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sábado, 23 de maio de 2015

09  esboço de o livro dos médiuns
C B - Aula 09 - Esboco De # O Livro Dos Mediuns(2).doc 4
OBJETIVO DA OBRA
Indicar os meios de desenvolver as mediunidades
Orientar com segurança quando esta capacidade existe
Guiar as observações das pessoas quanto às manifestações
Mostrar os obstáculos que existe nesta nova ciência
O ESPIRITISMO TEVE GRANDE PROGRESSO QUANDO ENTROU NO CAMINHO FILOSÓFICO
PRIMEIRA PARTE NOÇÕES PRELIMINARES
HÁ ESPÍRITOS?
: Capítulo 01
Há Espíritos?
1 A dúvida em relação à existência dos Espíritos tem como causa primária a ignorância quanto à sua verdadeira natureza. Geralmente, são imaginados como seres à parte na criação, desnecessários e inúteis. Muitos os conhecem somente pelos contos fantásticos com que foram embalados quando crianças, mais ou menos como se conhece a história pelos romances, sem indagar se nesses contos, isentos dos acessórios ridículos, há ou não um fundo de verdade. Só o lado absurdo os impressiona, e eles não se dão ao trabalho de tirar a casca amarga para descobrir a amêndoa; rejeitam o todo, como fazem, na religião, aqueles que, chocados com alguns abusos, nivelam tudo na mesma reprovação.
Qualquer que seja a ideia que se faça dos Espíritos, essa crença está necessariamente fundada na existência de um princípio inteligente fora da matéria, e é incompatível com a negação absoluta desse princípio. Tomamos, portanto, como nosso ponto de partida a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, da qual o espiritualismo* é a demonstração teórica e dogmática e o Espiritismo é a demonstração patente. Façamos por um instante abstração das manifestações propriamente ditas e, raciocinando por indução, vejamos a quais consequências chegaremos.
2 A partir do momento em que se admite a existência da alma e sua individualidade após a morte, é preciso admitir também:
1o) que é de natureza diferente do corpo e, uma vez dele separada, não tem as propriedades características do corpo; 2o) que possui consciência de si mesma, uma vez que se atribui a ela a alegria ou o sofrimento; de outro modo seria um ser inerte, e assim de nada valeria para nós tê-la.
Admitido isso, essa alma terá que ir para alguma parte; em que se transforma e para onde vai? Conforme a crença comum, vai para o céu ou para o inferno; mas onde é o céu e o inferno? Dizia-se antigamente que o céu ficava em cima, e o inferno, embaixo. Mas onde é o alto e o baixo no universo, desde que se sabe que a Terra é redonda, que o movimento dos astros faz com que o que é alto em um determinado momento torne-se baixo em doze horas e que conhecemos o infinito do espaço, onde o olhar mergulha em distâncias inimagináveis? É verdade que por lugares inferiores ou baixos se entende também as profundezas da Terra; mas o que são agora essas profundezas desde que foram pesquisadas pela geologia? Igualmente, em que se transformaram essas esferas concêntricas chamadas de céu de fogo, céu de estrelas, desde que se constatou que a Terra não é o centro dos mundos, que nosso próprio Sol é apenas um dos milhões de sóis que brilham no espaço e que cada um deles é o centro de um turbilhão planetário? Qual é a importância da Terra perdida nessa imensidão? Por que privilégio injustificável esse grão de areia imperceptível, que não se distingue nem por seu volume, nem por sua posição, nem por um papel particular, seria o único povoado com seres racionais? A razão se recusa a admitir essa inutilidade do infinito, e tudo nos diz que esses mundos são habitados. Se são povoados, fornecem, portanto, seu contingente ao mundo das almas, uma vez que a astronomia e a geologia destruíram as moradas que lhes eram designadas e especificamente depois que a teoria tão racional da pluralidade dos mundos as multiplicou ao infinito?
A doutrina de um lugar determinado para as almas não está de acordo com os dados da ciência, mas outra doutrina mais lógica lhes dá por morada não um lugar determinado e limitado, mas o espaço universal: é todo um mundo invisível no meio do qual vivemos, que nos rodeia continuamente. Haverá nisso uma impossibilidade, algo que repugne a razão? De modo algum; tudo nos diz, ao contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas, então, em que se transformam os castigos e as recompensas futuras, se lhes tiramos os lugares especiais de exame? Notemos que a incredulidade em relação a esses castigos e recompensas é geralmente decorrente por se apresentarem esses locais em condições inadmissíveis. Mas, dizei, em vez disso, que as almas levam sua felicidade ou infelicidade em si mesmas; que sua sorte está subordinada ao seu estado moral e que a reunião das almas simpáticas e boas é uma fonte de felicidade; que, de acordo com seu grau de depuração, penetram e entrevêem coisas inacessíveis às almas grosseiras, e todo mundo o compreenderá facilmente. Dizei ainda que as almas somente chegam ao grau supremo pelos esforços que fazem para melhorar e depois de uma série de provas que servem para sua depuração; que os anjos são as almas que chegaram ao último grau, grau este que todos podem atingir por sua vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo o universo, que são felizes com suas missões gloriosas, e dareis à sua felicidade um objetivo mais útil e mais atraente do que o de uma contemplação perpétua, que não seria outra coisa senão uma inutilidade perpétua; dizei, enfim, que os demônios são nada mais, nada menos do que as almas dos maus ainda não depuradas, mas que podem chegar, como as outras, à mais elevada perfeição, e isso parecerá mais de acordo a justiça e a bondade de Deus do que a doutrina de seres criados para o mal, perpetuamente voltados para o mal. Enfim, eis aí o que a razão mais severa, a lógica mais rigorosa, o bom senso, em uma palavra, podem admitir.
Acontece que essas almas que povoam o espaço são precisamente o que se chamam de Espíritos; os Espíritos são a alma dos homens sem o seu corpo físico. Se os Espíritos fossem seres criados à parte, sua existência seria hipotética; mas, se admitirmos que há almas, também é preciso admitir que os Espíritos não são outros senão almas; se admitirmos que a alma está em todos os lugares, é preciso admitir igualmente que os Espíritos estão em todos os lugares. Não se pode, por conseguinte, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.
3 Na verdade, isso é somente uma teoria mais racional do que a outra; mas já é admirável que uma teoria não contradiga nem a razão nem a ciência; se, além disso, é confirmada pelos fatos, tem a seu favor o privilégio do raciocínio e da experiência. Encontramos esses fatos no fenômeno das manifestações espíritas, que são a prova patente da existência e da sobrevivência da alma. No entanto, muitas pessoas, e aí também está inclusa a sua crença, admitem sem dúvida a existência das almas e por conseguinte a dos Espíritos, mas negam a possibilidade de se comunicar com eles, pela razão, dizem, de que seres imateriais não podem agir sobre a matéria. Essa dúvida está fundada na ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, dos quais se faz, geralmente, uma ideia muito falsa, porque são erradamente concebidos como seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não corresponde à realidade.
Imaginemos, primeiramente, o Espírito em sua união com o corpo; o Espírito é o ser principal, é o ser pensante e sobrevivente; o corpo é apenas um acessório do Espírito, um envoltório, uma vestimenta que ele deixa quando está estragada. Além desse envoltório material, o Espírito tem um segundo, semimaterial, que o une ao primeiro; na morte, o Espírito se despoja do corpo físico, mas não do segundo envoltório, ao qual damos o nome de perispírito*. Esse envoltório semimaterial, que tem a forma humana, constitui para ele um corpo fluídico, vaporoso, que, embora invisível para nós em seu estado normal, não deixa de possuir algumas propriedades da matéria. O Espírito não é, portanto, um ponto, uma abstração, mas um ser limitado, ao qual falta apenas ser visível e palpável para ser igual aos seres humanos. Por que, então, não haverá de agir sobre a matéria? É por que seu corpo é fluídico? Mas não é entre os fluídos, os mais rarefeitos, os considerados imponderáveis, a eletricidade, por exemplo, que o homem encontra as suas mais poderosas forças? E não é certo que a luz imponderável exerce uma ação química sobre a matéria ponderável? Nós não conhecemos a natureza íntima do perispírito; mas, supondo-o formado da matéria elétrica, ou outra tão sutil quanto ela, por que não teria a mesma propriedade ao ser dirigido por uma vontade?
4 A existência da alma e a de Deus, que são consequência uma da outra, são a base de todo o edifício e, antes de iniciar qualquer discussão espírita, é importante se assegurar de que o interlocutor admite essa base.
Acredita em Deus?
Acredita ter uma alma?
Acredita na sobrevivência da alma após a morte?
Se ele responder negativamente ou se disser simplesmente: Não sei; gostaria que fosse assim, mas não tenho certeza, o que, muitas vezes, equivale a uma negação benevolente ou educada disfarçada sob uma forma menos chocante para evitar ferir muito francamente o que ele chama de preconceitos respeitáveis, será tão inútil ir além quanto tentar demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admite a luz. Porque, definitivamente, as manifestações espíritas não são outra coisa a não ser os efeitos das propriedades da alma. Com um interlocutor assim, é necessário seguir uma ordem diferente de ideias, se não se quer perder tempo.
Admitida a base, não a título de probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.
5 Agora resta saber se o Espírito pode se comunicar com o homem, ou seja, se pode haver entre ambos troca de pensamentos. E por que não? O que é o homem, senão um Espírito aprisionado num corpo? Por que o Espírito livre não poderia se comunicar com o Espírito cativo, como um homem livre se comunica com um que está aprisionado? Desde que se admita a sobrevivência da alma, é racional negar a sobrevivência das afeições? Uma vez que as almas estão em todos os lugares, não é natural pensar que a de um ser que nos amou durante a vida venha para perto de nós, que deseje se comunicar conosco e que para isso se sirva de meios que estão à sua disposição? Durante sua vida não agia sobre a matéria de seu corpo? Não era ela, a alma, quem lhe dirigia os movimentos? Por que razão após a morte do corpo e em concordância com um outro Espírito ligado a um corpo não emprestaria esse corpo vivo para manifestar seu pensamento, como um mudo pode se servir de uma pessoa que fala para ser compreendido?
6 Separemos, por um instante, os fatos que, para nós, são incontestáveis e admitamos a comunicação como simples hipótese; peçamos que os incrédulos nos provem, não por uma simples negação, visto que sua opinião pessoal não pode valer por lei, mas por razões evidentes e inegáveis, que isso não é possível. Nós nos colocamos no seu terreno, e, uma vez que querem apreciar os fatos espíritas com a ajuda das leis da matéria, que tomem nesse arsenal alguma demonstração matemática, física, química, mecânica, fisiológica e que provem por a mais b, sempre partindo do princípio da existência e da sobrevivência da alma:
1o) que o ser que pensa em nós durante a vida não pode mais pensar depois da morte;
2o) que, se pensa, não deve mais pensar nos que amou;
3o) que, se pensa nos que amou, não deve mais querer se comunicar com eles;
4o) que, se pode estar em todos os lugares, não pode estar ao nosso lado;
5o) que, se pode estar ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;
6o) que, por meio de seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;
7o) que, se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser animado;
8o) que, se pode agir sobre um ser animado, não pode dirigir sua mão para fazê-lo escrever, e
9o) que, podendo fazê-lo escrever, não pode responder às suas questões nem lhes transmitir seus pensamentos.
Quando os adversários do Espiritismo nos demonstrarem que isso não pode acontecer, por meio de razões tão patentes quanto as com que Galileu demonstrou que não é o Sol que gira ao redor da Terra, então poderemos dizer que suas dúvidas têm fundamento; infelizmente, até agora toda a sua argumentação se resume nestas palavras: Não acredito, portanto isso é impossível. Eles nos dirão, sem dúvida, que cabe a nós provar a realidade das manifestações; nós as provamos pelos fatos e pelo raciocínio; se não admitem nem um nem outro, se negam até mesmo o que vêem, devem eles provar que nosso raciocínio é falso e que os fatos espíritas são impossíveis.