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sexta-feira, 27 de março de 2015

1 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, avida futura e o porvir da Humanidade - segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados
Apresentação 1-2
Introdução – No sentido de entender que a 3ª Revelação, não nasceu ao acaso, mas dentro de um contexto, na época própria, faz-se necessário refletir ou recordar que:
Revelação – veio através de Moisés que revela ao homem:
O Deus único
Promulga a lei do Sinai – o Decálogo
Assenta os fundamentos da verdadeira fé.
Junto, apresenta o Deus
Terrível
Ciumento
Vingativo
Cruel
Impiedoso
Arbitrário
Necessários, naquele tempo, a um povo rude, de coração duro, com um raciocínio que jamais entenderia, conceberia ou aceitaria a autoridade sem temor.
Revelação – Jesus, tomando da antiga lei o que é eterno, divino, rejeitando o transitório, disciplinar, a concepção humana, acrescenta a revelação da vida futura, da qual Moisés não havia falado, bem como as penas e recompensas que esperam o homem. Com estes dois pontos, muda radicalmente a visão, o entendimento de Deus que, é agora mostrado como:
Pai
Clemente
Soberassamente justo e bom
Pleno de misericórdia
Possibilita a que cada um receba suas obras
Não mais o deus único de um povo de todo o gênero humano
Não mais o deus “olho por olho” mas o “Ama a Deus acima de tudo e do próximo como a ti mesmo”.
No entanto, Cristo acrescenta: - “Muitas coisas que lhes digo, não podem ainda compreender; seria muito mais a lhes dizer que não compreenderiam e é por isso que lhes falo em parábolas.Mais tarde, porém, enviarei o Consolador, o Espírito da Verdade, que restabelecerá e explicará todas as coisas” João XIV – XVI – MT – XVII
Ao falar desse modo, Jesus afirma o caráter incompleto, não no sentido de que lhe seriam acrescentadas verdades novas, pois tudo ali se acha em germe, mas incompleto, porque não estão contidas todas as explicações, desenvolvidas, aprofundados os assuntos em termos de raciocínio claros.
“Da mesma forma que o Cristo disse:” Eu não vim destruir a Lei mas dar-lhe cumprimento, o Espiritismo diz igualmente: “Eu não vim destruir a Lei cristã, mas cumpri-la. Ele não ensina nada de contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo o mundo, o que não foi dito senão sob forma alegórica; vem cumprir nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. É; pois, obra do Cristo que o preside, como igualmente anunciou, a regeneração que se opera, e prepara o reino de Deus sobre a Terra”.
Essas colocações todas, justamente porque faltava ao Homem conhecimentos que estes só poderiam alcançar com o tempo. Não havia desenvolvimento cientifico que possibilitasse aprofundar no conhecimento das leis que regem a matéria – faltava a chave – uma vez que Ciência e Espiritismo se completam: a Ciência sem o Espiritismo acha-se impotente para explicar certos fenômenos apenas pelas leis da matéria. Espiritismo sem Ciência falta apoio e controle. O estudo das leis da matéria devia preceder o da espiritualidade, porque é a matéria que atinge primeiro os sentidos. O Espiritismo vendo antes das descobertas cientificas, teria sido uma obra abortada, como tudo o que vem antes do seu tempo.
1.1. – Que tempo era esse?
Século dezenove. Cumprir-se-ai importante revelação mostrando sobretudo, a comunicabilidade com seres do mundo espiritual.
Esse conhecimento não é novo, mas chegava à essa época no tempo, sem proveito para a Humanidade. A ignorância das leis que regem essas relações, sufocaram sob superstição e o homem não tirava dai qualquer dedução salutar.
O Espiritismo, explicando as leis que regem o fenômeno, dando a conhecer o mundo invisível que nos rodeia e no meio do qual vivíamos sem suspeitar, as relações, o estado dos seres que o habitam e por conseqüência o destino do homem depois da morte, constitui-se como revelação cientifica, na acepção da palavra.

3) Revelação – Pela sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: provém simultaneamente da revelação divina e a revelação cientifica.
Provém da primeira, no que seu advento é providencial, e não o resultado da iniciativa e de um intento premeditado do homem.
Os pontos fundamentais da Doutrina, são o objeto dos ensinos dado o pelos Espíritos encarregados por Deus para esclarecer o homem sobre coisas que ignoravam e que não podiam aprender por si próprios e que cumpre, conheçam hoje que estão maduros para compreendê-las.
Provém da segunda, isto é, da revelação cientifica, pelo fato de que este ensino não é privilégio de nenhum individuo, mas é dado a todos pela mesma via:
Os que o transmitem e o que os recebem. Absolutamente não são seres passivos, dispensados do trabalho de observação e investigação.
Não abnegam de seu juízo e de seu livre arbítrio.
O controle não lhes é proibido, mas pelo contrario recomendado, enfim.
A Doutrina não foi ditada globalmente, nem imposta-a crença cega – ela é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação, dos fatos que os Espíritos esclarecem, das instruções que lhes dão, instruções que esse homem, estuda, comenta, compara e das quais tira conclusões , conseqüências e aplicações. Em resumo: ...”o que caracteriza a Doutrina Espírita é que sua fonte é divina, que a iniciativa pertence aos Espíritos, e que a elaboração é o resultado do trabalho do homem”.

Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente do mesmo modo que as Ciências positivas – isto é – aplica-se lhe o método experimental. Apresentam-se os fatos de uma natureza nova que não podem ser explicadas pelas leis conhecidas: ele as observa, compara, analisa, remonta dos efeitos às causas – chega à lei que as rege – depois – deduz conseqüências e procura aplicações úteis. Não estabelece nenhuma teoria pré-concebida.
Desse modo, não colocou como hipóteses, a existência, a intervenção dos Espíritos, a reencarnação ou qualquer dos princípios doutrinários.
Só conclui pela existência de Espíritos, quando tal se evidenciou pela observação dos fatos. Da mesma forma, procedeu em relação aos outros pontos básicos.
Não foram os fatos que vieram confirmar a teoria, mas a teoria que veio subseqüentemente explicar e resumir os fatos.
Rigorosamente, por esses raciocínios, é exato dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação.
O grande progresso da Ciência inclusive vai acontecer a partir da aplicação desse método experimental, acreditando-se primeiro que ele só era aplicável à matéria e comprovando-se que também é imprescindível para a realidade metafísica.
1.2. – Enquanto tudo isso estava se processando, como se caracterizava a época?
Temos que estudá-la sob dois contextos: - o contexto religioso e o cientifico.
Nesse tempo, o contexto religioso tinha e mantinha a fé alicerçada no dogma. Quando Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” usa a palavra dogma, não tem nada a ver com esse dogma – conceito religioso da época. Desde a Grécia antiga já existiam os filósofos dogmáticos que pregavam que a Verdade pode ser alcançada. Opunham-se aos céticos, que prega o contrário – o homem nunca alcançará a Verdade.
Na concepção filosófica grega dogma quer dizer: uma verdade fundante, isto é, que se apóia na razão; uma verdade que alicerça e que não poderia ser alcançada nem filosófica, nem cientificamente. Por ser fundante, um dia a constatação daquele pressuposto, daquela verdade, seria percebida, alcançada pela Humanidade.
A palavra dogma, como fé cega, como se entende ainda nos dias atuais vai começar a existir como dogma religioso a partir do século IX.

Leda Marques Bighetti Junho/2001
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