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sábado, 7 de fevereiro de 2015

MILAGRES “A Gênese” (capítulo 13, item 1).

Danilo Carvalho Villela


A origem das religiões é habitualmente assinalada por fatos extraordinários, boa parte deles de caráter mediúnico como sabemos hoje, que se apresentam na vida de um líder espiritual e seus seguidores mais próximos. Desde a Antigüidade, mais particularmente em nossa tradição judaico-cristã, a possibilidade de realizar o inabitual ou inacessível à pessoa comum distinguiria o profeta, credenciando-o a falar em nome de Deus. É claro que tal impressão decorre de nossa imaturidade, que identifica obediência com inferioridade e fraqueza e nos leva a ver tais ocorrências, extraordinárias e inexplicáveis, como prova de força, assemelhando o poder divino à autoridade humana que, não raro, se converte em arbítrio permitindo-se violar as regras que ela mesma estabeleceu e a que todos devem obedecer. Na verdade, o Criador age de forma oposta àquela suposição, mediante ordem (leis naturais), ritmo (dias e noites, estações) e harmonia (ecossistemas, organismos vivos) dos conjuntos e do todo, sendo que aparentes rupturas, tais como tempestades ou afastamento do tipo normal (deformação ou falta, congênita, de membros no corpo humano), surgem também em decorrência de leis de correção e compensação.
Jesus ao longo de seu ministério e em consonância com aquela mentalidade realizou muitos de tais feitos – chamados sinais na linguagem bíblica – que evidenciariam sua condição de embaixador divino.
Ilustrativo, a respeito, é o seu diálogo com Nicodemos que, ao procurá-lo, afirmou:
“Pois um homem não poderia fazer o que tu fazes se Deus não estivesse com ele” (João, 3:2). Não compreendia aquele doutor da Lei, conhecedor dos textos sagrados, que o que tornava Jesus um ser diferente eram a sua imensa capacidade de amar, até mesmo os inimigos, e sua integral submissão à vontade divina (“meu manjar é fazer a vontade daquele que me enviou” – João, 4 : 34). Por isso, em suas palavras acima, fazer e fazes referem-se justamente à visão comum do profeta como pessoa que faz milagres e não a condição espiritual superior do Mestre. E note-se, a propósito, que o encontro com Nicodemos é uma das raras passagens do Evangelho que apresentam alguém que vai procurar Jesus para informar-se de sua mensagem e não por estar sofrendo com enfermidades, conflitos ou interferências espirituais negativas, como ocorreu com a grande maioria. Sentindo-se diante de pessoa mais esclarecida, Jesus fala-lhe da reencarnação... Mas não é compreendido, exclamando então: “És mestre em Israel mas não sabes destas coisas?” (João, 3:10).
Transitamos, presentemente, e de forma gradual, como é compreensível, da fase infantil-mágica do pensamento religioso para uma etapa nova em que o conhecimento melhor das Leis Divinas permite compreender que doar é conquistar, servir é engrandecer-se e obedecer é ser realmente livre.
Vertentes diversas do moderno pensamento religioso, bem como, desde seu surgimento, a Doutrina Espírita, nos oferecem essa visão coerente do panorama Criador/mundo/criaturas, na qual se evidenciam, de forma mais bela e mais completa, o amor e a sabedoria divina no governo do Universo.
“A Gênese” (capítulo 13, item 1).
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Sábado, 17/5/2008 no 2094