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segunda-feira, 30 de março de 2015

MEDIUNIDADE - ESTUDO 9*
 Mediunidade e Animismo - O Espírito do médium se comunicando
               Em nosso estudo de número 8 - O Papel do Médium nas Comunicações, percebemos que ao médium cabe o papel de "intérprete" do pensamento do Espírito. Se não compreender o alcance desse pensamento, não o poderá fazer com fidelidade. Se compreender o pensamento mas, por falta de simpatia ou outro motivo, não for passivo (isto é, se misturar suas idéias próprias com as do Espírito comunicante), deformará o pensamento comunicado, o que evidencia a grande participação do Espírito do médium na comunicação que ocorre.
               O processo de comunicação dá-se somente através da identificação do Espírito com o médium, perispírito a perispírito, cujas propriedades de expansibilidade e sensibilidade, entre outras, permitem a captação do pensamento, das sensações e das emoções, que se transmitem de uma para outra mente através do veículo sutil.
               O médium é sempre um instrumento passivo, cuja educação moral e psíquica lhe concede recursos hábeis para um intercâmbio correto. Porém, inúmeros impedimentos se apresentam durante o fenômeno, os quais, somente o exercício prolongado e bem dirigido consegue eliminar. Podemos citar as fixações mentais, os conflitos e os hábitos psicológicos do médium que vertem do inconsciente e, durante o transe, assumem com vigor os controles da faculdade mediúnica, dando origem às ocorrências anímicas.
               O problema das interferências do médium na comunicação não passou despercebido a Kardec que, ao questionar os Espíritos orientadores da Codificação, deles obteve a confirmação do fato (O Livro dos Médiuns, Cap. XIX O Papel dos Médiuns nas Comunicações, Influência do Espírito do Médium item 223):
Item 223. 2 - As comunicações escritas ou verbais podem ser também do próprio Espírito do médium?
               - A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outro. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra, então suas qualidades de Espírito.
Item 223. 2a - Esta explicação não parece confirmar a opinião dos que acreditam que todas as comunicações são do Espírito do médium e não de outro Espírito?
               - Eles só estão errados por entenderem que tudo é assim. Porque é certo que o Espírito do médium pode agir por si, mas isso não é razão para que outros Espíritos não possam agir, também, por seu intermédio.
               Estudando esse capítulo, observamos que não foi dado nenhum caráter de anormalidade à manifestação do Espírito do próprio médium, chegando mesmo a afirmar que o conteúdo de certas comunicações produzidas por médiuns, sem o concurso dos Espíritos, pode ser superior ao de outras, obtidas com a participação deles, a depender do grau de evolução de uns e de outros. Nem sempre porém, o fato anímico revela qualidades adormecidas ou simples ocorrências do quotidiano da vida atual ou passada do médium. Muitas vezes, o que se projeta são o trauma, as manifestações fóbicas, além de outras expressões de desajuste que aguardam regularização.
               Assim, no exercício mediúnico, o animismo se revela sob dois aspectos distintos:
O Espírito do médium se comunicando - animismo clássico pesquisado por Aksakof, Bozzano e outros;
2. Espírito do médium introduzindo suas ideias nas mensagens de que se faz instrumento.
               Estudando o aspecto do Espírito do médium se comunicando - buscamos André Luiz, no livro Nos Domínios da Mediunidade (cap. 22 - Emersão do Passado) quando narra interessante fato ocorrido numa reunião mediúnica, em que uma sensitiva em transe sonambúlico, libera episódio traumático de outra encarnação, como se fosse uma autêntica comunicação mediúnica. Assistia a cena um Espírito desencarnado que funcionava como catalisador a liberar da memória da sensitiva, pelo mecanismo dos reflexos condicionados, os lances ali fixados desde o passado remoto .
               O fato relatado reflete uma situação anímica marcada pelo desajuste psicológico, passível, no entanto, de uma solução futura após o esvaziamento daquelas aflições e o retorno à normalidade mediúnica. Com base nessa certeza, André Luiz enfatiza a necessidade de conduzir o atendimento com todo respeito e interesse, procedendo-se ao diálogo esclarecedor da mesma forma como se atendem os Espíritos sofredores nas reuniões de socorro espiritual.
               Para se compreender corretamente o problema do animismo, relembremos o papel dos médiuns nas comunicações. Sabemos que ele é o intérprete da mensagem que chega. Ora, quem interpreta, vivencia, e não apenas repete, absorvendo em seu mundo íntimo a ideia, devolvendo-a com a vestimenta representada por seu estilo, vocabulário, emoções e acervo cultural.
               É comum, no início da educação mediúnica, quando os médiuns ainda não estão familiarizados com o processo das comunicações, que eles façam o conflito sem saberem determinar corretamente a fronteira entre o pensamento próprio e o dos comunicantes. Nesse início é muito provável que preponderem os estados arquivados no inconsciente. É por isso que, acertadamente, afirma-se que para alcançar o estado mediúnico transita-se necessariamente pelo anímico.
               Ao mesmo tempo em que exercita a faculdade, deve o médium educar-se moralmente, a fim de que os seus fatores de desajuste sejam superados antes que se convertam em viciações alienantes e caminhos de acesso para as obsessões.
Pessoas excessivamente mórbidas, afeitas a queixas, repetitivas e egoístas, quando na prática mediúnica apresentam tendência para o animismo, desajustes, porque seu comportamento já traduz esse estado anímico de tristeza e desencanto, decorrente do aflorar do passado nas experiências que ora vivenciam. Podemos citar outros fatores desencadeantes do animismo: encontros e desencontros que sensibilizem o médium, discussões e desentendimentos, festas sociais excitantes, jogos e entretenimentos similares, que atuam como fortes desequilibrantes emocionais. O cultivo de idéias desordenadas, as aspirações mal contidas, desequilibram, promovendo falsas informações. Os desbordos da imaginação geram impressões, produzem idéias que fazem supor procederem de intercâmbio mediúnico. Além desses, a inspiração de Entidades levianas coopera com eficiência para os exageros, as distonias.
               Uma mudança salutar de hábitos e comprometimento com a caridade cristã podem desfazer certos condicionamentos renitentes e perturbadores.
               Espera-se que os médiuns atuantes compreendam sem demora esse processo de transitar do anímico para o mediúnico, desemperrando as engrenagens medianímicas pelo exercício disciplinado e constante, desobstruindo os canais por onde fluem as ideias através do trabalho no Bem, absorção de conhecimentos e cultura, oração e meditação continuadas.
               Compreende-se que é necessário ao médium um exame contínuo de seus problemas íntimos e acentuado zelo pelo estudo, a fim de discernir com acerto e segurança. Nem tudo que ocorre na esfera mental significa fenômeno mediúnico.
Recomenda o Espírito Joanna de Ângelis, no livro Celeiro de Bênçãos:
               "Estuda e estuda-te.
               Evita a frivolidade e arma-te de siso, no mister relevante da mediunidade.
               Cada ser vincula-se a um programa redentor, graças às causas a que se imana pelo impositivo da reencarnação. Interferências espirituais sucedem, sim, mas, não amiúde como pretendem a leviandade e a insensatez dos que se comprazem em transferir responsabilidades.
               Revisa opiniões, conotações, exames e resguarda-te na discrição.
               Mediunidade é patrimônio inestimável, faculdade delicada pela qual ocorrem fenômenos sutis expressivos e vigorosos e só procedem do Alto quando em clima de alta responsabilidade.
               Nesse sentido, não descuides das ocorrências provindas de interferências anímicas, dos desejos fortemente acalentados, das impressões indesejáveis e desconexas que ressumam, engendrando comunicações inexatas.
               Acalma a mente e harmoniza o "mundo interior"
(Celeiro de Bênçãos, Cap. 6, Joanna de Ângelis/Divaldo P.Franco - LEAL)
Bibliografia
Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns - Cap. XIX, q. 223, de 1 a 8, FEESP . 2ª ed. São Paulo, 1989
Neves, J.; Azevedo, G.; Calazans, N.; Ferraz, J. - "Vivência Mediúnica - Projeto Manoel P. de Miranda", Cap. 1 - Fenômenos, Cap. 11- Do Anímico ao Mediúnico, LEAL. 1ª edição. Salvador/BA, 1994
Neves, J.; Azevedo, G.; Calazans, N.; Ferraz, J. - "Qualidade na prática Mediúnica- Projeto Manoel P. de Miranda", 1ª Parte, Animismo, LEAL. 1ª edição. Salvador/BA, 2000
Xavier, Francisco C. pelo Espírito André Luiz, Nos Domínios da Mediunidade. Cap. XXII Emersão do Passado, FEB, 14ª Ed. 1985

Tereza Cristina D'Alessandro
Março / 2002