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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CAPÍTULO XVII: SEDE PERFEITOS ITEM 3: PARÁGRAFOS 1 AO 9 E 20: O HOMEM DE BEM

O Evangelho Segundo o Espiritismo    

8/11/2014




No vigésimo parágrafo do texto, Kardec escreve que a relação das  dezenove  qualidades necessárias para que um homem seja considerado um homem de bem, segundo a doutrina espírita, não está completa, “mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às demais.”
O verdadeiro homem de bem é aquele que se preocupa em agir sempre, em qualquer ou circunstância, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, obedecendo à lei de justiça, de amor e caridade. Vigia-se para não causar prejuízos, mágoas, ofensas a quem quer que seja, vendo e sentindo em cada um, um irmão em desenvolvimento, como ele próprio,  para fazer todo o bem que pode, sem omitir-se, mas também sem impor condições.
Coloca-se sempre, em pensamento, no lugar do outro, procurando sentir o que ele sente, suas necessidades materiais e espirituais, fazendo por ele, o que gostaria que lhe fizessem, se estivesse na mesma situação do outro. Pode enganar-se, por vez, mas, não será considerado, por ele e pelo outro, injusto, maldoso, sem caridade, porque fez, exatamente, o que queria que lhe fizessem, agindo segundo o ensinamento de Jesus.
Confia em Deus, na sua bondade, na sua justiça, na sua sabedoria. Sabe que nada acontece fora das suas leis, e, submete-se a elas com a certeza de que o Pai sabe o que faz e quer o melhor para seus filhos. Assim, não se revolta, não se desespera, mantém sua fé n’Ele, em qualquer situação, submetendo-se sempre à sua vontade, que é sempre a vontade do bem.
Tem fé no futuro, colocando os bens espirituais acima dos bens materiais, porque sabe que esse futuro depende do presente, que por sua vez, é consequência de um passado. Aceitando o futuro espiritual, sabe que leva consigo, somente, os bens do Espírito, preocupando-se, pois, em desenvolvê-los em si, usando os elementos materiais, que lhe são emprestados e provisórios, em benefício do Ser Essencial, que é eterno e perfectível. Não se prendendo a esses bens, sente-se mais livre para entregar-se aos valores espirituais, que assim, se desenvolvem com segurança, equilíbrio, até em presença da dor e do sofrimento.
Sabe que para Espíritos imperfeitos, todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todos os sofrimentos e frustrações, são expiações ou provas; reconhece que as merece e as sente como oportunidades de ressarcimento de dívidas, de crescimento espiritual, de desenvolvimento de qualificações nobres do Espírito e de eliminação dos vícios e enfermidades da alma, que foram causas das faltas cometidas, das quais sofre, no presente, os efeitos.
A fé na justiça misericordiosa e no amor de Deus o sustenta nessas expiações e provas, naturais em um processo de desenvolvimento espiritual.
Faz o bem pelo amor ao bem, que já desenvolveu em si, não mais querendo fazer o mal, e não mais se omitindo no bem que pode fazer.  Toma a defesa do fraco contra o forte, porque age com justiça, sacrificando sempre o seu interesse a ela. Não sente medo das reações alheias, de ser prejudicado em seus interesses pessoais, porque coloca o amor ao próximo e a paz de consciência acima dos interesses e valores materiais.
Sente prazer em ser bom, em auxiliar o próximo, sem qualquer interesse pessoal, a não ser o de sentir-se feliz em assim fazendo, porque esse sentimento de felicidade é a consequência natural de quem desenvolveu o amor a Deus e o amor ao próximo. “Encontra sua satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos.” Pensa primeiro nos outros, nos seus interesses, antes de pensar em si e nos seus interesses, de forma natural, sentindo-se feliz, sem analisar lucros e perdas, apenas usufruindo da felicidade de fazer os outros felizes.
É bom, humano e benevolente para com todos, sem preconceitos de raças, de crenças, porque considera todos seus irmãos, filhos de um mesmo Pai, em um processo evolutivo, com dificuldades naturais do processo, mas todos ansiando pela felicidade, tanto quanto ele sente.
Sente compaixão dos que buscam essa felicidade nos valores e prazeres materiais, comprometendo a caminhada, mas sabe que todos serão, um dia, perfeitos e felizes. Faz sempre o que pode em favor dos seus irmãos.
Respeita toda convicção sincera nos outros, não censura ninguém, porque sabe que todas as experiências, até as negativas, ensinam e educam, através dos efeitos que provocam, surgindo sempre oportunidades de reajuste e crescimento espiritual. E esse desenvolvimento se faz sempre no uso do livre-arbítrio de cada um, que deve ser respeitado, como o é por Deus, que o deu a seus filhos, para que eles fossem os conquistadores da sua perfeição e felicidade.
“Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia.” Assim, não tem a possibilidade de errar ou de enganar-se, porque a caridade manda fazer somente o que pode beneficiar, ou seja, o bem. Então, o homem de bem não prejudica ninguém com palavras maldosas, não fere as suscetibilidades alheias, porque não despreza ninguém, não se colocando acima dos outros, recuando, sempre que pode evitar, a causar qualquer contrariedade ou sofrimento a alguém.



Leda de Almeida Rezende Ebner