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domingo, 18 de dezembro de 2016

CONVERSÃO E ESPIRITISMO

CONVERSÃO E ESPIRITISMO


A palavra conversão, segundo a communis opinio, é termo e conceito com caráter predominantemente (embora não exclusivamente) religioso, sobretudo cristão. Na verdade, o termo “con-versão” tem sua origem na filosofia platônica, especificamente no livro VII da República, indicando os seus pressupostos de modo preciso. Para Platão, a “conversão” (periagoghe), no sentido original, é a essência da educação. É um volver ou faze girar “toda a alma” para a luz da idéia do bem, que é a origem de tudo.

O deslocamento da palavra para a experiência cristã da fé processa-se com base no platonismo dos antigos cristãos. A partir daí, tomou corpo e, através do uso constante, acabou por ser agregado à sua terminologia. A conversão dogmática se faz através do proselitismo, que é alcançar um número sempre crescente de participantes. Prometendo a salvação, coloca em prática os diversos dogmas, os sacramentos e os rituais, no sentido de livrar o crente do pecado do mundo e inseri-lo nas bem-aventuranças, apregoadas por Jesus Cristo. 

Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, combate sistematicamente o proselitismo, pois advoga a liberdade de culto para toda e qualquer pessoa. O Espírito Emmanuel assim se expressa “os agrupamentos religiosos no mundo permanecem, quase sempre, preocupados pelas conversões alheias. Os crentes mais entusiastas anseiam por transformar as concepções dos amigos. Em vista disso, em toda a parte somos defrontados por irmãos aflitos pela dilatação do proselitismo em seus círculos de estudo”. Lembremo-nos de que o Espiritismo não é uma questão de números, mas de essência.

Se o Espiritismo não é uma questão de números, como entender a conversão? Primeiramente, o neófito defronta-se com a necessidade de atender aos anseios de sua alma imortal, anseios estes que não foram devidamente solucionados por outras filosofias ou credos religiosos. Depois, a conversão se processa através de volver-se constante para dentro de si mesmo, à semelhança do que fazia Santo Agostinho, em que toda a noite passava em revista o seu dia para verificar como foram os seus pensamentos, palavras e atos.

O espiritista sincero é aquele que procura identificar-se com a lei natural, expressando-se de acordo com a idéia do bem, que é resumida por Jesus nos seguintes termos: “Fazer aos outros o que gostaria que nos fosse feito”. A identificação pressupõe renovação de atitudes mentais, no sentido de combater o pessimismo crônico, a fadiga, a ociosidade, as reclamações, o egoísmo e o orgulho. Apesar das dificuldades inerentes ao processo de evolução da sua alma, ele espera sempre um novo amanhã, cheio de paz, harmonia e serenidade.

Convertamo-nos amorosamente ao reino de Deus. Não esperemos que os acicates da vida nos obriguem a isso. Acione a nossa boa vontade a cada manhã, e deixemos tudo o mais por conta da Divina Providência.



ARTIGOS DE SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO