeça, isto é, a do instrumento mediúnico. Precisamos de apelos mais altos, que animem os cooperadores incipientes, proporcionando-lhes mais vastos recursos de conhecimento na estrada por eles perlustrada, a fim de que a espiritualidade santificante penetre os fenômenos e estudos atinentes ao espírito.
(...)
_ Vamos à tua sugestão. Os reflexos condicionados enquadram-se, efetivamente, no assunto: no entanto, cumpre-nos investigar domínio de mais graves apreciações. Os animais de Pavlov demonstravam capacidade mnemônica; memorizavam fatos por associações mentais espontâneas. Isto quer dizer que mobilizavam matéria sutil, independentemente do corpo denso; que jogavam com forças mentais em "consciências fragmentárias" do experimento eram capazes de usar essa energia, provocando a repetição de determinados fenômenos no cosmo celular, que prodígios não realizará a mente de um homem, cedendo, não a meros reflexos condicionados, mas a emissões de outra mente em sintonia com a dele? Dentre tais princípios, é imperioso que o intermediário cresça em valor próprio. Ocorrências extraordinárias e desconhecidas ocupam a vida em todos os recantos, mas a elevação condiciona fervorosa procura. Ninguém receberá as bênçãos da colheita, sem o suor da sementeira. Lamentavelmente, porém, a maior parte de nossos amigos parece desconhecerem tais imposições de trabalho e cooperação: exigem faculdades completas. O instrumento mediúnico é automaticamente desclassificado se não tem a felicidade de exibir absoluta harmonia com os desencarnados, no campo tríplice das forças mentais, perispirituais e fisiológicas. Compreendes a dificuldade?
(...)
_ Buscando símbolo mais singelo, figuremos o médium como sendo uma ponte a ligar duas esferas, entre as quais se estabeleceu aparente solução de continuidade, em virtude de diferenciação da matéria no campo vibratório. Para ser instrumento relativamente exato, é-lhe imprescindível haver aprendido a ceder, e nem todos os artífices da oficina mediúnica realizam, a breve trecho, tal aquisição, que reclama devoção à felicidade do próximo, elevada compreensão do bem coletivo, avançado espírito de concurso fraterno e de serena superioridade nos atritos com a opinião alheia. Para conseguir edificação dessa natureza, faz-se mister o refúgio frequente à "moradia dos princípios superiores". A mente do servidor há-de fixar-se nas zonas mais altas do ser, onde aprenderá o valor das concepções sublimes, renovando-se e quintessenciando-se para constituir elemento padrão dos que lhe seguem a trajetória. O homem, para auxiliar o presente, é obrigado a viver no futuro da raça. A vanguarda impõe-lhe a soledade e a incompreensão, por vezes dolorosas; todavia, essa condição representa artigo da Lei que nos estatui adquirir para podermos dar. Ninguém pode ensinar caminhos que não haja percorrido. Nasce daí, em se tratando de mediunidade edificante, a necessidade de fixação das energias instrumentais no santuário mais alto da personalidade. Fenômenos – não lhes importa a natureza – é forçoso reconhecer que assediam a criatura em toda parte. A ciência legítima é a conquista gradual das forças e operações da Natureza, que se mantinham ocultas à nossa acanhada apreensão. E como somos filhos do Deus Revelador, infinito em grandeza, é de esperar tenhamos sempre à frente ilimitados campos de observação, cujas portas se abrirão ao nosso desejo de conhecimento, à maneira que agradeçam nossos títulos meritórios. Por isto, André, consideramos que a mediunidade mais estável e mais bela começa, entre os homens, no império da intuição pura. (...) No mediunismo comum , portanto, o colaborador servirá com a matéria mental que lhe é própria, sofrendo-lhe as imprecisões naturais diante da investigação terrestre; e , após adaptar-se aos imperativos mais nobres da renúncia pessoal, edificará, não de improviso , mas à custa de trabalho incessante, o templo interior de serviço , no qual reconhecerá a superioridade do programa divino acima de seus caprichos humanos. Atingida essa realização, estará preparado para sintonizar-se com o maior número de desencarnados e encarnados, oferecendo-lhes, como a ponte benfeitora, oportunidade de se encontrarem uns com os outros, na posição evolutiva em que permaneçam, através de entendimentos construtivos. Devo dizer-te aqui que não cogitamos aqui de faculdades acidentais, que aparecem e desaparecem entre candidatos ao serviço, sem espírito de ordem e de disciplina, verdadeiros balões de ensaio para os vôos do porvir; referimo-nos à mediunidade aceita pelo cooperado e mobilizável em qualquer situação para o bem geral. (...)

(...)
_ Reportando-nos (...) Há milhões de seres humanos, encarnados e desencarnados, de mente fixa na região menos elevada dos impulsos inferiores, absorvidos pelas paixões instintivas, pelos remanescentes do pretérito envilecido, presos aos reflexos condicionados das comoções perturbadoras a que, inermes, se entregaram; outros tanto mantêm-se, jungidos à carne e fora dela, na atividade desordenada, em manifestações afetivas sem rumo, no apego desvairado à forma que passou ou à situação que não mais se justifica ; outros, ainda, param na posição beata do misticismo religioso exclusivo, sem realizações pessoais no setor da experiência e do mérito, que os integre no quadro da lídima elevação. Subtraído o corpo físico, a situação, prossegue quase sempre inalterada, para o organismo perispiritico, fruto do trabalho paciente e da longa evolução. Esse organismo, constituído, embora, de elementos mais plásticos e sutis, ainda é edifício material de retenção da consciência. Muita gente , no plano da Crosta Planetária, conjetura que o Céu nos revista de túnica angelical, logo que baixado o corpo ao sepulcro. Isto, porém, é grave erro no terreno da expectativa. (...); falamos de pessoas vulgares, quais nós mesmos, que nos vamos em jornada progressiva, mais ou menos normal, para concluir que, tal o estado mental que alimentamos, tais as inteligências, desencarnadas ou encarnadas, que atraímos, e das quais nos fazemos instrumentos naturais, embora de modo indireto. E a realidade, meu amigo, é que todos nós, que nos contamos por centenas de milhões não prescindimos de medianeiros iluminados, aptos a colocar-nos em comunicação com as fontes do Suprimento Superior (...)
(...)
_ Compreender, agora a importância da mediunidade, isto é, da elevação de nossas qualidades receptivas para alcançarem a necessária sintonia com os mananciais da Vida superior?
(...)
_ Não é serviço que possamos organizar da periferia para o centro – prosseguiu Calderaro – e sim do interior para o exterior (...)
_ O caso é oportuno., Observarás comigo os obstáculos criados pela tesa animista.
(...)
_ Dificilmente – informou o interpelado – os recurso de comunicação ao meu alcance ainda não são de molde a inspirar confiança à maioria dos companheiros encarnados. A bem dizer, não me interessa comparecer aqui, de nome aureolado por terminologia clássica, e nem me abalançaria a oferecer teses novas, concorrendo com o mundo médico. Guia-me, agora, tão somente o sadio desejo de praticar o bem. Entretanto...
_ Ainda não lhe ouviram os apelos, por intermédio de Eulália? – perguntou meu instrutor.
_ Não, por enquanto, não, Sempre a mesma suspeita de animismo, de mistificação inconsciente...
(...)
_ Repara o conjunto. Já fiz meus apontamentos. Com exceção de três pessoas, os demais, em número de oito, guardam atitude favorável. Todos esses encontram-se na posição de médiuns, pela passividade que demonstram. Analisa a irmã Eulália e reconhecerás que o estado receptivo mais adiantado lhe pertence; dos oito cooperadores prováveis, é a que mais se aproxima do tipo necessário. No entanto, o nosso amigo médico não encontra em sua organização psicofísica elementos afins perfeitos, nossa colaboradora não se liga a ele através de todos os seus centros perispirituais; não é capaz de elevar-se à mesma frequência de vibrações em que se acha o comunicante; não possui suficiente "espaço interior" para comungar-lhe as idéias e os conhecimentos; não lhe absorve o entusiasmo total pela ciência, por ainda não trazer de outras existências, nem haver construído, na experiência atual, as necessárias teclas evolucionárias, que só o trabalho sentido e vivido pode lhe conferir. Eulália manifesta, contudo, um grande poder – o de boa vontade criadora, sem o qual é impossível o início da ascensão às zonas mais altas da vida. É a porta mais importante, pela qual se entenderá com o médico desencarnado. (...)Poderá identificar-se com Eulália para a mensagem precisa, usando também, a seu turno, a boa vontade; e , adotando esta forma de comunicação valer-se-á , acima de tudo, da comunhão mental, reduzindo ao mínimo a influência sobre os centros neuropsíquicos; é que, em matéria de mediunismo, há tipos idênticos de faculdades, mas enormes desigualdades nos graus de capacidade receptiva, os quais variam infinitamente, como as pessoas.
(...)
_ Não nos esqueçamos que formamos agora uma equipe de trabalhadores em ação experimental. Nem o provável comunicante chegou a concretizar as bases de seu projeto, nem a médium conseguiu ainda suficiente clareza e permeabilidade para cooperar com ele. Num terreno de atividades definidas neste particular, poderíamos agir à vontade; aqui, não; nosso procedimento deve ser de neutralidade mental; não de interferência. (...)
(...)
_ Anota as particularidades do serviço – disse-me Calderaro, com significativa inflexão de voz – todos os companheiros em posição de receptividade estão absorvendo a emissão mental do comunicante, cada qual a seu modo. Repara calmamente.
Circundei a mesa e vi que os raios de força positiva do mensageiro efetivamente incidiam em oito pessoas (...)
(...)
Somente Eulália recebia o apelo do comunicante com mais nitidez. Sentia-se ao seu lado; envolvia-se em seus pensamentos; possuía-se, não só de receptividade, mas também de boa disposição.
(...)
Decorridos (...) começou a escrever (...)
Mais alguns momentos e fazia-se a leitura do pequeno texto obtido.
(...)
O presidente da sessão, seguido pelos demais companheiros, iniciou o estudo e debate da mensagem. Concordou-se em que era edificante na essência, mas não apresentava índices concludentes da identificação individual; não procedia, possivelmente, do conhecido profissional que a subscrevera; faltavam-lhe os característicos especiais, pois um médico usaria nomenclatura adequada, e se afastaria da craveira comum.
E a tese animista apareceu como tábua de salvação para todos. Transferiu-se a conversação para complicadas referências ao mundo europeu; falou-se extensamente de Richet e do metapsiquismo internacional; Pierre Janet, Charcot, De Rochas e Aksakof eram a cada passo trazidos à baila.
O comunicante, em nosso plano de ação, dirigiu-se, desapontado, ao meu orientador e comentou:
_ Ora, essa! Jamais desejei despertar semelhante polêmica doméstica. Pretendemos algo diferente. Bastar-nos-ia um pouco de amor pelos enfermos, nada mais.
(...)
A médium ouvia as definições preciosas com irrefreável amargura.
(...)
_ Nossos amigos encarnados nem sempre examinam as situações pelo prisma da justiça real. Eulália é colaboradora preciosa e sincera. Se ainda não completou as aquisições culturais no campo científico é suficientemente rica de amor para contribuir à sementeira de luz. Encontra-se, porem, desabrigada, entre os companheiros invigilantes. Permanece sozinha e, assediada, como está, é suscetível de abater-se. Auxiliemo-la sem detença.
(...)
Bibliografia básica:
LE ( capítulos III, VI, IX , X)
LM (capítulos XIV, XXIV, XVII, XIX, XX, XXI, XXVII, XXXI)
ESE
Bibliografia (alguma) de apoio sugerida:
Estudos Espíritas (Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis) – Cap 18
Atualidade do Pensamento Espírita (Divaldo P. Franco por Vianna de Carvalho) – Questões 212/213
Médiuns e Mediunidade (Divaldo P. Franco por Vianna de Carvalho)
Mediunidade – J. H. Pires
Estudando a Mediunidade – Martins Peralva
Curso de Educação Mediúnica – FEESP
Questões
Qual a "conceituação" que nos informa os Espíritos, pela codificação de Allan Kardec, no LM?
Qual a visão que nos apresenta Calderaro na obra estudada de André Luiz?
O que é mediunidade?
Quais e como são sua forma de expressão no nosso dia-a-dia?
Há regras determinadas para que se haja a comunicação entre o Plano Espiritual e o Plano Terrestre?
O que é Animismo ou Tese Anímica? Como deve ser tratada a questão em nossa realidade terrestre?
O que Calderaro, através de AL, quis dizer com: "Por isto, André, consideramos que a mediunidade mais estável e mais bela começa, entre os homens, no império da intuição pura"?
Existe e, se positivo, quais as qualidades essenciais a uma boa comunicação entre os dois planos?
Como identificar uma comunicação vinda através da comunicação entre planos? Podemos identificar os propósitos dos Espíritos comunicantes? Como fazer essa identificação?
Conclusão:
Nesse Capítulo, André Luiz aborda um tema importante no estudo da mediunidade: o animismo.
Comparecendo a uma seção mediúnica,  o Autor abordou esse  tema junto  ao assistente Calderaro, obtendo dele importantes ensinamentos a respeito não só da mediunidade como também da interferência do fenômeno anímico nas manifestações mediúnicas.
Questões propostas para estudo e participação
1)  Qual a "conceituação" de mediunidade que nos informam os Espíritos, pela codificação de Allan Kardec, no Livro dos Médiuns?
De conformidade com os conceitos expendidos por Kardec,  no "Livro dos Médiuns", todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Para expressar essa faculdade é que Kardec criou o neologismo "mediunidade".
Todavia, usualmente, assim só se qualifica essa faculdade naqueles em quem ela se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que,  então, depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
2)  Qual a visão que nos apresenta Calderaro, sobre mediunidade, na obra estudada de André Luiz?
Calderaro vê a mediunidade como uma conquista a ser alcançada gradualmente, aos poucos, etapa por etapa.  Como uma árvore, que antes de dar frutos tem que ser semeada e cultivada no correr do tempo.  Para ser instrumento confiável, utilizado por bons espíritos, o Assistente ensina que o médium deve passar por processo de reforma interna, em que vai aprendendo a ceder, a se devotar ao auxílio do próximo, a praticar a caridade e  o convívio fraterno.  Vai sendo burilado aos poucos e, à medida que vai se transformando e aceitando os princípios da Lei Divina, vai ganhando a confiança dos bons espíritos, que dele vão se aproximando.
3)  O que é mediunidade?
É essa faculdade acentuada, que vai sendo elaborada gradativamente nas pessoas que dela são dotadas, de servir como intermediário entre os espíritos desencarnados e os que se encontram na vivência da carne.  Pode se manifestar sob diversas formas e com  objetivos também variados, de conformidade com a natureza do médium.  A mediunidade em si não é boa nem má. É neutra. O que a vai qualificar é a destinação que lhe é dada pelo médium, ou seja, os fins para os quais vai dela se utilizar, se nobres ou não.
4)  Quais e como são sua forma de expressão no nosso dia-a-dia?
A mediunidade, em sentido amplo, manifesta-se, no nosso dia-dia, das mais variadas formas, algumas, até, que nós sequer chegamos a perceber.  Assim, essa mediunidade, de que todos somos dotados, pode se manifestar através do pensamento, da intuição,  do contato com o plano espiritual mediante o desprendimento do corpo físico durante os momentos de sono, por uma premonição e sob outras formas.  Os espíritos nos influem mais do que podemos imaginar; em geral, são eles que nos dirigem (Livro dos Espíritos, questão 459).
5)  Há regras determinadas para que se haja a comunicação entre o Plano Espiritual e o Plano Terrestre?
Determinadas cautelas devem ser seguidas para se evitar conseqüências danosas: a comunicação deve se operar no âmbito de uma casa espírita, onde há toda uma proteção espiritual superior; os fins devem ser sérios; os médiuns devem estar devidamente preparados pela prática, pelo estudo e por uma conduta moral ilibada.
6)  O que é Animismo ou Tese Anímica? Como deve ser tratada a questão em nossa realidade terrestre?
Animismo é uma forma de manifestação psíquica em que o espírito encarnado se emancipa do corpo físico e entra em ação, atuando além dos sentidos orgânicos e no exercício de uma faculdade supranormal.  São casos mais comuns os de emancipação do espírito durante o sono físico, a telepatia, a dupla vista, dentre outros.  Difere-se, portanto, das manifestações mediúnicas, quando o espírito encarnado, no caso um médium, age pela ação de um desencarnado, como seu intermediário.
Numa manifestação mediúnica, é necessário o cuidado de evitar que o médium coloque, inconscientemente, suas impressões, sua vivência, na interpretação da mensagem.  Só a prática e o estudo, à medida que vai desenvolvendo essa  faculdade é que o médium vai afastando essa possibilidade.
7)  O que Calderaro, através de André Lui\, quis dizer com: "Por isto, André, consideramos que a mediunidade mais estável e mais bela começa, entre os homens, no império da  intuição pura"?
Entendemos que Calderaro quis se referir à mediunidade manifestada naquele que ainda não tomou consciência do fenômeno.  Não tendo consciência da mediunidade, o médium recebe a intuição pura, livre das impressões pessoais.  Nesse caso, considera o Assistente que a manifestação mediúnica é mais segura, pois expressa de maneira mais espontânea.
8 - Existe e, se positivo, quais as qualidades essenciais a uma boa comunicação entre os dois planos?
Para uma boa comunicação é necessário um bom médium.  Aquele que  possui qualidades essenciais para o desenvolvimento do trabalho mediúnico, como ter aprendido a ceder em função do próximo que lhe procura. Devoção à felicidade do próximo, elevada compreensão do bem coletivo, avançado espírito de concurso fraterno  e  de  serena superioridade nos atritos com a opinião alheia, refugiar-se freqüentemente à "moradia dos princípios superiores", fixar-se a mente nas zonas mais altas do ser.  É necessário que o médium tenha a consciência de que ele está lá para servir e não ser servido.  Beneficiar ao próximo e não a ele próprio. Sobretudo é essencial fazer-se os trabalhos com puro e devoto amor ao próximo e a Jesus, pois fazendo com verdadeiro amor, os riscos de se  errar diminuem.
9)  Como identificar uma comunicação vinda através da comunicação entre planos? Podemos identificar os propósitos dos Espíritos comunicantes?  Como fazer  essa identificação?
É preciso que se analise o teor da comunicação.   A qualidade desta vai depender da qualidade do espírito comunicante. Um espírito de elevada evolução somente faz comunicação com propósitos elevados, nobres;  espíritos de baixa vibração se comunicam para nos causar transtornos ou para se divertirem.  Por essa razão é que devemos seguir a orientação de João:
"Não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os
espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas

se levantaram no mundo."  ( I João, 4,1)