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sexta-feira, 17 de julho de 2015

O Livro dos Médiuns está organizado em duas partes: Noções preliminares e Das manifestações espíritas. A primeira parte, constituída de quatro capítulos, analisa questões gerais sobre a manifestação dos Espíritos. Kardec interroga no capítulo um: Há Espíritos? Magistralmente, analisa as ideias não-espíritas sobre o assunto, revelando os seus pontos frágeis para, em seguida, demonstrar por que os Espíritos existem. No capítulo dois, aborda questões usualmente consideradas miraculosas ou sobrenaturais a respeito das manifestações dos Espíritos. No capítulo três e quatro, especifica, respectivamente, o método de investigação dos fenômenos mediúnicos inclusive o método que ele utilizou e os diferentes tipos de sistemas existentes para explicar as comunicações dos Espíritos. Na segunda parte do livro, organizada em trinta e dois capítulos, encontramos a base doutrinária espírita sobre a comunicabilidade dos Espíritos, assim especificada: ação material e intelectual dos Espíritos sobre o mundo físico e sobre as pessoas; tipos comuns e incomuns de manifestações mediúnicas; natureza das comunicações; fenômenos de emancipação da alma; natureza das comunicações; formação de médiuns; convenientes e inconvenientes da prática mediúnica; obsessão e desobsessão; influência moral e do meio ambiente nas comunicações dos Espíritos; identidade dos Espíritos comunicantes; evocação e manifestação espontânea dos espíritos; organização dos grupos mediúnicos; mediunidade nos animais; da utilização dos fluidos na manifestação dos Espíritos (laboratório do mundo invisível); charlatanismo, mistificações e embustes; regulação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; dissertações espíritas e vocabulário espírita.

Bibliografia

1. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 35. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Segunda Parte, item: 17 de junho de 1856. Na casa do Sr. Boudin; médium: srta. Baudin), p.285.
2. ___. p.285-286.
3. ___. p.286-287.
4. ___. Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Rio de janeiro: FEB, 2006. Nota do Tradutor, p.9-10.
5. ___. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 73. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Folha de rosto.
6. ___. Capítulo XIV, item 159, p. 203.
7. ___. O Que é o Espiritismo. 49. ed. Rio de Janeiro: FEB: 2005. Cap. II Item 100, p. 186-189.
8. KEMPF, Charles. O Espiritismo é uma ciência? Tradução de Paulo A. Ferreira. http://www.espirito.org.br/portal/artigos/unidual/o-espiritismo-eh-uma-ciencia.html
9.____. Os Fundamentos da Espiritualidade do Espiritismo. Tradução de Paulo A. Ferreira. http://www.espirito.org.br/portal/artigos/unidual/os-fundamentos.html
10. PIRES, José Herculano. 100 anos de "O Livro dos Espíritos. http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/100-anos-de-ole.html
11. Abel Sidney - As Lições da Introdução de O Livro dos Médiuns. http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/estudo/as-licoes.html
12. UNIÃO DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS INTERMUNICIPAL DE SOROCABA O Livro dos Espíritos - Primeira edição e Claudine T. Carneiro. USE: 2004, p.25-26.
de 18 de abril de 1857. Livro Primeiro: Doutrina Espírita. Tradução de Wladimyr Sanchez

AS LIÇÕES DA INTRODUÇÃO D'O LIVRO DOS MÉDIUNS - ABEL SIDNEY

O Livro dos Médiuns é uma dessas obras que merece um estudo acurado, profundo, o que nos exige, por certo, doses maiores de dedicação e constância. Não é, definitivamente, um livro de leitura digestiva, desses para se ler nas horas vagas. É um livro de estudo e pesquisa. E como tal como deve ser lido, estudado e meditado.
A sua Introdução guarda preciosas lições, a começar pela definição do caráter da obra. Kardec imprime-lhe a feição de "estudo sério e completo". O sério se contrapõe à leviandade com que a mediunidade era tratada em seu tempo (e também no nosso!); o completo refere-se à busca de se estudar por todos os ângulos este tema tão complexo, que é a mediunidade, sem que isso signifique a verdade total ou a última palavra.
Fosse filho de uma cultura utilitarista e mercantilista, como a americana, e Kardec poderia ter caído na doce tentação de publicar um "resumido manual prático, que em poucas palavras desse a indicação dos processos a seguir, a fim de entrar em comunicação com os espíritos". Entretanto, fosse por ter a exata noção de sua responsabilidade com a Doutrina que estava a edificar; fosse pelo espírito filosófico e cultural francês, que exige profundidade do pensador, decidiu ele evitar "experiências feitas levianamente" que poderiam ocorrer, caso um pequeno manual de como comunicar-se com os mortos fosse publicado.
Publicara ele, antes dessa obra, um pequeno livro chamado Instrução Prática, que fora o embrião, o alicerce da definitiva obra que seria erguida. Esgotada a edição, ele não a reeditou, por considerá-la "insuficiente para esclarecer todas as dificuldades que se podem apresentar" no trato com as manifestações espirituais. O Livro dos Médiuns, fruto de "uma longa experiência e um estudo consciencioso", fora, pois, o sucessor natural das primeiras instruções. O caráter da obra, anota Kardec na linha seguinte, é o de seriedade, tendo ela por fim "desviar toda ideia de preocupação frívola ou de divertimento" daqueles que lidam com o Invisível.
Quando Kardec comenta sobre "a má impressão" causada por "experiências realizadas levianamente e sem conhecimento de causa", o que permitiria "os ataques da zombaria e de uma crítica por vezes fundamentada", ele se referia aos médiuns do seu tempo, que ao se exporem publicamente, em reuniões sem a devida seriedade, causavam um duplo mal: os incrédulos não se convenciam dos fatos e também não se inclinavam "a ver o lado sério do Espiritismo".
A atualidade do alerta do codificador pode ser percebida em outras atitudes nossas, no movimento espírita. Trata-se da exposição dos dons mediúnicos notadamente da pintura mediúnica e da cura dita espiritual, que longe de convencer os céticos, desperta-lhes o senso crítico, por tratar-se, lamentavelmente, mais de um espetáculo do que propriamente da busca da comprovação da imortalidade da alma, o que aliás, já está suficientemente demonstrada, dispensando-se efeitos pirotécnicos para tanto.
Não por acaso, aponta Kardec, o progresso alcançado pelo Espiritismo nos seus primeiros anos de difusão deveu-se à sua apreciação "por gente esclarecida", pelo fato da Doutrina ter adentrado pelo "caminho da Filosofia".
A conquista de "partidários valiosos" estaria mais no terreno da reflexão e da busca, próprios da Filosofia, do que na provocação das manifestações mediúnicas, que como simples fenômeno pode não suscitar, de imediato, quaisquer reflexões morais ou filosóficas.
O "número de adeptos feitos só com a leitura de O Livro dos Espíritos" é um atestado do que foi exposto anteriormente. E aqui cabe mais um alerta, desta vez nosso: a sofreguidão de muitos companheiros de conquistar adeptos através da oferta de livros supostamente espíritas. Refiro-me aos tantos recentes lançamentos de "romances mediúnicos" de conteúdo duvidoso, embora de enredo fácil e adocicado. Não se deveria confundir a leitura acessível dos romances espíritas de bom conteúdo e procedência legítima com os citados romances, os quais podem entreter e sensibilizar, mas não educam, por não despertar reflexões profundas, além de trazerem, dissimulados, conceitos errôneos sobre alguns dos pontos básicos da Doutrina.
Nos parágrafos finais desta Introdução Kardec tributa aos espíritos a realização da obra. Em suas palavras: "...como tudo reviram, aprovando ou modificando à vontade, pode-se dizer que, em grande parte, esta é uma obra deles, de vez que a sua intervenção não ficou limitada a alguns artigos assinados."
Podemos afirmar que O Livro dos Médiuns é um trabalho feito a muitas mãos. Mas o pedreiro, se podemos utilizar tal analogia, é de fato Allan Kardec. Os engenheiros, os consultores, estiveram presentes, dando cada qual sua cota de orientação e trabalho. Os tijolos, assentados e reassentados, custou muito do seu suor. E se podemos tomar as palavras de Edison, o inventor da lâmpada elétrica, diríamos que no seu trabalho a inspiração ocupava apenas uma parte, devendo-se o restante à sua transpiração... O seu labor intelectual não conhecia limites, desafiando o cansaço e as doenças que o acometiam. A sua produção literária e as outras atividades paralelas desenvolvidas nos quinze anos (1854-1869) que se dedicou à causa espírita atesta a fenomenal capacidade de trabalho deste missionário. O seu exemplo nos atesta que não podemos dispensar o trabalho constante, a pesquisa e o estudo permanente, a busca da renovação espiritual e a luta pela própria transformação íntima.
Nota: todas as citações entre aspas foram colhidas na Introdução de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, tradução de Júlio Abreu Filho, edição Círculo do Livro.

e-mail: abel@unir.br

PLANO DE IDEIAS Nº 01

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