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sábado, 7 de novembro de 2015

Céu inferno_081_2ª parte cap. VIII - Expiações terrestres- Szymel Alizgol

Céu inferno_081_2ª parte cap. VIII - Expiações terrestres- Szymel Alizgol

Este não passou de um pobre israelita de Vilna, falecido em maio de 1865.

Durante 30 anos mendigou com uma salva nas mãos. Por toda a cidade era bem conhecida aquela voz que dizia: "Lembrai-vos dos pobres, das viúvas e dos órfãos!"

Por essa longa peregrinação Slizgol havia juntado 90.000 rublos, não guardando, porém, para si um só copeque. Aliviava e curava os enfermos; pagava o ensino de crianças pobres; distribuía aos necessitados a comida que lhe davam.
(...)

Sociedade de Paris, 15 de junho de 1865

Evocação: Excessivamente feliz, chegado, enfim, à plenitude do que mais ambicionava e bem caro paguei, aqui estou, entre vós, desde o cair da noite.

Agradecido, pelo interesse que vos desperta o Espírito do pobre mendigo, que, com satisfação, vai procurar responder às vossas perguntas.

- P. Uma carta de Vilna nos deu conhecimento das particularidades mais notáveis da vossa existência, e da simpatia que tais particularidades nos inspiram nasceu o desejo de nos comunicar convosco. Agradecemos a vossa presença, e, uma vez que quereis responder-nos, principiaremos por vos assegurar que mui felizes seremos se, para nossa orientação, pudermos conhecer a vossa posição espiritual, bem como as causas que determinaram o gênero de vida que tivestes na última encarnação.

- R. (...) Visto que disponho de liberdade, vou, portanto, dizer-vos, o mais laconicamente possível, quais as causas determinantes da minha última existência.

Faz muitos séculos, vivia eu com o título de rei, ou, pelo menos, de príncipe soberano. Dentro da esfera do meu poder relativamente limitado, em confronto com os atuais Estados, era eu, no entanto, absoluto senhor dos meus vassalos, como dos seus destinos, e governava-os tiranicamente, ou antes digamos o próprio termo como algoz.
(...)

Como Espírito, permaneci na erraticidade durante três e meio séculos, e, quando ao fim desse tempo compreendi que a razão de ser da reencarnação era inteiramente outra que não a seguida por meus grosseiros sentidos, obtive à força de preces, de resignação e de pesares a permissão de suportar materialmente os mesmos sofrimentos que infligira, e mais profundamente sensíveis que os por mim ocasionados. Obtida a permissão, Deus concedeu que por meu livre-arbítrio aumentasse os sofrimentos físicos e morais. Graças à assistência dos bons Espíritos, persisti na prática do bem, e sou-lhes agradecido por me terem impedido de sucumbir sob o fardo que tomara. Finalmente, preenchi uma existência de abnegação e caridade, que por si resgatou as faltas de outra, cruel e injusta. Nascido de pais pobres e cedo orfanado, aprendi a ganhar o pão numa idade em que muitos consideram incapaz o raciocínio.
Vivi sozinho, sem amor, sem afeições, e desde o princípio suportei as brutalidades que para com outros havia exercido.
(...)

Desencarnei calmamente, confiando no valor da minha reparação, e sou premiado muito mais do que poderiam ter cogitado as minhas secretas aspirações. Hoje sou feliz, felicíssimo, podendo afirmar-vos que todos quantos se elevam serão humilhados, como elevados serão todos quantos se humilharem.
(...)

Carrasco que fui de todos os bons sentimentos, fiquei por muito, por longo tempo preso pelo perispírito ao corpo em decomposição. Até que esta se completasse, vime corroído pelos vermes - o que muito me torturava! e quando me vi liberto das peias que me prendiam ao instrumento do suplício, mais cruel suplício me esperava!... Depois do sofrimento físico, o sofrimento moral muito mais longo. Fui colocado em presença de todas as minhas vítimas. Periodicamente, constrangido por uma força superior, era eu levado a rever o quadro vivo dos meus crimes. E via física e moralmente todas as dores que a outrem fizera sofrer! Ah! meus amigos, que terrível é a visão constante daqueles a quem fizemos mal! Entre vós, tendes apenas um fraco exemplo no confronto do acusado com a sua vítima. Aí tendes, em resumo, o que sofri durante três e meio séculos, até que Deus, compadecido da minha dor e tocado pelo meu arrependimento, solicitado pelos que me assistiam, permitisse a vida de expiação que conheceis.

(...) A religião de Israel era uma pequena humilhação a mais na minha prova, visto como em certos países a maioria dos encarnados menosprezam os judeus, e principalmente os judeus mendicantes.
(...)

Durante os 60 e alguns anos dessa peregrinação terrena, nunca deixei de atender à tarefa que me impusera. Também jamais a consciência me fez sentir que causas anteriores à existência fossem o móbil do meu proceder. Um dia somente, e antes de começar a pedir, ouvi estas palavras: "Não façais a outrem o que não quiserdes que vos façam."

Surpreendido pelos princípios gerais de moralidade contidos nessas poucas palavras, muitas vezes parecia-me ouvi-las acrescidas com estas outras: - "Mas fazei, ao contrário, o que quiserdes que vos façam." Tendo por auxiliares a lembrança de minha mãe e dos meus próprios sofrimentos, continuei a trilhar uma senda que a minha consciência dizia ser boa.

Vou terminar esta longa comunicação, dizendo: - Obrigado!

Imperfeito ainda, sei, contudo, que o mal só acarreta o mal, e de novo, como já o fiz, dedicar-me-ei ao bem para alcançar a felicidade.

Szymel Slizgol.

QUESTÃO PARA DEBATE E ESTUDO

Explique com suas próprias palavras o que entende dessas duas assertivas retiradas do texto:

a) “... todos quantos se elevam serão humilhados, como elevados serão todos quantos se humilharem";

b) "Não façais a outrem o que não quiserdes que vos façam. Mas fazei, ao contrário, o que quiserdes que vos façam".

Conclusão:

Explique com suas próprias palavras o que entende dessas duas assertivas retiradas do texto:

a) "...todos quantos se elevam serão humilhados, como elevados serão todos quantos se humilharem";

Esta assertiva faz referência ao orgulho, este mal moral do qual ainda padecemos em grande escala e que trava a nossa evolução, o qual somente é revertido quando aprendemos a viver com abnegação e caridade, como viveu Szymel na sua última encarnação, na qual foi possível reverter suas ações negativas do passado.

b) "Não façais a outrem o que não quiserdes que vos façam. Mas fazei, ao contrário, o que quiserdes que vos façam".

Aqui é evidenciado o ensinamento evangélico de que não adianta nada, ou seja, não se cresce moralmente apenas não fazendo o mal - que não queremos para nós - mas sim devemos, além disso, praticar o bem, fazer ao outro o que queremos que seja feito para nós.


Se levarmos em conta que toda ação leva a uma reação contrária do mesmo teor e de igual intensidade, pode-se inferir que apenas não praticando o mal, nenhuma reação enseja, pois nenhuma ação foi realizada; por outro lado, o bem que praticarmos, além de melhorar nosso semelhante, melhora o "ar" do nosso planeta pela boa vibração e também nos melhora pela reação contrária de igual benefício.