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domingo, 19 de julho de 2015

Estudos sobre Mediunidade 17

CAPÍTULO  15
AS MANIFESTAÇÕES VISUAIS,
BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO
DAS MANIFESTAÇÕES VISUAIS

Por sua natureza e em seu estado normal o perispírito é invisível, tendo isso em comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir e que não vemos, por exemplo, o ar atmosférico. Pode também, como alguns fluidos, sofrer modificações que o torna visível, quer seja por uma espécie de condensação (por falta de um termo mais apropriado), quer por uma mudança em sua disposição molecular. Pode mesmo adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, para retomar, em seguida, seu estado etéreo e invisível. É possível fazer-se idéia desse efeito pelo que acontece com o vapor (vapor-água-gelo).

Esses diferentes estados do perispírito resultam da vontade do Espírito, e não de uma causa física exterior, como é o caso dos gases. Quando um Espírito desencarnado faz-se visível, este condensa o seu perispírito num estado próprio para torná-lo visível; mas, nem sempre basta a vontade para que ele torne-se visível: é preciso o concurso de outras circunstâncias, que não dependem dele.

É preciso ainda, que ao Espírito seja permitido tornar-se visível a tal pessoa, o que nem sempre lhe é concedido. Necessita ainda, no caso de ser um Espírito desencarnado, da participação de um médium, que deverá ceder fluidos necessários ao processo, pois a modificação no perispírito opera-se mediante uma combinação deste com o fluido peculiar ao médium. Essa combinação nem sempre é possível, o que explica não ser generalizada a visibilidade dos Espíritos.

Assim, não basta que o Espírito queira mostrar-se nem tampouco que uma pessoa queira vê-lo, é necessário que entre eles haja uma espécie de afinidade, e também, que a emissão de fluidos da pessoa seja suficientemente abundante para operar a transformação do perispírito e, provavelmente, que se verifiquem outras condições que ainda desconhecemos.

Pode pois, numa reunião, mostrar-se a apenas a uma pessoa ou a diversas que nela estejam presentes. Daí resulta que, se duas pessoas igualmente dotadas desta aptidão se encontrarem juntas, pode o Espírito operar a combinação fluídica com apenas uma da duas, a quem ele queira mostrar-se ou com aquele que a combinação fluídica se opere mais facilmente.

As manifestações visuais ocorrem na maioria das vezes durante o sono, por meio do que chamamos muitas vezes de sonhos: são as visões. Quando as manifestações visuais ocorrem no estado de vigília, chamamos de aparições.

Podendo assumir todas as aparências, o Espírito se apresenta da forma que mais se torne reconhecível, se o quiser. Apresenta-se em geral de forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e imprecisa, e outras de formas nitidamente desenhadas, de modo que uma pessoa pode diante de um Espírito nestas condições, supor tratar-se de um encarnado, sem sequer suspeitar que tem diante de si um Espírito.

As aparições não constituem novidades, pois em todos os tempos se produziram e delas temos vários exemplos na história.

BICORPOREIDADE

Este fenômeno é uma variedade das manifestações visuais e baseia-se no princípio das propriedades do perispírito, quer se encontre no mundo dos Espíritos, quer se encontre no mundo dos encarnados.

A faculdade que possui o Espírito encarnado de emancipar-se e de desprender-se do corpo durante a vida, pode permitir a ocorrência de fenômenos análogos aos que os Espíritos desencarnados produzem. Enquanto o corpo se acha sob o efeito do sono, o Espírito pode transportar-se revestido pelo perispírito a lugares diversos, tornando-se visível e aparecendo a outros indivíduos, quer este¬jam estes acordados ou dormindo, pelo mesmo processo de condensação ou de transformação já estudados. Além de visível torna-se também tangível, de uma forma tão próxima da realidade que permite aos indivíduos afirmarem tê-lo visto em dois lugares ao mesmo tempo. Ele realmente estava em ambos, mas apenas num se achava o corpo material, achando-se no outro o Espírito. Ao despertar o indivíduo, os dois corpos se reúnem e a vida volta ao corpo material. A este fenômeno denominamos bicorporeidade.

Por mais que possa parecer extraordinário, este fenômeno, como tantos outros, está na ordem dos fenômenos naturais, pois que depende de propriedades do perispírito e de uma lei natural, e tem sua explicação nas propriedades de condensação e transformação do perispírito.

Deste fenômeno temos vários exemplos amplamente comprovados e divulgados, tanto na literatura Espírita quanto Eclesiástica.

Santo Alfonso de Liguori foi canonizado antes do tempo necessário por ter se mostrado em dois lugares ao mesmo tempo, o que se passou como sendo um milagre. Enquanto os seus companheiros o viam em sua cela, em estado de êxtase, em Arienzo, na província de Nápoles, ele era visto simultaneamente em Roma assistindo ao Papa Clemente XIV, em seus últimos minutos, e ao despertar deu aos colegas de convento a notícia da desencarnação do Papa, que foi confirmada bem mais tarde por notícias oficiais, em decorrência da distância que separava os dois lugares.

Santo Antônio de Pádua, estava na Espanha e enquanto aí pregava, seu pai, que estava em Pádua, ia ao suplício, acusado de uma morte. Neste momento, Santo Antônio aparece, demonstra a inocência de seu pai e revela o verdadeiro culpado que, mais tarde, sofre o castigo. Foi constatado que neste momento, Santo Antônio não havia deixado a Espanha.

Eurípedes Barsanulfo, notável médium que viveu em Sacramento - MG, dotado de moral irrepreensível, por várias vezes se fez notar no fenômeno da bicorporeidade. Encontramos alguns relatos bastante interessantes, principalmente por terem sido presenciados por testemunhos nem sempre afeitos à Doutrina dos Espíritos.
Eurípedes era professor, sendo o fundador do Colégio Allan Kardec em Sacramento (o primeiro colégio espí¬rita em todo o mundo). Era médium dotado de variados tipos de mediunidade, destacando-se a mediunidade de cura e o receituário mediúnico. Muitas vezes entrava em transe durante uma aula e se prestava a socorrer necessita¬dos através da bicorporeidade; certa vez, após um transe, dirige-se aos alunos e diz:

"- Prestem atenção. Acabo de fazer um parto difícil, numa residência atrás da Igreja do Rosário. O marido não sabe que a criança já nas¬ceu e está a caminho daqui, para solicitar ajuda. Quando ele entrar na sala os senhores devem ficar de pé para o cumprimentarem.

E o homem entrou logo em seguida, muito aflito, de roupa de montaria e chapéu, pedindo a Eurípedes que fosse até a sua residência, com urgência fazer o parto pois sua mulher estava muito mal e a parteira não estava conseguindo resolver o caso.

- Acalme-se, respondeu o médium sorrindo, já fiz o parto há 5 minutos atrás...

- Não é possível disse o homem, há 5 minutos eu o teria visto no caminho.

- O senhor não me viu porque eu fui em Espírito, mas eu vi o senhor, respondeu Eurípedes, e pode voltar para sua casa sossegado, a menina que nasceu é linda e forte.

O homem porém duvidou e só saiu dali com Eurípedes junto. Chegando a casa se deparou com a esposa que segurava no leito a filhinha. A parturiente ao ver o médium exclamou:

- O senhor não precisava vir de novo seu Eurípides, eu e o bebê estamos passando muito bem!
Em várias outras ocasiões este médium pôde ser visto simultaneamente em dois lugares.

Os livros Eclesiásticos relatam a história de Maria D'Agreda, que ainda muito jovem tornou-se superiora do convento de Imaculada Conceição de Maria na Espanha. Maria D'Agreda era um Espírito nobre e extremamente preocupada com a salvação do próximo, e, em suas preces, pedia ardentemente a Deus que permitisse a ela fazer algo pela salvação destas almas que não conheciam a Deus. Certo dia, durante seus momentos de oração, ela se viu arrebatada em êxtase a uma região longínqua de clima e vegetação diversos do clima espanhol, sendo esta região reconhecida como o Novo México, na América do Norte. Neste local Maria d'Agreda encontrou uma nação indígena que passou a catequizar, durante estes períodos de êxtase que se repetiram por cerca de 8 anos com aproximadamente 500 êxtases, seguidos do fenômeno de bicorporeidade. Maria d'Agreda exerceu assim seu apostolado doutrinário em região muito distante da Espanha sem de lá se afastar em corpo físico, apenas o fazendo em corpo espiritual. (Vide Revista Espírita de novembro de 1860).

TRANSFIGURAÇÃO

O fenômeno da transfiguração decorre do princípio de que pode o Espírito dar ao seu perispírito a aparência que desejar; que mediante modificações na disposição molecular, pode dar-lhe visibilidade, tangibilidade e a opacidade; que o perispírito de um encarnado possui as mesmas propriedades, que essa mudança se opera pela combinação dos fluidos.

Imaginemos pois o perispírito de um encarnado, não desprendido do corpo, mas exteriorizado em volta de seu corpo, de maneira a envolvê-lo como uma espécie de vapor. Neste estado se torna passível das mesmas modificações de que o seria se estivesse separado do corpo. Poderá então o perispírito mudar de aspecto, tornar-se brilhante, se tal for a vontade do Espírito ou se ele dispuser de poder para tanto. Um outro Espírito, combinando seus fluidos com os dele poderá, a essa combinação de perispíritos, dar a forma que desejar, mudando temporariamente a forma original e assumindo aquela da entidade espiritual que sobre ele atua. Esta parece ser a causa do fenômeno da transfiguração.

Allan Kardec relata no Livro dos Médiuns vários casos de transfiguração.
Um dos mais belos exemplos de transfiguração encontra-se no Evangelho [Marcos-IX,2-8]:
"Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João e os levou em particular ao Monte Tabor. E foi transfigurado diante deles, suas vestes tornaram-se resplandecentes e muito brancas, como nenhum lavadeiro sobre a Terra as pode alvejar."

Eliseu Rigonatti, médium, escritor e expositor espírita conta em [O Evangelho das Recordações], um caso bastante ilustrativo do fenômeno da transfiguração. Segundo este autor, uma das médiuns participantes da reunião mediúnica por ele dirigida naquela ocasião era muito estrábica do olho direito, a ponto de aparecer apenas a esclerótica, com pequena parte da íris, num cantinho da pálpebra. O olho esquerdo era normal. Certo dia ela comunicou ao dirigente que faltaria por uma semana, pois iria a São Paulo submeter-se a uma cirurgia corretiva para o problema. Mas no sábado seguinte lá estava ela para os trabalhos mediúnicos, e durante uma comunicação Eliseu notou que a jovem mantinha os olhos bem abertos e que eles estavam normais, sem qualquer sinal do estrabismo. Ao final da reunião entretanto, quando ele se dirigiu à jovem para comemorar o sucesso da cirurgia, notou que a jovem mostrava o mesmo estrabismo de sempre e ela lhe disse que por motivos econômicos tivera que adiar a viagem, e que durante a comunicação mediúnica, sentira um forte pressão nos olhos.

Vimos assim, de forma sucinta, alguns esclarecimentos básicos para se entender os fenômenos da bicorporeidade e da transfiguração. Para aumentar os seus conhecimentos no assunto, sugerimos que leia a bibliografia recomendada abaixo.

Bibliografia

1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

2) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec

3) Obras Póstumas - Allan Kardec

4) A Gênese - Allan Kardec

5) Revista Espírita - novembro de 1860

6) O Evangelho das Recordações - Eliseu Rigonatti

7) O Apóstolo da Caridade - Eurípedes de Barsanulfo

8) Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

IDE-JF/CVDEE
IDE-JF  Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora-MG

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