Pesquisar este blog

Páginas

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CAPÍTULO XVII: SEDE PERFEITOS ITEM 4 : OS BONS ESPÍRITAS

O Evangelho Segundo o Espiritismo    



9/12/2014

Allan Kardec, após descobrir, pelas revelações dos Espíritos e pelos seus estudos sérios, a ciência e a filosofia espíritas, percebeu que ambas, bem compreendidas e sentidas, levavam os homens a uma moral que era a mesma de Jesus, nascendo então, a religião espírita, sem hierarquia, sem ritos, sem dogmas, uma religião filosófica, “que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas : as mesmas leis da natureza.” (*)
Por isso, neste texto ele afirma que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são a mesma coisa. “O espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.”
“O espiritismo, bem compreendido, mas sobretudo  sentido, conduz, forçosamente,” o espírita a ser um homem de bem, com as qualificações escritas por Kardec, no item anterior, que estudamos nos dois meses passados.
Isso não significa que todos os espíritas sejam como ele descreveu, pois entre a teoria e a prática há uma longa distância a ser vencida.
Muitos que aceitam a ciência espírita, a que demonstra a realidade do mundo espiritual, suas leis, seus habitantes, seu relacionamento com os encarnados, não percebem seu contexto moral ou não os aplicam a si mesmo.
Allan Kardec afirma que essa situação acontece, não por falta de precisão da doutrina, visto que ela não tem alegorias, símbolos, que possam dar margem a interpretações diversas. Ela é clara, objetiva, pois, dirige-se, primeiro à inteligência, para atingir os sentimentos, as emoções, o coração.
Para entendê-la, não há necessidade de uma grande inteligência e conhecimentos, pois, vê-se homens de notória inteligência e capacidade não a compreenderem, e crianças, jovens e pessoas de pouca instrução, apreenderem seus princípios com facilidade.
Conclui Kardec que os homens que aceitam as manifestações dos Espíritos, que são a parte  material da ciência, exigindo, apenas, olhos para serem observadas, mas não compreendem as consequências intelectuais e morais das mesmas, que são a sua parte essencial, não têm ainda o grau de sensibilidade, que ele denominou  maturidade do senso moral. Independente da idade e do grau de instrução atual, porque é resultante do grau de evolução alcançado pelo Espírito em desenvolvimento, sendo uma das conquistas feitas por ele. Quem ainda não a possui, está desenvolvendo-a no processo evolutivo no qual está inserido.
Pessoas há nas quais o apego às coisas materiais é muito forte, impedindo a visão do infinito.”  Podem aceitar as manifestações espíritas, mas se sentem tão bem nas sensações e prazeres materiais, que não se interessam por nada que possa alterar seu viver atual. Deixa para participar das coisas espirituais quando estiver mais velho ou após a morte: “Assim está tão bom”, dizem.
Alguns chegam a participar de grupos mediúnicos, considerando-se espíritas por isso, interessados no fenômeno e não na filosofia e na moral. Segundo Kardec, são os espíritas imperfeitos, que param no caminho ou se afastam dos companheiros, por não quererem trabalhar na sua transformação espiritual ou por procurarem pessoas que pensam como eles, que têm as mesmas fraquezas ou prevenções.
Já deram, porém, o primeiro passo na aceitação da doutrina, o que lhes facilitará o segundo, na mesma ou em nova existência, embora estejam atrasando a sua libertação do apego ao mundo terreno.
O verdadeiro e sincero espírita encontra-se num grau superior de adiantamento moral, se comparado ao dos espíritas imperfeitos; valoriza mais os bens espirituais do que os materiais, empregando bastante do seu tempo e capacidades no desenvolvimento, em si mesmo, desses valores; tem uma boa percepção do futuro, e sensibiliza-se com os princípios da doutrina.    “Numa palavra: foi tocado no coração e, por isso, a sua fé é inabalável. Um é como o músico que se comove com os acordes, o outro, apenas ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”
Como vemos, para ser considerado um verdadeiro espírita não há necessidade de haver completado sua auto-educação, ou haver conseguido um elevado grau de desenvolvimento espiritual. Necessário, sim, compreender os princípios doutrinários pelo estudo perseverante, porque quanto mais os estuda, mais se aprofunda nesse entendimento, encontrando mais facilidade na sua aplicação no dia-a-dia.
O espírita sincero esforça-se para encurtar a distância entre a teoria e a prática, errando e corrigindo-se, escorregando nas suas imperfeições, mas levantando cada vez mais depressa, perseverando, assim, no caminho do aperfeiçoamento.

* Kardec, Allan : Revista Espírita, dezembro de 1868, ed. Edicel 1966, pag.357, 2º §   



 Leda de Almeida Rezende Ebner