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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Programa de Qualificação Continuada do Tarefeiro do Grupo Mediúnico
Esther Fregossi Gonzalez *
Dirigimo-nos aos que vêem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo. Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. Introdução.1
Quando Allan Kardec elaborou, sob a inspiração dos Espíritos Guias da Humanidade, a obra monumental intitulada O Livros dos Médiuns, nos ofertou o maior e mais completo compêndio de informações relativas a paranormalidade humana e a fenomenolgia espírita.
O singular conteúdo desta obra, que permanece atualíssimo e insuperado, confere ao fenômeno espírita e à mediunidade objetivos nobres, alicerçados na conduta moral dos investigadores e dos médiuns. Na atualidade, quando as comprovações são dispensáveis, o estudo aprofundado e constante é atitude inadiável, de todo aquele que deseje obter comunicações produtivas.  Convictos de que [...] a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos.2 É indispensável delinear diretrizes que venham a garantir a qualidade do intercâmbio mediúnico.
Refletindo sobre as assertivas de Allan Kardec, compreendemos que, somente quando as diretrizes de O Livro dos Médiuns forem consideradas e aplicadas, poderemos obter Reuniões Instrutivas, ou seja, tornaremos sérias e verdadeiramente úteis às reuniões mediúnicas espíritas. É portanto, imprescindível compreender, considerar e aplicar os conceitos e critérios contidos em O  Livro dos Médiuns.
O insigne Codificador asseverou: Esta obra (O Livro dos Médiuns) se destina a lhes aplainar o caminho, levando-os a tirar proveito dos nossos longos e laboriosos estudos, porquanto muito falsa idéia formaria aquele que pensasse bastar, para se considerar perito nesta matéria, saber colocar os dedos sobre uma mesa, a fim de fazê-la mover-se, ou segurar um lápis, a fim de escrever (grifos nossos).3
Indubitavelmente, o Mestre Lionês não mediu esforços para precaver os adeptos quanto aos escolhos naturais que a prática espírita apresenta. Afirmando claramente que, o seu objetivo não se restringia a indicar os meios de desenvolvimento da mediunidade, mas também, a assinalar os obstáculos que hão necessariamente de encontrar, e fundamentalmente a apontar os meios de se obterem boas comunicações.
Resta-nos questionar: estamos efetivamente tirando proveito dos seus longos e laboriosos estudos?
Se nos reportarmos ao Livro dos Espíritos, verificaremos Allan Kardec afiançar, na introdução, item III: Para se conhecerem essas leis, (as que regem as relações do mundo material com o espiritual) preciso é que se estudem as circunstâncias em que os fatos se produzem e esse estudo não pode deixar de ser fruto de observação perseverante, atenta e às vezes muito longa. (grifos nossos) 4
A todo momento nos deparamos com a recomendação do estudo, no entanto, temos confundido a instrução teórica inicial - pré-requisito básico para a prática espírita - com o estudo continuado, perseverante e laborioso, o estudo recomendado pelo Codificador, cujas características indispensáveis são continuidade, regularidade e o recolhimento 5
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* Federação Espírita Catarinense. Membro da diretoria e coordenadora da Mediunidade. Florianópolis-Santa Catarina.  Representante da UEM- área da atividade mediúnica nas comissões regionais, CFN-FEB.
O grande erro que temos cometido é o de acharmos que sendo portadores de aptidões mediúnicas patentes, uma vez concluída a etapa da instrução teórica espírita, estamos prontos para o exercício mediúnico. Em verdade, a instrução inicial é apenas um estágio, onde vencemos algumas dificuldades de ordem material, porém, a partir deste ponto é que efetivamente iniciam os verdadeiros desafios, é neste momento, mais do que nunca, que precisamos do estudo aprofundado, bem como, dos conselhos da prudência e da experiência, se não quisermos cair nas armadilhas da obsessão.
Presentemente, quando os vastos elementos de estudo apresentados por Allan Kardec, são desdobrados e aprofundados por nobres Benfeitores Espirituais, como André Luiz e Manoel Philomeno de Miranda  através da pena mediúnica de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, respectivamente  alargam-se as possibilidades de estudo e pesquisa, neste largo campo de valiosas e imprescindíveis informações para a prática mediúnica segura.
O Espiritismo é Ciência e, como tal, nos incita ao estudo e à investigação continuada, seja do próprio fenômeno mediúnico e seu mecanismo, seja a mediunidade em suas diversas nuances, bem como, as comunicações mediúnicas propriamente ditas.
O fascinante mecanismo da mediunidade, ao ser desvendado, confere-nos oportunidade de conhecer e compreender o intrincado processo do transe, bem como, os seus desdobramentos na organização física. Conhecer em profundidade as variadas facetas do mecanismo mediúnico é de suma importância para o medianeiro comprometido com a qualidade da sua tarefa.
É por tanto imprescindível, investirmos em metodologias de estudo que visem tornar a Doutrina Espírita melhor compreendida e adequadamente aplicada. O estudo metódico e sistemático da mediunidade e do fenômeno mediúnico apresenta-se como recurso seguro e eficiente, para obter o aprimoramento constante do médium e por via de conseqüência, da reunião mediúnica.
Esta metodologia, de estudo sistemático e continuado, deve, em princípio, contemplar dois aspectos:
* Qualificação continuada do tarefeiro.
* Qualificação continuada do grupo de tarefeiros.
  Vamos, em seguida, fazer uma análise de ambos os tipos de qualificação.
1. Qualificação Continuada Individual
* 1ª Etapa - Formação Básica: Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, com base em todas as obras da Codificação Espírita. Entendemos que esta etapa é imprescindível para o tarefeiro Espírita, qualquer que seja a sua área de atuação, mas, especialmente, na prática mediúnica Espírita.
* 2ª Etapa - Estudo Teórico da Mediunidade. Tendo como base O Livro dos Médiuns. Após adquirir o conhecimento básico do Espiritismo, o tarefeiro inicia o estudo específico da Mediunidade e do fenômeno Mediúnico, tendo como base o Livro dos Médiuns e obras subsidiárias como a série André Luiz (Francisco Cândido Xavier) e Manoel P. de Miranda (Divaldo Franco).
* 3ª Etapa - Estudo Teórico-Prático.  O objetivo desta etapa é o aprofundamento teórico-prático, que pode ser desenvolvido por meio de dinâmicas e exercícios que possibilitem ao tarefeiro o auto-conhecimento, e a disciplina do pensamento e das emoções. Se o tarefeiro apresenta faculdade mediúnica bem caracterizada, poderá, concomitantemente, ir educando a aptidão mediúnica através de exercícios práticos específicos, sob supervisão de trabalhadores mais experientes.
Observação: a conclusão das etapas de estudo, não habilita o tarefeiro ao exercício da Mediunidade em um grupo mediúnico. O seu ingresso e sua integração nesta reunião espírita deverá atender também a outros critérios, além dos estabelecidos pela Instituição Espírita.
* 4ª Etapa  Prática Mediúnica: participação em grupo mediúnico. A fim de garantir um grupo mediúnico homogêneo, seguro e qualificado, necessário se faz considerar alguns critérios básicos na admissão e manutenção do tarefeiro na atividade Mediúnica. Sugerimos observar se o tarefeiro atende as condições básicas, tais como: Conhecimento Doutrinário (contemplando as etapas anteriores); equilíbrio emocional / espiritual; vinculação comprovada na Instituição Espírita; participação efetiva nas demais atividades da Instituição; disposição para aderir a proposta de qualificação continuada e compromisso com a transformação moral; atitude espírita: hábito da oração, Evangelho no lar; esforço em renovação moral, vinculação a uma atividade de assistência e promoção social.
É sempre oportuno lembrar que a participação em grupo mediúnico é opcional, não implicando que todos os tarefeiros que preencherem os pré-requisitos e participem das etapas de estudo, devam obrigatoriamente, vincular-se à prática mediúnica.
2  Qualificação Continuada Grupal
* Estudo Continuado para os Grupos Mediúnicos.
Através de programação específica, podem-se contemplar estudos periódicos, que poderão ser realizados no dia da reunião mediúnica  após o termino da reunião ou destinando uma das reuniões semanais exclusivamente para o estudo (exemplo: a primeira semana do mês está destinada ao estudo) ou em outro momento escolhido pelo grupo. Sugerimos para compor o programa as seguintes obras:
a) O Livro dos Médiuns,
b) Obras de André Luiz e algumas de Emmanuel
c) Obras de Manoel Philomeno de Miranda
O programa poderá ser desenvolvido de duas formas: estudo seqüencial das obras espíritas ou por temas, os quais serão pesquisados nos referidos livros.
* Seminários, Cursos , Encontros
Deve-se promover Cursos, Seminários e Encontros periódicos, previamente definidos e divulgados na Casa Espírita.  A programação deve, necessariamente, abordar temas que destaquem o estudo continuado da mediunidade, dando ênfase ao aspecto moral, possibilitando ao tarefeiro oportunidades de reflexão, de auto-avaliação, o nível de comprometimento com a tarefa, a qualidade da prática mediúnica etc.
*  Avaliação Contínua
Estabelecer critérios para realizar com periodicidade, avaliação quantitativa e qualitativa das reuniões mediúnicas, bem como, do desempenho dos tarefeiros da atividade mediúnica. Esta avaliação poderá servir de base para ajustes no Programa de Estudo Continuado da Mediunidade, bem como, na definição de temas dos Seminários e Cursos a serem realizados.
É imperioso ainda destacar que a proposta de estudo continuado tem por objetivo a educação integral do tarefeiro, que não se restringe apenas ao conhecimento teórico, porquanto [...] há uma relação muito estreita entre a educação para a vida e a educação para a mediunidade. Se a vida exige do ser disciplina e responsabilidade no fruir dos gozos materiais, equilíbrio e brandura ao lidar com o próximo, além de resistência nas provas; a mediunidade se enriquece de modo idêntico com estas conquistas. Podemos, por tanto, afirmar, que não existe médium educado antes que tenhamos um cidadão educado.6
A mediunidade é ponte sublime que interliga o mundo físico e o mundo espiritual. Instrumento abençoado que permite que as luzes da verdade, trazidas pelos imortais, impulsionem o progresso moral da Humanidade. Na consecução desta meta superior, consagram-se encarnados e desencarnados de boa vontade, construindo e consolidando esta ponte que transpõe o abismo da ignorância e da morte.
 Busquemos sempre a qualificação continuada, porquanto, [...] o médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação. Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada, cooperando eficazmente com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e à verdade.7
Bibliografia
1. KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Introdução.
2. XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008, questão 382.
3. KARDEC, O livro dos médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Introdução.
4. ________. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.  Introdução.
5. ________. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Introdução.
6. FRANCO, Divaldo. Vivência mediúnica. 7. ed. Salvador: LEAL, 1994.
7. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008, questão 392.