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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Juventude e Velhice

            Tornou-se ontológica a forma inamistosa o ser em relação à velhice, que considera como decadência, amargura, soledade, doença e morte, na visão estreita da imaturidade psicológica. Para esse, viver é acalentar sonhos permanentemente juvenis, sensações brutalizantes e de efeito rápido, passando de uma para outra entre insatisfações e conflitos íntimos.

            A juventude, diga com clareza, não é somente um estado biológico, atinente a determinada faixa etária. Mas também todo o período em que se pode amar e sentir, esperar e viver, construir e experimentar necessidades novas e edificantes.


            O período juvenil, limitado entre a infância e a idade da razão, é de muita significação para o desenvolvimento real do indivíduo, porque abre os espaços existenciais para a aprendizagem, fixação dos conhecimentos, ansiedades de conquistas e realizações, em um caleidoscópio fascinante. É também o período da imaturidade, do desperdício de oportunidades, porque tudo parece tão distante e farto, que os prejuízos de tempo e produção não têm significado profundo, dando nascimento a futuros conflitos que necessitam ser vencidos.

            É jovem, porem, todo aquele que aspira aos ideais de enobrecimento humano, esteja transitando por qualquer período existencial, não importa. Mantendo a capacidade de realizar e realizar-se, de produzir e multiplicar, de renovar e renovar-se, desfruta do largo prazo da juventude real.

            A velhice se apresenta quando o indivíduo se considera inútil, quando experimenta o desprestigio da sociedade preconceituosa, que elaborou conceitos de vida em padrões torpemente materialistas, hedonistas.

            A Ciência médica está a comprovar a cada instante que todos os períodos da vida são ricos em oportunidades para aprender, para crescer e desenvolver a capacidade de fixação dos valores humanos. Os conceitos ortodoxos para o início da velhice, quando surgem os sinais de decadência orgânica, estão totalmente ultrapassados.

            Nesse contexto, a mente é fator importante que gera energias incessantes, num ou noutro sentido, de forma positiva ou destrutiva, e, enquanto se possa pensar com auto - estima e confiança, os limites impostos pela idade desaparecem, para facilitarem a continuação da existência enriquecedora. Assim também, quando o jovem se deixa abater e passa a pensar destrutivamente, encarcera-se nos porões da decadência psicofísica e degenera.

            O cérebro, que antes era pouco identificado nas suas incomparáveis produções, como a maior glândula do corpo humano, é hoje conhecido como um extraordinário e incomum conjunto harmônico de setenta e cinco a cem bilhões de neurônios em circuito especializado e complexo, como o mais notável computador que a mente ainda não pode conceber. Suas enzimas, cerebrinas, globulinas e outras secreções comandam as reações de todo o corpo, trabalhando pela vida física e psíquica. Quando ocorre a morte de cada célula nervosa e a mente trabalha, pesquisa e se esforça para manter os equipamentos em ordem, amplia-se, transformando as extremidades em árvores (dendrites), que facultam o fluxo das informações, sem qualquer solução continuidade, produzindo as maravilhosas sinapses eletroquímicas, que mantêm todo o equilíbrio dele mesmo e do organismo em geral.

            Ainda desconhecido e pouco utilizado, é centro dinâmico da vida, nas mais complexas operações que se possa imaginar, antena transceptora, que se coloca na direção das faixas parapsíquicas, sem perder a sua estruturação para os registros e captações no campo psíquico normal.

            Nele, portanto, estão as disposições da juventude e da velhice, dependendo sobretudo da mente que o vitaliza e movimenta, que o aciona e mantém.

            Todavia, muitos crêem que a velhice é sinal de perda de memória, de deterioramento do raciocínio, do desequilíbrio das emoções... Sem dúvida, com u suceder dos anos, a maquinaria experimenta desgaste e, certamente, diminui a capacidade de produção e eficiência de resultados. Entretanto, a perda de memória não fenômeno exclusivo do envelhecimento, porquanto muitos fatores contribuem para essa ocorrência em qualquer idade, como as enfermidades sutis, quais sejam as infeções urinárias, as intoxicações por medicamentos, a depressão, o mal de Alzheimeir, etc. O importante, desse modo, é o estado psíquico do indivíduo, que lhe determina qual a fase em que se encontra e lhe apraz permanecer; se na juventude que lhe alonga ou na velhice que lhe chega precocemente.

            De extraordinário resultado é a ação do trabalho nesse comportamento, facultando o prosseguimento dos deveres, dos estudos, das buscas e realizações novas, sem fadigas nem justificativas de impossibilidade para crescer e permanecer jovem.

Hérin Andréas
Junho / 2002

Bibliografia:

Vida: Desafios e Soluções. Divaldo Pereira Franco, Espírito Joanna de Ângelis